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Estudo de Caso Clínico - Câncer de Próstata

Autor:
Instituição: Cesmac
Tema: Clínica Médica

ESTUDO DE CASO CLÍNICA MÉDICA - CÂNCER DE PRÓSTATA

PALMEIRA DOS ÍNDIOS

2006


INTRODUÇÃO

Este estudo de caso tem como objeto de estudo paciente interno no hospital Santa Rita com a hipótese diagnóstica de hiperplasia prostática, com idade avançada, doenças pregressas crônicas e apresentando sintomas de depressão e apatia.

O câncer de próstata é a principal causa de câncer nos homens e segunda causa mais freqüente de morte em homens com mais de 55 anos de idade.

Portanto ao comparar estes dados com a idade do paciente (79anos) dar-se um fator importante e preocupante.

Sendo assim o principal objetivo da equipe de enfermagem será: buscar e identificar prováveis diagnósticos de patologias que este paciente venha desenvolver após a confirmação do diagnóstico.


1 - IDENTIFICAÇÃO

NOME: M.V.B IDADE: 79 anos Sexo: Masculino

PROFISSÃO: celeiro ESTADO CIVIL: casado

ENDEREÇO: R. Graciliano Ramos, nº 382

CIDADE: Palmeira dos Índios - AL


2 – HISTÓRICO DO PACIENTE

Paciente informou ter morado até a juventude na Zona Rural e sempre auxiliou os pais na lavoura, afirmou não lembrar de ter usado proteção contra o sol – Bonés, chapéus, roupas de mangas cumpridas – enquanto estava trabalhando.

Afirmou que no período em que morou na zona rural, morava em casa de taipa, usava água de cacimba e as fezes iam pra fossa.

Quando veio morar na cidade começou a exercer a profissão de celeiro, casou-se e teve 8 filhos. Há cindo anos descobriu ser diabético, devido a uma picada de inseto na orelha esquerda que evoluiu para uma ferida e não cicatrizava, paciente também informou do aparecimento em demasia de sinais no seu rosto.

Paciente relatou que procurou o hospital devido a fortes dores que sentia na barriga, a dificuldade de urinar e sua pressão está sempre alta.


3 – HISTÓRIA CLÍNICA

3.1 – QUEIXA PRINCIPAL

Paciente com dores em região inferior do abdome.

3.2 – HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL

Hiperplasia prostática (ca de próstata) cursando com retenção urinária e retenção nitrogenada.

3.3 – HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA

Diabetes Mellitus, HAS, Litíase renal, Surdez parcial. (SIC)

3.4 – EXAME FÍSICO

Paciente em R.E.G, eupneico, acionótico, hidratado, hipocorado 2+/4+, com surdez parcial.

ACV – RCR 2Ts.

FC 100bpm

AP – MV + universalmente

Abdome – flácido, indolor;

Extremidades

Hd: I.R.C agudizada


4 – DIAGNÓSTICO MÉDICO

Paciente portador de possível câncer de próstata

4.1 – CONDUTA MÉDICA

  • Sondagem vesical;
  • Programar cicurgia;
  • Transfundir;
  • Reavaliação;
  • Hemograma, uréia, creatinina, glicose diária;
  • USG aparelho urinário.

4.1.1 Fundamentação da conduta médica

Sondagem vesical: pacientes em estágios avançados da doença tendem à obstrução urinária e como este paciente tem histórico de litíase renal o uso da sonda de alivio em casos emergenciais é o mais adequado.

Cirurgia: paciente com I.R.C e hiperplasia prostática sugere-se cirurgia como forma de tratamento para I.R.C com prognóstico de melhora na qualidade de vida e tratamento parcial na hiperplasia para início da radioterapia e/ou quimioterapia.

Transfundir: apoio na maioria das terapias clínicas para urolitíase, mantendo assim a urina diluída.

Reavaliação: nova bateria de exames, após eliminação das escórias nitrogenadas e alívio da dor.

Hemograma, uréia, e outros: o PSA, uma protease da serina neutra, é produzida pelo epitélio prostático, a concentração do PSA no sangue é proporcional à massa prostática, podendo diagnosticar uma H>P>B (hiperplasia de próstata benigna) não significando malignidade. Um exame de sangue simples pode detectar e mensurar os níveis da PSA.

Uréia e creatinina são exames que fazem parte da elaboração diagnostica da urolitíase e evolução da I.R.A.

Glicose diária: pacientes com histórico diabético com um problema primário deve ser avaliado com monitorização freqüente para hipoglicemia e hiperglicemia.

U.S.G: é um procedimento não-invasivo para detectar as anormalidades dos tecidos e órgãos internos. As estruturas do sistema urinário criam imagens ultra-sonográficas características. As anormalidades, como o acúmulo de liquido, massas, mal formações congênitas, alterações no tamanho do órgão ou abstruções podem ser identificadas.

