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Estreptococos e Estafilococos

Autor:
Instituição: Unic - Universidade de Cuiabá/MT
Tema: Microbiologia

Estreptococos e Estafilococos


Estreptococos

Principais Características

Os estreptococos são gram-positivos, imóveis (algumas exceções), cocos não formados de esporos ocorrem sozinhos, em pares ou em cadeia. São aeróbios, anaeróbios facultativos, negativos para catalase e oxidase e fermentadores.

Habitat

Os estreptococos são largamente distribuídos na natureza e como comensais em animais. Mais de 20 espécies estão catalogadas no Manual Bergey. Espécies potencialmente patogênicas e não patogênicas podem estar presentes na pele e nas mucosas do trato genital, no trato respiratório e digestivo superiores.

Classificação

Uma outra maneira importante na qual os estreptococos estão classificados é nos grupos Lancefield, que são designados com letras maiúsculas A, B,C etc. Este agrupamento esta baseado nas diferenças sorológicas em um carboidrato na parede celular denominado componente C. Os antígenos determinantes são amino açucares. Um teste de precipitina é empregado utilizando extratos contendo componentes C e grupos sorológicos específicos que são geralmente preparados em coelhos. Outros procedimentos sorológicos tais como aglutinação do látex, coagulação e testes para anticorpo fluorescente podem também ser utilizado para identificar os grupos Lancefield.

Alguns dos grupos Lancefield podem ser posteriormente divididos em tipos por meio de teste de aglutinação. Existem pelo menos 50 tipos do grupo A, Streptococcus Pyogenes, baseados nas diferenças sorológicas na proteína M, como reconhecida pelo procedimento de aglutinação.

Pode haver mais de uma espécie em um grupo e as espécies podem ser identificadas por suas atividades bioquímicas.

As cepas podem ser categorizadas de acordo com o tipo de hemólise:

Modo de transmissão e infecção

As infecções podem ser endógenas ou extrogenas. Na ultima instancia elas podem ser geralmente adquiridas por inalação ou ingestão. Aerossol, contato direto ou fômites são os modos mais comuns da difusão.

Infestações Piogênicas em geral

As bactérias que mais freqüentemente resultam na produção e pus são os estafilococos, estreptococos e algumas corinebacterias. A infecção piogenica é caracterizada pela produção de pus. Quando bactérias piogenicas invadem um tecido tal como a membrana mucosa da faringe, evocam uma resposta inflamatória caracterizada por uma notável dilatação vascular, exsudação do plasma e neutrofilos.Em resposta a quimiotaxia os neutrofilos se movem em direção as bactérias e englobam muitas delas. Após a fagocitose as bactérias podem ser digeridas, mais algumas bactérias são resistentes as enzimas lisossômicas e se multiplicam no interior dos neutrofilos. Algumas produzem toxinas que matam as células fagociticas e as enzimas liberadas dos neutrofilos mortos realizam liquefação parcial do tecido morto e das células fagociticas. A massa liquefeita se torna visível na forma de um pus denso, geralmente amarelo. A consistência viscosa do pus é atribuída a considerável quantidade de desoxirribonucleoproteina dos núcleos das células mortas.

Patogênese

Uma variedade de doenças resulta das infecções por estreptococos e seu desenvolvimento depende de vários fatores tais como s porta de entrada, espécie animal e espécie estreptococos. Três doenças que ilustram de alguma maneira as diferentes patogêneses são garrotilhos em cavalos, abscesso mandibular do suíno e artrite por estreptococos. Embora geralmente localizada, as infecções por estreptococos podem de tornar septicemicas e bactericemicas, resultando na morte ou em focos de infecções em varias localidades.Como em muitas doenças microbianas a severidade da infecção depende do estado imune do animal.

Metabolitos dos Estreptococos

Estreptococos do grupo A, produzem mais de vinte produtos extracelulares. Não há duvidas que muitos testes são produzidos por estreptococos piogenicos animais.Alguns dos mais conhecidos estão relacionados.

Acido Hialurônico. Fator de virulência que protege alguns estreptococos da fagocitose.

Proteína M. virulência, imunidade do tipo especifica.

Hemolisinas. Estreptolizinas O e S são responsáveis pela hemólise beta; que é produzida por certas condições. Anticorpos e estreptolizina O são bons indicadores de infecção atual ou passada.

Estreptoquinase ( Fibrinolisina). Lise de aglutinados de fibrina.

Ácido Lipoiteicóico. Responsável pelas aderências das células epiteliais.

DNAase A,B,C e D. essas enzimas extracelulares auxiliam na produção de substratos para crescimento. Anticorpo DNAase B é utilizado no soro diagnostico de infecções do grupo A em humanos

Estreptodornase. Desoxirribonuclease que reduz a viscosidade do fluido contendo DNA. O pus por estreptococos pode fluido como resultado desta enzima.

