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Intervenções de Enfermagem no Sono do Paciente Hospitalizado

Autor:
Instituição: Unifor
Tema: Sono e Repouso

Sono e Repouso

Fortaleza

2006


Introdução

O sono constitui uma necessidade individual e uma situação psiconeuroendócrino imunológico, gerando importância essencial no aprendizado, no equilíbrio emocional e na manutenção de uma boa memória. É caracterizado, como um estado de inconsciência que pode ser desperta, em contrapartida, o repouso é um estado de alerta durante o qual há um esforço consciente para reduzir a atividade e a estimulação mental. O repouso geralmente antecede o sono.

O homem necessita do sono para manter um controle do seu organismo passando um terço da sua vida dormindo. Essas observações circularam na vida intelectual dos artistas, filósofos, cientistas e médicos desde tempos primitivos. Muitos médicos realizaram brilhantes observações em relação à importância dos fenômenos do sono na medicina clínica. Essas observações fizeram acumular dados ao longo dos séculos sobre o papel do sono nos mecanismos determinantes de doenças e seu tratamento. Porém, a falta de mecanismos capazes de medir o funcionamento de órgãos internos impossibilita um avanço mais consistente na comparação entre sono e vigília.

Após o advento da Eletroencefalografia (EEG), em 1929, com Hans Berger, houve uma facilitação nos estudos neurofisiológicos do sono, permitindo notar padrões de EEG que variam em função do estado de vigília. Alguns mistérios do sono começaram a ser entendidos apenas na década de 30 com os trabalhos de Loomis.

Na metade dos anos 70 com os trabalhos de Walsh et Sackner, as obstruções das vias aéreas superiores conjuntamente com apnéias periódicas e a privação do sono passaram a ter uma maior compreensão na comunidade médica. A partir desses estudos desenvolvia-se uma síndrome, caracterizada por indivíduos roncadores, obesos, sonolentos, com quadros de hipoxemia noturna e apnéias obstrutivas e que apresentavam péssima qualidade de vida.

A privação do sono leva a alteração do ritmo biológico, na condição ambiental e fatores orgânicos, como sonolência excessiva, dificuldades de concentração, irritabilidade, fadiga mental e fadiga física, alteração do humor, manifestações psicopatológicas, neurológicas, voz lenta, aumento da sensibilidade dolorosa.

A fragmentação do sono pode gerar: movimento periódico de perna, fibromialgia, distúrbios neurológicos degenerativos, dores crônicas, alteração na secreção de leptina gerando acúmulo de açúcar com tendência a obesidade, tendência ai Infarto do miocárdio, tendência a lombalgia, ausência do sono REM (sinônimo de depressão, transtorno do pânico e apnéia do sono).


Referências

Fisiologia do Sono

O sono não é um estado que ocorre passivamente, mas sim um estado que é ativamente gerado por regiões específicas do cérebro. Compõe parte das necessidades fisiológicas do corpo humano.

As primeiras idéias relacionadas com o sono afirmavam que durante o sono o indivíduo recuperava as forças e que o cérebro não tinha atividade na ausência de estímulos externos. Todas as funções do cérebro e do organismo em geral estão influenciadas pela alternância da vigília com o sono, sendo que este restaura as condições que existiam no princípio da vigília precedente. O objetivo final do sono não é prover um período de repouso; ao contrário do que acontece durante a anestesia geral no sono, aumenta-se de forma notável a freqüência de descargas dos neurônios, maiores do que os observados em vigília tranqüila. No decorrer de uma noite de sono, os sistemas e funções fisiológicas sofrem alterações acompanhando os ciclos ultradianos. Durante o sono ocorrem modificações fisiológicas no Eletroencefalograma, Eletromiograma, eletroculograma, ritmo cardíaco, temperatura do corpo e outras caracterizam distintamente cada etapa do sono.

Funções Cardiovasculares Durante o Sono

A pressão arterial (PA) diminui durante o sono chegando a seu mínimo no somo NREM. Durante o sono pesado a pressão arterial (PA) sofre variações de até 40mmhg, sendo que quando o indivíduo acorda o valor da PA volta aos níveis normais, independente do estágio do sono que se produz o despertar. A freqüência cardíaca também diminui nesta fase do sono. A pressão da artéria pulmonar não se altera em nenhum estágio do sono.

