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Tilápia

Autor:
Instituição: CEFET-CE
Tema: Tilápia

Tilápias


CLASSIFICAÇÃO SISTEMÁTICA

Reino

Filo

Subfilo

Classe

Subclasse

Superordem

Ordem

Subordem

Família

Gênero

Espécie

-----------

Animália

Chordata

Vertebrata

Osteichthyes

Actinopterrygii

Acanthopterygii

Perciformes

Percoidei

Cichlidae

Tilapia A. Smith, 1840.

Oreochromis Günther, 1889.

T. rendalli Boulenger, 1912.

O. hornorum (Trew.).

INTRODUÇÃO

Representadas por dezenas de espécies, todas de origem africana, das quais pelo menos vinte já foram testadas em cultivos, as tilápias estão hoje entre os peixes mais indicados para criações intensivas em regiões tropicais.

Embora a tilápia já fosse conhecida pelos egípcios 2.000 anos a.C., como demonstram baixos-relevos e desenhos deixados por aqueles povos, a sua criação teve início no Quênia, somente em 1927, de modo muito rudimentar e com uma espécie não determinada.

Entretanto, a piscicultura intensiva, que só foi iniciada na África em 1950, baseada em espécies de pouco valor, teve um grande impulso a partir de estudos desenvolvidos entre 1961 e 1965. Nessa época novos métodos foram descobertos e a tilápia do Nilo (Sarotherodon Niloticus) passou a ser o peixe de base, mostrando resultados surpreendentes.

No Brasil, especificamente para o estado de São Paulo, a tilápia foi introduzida em 1952. A espécie escolhida foi a tilápia do Congo (Tilápia rendalli Boulenger), de hábito alimentar herbívoro, que deveria aproveitar as plantas aquáticas superiores e algas, comuns nos grandes reservatórios e nos pequenos açudes de qualquer propriedade agrícola. Em 1960, esta espécie já estava sendo usada para o povoamento dos açudes do polígono das secas no Nordeste.

Motivados pela necessidade de encontrar espécies que viessem aumentar a produção por área, ao mesmo tempo em que permitissem a utilização de métodos de criação mais avançados, técnicos do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS, ao mesmo tempo em que iniciaram estudos com espécies nativas, principalmente da Bacia Amazônica, importaram, em 1971, a tilápia do Nilo e a tilápia de Zanzibar (S. hornorum).

Por essas razões, somadas ainda à necessidade de substituir a tilápia do Congo, que apesar de bastante disseminada não apresentava resultados satisfatórios, a tilápia do Nilo e a tilápia de Zanzibar foram introduzidas no estado de São Paulo, em 1973.


CARACTERÍSTICAS DAS ESPÉCIES

Atualmente, as tilápias que tem demonstrado melhores resultados em cultivo pertencem ao gênero Oreochromis. As espécies que pertencem ao gênero Tilapia desovam e incubam os ovos em ninhos, ao passo que as do gênero Oreochromis desovam, em ninhos, mas incubas os ovos na boca. Vulgarmente são chamadas de tilápias, e aqui no Brasil, são caracterizadas pela região de origem. Por exemplo: tilápia do Congo (T. rendalli), tilápia do Nilo (S. Niloticus), tilápia de Zanzibar (O. hornorum).

São bastante resistentes a doenças e ao manejo. A tilápia do Nilo, por exemplo, sobrevive em águas com menos de 1mg/litro de oxigênio dissolvido. A carpa, que até então era considerada muito resistente, necessita de no mínimo 3,2mg/litro. Fora da água e protegida do Sol, essa tilápia pode sobreviver durante mais de uma hora. Preferem águas quentes, com temperatura entre 15 e 35 °C, embora já estejam de adaptando em regiões onde a temperatura da água atinge 8 °C no inverno.

