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CME - Central de Material Esterilizado

Autor:
Instituição: Faculdade
Tema: Esterilização

Central de Materiais Estéreis (CME)


1 - INTRODUÇÃO

A central de materiais estéreis (CME) nos hospitais, tem importância vital na prevenção e controle das infecções, sendo responsável pelo desenvolvimento de todas as fases do processo de esterilização. Como a infecção hospitalar representa uma das principais causas de mortes no Brasil e no mundo, a responsabilidade de cada pessoa envolvida com os processos de esterilização é enorme, sendo necessários treinamentos e revisões periódicas das técnicas envolvidas.

Quando se fala em esterilização em um hospital, não se entende apenas a limpeza no sentido de ausência de sujeira, e sim a limpeza bacteriológica. O controle de infecções ambientais, que podem se propagar através de pisos, paredes, pessoas, ar, móveis, roupas, instrumentos e aparelhos. Uma infecção contraída pelo paciente determina prejuízos pelo aumento de sua permanência no hospital, pela maior ausência da família e no trabalho, pela agressão ao organismo, e maior custo de medicação.

As infecções hospitalares não ocorrem por acaso. São conseqüências da ausência de técnicas adequadas, da ignorância ou irresponsabilidade dos profissionais envolvidos. A maioria das infecções hospitalares é devido a microorganismos presentes na flora microbiana normal dos pacientes e que não são patogênicos em circunstâncias normais, mas que tornam-se altamente perigosos quando os mecanismos de defesa são rompidos.

A prevenção das infecções adquiridas no ambiente hospitalar compreende o levantamento de certas barreiras, a fim de se prevenir a transmissão de microorganismos de um paciente ao outro, do pessoal para o paciente e vice-versa e do equipamento e materiais empregados para os pacientes e usuários.

Técnicas corretas de esterilização são essenciais para a destruição dos microorganismos. O pessoal técnico das CME têm a responsabilidade de assegurar a esterilidade dos artigos até o momento de seu uso. Um técnico capacitado é essencial para o sucesso de qualquer controle de programa de controle de infecção pois, responde diariamente pela limpeza, empacotamento, processamento, estocagem de materiais e monitorização.


2 - OBJETIVO

Mostrar o funcionamento da CME, áreas, fluxo de material e pessoal, bem como os materiais e processos de esterilização e desinfecção.


3 - HISTÓRICO

Em relação ao processo de esterilização/desinfecção é interessante fazer uma retrospectiva histórica. Assim destacamos:

A primeira referência de desinfetante que se tem notícia, foi feita por Homero em A Odisséia, onde citava o uso do Enxofre, na forma de dióxido de enxofre (aproximadamente 800 a C.), substância ainda hoje usada como desinfetante de frutas secas, sucos de frutas e vinho.

A cidade de Veneza foi uma das pioneiras em controle sanitário.

Um marco na história da microbiologia é o Holandês Anton Van Leeuwnhoek (1676) fabricante amador de microscópio, o primeiro ser humano a ver um microorganismo.

Louis Pasteur (1822-1895), com seu trabalho criterioso, foi quem muito contribuiu para a criação e o desenvolvimento da microbiologia como ciência, ao demonstrar serem os microorganismos os responsáveis pelas doenças infecciosas.Estabeleceu também metodologias empregadas até a atualidade e desenvolveu um processo de desinfecção por método físico, denominado PASTEURIZAÇÃO, ainda hoje usado.

3.1 TERMINOLOGIA

Para melhor entendimento deste assunto, apresentamos a seguir algumas definições, de forma a facilitar a diferenciação ente os diversos procedimentos existentes que tem como objetivo inibir, destruir e eliminar microorganismos presentes em objetos, superfície e tecidos vivos.

3.2 FATORES QUE INTERFEREM NA EFICÁCIA DOS PROCEDIMENTOS DE DESINFECÇÃO E ESTERILIZAÇÃO

A atividade antimicrobiana dos agentes químicos depende de uma variedade de fatores relativos à natureza, estrutura e condições dos microorganismos e a componentes químicos e físicos do ambiente externo. O conhecimento desses fatores é imprescindível para uma adequada aplicação dos processos de desinfecção e esterilização. A não observância desses fatores pode implicar no insucesso desses procedimentos.