Funções Endócrinas

A conexão hipotálamo – hipófise é responsável pela união entre processos endócrinos e o sono, uma vez que a secreção de muitos hormônios obedece ao ciclo sono-vigília e pode ocorrer em momentos específicos do sono.

O hormônio do crescimento (GH) obedece a um ciclo se secretório intimamente ligado à fase de SL, principalmente ao primeiro episódio do estágio 4 do sono NREM. Exercícios físicos podem estimular a secreção de GH diminuídos por problemas neste período.

O hormônio Renina, que é a chave dos sistemas renina – angiotensina apresenta oscilações noturnas associadas ao ciclo REM e NREM. A prolactina é secretada em grande quantidade tanto no sono noturno quanto no sono diurno.

O hormônio TSH tirotropina, aumenta ao anoitecer, com pico secretório no início do sono, redução durante a noite e o dia seguinte. O LH reduz sua secreção durante o sono REM. Hormônios que não são influenciados pelo sono: testosterona, ACTM e Cortisol.

Mudanças Respiratórias

O ritmo respiratório irá variar durante o sono NREM com hipo e hiper ventilação do adormecimento ao estágio 2. Nos estágios 3 e 4 a ventilação é regular. Durante o sono REM a respiração se torna mais rápida e irregular gerando os surtos apnéicos e hiperventilação. A apnéia em recém nascidos pode causar a morte súbita do lactente.

Funções Sexuais

Durante o sono ocorrem ereções tanto na mulher (Clitoriana) como no homem (Peniana) e para este a ausência ou presença de ereção pode ser indício de impotência orgânica e psicogênica. Estes fenômenos são observados durante o sono REM.

Temperatura Corporal

No sono REM estão presentes regulações automáticas da temperatura. No sono REM tanto o sistema hipotalâmico quanto o cortical estão inativos e isto faz com que a temperatura corporal nos últimos estágios do sono seja baixa.

Fases do Sono

O sono é dividido em duas categorias: sono REM (Rapid Eye moviments – Fase de Movimento Rápido dos olhos) e sono Não REM ou NREM (Non - Rapid Eye moviments – Fase de Movimento Não Rápido dos Olhos) e este é classificado em quatro fases.

O sono REM apresenta aumento da atividade metabólica da temperatura cerebral, da atividade parassimpática e simpática fazendo oscilar as freqüências cardíacas e respiratórias. Com o EEG dessincronizado, redução de atividade da musculatura esquelética (excetuando-se o diafragma, a musculatura ocular e a do ouvido). Corresponde a 15% do sono, onde descargas simpáticas levam ao aumento do metabolismo cardíaco e da pressão arterial, tal como se observa durante a vigília.

O sono REM ou paradoxal tem como característica a atividade com ritmos múltiplos do Eletroencefalograma (EEG) de baixa voltagem. A similaridade com os ritmos de vigília deriva o nome paradoxal, pois o indivíduo se encontra comportalmente dormindo. Nesse estágio a diminuição notável ou perda completa do tônus muscular, podendo ocorrer abalos musculares bruscos, movimentos oculares rápidos isolados e em surtos.

A transição de um estágio a outro do sono é brusca e de maneira progressiva.

O sono Não-REM ou NREM desenvolve redução da atividade neural, da taxa metabólica, da temperatura cerebral, da atividade simpática (reduzindo a freqüência cardíaca e tensão arterial sistêmica), com atividade lenta no EEG e com atividade motora ocasional.

Durante o sono NREM, que ocupa 85% do total do período, ocorre um estado de relaxamento do sistema cardiovascular. O metabolismo corporal, a atividade do sistema nervoso autônomo simpático (SNAS), freqüência e índice cardíaco e a resistência sistêmica periférica diminuem em 5 á 10% conferindo um estado de hiperatividade vagal. A pressão da artéria pulmonar pouco se altera. As alterações de pressão arterial e débito cardíaco são decorrentes da freqüência cardíaca, visto que a fração de ejeção ventricular pouco muda.

O sono NREM apresenta períodos de relativa tranqüilidade cerebral e movimentos corporais. O sono reparador necessita que as distintas fases devam se repetir ciclicamente durante a noite. Esta fase representa o estado de relaxamento do coração, ocorre redução da freqüência metabólica, da atividade do sistema nervoso simpático, da freqüência cardíaca, débito cardíaco e da resistência vascular sistêmica.

