PAPEL DO ENFERMEIRO NO AMBIENTE HOSPITALAR

Autor:
Instituição: UNIPAC
Tema: História Da Enfermagem

Enfermagem


1. Introdução

Assim como qualquer empresa, as instituições de saúde devem estar estruturadas para atingir seus objetivos, utilizando-se da divisão do trabalho, poder e responsabilidade. Esta estrutura permitirá que cada integrante realize plenamente suas atividades diárias. No contexto hospitalar está o enfermeiro assumindo a responsabilidade pela direção do serviço de enfermagem, que são: assistir o cliente, planejar, avaliar a assistência da enfermagem prestada e gerênciar os recursos humanos sob sua responsabilidade. O enfermeiro é o elo de ligação entre as diferentes funções e setores de uma instituição.

2. O enfermeiro como Responsável pela Prestação de Cuidados à Saúde

A enfermagem profissional está se adaptando para atender às mudanças nas necessidades e expectativas de saúde. Uma dessas adaptações pode ser notada na Expansão do papel do enfermeiro. Está foi a resposta à necessidade de melhorar a distribuição de serviços e diminuir o custo do cuidado à saúde. O enfermeiro que funciona em papel ampliado dá um atendimento direto aos pacientes por uma prática em agência de atendimento de saúde ou em associação a um médico. A especialização evoluiu na expansão dos papéis da Enfermagem, em consequência à explosão crescente da tecnologia.

Os enfermeiros recebem agora uma educação avançada em especialidades tais como cuidado intensivo, coronariano, respiratório, oncológico, intensivo neonatal, diálise renal, a traumatismos, a transplantes e gerontológico, para citar apenas alguns. Com a expansão do papel da Enfermagem, surgiram alguns títulos que tentam especificar tanto as funções como a preparação educacional dos enfermeiros. Dois desses títulos são o de enfermeiro praticante e de especialista em Enfermagem Clínica que são:

Os enfermeiros práticos são, em sua maior parte preparados como generalistas (por exemplo, enfermeiro prático pediátrico, enfermeiro prático geriátrico). Eles definem seu papel em termos da provisão direta de uma ampla gama de serviços a pacientes e seus familiares. O foco é na provisão do cuidado direto aos pacientes em ambiente que promova um grau significativo de autonomia e colaboração com outros profissionais de saúde. Eles trabalham em contextos tanto de atendimento a casos agudos como não agudos.

Os especialistas em enfermagem clínica , por outro lado, são preparados como especialistas que tem sua prática numa área circunscrita de atendimento (por exemplo, especialista em Enfermagem Clínica Cardiovascular, em enfermagem clínica Oncológica). Definem seu papel como tendo quatro componentes principais: prática clínica, educação, consultoria e pesquisa. Os estudos mostraram que na realidade o foco está freqüentemente nos papéis de educação e consultoria: Educação e aconselhamento de pacientes e familiares e educação, aconselhamento e consultoria à equipe de Enfermagem. Embora possa praticar em diversos contextos, mais comumente a prática dá-se no contexto hospitalar de atendimento a casos agudos.

As leis de prática de Enfermagem receberam emendas que dão aos enfermeiros a autoridade para executar funções que eram anteriormente restritas a pratica de medicina. Essas funções incluem o diagnóstico da Enfermagem, o tratamento, a execução de procedimentos invasivos e a prescrição de medicações e tratamentos. Os regulamentos referentes a essas funções, de acordo com o Coren pela lei número 74998, de 25/06/1986 pelo artigo 110 , são estipulados pelo Conselho de Enfermagem de cada estado o qual define a educação e a experiência necessária e as situações clínicas em que um enfermeiro pode desempenhar estas funções.

O enfermeiro exerce todas as atividades de enfermagem, cabendo-lhe:

I - privativamente:

  • direção de órgão de enfermagem integrante da estrutura básica da instituição de saúde e chefia de serviço;
  • organização e direção dos serviços de enfermagem e suas atividades técnicas e auxiliares nas empresas prestadoras desses serviços;
  • planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de enfermagem;
  • (vetado)
  • (vetado)
  • (vetado)
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  • consultoria, auditoria e emissão de parecer sobre matéria de enfermagem;
  • consultoria de enfermagem;
  • prescrição de assistência de enfermagem;
  • cuidados diretos de enfermagem a pacientes graves com risco de vida;
  • cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.