3.2.1 PRINCIPAIS FATORES INTERFERENTES

A- Natureza dos microorganismos:

Os microorganismos variam consideravelmente quanto à susceptibilidade aos agentes químicos em função de sua constituição. De uma maneira genérica, a ordem decrescente de resistência é a seguinte: os príons parecem ser as formas mais resistentes; endosporos bacterianos constituem uma forma altamente resistente, sendo os que ocorrem naturalmente mais resistentes do que os subcultivados; seguem, bem abaixo, as microbactérias, vírus hidrofílicos ou pequenos, fungos vegetativos e esporos de fungos assexuados; abaixo temos as bactérias na forma vegetativa e por último vírus lipofílicos ou de tamanho médio.As diferenças em relação à resistência das bactérias na forma vegetativa não são muito significativas, exceto as microbactérias, que devido às características hidrófobos da superfícies celular são comparativamente mais resistentes a uma variedade de agentes químicos.

Bactérias do gênero Staphylococcus e Enterococcus são geralmente mais resistentes do que cocos Gram - positivos. Bactérias Gram - negativa dos gêneros Pseudomonas, Klebsiella e Enterobacter tem demonstrado maior resistência aos desinfetantes e anti - sépticos sendo patógenos emergentes em infecções hospitalar.

Os micros organismos em relação à resistência dos desinfectantes químicos:

Vírus lipofílicos ou médios (menos resistentes):

Em relação aos vírus, é geralmente reconhecido que grupos físico - químicos específicos se comportam de maneira similar em relação à susceptibilidade aos desinfetantes Klein & De Forest (1963), em artigo clássico, definiram três categorias de vírus: a - Hidrofílicos, marcadamente resistente (ex: poliovírus). b - Intermediária, moderadamente resistentes (ex: adenovírus). c - Lipofílicos, pouco resistentes (ex: mixovírus). Alguns autores consideram os picornavírus (polio e rhinovírus), os parvovírus SS DNA e vírus da hepatite A mais resistentes do que as micobactérias (Prince & Prince, 1991).

B- Número e localização dos microorganismos:

A atividade antimicrobiana é diretamente relacionada ao número de microorganismos presentes. Quanto maior a carga microbiana, maior o tempo de exposição necessário para destruí-la. Assim, uma limpeza prévia escrupulosa, visando reduzir o número de microorganismos, é de grande interesse para o processo de desinfecção (Rutala, 1987). A localização e a acessibilidade aos microorganismos deve ser considerada, uma vez que somente as superfícies em contato direto com os produtos serão desinfetadas. Equipamentos contendo múltiplas peças devem ser desmontados e imersos completamente no agente, impedindo a formação de bolhas.

C- Concentração e potência do agente químico/tempo de exposição:

Com poucas exceções quanto mais concentrado o produto, maior é a eficácia e menor o tempo de exposição necessário para a destruição dos microorganismo.

Logo, o tempo de exposição é dependente da concentração e da potência do desinfetante sendo a magnitude do efeito expressa pelo coeficiente de concentração (n), que é calculado pela equação:

K= t. cn

Onde: K = constante de proporção de morte.

c = concentração.

t = tempo de exposição.

Para muitos desinfetantes, o coeficiente de concentração é igual a 1, de forma que, diminuindo - se a concentração pela metade, duplica - se o tempo de exposição necessário. Os componentes fenólicos tem um alto coeficiente, acima de 6; assim, uma pequena alteração na concentração resulta numa grande diferença no tempo de contato (Gardner & Peel, 1991).

Os tempos de exposição usualmente recomendados são:

D- Fatores físicos e químicos:

Diversos fatores físicos e químicos influenciam nos processos de desinfecção e esterilização, sendo os mais importantes a temperatura, o pH, a umidade relativa e a dureza da água.