4.2 – PRESCRIÇÃO MÉDICA

4.2.1 Fundamentação da Prescrição Médica

Dieta geral para renal agudo

A insuficiência renal aguda provoca graves desequilíbrio nutricionais, pode-se esperar que o paciente perca 0,2 a 0,5kg por dia, suspeitar de retenção hídrica. Na dieta a clivagem protéica, as refeições devem ser ricas em carboidratos e os alimentos possuidores de potássio e fósforo devem ser restringidos.

Soro fisiológico

Para diluição da urina e manutenção do equilíbrio hídrico

Plasil (metoclopramida):

Estimula a mortalidade do trato gastrointestinal superior sem, contudo, estimular as secreções gástricas, biliar e pancreática relaxa o esfíncter pilórico.

Cuidados de enfermagem:

Dipirona:

Derivado da pirazolona com propriedades analgésicas, antipiréticas e antiinflamatórias. Usado na forma de sal sódico ou magnesiano.

Cuidados de enfermagem

Diurese de 24 horas: para acompanhamento da evolução I.R.A.

Captopril:

Inibe a conversão de angiotensina I em angiotensina II, um vasodilatador potente. Reduz a formação de angiotensina II diminuindo a resistência arterial periférica. Reduz as retenções de sódio e água, diminuindo a PA.

Cuidados de enfermagem

Parecer da nefrologia:

Como a obstrução urinaria é um sintoma do estagio avançado da doença no Ca de próstata e comum na H.P.B (próstata aumentada) é necessário o parecer de um especialista.

Sonda de Foley: sonda vesical de demora é indicada para longos períodos de uso, tendo como vantagem principal o não lesionamento da uretra e não traumatizando a bexiga.

4.3 FUNDAMENTAÇÃO CIENTÍFICA DO DIAGNÓSTICO MÉDICO

O câncer de próstata, em seus estágios iniciais, raramente produz sintomas. Os sintomas que se desenvolvem devido à obstrução urinária ocorrem tardiamente na doença. Esse câncer tende a variar em sua evolução. Quando a neoplasia é suficientemente grande para ultrapassar os limites do colo da bexiga, os sinais e sintomas de obstrução urinária ocorrem, a saber: dificuldade e freqüência da micção; retenção urinaria; e tamanho e força diminuídos do jato urinário. O câncer de próstata comumente gera metástase para os ossos e linfonodos. Os sintomas ligados às metástases incluem dor nas costas, no quadril, desconforto perineal e retal, anemia, perda de peso, fraqueza, náuseas e oligúria (debito urinário diminuído). A hematúria pode resultar do câncer que invade a uretra e/o bexiga. Infelizmente, esses sintomas podem ser as primeiras indicações francas do câncer de próstata.


5 – EXAME FÍSICO DE ENFERMAGEM

Exame físico realizado no dia 11/04/2006.

Couro cabeludo integro, face e mucosa hipocoradas, presença de manchas hipercromáticas e bordas irregulares na face, pavilhão auricular higienizado, presença de ferida diabética na orelha esquerda, narinas úmidas, cavidade oral íntegra, língua hipocorada com saburrosa, linfadenopatia retro-auricular e sub- mandibular no lado esquerdo do paciente. Tórax simétrico, abdômen com presença de flatos a percussão, ausência de edema nos MMSS e MMII, com extremidades hipocoradas.

P.A. 140/80mmhg P. 86bpm T 36.1ºC


6 – EVOLUÇÃO DE ENFERMAGEM

Paciente consciente, deambulando, afebril, relatou ter dormido a noite toda, queixou-se de prisão de ventre e não reclamou de dor. Demonstrou preocupação com as manchas em seu rosto e dúvidas sobre o motivo de sua internação. Coletor urinário com 450ml de urina às 14:36hs.


7 – DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM

- Paciente em fase de negação;

- Ansiedade relacionada a falta de conhecimento sobre o diagnóstico;

- Medo de evacuar devido ao cateterismo vesical

- Reincidência da litíase devido a nutrição inadequada.

- Déficit de conhecimento relacionado à provável cirurgia.


8 -PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM

Avaliar diariamente o nível de compreensão sobre seu problema de saúde.

Paciente esclarecido facilita a aceitação da patologia.

Fornecer informações sobre o diagnóstico quando o paciente perguntar.

Paciente irá compreender o diagnóstico e consequentemente irá diminuir sua ansiedade.

Explicar todos os tratamentos e procedimentos.

Para obter a cooperação do paciente.

Demonstrar o cuidado com o cateter.

Ao ensinar o paciente como lidar com o cateter diminuirá sua ansiedade quanto a eliminação fecal.

