OBSTRUÇÃO INTESTINAL

Autor:
Instituição: FACULDADE BEZERRA DE ARAÚJO
Tema: ENFERMAGEM

OBSTRUÇÃO INTESTINAL


CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

As anormalidades intestinais na criança são numerosas e ocasionadas por malformações congênitas, inflamatórias e/ou infecciosas. O maior número de cirurgias do intestino ocorre nos três primeiros anos de vida.

Há casos em que são necessárias várias cirurgias, em fases distintas do desenvolvimento da criança até que as funções normais do órgão se restabeleçam.

A assistência de enfermagem inicia-se na internação da criança e termina com a orientação de alta.

As doenças mais freqüentes de obstrução intestinal são: invaginação intestinal, megacolo congênito, íleo meconial, atresia intestinal, íleo paralítico, oclusão por áscaris, hérnia estrangulada e má rotação e volvo intestinal.

 

CAPÍTULO 2

OBSTRUÇÃO INTESTINAL

2.1 Definição

A obstrução (ou oclusão) intestinal, segundo Miller, em 1982, pg. 186, "consiste na parada completa ou incompleta do conteúdo intestinal devida a obliteração total ou parcial da luz do intestino ou a paralisia de suas paredes". Os termos obstrução e oclusão, empregada geralmente como sinônimos, refere-se às anormalidades de caráter mecânico; o termo íleo aplica-se aos distúrbios funcionais. A obstrução total dá origem a um quadro abdominal agudo de alta gravidade, que exige intervenção cirúrgica imediata.

Podem ser assim classificadas as causas capazes de levar à oclusão intestinal:

2.2. ANOMALIAS CONGÊNITAS (podem manifestar-se no período neonatal ou em períodos posteriores)

Obstrução intrínseca

  • Atresia ou estenose
  • Segmentos aganglionares
  • Íleo meconial

Obstrução extrínseca

  • Vôlvulo (torção) do delgado, quase sempre com rotação incompleta do cêcum.
  • Bridas duodenais extrínsecas, habitualmente com rotação incompleta do cêcum e fixação deste no quadrante superior direito.
  • Bridas constritivas na região do ligamento de Treitz.
  • Compressão duodenal pela artéria mesentérica (síndrome da artéria mesentérica superior).
  • Hérnias
  • Extra-abdominais

Intra-abdominais, através de :

  • defeitos mesentéricos ou epiplóicos.
  • anéis formados por vestígios do conduto onfalomesentérico.
  • diafragma.
  • Duplicação de segmentos do intestino delgado ou grosso.

2.3. OCLUSÃO INTESTINAL ADQUIRIDA

Oclusão mecânica

  • Hérnia inguinal encarcerada.
  • Invaginação intestinal.
  • Bridas ou aderências conseqüentes à peritonite aguda ou crônica.
  • Corpo estranho intra-intestinal (inclusive concreções fecais, cálculos biliares e novelo de áscaris).
  • Compressão do intestino por tumores.
  • Espessamento ou retração cicatricial da parede intestinal por tuberculose ou ileíte regional crônica.

Oclusão funcional

  • Íleo espasmódico
  • Íleo paralítico conseqüente a:

1. infecções agudas (pneumonia, peritonite etc.)

2. uremia

3. hipopotassemia

 

CAPÍTULO 3

DIAGNÓSTICO

As obstruções agudas, de caráter mecânica, evidenciam-se por dor abdominal em forma de cólica (que pode atingir grande intensidade), parada de fezes e gases, distensão abdominal, borborigmo, vômitos, taquicardia e, no período avançado, sinais de toxemia.

O nível da obstrução pode ser sugerido pelo quadro clínico. Na obstrução alta os vômitos são precoces e abundantes, acompanhados de pequena distensão; a dor é periumbilical. Na obstrução ileal baixa os vômitos são em geral muito intensos, acompanhados de acentuada distensão na área central do abdome. Na obstrução dos cólons há marcada distensão dos flancos e na altura do cêcum, com vômitos ligeiros ou ausentes; a dor é no baixo ventre.