Fases do Sono

O sono NREM ou SL se divide em quatro estágios: Estágio 1, sonolência; Estágio 2, sono "leve"; Estágios 3 e 4, o sono lento propriamente dito.

Estágio 1

É a transmissão entre o estado de vigília e o sono, quando a melatonina é liberada induzindo-o. Corresponde a 2-5% do tempo total deste. O traçado do eletromiograma apresenta redução do tônus muscular. A atividade cerebral e mais lenta do que o estado de vigília. Os movimentos oculares são lentos e surgem intermitentemente.

Estágio 2

Corresponde a 45-55% do sono total de sono. Ocorre a sincronização da atividade elétrica cerebral, que reflete a redução do grau de atividade dos neurônios corticais. Com isto, diminuem os ritmos cardíaco e respiratório, (somo leve) relaxam-se os músculos e cai a temperatura corporal. Ocorre 20% de ondas lentas e presença de ondas bifásicas relacionadas com o despertar.

Estágio 3

Comumente observa-se combinado ao estágio 4. Os movimentos oculares são raros e o tônus muscular diminui progressivamente. Corresponde a 3-8% do sono total. Ocorrem ondas cerebrais bastantes lentas, necessitando de fortes estímulos táteis ou acústicos para despertar.

Estágio 4

Corresponde a 10-15% do sono total. As ondas delta correspondem a mais de 50% da época, podendo até dominá-la completamente. Predomina na primeira metade da noite, diminuindo ou desaparecendo nas últimas horas, quando adquire certo predomínio do sono paradoxal (REM).

Tabela 1: Estágios do sono

Tabela 2: Características das fases do sono

Fase do sono

duração

aspectos

NREM

Estágio 1

50-90 min

Poucos minutos

Sono profundo, calmo sem sonhos;

Sono leve, de fácil despertar;

Redução gradativa dos sinais vitais.

Estágio 2

10-20 min

Relaxamento mais profundo

Pode se acordado com esforço.

Estágio 3

15-30 min

Fase inicial do sono profundo

Ronco

Tônus muscular relaxado

Ausência ou pouco movimento físico

Dificuldade para acordar

Estágio 4

15-30 min; encurta próximo à manhã.

Sono profundo

Sonambulismo, falar dormindo e urinar na cama também pode acontecer.

REM

Média de 20 min; mais próximo à manhã.

Movimentos rápidos dos olhos

Muita dificuldade para ser acordado

Sonhos vividos, muito coloridos, emocionais.

Perda do tônus muscular; a mandíbula relaxa; a língua pode colocar-se na parte posterior da garganta.

Sinais vitais oscilam

Respirações irregulares

Pausas na respiração de 15-20 segundos.

Contração muscular

Aumento das secreções gástricas

Os homens podem ter ereções.


O sono é um importante estado fisiológico que apresenta perda temporária da consciência e na redução das respostas aos estímulos externos. Os fatores que distingue de outros estágios da inconsciência são seus ciclos previsíveis a perda transitória ao contato com o meio ambiente.

O sono não apresenta redução da atividade neural, decorre da atividade de várias estruturas do encéfalo, envolvendo mecanismos complexos. Alterações nas diversas etapas do sono podem gerar conseqüências tanto no sono quanto na vigília. Os transtornos do sono apresentam diversas causas, sintomas e conseqüências, podem ocorrer em qualquer época da vida humana e certas condições especiais matem relação com determinados períodos etários. Cada grupo etário apresenta entidades clínicas especificas, as se relacionam com o grau de naturalidade, com a idade e com o sexo.

O Ciclo do Sono

Um ciclo do sono dura cerca de 90 minutos, ocorrendo quatro a cinco ciclos de sono num período de sono noturno. Segundo LAVIE (1998,45), o número de ciclos por noite depende do tempo do sono, acrescentando, ainda, que "o sono de uma pessoa jovem é, habitualmente, composto por quatro a cinco desses ciclos, enquanto o de uma pessoa mais velha terá menos". Daí podermos deduzir que o número de ciclos por noite num individuo depende de fatores como idade, sendo, no entanto, o padrão comum entre quatro a cinco ciclos.

Durante o sono, o indivíduo passa, geralmente por ciclos repetitivos, começando pelo estágio 1 do sono NREM, progredindo até o estágio 4, regride para o estágio 2, e entra em sono REM. Volta de novo ao estágio 2 e assim repete-se novamente todo o ciclo.

