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Atletismo: Lançamento de Disco e Martelo

Autor:
Instituição: Unisalesiano
Tema: Educação Física

LANÇAMENTO DE DISCO


A TÉCNICA DO ARREMESSO

Muitos técnicos e professores são de opinião de que as provas de campo devem ser ensinadas em sua ação total tanto quanto possível e a aprendizagem parcial deve se reduzir ao mínimo necessário. Podemos considerar dentro das técnicas do arremesso as seguintes fases:


a) forma de segurar o disco - a mão deve ser colocada dobre o disco de uma forma bem descontraída. O polegar separado, não sustenta o disco, mas o mantém em equilíbrio. Os demais dedos se colocam na aresta, na região das articulações das pequenas falanges. O indicador está aproximadamente sobre o diâmetro. A separação dos dedos está relacionada com o tamanho da mão, que sendo grande, facilita, evidentemente, a empunhadura. Em princípio, se tem a impressão que o disco vai cair da mão, mas isso é corrigido com relativa facilidade no decorrer da prática. O dedo polegar será fixador na posição do disco e o peso deste gravitará sobre a ponta dos dedos.

A maioria dos arremessadores aplica o disco sobre toda a palma da mão; outros preferem flexionar ligeiramente o punho, apoiando a outra extremidade contra a parte interna do antebraço, com o objetivo de facilitar a ação do punho no momento do arremesso. Todo arremessador deve utilizar a forma que melhor lhe convier e que permita um melhor controle do disco durante a realização do gesto do arremesso.

b) Posição inicial - o atleta se coloca próximo à borda do círculo, com as costas voltadas para a direção em que o disco vai ser arremessado. O peso do corpo deve estar distribuído sobre as duas pernas e os pés separados a uma distância suficientemente cômoda para facilitar o início do giro. Os braços se colocam em posição normal ao lado do corpo. Após a colocação do corpo nessa posição, inicia-se o giro ou deslocamento no círculo, através da realização de vários balanceamentos, preparatórios (três em geral), onde o disco é levado de um lado para o outro do corpo, que o acompanha com participação total (e não apenas do braço). Esses balanceios têm por objetivo concentrar o atleta para a realização do arremesso e auxiliar a impulsão, favorecendo a velocidade para a execução do giro.

c) Giro ou deslocamento - o giro é realizado durante o deslocamento no interior do círculo de 2,50 metros de diâmetro, sendo relativamente simples, mas de muita precisão. Esse giro é utilizado para se obter a maior velocidade possível no momento de soltar o disco.

O arremessador gira rapidamente sobre si mesmo para criar uma força centrífuga, o disco percorre o mesmo tempo ( em aceleração no extremo do sistema de alavancas) o maior caminho possível, após a tomada definitiva dos apoios, no sobre o longo caminho desde a posição inicial até o momento em que abandona a

O arremessador gira rapidamente sobre si mesmo para criar uma força centrífuga, o disco percorre o mesmo tempo (em aceleração no extremo do sistema de alavancas) o maior caminho possível, após a tomada definitiva dos apoios, no sobre o longo caminho desde a posição inicial até o momento em que abandona a mão sensivelmente sobre a perpendicular do eixo de arremesso. Após o último momento do arremesso propriamente dito, o arremessador deve dispor de uma grande potência e de uma grande velocidade de execução para acelerar o disco balanceio preparatório inicia-se o giro, no momento em que o disco é levado para trás, ao lado direito do corpo. Nesse exato instante, o corpo começa a se deslocar e o arremessador leva então seu peso sobre o pé esquerdo, que será o eixo do giro (pivô). O pé direito perde o contato com o chão e é lançado em direção ao centro do círculo. No momento em que o pé direito se aproxima do seu objetivo, o esquerdo perde o contato com o chão e assim o corpo fica suspenso no ar. Esse movimento se assemelha a um salto veloz e rasante. Seguindo-se a essa ação o pé direito passa a ser o pivô que dará continuidade ao giro. Isso acontece no momento em que ele toca a região central do círculo. Enquanto isso o pé esquerdo se dirige para as proximidades da borda anterior do círculo no lado da metade esquerda do mesmo.

