Amigo Nerd.net

Degenerações Celulares

Autor:
Instituição: IELUSC
Tema: Biologia

Degenerações Celulares


INTRODUÇÃO

As células, através de um estímulo agressor, rompem seu equilíbrio homeostático, podendo se adaptar, sofrer um processo regressivo ou morrer.

As degenerações celulares podem ser classificadas de acordo com o acúmulo dentro ou fora da célula:

Algumas dessas lesões embora classificadas como lesões reversíveis, podem causar graves danos às células.  


DEGENERAÇÕES CELULARES
 

Quando se rompe o equilíbrio homeostático das células (pelo efeito de uma agressão) as células podem se adaptar, sofrer um processo regressivo ou morrer.

As adaptações podem ter um caráter fisiológico se o estimulo (que irá agredi-lo) é fisiológico.As adaptações patológicas, embora possam ter mecanismos adaptativos, propiciam que a célula module o seu meio ambiente e se adapte, escapando das agressões.

Quando a célula não se adapta, tem seu metabolismo reduzido, e conseqüentemente sua função também será diminuída, portanto neste caso dizemos que a célula sofreu uma alteração regressiva.

Mas quando a célula, depois do estímulo, tem sua função aumentada, dizemos que ela teve uma alteração progressiva, que podem ser de cinco tipos: hipertrofia, hiperplasia, regeneração, metaplasia e neoplasia.

As degenerações são classificadas de acordo com o acumulo de substancias dentro ou fora da célula, isto se dá devido a diminuição da função celular. Temos, portanto, classicamente os seguintes acúmulos com as conseqüentes degenerações:

Embora classificados como lesões reversíveis, algumas dessas degenerações causarão graves danos celulares.

As reações celulares, na sua maioria, se dão em uma cascata de acontecimentos.

A seguir, veremos cada uma destas alterações.


Degeneração Hidrópica

Este tipo de degeneração é a lesão celular (reversível) caracterizada pelo acúmulo de água e eletrólitos no interior da célula, aumentando seu volume. É a lesão não-letal mais comum.

Alguns autores falam em edema intracelular para indicar a degeneração hidrópica, o que não é muito certo, pois a palavra edema (exceto no tecido nervoso) indica acúmulo de líquido no interstício.

Causas e mecanismos

A degeneração hidrópica é causada por transtornos no equilíbrio hidroeletrolítico que resultam em retenção de eletrólitos e água nas células. O trânsito de eletrólitos através das membranas depende de mecanismos de transporte feito pelos canais iônicos e bombas (eletrolíticas). As bombas, para seu funcionamento necessitam de energia (ATP)

Uma agressão, pode diminuir o funcionamento da bomba eletrolítica, quando altera a produção e consumo de ATP, quando interfere com a integridade de membranas ou quando modifica a atividade de uma ou mais moléculas que formam a bomba.

Degeneração hidrópica pode ser provocada por uma grande variedade de agentes lesivos:

Em todas essas situações, as mais diferentes causas levam à um fenômeno comum: retenção de sódio, redução de potássio e aumento da pressão osmótica intracelular, levando à entrada de água no citoplasma e expansão isosmótica da célula. Como as bombas do retículo endoplasmático liso. São mais sensíveis à redução de ATP, esses é o 1º compartimento a se expandir. Logo após, o citosol se expande provocando um certo desarranjo na distribuição das organelas citoplasmática que mais separadas, conferem ao citoplasma o aspecto granuloso visto ao grande acúmulo de água no citosol é que conferem o aspecto vacuolar característico da lesão.

Aspectos Morfológicos:

De modo geral, os órgãos aumentam de peso e volume, as células são mais salientes na superfície de corte e a coloração é mais pálida porque as células degeneradas, aumentada de volume, comprimem os capilares e diminuem quantidade de sangue no órgão.  

Evolução, Conseqüências:

A degeneração hidrópica, como vimos, é processo reversível, suprindo a causa as células voltam ao aspecto normal. Quase sempre, ela não traz conseqüências funcionais muito sérias, a não ser que seja muito intensa.


Degeneração Hialina

Degeneração hialina significa um acúmulo de material acidófilo, vítreo, no interior da célula. O material acumulado é indiscutivelmente protéico, mas as alterações que lavam ao seu acúmulo variam de caso para caso. Em alguns, a degeneração resulta da condensação de filamentos intermediários e proteínas associadas que formam corpúsculos no interior das células: em outros, representa acúmulo de material de origem virótica: algumas vezes, o que se descreve como degeneração hialina são na realidade corpos apoptóticos ainda em alguns casos, o material hialino depositado é constituído por proteínas endocitadas.

