Triagem no pronto socorro

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Tema:

TRIAGEM NO PRONTO SOCORRO: A IMPORTÂNCIA
E O CONHECIMENTO DA EQUIPE MÉDICA E DE ENFERMAGEM

UNIVERSIDADE DO VALE DO SAPUCAÍ

RESUMO

A definição formal de triagem deriva do francês “triage” significando “classificar em grupos”. A triagem envolve um processo de decisão de prioridades e intervenções terapêutica com individualização do cuidado. Objetivos: Avaliar o conhecimento dos profissionais de enfermagem, médicos do pronto socorro do H.C.S.L sobre o processo de triagem;Conhecer a importância do processo de triagem para os profissionais em questão.Metodologia:Tipo: estudo descritivo, exploratório com abordagem qualitativa.Amostra: 4 enfermeiros, 8 técnicos de enfermagem e 20 médicos que atenderam aos seguintes requisitos: ser funcionário do pronto socorro com pelo menos três meses de trabalho, concordaram em participar da pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.Resultados: Características sociais: Sexo: 20 masculinos e 12 femininos; Idade: 26 a 77; Anos profissão: 20 médicos, 4 enfermeiros, 6 técnicos e 2 auxiliares; Tempo de atuação: 9 MESES a 49 anos; 97% dos entrevistados consideram importante a triagem no pronto socorro e apenas 3% dos entrevistados que corresponde a apenas 1 funcionário não considera importante a triagem no pronto socorro.Conclusão: a maioria dos funcionários não encontrou dificuldades ao serem abordados sobre o assunto de triagem, pois mesmo não existindo a implantação no referido setor, ambos demonstraram ter conhecimento teórico e saber a importância da triagem para priorização e qualificação do atendimento.

Palavras-chave:1. Triagem 2. Pronto socorro 3.Equipe multiprofissional

MENDES, C.A.; LIMA, T.; BORGES, G.L.V. Screening in the emergency room: The importance and knowledge of medical and nursing team.Monograph - Course of Nursing Faculty of Health Sciences DR.José Antonio Garcia Coutinho. Universidade do Vale do Sapucaí, Pouso Alegre, 2008.

ABSTRACT

The formal definition of sorting derives from the French "triage" meaning "sort of groups." The screening involves a process of determining priorities and therapeutic interventions with the individual care.Objective: Evaluate the knowledge of Nurses, doctors in the emergency room of HCSL on the process of sorting; Knowing the importance of the process of sorting for professionals in question.Methodology: Type: descriptive study, with exploratory approach qualitative.Analysis: 4 nurses, 8 practical nurses and 20 doctors who met the following requirements: be official of the emergency room with at least three months of work, agree to participate and signed the free and informed consent informed.Results: Social characteristics: Sex: 20 male and 12 female; Age: 26 to 77; Years profession: 20 physicians, 4 nurses, 6 technicians and 2 auxiliary; Time of action: 9 MONTHS to 49 years, 97% of respondents consider important in the emergency room triage and only 3% of the interviewees that corresponds to only 1 employee does not consider important in the sorting ready relief.Conclusion: most employees had no difficulties to be tackled on the subject to screening, because there is not even the deployment in that sector, demonstrated that both theoretical knowledge and know the importance of screening for prioritization of care and skill.

Words key: 1. Screening 2. Emergency room 3.Equipe multiprofessional

SUMÁRIO

 

1-
INTRODUÇÃO

1.1
Interesse pelo tema

1.2
Justificativa do estudo

1.3
Objetivos

 

2 -
MARCO CONCEITUAL

2.1
Triagem: o que diz a literatura

2.1.1
Princípios da classificação de risco

2.1.2
Processo da classificação de risco

2.1.3
Modelos de Triagem

2.1.4
Fatores a serem considerados na realização da triagem

2.2
A importância da triagem para os profissionais e usuários

2.2.1

Aplicabilidade da triagem em pronto socorro

3 -
TRAJETÓRIA METODOLÓGICA.

3.1
Cenário do estudo

3.2
Delineamento do estudo

3.3
Amostra, natureza da amostra e amostragem

3.4
Instrumento para Coleta de dados

3.5
Procedimento para coleta de dados

3.6
Pré-teste.

3.7
Tratamento e análise dos dados

3.8
Ética do estudo

 

 

4-
RESULTADO E DISCUSSÃO

 

5-
CONCLUSÕES

6-
CONSIDERAÇÕES FINAIS

7-

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

8-

ANEXOS

Anexo A: Entrevista semi-estruturada

1 – INTRODUÇÃO

A ocorrência súbita de doença ou agravo que coloca uma pessoa em situação de risco imediato de morte ou incapacidade é certamente um cenário dramático. Este parece ser um risco crescente, sobretudo nos grandes centros urbanos, e tem gerado na população um sentimento de “risco constante” - o de vir a sofrer um dano à saúde capaz de ameaçar a sua vida, ou a de alguém querido (David, 1998).
No setor público, a necessidade de manutenção de uma porta de entrada qualificada e integrada na atenção de urgência e emergência, tem determinado uma discussão em torno da regulação, como conceito relacionado à capacidade de resposta frente às demandas de saúde, e como instrumento de ordenação e orientação da assistência, em seus diversos níveis (David, 1998).
A triagem de pacientes em serviços de emergência constitui um campo de atuação para o enfermeiro, entretanto faltam instrumentos que possam ser utilizados para classificar a gravidade do paciente e a adequação de recursos ao seu atendimento (Pires, 2003).
Devido ao contingente de pacientes atendidos no Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL), vimos à necessidade de se implantar uma triagem priorizando os atendimentos em níveis de gravidade, definindo-os como: ressuscitação, emergência, urgência, semi-urgência e não-urgência.