É importante, no momento do giro, realizar uma rotação correta em torno do pé que tem função do pivô. Durante o deslocamento é necessário manter uma relação correta entre o pé que serve de pivô e a posição do centro de gravidade do arremessador. Quanto mais rápido for o deslocamento, mais adiante deste pé deverá estar o centro de gravidade; por não agir desta forma, o principiante perde o equilíbrio e cai para trás. O braço e o disco, em todo momento do deslocamento, devem estar para trás, portanto, o movimento é realizado por todo corpo, com exceção do braço de arremesso.

d) Posição final - terminada a ação do deslocamento, o corpo se encontra ligeiramente voltado para a oblíqua direita, com o peso distribuído sobre as duas pernas, uma carga maior na direita. Os pés assentados no chão em duplo apoio, com o direito no centro do círculo e o esquerdo em sua metade esquerda, preparados para a realização do arremesso propriamente dito.

e) Arremesso propriamente dito - com exceção da diferença da posição do braço do arremessador, a atitude na origem do movimento final, na fase do arremesso propriamente dito, é, em todas as suas características, semelhante ao arremesso de peso. O mecanismo da impulsão do corpo é quase idêntico nos dois casos. A perna esquerda freia o lado esquerdo do corpo, enquanto que sob a impulsão da perna direita e do tronco o corpo se volta, elevando-se bruscamente, arrastando o braço que arremessa, o qual atua em atraso com relação ao peito, que já está de frente. Enquanto seja possível a perna esquerda se segura flexionada para frear o movimento do quadril esquerdo. A perna direita impulsiona o quadril para o alto e para frente. ( fig. A). A pelvis acentua seu avanço sobre o tronco. Este se manifesta através de uma rápida rotação para frente. O eixo de rotação do corpo, oblíquo para trás no começo do movimento, se aproxima da vertical ( fig. A.,B e C). Os ombros se abrem e o braço arremessador prolonga a sua demora antes de efetuar uma rápida chicoteada para a frente e para o alto. O ombro direito descreve uma rápida curva, primeiro para baixo e depois para cima, afim de subir um pouco acima do ombro esquerdo no momento em que o disco abandona a mão. No instante em que se solta o disco, o peito está voltado para frente, o braço esquerdo flexionado, a cabeça elevada, a perna esquerda completamente estendida e o braço que arremessa quase na horizontal, tendo a palma da mão voltada para o solo no prolongamento do eixo dos ombros. (fig. C e D). Neste momento o disco abandona a mão de acordo com o ângulo apropriado e animado de uma rápida rotação, no sentido dos ponteiros de um relógio. Durante o giro, o disco não fica muito longe do corpo, mas na trajetória final, a amplitude estará em um plano nitidamente mais oblíquo.

f) Troca de pés ou reversão - devido a grande velocidade com que o disco é arremessado, através da força centrífuga, a tendência do corpo ( o tronco em especial) é se desequilibrar para a frente. Com isso, caso não consiga recuperar o equilíbrio, o atleta pode cometer uma falta que anula sua tentativa. Para que isso não aconteça, o arremessador realiza uma troca de pés após a saída do disco, conduzindo a perna direita à frente, no lugar da esquerda. Com isso ele se flexiona sobre a perna direita e lança para trás a perna esquerda e os braços.


PROCESSOS PEDAGÓGICOS

Devido ao grande sentido da posição e do equilíbrio que a prova do arremesso do disco requer, a metodologia escolar deve buscar o desenvolvimento do sentido de equilíbrio, assim como fazerem as crianças vivenciarem os movimentos com os giros em torno do eixo corporal e, em especial, o eixo longitudinal. Nesse aspecto, destaca-se a necessidade de exercícios preparatórios generalizados. Esses exercícios têm em conta a realização de giros em torno do eixo longitudinal e transversal do corpo, cuja finalidade consiste em acostumar com contínuas trocas de posição, a função dos órgãos de equilíbrio.