Os corpúsculos de Mallory são encontrados na cirrose juvenil da Índia e no carcinoma hepatocelular, além de poderem ser induzidos experimentalmente em camundongos pelo uso prolongado de griseofulvina. Os corpúsculos hialinos de Councilman e Rocha Lima são vistos nos hepatócitos em hepatites virais, especialmente na febre amarela, na qual são muito numerosos. Podem representar hepatócitos com material virótico acidófilo no citoplasma, mas muitas vezes são corpos apoptóticos.

A degeneração hialina de fibras musculares esqueléticas e cardíacas decorre da ação de endotoxinas bacterianas e da agressão de células T e macrófagos. Degeneração hialina segmentar de fibrocélulas musculares é compatível com absorção e reestruturação dos sarcômeros, mas, se muito extensa, leva à morte celular.

Em indivíduos com proteinúria, degerenação hialina por endocitose excessiva de proteínas é encontrada no epitélio tubular renal. O acúmulo excessivo de imunoglobulinas nos plasmócitos leva à formação de estruturas intracitoplasmáticas conhecidas como corpúsculos de Russel, os quais são freqüentes em algumas inflamações agudas.


Esteatose

Entende-se por esteatose a deposição de gorduras neutras, que podem ser mono, di ou triglicérides, no citoplasma de células que normalmente não as armazenam. A lesão é muito comum no fígado, epitélio tubular renal e miocárdio, mas pode ser observada também nos músculos esqueléticos e pâncreas.

3.1- Etiologia e Patogênese

Muitas são as agressões capazes de produzir esteatose. A lesão aparece todas as vezes que um agente interfere no metabolismo lipídico da célula, aumentando sua síntese ou dificultando sua utilização, transporte e exceção. A esteatose é causada por agentes tóxicos, hipóxia, alterações na dieta e distúrbios metabólicos de origem genética.

Em condições normais, os hepatócitos retiram da circulação ácidos graxos e triglicerídeos provenientes da absorção intestinal e da lipólise no tecido adiposo. Os ácidos graxos são utilizados para:

Os glicerídeos absorvidos e sintetizados no retículo endoplasmático liso (REL) dos hepatócitos aí permanecem até serem transportados em vesículas ao complexo de Golgi, onde serão conjugadas com apoproteínas para formar as lipoproteínas.

Os agentes lesivos causam esteatose por interferirem nos diferentes passos do metabolismo lipídico, como:

A - Aumento da síntese de lipídeos por maior aporte de ácidos graxos decorrente de lipólise, de ingestão excessiva ou pela produção de ácidos graxos a partir do excesso de acetil CoA que não encontra condições de rápida oxidação no ciclo de Krebs;

B - Redução na utilização dos triglicerídeos ou de ácidos graxos para a síntese de lipídeos mais complexos, devido à carência de fatores nitrogenados e de ATP;

C - Menor formação de lipoproteínas por deficiência na síntese de apoproteínas

D - Distúrbios no deslocamento e fusão das vesículas que contêm as lipoproteínas com a membrana plasmática, em decorrência de alterações funcionais no citoesqueleto.

Nos estados de hipóxia (anemia, insuficiência cardíaca ou respiratória, etc), há redução de síntese de ATP. Neste caso, a esteatose decorre em boa parte do aumento da síntese de ácidos graxos a partir do excesso de acetil CoA, cuja oxidação no ciclo de Krebs está diminuída. A redução do ATP também dificulta a síntese de lipídeos complexos e diminui a utilização de ácidos graxos e triglicerídeos, favorecendo assim o acúmulo dos últimos.

Na desnutrição protéico calórica, dois fatores são importantes:

Agentes tóxicos lesam o retículo endoplasmático granular e reduzem a síntese de proteínas, levando à esteatose por afetar a síntese de lipoproteínas. Embora síntese protéica deficiente possa resultar em esteatose, não sendo regra geral. Inibidores da síntese protéica podem provocar esteatose através do bloqueio na utilização de triglicerídeos, sem que a síntese protéica tenha sido reduzida. Portanto, é possível que a esteatose na carência de proteínas ou síntese deficientes das mesmas tenha mecanismos mais complexos envolvendo os processo de conjunção dos lipídeos com apoproteínas e sua posterior excreção.