1.1 Interesse pelo tema

Enquanto acadêmicas, vivenciamos situações que nos fizeram atentar para a necessidade do processo de triagem no pronto socorro. Uma senhora de 74 anos estava no pronto socorro aguardando ser atendida, havia muitas pessoas na sua frente e ela quase não se queixava, mas estava com uma expressão facial de dores intensas. Presenciando esta espera passei-a na frente das outras pessoas, preocupei-me com a sua idade e pelo tempo que havia esperado. Foi atendida na sala de emergência, pois, sua dor precordial aumentou e foram realizados exames de urgência, eletrocardiograma e gasometria. No dia seguinte ao chegarmos ao pronto atendimento, por volta das 10h da manhã nos deparamos com um paciente deitado em uma maca no corredor ainda vestido com suas roupas e sapato, colar cervical e sem cobertor. Nós o abordamos e ele nos relatou que se encontrava naquelas condições desde as 17h00min do dia anterior e que nada foi realizado e ninguém chegou até ele para explicar o que estava acontecendo. Chamamos nossa professora e ela comunicou ao médico de plantão, após avaliá-lo liberou dieta, banho e o paciente saiu daquela situação.
Outro fato que nos deixou muito triste e acima de tudo preocupada foi o de um idoso de 70 anos que aguardava atendimento, ficou muito tempo esperando. O mesmo estava apresentando fortes dores abdominais e precordiais, foi atendido na sala de emergência após ser dispensado todo o cuidado, foi encaminhado para o C.T.I.
Durante um plantão noturno nossa colega presenciou outro episódio que nos chamou atenção. Havia um senhor na porta do pronto socorro aguardando ser atendido. Sua esposa desesperada implorava para que os médicos o atendessem imediatamente, pois ele não estava bem. Depois de horas de espera constataram que a sua pressão estava alterada com o valor de 200/140mmhg. Esta funcionária e acadêmica foi até a porta do pronto socorro e verificou sua pressão trazendo-o para ser atendido.
Neste sentido, várias indagações emergem: Será que com a implantação da triagem, priorizaria o atendimento em níveis de gravidade? Será que acabaria ou diminuiria a espera daqueles que não poderiam estar esperando para ser atendidos? Será que os funcionários (profissionais de enfermagem, médicos) do pronto socorro consideram importante o processo de triagem? Qual o conhecimento dos profissionais de enfermagem sobre o processo de triagem?
Com vistas à realidade exposta, sentimos o desejo e a necessidade de uma pesquisa do conhecimento dos profissionais de saúde sobre o processo de triagem, optando-se assim por este estudo.
1.2 Justificativa do estudo

Iniciamos uma busca na literatura de artigos referentes ao tema e encontramos trabalhos escassos que o estudassem.
Após algumas leituras constatamos de forma simplista que triagem é o processo pelo qual se estabelecem prioridades de tratamento, é um método de classificação das pessoas que querem ser atendidas em um serviço de urgência e emergência obedecendo a um nível de prioridade.
O processo de triagem, segundo ESTRADA (1981), é uma parte integrante da assistência em emergência. Portanto, é nele que se verifica a organização na recepção, a separação dos clientes para garantir atendimento mais rápido e mais eficiente aos que necessitam de atenção imediata, sejam politraumatizados ou gravemente enfermos. O êxito desse processo propicia uma assistência com qualidade total.
A assistência de emergência oferecida nos serviços de pronto atendimento tem sido nos últimos tempos, motivo de grande inquietação para todas as pessoas que de alguma maneira, dela participam, seja na qualidade de prestador, seja como recebedor dessa assistência.
Assim, é preciso o desenvolvimento de um sistema de triagem, bem organizado, não somente com área física, material e equipamentos sofisticados, mas, principalmente, com pessoal competente e suficientemente treinado.
No H.C.S.L. há uma maior concentração de recursos especializados e, por outro lado, não dá garantia de efetividade de oferta e acesso à população, devido longas filas, portas de urgência pequenas, áreas físicas, equipamentos e recursos humanos insuficientes para acolher a demanda que a eles recorrem, gerando demora e desqualificação no atendimento, tornando-o desumano, visto que, com a ausência de acolhimento, de triagem de risco, inadequação na oferta e acesso aos meios diagnósticos e terapêuticos, esse atendimento fica a desejar.
Tudo isso contribui para que haja uma insatisfação da população, já que na realidade hoje o que presenciamos no hospital é a prioridade por ordem de chegada e não por gravidade.
Ao verificarmos o conhecimento e a importância da triagem para os profissionais de enfermagem e médicos, talvez possa trazer subsídios para a implementação de uma nova maneira de acolhimento dos pacientes que procuram o pronto socorro do HCSL, despertando nestes profissionais um atendimento à saúde mais efetivo com uma assistência de qualidade, além de poder contribuir para a ampliação do conhecimento e interesse sobre este tema, ainda tão escasso na literatura.
Frente ao exposto elaboramos as seguintes perguntas de pesquisa: Qual o conhecimento dos profissionais de enfermagem, médicos e usuários do pronto socorro do HCSL sobre o processo de triagem? Qual a importância para os profissionais em questão e usuários da implementação do processo de triagem no pronto socorro do HCSL?

1.3 Objetivos do estudo

Os objetivos desse estudo são:

Avaliar o conhecimento dos profissionais de enfermagem, médicos do pronto socorro do H.C.S. L sobre o processo de triagem;
Conhecer a importância do processo de triagem para os profissionais em questão.

2- MARCO CONCEITUAL

Estaremos nesta etapa do estudo discorrendo sobre a triagem (definição, modelos, classificação de risco), a sua importância para os profissionais de saúde e os usuários, como também trazemos exemplos de locais que já implantarão a triagem em seus serviços.