3.1. Radiologia – É útil para firmar o diagnóstico e localizar o nível da obstrução. As chapas simples mostram os contornos gasosos do intestino delgado, na área central, com níveis líquidos visíveis na posição ereta. A distensão do cólon identifica-se pelo contorno das abstrações na área periférica do abdômen. A radiografia contrastada por meio de líquido rádio-opaco (100ml) é às vezes utilizada, mas o emprego de suspensão de bário é terminantemente proibido pela boca por causa do risco de agravamento da obstrução. O clister de bário é às vezes necessário para esclarecimento de anomalia no cólon.

3.2. Exames laboratoriais – As taxas de hemoglobina e o hematócrito mostram-se amiúde ele amiúde elevados; a cloremia está baixa (cloropenia) e o bicarbonato elevado (alcalose); há hiperazotemia. Leucocitose discreta ou ausente.

3.3. Diagnóstico diferencial – As lesões inflamatórias agudas (apendicite, colecistite), bem como a úlcera péptica perfurada em sua fase tardia, acompanham-se de íleo paralítico e podem gerar confusão. Vômitos intensos podem se destacar na evolução da pancreatite aguda, o que também leva a dificuldade diagnósticas. Um dado clínico que ajuda a distinguir a obstrução mecânica do íleo paralítico é a ausência de ruídos intestinais, típica deste último; deve-se ponderar, entretanto, que qualquer forma de obstrução mecânica pode levar a um quadro final de íleo paralítico.

 

CAPÍTULO 4

SINTOMATOLOGIA

A distensão abdominal é um dos sinais da tríade sintomática clássica do abdome agudo obstrutivo (os outros dois são vômito bilioso e ausência de eliminação meconial), especialmente quando a obstrução for baixa. A distensão basicamente pode ser ocasionada por três fatores: grande quantidade de ar no intestino, visceromegalia e acúmulo de líquido no abdome (ascite).

Os sinais e sintomas associados à distensão abdominal orientam diagnósticos diferenciais. Assim, o RN que vomita bile deve ser considerado portador de obstrução intestinal até que se prove o contrário. Raras são as causas propiciadoras de vômito bilioso em RN não portador de abdome agudo obstrutivo, citando-se apenas o traumatismo craniano por ocasião do parto a enterite necrosante e a ingestão de substâncias irritantes durante a passagem pelo canal de parto.

No RN com obstrução intestinal, o vômito tanto mais precoce quanto mais alta for a obstrução. Os que apresentam obstrução duodenal começam a vomitar com poucas horas de vida, ao passo que outros, com atresia ileal, podem demorar 36 a 48 horas para apresentar o sintoma. A eliminação de mecônio costuma ser menor que no RN normal, podendo faltar por completo nas primeiras 48 a 72 horas. Trata-se, no entanto, de sinal tardio, pois ao término deste prazo já se terão exteriorizado outros sinais de obstrução intestinal. A configuração do abdome distendido pode sugerir a altura da obstrução. A distensão predominantemente epigástrica faz pensar em obstrução do estômago ou do duodeno, enquanto uma distensão abdominal generalizada, após as, é sugestiva de obstrução das derradeiras porções do trato intestinal. Afastada a hipótese de distensão abdominal resultante de íleo paralítico (peritonite, septicemia) e identificada a atresia – alta ou baixa - , a intervenção cirúrgica torna-se absolutamente imprescindível.

A perfuração de víscera oca pode ocorrer antes ou depois do parto, em conseqüência de obstrução intestinal secundária a hérnia estrangulada, atresia, vôlvulo, íleo meconial, síndrome do "pequeno cólon esquerdo" etc. Sobretudo nos RN de pré-termo, pode ser assinalada perfuração do estômago, íleo terminal ou cólon, quase sempre nos primeiros dias de vida, às vezes devida a fatores iatrogênicos, como tocotraumatismo, trauma por intubação gástrica, ventilação com pressão positiva durante o processo de reanimação, introdução de sondas ou cateteres etc.

A radiografia simples é, em geral, suficiente para confirmar o diagnóstico de uma atresia intestinal. Na obstrução duodenal ela evidencia o característico "sinal da dupla bolha de ar", resultante da grande distensão gasosa do estômago e do duodeno proximal. Enquanto isso, na obstrução intestinal observam-se alças muito distendidas e cheias de ar, tanto mais numerosas quanto mais distal a obstrução.

IMPORTANTE: Nunca se deve dar contraste baritado por via oral (trânsito intestinal) a um RN suspeito de apresentar obstrução intestinal: o bário poderá impactar no intestino obstruído, piorando sensivelmente o prognóstico.