A melhor espécie, e que, portanto merece destaque especial, é a tilápia do Nilo, facilmente reconhecida pelas listras verticais presentes na nadadeira caudal. São de coloração cinza azulada, corpo curto e alto, cabeça e calda pequena. O rastro branquial do primeiro arco branquial tem de 16 a 26 espinhas, o que a classifica como uma boa espécie filtradora de plâncton. Naturalmente é micrófaga, isto é, alimenta-se de microorganismo que compõem o plâncton. Porém, em presença de excesso de alimento comporta-se como uma espécie onívora, comendo praticamente tudo.Tem rápido crescimento, podendo atingir 5 Kg ou mais, é de grande rusticidade, fácil manejo, alto índice de rendimento, e carne de ótima qualidade, sem espinhos e bom paladar.

A tilápia de Zanzibar pertence ao mesmo gênero e tem o hábito alimentar semelhante ao da tilápia-do-Nilo. O macho é negro e tem a boca bastante saliente. O rastro branquial do primeiro arco tem de 14 a20 espinhas. Tem crescimento lento e o aspecto externo é bem inferior quando comparado ao das outras espécies Por esta razão só tem importância na produção de híbridos machos.

A tilápia-do-Congo, ou tilápia comum, como também é chamada, é mais conhecida entre nós por ter sido introduzida no Brasil com quase 20 anos de antecedência. É curta e alta, parecida com o nosso acará comum, podendo ser diferenciada por uma mancha escura junto à nadadeira dorsal e pelas faixas verticais escuras que diminuem progressivamente de largura à medida que se aproximam do ventre. É herbívora e o rastro branquial do primeiro arco é composto de apenas 8 a 12 espinhas. É muito prolífica, porém de crescimento lento. O seu peso máximo normal é de 1,5 quilo, podendo excepcionalmente atingir 3 quilos.

Aqui serão apresentadas, basicamente, as técnicas de criação da tilápia.


MÉTODOS DE CRIAÇÃO

Basicamente existem quatro métodos para criação de tilápia: o convencional, o monossexo através da sexagem, o monossexo por hibridação e a associação com um predador.

Convencional

O método é indicado principalmente para o aproveitamento dos açudes construídos nas propriedades agrícolas, é extremamente simples. Embora o piscicultor não tenha nenhum controle de reprodução e de alimentação dos peixes, com o conhecimento de algumas técnicas elementares de cultivo a produção poderá aumentar consideravelmente.

Consiste em povoar o viveiro ou açude com alevinos de tilápia e iniciar a pesca com redes de arrasto, pelo menos 5 ou 6 meses após. A quantidade de alevinos necessária ao povoamento depende da área do viveiro, alimentação e principalmente, da existência de um sistema de escoamento. Neste caso, para açudes de até 10.000 m2.

Para a aplicação desse método, o açude deve ter uma praia de pesca, com pouco declive e limpa, pois pelo menos uma vez ao mês deve ser feito o "arrastão" com rede de malha de 10 cm entre nós opostos, para capturar apenas os peixes maiores, que já produzem bons filés.

Geralmente, os peixes têm seu crescimento paralisado devido à falta de alimento ou espaço vital, causado principalmente pela superpopulação quando a reprodução é muito intensa. Retirando os peixes maiores, o piscicultor esta aproveitando um produto de melhor qualidade e liberando espaço e alimento para o desenvolvimento de peixes menores, que permanecem no açude. A fertilização mineral e orgânica e a alimentação dos peixes com subprodutos agrícolas disponíveis na propriedade devem ser feitas sempre em locais próximos a praia de pesca, para atrair os peixes. Com um programa adequado de alimentação, a periodicidade das capturas pode ser semanal.

Havendo um sistema de escoamento, o esvaziamento anual do açude aumenta muito o rendimento da criação. Assim, uma vez por ano, o piscicultor pode retirar todos os peixes maiores que não foram capturados com a rede e selecionar os menores, que poderão ser estocados novamente para o crescimento, sobrando, ainda, alevinos para uma possível comercialização.

Nos açudes que não tem sistema de escoamento e que Já estão povoados com a tilápia-do-Nilo, ou mesmo com a tilápia-do-Congo, que é mais comum, a produção pode ser melhorada aumentando a alimentação e intensificando a captura dos peixes maiores. Havendo necessidade de novos povoamentos deve-se dar preferência á tilápia do Nilo.