Hialuronidase. Existe provavelmente por correlação entre a produção desta enzima e virulência e.g., em celulite por estreptococos.

Toxina Eritrogenica. Grupo A erupções da pele na escarlatina, apenas em culturas lisogenicas.

Estreptococos importantes

Grupo A: s. pyogenes. Principal causador de doenças por estreptococos em humanos. Raramente causam mastite bovina com possível disseminação aos humanos.

Grupo B: S. agalactiae. Este estreptococo e o staphylococcus áureus são as causas mais importantes e freqüentes da mastite bovina. S. agalactiae é um patogeno obrigatório que pode ser eliminado dos rebanhos. Cinco a 20% das mulheres são carreadoras cervicais dos estreptococos do grupo B que são idênticos ou estreitamente relacionados ao S. agalactiae. Estes estreptococos podem causar septcemia, meningite e morte em crianças recém-nascidas.

Grupo C: S. zoopidemicus. Muitas infecções em animais e ocasionalmente em humanos.

Grupo D (Enterococos)

Estreptococos intestinais, alguns dos quais são móveis. Existe um número de variedades e espécies.

Grupo E: Este grupo inclui espécies do leite e um Streptococcus que causa abscessos mandibulares ou linfadenite cervical em suínos.

Grupo G: Estreptococos do grupo G causam infecções em bovinos, felinos e humanos.

S. canis. Várias infecções em cães.

Grupo H: Infecções raras em bovinos e humanos.

Grupo K: S. salivarius. Comensal em suínos e humanos.

Grupo L: Infecções em cães, bovinos e suínos.

Grupo M: Infecções em cães.

Grupo N:

Grupo O e P: Estes são ocasionalmente recuperados a partir de infecções em animais domésticos.

Grupo Q: S. avium. Recuperados em aves domésticas e outros animais.

Grupo Viridans: A substância C não foi demonstrada; sorologicamente heterogêneo; alfa-hemolítico; causam endocardite em humanos; infecções urinárias.

Estreptococos Anaeróbicos ou Peptostreptococos

As bactérias são encontradas como comensais nos tratos alimentares e respiratórios superiores. Devido ao pequeno esforço feito para isolar anaeróbicos das infecções dos animais, seu significado real não é conhecido. Podem ocorrer sozinhos ou em infecções mistas e parece provável serem encontrados em infecções humanas associadas com atos cirúrgicos ou em feridas envolvendo o trato gastrintestinal ou genitourinário.

Espécimes

Variam com a doença. Materiais infecciosos como pus (garrotilho), fluído sinovial (artrite), leite (mastite) e órgãos e sangue (septicemia).


Estafilococos

Principais Características

Os estafilococos são cocos Gram- positivos que ocorrem em cachos. São aeróbios e anaeróbios facultativos, positivos para catalase, negativos para oxidase, imovéis, não forma esporos e fermentadores.

Três espécies oficiais são reconhecidas no Manual bergey: S. aureus, S. epidermides e S. saprophyticus. O principal patógeno do gênero é o S. aureus. S. epidermidis,comensal comum da pele é geralmente não patógeno, mas ocasionalmente causa mastite bovina, abscesso e leves infecções de peles S. saprophyticus ocorrem na natureza e é geralmente não patógeno mas causa infecções em humanos.

Um estudo dos estafilococos revelou pelo menos seis biótipos. Dois foram denominados S. intermedius e S. hyicus. O primeiro tem sido envolvido em piodermite e mastite em cães. S. hyicus subespécie hyicus é considerado o agente etiológico de uma doença dos suínos, piodermite exsudativa (doença do suíno gordo).

Outras espécies ainda não oficiais, são S. hominis, S. haemolyticus e S. simulans.

A parede celular do S. aureus possui três grandes componentes: peptidoglicano, ácidos teóicos e protéinas A A composição química destes compostos tem sido útil na diferenciação taxonômica de Staphylococcus spp. E Micrococcuus spp. A proteína A constitui a maior parte da parede celular e cerca de um terço é liberado ao meio ambiente durante o crescimento. A proteína A será referida posteriormente.

Micrococos

Os micrococos são um grande grupo constituído de muitas espécies que se assemelham ao estafilococo morfologicamente mas diferem quimicamente São anaeróbios e são frequentemente encontrados no solo, água, poeira, ar e pele, nos utensílios de uso habitual. Em adição, são encontrados em utensílios leiteiros, leite e produtos derivados. São frequentemente recuperados a partir de materiais clínicos mas não são geralmente considerados patogênicos. Eles quebram açucares por oxidação em contraste com estafilococos que os fermentam.