2.1. Triagem: o que diz a literatura

A definição formal de triagem deriva do francês “triage” significando “classificar em grupos”. A triagem envolve um processo de decisão de prioridades e intervenções terapêutica com individualização do cuidado. Surgiu durante a segunda guerra mundial para suprir as necessidades de cuidado envolvendo massas populacionais e há cerca de 20 anos foi adaptada ao sistema de atendimento hospitalar a fim de solucionar a problemática da congestão do setor de emergência. (BOVER & LISBOA, 2005).
O termo triagem tem sido utilizado para descrever a situação onde os profissionais de saúde têm que escolher qual o paciente que irá ser atendido em primeiro lugar, especialmente em serviços de emergência nos hospitais. Nestas situações utiliza-se o critério de gravidade, ou seja, o paciente que tiver o quadro clínico mais grave, que não pode ter seu atendimento protelado, deve ter prioridade e atendimento em primeiro lugar. Este critério também tem sido utilizado na situação de transplantes de órgãos. Pois os pacientes em situações agudas de falência do órgão transplantável, tem prioridade devido à gravidade, em relação aos demais pacientes que aguardam na fila e que podem ter a sua situação ainda contornada por outros meios terapêuticos. (GOLDIM, 1997-2001).
Para Pires (2003) triagem na língua portuguesa significa escolha, seleção. A principal finalidade do serviço de triagem é escolher quais pacientes devem ter prioridade no atendimento, ou seja, fazer com que os pacientes mais graves sejam atendidos primeiro. Ainda segundo o autor a triagem no serviço de emergência não tem a finalidade de rejeitar ou excluir usuário, mas sim, de organizar o fluxo de paciente no sistema de saúde e selecionar os meios adequados para o diagnóstico e tratamento do problema de saúde apresentado.
Como conseqüência espera-se otimização do tempo e recursos utilizados, uma racionalização quanto à acessibilidade e fluxos internos, e, principalmente, o aumento da resolutividade dos serviços e a satisfação do usuário e da equipe em saúde (MAIO et al., apud PIRES, 2003).
Em revisão de literatura conduzida por CHAVES et al. (1987), triagem em serviços de emergência é caracterizada por diversos autores como atendimento aos pacientes críticos que necessitam de assistência médica imediata, a fim de prolongar à vida ou prevenir conseqüências críticas a saúde.
Em contrapartida, existem outros conceitos que ampliam de forma subjetiva esta definição, cabendo ao paciente ou seu responsável avaliar a necessidade de tratamento médico de urgência e aos hospitais a provisão de estrutura para manipular esta ampla variedade de expectativas (CHAVES et al., 1987; TRUNKEY, 1985; MAGALHÃES et al. 1989; WELLS-MACKIE, 1981).
Um enfermeiro de triagem deve apresentar três habilidades fundamentais: avaliação, conhecimento e intuição. A intuição se desenvolve com experiência, sensibilidade e o uso da observação. Todas essas características estão bem desenvolvidas em um enfermeiro de Pronto Socorro com experiência. Necessitamos, no entanto, nos preocupar com as pessoas que ingressam na área, pois apesar de possuírem o perfil para trabalharem em um setor dinâmico precisam de um treinamento técnico-científico focando, principalmente, as situações de emergência e liderança de grupo. Quanto mais tempo e experiência se adquire, maior uso se faz da sensibilidade e intuição, estabelecendo-se de forma mais eficaz as pontes com o referencial teórico que sustenta o fazer (GATTI & LEÃO, 2004).
Segundo os autores, no departamento de emergência a triagem é um processo pelo qual um paciente é avaliado após sua chegada, para determinar a urgência do problema e designar as fontes apropriadas de assistência médica capazes de cuidar do problema identificado, o paciente é classificado de acordo com a prioridade. Recomenda que o paciente deva ser avaliado, pouco tempo depois de sua chegada no departamento de emergência, por indivíduos com treinamento médico, e que a triagem é um processo dinâmico de classificação de pacientes com base na urgência da necessidade de tratamento.
“O Conselho Federal de Medicina - CFM, pela Resolução 1451/95, define como URGÊNCIA, “a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata”, e EMERGÊNCIA, como” a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, o tratamento médico imediato”.
Outra forma de se implantar a triagem seria o acolhimento que foi implantado na Rede Básica da Secretaria Municipal de Saúde (SMA-BH) em 1996, constituindo-se como uma “das ferramentas utilizadas para iniciar mudanças no processo de trabalho em saúde com vistas a garantir o acesso de saúde humanizada, resolutiva, de qualidade com responsabilização coletiva dos trabalhadores com as necessidades de saúde dos usuários” (SMSA/BH, 1997, p.1).
Ao analisar o acolhimento na SMSA/BH, enquanto proposta em Construção LEITE; MAIA; SENA-CHOMPRE (1997), encontraram que esta prática representou uma estratégia de mudança sustentada na:
Adesão dos profissionais, especialmente, dos auxiliares de enfermagem e enfermeiros;
Humanização da relação serviço x profissional de saúde x usuário;
Facilidade de acesso e aumento de cobertura, utilizando ao máximo a potencialidade da capacidade instalada;
Inversão da lógica atual do atendimento a partir da demanda espontânea e por ordem de chegada;
Recomposição do processo de trabalho não havia ocorrido, o trabalho ainda estava centrado na atenção clínica individual;
Responsabilização do acolhimento pelos auxiliares de enfermagem;
Atendimento orientado para as ocorrências clínicas.

Acolher, como nos coloca Oliveira (2000), não no sentido de triar, dividir, ou classificar os sintomas das pessoas, mas sim receber bem, com atenção, tempo e disponibilidade, para que seja possível escutar e valorizar as particularidades de cada situação. ”Trata-se de dar continência ao sujeito e não apenas ao seu quadro psicopatológico. Acolher significa promover condições para que aquele que sofre fale de seu mal-estar e de sua situação de vida, a fim de possibilitar uma avaliação consistente e coerente com aquilo que foi transmitido, muita vezes, também pelos familiares” (OLIVEIRA, 2000, p.34).
Avaliar vai além de realizar o diagnóstico, implica conhecermos e entendermos a situação do usuário para realizarmos um diagnóstico situacional. Isto significa colocar entre parênteses a doença e entrar em contato com a “existência-sofrimento” do usuário (ROTELLI, 1990).
Acolhimento é uma forma de facilitar o acesso ao usuário. Fazer um atendimento humanizado. Inverter a lógica de quem chega primeiro para quem precisa mais do atendimento (LEITE, JULIANA C. A. et al. 1999).
Segundo as autoras, o Acolhimento é uma triagem humanizada, isto é numa triagem tradicional, selecionam-se os que precisam da consulta e se dispensa os outros pacientes. No acolhimento, também estes “outros” são ouvidos, e, na medida do possível têm seus problemas resolvidos.
Infere-se que tal fato esteja ligado a uma maior participação dos gerentes na construção da proposta por ocasião da definição política de sua implantação. Neste período, os representantes formais da instituição, salientavam veementemente que acolhimento não era uma triagem.
Porém, nota-se pelos relatos que a prática do acolhimento aproxima-se em maior ou menor grau à triagem, conforme as condições estruturais e organizacionais do serviço (LEITE, JULIANA C. A. et al. 1999).