Para iniciação podem-se aplicar os seguintes exercícios:

Ginástica com aparelho em todas as formas de apoios e passagens em barras; rodas no solo e nas paralelas, salto em extensão com meio giro e giro completo em torno do eixo longitudinal, para ambos os lados. Utilizar também a combinação e rodas e saltos em extensão com giro.

Saltos no mesmo lugar com giros de 180 a 360 graus.

Para a introdução à forma do arremesso : pequena corrida e salto com giro fazendo o impulso na perna esquerda, onde através de uma seqüência serão realizados vários giros, utilizando primeiro a perna esquerda; giro lançando a direita e queda sobre esta perna flexionada, continuando o giro levando a perna esquerda à frente para realizar o mesmo movimento.

Moinho de ventos: em duplas, com as mãos dadas, realizando giros com pequeno passos.

Preparação do arremesso, melhorando a impulsão em combinação com giros: lançar para cima com impulso dos quadris, durante o tempo de vôo da bola, deve ser executado o giro sobre o pé esquerdo e depois o direito, até que o companheiro devolva a bola.

Em forma de jogos

Tem como objetivo a familiarização com o tipo de arremesso. Exemplos:

Resumo analítico de uma seqüência completa do arremesso:

a - o atleta realiza o balanceio preparatório para iniciar o giro, onde o disco é levado para trás do corpo, com o braço direito estendido totalmente descontraído;

b - início do giro, que é feito sobre o calcanhar do pé esquerdo e ponta do direito, mantendo o disco atrás, até o final do deslocamento;

c - o corpo está girando sobre a ponta do pé esquerdo (eixo do giro), e a perna direita começa a ser flexionada, tendo o joelho dirigido para o alto;

d - nesta fase, o corpo está no ar e o pé direito se dirige para o centro do círculo;

e - pé direito no centro do círculo, com o corpo ligeiramente grupado, tendo as costas voltadas para a direção ao lado da metade esquerda do círculo;

f - fase do duplo apoio ( término do deslocamento), onde as pernas estão semi flexionadas, com o peso do corpo sobre a perna direita, aí o corpo começa a girar para a frente, sobre a ponta dos pés;

g - conclusão do giro, com o corpo já voltado para a direção do arremesso, dando início ao arremesso propriamente dito; somente a partir desse momento é que o disco começa a ser levado para a frente;

h - extensão total do corpo, com um forte impulso dos quadris para cima e ara a frente, o disco sendo conduzido para o arremesso, com o braço direito completamente estendido e distante do tronco; a cabeça se volta para o alto;

i - o disco abandona a mão, a perna direita se estende e o ombro esquerdo fica mais baixo que o direito, onde o braço faz um bloqueio da rotação do tronco; neste momento o corpo se desequilibra para a frente;

j- após o desequilíbrio do corpo, à frente, há uma aversão ou troca de posição dos pés, com o objetivo de restabelecer o equilíbrio do corpo, evitando dessa maneira que o atleta cometa uma falta e perca a tentativa de arremesso.


DEFEITOS MAIS COMUNS

Na posição de partida e do giro : o início defeituoso de um giro, com movimento muito adiantado do braço, é conseqüência da pouca amplitude dos balanceios preparatórios e da falta de soltura ao se deslocar o peso do corpo de uma perna para a outra. Uma volta com demasiada elevação dificulta a colocação do pé direito sobre o eixo do arremesso, com isso, o disco sairá muito à direita, devido a ação prematura da perna esquerda, que sai do solo antes que o joelho esteja orientado para a direção do arremesso. O impulso incompleto e a volta insuficiente para gerar a força centrífuga que alcance uma boa posição final tornam-se um problema originado pela pequena flexão das pernas ao tomar impulso para o deslocamento.

No final do giro e início do arremesso propriamente dito: quando o pé direito não é colocado ao lado esquerdo do círculo, sabemos que a volta foi incompleta, a impulsão do tronco se vê diminuída quando o tronco gira insuficientemente, tendo os braços adiante do plano dos ombros.

