Necessidades Humanas Básicas - Wanda de Aguiar Horta

Autor:
Instituição: Uninove
Tema: Enfermagem

Wanda de Aguiar Horta


Introdução

Este trabalho visa apresentar de forma sucinta o resultado da leitura e discussão de material sobre a Dr.a Wanda de Aguiar Horta. Fica claro a sua preocupação em proporcionar meios eficientes para a recuperação do paciente, estabeleceu processos educativos envolvendo profissionais, família, comunidade de forma abrangente e visando com seus estudos tornar a Enfermagem uma ciência respeitada. O envolvimento aconteceu profundamente desde o mais básico dos procedimentos até a elaboração de conceitos merecendo maior destaque a Teoria das Necessidades Humanas Básicas, e o Processo de Enfermagem no qual o profissional consegue produzir um trabalho padronizado e de qualidade.


Vida e Obra de Wanda de Aguiar Horta

Wanda Cardoso de Aguiar nasceu em Belém do Pará em 11 de agosto de 1926.

Foi a 5ª filha do Sr. Aberico Hesketh de Aguiar e dona Feliz Cardoso de Aguiar, cresceu num ambiente de grande compreensão, harmonia e amizade.

Precocemente estudiosa, procurava aprender a essência do que lhe era ensinado, dinâmica, procurava diversificar as formas de dar expressão à sua personalidade marcante. Começou cedo a estudar piano, instrumento que viria a tocar com perfeição, além de escrever poesias.

Em 1936 a família Aguiar muda-se para Ponta Grossa no Paraná.

Participou de um curso para Voluntários Socorristas na Cruz Vermelha de Ponta Grossa. Em 1944 sua família muda para Curitiba, onde desejava ingressar na Faculdade de Medicina, mas por motivos financeiros e por não Ter a idade requerida para o ingresso procura trabalhar e estudar para o vestibular.

É convidada por Dona Rosalina Niepce da Silva, diretora do Posto de Puericultura da Legião Brasileira da Assistência para trabalhar em atividades de enfermagem no qual adquiri noções de patologia e pediatria.

No inicio de 1945 ganha uma bolsa de estudos para a Escola de Enfermagem de São Paulo, anexa a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em julho de 1945 a novembro de 1948 faz o Curso de Enfermagem. De dezembro de 1948 a dezembro de 1949, trabalha em Santarém no SESP, onde lá adquiriu uma perspectiva da enfermagem no qual ela conservou durante toda a sua vida, isto é, que a enfermagem é um todo indivisível, não se fragmenta em compartimentos estanques tal como o homem objeto de sua atenção.

Volta ao Paraná em dezembro de 1949 e de 1950 até 1954 chefia o serviço de enfermagem no Sanatório Médico Cirúrgico do Portão, Divisão de Tuberculose da Secretaria de Saúde Pública do Estado do Paraná.

Seu primeiro artigo "Conceito de Enfermagem" foi publicado na Gazeta do Povo em Curitiba em 12 de maio de 1951.

Em 1954, casa-se com o engenheiro Luís Emílio Gouveia Horta aos 27 anos, neste mesmo ano Wanda Horta retorna a São Paulo e trabalha no Hospital Geral Sorocabano (1954 - 1955), no Sanatório do Mandaqui (1955) e no Pronto Socorro da Carteira de Acidentes do Trabalho do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (1955 - 1958).

Retorna em 1959 a Escola de Enfermagem da USP onde desenvolve o núcleo central do seu trabalho que constitui na elaboração de vasta fundamentação teórica para a Enfermagem culminando com a elaboração da Teoria das Necessidades Humanas Básicas. A intenção de Wanda Horta era de procurar desenvolver uma teoria que pudesse explicar a natureza da enfermagem, definir seu campo de ação especifico, sua metodologia cientifica (ALMEIDA & ROCHA). Esta teoria é fundamentada nas necessidades humanas básicas conforme descrito na teoria da motivação humana de Maslow, nas leis do equilíbrio, da adaptação e do holismo.

Muitos dos programas das ciências básicas para a enfermagem tiveram a sua orientação inicial, assumindo e coordenando muitas disciplinas, onde dava aulas, acompanhava estágios e seminários, participava de inúmeras bancas examinadoras, orientava trabalhos, em especial os de pesquisa, avalia a produção científica e estimulava a publicação.

Pós Graduou-se em Pedagogia Didática Aplicada a Enfermagem na Escola de Enfermagem na USP em 1962. Quanto aos cursos de Pós – Graduação, a presidente do CPG assim se manifestou: "a pós-graduação só existe porque existiu Dra. Wanda".