A ingestão abusiva de etanol é a causa mais freqüente de esteatose hepática. Esteatose induzida pelo etanol pode ser agravada pela desnutrição que freqüentemente acompanha o alcoolismo crônico, embora a lesão posa surgir independentemente de fatores nutricionais.

A gênese da esteatose em outros órgãos é também pouco clara. A redução da utilização de ácidos graxos (em alguns casos como, miocardites e diftéricos) é o principal fator de acúmulo de lipídeos.

Em crianças com desnutrição protéica grave, pode haver esteatose em outras vísceras, especialmente no coração, rim, músculo esquelético e pâncreas.

3.2- Aspectos Morfológicos

Os órgãos com esteatose apresentam aspecto morfológico variável. O fígado aumenta de volume e peso e tem consistência diminuída, bordas arredondadas e coloração amarelada. No coração, a esteatose pode ser difusa ficando o órgão pálido e com consistência diminuída: em outros casos, a esteatose aparece em faixas amareladas visíveis através do endocárdio, criando um aspecto conhecido como coração tigróide. No rim, há aumento de volume e peso, tornando o órgão amarelado.

Ao MO, a esteatose é muito característica. Os triglicerídeos se depositam em pequenas vesículas ou glóbulos revestidos por membrana. Na fase inicial, são encontrados vacúolos de tamanhos variados com tendência à fusão e à formação de glóbulos cada vez maiores. Na sua forma clássica, os hepatócitos apresentam um grande vacúolo de gordura no citoplasma, o qual desloca o núcleo para a periferia da célula e lhe confere aspecto de adipócito.


Glicogenoses

São doenças genéticas caracterizadas pelo acúmulo de glicogênio nas células do fígado, rins, músculos esqueléticos e coração e que têm como causa básica a deficiência de enzimas que atuam no processo de sua degradação. Dependendo da doença os depósitos podem ser intralisossômicos ou no citosol. As principais doenças provocadas pela deficiência de enzimas relacionadas ao metabolismo do glicogênio e os órgãos mais afetados estão resumidos no quadro abaixo. Acúmulo de glicogênio pode ocorrer também por outros mecanismos. É o que acontece nas células dos túbulos renais no diabetes melito por causa da reabsorção de glicose presente em excesso no filtrado glomerular.

Tipo

Denominação

Distúrbio Enzimático

Glicogênio

Estrutura Afetada

I

Doença de Von Gierke Glicose-6-fosfatase Normal Fígado, rim, intestino(?)

II

Doença de Pompe (glicogenose por deficiência generalizada de a -1,4 glicosidase) a -1,4 glicosidase Normal Generalizada

III

Doença de Cori (dextrinose-limite por deficiência de desramificante) Amilo- 1,6-glicosidase Subnormal: cadeias externas ausentes ou muito curtas Fígado, coração, músculos. Leucócitos

IV

Doença de Andersen (amilopectinose por deficiência de ramificante) Amilo- (1,4 -> 1,6-transglicosidase Subnormal: cadeias desramificadas internas e externas muito longas. Fígados e provavelmente outros órgão

V

Doença de McArdle-Schimid-Pearson (glicogenose por deficiência de miofosforilase) Fosforilase do glicogênio do músculo Normal Músculo esquelético

VI

Doença de Hers (glicogenose por deficiência de hepatofosforilase) Fosforilase do glicogênio do fígado Normal Fígado e leucócitos

VII

Doença por deficiência de fosfofrutoquinase do músculo Fosfofrutoquinase do músculo Normal Músculo esquelético (clinicamente semelhante ao tipo V)

VIII

Doença por deficiência de fosforilase-quinase hepática Fosforilase-quinase do fígado Normal Fígado

IK

Hipoglicogenose por deficiência de sintetase hepática Glicogênio-sintetase do fígado Quantidade limitada Fígado

?

Glicogenose cardíaca de Antopol (essa classificação ainda é duvidosa) ? ? Musculatura Cardíaca e esquelética


CONCLUSÃO

As degenerações celulares são classificadas de acordo com o acúmulo de substâncias dentro ou fora das células:

Verifica-se se que degeneração hidrópica é uma lesão reversível, causada pelo acúmulo de água e eletrólitos no interior da célula, aumentando seu volume.

A degeneração hialina é causada pelo acúmulo de material protéico, as alterações que levam ao seu acúmulo variam de caso para caso.

Esteatose é a deposição de gordura no citoplasma de células que normalmente não as armazenam.

Glicogenoses é uma doença genética causada pelo acúmulo de glicogênio nas células de alguns órgãos, como: fígado, rins, coração, etc.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Comentários


Páginas relacionadas