Nas atresias de jejuno e íleo, a radiografia do abdome, em pé, revela poucos níveis líquidos (obstrução jejunal); presença de níveis líquidos é compatível com atresia de íleo.

Os processos congênitos obstrutivos do colo estão constituídos, mais freqüentes, pelo megacolo congênito, mas quadros suboclusivos baixos podem ocorrer por atresia do colo. Na atresia da sigmóide, a radiografia simples do abdome revela alças muito dilatadas e níveis líquidos.


CAPÍTULO 5

OBSTRUÇÃO INTRÍNSECA

5.1. ATRESIA INTESTINAL

É mais freqüente causa mecânica de obstrução intestinal do RN. A atresia pode ser única ou múltipla, passível de ocorrer em qualquer segmento do tubo intestinal, desde o duodeno até o reto.

  • 5% das atresias ocorrem no cólon.
  • 10% das atresias são múltiplas.
  • 1 :3.000 nascimentos.
  • Masculino = feminino.

5.1.1.Quadro Clínico

  • Vômitos biliosos.
  • Distensão abdominal alta: atresia duodenal ou jejuno proximal.
  • Distensão abdominal generalizada: demais.
  • Polidrâmnios: especialmente nas atresias altas.
  • Icterícia: comum, especialmente nas atresias altas (40%).
  • PIG.
  • Resíduo gástrico maior que 25ml: suspeitar.
  • Artéria umbilical única: suspeitar.
  • Desidratação: casos com diagnóstico tardio.

5.1.2. Investigação

  • Raio-X simples do abdome.
  • Enema baritado: para excluir atresias múltiplas que incluem o cólon, o que pode ser difícil durante a cirurgia. Também para diagnóstico diferencial com ílio meconial e hisrchprung de longo seguimento.

5.1.3. Conduta

  • Pré-operatório:
  • NPO + SNG.
  • Antibióticos (cobrir anaeróbicos).
  • Vitamina K
  • Reserva de sangue com prova cruzada.
  • Laparatomia: sempre que possível realizar anastomose término-terminal.
  • Pós-operatório:
  • Iniciar NPT.
  • Antibióticos por sete dias.
  • Realimentar de acordo com o funcionamento do intestino, presença de ostomia e amplitude da ressecção.

5.2. ÍLEO MECONIAL

Íleo meconial é a obstrução, no nível do íleo terminal, causada por concreções de mecônio de composição anormal, segundo Salle, em 1997, pag. 420. Está sempre associado a mucoviscidose, cujo quadro clínico se manifesta progressivamente com o decorrer do tempo. Além da ausência ou escassez de mecônio, as manifestações limitam-se a vômitos precoces e cada vez mais freqüentes, acompanhados de distensão abdominal.

A "síndrome do pequeno colo esquerdo" também determina um quadro de oclusão intestinal baixa, com retardo na eliminação de mecônio. Admite-se que este processo e o íleo meconial tenham um mecanismo etiopatogênico comum, ou seja, traduzem um distúrbio funcional ligado à imaturidade de inervação intrínseca dos cólons, de ocorrência mais provável em RN de baixo peso, ou em filhos de mães diabéticas. Ao contrário do que sucede no íleo meconial, a evolução é no sentido de regressão espontânea, e o mecônio é geralmente de consistência normal. Na maior parte dos casos de íleo meconial, a relativa insegurança no diagnóstico, a suspeita de atresia associada ou os sinais sugestivos de peritonite impõem solução cirúrgica imediata para remover o mecônio espessado.

5.2.1. Quadro Clínico

  • Vômitos biliosos.
  • Distensão abdominal desde o momento do nascimento (pelo acúmulo de mecônio espessado no segmento intestinal antes da alça ocluída).
  • Polidrâmnios (freqüente).
  • Ausência de eliminação de mecônio ou eliminação de mecônio acinzentado e ressequido.
  • História familiar de mucoviscidose.
  • Quando há volvo associado: sinais de catástrofe intra- abdominal.

5.3. ATRASO NA ELIMINAÇÃO DE MECÔNIO

Em 90 % dos RN, a primeira eliminação de mecônio costuma ocorrer dentro das primeiras 24 horas após o nascimento. Um atraso na eliminação de mecônio por mais de 36 a 48 horas no RN de termo pode indicar uma doença de Hirschsprung (megacolo congênito devido a aganglionose).