2.1.1 Princípios da classificação de risco

A crescente demanda pelos Serviços de Emergência torna a Classificação de Risco necessária para minimizar os efeitos do aumento do número de atendimento e diferentes graus de complexidade dos pacientes (GATTI, 2000).
A classificação de Risco é um processo dinâmico de identificação dos pacientes que necessitam de tratamento imediato, de acordo com o potencial de risco, agravos à saúde ou grau de sofrimento.
A prioridade da assistência médica e de enfermagem será feita categorizando os pacientes nos seguintes níveis.


No Pronto Socorro a distribuição dos pacientes será feita inicialmente através de Agentes de Triagem (ou acolhimento) que encaminharão os pacientes às áreas específicas seguindo um protocolo baseado na situação/queixa. Os pacientes que necessitarem de assistência imediata serão encaminhados diretamente ao Pronto Socorro, com acesso direto à Área vermelha (área de recebimento, avaliação e estabilização de pacientes).
São objetivos da Classificação de Risco:
Avaliar o paciente logo na sua chegada ao Pronto Socorro humanizando o atendimento;
Descongestionar o Pronto Socorro;
Reduzir o tempo para o atendimento médico, fazendo com que o paciente seja visto precocemente de acordo com a sua gravidade;
Determinar a área de atendimento primário, devendo o paciente ser encaminhado diretamente às especialidades conforme protocolo. Ex. Ortopedia, ambulatórios, etc.;
Informar os tempos de espera;
Retornar informações a familiares.

2.1.2 Processo da Classificação de Risco:

Após acolhimento e com base nas declarações feitas pelos pacientes em relação ao motivo pelo qual procurou o hospital (situação/queixa), o encaminhamento destes será feito pelos Agentes de Triagem (Auxiliares-Técnicos de Enfermagem, Recepcionistas), seguindo o protocolo a seguir:

Vermelhos: pacientes encaminhados diretamente à sala de emergência que necessitam de atendimento médico e de enfermagem imediatos:

Há muitas condições e sinais perigosos de alerta, chamadas Bandeiras Vermelhas, que deverão ser levados em consideração, pois podem representar condições em que o paciente poderá piorar repentinamente:
- Acidentes com veículos motorizados acima de 35 km/h;
- Forças de desaceleração tais como quedas ou em explosões;
- Perda de consciência, mesmo que momentânea, após acidente;
- Negação violenta das óbvias injúrias graves com pensamentos de fugas e alterações de discurso e ocasionalmente, com respostas inapropriadas;
- Fraturas da 1.ª e 2.ª costela;
- Fraturas 9.ª, 10.ª, 11.ª costela ou mais de três costelas;
- Possível aspiração;
- Possível contusão pulmonar;
- Óbitos no local da ocorrência.

Amarelos: Pacientes que necessitam de atendimento médico e de enfermagem o mais rápido possível, porém não corre risco imediato de vida. Deverão ser encaminhados diretamente à Sala de Consulta de Enfermagem:


Verdes: Pacientes em condições não agudas, porém, encaminhados com prioridade ao atendimento médico.

* Intercorrências ortopédicas (entorse, suspeita de fraturas, luxações);
* Pacientes com ferimentos deverão ser encaminhados diretamente para a sala de sutura.

Azuis: Demais condições não agudas (não enquadradas nas situações/ queixas acima) e serão atendidas pelo Pronto Socorro por ordem de chegada.

2.1.3 Modelos de triagem

Estrada (1981), num simpósio realizado por enfermeiras, apresenta um estudo com a pretensão de definir e ampliar o processo de triagem, bem como implementar um programa avançado para enfermeiras. Neste mesmo simpósio, foram apresentados, discutidos e analisados cinco tipos de triagem usados no Texas, Virgínia, Pensilvânia, Colorado, Washington, Alabama, entre outros. Tais modelos foram assim descritos:

Triagem não profissional? realizada por recepcionistas, secretárias ou funcionários do hospital. Na análise desse processo, as enfermeiras consideraram que, dadas as suas peculiaridades burocráticas, pode retardar o atendimento, por vezes causar sérios problemas ao paciente e até mesmo à instituição, devido a longas esperas nas ante-salas de atendimento.
Triagem Básica? feita por enfermeira prática ou licenciada, que avalia o paciente, determina a prioridade e encaminha para área de atendimento.
Triagem Avançada? realizada por enfermeiras, incluindo-se aí, uma avaliação inicial, técnicas diagnósticas (estudos radiológicos e laboratoriais), exame físico limitado e a documentação de encaminhamento para instituição adequada.
Triagem Médica? realizada por médico, às vezes essa função se mistura com o tratamento definitivo e alta do paciente da área de triagem.
Triagem em Equipe? onde é incluído pessoal médico e de enfermagem. Nesse sistema, até aquela data, não se tinham resultados concretos para poder avaliar.

2.1.4 Fatores a serem considerados na realização da triagem

Número de atendimento por dia;
Horários de pico dos atendimentos;
Recursos Humanos disponíveis;
Qualificação das Equipes de Acolhimento e Classificação de Risco (Recepção, Enfermagem);
Sistema de redirecionamento de consultas ambulatoriais ou outras áreas de atendimento;
Espaços físicos e logísticos.

Estrutura Necessária:

Fácil acesso com comunicação direta com a área de Acolhimento/Triagem;
Telefone ou intercomunicador com a emergência;
A área física deve possibilitar a visão dos que esperam pelo Atendimento;
A sala de consulta de enfermagem deve oferecer privacidade para a Entrevista Exame Físico e procedimentos iniciais;
Disponibilidade de macas e cadeiras de rodas em áreas subjacentes;
Disponibilidade de material e equipamento para atendimento básico de urgência:
- Monitor e eletrocardiógrafo;
- Oxímetro de pulso;
- Glucosímetro;
- Aparelho de Pressão;
- Estetoscópio;
- Ambú Adulto e Infantil;
- Material de Intubação Adulto e Infantil;
- Mobiliário: Mesa/cadeira, Mesa de exames (maca), escadinha, Mesa Auxiliar.

Avaliação de Enfermagem:
O uso de protocolos facilitará a tomada de decisões e visam oferecer informações sobre avaliação dos pacientes, procedimentos diagnósticos auxiliares bem como, agilizar as intervenções médicas e de enfermagem que se fizerem necessárias (GATTI, 2000).

Treinamentos:
Suporte Básico de Vida Agentes de Triagem;
Enfermagem do Pronto Socorro;
Semiotécnica para Enfermeiros;
Noções de Eletrocardiograma.