Nos primeiros ciclos do sono, os períodos de NREM (mais concretamente os estágios 3 e 4) tem uma duração maior que o sono REM. À medida que o sono vai progredindo, os estágios 3 e 4 começam a encurtar e o período REM começa a aumentar. Na primeira parte do sono predomina o sono NREM, sendo os períodos REM mais duradouros na segunda metade.

Exigências do Sono

A necessidade diária de sono difere de acordo com a faixa etária de cada indivíduo, daí poder afirmar que é uma característica individual. Porém, sabe-se que a necessidade diária do sono reduz-se com a idade, ou seja, um recém nascido tem uma necessidade de sono bem maior que a de um idoso. Veja Tabela a seguir:

Tabela 3: exigências do sono

Idade

tempo total de sono

percentual em rem

Recém nascido

16-20 h/dia

50%

3 meses a 1 ano

14-15 h/dia

35%

Bebê que começa a andar

12 h/noite mais 1 ou 2 dormidas curtas

Sem dados

Pré-escolar

9-12 h/noite

Sem dados

5 á 6 anos

11 h/noite

20%

11 anos

9 h/noite

Sem dados

Adolescente

7-9 h/noite

25%

Adulto

7-9 h/noite

20%-25%

Idoso

7-9 h/noite

13%-15%

REM, movimento rápido dos olhos.

Sundberg MC. Fundamental of Nursing with Clinical Procedures. Boston: Jones and

Batlett Publishers, Inc., 1989, p.861.


Fatores que Afetam o Sono

O sono é uma das muitas ocorrências biológicas que tem lugar há mesma hora, a cada 24 horas. Este e marcado por uma intensa atividade cerebral e pela ocorrência de determinadas funções que são muito importantes para o organismo.

A necessidade diária de sono varia, não só de indivíduo para indivíduo (variação inter-individual), como também no mesmo indivíduo (variação intra-individual) de dia para dia.

A quantidade e a qualidade do sono podem ser afetadas por mudanças na quantidade e na intensidade da luz, atividade, ambiente, motivação, emoções, humor, alimentação, bebidas, doenças, drogas e temperatura.

Luz

O ciclo dormir-acordar é influenciado, entre outros fatores, pela luz do dia e pela escuridão, ocorrendo uma vez a cada 24 horas. Muitas são as pessoas que apresentam um nível de sensibilidade elevado à luz, sendo por isso facilmente perturbada durante o sono mesmo que seja uma luz de pouca intensidade.

Os fenômenos que se sucedem de modo diário ou diurnal são chamados de ritmos circadianos, assim, sonolência e sono associam-se ao ritmo circadiano do pôr-do-sol e da noite. Estar acordado corresponde ao nascer do sol e à luz do dia.

A alteração da quantidade e da intensidade da luz tende a perturbar a sincronia do ciclo dormir-acordar. Geralmente as perturbações do sono ocorrem entre trabalhadores por turno, pessoas que viajam de avião e aqueles indivíduos diagnosticados com transtorno afetivo sanzonal (TAS), um tipo de doença cíclica do humor que, pode estar ligada a uma necessidade de maior exposição à luz solar.

Atividade

A atividade, em especial o exercício aumenta a fadiga e a necessidade de sono. Ela aumenta o sono REM e o NREM, principalmente o sono profundo do quarto estágio do sono NREM. No entanto, se a atividade física ocorrer imediatamente antes da hora de dormir, ela pode produzir um efeito mais estimulante do que o relaxante.

Ambiente

A maior parte das pessoas dorme melhor em seu ambiente usual. O sono pode ser induzido pela repetição de determinados hábitos, conhecidos como rituais do sono, antes de ir para a cama. Quando o ambiente é alterado ou as atividades que são realizadas antes da hora de dormir são perturbadas, a capacidade de adormecer e permanecer dormindo pode ser afetada.

Motivação

Quando não existe razão especial para ficar acordado, o sono aparece com facilidade. No entanto, sendo muito forte o desejo de ficar acordado, o desejo de dormir pode ser vencido.

Emoções e Humor

As doenças depressivas são tradicionalmente associadas a uma incapacidade para dormir ou a tendência a dormir mais do que o usual. Além disso, emoções como a raiva, o medo, a ansiedade e o pavor podem interferir no sono. Todas parece ser uma conseqüência das mudanças nos tipos e nas quantidades de neurotransmissores que afetam os centros de dormir-acordar do cérebro.