Um atraso na eliminação de mecônio pode provocar icterícia significativo (bilirrubina acima de 15 mg/100ml) em RN de termo sadio. Um aumento da circulação êntero-hepática e bilirrubina são a explicação fisiológica para este acontecimento.

Alguns RN de pré-termo apresentam um considerável atraso na eliminação de mecônio. Isto se deve, em parte, à dieta zero, mas pode ser conseqüência das condições do íleo (infecção, hipoxia etc.) ou da imaturidade do sistema nervoso.

O tempo para eliminação do mecônio não estava relacionado ao peso, idade gestacional ou início da primeira alimentação. No prematuro, parece uma conduta razoável esperar pela primeira eliminação de mecônio nas primeiras 24 horas de vida. Quando a situação clínica for estável, a observação cuidadosa pode autorizar uma espera adicional até que se completem 48 horas de vida.

Apesar de servir como pista para a existência de obstrução intestinal no RN, a eliminação de mecônio pode confundir o pediatra em certas situações. Assim, poderá ocorrer eliminação precoce de mecônio em RN com atresia intestinal, ainda que ele se mostre alterado quanto ao aspecto (mais acinzentado) e numa quantidade menor que a normal.

5.4. MEGACOLO CONGÊNITO (DOENÇA DE HIRSCHSPRUNG)

Qualquer criança nascida sem traumatismo evidente de parto, em que se exclua problema neurológico ou anomalia perineal, e que apresente retardo na eliminação de mecônio, associado a vômitos inexplicados, distensão abdominal e recusa de ingerir líquidos, deve ser considerada como portadora de megacolo congênito, até prova em contrário, segundo Carakushansky, em 1979, pg. 159. Há grande interesse no diagnóstico precoce no RN, haja vista a gravidade da associação do megacolo congênito com enterocolite aguda inespecífica, cuja mortalidade ultrapassa 50 %. O diagnóstico precoce no período neonatal e a colostomia efetuada de imediato permitem alcançar um decréscimo na mortalidade por enterocolite.

O exame físico demonstrará quadro geral refletindo a intensidade do quadro clínico, com seqüestração líquida em alças intestinais, perdas através de vômitos e diarréia, repercutindo nas condições circulatórias, no estado de hidratação e no balanço hidroeletrolítico. O abdome apresentar-se-á abaulado, com ruídos abundantes e intensos, por vezes com desenho de alças e peristaltismo visíveis. O toque retal revelará o reto vazio estreitado.

No período neonatal cumpre fazer diagnóstico diferencial com todos os quadros suboclusivos baixos (atresia retal, atresia de colo, estenose de colo, síndrome de rolha meconial, íleo meconial, imaturidade de células ganglionares), com os quadros enterocolíticos (enterocolite, enterite necrosante, septicemia) e com os quadros de constipação (erros dietéticos).

O exame radiológico assume grande importância, principalmente no RN no qual, apesar das dificuldades de interpretação, pode fornecer dados imediatos para o encaminhamento diagnóstico. A radiografia simples assume importância maior diante do quadro enterocolíticos grave, situação em que é perigosa a indicação de enema baritado. A radiologia contrastada, realizada pela introdução via retal de material radiopaco, está indicada em RN com quadro suboclusivo.

Classicamente, a certeza radiológica do megacolo congênito é dada pela diferença de calibre, entre a zona dilatada e a zona não funcionante, notada ao enema opaco. Entretanto, o colo geralmente leva algumas semanas para dilatar. Assim, freqüentemente não notamos esta diferença no período neonatal. Faz-se uma chapa simples 24 horas após a realização do enema e, se houver retenção do contraste baritado nessa chapa tardia, o diagnóstico de megacolo congênito será altamente provável.

 

CAPÍTULO 6

OBSTRUÇÃO EXTRÍNSECA

6.1. MÁ ROTAÇÃO E VOLVO INTESTINAL

A rotação incompleta do intestino durante o período fetal resulta em um defeito de fixação do mesentério, que o torna muito suscetível à torção com volvo, segundo Salle, em 1997, pg. 418. Além disto, nos casos de má rotação, existe bandas fibrosas que se estendem do ceco malrotado (alto no hipocôndrio, junto ao fígado) até a parede abdominal lateral. Tais bandas podem comprimir o duodeno (que também não rodou normalmente e desce junto à coluna) contra a coluna vertebral, causando obstrução parcial em graus de variável intensidade.