D.1- Temperatura

Os desinfetantes são comumente usados à temperatura ambiente.

D.2- pH

O efeito do pH na ação antimicrobiana pode ser exercido sobre o desinfetante, sobre os microorganismos ou sobre ambos. Os compostos quaternários de amônio e a clorexidina são ativas como cátions. O pH ideal do meio para sua atividade é o alcalino, porque ocorre aumento do número de grupos carregados negativamente nas proteínas da superfície bacterianas, com os quais o agente pode se combinar.

A atividade dos fenóis é favorecida em pH ácido, embora possam ser ativos em pH alcalino, na presença de substâncias solubilizadoras. Soluções de glutaraldeido são mais efetivas em pH entre pH de 7,5 a 8,5 à temperatura ambiente. A dependência do pH diminui à medida que a temperatura atinge 70 graus Celsius.

D.3- Dureza da água

Os íons divalentes cálcio e magnésio presentes na água com alto grau de dureza interagem com sabões e outros compostos formando precipitados insolúveis. A eficácia dos compostos quaternários de amônio é marcadamente afetada na presença de água dura.

D.4- Umidade relativa

Este fator afeta diretamente a atividade de compostos na forma gasosa, como o óxido de etileno e o formaldeído.

E- Matéria Orgânica

A matéria orgânica, em diversas formas como soro, sangue, pus, material fecal e resíduos de alimentos interfere na ação dos agentes antimicrobianos de pelo menos duas maneiras: mais comumente ocorre uma relação entre os compostos e o material orgânico, resultando num complexo menos ativo e deixando uma menor quantidade do agente químico disponível para atacar os microorganismos (Russell, 1982).

Esta redução é notadamente observada com compostos altamente ativos como os liberadores inorgânicos de cloro; alternativamente o material orgânico pode proteger os microorganismos da ação desinfetante, funcionando como uma barreira física (Rutala, 1987). A redução da carga de matéria orgânica previamente à desinfecção é desejável com o objetivo de minimizar a interferência descrita.


4 – DESENVOLVIMENTO

A função da CME é a de fornecer uma variedade de itens esterilizados ou desinfetados para os centros cirúrgicos, enfermarias e outros estabelecimentos de saúde. A Central de Material Esterilizado compreende os seguintes setores:

4.1 EXPURGO

A área de expurgo da CME é o local onde é feita a recepção de todo o material contaminado e sujo da instituição, para limpeza e desinfecção.

É fundamental que o material seja selecionado e desinfetado imediatamente após o seu recebimento na área de expurgo, evitando o acúmulo dos mesmos e, conseqüentemente, que matérias orgânicas fiquem aderidas, tornando mais difícil a sua limpeza.

É essencial que essa limpeza seja realizada antes do processo de esterilização, uma vez que restos de sujidade e matéria orgânica protegem os microorganismos, impedindo que os agentes esterilizante aja sobre ele.

O funcionário dessa área deve ser um auxiliar de Enfermagem devidamente orientado com relação à importância da utilização correta do Equipamento de Proteção Individual (EPI), que se compõe de óculos, mascaras, botas, luvas e avental impermeável e protetor para ruído. Devido ao tipo de trabalho que é desenvolvido na área, o funcionário deverá estar paramentado com gorro ou touca descartável, óculos de acrílico, luvas de borracha antiderrapante e, quando necessário, utilizar luvas de amianto de cano longo para alta temperatura. Os principais objetivos da utilização do EPI na área de expurgo são:

Deve ser observada a utilização individual do EPI, em tamanhos adequados. O EPI descartável deve ser desprezado no lixo; o reaproveitável deve ser lavado e desinfetado de maneira correta, conforme rotina.

O material deve ser recebido através de guinche ou em local que tenha uma bancada ou mesa de apoio, nos horários padronizados, de acordo com a demanda da instituição. A padronização de horários no recebimento do material é importante para organizar a dinâmica do trabalho e favorecer o funcionário no desenvolvimento das rotinas técnicas.