Às vezes, a ausência do sono pode ser condicionada. A expectativa de que o aparecimento do sono será difícil aumenta a ansiedade da pessoa. Essa ansiedade toma conta do cérebro com elementos químicos estimulantes que interferem no relaxamento, um precursor essencial do sono natural.

Bebidas e Comidas

A fome ou a sede costumam interferir no sono. Assim, como o consumo de determinados alimentos e bebidas, podem promover ou inibir a capacidade para adormecer.

O ato de dormir parece ser facilitado por um elemento químico chamado L-triptofano, encontrado em alimentos protéicos como o leite e seus derivados.

O álcool é uma droga depressiva que promove o sono, embora tenda a reduzir os estágios REM normal e o de sono profundo do sono NREM. As bebidas como a cafeína, em estimulante do sistema nervoso central, tendem a causar um estado de alerta.

Doença

Quase todas as doenças são acompanhadas por estresse, ansiedade e desconforto – qualquer um deles tem poder de alterar os padrões normais do sono.

Existem vários problemas médicos cujos sintomas podem agravar-se à noite ou podem incluir um componente de perturbação do sono.

Drogas

Existem drogas receitadas que podem promover o sono ou prejudica-lo. Os sedativos e os tranqüilizantes são drogas que produzem um efeito relaxante e de calma. Os hipnóticos são aqueles que induzem o sono. Os estimulantes são os que excitam as estruturas no cérebro, causando um estado de alerta.

Os sedativos e os hipnóticos podem causar um efeito paradoxal quando ministrados a pessoas idosas, isto é, podem tender a manter esses adultos acordados, ao invés de facilitar o sono. Além disso, as pessoas que tomam drogas sedativas ou hipnóticas durante algum tempo tendem a ter tolerância às drogas ou redução ao seu efeito.

Algumas drogas, como diuréticos, que aumentam a formação de urina podem despertar os pacientes devido à necessidade de esvaziamento da bexiga. Por essa razão, costumam ser administrado bem cedo, pela manhã, de modo que o auge do seu efeito já tenha diminuído na hora de dormir.

Temperatura

É importante que possa existir um maior controle sobre a temperatura do ambiente externo, que este controle seja feito de forma cuidadosa. Tendo em conta que a temperatura corporal atinge o seu pico ao final da tarde ou princípio da noite e depois vai baixando progressivamente atingindo o ponto mais baixo pela manhã. Uma diminuição ou um aumento de temperatura ambiente faz, geralmente, acordar a pessoa ou cria-lhe certo desconforto que o impossibilita de dormir.


Distúrbios do Sono

Especialistas em sono identificaram mais de cem diferentes distúrbios no sono que vão desde problemas menores até alguns que podem atentar seriamente contra a saúde. A maioria destes problemas parecem ter curta duração, embora alguns sejam crônicos e graves.

A Polissonografia é um exame detalhado para se descobrir esses distúrbios do sono, no qual o paciente passa uma noite tendo o seu sono monitorado através de equipamentos. Este exame é realizado em laboratórios do sono, que nada mais é do que um ambiente agradável e confortável que permite que o cliente tenha uma boa acomodação para a execução de uma boa noite de sono.

Os distúrbios mais comuns são os seguintes:

1. Insônia:

A insônia (como usado no Brasil) ou insônia (uso nos demais países lusófonos) é uma condição que se caracteriza pela dificuldade de adormecer, de manter-se dormindo ou de acordar cedo, acompanhada da sensação de sono não reparado na manha seguinte, podendo apresentar fadiga, irritabilidade e agressividade. Muitas pessoas sofrem de insônia, porém não procuram ou não tem condição de realizar um tratamento médico adequado. A duração da insônia varia, podendo ser desde a insônia de poucos dias de duração, até a insônia de longa duração por meses ou anos (insônia crônica).

1.1.1 - Insônia Transitória:

As insônias transitórias são as que duram poucas noites, são muito comuns. A maior parte das pessoas apresenta esta insônia em algum período de tensão, estresse, expectativa ou excitação.

1.1.2 - Insônia de Curta Duração:

As insônias de curta duração são as que duram poucos dias até três semanas. Geralmente são causadas por estresse grave ou persistente como preocupações com saúde própria ou de familiares, luto ou perda substancial, problemas familiares, profissionais ou de relacionamento. A relação entre o estresse e a insônia é nítida.