2.2 A importância da triagem para os profissionais e usuários

A triagem de enfermagem é uma área de atuação nova e promissora para o enfermeiro, destacando-se a integração entre as equipes médica e de enfermagem do setor de emergência e o desenvolvimento de protocolos embasados na realidade de cada instituição (GATTI & LEÃO, 2004).
A triagem de pacientes em serviços de emergência constitui um campo de atuação para o enfermeiro, entretanto faltam instrumentos que possam ser utilizados para classificar a gravidade do paciente e a adequação de recursos ao seu atendimento (PIRES, 2003).
É comum julgarmos que um serviço de emergência deve tratar de pacientes graves, com risco de vida ou agravo da doença na relação tempo-dependente, no entanto, o que vivenciamos, rotineiramente, é uma procura ansiosa de pacientes a esses serviços, com as mais variadas queixas e sintomatologias, na maioria, não graves, o que tem sugerido a necessidade de avaliarmos cuidadosamente os múltiplos conceitos de Serviço de Emergência (GATTI, 2003).
O debate conceitual sobre a triagem e classificação dos casos de emergência tem sido uma preocupação dos serviços de emergência nos EUA e no Canadá. Um sistema típico de triagem nestes países classifica os casos em três ou quatro categorias, com freqüência referida como emergente, urgente, semi-urgente e não-urgente. Há certo consenso em torno do fato de que esta classificação, com freqüência dá margens a um entendimento equivocado, sobretudo fora do contexto hospitalar (DERLET, 2003). No Canadá e na Austrália, uma classificação em 5 níveis tem sido mais utilizada tanto por médicos como por enfermeiros, e é aprovada pelas associações nacionais de medicina e de enfermagem de urgência. Os níveis definidos são em ordem decrescente de gravidade: ressuscitação, emergência, urgência, semi-urgência e não-urgência.
O conceito de triagem por telefone não é novo, já que pediatras e outros especialistas a têm utilizado por décadas para a tomada de decisões importantes. Tanto nos EUA como no Canadá, hospitais individuais ou grupos de hospitais podem desenvolver seus próprios sistemas de triagem por telefone, que ainda podem ser adquiridos por meio de vendedores comerciais-mais recentemente, entidades comerciais têm desenvolvido serviços de triagem por telefones para auxiliar grandes hospitais para identificar o que chamam de “pacientes com potenciais problemas médicos” (DERLET, 2003).
No geral, o uso desses sistemas de triagem fica centralizado em um grupo de enfermeiras, que falam diretamente com os pacientes no telefone e então os direcionam ao atendimento de emergência ou urgência, ou para uma consulta médica não urgente em poucas horas. Em muitos casos, a enfermeira da triagem oferece conselhos de saúde para aqueles pacientes que não necessitam ir diretamente ao serviço. Esses sistemas usualmente confiam em computadores, com enormes bancos de dados de informação médica para guiar as enfermeiras, e, na avaliação de alguns médicos, fornecem consistência e padronizam a qualidade do atendimento. Alguns sistemas usam algoritmos que imitam a lógica de determinados modelos médicos (DERLET, 2003).
O processo de triagem, segundo Estrada (1981), é uma parte integrante da assistência em emergência. Portanto, é nesse processo que se verifica a organização na recepção, a separação dos clientes para garantir o atendimento mais rápido e mais eficiente aos que necessita de atenção imediata, sejam politraumatizados ou gravemente enfermos.
O êxito desse processo propicia uma assistência com qualidade total. Mac Eachern (1957) e Pool (1981) classificam os atendimentos de acordo com a situação de saúde apresentada em três categorias, definindo-as como: emergente, urgente e não-emergente. Os autores incluem, na categoria de emergente, as afecções que ameaçam a vida tais como obstrução das vias aéreas e hemorragias incontroláveis. Na categoria de urgente, os problemas que exigem atendimento em poucas horas; e as não-emergentes, aquelas que podem esperar e ser tratadas ambulatorialmente, sem que isso possa produzir resultados prejudiciais ao cliente.
Portanto, é nesse paradigma que se entende a necessária colocação do processo de triagem, bem organizado, não somente com área física, material e equipamentos sofisticados, mas, principalmente, com pessoal competente e suficientemente treinado. Em alguns países do Primeiro Mundo - Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra - os enfermeiros têm intensificado estudos no sentido de manter a melhoria do processo de triagem, visando à qualificação do atendimento prestado nas Unidades de Pronto-Socorro, mediante sistema bem organizado, que possibilita atendimento rápido e eficiente das prioridades selecionadas (SOARES et al. 1995).
Estrada (1981) analisou o papel da enfermeira na triagem, e ressaltou a importância do apoio médico e dos administradores hospitalares para realização de uma triagem bem-sucedida. Entre as funções pertinentes ao enfermeiro de triagem salienta-se: a responsabilidade pela avaliação inicial do paciente, o encaminhamento das atividades necessárias (por ex., realização de ECG, realização de exames) para auxiliar na obtenção do diagnóstico, o encaminhamento do paciente dentro do departamento de emergência para a área clínica adequada, a supervisão do fluxo de pacientes no departamento de emergência, a autonomia nas decisões de enfermagem, o direcionamento dos demais funcionários em situações estressantes, o trabalho junto aos membros da equipe de saúde, e a participação de atividades educacionais visando a aprimorar a qualidade do serviço de triagem (GATTI et al. 2004).
Para Gatti et al (2004) Um enfermeiro de triagem deve apresentar três habilidades fundamentais: avaliação, conhecimento e intuição. A intuição é desenvolvida pela experiência, sensibilidade e o uso da observação. Todas essas características estão presentes em um enfermeiro de Pronto-Socorro com experiência.
Segundo os autores, necessitamos, no entanto, preocupar-nos com as pessoas que ingressam na área, pois, apesar de possuírem o perfil para trabalharem em um setor dinâmico,
precisam de um treinamento técnico-científico focando, principalmente, as situações de emergência e liderança de grupo. Quanto mais experiência, maior uso se faz da sensibilidade e intuição, estabelecendo-se de forma eficaz as pontes com o referencial teórico que sustenta o fazer.
Sendo assim, o enfermeiro é o primeiro contato da equipe de emergência com o paciente, cabendo-lhe assim o papel de orientador, coletando dados sobre a sintomatologia, sobre as medicações em uso e detectando possíveis déficits de conhecimento nesses aspectos, ou ainda, relativos a outras questões de fluxo e especificidade de atendimento do setor. Existe também, um papel de relações públicas nessa tarefa, que favorece significativamente a relação hospital-paciente, por minimizar a ansiedade do paciente pelo estabelecimento da comunicação interpessoal, que constitui uma das ferramentas de trabalho do enfermeiro.
Com o aumento crescente dos pacientes atendidos a cada 24 horas, os hospitais têm procurado meios para que esse atendimento seja eficiente (DORIS et al. 1980).
Infelizmente, alguns pacientes tomam muito tempo dos profissionais e há sempre o risco de um doente grave passar despercebido e não ser separado dos que estão em estado menos crítico, devido ao número cada vez maior de enfermos.
Um sistema eficiente de triagem realiza o seguinte:
1. Apressa o tratamento do paciente por meio de habilidade de avaliação da pessoa encarregada;
2. Assegura ao paciente prioridades de acordo com a gravidade da sua condição;
3. Funciona como ponto de referência para os que não necessitam dos serviços de emergência, e para os que desejam informações sobre outros postos de serviços da comunidade;
4. Evita demora, providenciando exames radiológicos, de laboratório, e testes de gravidez, antes de serem atendidos pelo médico (Muitas vezes o médico demora, por estar muito ocupado com algum caso grave);
5. Funciona como área de seleção para os pacientes que requerem informações;
6. Promove um bom relacionamento, demonstrando interesse pelo estado do paciente, assim que chega ao departamento;
7. Estabelece bom relacionamento com a família e visitantes, enquanto o paciente está sendo tratado em outra área, e estes têm de esperar na sala de espera;
8. Assume a responsabilidade de notificar os órgãos legais sobre queixas dos pacientes, como, por exemplo, em casos de ferimentos à bala, violência sexual e crianças espancadas;
9. Melhora o relacionamento entre famílias, pacientes, visitantes e os órgãos legais e outros departamentos comunitários;
10. Providencia oportunidade de treinamento, para o pessoal e um centro supervisionado para o desenvolvimento dos conhecimentos sobre avaliação;
11. Descongestiona as áreas de tratamento, e melhora o fluxo de trânsito;
12. Providencia para que haja melhor aproveitamento de espaço e de pessoal, enviando os pacientes às áreas de tratamento;
13. Estimula o pessoal da triagem, estabelecendo que o registro do paciente seja examinado por cada um, quando da sua alta, para verificar a precisão da sua avaliação;
14. Determina que alergias o paciente tem e quais as imunizações já recebidas anteriormente;
15. Cuida dos documentos já providenciados pelos auxiliares;
16. Obtém informações e documenta circunstâncias incomuns referentes ao paciente, antes da sua entrada no hospital;
17. Diminui o nível de ansiedade e fatores de tensão;
18. Diminui a duplicação de funções no tratamento do paciente (um exemplo: o paciente com problemas cirúrgicos deve ser visto e tratado por um cirurgião, logo de início);
19. Providencia a utilização eficiente das instalações.