No gesto final ou ação final: a utilização da força de impulsão do corpo será escassa ou ineficaz quando houver um adiantamento prematuro do braço que sustenta o disco, um pequeno raio de giro do braço que faz o arremesso e uma velocidade inferior àquela que se conseguiria com o braço mais separado ou distante é conseqüência da colocação muito baixa do ombro direito e do braço que arremessa, muito próximo do corpo; se os pés forem colocados com defeito, devido a um giro muito curto do corpo, o disco cairá para a direita, saindo da mão antes do tempo.


APRENDIZAGEM DA FORMA DESPORTIVA BÁSICA

Primeiro deve-se realizar exercícios visando à fase do arremesso propriamente dito:

Para o giro:

Prática das posições do corpo com 2/4 de giro.

Preparação do arremesso com giro sobre a perna direita, sem perda de equilíbrio; giros sobre a planta do pé direito para a esquerda, a perna esquerda se coloca atrás do pé direito no sentido oposto. Este exercício pode ser praticado no sentido de giro em 180 graus. Observação - o trinco deve se manter em posição inalterada durante as voltas, com as costas em direção ao arremesso. Pode ser feito com ou sem o disco.

Arremesso com 4/4 de giro:

- de frente para a direção do arremesso. Peso sobre a perna esquerda, levemente flexionada; o braço de arremesso se mantém atrás, na altura o ombro. Elevação sobre o pé esquerdo e salto com giro para a queda, apoiando-se sobre a perna direita flexionada, na planta do pé. Com a queda rápida da perna esquerda à frente da direita, se consegue a preparação do arremesso: costas na direção do arremesso.

A partir desses exercícios, os arremessos passam a ser executados em zonas com espaços reduzidos e já dentro do círculo de arremesso.


LANÇAMENTO DE MARTELO

A TÉCNICA DO ARREMESSO

O problema de uma técnica correta para o arremesso do martelo consiste basicamente em combinar o ímpeto máximo que se possa dar à cabeça do martelo, sem perder seu controle, com o máximo movimento ascendente realizado pelas forças do corpo ao terminar as voltas e soltar o martelo. O corpo gira com o objetivo de acelerar a bola ( cabeça do martelo), desde a posição inicial até o arremesso propriamente dito, onde a aceleração do martelo se faz suave e constante.

É uma técnica muito difícil. Por isso, é necessário ter grande perseverança para vencer as dificuldades e os fracassos iniciais, bem como voluntariedade para continuar um trabalho que oferece poucos frutos em seu início. Levando-se em consideração as distintas ações que se sucedem, a técnica do arremesso pode se decompor em fases. A maneira correta de empunhar o martelo: toma-se a anilha com as duas mãos colocando-se primeiro a esquerda, que está protegida por uma luva especial. A direita se coloca sobre a esquerda, de modo a que se cruzem os dedos polegares de ambas as mãos, evitando que elas se contraiam. As mãos devem estar contraídas apenas o suficiente para que o martelo não escape durante os molinetes e giros, pois uma tensão exagerada na empunhadura será transmitida aos braços e ombros, causando prejuízo ao desenvolvimento de todo o gesto de arremesso. Fases:

a) posição de partida: ao iniciar o arremesso o atleta se coloca de costas para a direção do mesmo, junto à borda posterior do círculo, tendo os pés separados a uma distância de uns 70 cm, fazendo com que o eixo do círculo de arremesso passe por entre os pés. O peso do corpo deve estar distribuído proporcionalmente sobre os dois pés. Tomada essa posição, o martelo é colocado à direita e um pouco atrás do arremessador ( dentro ou fora do círculo), a uma distância igual àquela do cabo do martelo estendido formando uma linha reta com o braço esquerdo, no momento em que as pernas se flexionam juntamente com o tronco, que gira para a direita.