Monossexo por Seleção

Para evitar os transtornos causados pela reprodução excessiva das tilápias, aliada ainda ao fato de que os machos chegam acrescer até quatro vezes mais rapidamente que as fêmeas, os piscicultores desenvolveram criações exclusivas de machos, obtidas por seleção, também conhecida por método da sexagem, pode dar ótimos resultados, porém exige a criação dos alevinos até 30 a 50 gramas, peso necessário para uma sexagem segura. A separação dos sexos é feita através do exame dos orifícios genitais dos peixes.

As fêmeas têm três orifícios e os machos apenas dois. A abertura genital da fêmea é uma pequena fenda transversal, por onde saem os óvulos, localizada entre o ânus e o orifício da uretra, só identificada com facilidade após a primeira desova. O macho apresenta o ânus e o orifício urogenital.

O emprego deste método de criação de tilápia só é seguro se realizado por piscicultores experientes. Mesmo assim, é comum a ocorrência de fêmeas entre os machos selecionados, que passaram despercebidamente pela seleção. Felizmente, erros de sexagem de até 5% praticamente não afetam o bom desenvolvimento da criação.

Monossexo por Hibridação

Do cruzamento da fêmea de tilápia do Nilo com o macho de tilápia de Zanzibar, obtêm-se híbridos apenas machos. Este método é relativamente simples; entretanto, exige maior número de tanques e cuidados especiais para a manutenção de matrizes puras.

A criação de tilápia do Nilo macho obtido por sexagem, ou do híbrido macho, apresenta elevado rendimento por área de viveiro, chegando a ultrapassar 9.000 Kg de peixe por hectare, por ano, quando alimentado pro subprodutos agrícolas.

Associação com Carnívoro Predador

A criação de tilápia aliado com um peixe carnívoro predador pode produzir mais de 3.500 quilos de peixe por hectare de tanque por ano. A finalidade do uso de uma espécie carnívora é a de eliminar o excesso de larvas e alevinos de tilápia para que haja maior produção de exemplares com peso adequado.

O tucunaré (Cichla ocellaris) ou (C. temensis) para as regiões mais quentes e o black-bass (Micropterus salmoides) para as regiões mais frias são os carnívoros mais indicados para promover o desbaste do excesso de população de tilápias. Nesse método de criação, o piscicultor deve apenas cuidar para que a alimentação das tilápias e a fertilização da água não sejam intensas, pois a oxigenação da matéria orgânica excedente diminui o teor de oxigênio na água, e o meio torna-se impróprio para a vida dos peixes carnívoros, que são bem mais sensíveis.

A estocagem de peixes no viveiro pode ser feita na proporção aproximada de 85% de tilápias para 15% de carnívoros. Uma vez por ano, o viveiro deve ser esvaziado para despesca total e nova estocagem. Nos açudes já densamente povoados com tilápias, também se deve utilizar espécies carnívoras para controlar o excesso de população e melhorar o rendimento desses reservatórios.

Tanques Necessários

Com exceção do método convencional, onde a reprodução ocorre no próprio viveiro de engorda, para a criação racional de tilápias são necessários tanques de reprodução, alevinagem e crescimento ou engorda. Os tanques de alevinagem devem ter pelo menos 200 m2 e os tanques de engorda 2.000 a 10.000 m2, sendo 5.000 m2 o ideal. Com apenas 4 tanques de 200 m2, sendo 1 para reprodução e 3 para alevinagem, o piscicultor pode obter, por ano, um mínimo de 100.000 alevinos de tilápia, dos quais 50.000 podem ser selecionados e utilizados em criações exclusivas de machos.

Para a criação do híbrido são necessários 2 tanques, de pelo menos 100 a 200 m2 para a reprodução da tilápia do Nilo e da tilápia de Zanzibar, 1 tanque de 200 m2 para a hibridação e 2 tanques de 200 m2 para a alevinagem dos híbridos produzidos. Toda essa estrutura dificilmente poderá produzir 50.000 alevinos híbridos machos. Mesmo que considerando que para aumentar a produção de híbridos o piscicultor precisa apenas aumentar o número de tanques de hibridação e alevinagem, a quantidade de tanques necessários é muito maior, quando comparada com os demais métodos.


