Tipos de Traumas, Ferimentos e Conduta na Emergência e Imobilização

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Tema: Primeiros Socorros

Tipos de Trauma e Ferimentos e Conduta na Emergência e Imobilização


Para um bom trabalho na emergência é necessário reconhecer os tipos de ferimentos e qual a conduta a ser tomada.

Todas as pessoas têm uma noção geral do que são ferimentos, mas um bom socorrista precisa identificar suas diferenças básicas. Considera-se sangramento com um sinal de ferimento.

Descreve partes moles como sendo os tecidos do corpo que compõem a pele, músculos, nervos, vasos sanguíneos, células dos órgãos e glândulas.

Pode haver feridas fechadas de partes moles, que são causadas por impacto incapaz de romper a pele, pode ser uma contusão e causar a ruptura de órgãos internos. Contusões estão associadas à perda sanguínea, em extensões maiores indicam fraturas ou grave dano de tecido.

Nas feridas abertas, outras estruturas podem ser atingidas. Sua extensão determina a gravidade, apresentam-se como simples arranhões; cortes mais profundos, que podem ser classificados em incisões – cortes com bordas regulares – ou lacerações – cortes com bordas irregulares –; perfurações, que normalmente danificam o tecido em linha transversal, pode haver somente ponto de entrada – penetrante – ou também ter um ponto de saída – perfurante –; avulsões, partes são rasgadas ou arrancadas; e amputações.

Há ferimentos por esmagamento que geralmente apresentam hemorragia externa e interna profusa.

Quando ocorre queimadura nas partes moles, pode atingir apenas a camada superficial ou apresentar maior complexidade atingindo nervos, vasos sanguíneos, músculos e ossos.

Para uma assistência efetiva é preciso executar um atendimento correto, quando pessoas sem treinamento começam o serviço e o socorrista chega depois, ele precisa atentar para os erros cometidos e corrigi-los rapidamente. Sempre considerando a gravidade do caso, o Resgate deve ser comunicado e a vítima tranqüilizada quanto a sua segurança.

Uma ferida fechada se apresenta em forma de contusão, então o socorrista precisa procurar e também avaliar a presença de edemas ou deformidades que possam indicar fraturas. É necessário cuidar de uma ferida fechada com todo o cuidado, considerando a possibilidade de hemorragia interna e o desenvolvimento do choque hipovolêmico.

Quando se trata de feridas abertas, o socorrista precisa expor o local, afastando a roupa, mas não insistindo quando está se encontra aderida ao ferimento. Deve limpar a superfície para remoção do material estranho que está na pele. Controlar o sangramento, fazendo compressão direta ou compressão direta mais elevação de membro, descartando a possibilidade de fraturas. Precisa prevenir quanto à contaminação, uma boa maneira é enfaixar o local com compressa, pano limpo, lençol. Sempre deixar a vítima deitada, tentando tranqüilizá-la. Cuidar para que evite a evolução de choque hipovolêmico.

Para proceder ao atendimento quando a vítima tem um ferimento perfurante é preciso primeiro saber que essa ferida é extensa e apresenta hemorragia interna, é feita a análise para saber se há também um ponto de saída (mais sério que a de entrada).

Não retira e nem toca no objeto transfixado, mas é preciso expor o local, também é feito o controle da hemorragia, é preciso estabilizar o objeto, para isso faz curativo absorvente, pode improvisar lençóis ou toalhas. O paciente precisa ficar em repouso. O socorrista, como em todos os casos, precisa prevenir o choque hipovolêmico, tentando diminuir os riscos.

Para tratar avulsões que rasga parcialmente o tecido é preciso limpar o local, cobrir a área atingida e fazer o controle da hemorragia utilizando curativo compressivo.

Quando a pele está totalmente rasgada e desprendida, usa curativo absorvente compressivo, é necessário preservar a parte desprendida, colocando em um saco plástico.

Em amputações, a hemorragia é controlada por curativo compressivo diretamente na ferida, mas quando não controlada, irá tentar o método de compressão indireta, ou até mesmo o torniquete. A parte amputada deve ser preservada, mantendo-a num saco plástico ou campo estéril se possível.