b) impulso inicial ou molinetes: partindo da posição da fase anterior, as pernas começam a se estender parcialmente, dirigindo e girando o tronco para a esquerda, momento em que o martelo é arrastado para cima e à esquerda, na frente do corpo. Assim, o martelo começa ase impulsionar, através da realização de dois giros ( ou três, para iniciantes); os braços devem permanecer estendidos ao máximo, fazendo com que a cabeça do martelo se movimente sobre uma trajetória em diagonal oblíqua, tendo seu ponto baixo à direita do atleta e o mais alto na frente, à esquerda. Para que o peso se eleve a uma altura conveniente e também o mais longe possível do corpo, o arremessador executa um rápido movimento de torção dos ombros, para a esquerda. Este movimento facilita a elevação das mãos por cima da cabeça, com os cotovelos separados, para evitar uma flexão prematura dos braços, que diminuirá o raio de giro. Durante os molinetes, existe um arqueamento do corpo para o lado contrário à posição do martelo, a fim de resistir a sua tração; assim, no momento que o implemento se encontra em seu ponto baixo (lado direito do arremessador), o quadril se desloca para a esquerda, com a perna deste lado semiflexionada, a direita estendida e vice-versa, quando o martelo estiver em sua trajetória alta. Todo corpo participa deste movimento. Durante a fase descendente, os braços resvalam sobre o peito, estendendo-se ao máximo, pela direita atrás, momento em que os ombros iniciam uma ligeira rotação para a esquerda procedendo o martelo quando ele se aproxima do seu ponto baixo. Ao atingir esse ponto, começa a elevar-se rapidamente, com os braços estendidos e as mãos longe do corpo, iniciando-se neste instante o segundo molinete. Nem todos os arremessadores fazem esta fase da mesma maneira e as diferenças existentes se referem principalmente ao grau de amplitude do deslocamento lateral dos quadris, da rotação do tronco para a direita e da elevação maior ou menor das mãos à esquerda e acima, sobre a cabeça. Além de acelerar o martelo nos molinetes, o atleta deve buscar uma posição adiantada sobre o implemento, posição esta que deverá ser mantida também ao longo dos giros, na fase seguinte. Dessa forma o martelo estará sempre à direita do eixo do corpo, independentemente da posição dos ombros e dos quadris.

c) Os giros : no momento em que a cabeça do martelo se encontra na diagonal , a direita do seu ponto mais baixo de trajetória, após o último molinete, começa o primeiro giro de impulso. Partindo daí, o arremessador transfere o peso do corpo para a perna esquerda, que nunca abandona o solo, passando a ser pivô de todos os giros ( 3 no total), que são executados para dar a impulsão necessária ao arremesso, momento em que é produzido um desequilíbrio controlado para a esquerda e para trás. Assim, o arremessador se coloca com o corpo ligeiramente grupado. Os pés trabalham de forma que o esquerdo gire sobre o calcanhar, para a esquerda, em direção ao lançamento, enquanto que o direito gira a planta, dando assim, meia volta. A segunda meia volta do pé esquerdo se fará sobre a parte anterior do mesmo, para terminar o plano do solo. O pé direito sai do chão novamente, passando rapidamente e muito próximo em volta da perna esquerda, buscando novo apoio no solo, colocando-se paralelamente ao esquerdo, propiciando outra vez o "duplo apoio". Quanto mais rápido se apóia o pé direito no solo, tanto mais tempo pode-se levar o martelo para baixo e tanto maior será a sua velocidade. Na fase de um só apoio, existe uma torção, seguida de uma dissolução da pré-tensão muscular do tronco na fase do duplo-apoio, de grande importância na velocidade de giro do martelo. Todos os giros são semelhantes; a velocidade deve ser tecnicamente crescente para que o arremessador possa colocar seu peso cada vez com maior força centrífuga do martelo, evitando assim ser arrastado ou derrubado. É importante a extensão dos braços durante os giros, bem como não projetar o peito à frente nem estender as pernas, durante o apoio do pé direito, após a fase do primeiro apoio. Nunca se deve transportar o peso para a perna direita ou cair sobre ela.