REPRODUÇÃO

REPRODUÇÃO NATURAL

As tilápias do Congo, do Nilo e de Zanzibar apresentam desova parcelada, com primeira maturação gonadal bastante precoce. Em nossas condições climáticas com 4 a 6 meses de vida a menos de 15cm de comprimento total, dependendo das condições nutritivas. A primeira espécie se acasala, quando da reprodução, e constrói ninhos, podendo chegar a 5 ou mesmo 10. A fêmea deposita os óvulos num deles, os quais são, ato continuo, fecundado pelo macho. O casal faz a incubação no próprio ninho. Este tem formato circular, é pouco profundo e escavado, normalmente em terreno lamacento. Após a desova, o casal dá toda proteção, ficando sempre um dos exemplares sobre os ovos e larvas no ninho, arejando-os com as nadadeiras. A fêmea é mais ativa neste trabalho. Os ovos são adesivos e a eclosão, dependendo da temperatura, ocorre 3 a 4 dias após a desova. Em virtude do peso do saco vitelino (reserva nutritiva) e da ausência de nadadeiras, as larvas passam 3 a 4 dias no ninho. A partir daí, nadam livremente, em cardume compacto, sempre sob a proteção do casal. Com cerca de 1 mês de vida os pequenos alevinos são abandonados pelos pai, pois estão aptos a se defenderem de seus inimigos naturais. Neste momento, têm cerca de 3,0 a 3,5cm de comprimento total.

O número de óvulos posto por uma fêmea numa postura varia de 1.000 a 6.000, dependendo de seu peso, e ela pode desovar 4 a 6 vezes por ano, em intervalo de 2 meses. Sempre entre desovas consecutivas há um período de repouso gonadal.

As tilápias do Nilo e de Zanzibar se acasalam somente no momento da desova e fazem incubação oral dos ovos. A desova ocorre em temperaturas acima de 20°C, podendo chegar a 8 por ano, em intervalos de 5 a 7 semanas. Os machos destas espécies cavam ninhos, no piso do viveiro ou outra coleção de água, em fundo lamacento ou arenoso e em lâminas de água de 0,30m.

Quando da construção do Nilo é comum o macho se apossar e defender um dado território, cuja área depende da espécie. Daí todos os demais peixes são enxotados. Contudo, em dado momento uma fêmea é atraída para o local, sendo aceito pelo reprodutor. O mecanismo da atração e do acasalamento ainda é controvertido, podendo ser visual (formato dos ninhos, por exemplo) ou provocado por ferromonas.

Em um dos ninhos a fêmea das tilápias do Nilo ou Zanzibar deposita seus óvulos, os quais são, concomitantemente, fecundados pelo macho, que lança sobre eles o sêmen. Concluída a desova, a fêmea aspira os ovos para a boca, que se encontra dilatada, fazendo a incubação oral. Após 3 a 4 dias, dependendo da temperatura, as larvas nascem, permanecendo cerca de 4 dias na boca da fêmea, até que o saco vitelino seja absorvido. Após isto, nadam livremente, em cardumes compactos, sempre sob a proteção da mãe. Esta, em caso de perigo iminente para as larvas, recoloca-as na boca. Deste modo, a reprodutriz passa cerca de 8 dias sem praticamente se alimentar. A proteção dada pela mãe aos alevinos não é muito longa, podendo chegar a 4 semanas, quando eles se dispersam totalmente e aquela parte para outra desova.

O número de ovos eliminados por uma fêmea das tilápias do Nilo ou de Zanzibar varia com o peso dela, podendo chegar a mais de 1.000 g.


REPRODUÇÃO EM CATIVEIRO

Para as três espécies, o processo se inicia com a seleção de reprodutores e reprodutrizes, feita, preferentemente, a partir de tilápias nascidas na própria tilapicultura. Devem ser selecionados indivíduos saudáveis (que não contraíram doenças), sem deformações corporais e de bom desenvolvimento somático.

Para reprodução em cativeiro utiliza-se tanque ou viveiro, sabendo-se que as tilápias se reproduzem em ambientes restritos.