Ao realizar-se o recebimento do material, deve ser observada a integridade, o tipo e a codificação. A utilização de impressos para registro da entrada do material na CME é a forma ideal para manter um controle eficiente do mesmo. Outras formas de controle que podem ser utilizadas são blocos impressos e sistemas informatizados, com programas específicos.

Devido à grande diversidade de instrumental e material recebidos em uma CME, a codificação dos mesmos é um processo que ajuda no controle, principalmente quando se trata de caixas de instrumentais cirúrgicos. Esta codificação pode ser feita através de cores pintadas em uma pequena parte de cada instrumental e caixa, ou através da gravação de números ou letras. A gravação em instrumental através de pirógrafo danifica a camada de cromagem, facilitando a ferrugem e a corrosão. É aconselhável a gravação através de processo eletroquímico.

Para realizar a limpeza do material, a área deve possuir pia com bojo profundo a indicação mais adequada são pias em aço inoxidável, torneira com bico apropriado para limpeza de material tubular, balcão ou mesa de superfície não porosa e de fácil limpeza e carros em aço inoxidável para o transporte do material.

A limpeza do material pode ser realizada com produtos específicos (detergentes enzimáticos) que removem a sujidade sem deixar resíduos em curto espaço de tempo, e não danificam o material.

Para o enxagüe do material, deve ser usado preferencialmente água destilada, evitando que o excesso de íons da água corrente fique aderido no material, (principalmente materiais de aço inoxidável), provocando a formação de manchas e pontos de corrosão.

Nesta área podem ser utilizados equipamentos específicos para descontaminação e limpeza de material, por lavadoras, esterilizadoras ou desinfetadoras. É importante ressaltar que devem ser elaboradas rotinas de manuseio desses equipamentos, de acordo com a instrução do fabricante.

Para facilitar a secagem do material, recomenda-se a utilização de equipamentos específicos, conforme as instruções do fabricante, ou a utilização de uma estufa regulada na temperatura de 80° C.

A área do expurgo requer do funcionário responsabilidade, pois as atividades aí desenvolvidas são o ponto de partida de todo o trabalho realizado na CME. Compete ao auxiliar de Enfermagem realizar as atividades de acordo com as rotinas técnicas, sob a supervisão de um enfermeiro de serviço. (Segundo, Rodrigues, 1995).

4.2 PREPARO DE MATERIAIS

A área de preparo é o local onde é feita a revisão, seleção, preparo e acondicionamento do material utilizado em uma instituição hospitalar, tais como: instrumental, luvas, roupa cirúrgica, compressas, gazinhas, etc.

Esta área tem como objetivo proporcionar aos profissionais que utilizarão o material esterilizado o conforto de ter nas mãos o material completo, na seqüência necessária e em perfeitas condições de uso.

O local deve possuir amplitude suficiente para abrigar a quantidade e a diversidade dos materiais da instituição. Para realizar o preparo do material, esta área deve possuir mesas ou balcões, cadeiras de encosto, assento anatômico e apoio para os pés, armários, gavetas, suportes para pinças, cestos aramados e carrinhos para transporte de material.

O preparo de luvas deve ser realizado em local isolado, com exaustor apropriado, uma vez que, devido a utilização de talco, ocorre o levantamento de partículas deste material no ambiente.

A iluminação deve ser adequada para permitir a perfeita triagem, revisão e seleção do material, combinando luz natural com luz artificial, evitando sombras e reflexos.

A escolha da embalagem deve ser realizada de acordo com o tamanho, forma, meio de esterilização e utilização do material. As embalagens mais utilizadas são: tecido de algodão cru duplo, papel grau cirúrgico e caixas metálicas.

O material deve ser codificado, com o objetivo de facilitar o seu controle e a confecções de pacotes. Os pacotes devem ser padronizados por tipos de procedimentos ou por clínicas, de acordo com a clientela a ser atendida. Este procedimento economiza tempo e material, agiliza o trabalho do funcionário e mantém o padrão de qualidade da CME.