2.2.1 Aplicabilidade da triagem em Pronto Socorro

? No Pronto Socorro da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA), o serviço de acolhimento e triagem, em funcionamento na unidade de urgência e emergência desde maio de 2002 tem a finalidade de oferecer aos usuários uma oportunidade de acesso mais humanizado aos serviços oferecidos pela unidade.
Esta iniciativa, quase única em um serviço público de atenção à saúde em urgências, foi aprimorada ao longo do tempo de funcionamento. O Serviço procura abordar o paciente tão logo ele chega à Unidade, fazendo com que os casos mais graves sejam identificados e prioritariamente atendidos. Casos de menor complexidade são direcionados ao atendimento em outras unidades de atenção à saúde, previamente pactuados com a DIR-XIV e a Secretaria Municipal de Higiene e Saúde. Importante salientar que todos os pacientes que procuram a Unidade recebem um direcionamento efetivo.
A equipe de enfermagem realiza também uma pré-consulta, devidamente registrada em prontuário próprio, que inclui a queixa básica e aferição de dados vitais, facilitando a identificação dos pacientes de maior risco. Analisa-se ainda a qualidade dos encaminhamentos recebidos de outras unidades.
O Serviço de Acolhimento contou com investimento na área física e contratação de profissionais para a cobertura dos horários previstos.
Como perspectiva de evolução, será brevemente implantado protocolos específicos de triagem de risco e solicitado a agregação de serviço social para fazer às demandas sociais. Estuda-se ainda a possibilidade de implementação do serviço nas 24 horas.

?Mais rapidez na recepção e solução dos problemas simples de saúde, e melhora no atendimento de pronto socorro. Estes são os maiores objetivos do novo Centro de Triagem recém-implantado no Hospital Municipal do Campo Limpo. Em funcionamento experimental desde maio de 2002. A capacidade de atendimento do Centro de Triagem é de 360 pessoas/dia. O tempo de espera para a consulta é estimado em 30 minutos.
Este centro diferencia os casos de assistência médica primária daqueles de urgência e emergência. “Nessa primeira triagem, a estimativa é de que 70% dos casos sejam solucionados. Isso melhora o atendimento no Pronto Socorro, que fica menos sobrecarregado. É o mesmo conceito que nós já temos nas AMAs (Assistências Médicas Ambulatoriais)”.
O Centro de Triagem é resultado de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein. Durante a fase de implantação, o serviço realizou um número médio de 156 consultas/dia em clínica médica, e outras 110 consultas em pediatria.
Cerca de mil pessoas passam diariamente pelo Pronto Socorro do Hospital de Campo Limpo. Parte do atendimento é direcionada para os ambulatórios de especialidades.
O serviço conta com equipamentos necessários para agilizar o encaminhamento e garantir o atendimento adequado, tanto no Pronto Socorro quanto nos ambulatórios.
O novo serviço direciona os casos de menor complexidade, que podem ser solucionados na própria triagem. E diminui o tempo de espera para ao atendimento de casos de urgência e de emergência no Pronto Socorro. Também organiza a recepção de pacientes, que não ficam expostos a casos de doenças mais graves. Na prática, torna o encaminhamento mais ágil. Um exemplo são os casos de mal-estar. Depois de avaliadas e medicadas, as pessoas podem ser dispensadas. Não precisam ficar no hospital. Já aqueles que exigem procedimentos mais elaborados, são redirecionados para os setores afins. Os resultados do serviço já começam a ser percebidos pelos pacientes, pois eles dizem que agora o atendimento é rápido e assim ficou bem melhor.