O tanque para reprodução da tilápia do Congo tem área variando de 30 a 40m² e ele recebe 1 casal da espécie, formado através da sexagem, utilizando-se, para isto, peixes acima de 100g, o que dá maior segurança contra erro na operação.

Exige certa prática na identificação do sexo em tilápias. O exame do poro genital revela que a fêmea possui 3 orifícios (anterior o ânus, intermediário o oviduto e o posterior a uretra) e o macho 2 (anterior o ânus e o posterior a uretra, onde se abre o canal seminífero). Além do mais, o macho apresenta papila genital desenvolvida, algo pontiaguda, enquanto a fêmea a tem menor e algo arredondada.

No tanque o casal de tilápia do Congo deve ser alimentado com vegetais, sendo mais usados, em nossa região, pirrichiu, Hidrotrix gardneri Hook, cunha, Clitoria ternatae L., e outros vegetais herbáceos, principalmente leguminosas. Eles podem ser oferecidos a requerimento. O casal deve ser alimentado, também, com ração balanceada, podendo ser a do tipo engorda para galináceos, fornecia na base de 3% da biomassa por dia.

As pós-larvas da tilápia do Congo, logo que absorvem o saco vitelino, são alimentadas com o plâncton, como descrito para o apaiari. Com 3 semanas de vida, os pequenos alevinos devem receber, juntamente com o plâncton, ração balanceada, moída, fornecida a requerimento. A partir deste momento podem ser separados dos pais e estocados em tanque ou viveiro de alevinagem na densidade de até 10 peixes/m². Quando alcançam cerca de 5cm de comprimento total, saem da fase planctônica e consomem vegetais. Comem, também, detritos e insetos.

Quanto à reprodução das tilápias do Nilo e de Zanzibar em tanque, a prática de colocar 1 casal destes peixes por tanque não ofereceu bom resultado. Isto porque houve freqüente rejeição da fêmea pelo macho, o qual chegava a matar aquela. Deste modo, para cada uma destas espécies, o tanque de reprodução, que tem área normalmente variando de 40 a 70m², é estocado com machos e fêmeas, obtidos através da sexagem, feita nos moldes descritos antes, na proporção de 1 reprodutor para 3 reprodutrizes. A densidade é de 1 peixe para 2 a 4m². as tilápias têm, quase sempre, 5 a 6 meses de idade e peso acima de 100g, pois o número de óvulos posto depende do peso da fêmea.

No tanque de reprodução, reprodutores e reprodutrizes são alimentados com ração balanceada, comercializada para galináceos ou para peixes, fornecida na base de 3%| da biomassa/dia e em duas refeições. Pode-se usar, também, dietas suplementares (tortas de mamona, algodão, babaçu; farelos de trigo, arroz, soja e amendoim; farinhas de carne e osso e de peixe), também fornecidas na base de 3% da biomassa/dia. Ração balanceada moída deve ser lançada, a requerimento, na água do tanque, destinada aos alevinos.

A medida em que alcançam 2 cm de comprimento, os alevinos são capturados no tanque de reprodução. Caso haja diferença de tamanho entre eles, serão selecionados e estocados separadamente. Neste momento obtém-se o peso médio dos alevinos, pois eles devem ser alimentados com subprodutos agrícolas ou com ração balanceada, ambos fornecidos na base de 4 a 5% da biomassa/dia, em duas refeições. O tanque de reprodução deve ser esvaziado pelo menos uma vez ao ano.

Na reprodução de tilápias em viveiros estes apresentam ares que variam de 100 a 5.000 m2, dependendo da quantidade desejada de alevinos. Antes de receberem reprodutores e reprodutrizes o viveiro é esvaziado, limpo, deixado 5 a 7 dias vazio, submetido à calagem (100g/m2 de cal, espalhada no piso e lugares úmidos), adubado (200 a 400g/m2 de esterco de bovinos, suínos ou galináceos) e cheio com água, até seu nível máximo de repleção. Após 5 a 7 dias, recebe machos e fêmeas, na densidade de um peixe para 1 a 5m2. Para a tilápia do Congo a proporção entre macho e fêmea é de 1 : 1 já para as tilápias do Nilo e de Zanzibar a proporção é de 1 : 3, respectivamente. Os peixes devem apresentar peso mínimo de 100g.