1.1.3 - Insônias de Longa Duração:

As insônias de longa duração ou crônicas são as que duram mais de três semanas. Podem estar relacionadas a estresse continuado, depressão, abuso de álcool ou drogas e hábitos inadequados para dormir, como excesso de cafeína. Embora possa ser tratadas com drogas hipnóticas, talvez seja útil administrar-se, em um primeiro momento, alguma intervenção não-farmacológica.

1.2 - Incidência da Insônia

A insônia é referida em 20% nos adultos, e relatada com maior freqüência em mulheres de meia idade e nos idosos.

A insônia ocorre mais em população urbana do que rurais. Estudos populacionais de adultos no Brasil revelaram um quadro de insônia em 32% na população de São José do Rio Preto (SP), já numa cidade de porte médio, a avaliação ficou semelhante a da zona rural, que revelou um quadro de insônia em 16,8% no município de Jaraguari (MGS). (Marchi, 2004) (Reimão, 2000).

1.3 – Tratamento

O tratamento é bastante amplo, englobando desde a modificação dos hábitos inadequados para dormir, até o tratamento da causa da insônia, com medicamentos antidepressivos nos casos de depressão, com outros medicamentos e psicoterapias em alguns casos.

2. Narcolepsia

Narcolepsia é uma condição neurológica que se caracteriza por sono excessivo, independentemente da quantidade de sono obtido, com tendência a dormir em horas inapropriadas. De origem genética, a doença pode estar associada a outros distúrbios do sono.

Embora o diagnóstico de narcolepsia costume exigir avaliação polissonografia, há outros sintomas que auxiliam a distingui-la de outras condições que causam o sono. Por exemplo, a sonolência da narcolepsia costuma estar acompanhada de fraqueza muscular e de breves períodos de paralisia muscular, logo antes do sono ou quando acordado. Esses dois sintomas presentes podem ser conseqüências do fato de as pessoas com narcolepsia vivenciarem o sono REM imediatamente ou dentro de 10 minutos após adormecerem. Como a fase REM inclui a perda dos tônus muscular, isso pode explicar os fenômenos musculares normais.

O fenômeno mais expressivo é a sonolência diurna excessiva, que deixa o paciente em perigo durante a realização de tarefas comuns como dirigir, operar certos tipos de máquinas e outras ações que exigem concentração. Isso faz com que a pessoa passe a apresentar dificuldades no trabalho, na escola e até mesmo em casa.

Na maioria dos casos, o problema é seguido de incompreensão familiar, de amigos e patrões. É comum portadores da narcolepsia passarem a vida inteira sem se darem conta que o seu quadro é motivado por uma doença, sendo tachados por todo esse tempo de preguiçosos e dorminhocos. No entanto, se o narcoléptico procurar ajuda especializada, vai descobrir que é vitima de uma mal crônico, cujo tratamento é feito por meio de estimulantes e que pode se prolongar por toda a vida.

As manifestações da narcolepsia, principiando pela sonolência excessiva diurna, começam geralmente na adolescência com piora, o que leva a procura médica à medida que os sintomas se agravam. A narcolepsia é um distúrbio do sonso que pode trazer conseqüências individuais, sociais e econômicas graves.

2.1 – Causa da Narcolepsia

A causa da narcolepsia é o déficit do neurotransmissor denominado orexina no hipotálamo. O déficit deste neurotransmissor estimulante leva a sonolência excessiva. A orexina é também denominada de hipocretina.

2.2 – Histórico da Narcolepsia

1877 primeira descrição na literatura médica por Westphall.

1880 Gelineau denominou o distúrbio da Narcolepsia.

1902 Lowenfeld usou o termo catalepsia.

1935 Uso de anfetaminas no tratamento da Narcolepsia.

1960 Descrições dos períodos REM anormais em Narcolepsia.

1970 Descrições do teste das Latências Múltiplas do Sono.

1973 primeiros relatos sobre Narcolepsia em cães.

1998 identificação de orexina (Hipocretina) no hipotálamo.

1999 Identificação de mutações dos receptores de hipocretina como causa de Narcolepsia em cães e ratos.

2000 narcolepsia humana e associada com deficiência de hipocretina.