?A implantação de um sistema de triagem na clínica médica agilizou o atendimento no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) Brasília (DF). Com a triagem o atendimento ficou mais rápido e eficiente e a espera que antes era três horas agora é de cerca de 20 minutos.

3 - TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

Esta parte do trabalho engloba os aspectos relacionados com o local da pesquisa, a coleta de dados, os procedimentos utilizados para a coleta e a análise de resultados assim como os preceitos éticos da pesquisa.

3.1Cenário do estudo

O estudo foi realizado na cidade de Pouso Alegre, Minas Gerais, no Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL), onde as autoras além de serem funcionárias, desenvolvem as aulas práticas e de estágio.
A cidade de Pouso Alegre foi fundada em 19 de outubro de 1831, está situada geograficamente à -22,23ºc de latitude e à -45, 936935ºc de longitude com área de 545,3 km².
O HCSL é um hospital geral de ensino, com aproximadamente 264 leitos. Situa-se na Rua Comendador José Garcia nº. 777 em Pouso Alegre, Minas Gerais. Foi fundado em 1920 com objetivo de prestar atendimento a grande demanda da região, transformou-se em um Hospital Escola em 1969 quando o governo estadual fez uma doação à Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí.
É composto pelas clínicas de UTI infantil e adulto, centro cirúrgico, pediatria, psiquiatria, alojamento conjunto, pronto atendimento, enfermarias masculina e feminina, PDT, hemodiálise, hemocentro, cardiologia, nefrologia, neurologia e unidade de internação para particulares.
É uma instituição civil de direitos privados, sem fins lucrativos de caráter beneficente, filantrópico e declarado de utilidade pública, estadual e federal.
Oferece serviço de atendimento ambulatorial e hospitalização em todas as clínicas descritas anteriormente.
Também oferece serviços de apoio diagnósticos de radiologia, laboratório de análise clínica, tomografia computadorizada, ultrassonografia, endoscopia. Por ser hospital de ensino é campo de estágio para alunos da Universidade do Vale do Sapucaí – UNIVÁS e de outras faculdades da região nas áreas de enfermagem, fisioterapia, medicina, nutrição, psicologia e residência médica.
O estudo foi desenvolvido no pronto socorro, tendo como referência os auxiliares, técnicos, enfermeiros e médicos que atuam diretamente neste local.
Têm no seu quadro de pessoal 21 funcionários da enfermagem e 35 médicos.
A unidade do pronto atendimento é composta por boxes, sendo divididos em 4 especialidades (clínica médica, pediatria, cirurgia e ortopedia). O atendimento é realizado por
ordem de chegada por meio de fichas, podendo o paciente aguardar em média de 30 minutos a horas.

3.2 Delineamento do estudo

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório com abordagem qualitativa.
Segundo Polit; Beck; Hungler (2004) a pesquisa qualitativa costuma ser descrita como “holística (preocupada como os indivíduos e seu ambiente, em todas as suas complexidades) e naturalista (sem qualquer limitação ou controle imposto ao pesquisador)”. Baseia-se na premissa de que os conhecimentos sobre os indivíduos só são possíveis através da experiência humana, tal qual ela é vivida e tal qual é definida por seus próprios autores.
Quanto ao estudo exploratório, Polit; Beck; Hungler (2004, p.34) mencionam que o mesmo serve para “desenvolver as várias maneiras pelas quais um fenômeno se manifesta assim como os processos subjacentes.”
ANDRADE (2002, p.124) reforça que, “através das pesquisas exploratórias avalia-se a possibilidade de desenvolver uma boa pesquisa sobre determinado assunto.”

3.3 Amostra, natureza da amostra e amostragem

O tamanho da amostra na pesquisa qualitativa é determinado, em grande parte em função da finalidade da pesquisa, da qualidade dos informantes e do tipo de estratégia de amostragem usada (POLIT; BECK; HUNGLER, 2004).
Para Gil (2002), todos os procedimentos para a coleta de dados têm em comum o fato de serem aplicados diretamente às pessoas. Entretanto, não são apenas as fontes vivas que se constituem fontes de dados. Muitos dados importantes para a pesquisa social provêm de fontes de papel. Essas proporcionam muitas vezes, dados extremamente ricos, além de ser, em muitos casos, a única fonte de investigação.
A amostra foi de 4 enfermeiros, 8 técnicos de enfermagem e 20 médicos que atenderam aos seguintes requisitos: ser funcionário do pronto socorro com pelo menos três meses de trabalho, concordarem em participar da pesquisa e assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido. A determinação deste tempo de trabalho é porque julgamos ser um mínimo necessário para uma pessoa estar familiarizada com o local de trabalho.
O tipo de amostragem foi a amostragem proposital ou intencional que segundo (POLIT; BECK; HUNGLER, 2004) é baseada no pressuposto de que o conhecimento do pesquisador sobre a população pode ser usado para pinçar os casos a serem incluídos na amostra. O pesquisador pode decidir selecionar, propositalmente a maior variedade possível de respondentes ou escolher sujeitos que sejam considerados típicos da população em questão ou particularmente conhecedores do assunto em estudo.

3.4 Instrumento para coleta de dados

Utilizamos a entrevista semi-estruturada (ANEXO A) para coleta de dados, onde foram escritas, realizada com agendamento prévio com os sujeitos da pesquisa, em local pré-determinado pelos mesmos.
A entrevista foi dividida em duas etapas: a primeira, referente às características sociais da população estudada, e segunda, composta por duas questões abertas que permitirão identificar o conhecimento dos enfermeiros que trabalham nos hospitais de Pouso Alegre-MG, sobre a importância do processo de triagem para uma assistência humanizada.

3.5 Procedimentos para a coleta de dados

A coleta de dados foi iniciada após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) nº. 896/08 e posterior autorização do diretor técnico da instituição (ANEXO B).
Os dados foram coletados em local privativo próximo ao pronto atendimento com agendamento prévio do dia e hora respeitando as normas da instituição e a privacidade do participante.
Antes do início da entrevista, os sujeitos foram informados sobre a pesquisa, seu objetivo, o seu anonimato e a concordância ou não da participação individual, após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO C).
A entrevista ocorreu por meio de registro escrito das respostas dos profissionais de saúde, já referidos, às perguntas elaboradas pelas pesquisadoras.