Nos pacotes envolvidos em tecido duplo deverá ser utilizada a forma de empacotamento, que permite uma proteção adequada e segurança na utilização de material, que doravante denominaremos técnica do envelope. Na utilização de papel grau cirúrgico devem ser observados a forma, tamanho e volume do material, para escolha adequada da embalagem.

A produção realizada deve ser anotada por cada tipo de pacote confeccionados, possibilitando uma avaliação mensal e anual da produção da CME, e facilitando o controle e reposição de material de consumo utilizado pelo encarregado administrativo.

O Enfermeiro do serviço deve ter um levantamento do gasto diário de material pelas unidades, e montar um controle interno de material a ser esterilizado. Somente deverão ser encaminhados à área de esterilização os pacotes necessários à reposição do estoque da área de distribuição, evitando-se o acúmulo de materiais esterilizados nesta área.

Compete ao auxiliar de enfermagem realizar o preparo do material de acordo com a rotina específica, sob supervisão do enfermeiro do serviço. As rotinas devem ser realizadas utilizando EPI quando necessário.

4.3 ESTERILIZAÇÃO

4.3.1 PARÂMETROS DE CONTROLE

No meio hospitalar utilizamos a expressão "esterilização à quente" e "esterilização a frio" para identificar processos que danificam ou não materiais termossensíveis. Esta nomeação se faz necessária devido ao número de materiais termossensíveis empregados pelos profissionais da saúde: látex, tecidos plásticos, polietileno, polipropileno e outros.

Os métodos de esterilização à quente danificam a curto, médio ou longo prazo os artigos esterilizados ao utilizar altas temperaturas e pressão, porém, não podem ser desprezados ou inteiramente substituídos pelos métodos à frio pois, são relativamente econômicos, rápidos e seguros.

Os processos de esterilização à frio utilizam produtos químicos à temperatura ambiente ou temperaturas que não prejudicam a estrutura de materiais termossensíveis.

As soluções químicas utilizadas (glutaldeído e formaldeído), atualmente não são utilizadas como método de esterilização e sim desinfecção. Os artigos são expostos diretamente na solução, sem embalagens, sendo necessária a manipulação direta após o processo, para enxagüe da solução, secagem e empacotamento. Deve-se lembrar que, enquanto o material está imerso na solução após o processo(10 horas de imersão completa), ele estará estéril. Porém, para ser utilizado é necessária a remoção dos resíduos da solução esterilizante, por ser esta altamente tóxica e corrosiva. No momento em que houver manipulação, apesar dos cuidados durante a remoção dos resíduos, mesmo com a utilização de luvas estéreis, haverá contaminação. Assim, como método de esterilização, o processo não é seguro.

As soluções químicas são utilizadas para desinfecção (30 minutos de exposição) ou desinfecção de alto nível, com exposição completa e interrupta por 10 horas (para a maioria dos produtos no mercado).

A introdução do óxido de etileno solucionou o problema dos danos causados aos materiais pelo calor, umidade ou elementos químicos, com a utilização dos demais processos. O óxido de etileno é um gás bactericida e esporicida efetivo em baixas temperaturas, com alto poder de penetração em substâncias porosas, permitindo esterilização com os artigos já embalados, sem causar corrosão ou qualquer espécie de dano a materiais como plástico, papel, borracha, látex, tecido, couro, madeira, lã e metais, etc.

O processo de esterilização à óxido de etileno é de execução difícil devido às inúmeras exigências de controle. Para a esterilização deve haver uma relação correta entre a concentração do gás, umidade relativa, tempo de exposição, pressão e temperatura. Qualquer alteração em uma destas variáveis afetará as outras e mudará o processo. São utilizadas embalagens especiais e equipamento de segurança em todas as suas fases. Como o produto químico é altamente tóxico, exige cuidados especiais na manipulação durante o processo e na remoção de seus resíduos (aeração), para que se torne seguro para o usuário.