A alimentação de reprodutores e reprodutrizes no viveiro de reprodução é idêntica a indicada para os mesmos nos tanque de reprodução. A adubação antes referida deve se repetir a cada mês. Contudo poderá ser diminuída ou até interrompida, caso haja depleção na taxa de oxigênio dissolvido na água do viveiro ou alterações em outros parâmetros.

Nos cultivo de tilápias pode ocorrer superpopulação no tanque ou no viveiro, devida a rusticidade, precocidade e prolificidade delas. Isto origina grandes números de indivíduos de pequeno porte no reservatório. O problema pode ser resolvido com a criação unissexual (macho), que se dá através de monossexo por seleção ou monossexo por hibridação.

O HÍBRIDO

Dos cruzamentos entre diferentes espécies de tilápias resultam proles 100% machos, o mais famoso é sem dúvida nenhuma, o resultante entre o macho da tilápia de Zanzibar O. hornorum e a fêmea da tilápia do Nilo O. niloticus, com a condição dez que a linhagem das duas espécies tem que ser pura. Os híbridos obtidos dessa forma oferecem ao piscicultor um rápido crescimento e ganho de peso mais rápido, aumento na resistência a doenças, aumento do rendimento de carne, maior eficiência na conversão alimentar e a certeza de indivíduos 100% machos. Sendo que, tais vantagens têm seu preço, tal é que as duas espécies reprodutoras estão longe de ter um convívio harmonioso.

Os primeiros trabalhos para obtenção de tilápias híbridas foram realizados nas estações de piscicultura do DNOCS, órgão também responsável pela importação das linhagens puras desses peixes trazidas diretamente da África.

Os manejos iniciais preconizavam a simples união do mesmo número de machos e fêmeas em viveiros escavados, seguido de sucessivas coletas de larvas, que eram transferidas e criadas separadamente. Acreditava-se que a baixa produção de alevinos era dada pelo canibalismo de animais maiores em animais menores, daí a necessidade de coleta-los e separa-los para que crescessem de forma igual. Mas esse método chamado de coleta sucessiva de larvas não deu certo, pois os viveiros no Nordeste logo ficaram cheios de alga devido a forte insolação, o que dificultou "as coletas sucessivas".

Outra tentativa foi a de colocar macho e fêmea em pequenos tanques de aproximadamente 3 m2 e 0,45 cm de profundidade. Entretanto, a surpresa foi grande quando em menos de uma semana, os machos matavam as fêmeas, demonstrando na prática o que foi chamado de "falta de afinidade" entre as duas espécies. Falhou também a tentativa de extrais os pré-maxilares dos machos, uma técnica chinesa para que os peixes fiquem dóceis em locais pequenos. Entretanto logo após a cicatrização, logo voltavam a atacar ou então eram atacados, por estarem ainda debilitados por causa da extração. Com isso concluiu-se que a falta de afinidade era mútua entre as espécies.

Em 1982, aconteceu o que se consideraria então como a ultima tentativa, a formação de casais espontaneamente (em tanques de segregação de casais de apaiaris). Que consiste em um tanque de concreto, cercado de vários pequenos tanques que eram utilizado por casais, onde os machos escolhem suas fêmea, o que foi uma grande decepção, já que os machos mas uma vez mataram todas as fêmeas na primeira semana de convívio.

Foi então que , José do Patrocínio, que havia mudado-se para a estação de piscicultura da CHESF, em Paulo Afonso na Bahia, em abril de 1984, levou consigo 80 alevinos de ambas as espécies, selecionadas rigorosamente por ele e com um cuidadoso acompanhamento. Foi então que uma conversa, com um antigo professor o ajudou a solucionar a falta de afinidade entre as espécies, utilizando um método empregado de modo parecido em canários.

Graças à técnica de afinidade de larvas desenvolvida por Patrocínio, em 1994 a estação da CHESF, é pioneira na produção de híbridos. O que ele desenvolveu foi o seguinte:

Etapa 1.