É a maior emergência cirúrgica abdominal em cirurgia pediátrica.

É essencial se pensar em má rotação com volvo para se fazer o diagnóstico precoce.

A viabilidade do intestino volvulado depende basicamente do tempo decorrido e do grau de torção.

O quadro clínico depende da presença ou não de volvo. Pode ocorrer somente a compressão extrínseca do duodeno pelas bandas de Ladd (vômitos biliosos e distensão alta) ou torção de todo o intestino delgado que apresenta defeito de fixação do mesentério. RN em catástrofe abdominal: choque, hipotensão, vômito biliosos e sepse. Cerca de 50% dos casos se apresenta na primeira semana de vida.

6.1.2. Quadro clínico

  • Vômitos biliosos.
  • Distensão abdominal alta (má rotação sem volvo) ou generalizada (com volvo).
  • Sangramento alto ou enterorragia: volvo com comprometimento do intestino.
  • Início pode ser súbito em RN que estava previamente bem.
  • Septicemia (distensão abdominal, etc., volvo com necrose).

6.1.3. Investigação

  • Raio X simples de abdome – AP e perfil: distensão gástrica e parte do duodeno, com pouco ar no restante do intestino.
  • Estudo contrastado do EED: Duodeno é demonstrado; não ocorre a passagem por trás dos vasos mesentéricos.
  • Enema opaco: Demonstra posição anormal do ceco.

6.1.4. Conduta

  • NPO.
  • SNG nº 8 aberta em frasco.
  • Hidratação enérgica + Dextran 40-10 ml/Kg de 6/6 horas.
  • Antibióticos incluindo cobertura anaeróbica.
  • Vitamina K.
  • Laparatomia de urgência.

6.1.5. Pós-operatório

  • NPO. Íleo adinâmico prolongado é freqüente.
  • SNG aberta até o restabelecimento do trânsito intestinal.
  • NPT nos casos de ressecção extensa. Pode resultar síndrome do intestino curto quando se fizeram grande ressecções, especialmente se a válvula íleo-cecal foi sacrificada.
  • Manter antibióticos, hidratação enérgica (mínimo 150 mo/Kg/dia).
  • Na dúvida de viabilidade intestinal em grandes extensões, sugere-se fechamento após distorcer com reoperação em 24-48 horas.

 

CAPÍTULO 7

OCLUSÃO MECÂNICA

7.1. HÉRNIA ESTRANGULADA

O termo estrangulamento significa, a interrupção da circulação em qualquer órgão ou estrutura em decorrência de compressão ou constrição por brida, anel ou outra formação equivalente. A conseqüência tardia do estrangulamento é a necrose do tecido estrangulado com suas graves repercussões sobre todo o organismo. Encarceramento é a retenção do conteúdo herniário sem interrupção da circulação, segundo Miller, em 1982, pg.191.

A crural é a variedade herniária mais sujeita a sofrer estrangulamento; entretanto, como a variedade inguinal é muito mais freqüente do que a crural, a incidência de estrangulamento crural. As hérnias umbilicais, incisionais e de outros tipos são encontradas com menor freqüência. As hérnias internas (através da fossa retroperitoneal ou de defeitos diafragmáticos) são raras e de diagnóstico clínico praticamente impossível.

7.1.2. Diagnóstico

Além dos sinais de obstrução intestinal, existe a dor no local da hérnia (que pode irradiar-se para o epigástrio), sendo também muito importante à identificação e o exame do tumor herniário, que se mostra doloroso, tenso e irredutível.

7.1.3. Tratamento

Na criança, o estrangulamento da hérnia inguinal é acidente raro, mas o encarceramento é relativamente comum (cerca de 5% dos casos). Nestes casos deve-se sedar o paciente (fenobarbital, cloropromazina) e colocá-lo deitado de costas com os pés da coma ou do berço elevados de maneira que o colchão forme um ângulo de 20º com a horizontal. Nessa posição, a própria gravidade tenderá a atrair o conteúdo herniário para o interior da cavidade abdominal. Se ao cabo de uma ou duas horas a redução não tiver ocorrido, pode-se tentar obtê-la comprimindo delicadamente a tumefação no sentido do canal inguinal (manobra de taxis). Na grande maioria dos casos recentes os encarceramentos herniários infantis se reduzem por essas medidas conservadoras.