II – Como integrante da equipe de saúde:

  • participação no planejamento, execução e avaliação da programação de saúde;
  • participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde;
  • prescrição de medicamentos estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde;
  • participação de projetos de construção ou reforma de unidades de internação;
  • prevenção e controle sistemático da infecção hospitalar e de doenças transmissíveis em geral;
  • prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados à clientela durante a assistência de enfermagem;
  • assistência de enfermagem à gestante, parturiente e puérpera;
  • acompanhamento da evolução e do trabalho de parto;
  • execução de parto sem distocia;
  • educação visando à melhoria de saúde da população.

Parágrafo único – Às profissionais referidas no inciso II, do artigo 60 , desta Lei incumbe, ainda:

  • assistência à parturiente e ao parto normal;
  • identificação das distocias obstétricas e tomada de providências até a chegada do médico;
  • realização de episiotomia e episiorrafia e aplicação de anestesia local, quando necessária.

Art. 12 – O técnico de Enfermagem exerce atividade de nível médio, envolvendo orientação e acompanhamento do trabalho de enfermagem em grau auxiliar, e participação no planejamento da assistência de enfermagem, cabendo-lhe especialmente:

  • participar da programação da assistência de enfermagem;
  • executar ações assistenciais de enfermagem, exceto as privativas do enfermeiro, observado o disposto no parágrafo único, do artigo 11, desta Lei;
  • participar da orientação e supervisão do trabalho de enfermagem em grau auxiliar;
  • participar da equipe de saúde.

Art. 14 – (Vetado)

Art.15 – As atividades referidas nos artigos 12 e 13 desta Lei, quando exercidas em instituições de saúde, públicas e privadas, e em programas de saúde, somente podem ser desempenhadas sob orientação e supervisão de Enfermeiro.

Art.16 - (vetado)

Art.17 - (vetado)

Art. 18 - (vetado)

Art.19 - (vetado)

Art. 20 – Os órgãos de pessoal da Administração Pública Direta e Indireta, Federal, Estadual, Municipal, do Distrito Federal e dos Territórios observarão, no provimento de cargos e funções e na contratação de pessoal de enfermagem, de todos os graus, os preceitos desta Lei.

Parágrafo único – Os órgãos a que se refere este artigo promoverão as medidas necessárias à harmonização das situações já existentes com as disposições desta Lei, respeitados os direitos adquiridos quanto a vencimentos e salários.

A expansão dos limites da prática de Enfermagem requer perícia nas habilidades de entrevistar, observar, avaliar e realizar exames físicos, de executar novas técnicas clínicas, de compreender padrões de comportamento, de coletar dados e de promover habilidades de soluções de problemas dos indivíduos, familiares e grupos. Além disso, o enfermeiro deve ser hábil na tomada das decisões, avaliação dos resultados do atendimento e medidas para promover a contenção e redução dos custos. Para adquirir e manter a perícia clínica necessária, ele é responsável pelo seu próprio desenvolvimento e educação contínua durante sua vida profissional.


3. Papéis do Enfermeiro

No ambiente hospitalar o enfermeiro assume três papéis. Estes podem ser definidos como o papel de assistência, o de liderança e o de pesquisa. O desempenho de cada um desses papéis visa atender as necessidades assistenciais e de cuidados à saúde imediatas e futuras dos pacientes que recebem o cuidado de Enfermagem.


4. Papel de Assistência

O papel de assistência do enfermeiro envolve providências tomadas ao assumir uma responsabilidade dirigida primariamente ao atendimento das necessidades assistenciais e de cuidados a saúde de pacientes individuais, seus familiares e outros entes significativos.

É um papel que só pode ser desempenhado pela utilização do processo de Enfermagem, que é a base de toda a prática.

No papel de assistência em contextos de atendimento a casos agudos e de atendimento prolongado, o enfermeiro funciona no papel interdisciplinar de planejador de alta.

O processo de planejamento de alta é dirigido à promoção da continuidade do cuidado e ao reforço máximo do potencial dos pacientes para o autocuidado após a alta.

Muitas habilidades do enfermeiro envolvem a participação na descoberta e tratamento das enfermidades. A avaliação inicial do paciente, feita pelo enfermeiro, juntamente com outros membros da equipe de saúde, contribui para a identificação dos seus problemas de saúde. As observações do enfermeiro a cerca das condições do paciente e avaliação das necessidades de intervenção médica ou de enfermagem contribuem, significativamente, para o estabelecimento desses planos.

O enfermeiro participa, também, da avaliação da eficácia das terapêuticas. Geralmente, os enfermeiros entram em contato mais freqüentemente com o paciente que os outros membros da equipe de saúde, e a permanente presença do enfermeiro proporciona-lhe a oportunidade peculiar de observar as reações do paciente ao tratamento. Essas observações são de valor inestimável para avaliação do plano global de assistência ao paciente e as modificações necessárias.