Utilizando dois tanques de alvenaria de 3,0 x 10,0 m, suspensos telados e cobertos, faz-se à manutenção permanente de 30 casais de tilápia do Nilo e 30 casais de tilápia do Congo. De 3 em 3 meses seleciona-se os melhores animais para manter-se uma boa linhagem.

Etapa 2.

São utilizados viveiros de 40 a 50 m2 e capacidade para acasalar 300 larvas. Sendo 150 de cada espécie. Previamente a introdução de larvas, os viveiros são rigorosamente desinfetados. Em seguida já com os animais com peso em torno de 20 a 30 g, faz-se a primeira sexagem, com a finalidade de extração de machos de tilápias do Nilo e fêmeas de Zanzibar. É isso se realiza até a completa extração de tais animais o que vai acontecer em torno do sexto mês.

Etapa 3.

Utilizando-se de cinco viveiros de 2.000 a 2.400 m2 estocados com 40 casais entre 60 e 75 dias de acasalamento, obter-se-a, aproximadamente 35.000 alevinos/mês, suficiente para estocar 3,5 hectares de viveiro em regime de cultivo semi-intensivo. Além disso são necessários alguns cuidados, tais como:

 

FERTILIZAÇÃO E ALIMENTAÇÃO

Até há pouco tempo a tilápia do Nilo era considerada exclusiva planctófaga. Atualmente, com o desenvolvimento de novas técnicas de criação, voltadas a necessidade de reduzir cada vez mais os custos de alimentação e acelerar o crescimento e engorda, essa espécie já é tida como sendo de regime alimentar onívoro, isto é, adapta-se a todo tipo de alimento.

Os viveiros ou açudes de engorda, também precisam ser adubados. A tilápia do Nilo e o híbrido possuem rastros branqueais bem desenvolvidos que filtram o plâncton e outros alimentos existentes na água, aproveitando melhor a fertilização orgânica da água.

A tilápia do Nilo pode ser alimentada com esterco de animais, subprodutos agrícolas e industriais e ração balanceada. Já a tilápia do Congo, alimenta-se de vegetais superiores, frutas passadas, tubérculos, raízes, subprodutos agroindústrias e esterco.

O esterco de porco é o que vem produzindo melhores resultados, tanto para alimentação como para fertilização. E é mais barato que o esterco bovino e de aves. Numa criação de suínos consorciada com tilápia do Nilo, pode-se obter mais de 10.000 Kg, podem fertilizar 100 m2 de viveiro de engorda, com 1 ou 2 peixes por m2.

O piscicultor deve ficar atento quanto à fertilização do seu viveiro, pois a meteria orgânica jogada em excesso na água provoca a queda no seu teor de oxigênio dissolvido. Embora a tilápia do nilo suporte índices inferiores a 1 mg/L, quando submetida a essa condição por um período de tempo muito longo seu crescimento fica afetado e o perigo de doenças é bem maior.

 

ASPECTOS ECONÔMICOS DO CULTIVO DE TILÁPIA NO CEARÁ

O investimento para implantação de 1 hectare de viveiro de piscicultura intensiva, no Ceará é de R$ 34.191,20*

Peixe

Custo total anual

(R$)

Preço médio de venda

(R$/Kg)

Produção

(Kg/ano)

Renda bruta

(R$/ano)

Renda líquida

(R$/ano)

Tambaqui

37.227,49

2,80

17.550

49.140,00

11.912,51

Carpa

36.121,84

2,8

20.250

56.700,00

20.578,16

Tilápia do nilo

53.675,75

3,00

36.000

108.000,00

54.324,25

Todas as informações são para cultivo em viveiro de 1 hectare.

Todos os valores em reais fazem relação a cotação do dólar de 11.06.2001, com valor de US$ 1,00 = R$ 2,50.


BIBLIOGRAFIA

GALLI, L. F; TORLONI, C. E C; CRIAÇÃO DE PEIXES; Ed Nobel; 3 ª Edição

PANORAMA DA AQÜICULTURA; Vol 9; Nº 52; Março/Abril - 1999

SOUZA, R. L. M; APOSTILA DE AQÜICULTURA II;

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