4.3.2 CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DO PROCESSO

Segundo Oliveira (maio 1994), basicamente dois fatores determinam o processo de esterilização a ser empregado:

Sensibilidade do material empregado ao processo de esterilização: materiais termosensíveis não podem ser esterilizados por calor. Materiais metálicos não podem ser esterilizados por calor. Materiais metálicos não podem ser esterilizados por soluções químicas pois, são corrosivas.

 

Velocidade de esterilização: Nº de utilizações X quantidade de materiais disponíveisXtempo para o processo: para artigos de múltiplo uso, por exemplo, que geralmente tem alto custo de aquisição, sendo escassos, o processo selecionado deve ser capaz de oferecer esterilização rápida e segura para um novo uso.

4.3.3 ETAPAS DO PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃO

Independentemente do processo a ser empregado, todo artigo deverá ser considerado como "contaminado" ao dar entrada nos expurgos das CME, sem levar em consideração o grau de sujidade presente. Qualquer que seja o processo empregado, o artigo deve passar por uma série de etapas até que seja segura sua utilização. Como jamais saberemos o nível de contaminação dos materiais ou se os microorganismos ali presentes são patogênicos ou não, até que os materiais estejam devidamente embalados, é obrigatório o uso de EPI específico, devido ao risco que o pessoal hospitalar se expõe.

Conferência

Todo material deve ser rigorosamente conferido. Materiais incompletos ou danificados não podem ser esterilizados pois, não poderão ser utilizados. O reprocessamento destes materiais trará apenas trabalho e prejuízo para as CMEs. A conferência de balonetes, luz de materiais tubulares (sondas, tubos endotraquiais) e condições gerais do material deve ser feita antes do recebimento do artigo, ainda nos expurgos das CMEs.

Classificação do Processo de Esterilização

Classificar o artigo de acordo com o risco potencial de infecção envolvido em seu uso e definir o tipo de processo a que deve ser submetido: desinfecção X esterilização.

Classificar o artigo segundo a matéria de que é feito para definir o processo de esterilização a ser empregado.

Limpeza Prévia

A limpeza prévia do material é fundamental para qualquer processo de esterilização. Sangue e secreções (material biológico), "restos" de esparadrapo, fios cirúrgicos, etc, impedem o contato direto do agente esterilizante escolhido com o artigo a ser esterilizado, protegendo os microorganismos.

Desinfecção – Descontaminação

O processo de desinfecção se diferencia da esterilização por não ser capaz de destruir todas as formas de microorganismos. Na desinfecção a maioria dos esporos permanece intacta, assim com alguns tipos de microorganismos na fase vegetativa (produtiva).

Enxagüe

Para o enxagüe após a limpeza e/ou desinfecção a água deve ser potável e corrente. O enxagüe deve retirar todos os resíduos das soluções (sabão/desinfetante) utilizados.

Secagem

Antes de qualquer processo de esterilização o material deve estar rigorosamente limpo e seco. A secagem objetiva evitar interferência da umidade nos processos de esterilização. A presença de água impede o contato com o agente esterilizante, dilui a concentração do agente ou se intera à formulação do agente alterando seu poder esterilizante.

Embalagem

Acondicionamento de cada artigo em embalagem adequada para o tipo de esterilização escolhido.

Identificação

Cada item a ser esterilizado deve ter uma etiqueta de identificação para controle do lote de esterilização com: (1) n.º do lote, (2) data da esterilização e data de expiração da validade, (3) identificação do material (quando embalagem não permite identificação visual), (4) nome legível do operador preferencialmente.

Esterilização

Todos os processos exigem controle de pelo menos um parâmetro para garantir sua eficácia, sendo o tempo de exposição o parâmetro mais importante. O período de tempo requerido por cada tipo de material ou processo empregado deve ser estritamente respeitado, para permitir contato do agente esterilizante com todos os microorganismos, promovendo assim a esterilização. A pressa aqui jamais terá justificativa. A redução do tempo não permitirá a esterilização e o aumento do tempo irá danificar os materiais.

Estocagem

Após submeter os artigos ao processamento adequado, a estocagem deve ser feita em área separada, limpa, livre de poeiras, em armários fechados (preferencialmente). Áreas de estocagem próximas às pias, águas ou tubos de drenagem são proibidas.