7.2. INVAGINAÇÃO INTESTINAL

Consiste na penetração de um segmento intestinal no interior da porção adjacente, segundo Miller, em 1982, pg. 189. Ocorre com maior freqüência dos dois meses aos três anos de idade, sendo três vezes mais comum em meninos do que em meninas. Qualquer estrutura anatômica equivalente a um corpo estranho, pode predispor a invaginação. É bastante comum o antecedente de infecção respiratória, causada freqüentemente por adenovírus.

Descrevem-se quatro formas anatômicas: ileocecal, ileocólica, colocólica e íleo-ileal. A anormalidade tem início usualmente na parte inferior do íleo formando a variedade íleo-ileal que geralmente penetra no cólon para formar a variedade ileocólica.

7.2.1. Quadro clínico

O quadro típico ocorre no lactente bem nutrido, de cinco a seis meses, que acorda bruscamente do sono tranqüilo em choro dramático e desesperado que parece traduzir violenta dor abdominal. O choro é súbito e dura segundos e passa (cólica). Iniciam-se vômitos de início alimentares. A seguir, geralmente evacua e a criança passa a sentir-se bem e pode até aceitar alimento, até que se desencadeie nova crise de cólica.O paciente fica pálido, pode suar em profusão, seguindo-se ao episódio de cólica marcada, apatia que pode chegar à sonolência. Os vômitos passam a repetir-se, tornando-se biliosos e podem tornar-se fecalóides. A seguir, pode instalar-se a evacuação da característica "geléia" de muco-sangue. Instalam-se os comemorativos clínicos da desidratação. A necrose do invaginado leva a toxemia e ao choque; o óbito ocorre em quatro a cinco dias, se a criança não for tratada. Ao exame físico, caracteriza-se a obstrução pela distensão abdominal, aumento e variação do timbre dos ruídos hidroaéreos e o característico "tumor em chouriço" na topografia cólica. A fossa ilíaca direita está vazia (sinal de Sand) e o toque retal pode atingir o intussuscepto e/ou provocar evacuação do muco-sangue. O invaginado pode exteriorizar-se pelo ânus, exigindo o diagnóstico diferencial com o prolapso retal. Evolui para vômitos fecalóides com enorme distensão abdominal, toxemia, peritonite e óbito por colapso periférico toxêmico.

7.2.2. Diagnóstico

É feito pelo quadro clínico descrito somado aos dados do exame radiológico, cuja realização pode por vezes reduzir a invaginação: esta redução ocorreu em oito dos casos (4.7%).

7.2.3. Tratamento

7.2.3.1. Medidas preliminares – são muito importantes os seguintes cuidados: passar sonda gástrica e esvaziar o estômago; colher sangue para exames laboratoriais, inclusive tipagem; iniciar hidratação venosa para correção dos desequilíbrios hidrossalinos e ácido-básicos (em geral acidose).

7.2.3.2. Clister opaco – representa não somente o principal exame para diagnóstico da invaginação intestinal, mas pode constituir também valioso recurso para seu tratamento, sendo lícito recorrer se ao seu emprego em todos os casos.

7.3. OCLUSÃO INTESTINAL POR ÁSCARIS

Em pacientes altamente infestados, principalmente crianças, podem formar-se novelos de áscaris (até mais de 100 espécimes) que levam a um quadro de oclusão ou suboclusão, simulando às vezes invaginação intestinal.

7.3.1. Diagnóstico

A etiologia do caso é sugerida pelos antecedentes de cólica abdominal e eliminação espontânea de numerosos áscaris pela boca e ânus. Presta auxílio ao diagnóstico a presença de um ou mais tumores no ventre, formados pelos vermes aglomerados.

7.3.2. Tratamento

Antes de recorrer à cirurgia, lançar mão das seguintes medidas: (a) repouso no leito em hospital; (b) aspiração gástrica contínua; (c) 150 mg/Kg de peso corporal de piperazina, pela sonda, interrompendo a aspiração por duas horas; (d) 15 a 30 ml de óleo mineral 30 minutos após a piperazina, repetidos de três em três horas, durante 24 horas (interromper a aspiração por uma hora após a introdução do óleo ou definitivamente quando a criança deixar de vomitar); (e) hidratação parenteral com soro misto; (f) após a desobstrução a piperazina será continuada na dose de 50 mg/Kg/dia, sem óleo, durante mais cinco dias, realimentando-se gradualmente o paciente.