Informar ao paciente sobre influência da alimentação na sua doença.

Com o conhecimento o paciente evitará os alimentos que o prejudiquem.

Familiarizar o paciente com a provável cirurgia, explicando pré e pós-operatório.

Essa informação fornece ao paciente esclarecimentos sobre a real necessidade da cirurgia e o provável prognóstico.


9- CONDUTA DE ENFERMAGEM

Sinais vitais 4 vezes dia (diariamente)

P.A e T P R ------6,12,18,24

Diurese

24hs --------------6,12,18,24

Soro fisiológico 0,9%

1000ml ev 24hs gotejamento: 14gts/m

Glicose diária

Assepsia da ferida diabética 2 vezes ao dia.

Auxílio na higienização do paciente (paciente está receoso de manusear a sonda).

Monitorar presença de funções fisiológicas


10 – CONCLUSÃO

A cada estudo de caso concluído há um aprimoramento em nossos conhecimentos, não apenas o cientifico, como também o humano.

Relacionar-se com o ser humano no momento mais frágil de sua vida nos dá um dimensionamento do porque de nossa profissão. Acompanhar a evolução de um paciente exige muito mais que uma preparação técnica, presenciar sua chegada na unidade de saúde com todos os seus medos e sua saúde debilitada, aplicar nossos conhecimentos para restabelecimento de sua saúde e ver sua evolução nos gratifica.

Por muitas vezes pode-se não ocorrer empatia, mas o tratamento continua outras vezes não há feedback, mas a profissão continua.


11 – REFERÊNCIA

BRUNNER E SUDDART. Tratado de enfermagem médico-cirurgica. Nona edição. Vol. 3.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

AME- Dicionário de Administração de Medicamentos Na Enfermagem 2005/2006 – Rio de Janeiro: EPUB, 2004.


12 – ANEXOS

12.1- GLICOSE DIÁRIA

- Glicose 08/04/06

122mg/dl

- Glicose 10/04/06

162mg/dl

- Glicose 11/04/06

225mg/dl

12.3 – CAUSAS DE INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

Insuficiência Pré-renal

Depleção de volume decorrente de :

Eficiência cardíaca diminuída em conseqüência de:

Vasodilatação resultante de :

Insuficiência Intra-renal

Isquemia renal prolongada decorrente de:

Agentes nefrotóxicos como:

Processos infecciosos como:

Insuficiência pós-renal

Obstrução do trato urinário, inclusive:

12.3 – RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS PARA PREVENÇÃO DE CALCULOS RENAIS.

Recomenda-se restringir a proteína a 60g/dia para diminuir a excreção urinaria de cálcio e acido úrico.

Recomenda-se uma restrinção de sódio para 3 a 4g/dia. O sal de cozinha e os alimentos ricos em sódio devem ser reduzidos porque o sódio compete com o cálcio pela reabsorção nos rins.

Geralmente, as dietas pobres em cálcio não são recomendadas, exceto para a hipercalciúria absortiva verdadeira. A evidencia mostra que a limitação de cálcio, especialmente nas mulheres pode levar à osteoporose e não evita os cálculos renais.

Os alimentos portadores de oxalato (espinafre, morangos, ruibarbo, chá amendoins, farinha de trigo) podem ser restringidos.

12.4 – ESTAGIAMENTO DO CÂNCER DE PRÓSTATA

Estágio

Tumor

Linfonodos

Metástase

Grau Histopatológico

I

T1

N0

M0

G2,3-4

II

T2

N0

M0

Qualquer G

III

T3

N0

M0

Qualquer G

IV

T4 ou qualquer T

N0-N3

M0ouM1

Qualquer G


Tumor Primário (T)

T0 = Nenhuma evidencia de tumor primário

T1 = Tumor clinicamente inaparente, impalpável ou visível por imageamento.

T2 = Tumor confinado dentro da próstata

T3 = Tumor estende-se através da cápsula prostática.

T4 = Tumor é fixo ou invade estruturas adjacentes diferentes das vesículas seminais.

Linfonodos regionais (N)

N0 = Nenhuma metástase para linfonodo regional

N1 = Metástase em um único linfonodo com = 2cm na sua maior dimensão

N2 = Metástase em um único linfonodo com > 2cm, porem não superior a 5cm na sua maior dimensão, ou múltiplas metástases para linfonodos, nenhum com > 5cm

N3 = Metástase em um linfonodo com > 5cm na sua maior dimensão

Metástase e distancia (M)

M0 = Nenhuma metástase à distância

M1 = Metástase à distância

Grau histopatológico (G)

G1 = Bem diferenciado

G2 = Moderadamente diferenciado

G3-4 = pouco diferenciado ou indiferenciado

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