Parte da função assistencial é representada pelo oferecimento do conforto e apoio ao paciente e sua família. Dessa forma, o enfermeiro se preocupa não apenas com o conforto físico do paciente, como também em ajuda-lo a enfrentar seus problemas de saúde, assim como o estresse e ansiedade que acompanha os desvios, mesmos ligeiros, da saúde . A execução das atividades da enfermagem com delicadeza, empatia, compreensão e respeito pelo paciente como um indivíduo de valor e dignidade, significam a preocupação em relação o paciente.

A execução das atividades de enfermagem com delicadeza, empatia, compreensão e respeito pelo paciente como um indivíduo de valor e dignidade, significam a preocupação em relação ao paciente.


5. Papel de Liderança

A liderança em Enfermagem é um processo que envolve quatro componentes comportamentais: decidir, relatar, influenciar e facilitar. Cada um desses componentes é dirigido a mudanças e ao resultado final de alcance de um objetivo. A comunicação é fundamental para todo o processo, determinando a eficiência na realização do processo. Assim o processo de liderança pode ser considerado como sendo um processo interpessoal, em que o enfermeiro, como líder, usa habilidades interpessoais para efetuar mudanças no comportamento daqueles com os quais se relaciona.

Assim, o processo de liderança pode ser considerado como sendo um processo interpessoal, em que o enfermeiro, como líder, usa habilidades interpessoais para efetuar mudanças no comportamento daqueles com os quais se relaciona.

O enfermeiro utiliza o processo de liderança em diversas circunstâncias: ao auxiliar um paciente, ou aos seus familiares, a fazer alterações em sua conduta quanto à saúde e ao auxiliar grupos de enfermeiros ou outros profissionais de saúde a afetar as ações de pacientes, grupos de pacientes, ou comunidades no que diz respeito a obtenção de condutas de saúde desejáveis. Como por exemplo o aconselhamento das mães primíparas, acerca da assistência e alimentação dos bebês; o ensino das medidas de higiene para proteger-se das infecções, aconselhando o paciente acerca da dieta: ensinando aos pacientes os exercícios de respiração profunda no período pré-operatório, para assim evitar complicações pós-operatórias.


6. Papel de Pesquisa

A tarefa primária de pesquisa em Enfermagem é contribuir para a base científica da prática. São necessários estudos para determinar os efeitos reais da intervenção e do cuidado de Enfermagem.

É responsabilidade de todos os enfermeiros envolverem-se na pesquisa em enfermagem, aceitando seu papel de pesquisador. Todos têm de estar constantemente atentos aos problemas e às questões importantes quanto à prática da Enfermagem, que podem servir de base para a identificação de áreas-problemas passíveis de pesquisa. Aqueles diretamente envolvidos no atendimento a pacientes estão muitas vezes em posição favorável para identificar tais problemas e questões. Suas percepções clínicas são valiosíssimas. Têm também a responsabilidade de se envolverem ativamente em estudos de pesquisa em andamento. Esta participação pode incluir a facilitação do processo de coleta de dados ou efetiva coleta de dados. Explicar o estudo a outros profissionais de saúde ou a pacientes e aos seus familiares muitas vezes é uma valiosa ajuda ao enfermeiro que está dirigindo o estudo.

Devem, sobretudo, utilizar em sua prática de Enfermagem os achados de pesquisas. Estes só podem ser substanciados pela utilização, validação e difusão.


7. Conclusão

O enfermeiro é um profissional de extrema importância no dia-a-dia de um hospital ou de um consultório. Apesar de o médico ser o responsável pela condução do tratamento, é o profissional de enfermagem quem lida mais diretamente com o doente. Embora essa atividade seja muito antiga, a profissão só foi regulamentada no país em 1986.

O enfermeiro é um profissional de nível superior, que estuda durante quatro anos em uma faculdade. Ele pode se especializar para atuar em áreas como pediatria, psiquiatria e centro cirúrgico. Ocupa uma posição de liderança em instituições de saúde, planejando o que a equipe deve fazer e que cuidados cada paciente deve receber, além de ser incumbido dos procedimentos que envolvem um risco maior ao doente. Pela lei, todo estabelecimento de saúde deve contar com enfermeiro 24 horas por dia.

 

Bibliografia

Legislação e Normas – Corem – MG

Brunner / Suddarth – Tratado de Enfermagem - Volume 1 – 70 edição

Jornal Informativo Corem número 3 Janeiro/1999

B.M.Dugas-Enfermagem Prática-4ª edição-Editra Guanabara

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