Deve-se a Dra. Wanda a abertura do mestrado, pois quando este foi autorizado, só o foi para Fundamentos de Enfermagem onde recebeu as primeiras 57 alunas em 1973, enquanto se aguardava que as demais áreas fossem liberadas, o que ocorreu em 1975. Organizou o Departamento de Enfermagem Médico – Cirúrgica.

Doutorou-se em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Ana Néri da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1968, com a tese "Observação Sistematizada na Identificação de Problemas de Enfermagem em Seus Aspectos Físicos".

Na Escola de Enfermagem da USP alcançou ainda os títulos de professor Livre-Docente em 1970 e Professor Adjunto em 1974.

Para melhor divulgar suas idéias, criou e manteve de 1975 a 1979, sem apoio de qualquer órgão oficial a revista Enfermagem em Novas Dimensões.

Esta Publicação se tornou um marco editorial da enfermagem brasileira. Era uma revista dinâmica, de diagramação moderna, voltada para a divulgação e o estímulo à pesquisa cientifica na comunidade da enfermagem.

Sua Força residia na certeza que tinha de seus objetivos. Transformar a Enfermagem executora de tarefas e centrada na doença em uma enfermagem baseada no método cientifico. E voltada para o ser humano, suas armas nesta batalha foram sua inteligência viva, seu carisma pessoal, sua disposição sem limites e seu entusiasmo pela enfermagem.

Durante os dez últimos anos de sua vida, mesmo doente, permaneceu trabalhando, pois só assim sabia viver.

Em 1981, ano de seu falecimento, foi proclamada Professor Emérito pela Egrégia Congregação da Escola de Enfermagem da USP.


Teoria das Necessidades Humanas Básicas

1. Necessidade Humana Básica

São estados de tensões, conscientes ou inconscientes, resultantes dos desequilíbrios homeodinâmicos dos fenômenos vitais. Em estado de equilíbrio dinâmico, as necessidades não se manifestam. As necessidades são universais, portanto comum a todos os seres humanos, o que varia de um individuo para outro é a sua manifestação e a maneira de satisfaze-la ou atende-la.

Podem ocorrer alterações durante a assistência de enfermagem nas necessidades humanas básicas, portanto a mesma é considerada ente concreto da ciência de enfermagem.

Maslow baseia sua teoria sobre a motivação humana nas necessidades humanas, estas foram por hierarquizadas em cinco níveis.

  • Necessidades Fisiológicas
  • Necessidades de Segurança
  • Necessidades de Amor
  • Necessidades de Estima
  • Necessidades de Auto-realização
  • Porém na enfermagem prefere-se utilizar a denominação de João Mohana sendo:
  • Necessidades Psicobiológicas
  • Necessidades Psicossociais
  • Necessidades Psicoespirituais

Necessidades Psicobiológicas

Necessidades Psicossociais

Oxigenação

Segurança

Hidratação / Nutrição

Amor

Eliminação

Liberdade

Sono e Repouso

Comunicação

Exercício e atividades físicas

Criatividade

Sexualidade

Aprendizagem (educação a saúde).

Abrigo

Recreação

Mecânica Corporal

Lazer

Motilidade

Espaço

Cuidado Corporal

Orientação no tempo e espaço

Integridade cutâneo-mucosa

Aceitação

Integridade Física

Auto-realização

Regulação: térmica, hormonal, neurológica, hidrossalina, eletrolítica, imunológica, crescimento celular, vascular

Auto-estima

Locomoção

Participação

Percepção: olfativa, visual, auditiva, tátil, gustativa, dolorosa

Auto-imagem

Ambiente

Atenção

Terapêutica

Necessidades Psicoespirituais: religiosa ou teológica / ética ou de filosofia de vida

Todas essas necessidades estão intimamente inter-relacionadas, uma vez faz parte de todo o ser humano, todas sofrem alterações em maior ou menor intensidade quando qualquer uma se manifesta, seja por desequilíbrio causado por falta ou excesso de atendimento.

2. Processo de Enfermagem

É a dinâmica que estuda os movimentos do corpo, das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano. Caracteriza-se pelo inter-relacionamento e dinamismo de suas fases ou passos.

Histórico de Enfermagem: roteiro sistematizado para o levantamento de dados (significativo para a (o) enfermeira (o) do ser humano que torna possível a identificação de seus problemas).

Estes dados, convenientemente analisados e avaliados, levam ao segundo passo.