Os materiais estocados devem ser rigorosamente controlados quanto ao prazo de validade. Quando expirar o prazo de validade nova esterilização, é obrigatória, mesmo que os mesmos não tenham sido utilizados.

Evitar manipulação excessiva após esterilização, impedindo a entrada de pessoas estranhas ao setor. Uma vez estocado, o material somente deverá ser retirado para utilização. A manipulação danifica a embalagem contaminando o material.

Registro

Cada lote de esterilização deve manter um registro com as seguintes informações:

4.3.4 VALIDAÇÃO DO PROCESSO DE ESTERILIZAÇÃO

O processo de esterilização – qualquer que seja o método empregado – é de importância fundamental para a manutenção da qualidade da assistência oferecida. Embora as técnicas empregadas sejam de fácil aprendizado e execução, a responsabilidade da equipe de enfermagem sobre o processo em todas as suas fases é inequívoca. A liberação de um artigo hospitalar para o uso deve estar aliada à certeza da segurança para o usuário (pacientes e profissionais da área de saúde). Para se certificar de que o artigo processado está estéril, são promovidos testes químicos e biológicos (validação de processo), paralelamente à manutenção preventiva dos aparelhos empregados e à manutenção de rotinas de trabalho. A validação envolve:

Indicadores químicos: é um sistema químico aplicado à tiras de papel, que muda de coloração quando submetidos às condições de esterilização. Monitores químicos devem indicar que as condições corretas de esterilização foram atingidas durante o ciclo de esterilização porém, não asseguram a esterilidade. Um pequeno pedaço de fita teste é suficiente para demonstrar que aquele material foi submetido ao processo de esterilização. Porém a fita não informará se o artigo esta em condições de utilização. Para confirmação da esterilidade de artigo, é necessário o teste biológico.

Teste Bowie & Dick: o teste foi desenvolvido para verificar a eficiência na remoção do ar das câmaras de esterilização (autoclaves) pois, onde houver ar não haverá entrada de vapor, não permitindo a esterilização efetiva. Este teste deve ser feito no primeiro ciclo do dia, todos os dias, após o aquecimento inicial do aparelho (autoclave a vapor).

Indicadores biológicos: é obrigatório pelo menos um teste de cultura semanal para autoclaves à vapor e um teste para cada lote de esterilização à óxido de etileno. Sua efetividade é baseada na teoria de que se as condições de esterilização são suficiente para matar os esporos específicos, com maior resistência ao agente esterilizante, nenhum outro microorganismo sobreviverá. Assim a escolha do microorganismo para o teste biológico é baseada em sua resistência às condições de esterilização empregadas. Os esporos de Bacillus stearothermophilus são os indicados para esterilização à vapor e, para a esterilização de óxido de etilileno e estufa, são utilizados Bacillus subtilis. Após a esterilização, as ampolas devem ser quebradas, colocando o meio de cultura em contato com a fita de esporos, e colocadas sob encubação durante 48 horas. Proceder leituras periódicas para a confirmação do teste: 1o_ leitura com 6 horas de incubação, 2o_ com 24 horas e 3o_ com 48 horas. O período necessário para leitura, apesar de "atrasar" a liberação da carga, é fundamental para a segurança do usuário, não podendo jamais ser desprezada a sua importância.

4.3.5 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI)

Durante o processo de desinfecção e esterilização o funcionário responsável deve utilizar equipamento de proteção individual indicado para a atividade a ser executada:

Método

Toxidade

EPI necessário

Autoclave Nenhuma Luva de amianto
Estufa Nenhuma Luva de amianto
Soluções químicas Inalatória/pele Máscara óculos luvas de pvc
Álcool Nenhuma Não é necessário

Os quadros a seguir mostra os EPIs necessários em cada área da CME de acordo com o risco de contaminação e fases do processo existente.