Pode ocorrer feridas que exponham órgãos, nestes casos, essa ferida aberta deve ser coberta com um pano limpo ou plástico, jamais tentar colocar os órgãos expostos no lugar, sempre prevenir quanto ao choque. E não dar nada ao paciente para beber ou comer.

Para realizar os procedimentos citados acima, o socorrista usa curativos, que são materiais para cobrir e controlar o sangramento numa hemorragia e evitar a contaminação e também utiliza bandagens que é usada pra fixar o curativo em lugar adequado.

Há vários tipos de curativos:

  • Esterilizados, isentos de todos os microorganismos;
  • Limpos, livres de sujidade e corpos estranhos;
  • Absorventes, camadas de curativo que ajudam no controle de hemorragias profusas, auxiliam na estabilização de objetos transfixados ou ainda podem cobrir feridas abertas e extensas;
  • Oclusivos, fecha totalmente uma ferida aberta.

Para um curativo fixar-se exatamente no local, é necessário utilizar bandagens. Para efetivo resultado é importante que o sangramento esteja realmente controlado, é preciso evitar tocar na parte do curativo que fica em contato com a ferida e precisa cobrir toda a área da ferida. As bandagens não podem ficar muito apertadas, dificultando a circulação, nem folgadas, suas pontas precisam estar presas, as extremidades precisam ficar expostas para verificar a circulação, a bandagem deve ser feita da extremidade para a raiz dos membros. Sua pressão tem que ser a mesma em toda a extensão da ferida e precisa ser respeitada a área das articulações.

No couro cabeludo e na face encontra-se uma grande dificuldade em cuidar, são muitos vasos sanguíneos e assim intenso sangramento, se os ossos do crânio, vias aéreas ou o pescoço forem afetados os problemas se agravam.

Esse tipo de trauma costuma ser bastante doloroso e o sangramento excessivo pode assustar a vítima, o socorrista precisa conversar e explicar o que está acontecendo, dizer também que o Resgate já vai chegar, na tentativa de aliviar a preocupação e o medo desta.

Não é necessário limpar o couro cabeludo, pois pode aumentar o sangramento, não deve ser feito pressão por causa de possível fratura no crânio.

Alguns cuidados para esse tipo de ferida compreendem:

  • Controlar a hemorragia usando curativo, mas sem fazer pressão;
  • Usar bandagens de rolo ou gaze;
  • Resfriar o local da ferida com gelo, envolvido em um pano ou compressa;
  • Colocar a vítima com cabeças e ombros elevados, se excluída a possibilidade de fraturas.

Quando a face é atingida, em primeiro lugar a preocupação vem com a desobstrução das vias aéreas e faz a verificação do pulso carotídeo. A hemorragia deve ser controlada com compressão direta e é necessário fazer uso de curativos e bandagem.

Se há um objeto transfixado na bochecha e este obstrui as vias aéreas, o socorrista pode removê-lo. Ele irá observar exatamente a direção que entrou, puxar ou empurrar para fora da bochecha, se não for possível sua retirada, será preciso estabilizar com curativo, na porção externa. O rosto deve ser virado de maneira a escoar o sangue da boca, excluída a possibilidade de fraturas, para ajudar no controle da hemorragia o socorrista deve introduzir curativo no interior da boca. Ou se retirou o objeto também coloca curativo internamente, deixando uma ponta para fora para evitar que o paciente possa fazer sucção.

Com ferimento no olho, não retira objeto transfixado e nem recoloca o olho na cavidade orbital. Lava o olho com água, jogando-a em seu canto e orientando que o paciente mexa os olhos. Para evitar que este paciente movimente os olhos, é preciso fazer curativo oclusivo, em ambos, mesmo que apenas um tenha sido atingido. Ao fazer o tampão nos olhos é importante manter um contato com o paciente, seja com palavras ou toque, ou então deixar outra pessoa junto, estando o paciente consciente ou não.

De acordo com a intervenção feita pelo socorrista será possível preservar a visão do paciente.

