Curativo

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Tema: Semiotécnica

CURATIVO


Introdução

A pele constitui uma barreira mecânica de proteção ao corpo, além de participar da termorregulação, da excreção de água e eletrólitos e das percepções táteis de pressão, dor e temperatura. Ela apresenta três camadas: epiderme, derme e tecido conjuntivo subcutâneo.

Qualquer interrupção na continuidade da pele representa uma ferida. As feridas podem variar em espessura, pois algumas lesam a pele apenas superficialmente e outras podem até atingir tecidos profundos. A cicatrização da ferida consiste na restauração da continuidade.

O tratamento de uma ferida e a assepsia cuidadosa têm como objetivo evitar ou diminuir os riscos de complicações decorrentes, bem como facilitar o processo de cicatrização.

A preocupação com os curativos das feridas é antiga e vários agentes podem ser utilizados, no entanto é fundamental uma análise detalhada da ferida para a escolha do curativo adequado.


Objetivo

Tratar e prevenir infecções; eliminar os fatores desfavoráveis que retardam a cicatrização e prolongam a convalescência, aumentando os custos do tratamento; diminuir infecções cruzadas, através de técnicas e procedimentos corretos.


Conceito

É um meio que consiste na limpeza e aplicação de uma cobertura estéril em uma ferida, quando necessário, com finalidade de promover a rápida cicatrização e prevenir contaminação e infecção.

São cuidados dispensados a uma área do corpo que sofreu solução de continuidade.


Finalidades

  • Prevenir a contaminação
  • Promover a cicatrização
  • Proteger a ferida
  • Absorver secreção e facilitar a drenagem
  • Reaproximar bordas separadas
  • Proteger a ferida contra contaminação e infecções
  • Promover hemostasia
  • Preencher espaço morto e evitar a formação de sero-hematomas
  • Favorecer a aplicação de medicação tópica
  • Fazer desbridamento mecânico e remover tecido necrótico
  • Reduzir o edema
  • Absorver exsudato e edema
  • Manter a umidade da superfície da ferida
  • Fornecer isolamento térmico
  • Proteger a cicatrização da ferida
  • Limitar a movimentação dos tecidos em torno da ferida
  • Dar conforto psicológico
  • Diminuir a intensidade da dor.


Tipos de Curativos

Para que se faça a escolha de um curativo adequado é essencial uma avaliação criteriosa da ferida. Essa análise deve incluir : condições físicas, idade e medicamentos; localização anatômica da ferida; forma, tamanho, profundidade , bordas, presença de tecido de granulação, presença e quantidade de tecido necrótico e presença de drenagem na ferida.

Aberto - É aquele no qual utiliza-se apenas o anti-séptico, mantendo a ferida exposta. Ex: Curativo de intracath, ferida cirúrgica limpa.

Oclusivo - Curativo que após a limpeza da ferida e aplicação do medicamento é fechado ou ocluído com gaze ou atadura.

Seco - Fechado com gaze ou compressa seca (não se usa nada na gaze)

Úmido - Fechado com gaze ou compressa umedecida com pomada ou soluções prescritas.

Compressivo - É aquele no qual é mantida compressão sobre a ferida para estancar hemorragias, eviscerações, etc.

Drenagens - Nos ferimentos com grande quantidade de exsudato coloca-se dreno (Penrose, Kehr), tubos, cateteres ou bolsas de colostomia.


Material

Pacote de curativo esterelizado contendo as seguintes pinças:

  • 1 anatômica, 1 dente de rato, 1 Kelly, 1 Kocher, 1 tesoura
  • Pacote de gaze esterelizada
  • Pacote de atadura
  • Esparadrapo, micropore
  • Frasco com anti-septico (o mais utilizado atualmente é o álcool a 70%)
  • Éter
  • Soro fisiológico
  • Pomadas
  • Cuba rim envolvida com saco plástico
  • Saco plástico para lixo (que vai envolver a cuba rim ou balde)
  • Forro de papel, pano ou impermeável para proteger roupa de cama
  • Bacia com solução desinfetante para receber as pinças contaminadas
  • 1 ou 2 pares de luvas
  • Deve-se usar máscara no procedimento.

Obs: Geralmente existe um carrinho ou uma bandeja montados com todo o material necessário.