Existem outros cocos geralmente não patogênicos que podem ser encontrados em espécies clínicas; Sarcina : divisão em três planos produzindo pacotes cúbicos; anaeróbios; Methanococcus : cocos anaeróbios; Planococcus: divisão em dois planos produzindo tétrades (móveis); Aerococcus : divisão em dois planos produzindo tétrades (não móveis).

Staphylococcus aureus

Habitat – Comensal de pele e menbranas mucosas, especialmente dos tratos alimentar e respiratório superior.

Metabólitos dos estafilococos - Algumas das substâncias que estão envolvidas na produção por infecções por estafilococos estão relacionadas abaixo. Para maior parte de seus efeitos foram demonstrados experimentalmente em coelhos e ratos.

Leucocina: mata leucócitos, antigênico, não hemolítico, associado com alfa e delta – toxina.

Dremonecrotoxina: necrosante; associado a alfa – toxina.

Toxina Letal: rapidamenteletal para rato e coelho; associada a alfa e beta – hemolisina.

Hemolisinas (Hemotoxinas): Todas são antigeneticamente distintas. Eritrócitos de várias espécies animais diferem na suscetibilidade. Alfa – hemolisina: zona interior clara; beta- hemolisina: zona exterior parcial; gama- hemolisina: fracamente caracterizadas. Zona de dupla hemólise em ágar sangue é característica de muitas cepas de S. aureus.

Toxinas Exofiliava (Exfoliatina) Algumas cepas de S. aureus produzem uma proteína solúvel que induz a exfoliação ou separação intradérmica em ratos recém-nascidos após inoculação parenteral. Mudanças na pele em infecções epidérmicas por estafilococos em humanos especialmente crianças, são atribuídas a esta toxina.

Enterotoxinas - Cerca de um terço das cepas de S. aureus coagulase positiva produzem enterotoxinas. Existem seis tipos antigenicamente distintos, que são codificados por plasmídeos. Um ambiente favorável é requerido para sua produção tal como pudim, leite coalhado, creme, sorvete, sopas, peixe, queijo ou ostras. Sinais clínicos são náuseas,paralisia abdominal e diarréia em quatro horas. Em contraste, toxinfecção alimentar por Salmonella levam de 24 a 48 horas para surtir efeito. O teste para toxina e precipitina em ágar com anti- soro específico. A toxina é termoestável(100 por 15minutos).

Coagulase - Coagulação do plasma; seu papel na virulência tem sido questionado.

Fator de agrupamento- Este fator, que não está relacionado à coagulase livre do teste em tubo, pode ser demonstrado em um teste em lâmina que foi erroneamento referido como "teste de coagulação em lâmina". Sua importância não é conhecida.

Estafiloquinase – Uma fibrinisilina fraca.

Nuclease – A maioria da s culturas de S. aureus produz uma DNAase termo estável. Seu papel na doença não é claro.

Hialuromidase – "Fator de difusão" que pode estar envolvido na virulência .

Lípase – Cepas lípase – positivas tendem a causar abscessos da pele e subcutâneo; a lípase destrói os ácidos graxos protetores na pele. Os estafilococos causadores de infecção generalizadas são geralmente negativos para lípase.

Proteína A – Está presente como um componente de superfície na maioria das cepas virulentas de S. aureus. Possui a habilidade única em se ligar á região Fc da IgG e assim pode desempenhar um papel na patogênese. No procedimento sorológico usual, coaglutinação, depende da proteína A. Quandoo anticorpo específico IgG é adicionado ao estafilococo possuidor da proteína A seguido por ant´geno homólogo é produzida a coaglutinação.

Distribuição e Transmissão

Infecções endógenas são provavelmente mais freqüentes porém infecções exógenas também ocorrem. A transmissão geralmente se por contato direto ou por fômites.

Patogênese

Cepas deste comensal muito difundido possuem a capacidade de invadir tecidos , produzindo abscessos, pústulas e várias outras infecções piogênicas e em algumas ocasiões bactereremia e septicemia. Alguns metabólitos referidos anteriormente estão sem dúvida envolvidos no desenvolvimento dessas infecções. S. aureus virulentos podem sobreviver porém não se multiplicam em leucócitos polimorfonucleares.

Patogenicidade

Botriomicoses: lesão granulomatosa rara envolvendo o úbere da égua, vaca, porca e o cordão espermático dos cavalos . Ferimentos supurativos infeccionados e septicemia em animais. Piodermite, especialmente em cães (mais comumente S. intermedius) e cavalos. Piemia em cordeiros , especialmente em feridas de mordedura.