Se houve queimaduras no olho, o socorrista precisa cuidar de acordo com o tipo da agressão. Queimadura por calor precisa ser coberta as pálpebras com curativos úmidos e não compressivos. Por claridade, as pálpebras são fechadas e é feito tampão de cor escura nos olhos. Queimadura química deve ser lavada com água em abundância, potável, cerca de 20 minutos, feito isso, aplicar curativo úmido, não compressivo, sempre com as pálpebras fechadas.

As orelhas também podem ser agredidas externamente, com cortes, que requerem curativos e bandagens no lugar; rasgos, nos quais são usados curativos absorventes, enfaixa atrás do tecido lacerado; avulsões, faz curativos absorventes, enfaixando o local, a parte arrancada deve ser mantida resfriada e em local separado, um saco plástico por exemplo.

Quando as orelhas são atingidas internamente pode indicar ferimento mais sério na cabeça. O sangramento na orelha deve ser tampado com curativos externos e fixado com bandagens; se há objetos na orelha não é feita a remoção; se há presença de fluidos sanguinolentos ou claros é preciso aplicar curativo externo não compressivo; para lidar com o entupimento de ouvido é necessário calma do paciente, pode ser ferimento no tímpano ou fluidos na orelha média, porém podem resolver espontânea e rapidamente após intervenção médica.

O paciente pode sofrer danos no nariz, nesse caso, a maior preocupação é manter as vias aéreas livres e fazer o controle da hemorragia.

Se o paciente está consciente, o socorrista irá colocá-lo sentado, e inclinado levemente para frente, aperta-se a narina até que seja controlado o sangramento.

Caso o paciente esteja inconsciente, será necessário virá-lo de costas, mantendo a cabeça lateralizada para facilitar a drenagem de sangue e fluidos do nariz e da boca, aperta a narina até controlar totalmente a hemorragia.

Não usar tampão quando são drenados fluidos no nariz; não fazer remoção de objetos estranhos; em caso de avulsões, faz-se um curativo de pressão local, guarda a parte arrancada e a mantêm resfriada.

Para prestar atendimento a vítimas com ferimento na boca, o socorrista precisa manter as vias aéreas livres, após excluir a possibilidade de fraturas no crânio, coluna ou pescoço, deve sentar o paciente, inclinando a cabeça um pouco para frente, isso facilita a drenagem do sangue e outros fluidos.

Para cortes internos no lábio é usado um curativo dobrado, entre a gengiva e os lábios; em lábios avulsionados é necessário aplicar bandagem de pressão no local; e em cortes na parte interna da bochecha deve colocar uma pequena quantidade de curativo dentro da boca, deixando um ponta externa.

Sinais de ferimentos no pescoço podem demonstrar:

  • Dificuldade na fala ou impossibilidade;
  • Vias aéreas obstruídas, provavelmente por edemas;
  • Desvio traqueal;
  • Depressões no pescoço;
  • Ferimentos, cortes ou perfurações.

Se a artéria foi rompida é preciso aplicar imediatamente a compressão direta sobre o ferimento, controlando por meio de curativo oclusivo, após o controle da hemorragia, virar o paciente para a esquerda, mantendo a cabeça mais baixa (para eliminação de possível bolha gás presente na circulação) e prevenção do choque hipovolêmico.

Porém, se o rompimento foi em uma veia, após iniciar com compressão direta e curativo oclusivo, fecha hermeticamente o local e então virar o paciente para a esquerda e evitar o choque.

Nos casos de sangramento profuso dos vasos sanguíneos do pescoço, também é feita compressão direta e curativo oclusivo, e ainda coloca outro curativo sobre o primeiro e aplica pressão, fixando os curativos com bandagem, coloca-se o paciente do lado esquerdo e previna o choque.

Para feridas abertas no abdome ou que possam causar ruptura de órgãos, o socorrista faz curativos em toda a extensão do ferimento, este paciente fica deitado com as pernas flexionadas, se não há fraturas, são feitos cuidados preventivos ao choque, seus órgãos não podem ser tocados, devem ser aquecidos com material limpo ou esterilizado e não remover objetos que estejam transfixados, apenas estabilizá-os.