7.4. ÍLEO PARALÍTICO

A paralisia da musculatura intestinal representa uma causa importante e freqüente de obstrução intestinal. Seus principais fatores determinantes são a peritonite e a manipulação operatória das vísceras abdominais. Traumatismo da coluna vertebral, infecção no tórax e tumor retroperitoneal representam causas mais raras.

7.4.1. Diagnóstico

Há distensão abdominal indolor, vômitos e parada de fezes e gases; mais tarde surgem desidratação e desequilíbrios eletrolíticos. O início insidioso e a ausência de ruídos intestinais ajudam a distinguir o íleo paralítico da obstrução mecânica.

7.4.2. Tratamento

Deve ser precoce, consistindo nos seguinte item: (a) dieta zero até 24 horas após o desaparecimento dos sinais clínicos; (b) aspiração gástrica para extração do líquido intestinal de cor castanha que reflui para o estômago; (c) reposição líquida e eletrolítica (a melhor solução para repor líquidos de aspiração gástrica é volume a volume). Em presença de choque, transfusão de plasma. A administração de hidrocortisona pode mostrar-se benéfica. Nos casos motivados por infecção (peritonite, pneumonia) está indicada a antibioticoterapia.

O tratamento deve prosseguir até que o líquido de aspiração gástrica torne-se claro e escasso.

 

CAPÍTULO 8

TRATAMENTO DA OBSTRUÇÃO MECÂNICA

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico; em ambos os casos a correção dos desequilíbrios hidrossalinos tem que ser a mais precoce possível.

8.1. Tratamento conservador – Está indicado na fase inicial da obstrução por câncer do cólon, que amiúde é incompleta e pode ser tratada posteriormente por ressecção em um tempo e anastomose. Oclusões simples do intestino delgado motivadas por aderências podem também responder favoravelmente ao tratamento conservador, que é aconselhável, especialmente, nos casos recidivantes. Dada a possibilidade de um estrangulamento passar despercebido, os casos duvidosos devem ser operados após uma observação de no máximo 12-48 horas.

8.2. Tratamento cirúrgico – Os pacientes em péssimas condições clínicas, extremamente intoxicados, não suportam operações extensas, o que obriga a recorrer a intervenções mínimas, como seja o ânus artificial (cecostomia, colostomia) ou a simples exteriorização de uma alça gangrenada. Sendo boas as condições do paciente, pode-se praticar uma operação radical, que dependerá do tipo de obstrução (bridas, aderências, corpo estranho intraliuminar, compressão por tumor, retração cicatricial ou espessamento da parede intestinal, malformações, torção etc.)

 

CONCLUSÃO

A enfermeira deve estar consciente da importância de suas funções como educadora junto aos familiares da criança. É muito importante que a criança receba, além da assistência material, o carinho, compreensão e o amor daqueles que a cercam.

Durante a hospitalização, os pais devem permanecer com seus filhos o tempo que for necessário, a fim de ajudá-los a se adaptarem ao novo ambiente e a se relacionarem com as pessoas que ainda lhes são estranhas.

É indispensável à presença da mãe e/ou responsável antes da ida da criança à sala operatória (quando há necessidade de intervenção cirúrgica) e imediatamente após a cirurgia, para dar-lhe apoio e segurança.


BIBLIOGRAFIA

CARAKUSHANSKY, Gerson. Semiologia Básica do recém-nascido: Primeira Edição. Interamericana. Rio de Janeiro, 1979.

CURSINO, Maria Rosa. Assistência de Enfermagem em Pediatria: Primeira Edição. Savier. São Paulo, 1992.

MARCONDES, Eduardo. Pediatria Básica: Sétima Edição. Atheneu. 2 vol. São Paulo, 1987.

MILLER, Otto. Medicina de urgência: Primeira Edição. Atheneu. São Paulo, 1982.

MIURA, Ernani e PROCIANOY, Renato S. Neonatologia Princípios e Prática: Segunda Edição. Artes Médicas. Porto Alegre, 1997.

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