d) O arremesso propriamente dito: finalizado o terceiro giro, no momento em que o pé direito se coloca no solo, o martelo se encontra à direita do arremessador. O tronco fica rapidamente com as costas voltadas para a direção do arremesso e o peso do corpo gravita sobre as duas pernas. Neste momento começa o arremesso propriamente dito, especificamente com as pernas, ressaltamos, e não com os braços. Ambos os pés continuam girando para a esquerda, 90 graus, para então começar o impulso simultâneo das duas pernas, juntamente com o tronco e quadris; isto após a passagem do martelo pelo ponto mais baixo da sua trajetória. A enorme velocidade em que se encontra o martelo neste momento faz com que ele adiante a sua posição em relação àquela que possuía no final de cada volta. Devido a isso, o arremessador atua rapidamente, levando o tronco para trás, exercendo com ambos os braços a ação de empurrar o martelo, levando-o para trás e para cima, sem que esta ação diminua o seu raio de giro. Dessa forma, o martelo se desprende na altura do ombro. Para não prejudicar a ação do lançamento, o atleta continua girando sobre a perna esquerda, que em seguida se flexiona para amortecer a ação do giro.

e) A ação final: após o desprendimento do martelo, quando se verifica o arremesso propriamente dito, o corpo continua em movimento sobre o pé esquerdo, devido a enorme velocidade em que se encontra. Em seguida o atleta passa a perna direita à frente, no momento em que a esquerda deixa o solo, e continua o giro sobre esta perna, que então se flexiona no joelho, juntamente com a profunda flexão do quadril. Assim, o arremessador evita sair do círculo, caso tenha realizado todo o gesto anterior corretamente. Com isso, termina a ação de todos os movimentos que compõem a difícil técnica de arremessar o martelo.

Resumo analítico de uma seqüência completa do arremesso:

a- após ter-se colocado em posição inicial para o arremesso, o atleta flexiona o tronco para o lado direito, juntamente com as pernas;

b- extensão total do corpo, com início do movimento do martelo, começando o primeiro molinete;

c- o martelo já se encontra em sua trajetória alta do lado esquerdo, o quadril voltado para o lado oposto e a perna esquerda semiflexionada;

d- terminado o primeiro molinete, o martelo se encontra novamente em seu ponto mais baixo da trajetória, os braços em extensão e o corpo ligeiramente flexionado, dando-se início ao segundo molinete;

e- o martelo novamente do lado esquerdo, no pinto alto da sua trajetória, quadril no lado oposto, perna direita semiflexionada e a direita estendida;

f- o martelo atinge novamente sua trajetória baixa, do lado direito, terminando assim os molinetes para impulso inicial;

g- início do primeiro giro sobre o calcanhar do pé esquerdo e ponta do direito, com o martelo estendido juntamente com os braços, em linha reta, na frente do peito do arremessador;

h- continuidade do giro, estendendo-se a perna esquerda, com apoio ainda sobre o calcanhar, perna direita flexionada para que o joelho seja lançado em volta da perna esquerda, dirigindo-se à frente e acima;

i - o giro continua da mesma forma anterior, porém com o pé direito no ar; é a fase de um apoio;

j- complementação do primeiro giro, com o pé direito novamente no solo, realizando o duplo apoio; martelo do lado direito, braços estendidos e quadril exercendo uma força de tração contrária à do martelo;

k,l,m,n,o,p,q - repetição do gesto anterior, em forma idêntica, concluindo os giros de impulso;

r - início da fase do arremesso propriamente dito, no momento em que o martelo se encontra do lado direito do atleta no ponto baixo;

s - com as pernas ligeiramente flexionadas e os ombros inclinados para trás, para exercer uma tração contrária à do martelo que começa a se elevar, em busca de uma trajetória alta;

t- através de um pequeno giro do corpo, o martelo continua se elevando, com muita velocidade;

u o martelo atinge o ponto mais alto da sua trajetória ascendente, momento em que o tronco e a cabeça se encontram bastante inclinados para trás, nesse instante, o martelo se desprende das mãos, verificando-se o arremesso propriamente dito;

v,w,x,y- o corpo continua girando, devido a grande velocidade em que se encontra, momento em que há uma troca dos pés que estão a frente, o esquerdo pelo direito, para que o arremessador consiga brecar o giro sem ultrapassar os limites do círculo, evitando-se que se cometa uma falta e anule a sua tentativa.