Não é comum acontecer ferimentos na genitália, pois é protegida pela genitália externa (pélvis e coxa). Se acontecer: Ferimento traumático por objeto rombudo apenas aplica uma bolsa de gelo, para diminuição da dor e sangramento. Se há cortes, o sangramento é controlado através de compressão direta, é usado curativo absorvente, aplica-se bandagem do mesmo modo de uma fralda.


Princípios básicos do transporte de pacientes:

Avaliar a situação e decidir se o paciente deve ser transportado, selecionar a melhor técnica para mobilizar um paciente, o local do paciente oferece perigo iminente, cuidados que precisam de reposicionamento , ter acesso a outros pacientes, fatores no local que causam variações no estado do paciente e o paciente insistir em ser transportado.

Como mobilizar um paciente: Em cuidados de primeiros socorros, os melhores transportes são feitos com a ajuda de outras pessoas treinadas. Entretanto, nas imobilizações de emergência, o socorrista poderá ter que imobilizar o paciente, mesmo estando sozinho. Transportes em situações não emergenciais devem ser feitos de modo a prevenir um agravo adicional ao paciente . os cuidados devem evitar desconforto e dor. Transportes em situações de emergência oferecem pouca proteção; regras para transportar em situação não emergencial: paciente consciente, avaliação inicial completa, freqüência do pulso e respiração deverão estar estáveis dentro dos padrões normais, não devera haver sinal de suspeita de trauma na coluna vertebral ou no pescoço, os locais com suspeita de fratura e os ferimentos nos membros deverão ser imobilizados e protegidos antes da mobilização.

As técnicas de levantamento devem evitar danos às costas ou joelhos, manter o equilíbrio e prevenir queda, ferindo a pessoa e o paciente, planejar o movimento, não tentar se não puder agüentar o peso do paciente, começar o movimento em posição segura, levantar o paciente com o esforço dos músculos de suas pernas e nunca com os das costas, não se deve levantar e carregar um paciente enquanto estiver segurando o fôlego, manter as costas retas enquanto estiver carregando o paciente.

Apoio num socorrista é um método fácil de transporte. Se carregar um paciente consciente o procedimento é carregá-lo pendurado. Quando tiver ajudante, este deve ajudá-lo a levantar e posicionar o paciente para o levantamento tipo bombeiro. Um paciente pesado ou um que esteja inconsciente ou incapaz de mover-se sozinho poderá ser transportado usando um dos métodos de arrastamento. Puxe na direção do comprimento do corpo, mantendo a cabeça dele o mais baixo possível. Transportes não emergenciais podem ser por levantamento direto do solo e poderá ser empregado em pacientes com possíveis lesões na coluna, que foram encontrados em locais perigosos. Estabilizar a cabeça e o pescoço e ter pelo menos três outras pessoas, levantamento pelos membros não deverá ser usado se o paciente apresentar suspeitas de traumas cranianos , nos pescoços ou medula espinhal, se estiver inconsciente ou se tiver fraturas nos membros superiores ou inferiores. Requer dois socorristas, você levantando o paciente pelos ombros e seu ajudante levantando os joelhos do paciente. Quando estiver transportando o paciente , você deverá mantê-lo junto ao seu tórax e ao seus ajudantes.


Conclusão:

Pra cuidar de pacientes com ferimentos e traumas, o socorrista determina o tipo, a extensão, a área afetada e conduz os 1ºs socorros. É importante ressaltar que cada procedimento tem uma maneira a seguir, e esta tem que ser feita rigorosamente, pois isto define a seqüência do atendimento e influi na recuperação da vítima.

Fazer curativos é uma forma de controlar a evolução do caso, para tanto, é preciso fazê-los observando cada particularidade.

Posso concluir também que transporte de pacientes é um dos procedimentos mais delicados e somente a equipe de resgate pode fazer, mas se houver realmente a necessidade de remoção da vítima, o socorrista precisa estar acompanhado e coordenar o movimento.

Trabalhar consciente, eticamente e com apoio de mias profissionais preparados é a única forma de antever a piora de situações emergenciais. A enfermagem deve se empenhar mais nessa área.

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