2.3 – Narcolepsia Canina

A narcolepsia é encontrada nas raças Dobermann, Labrador, poodle, Beagle e Dachshund. É evidente o caráter genético em familiares de cães da raça dobermann com narcolepsia. A narcolepsia canina parece estar associada a um gene autossômico com penetrância incompleta denominado canarc-1. O estudo deste modelo animal é importante para a compreensão da narcolepsia humana, devido à semelhança na sintomatologia e no tratamento.

3. Síndrome da Apnéia/ Hipoapnéia do Sono

A apnéia é a interrupção da respiração, ao passo que a hipoapnéia é a hipoventilação. O ronco prolongado e sonoro pode ser um alarme que indica a proximidade de um problema potencialmente fatal. A pessoa com apnéia crônica, durante o sono deixa de respirar por períodos de até dois minutos, dezenas de vezes em uma noite. A causa pode ser uma via respiratória obstruída ou uma interrupção dos sinais nervosos entre o cérebro e o diafragma. A apnéia é perigosa, pois falta ao cérebro oxigênios necessários para o seu correto funcionamento, fazendo com que as pessoas afetadas acordem por breves momentos durante a noite. Por isso, as pessoas com a síndrome da Apnéia/hipoapnéia sentem-se cansadas após terem dormido podem causar ataque cardíaco, AVC ou morte súbita.

A Apnéia do sono costuma predominar entre adultos mais idosos, especialmente homens obesos que roncam. A incidência de episódios de apnéia pode ser reduzida pelo dormir em outras posições que não seja a de decúbito dorsal, devido à perda de peso e de substâncias que reduzem a respiração, como álcool ou medicamentos para dormir. Nos casos mais graves, as pessoas com apnéia do sono podem usar uma máscara respiratória especial que mantém os alvéolos pulmonares, inflados em todos os momentos do sono, ou ainda, realizar uma cirurgia nas vias aéreas.

3.1 – O Bloqueio:

O palato, a úvula e mais o fundo da língua podem acabar obstruindo a faringe. Isso impede a passagem do ar e interrompe a respiração por até 40 segundos. Trata-se da apnéia.

3.2 – Diagnóstico:

O principal sintoma da apnéia do sono é a sonolência intensa durante o dia. Esta sonolência pode levar a acidentes automotivos, como por cochilos ao volante ou levar a dormir por horas em locais inadequadas como no trabalho ou na sala de aula. As outras manifestações da doença incluem o ronco (com pausas respiratórias), a dificuldade em manter a concentração e a atenção pela sonolência durante toda a noite associadas às pausas respiratórias (Apnéia). (Caples, 2005; Reimão, 1996)

3.3 – Apnéias Obstrutivas:

O diagnóstico clínico dos maiores especialistas do mundo tem estimado em 50% com uma prevalência de 5% da doença. O único diagnóstico de certeza é a Polissonografia, que mede o numero total de eventos de apnéia mais hipopnéia por hora, com o índice de apnéia e hipopneia (IAH). Para um evento ser considerado como obstrutivo é necessário haver aumento do esforço respiratório reflexo. Se o IAH for maior ou igual a cinco, o paciente é considerado portador da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. De 5-15 leve, de 15-30 moderado e mais que 30 é grave.

3.4 - Apnéias Centrais:

Ao contrario das Apnéias obstrutivas não há esforço respiratório, reflexo durante as Apnéias ou hipopnéias e sua etiologia também parece ser bem distinta.

3.5 – Tratamento:

É o tratamento cirúrgico.

4. Ronco

O ronco ou ressono é uma obstrução parcial das vias aéreas superiores durante o sono, que pode ocorrer em razão de uma obstrução nasal devido a desvio de septo nasal, renites, sinusites, pólipos nasais e outros. A obstrução relaxa os músculos do tórax, o que induz a abertura involuntária da boca.

Uma em cada oito pessoas ronca e os homens são mais propensos a ele do que as mulheres. De costas, a língua cai sobre a garganta e bloqueia o ar. Na realidade, quem ronca dorme mais placidamente. Mas, com certeza, seu eventual acompanhante não.

4.1 – Dica para evitar o ronco:

4.2 – A vibração:

Se o palato mole e a vúlvula ("campainha") no fundo da boca, estão muito próximos ou relaxados demais, eles vibram quando o ar passa. É o ronco.