DEFEITOS MAIS COMUNS

Na posição de partida e nos molinetes : quando os molinetes não forem uniformes, havendo uma tendência à flexão dos braços quando o martelo passa na frente do corpo, é porque as mãos estão contraídas, muito fechadas, e o martelo não está colocado devidamente, estendido para trás. A base de apoio será prejudicada quando os pés forem colocados muito próximos. Com isso, os molinetes serão pouco amplos, dificultando o bom equilíbrio, e o primeiro molinete se iniciará em má posição. A inclinação exagerada do tronco para a frente ou para trás prejudica o equilíbrio e a amplitude dos molinetes, que perdem a continuidade devido às bruscas trocas de ritmo que se verificam. Outro defeito muito comum nesta fase é a execução do último molinete sobre um plano muito horizontal.

Nos giros : os pés progridem em um eixo de deslocamento. Se este eixo se dirigir obliquamente para a esquerda acarretará um desequilíbrio no arremessador, que fará um lançamento muito para a esquerda e com escasso impulso do corpo. O emprego deficiente das forças de impulso no final do arremesso é conseqüência da grande separação dos pés no final do último molinete. Quando houver um atraso na colocação do pé direito no giro, o martelo atrapalha a ação do mesmo, chegando mal na posição final, iniciando a volta seguinte em um ponto alto, desequilibrando o arremessador. Se houver excesso de velocidade nos giros, desde o seu início, o atleta vai encontrar dificuldades na colocação final do pé direito, o que causará um desequilíbrio geral, com bloqueio insuficiente da perna esquerda, antes de soltar o martelo.

No gesto final : no momento em que o martelo vai ser arremessado, não se deve flexionar os braços aproximando o implemento do corpo, porque quebra o ritmo do arremesso, com diminuição brusca do impulso, o que produz um arremesso baixo. O arremesso torna-se ineficaz e de pouca intensidade e o martelo sairá muito alto devido à passividade do corpo, que não possui o desejado impulso final.

PROCESSOS PEDAGÓGICOS

O indivíduo que tem um bom desenvolvimento de habilidades motoras (manutenção do equilíbrio, orientação do espaço...) desde os primeiros anos de vida melhora não só na habilidade geral, como antecipa a preparação para a prática do arremesso. Os exercícios são comparados àqueles utilizados na preparação para o disco, em sua etapa de preparação geral. Exemplos:

APRENDIZAGEM DO GESTO BÁSICO DO ARREMESSO

Para a adaptação ao martelo e aprendizagem da empunhadura: primeiro coloca-se a mão esquerda sobre a alça e a direita sobre a esquerda, tendo a cabeça do martelo no solo.

Adotando a posição inicial da técnica girar o martelo por cima da cabeça, de forma que ele inicia o movimento, partindo do chão, do lado direito, em direção à esquerda, para frente e acima. Neste momento, deve-se sentir a importância da firmeza dos pés no solo e dos braços estendidos, mantendo os joelhos e quadris em grande mobilidade.

Para o giro pode ser aplicado o seguinte exercício: sem elemento auxiliar, prática do giro (calcanhar-planta). Girar 180 graus sobre o calcanhar do pé esquerdo e planta do pé direito, que em seguida perde o contato com o solo, elevando-se para cima, ao redor da perna esquerda, terminando em um novo apoio paralelo ao pé esquerdo, com a mesma separação pela qual iniciou o movimento. Fazer apenas um giro em dois tempos lentos.

Para prática do arremesso dentro do círculo de lançamentos, pode ser aplicado o seguinte exercício: com o corpo na posição em que realiza os giros, fazer a transferência do peso do corpo, da perna esquerda ( eixo do giro) para a direita.

TREINAMENTO

- Para se conseguir força máxima ( básico): 1º supino, 2º agachamento, 3º meio agachamento, 4ºarranque.

- Força rápida:

- Resistência força

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