Diagnóstico de Enfermagem: a identificação das necessidades do ser humano que precisa de atendimento e a determinação pela enfermeira do grau de dependência deste atendimento em natureza e em extensão. O diagnóstico analisado e avaliado levará ao terceiro passo.

Plano Assistencial: a determinação global da assistência da enfermagem que o ser humano deve receber diante do diagnóstico estabelecido. Este plano assistencial é sistematizado em termos de assistir em enfermagem, isto é, encaminhamentos, supervisão (observação e controle), orientação, ajuda e execução de cuidados (fazer). Determinando o plano assistencial vem o quarto passo.

Plano de Cuidados ou Prescrição de Enfermagem: implantação do plano assistencial pelo roteiro diário (ou período aprazado) que coordena a ação da equipe de enfermagem na execução dos cuidados adequados ao atendimento das necessidades básicas e especificas do ser humano. O plano de cuidados é avaliado sempre, fornecendo os dados necessários para o quinto passo.

Evolução de Enfermagem: relato diário (ou aprazado) das mudanças sucessivas que ocorrem no ser humano, enquanto estiver sob assistência profissional. Pela evolução é possível avaliar a resposta do ser humano à assistência implementada.

Prognóstico de Enfermagem: estimativa da capacidade do ser humano em atender suas necessidades básicas alteradas após a implementação do plano assistencial e à luz dos dados fornecidos pela evolução de enfermagem.

Muitas vezes assim que fazemos o diagnóstico e mesmo na própria coleta de dados já teremos uma idéia do prognóstico.


Sistematização da Assistência em Enfermagem

Decisão COREN-SP/DIR/008/99

Decisão homologada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Decisão COFEN nº 001/2000 de 4 de janeiro de 2000) publicada no Diário Oficial em 21 de Janeiro de 2000.

"Normativa a Implementação as Sistematização de Assistência em Enfermagem – SAE – nas instituições de saúde, no âmbito do Estado de São Paulo".

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, no uso de suas atribuições que alude a Lei 5905/73 e a Lei 7498 de 25 de junho de 1986, e tendo em vista deliberação do Plenário em sua 486 reunião ordinária, realizada em 19 de outubro de 1999, e ainda, considerando a Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de Outubro de 1988 nos artigos XIII e 197.

Considerando os preceitos da Lei nº 7498 de 25 de junho de 1986 e o Decreto Lei nº 944406 de 28 de junho de 1987, no artigo 8º, I, alíneas c, e, f.

Considerando o Contido do Código de Ética dos profissionais de Enfermagem, nos termos que dispõe a Resolução COFEN – 160/93.

Considerando que a Sistematização de Assistência de Enfermagem – SAE – sendo atividade privativa do Enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho cientifico para a identificação das situações de saúde-doença, subsidiando a prescrição e implementação de ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação em saúde do individuo, família e comunidade.

Considerando a institucionalização do SAE como a pratica de um processo de trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado em todas as áreas das assistência de saúde pelo Enfermeiro.

Considerando também que a implementação do SAE constitue, efetivamente, na melhoria da qualidade da Assistência de Enfermagem;

Decide:

Artigo 1º. Ao Enfermeiro incumbe:

I – privativamente

A implementação, planejamento, organização, execução e avaliação do processo de Enfermagem, que compreende as seguintes etapas:

Consulta de Enfermagem

Compreende o histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico, prescrição e evolução de Enfermagem para a implementação da assistência de enfermagem, devem ser considerados os aspectos essenciais em cada uma das etapas, conforme descriminados a seguir

Histórico – Conhecer hábitos individuais e biopsicosociais visando a adaptação do paciente à unidade e anotação ao tratamento, assim como a identificação de problemas.

Exame Físico – O Enfermeiro deverá realizar as seguintes técnicas: Inspeção, palpação, percussão de forma criteriosa, efetuando o levantamento de dados sobre o estado de saúde do paciente e anotação das anormalidades encontradas para validar as informações obtidas no histórico.

Diagnóstico de Enfermagem – O Enfermeiro após ter analisado os dados colhidos no histórico e exame físico, identificarão os problemas de Enfermagem, as necessidades básicas afetadas, grau de dependência e fará um julgamento clínico sobre as respostas do individuo, da família e da comunidade aos problemas/processos de vida vigente ou potenciais.

Prescrição de Enfermagem – É o conjunto de medidas decididas pelo enfermeiro, que direciona e coordena a Assistência de Enfermagem ao paciente de forma individualizada e contínua, objetivando a prevenção, promoção, proteção, recuperação e manutenção da saúde.