5. Parassonais

As parassonais são atividades que ocorrem durante o sono e não constituem, em si, uma ameaça à vida. São decorrentes da ativação do sistema nervoso central. Alguns exemplos de parassonias incluem o sonambulismo, ou o andar enquanto dorme; a incontinência urinaria, ou o urinar na cama; o falar enquanto dorme; o bruxismo, ou o ranger dos dentes, além de contrações musculares nas extremidades inferiores, conhecidas como Síndrome da Perna Inquieta.

5.1 – Sonambulismo

Manifesta-se quando o individuo caminha ou fala dormindo. Três por cento (3%) dos adultos, sem distinção de sexo, caminham dormindo regularmente. Quinze por cento das crianças entre 6 e 12 anos (a maioria delas do sexo masculino) caminham ao menos uma vez por semana. Este distúrbio apresenta-se durante a fase de sono mais profundo e um mal-funcionamento cerebral leva o individuo de um estado de inconsciência a uma zona de despertar psicológico parcial. Está demonstrado que o sonambulismo tem causa genética, assim como os pesadelos noturnos e a transpiração copiosa. Uma em cada cinco pessoas fala dormindo e isto produz-se durante a fase mais leve do sono. Não se produz durante uma conversa com sentido, mas sim palavras soltas e respostas sem sentidos.

O sonambulismo ocorre nos estágios 3 e 4 do sono NREM, geralmente nas primeiras horas de sono da noite. (Reimão, 1996, Spilsbury, 2005).

5.2 – Incontinência Urinária

De forma geral, a incontinência urinária (IU) ocorre quando a pressão dentro da bexiga excede aquela que se verifica dentro da uretra, ou seja, há um aumento considerável da pressão para urinar dentro da bexiga, isso ocorre durante a fase de enchimento do ciclo de micção.

É definida como a perda involuntária da urina, provocando por vezes, certo constrangimento à pessoa.

A incontinência urinária, também, pode ser designada de Enurese. E ocorre com certa freqüência a noite, com mais freqüência em crianças e idosos, porém existem adolescentes e adultos que também sofre desse distúrbio, decorrente de alguma deficiência Psicopatológica.

Na infância a Enurese diminui progressivamente de acordo com o avanço da idade, porém aos 6 anos de idade, 5% das crianças apresentam enurese noturna.

5.2.1 – Tratamento

O tratamento consiste numa assistência médica por parte de uma urologista, que diagnosticará a doença e aplicará a forma de tratamento mais adequada. Podendo alguns casos haver a necessidade intervenção de um psicólogo ou psicanalista.

5.3 – Bruxismo

O bruxismo, também conhecido como briquismo, é um hábito parafuncional que leva o paciente a ranger os dentes de forma rítmica durante o sono. Esta mesma patologia, também pode ser observada em alguns pacientes, mesmo quando acordados.

Mais de 20% dos homens, mulheres e crianças rangem os dentes de forma inconsciente durante o sono. Algumas vezes o problema pode ser dental, mas na maioria das vezes é um problema nervoso.

5.3.1 – Conseqüências do Bruxismo

O esmalte dentário é o primeiro a receber os prejuízos do Bruxismo causando, assim, o desgaste anormal dos dentes. Pode provocar ainda, dores na articulação Têmporo Mandibular (ATM).

Pode ser dividido em:

- Cêntrico – ato de apertar os dentes.

- Exêntrico – ato de apertar os dentes e movimentar a mandíbula lateralmente (ranger os dentes).

Em muitos casos se faz necessário o uso de placas ortodônticas para evitar desgaste dos dentes e diminuir possíveis dores na articulação.

5.3.2 – Dica para Evitar o Bruxismo

Há um método muito simples que vem causando satisfação para mais de 75% das pessoas afetadas por este distúrbio, quando praticado por um período de três semanas. Durante o dia, deve-se contrair as mandíbulas por um lapso de 5 a 10 segundos, para depois relaxa-las outros 5 segundos. A operação deve ser realizada dez vezes por dia. Existem também moldes plásticos confeccionados por dentistas que preservarão os dentes e evitarão ruídos. O dentista é o profissional indicado para cuidar do tratamento.


Diagnóstico de Enfermagem Aplicável


Intervenções de Enfermagem

As intervenções de enfermagem para promover o sono e repouso tem como objetivo um bom padrão dos mesmos, juntamente com sensação de conforto e ausência de fadiga.

Devemos observar os fatores causais e contribuintes do distúrbio no padrão do sono (queixas de dificuldade para adormecer, sono interrompido, inquietação, irritabilidade, bocejos freqüentes e fácies in

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