Mastite em vaca, porca e ovelha. Mastite bovina por estafilococos, que pode ser aguda pórem é mais freqüente ser crônica e subclinica; este diagnóstico é de grande importância econômica . Mastide gangrenosa devido a alfa- toxina é observada em vacas pós – parturientes.Várias infecções de pele de muitos animais; abscessos subcutâneos.

Artrite por estafilococos we septicemia em perus.

Infecções urinárias em humanos e animais.

Enterocolite por estafilococos, observada principalmente em humanos após terapia prolongada com antibiótico e. g. , após cirurgia intestinal.

Impetigo: no úbere das porcas , em leitoa a partir de mordedura.

Humanos: osteomilite; sinusite; mastite; amigdalite e impetigo. Infecções nosocomiais. Toxinfecção alimentar.

Espécimes

Pus, geralmente fornecidos em zaragatoas; tecido afetado; amostras de leite.

Isolamento, Cultivo e Identificação

Estafilococos crescem bem em meios comuns de laboratório. Meios são disponíveis, e. g. , agar sal manitol. Á sangue é geralmente preferido. Colônias aparecem em 24 horas e possuem mais de 4mm em diâmetro, circulares, lisas e brilhante; podem possuir pigmentação "dourada". Zona dupla de hemólise é especialmente característica embora não para S. epidermides.

Esfregaços revelam grupos de cocos Gram – positivos. Identificação presumível é feita em bases da zona dupla de hemólise e características culturais e morfológicas. Os estafilocos são sensíveis à lisostafina enquanto os micrococos não o são.

Antígenos Naturais e Sorologia

A estrutura antigênica é complexa e heterogênea. Polissacarídeo A e proteína A são antígenos de grupo específico.

Algumas cepas de S. aureus podem ser identificadas por suscetibilidade a um ou ou vários fagos de estafilococos, e. g. cepa 80/81 (resistente à penicilina ) é suscetível a lise por fagos 80 a 81; esta variedade tem sido importante em infecções nosocominais humanas. O tipo de fago é de valor no estudo da epidemiologia das infecções por estafilococos. Existe um número de tipos de fagos. Estafilococos de animais são geralmente de tipos diferentes dos humanos.

Um número de culturas lisadas por fagos são utilizadas no procedimento de tipagem. Uma única gota de cada lisado é adicionada á uma placa confluentemente inoculada com o microorganismo a ser testado e é incubada por uma noite a 30ºC e então são observadas as zonas de lise. O padrão de lise indica o tipo. A origem de erro inclui o fato de que estafilococos podem ser lisogênicos para os fagos utilizados e que alguns abrigarem até 5 fagos brandos diferentes.

Resistência

Os microrganismos são sensíveis à desinfetantes comuns. O pus é protetor e os microorganismos permanecem viáveis no pus desidratado por semanas. Isto é uma consideração clínica importante.

Diferentemente de muitas outras formas vegetativas bacterianas, alguns estafilococos podem sobreviver a uma temperatura de 60º C por 30 minutos.

Imunidade

Cepas de S. aureus possuindo cápsulas e certos antígenos de superfície são mais imunogênicos. Bacterianas e toxóides são empregados. São de valor questionável na prevenção de mastite bovina. Bacterianas autogênicas têm apresentados resultados variados.

Hipersensibilidade à estafilococos desempenha um papel no agravamento das infecções; assim existe a necessidade de dessensibilizar quando da utilização de uma bacteriana autógena em cães com piodermite. A imunidade pode ser tanto humonoral quanto mediada por; a primeira é antibacteriana e antitóxica.

Tratamento

É aconselhável fazer o antibiograma para avaliar a suscetibilidade em isolamentos de importância. Penicilina é droga de escolha se as cepas são suscetíveis. Cepas 80/81 resistentes à penicilina de origem humana têm sido encontradas em bovinos e cães, a resistências é atribuída à penicilinase (beta – lactamase), uma enzima que hidrolisa um anel beta lactâmico da penicilina. Resistência à penicilina baseada em plasmídeos pode ocorrer por transdução. Novas penicilinas sintéticas (resistentes à penicilinase) são de valor, por exemplo, meticilina, oxacilina e nafcilina: Tetraciclinas, bacitratina, nitrofuranos e eritromicina podem ser efetivas. Trimetropim- sulfametoxazol, vancominicina, cefalosporina de primeira geração e clindamicina têm sido efetivas contra infecções por S. aureus. Drenagem cirúrgica pode ser indicada.

Importância para a Saúde Pública

Seres humanos podem se tornar infectados com S. aureus, S. hyicus, e possivelmente com outros estafilococos de origem animal.


Referência Bibliográfica:

Carter, G.B

Fundamentos de bacteriologia e micologia veterinária – São Paulo – Roca, 1988.

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