Evolução de Enfermagem – É o registro feito pelo enfermeiro após a validação do estado geral do paciente. Desse registro devem constar os novos problemas identificados, um resumo sucinto dos resultados dos cuidados prescritos e o problemas a serem abordados nas 24 horas subseqüentes.

Artigo 2º

A implementação da Sistematização de Assistência da Enfermagem – SAE – Torna-se obrigatória em toda instituição de saúde, pública ou privada, como Hospital, casa de Saúde, Asilo, Casa de Repouso, Unidade de Saúde Pública, Clinicas e/ou Ambulatórios e Assistência Domiciliar (Home Care).

Artigo 3º

A implementação do Sae, considerando-se a necessidade de ocorrer, previamente, a organização dos Serviços de Enfermagem, obedecerá aos seguintes prazos a seguir.

Até 30.07.2000: a todos os pacientes considerados graves/críticos e de UTI (adulto, infantil e neo-natal) e um mínimo percentual de 10 a 20% a ser determinada pelo Enfermeiro, nos casos de assistência domiciliar – Home Care – e Ambulatórios, considerando-se a incidência epidemiológica e/ou cadastro epidemiológico associado aos níveis de risco envolvidos;

Até 30.07.2001: a todos os pacientes internados ou assistidos (casos de ambulatórios, assistência domiciliar – Home Care).

Artigo 4º

A implementação do SAE nas Unidades de Saúde Pública deverá obedecer aos seguintes prazos:

Até 30.07.2000: ao paciente portador de doença crônico-degenerativa, doença transmissível sexual ou não, gestante de risco e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde, dentro de um percentual de 10 a 20% a ser determinado pelo Enfermeiro considerando-se incidência epidemiológica e/ou cadastrado epidemiológico associado aos níveis de risco envolvidos;

Até 30.07.2001: ao paciente portador de doença crônico-degenerativa, doença transmissível sexual ou não, gestante de risco e aos enquadrados dentro do programa de imunização, em todos os postos de saúde;

Artigo 5º

A implementação do SAE deverá ser registrada formalmente no prontuário do paciente/cliente, devendo ser composta por:

Histórico de Enfermagem;

Exame Físico;

Prescrição da Assistência de Enfermagem;

Evolução da Assistência de Enfermagem;

Relatório de Enfermagem

Parágrafo Único: nos casos de Assistência Domiciliar (Home Care, este prontuário deverá permanecer junto ao paciente/cliente assistido, de acordo com o dispositivo no Código de Defesa do Consumidor).

Artigo 6º

Os casos omissos no presente ato descrito serão resolvidos pelo COREN-SP.

Artigo 7º

A presente decisão entrará em vigor após homologação pelo COFEM e Devida publicação no órgão de imprensa Oficial do Conselho.

São Paulo, 19 de outubro de 1999

Ruth Miranda de Camargo Leifert

Presidente do COREM-SP

Akiko Kanazawa Fuzisako

1ª Secretária


Conclusão

Posso afirmar que a Enfermeira Wanda Horta foi uma visionária, uma pessoa que via na Enfermagem mais que uma profissão, ante talvez, um estilo de vida em que a dedicação ao bem estar do paciente ocupava o topo da lista de prioridades na área da saúde. Pode-se observar por suas teorias e suas intenções com a mesma, uma indiscutível preocupação com a saúde no verdadeiro sentido da palavra, desde proporcionar conforto ao paciente em convalescença até a pequenos detalhes na aplicação de cuidados básicos para execução de procedimentos essenciais.

Exigir hoje de um enfermeiro a abnegação exemplar de Wanda Horta pode parecer utópico, mas isso acontece principalmente porque a enfermagem passou a ser vista como carreira com seus degraus a serem ultrapassados, com objetivos puramente profissionais, o paciente se tornou cliente, receber um serviço e solucionar o problema que aflige apenas um encargo da função. Como quase tudo tem mudado com tendência de unificar a forma de pensar (globalização), a enfermagem que no começo de suas atividades sofria com uma série de preconceitos injustos, pela influência de Wanda Horta teve indicações do caminho a ser seguido para que se tornar uma profissão e principalmente uma ciência com conceitos independentes e indispensáveis; as mudanças aconteceram e foram valiosas, sem dúvida, mas ainda falta um caminho longo a ser percorrido até que o enfermeiro e a enfermagem ocupem devidamente o seu lugar no rol das profissões e possa amenizar o sofrimento dos que procuram o serviço de saúde.

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