Área

Risco de contaminação

EPI necessário

Expurgo Alto Aventa impermeável manga longa, luvas de pvc até cotovelos e gorro.
Talcagem Alto Avental impermeável de manga longa, luva, máscara, gorro e óculos.
Preparo Alto Avental básico e gorro.
Distribuição Nenhum Avental básico e gorro.
Sala de máquinas Nenhum Avental básico e gorro.

Fases do processo à E.T.O

EPI necessário

Conferência Luvas de látex
Preparo/embalagem Luvas de látex
Montagem da carga  
Esterilização /sala de máquinas Luvas de pvc até cotovelos e máscara com filtro
Sala de máquinas/problema Luvas de pvc até cotovelos, máscara com filtro e botas e macacão de pvc
Retirada da carga Luvas de pvc até cotovelos e máscara com filtro
Distribuição/ sala aeração Luvas de pvc até cotovelos
Troca de cilindro Luvas de pvc até cotovelos e máscara com filtro
Emergência / vazamento de gás Luvas de pvc até cotovelos, máscara com filtro, macacão, bota de pvc e equipamento autônomo com cilindro de ar comprimido 

 

4.3.6 TIPOS DE ROCESSOS DE ESTERILIZAÇÃO

4.3.6.1 ESTERILIZAÇÃO

Por Meio Físico:

A esterilização por meio físico pode ser realizada pelos seguintes processos, em estabelecimentos de saúde:

Autoclaves

As autoclaves são equipamentos que se utilizam de vapor saturado para realizarem o processo de esterilização.

O vapor saturado, ou seja, de temperatura equivalente ao ponto de ebulição da água, na pressão considerada, é o meio de esterilização mais econômico para materiais termorresistentes.

O vapor úmido deve ser evitado, pois tem menos calor que o vapor saturado e produz gotículas de água em suspensão, o que pode causar problemas, tanto na esterilização como na secagem final do material.

Os tempos, temperaturas e pressão das autoclaves deverão ser aquelas recomendadas pelo fabricante, pois tais autoclaves poderão ter ciclos para esterilização a vapor dos seguintes tipos:

1. Esterilização por gravidade - consiste em introduzir o vapor na câmara interna do aparelho e eliminar o ar interno por expulsão, ou seja, forçar a saída do ar na medida em que o vapor for injetado. Neste processo, o aquecimento da carga é feito de fora para dentro, acumulando o tempo de aquecimento. Também no processo de gravidade, o sistema de secagem é feito por venturi, conseguindo-se um vácuo de capacidade média, sendo que, ao alongar o tempo de exposição, previamente determinado, ter-se-á materiais secos e estéreis;

2. Esterilização por alto vácuo - introduz o vapor na câmara interna do aparelho;

3. Esterilização por alto vácuo com ciclo pulsátil - o processo de esterilização com alto vácuo e entrada de vapor facilita o aumento da temperatura para iniciar a esterilização e gera maior segurança no processo, porque todo o ar do material e da câmara é retirado pela alta capacidade de sucção da bomba de vácuo.

Após a contagem do tempo de exposição, a bomba de vácuo entra novamente em funcionamento, fazendo a sucção do vapor e da umidade interna do pacote, conseguindo, assim, a redução do tempo de exposição, esterilização e secagem pelo aquecimento rápido da carga.

Indicações de uso:

Para esterilização de todos os artigos críticos termorresistentes, este método é mais seguro e eficaz;

Alguns artigos semi-críticos, termorresistentes, por facilidade operacional e de tempo, podem ser submetidos à autoclavagem.

Artigos e substâncias que podem ser submetidos são:

Todas as autoclaves têm condições de fazer esterilização de líquidos, sendo necessário interromper o processo no tempo de secagem. Nas autoclaves com vácuo pulsátil e automáticas, deve-se efetuar a esterilização de líquidos, utilizando o programa próprio para isto, já existente nestas máquinas.

Recomendações de uso:

Invólucros para esterilização:

Monitorização:

Estufa-Forno de Pasteur

Indicações de uso:

Artigos e substâncias a serem submetidos:

Recomendações de uso:

Monitorização:

Invólucros:

Por Meio Químico:

Líquido

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