Método

  • Conferir a prescrição médica
  • Preparar a bandeja ou carrinho, observando sempre a data de esterelização do pacote de curativos
  • Preparar o ambiente
  • Levar a bandeja ou carrinho para a unidade do paciente
  • Lavar as mãos
  • Explicar ao paciente o que vai ser feito
  • Solicitar ou auxiliar o paciente a posicionar-se adequadamente
  • Expor o local do curativo, tendo o cuidado de não expor o paciente de modo desnecessário
  • Pedir ao paciente que mantenha as mãos afastadas do ferimento e do material estéril
  • Colocar a cuba rim ou similar próximo ao local do curativo
  • Abrir o pacote de curativo, de modo que o primeiro par fique próximo ao paciente.
  • 1º Par: Kocher e Dente de rato
  • 2º Par: Anatômica, Kelly e Tesoura (caso esteja presente no pacote)
  • Dobrar a gaze com a pinça Kocher com auxilio da pinça dente de rato e embebe-la com éter (ou benzina).
  • Segurar o esparadrapo do curativo anterior com a pinça dente de rato. Descolar o esparadrapo com o auxílio da pinça Kocher montada com gaze embebida em éter. (Isso facilita na retirada do esparadrapo diminuindo a dor do paciente)
  • Remover o curativo e despreza-lo na cuba-rim, ou similar, evitando que as pinças toquem o mesmo
  • Remover com movimentos delicados as marcas de esparadrapo ao redor da ferida com a pinça Kocher
  • Iniciar a limpeza com a solução fisiológica do seguinte modo: nas feridas assépticas, limpar de dentro para fora e as sépticas de fora para dentro o 2º par de pinças
  • Trocar as gazes sempre que necessário
  • Fazer aplicação do anti-séptico com auxílio da pinça Kelly
  • Proteger a ferida com gaze utilizando as pinças anatômica e Kelly
  • Fixar as gazes com esparadrapo ou bandagem, conforme prescrição
  • Deixar o paciente confortável e o ambiente em ordem
  • Imergir as pinças e a tesoura abertas em soluça adequada
  • Enrolar o material sujo que está na cuba-rim e deixa-lo no balde de lixo
  • Levar a bandeja ou o carrinho de curativos ao local apropriado para desinfecção
  • Lavar as mãos
  • Checar o cuidado prestado e registrar o aspecto da lesão, assim como as anormalidades encontradas, as reações do paciente, as soluções e medicamentos usados
  • Registrar na prescrição do paciente: hora, local, condições da ferida, soluções utilizadas.


CONCLUSÃO

A identificação dos diversos tipos de feridas quanto ao grau de acontecimento tecidual, possíveis complicações de correntes e processo de cicatrização permite a análise e a escolha do tratamento e tipos de curativos que proporcionarão a cura mais rápida e menores danos ao paciente.

Na realização de todos os procedimentos que visam o tratamento das feridas, os profissionais da saúde devem sempre ter em mente que, com a descontinuidade da pele, a barreira mecânica de proteção está rompida e, deste modo, o organismo encontra-se mais susceptível à infecções. Portanto, as medidas de assepsia do local da lesão e a desinfecção ou esterilização dos instrumentos utilizados assumem um papel imprescindível no controle de complicações futuras. Além disso, as técnicas de lavação das mãos, antissepsia e calçamento de luvas, devem ser realizadas de maneira correta, o que também evita a infecção das feridas, bem como uma possível contaminação da equipe e de outros pacientes.

A escolha dos agentes adequados deve ser precedida da análise e caracterização de cada ferida. Devem ser considerados aspectos como o grau de contaminação, presença e tipos de processos inflamatórios, localização da lesão e a modalidade de cicatrização que se desenvolverá. É ainda de fundamental importância considerar qual o método curativo que trará o menor desconforto possível ao paciente e o menor custo para a unidade hospitalar as quais podem se tornar sistêmicas.

A observação de vários desses aspectos teóricos pôde ser feita através do acompanhamento da realização de alguns curativos, durante a visita à Enfermaria do Hospital das Clínicas. Foram acompanhados os tratamentos e curativos de feridas como escaras de decúbito e ulcerações decorrentes de diabetes, dentre outros. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer aspectos mais amplos do quadro de cada paciente, alguns dos quais estavam relacionados com as lesões que eles apresentavam.

O estudo teórico e prático das técnicas de curativo nos proporcionou conhecimentos relevantes acerca dessas modalidades básicas da assistência à saúde que são, no entanto, imprescindíveis ao bom andamento do processo clínico e à obtenção de uma cura mais rápida, objetivo maior da arte médica. Não podemos ainda deixar de agradecer a competência e dedicação daqueles que nos auxiliaram nesses estudos, em especial à professora Adriana que soube, de modo ímpar, despertar nossa curiosidade e interesse pelo assunto.


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