3.6 Pré-teste

Para obter adequação do instrumento de coleta de dados (Anexo A) foi realizado um pré-teste com 3 PARTICIPANTES que não fizeram parte dos sujeitos selecionados para o estudo. Este teve a finalidade de verificar a compreensibilidade das perguntas e fazer possíveis modificações, o tempo provável de cada entrevista. Foi um treinamento do pesquisador, pois, é um momento que permite a primeira aproximação do trabalho de campo. Serviu também para proporcionar segurança ao pesquisador durante a coleta oficial.
LAKATOS; MARCONI (2002) ao se referirem a esse procedimento, mencionam que a principal função é testar o instrumento de coleta de dados, permitindo que se possam identificar ambigüidades nas questões, assim como a existência de perguntas supérfluas e a inadequação na ordem das questões, assim como se destina também conhecer previamente, o possível tempo que será utilizado nas entrevistas definitivas do estudo.

3.7 Tratamento e análise dos dados

Os dados foram analisados e interpretados por meio da análise de conteúdo, que, segundo MARCONI; LAKATOS (2002) consiste em uma técnica para investigar o conteúdo das comunicações humanas, isto é, visa aos produtos das ações humanas, voltando-se para o estudo das idéias e não das palavras em si.
As autoras afirmam ainda que a análise de conteúdo seja caracterizada pela busca do entendimento da comunicação entre os homens, baseando-se no reconhecimento do conteúdo das mensagens.
Segundo Bardin (1977) a análise de conteúdo constitui um conjunto de instrumentos metodológicos que se aplica aos discursos diversificados.
Ressalta, também, que a investigação dos temas ou análise temática representa um tipo de categorização muito bom para ser adotado, por ser rápido e eficaz na aplicação a discursos diretos e simples.
Abrange três etapas:
a pré-análise, que é a organização do material a ser analisado;
a exploração do material (operação de codificação, classificação e categorização);
o tratamento dos resultados, inferência e interpretação (estabelecimento de relações por meio de reflexão e intuição)

3.8 Ética do estudo

O presente estudo seguiu os preceitos estabelecidos pela Resolução nº. 196/96, de 16 de outubro de 1996, do Ministério de Saúde e deve atender às exigências éticas e científicas fundamentais. Isso implica em:
a) Contar com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido do sujeito da pesquisa ou seu representante legal contendo: linguagem acessível, a justificativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados na pesquisa, os desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados, a forma de acompanhamento e assistência assim como seus responsáveis (ANEXO C).
b) Prever procedimentos que assegurem a confidencialidade e a privacidade, a proteção da imagem a não estigmatização, garantindo a não utilização das informações em
prejuízo das pessoas ou comunidade, inclusive em termos de auto-estima, de prestígio ou econômico-financeiro.
c) Assegurar aos sujeitos da pesquisa os benefícios resultantes do projeto, seja em termos de retorno social, acesso aos procedimentos, produtos ou agentes da pesquisa.
d) Dar liberdade ao sujeito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa sem penalização e prejuízo algum.
e) Respeitar os princípios da autonomia e do anonimato. O anonimato dos sujeitos deste estudo será respeitado denominando-os pela palavra sujeito e numerando-os com números naturais conforme a ordem da entrevista (Ex.: sujeito1). A folha de rosto para pesquisa envolvendo seres humanos encontra-se preenchida no ANEXO D.

4- Resultado e discussão

O trabalho encontrou os seguintes resultados:


CATEGORIAS QUE SURGIRAM DA PRIMEIRA PERGUNTA

“O que você conhece sobre o processo de triagem?”

Categoria 1- Prioridades

 

“... processo seletivo que visa direcionar o paciente para o especialista...” (sujeito 1)

“... é a seleção de pacientes graves que devem ser atendidos a nível de urgência...” (sujeito 2)

“... é um processo qualificado de seleção dos pacientes, visando um atendimento específico...” (sujeito 3)

O aparecimento da categoria prioridades mostra que os sujeitos entrevistados possuem conhecimento do sentido da palavra triagem. É importante ressaltar que o fato de saber o que significa o processo, não quer dizer que ele entenda como é importante a utilização do processo de triagem no atendimento do setor.
A necessidade de uma avaliação cuidadosa dos múltiplos atendimentos, através da priorização das ações contribui para a eficácia do serviço aos que necessitam de atendimento imediato.
Nossa vivência acadêmica mostrou que priorizar o atendimento no setor de urgência e emergência poderia organizar o serviço e proporcionar ao paciente maior chance de êxito do cuidado. Entendemos que, para priorizar ou realizar o processo de triagem é necessário o preparo de uma equipe multiprofissional que estabeleça critérios de seleção e avaliação, descongestionando o pronto socorro e encaminhando os casos de maior resolutividade para as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e ambulatórios referenciados.
Para DUARTE et al (2008) num serviço de urgência e emergência, que atende pacientes com risco de morte ou agravo da saúde, espera-se que o atendimento aconteça processualmente. Afirma ainda que o atendimento dos profissionais de saúde deva ser orientado segundo prioridades de atuação de acordo com o grau de gravidade dos problemas, seguindo uma abordagem e avaliação seqüenciada e pormenorizada. A triagem é o primeiro passo para o processo da intervenção breve, consiste em uma forma de identificar as pessoas pela gravidade.
Segundo GOLDIM (2001), o termo triagem tem sido utilizado para descrever a situação onde os profissionais de saúde têm que escolher qual o paciente que irá ser atendido em primeiro lugar, especialmente em serviços de emergências. Nestas situações utiliza-se o critério de gravidade, ou seja, o paciente que tiver o quadro clínico mais grave, que não pode ter seu atendimento protelado, deve ter prioridade e atendido em primeiro lugar.
Segundo BOVER & LISBOA (2005), a triagem envolve um processo de decisão de prioridades e intervenção terapêutica com individualização do cuidado, surgiu durante a Segunda Guerra Mundial para suprir as necessidades de cuidado envolvendo massas populacionais e há cerca de 20 anos foi adaptada ao sistema de atendimento hospitalar a fim de solucionar a problemática da congestão do setor de emergência.
Existem vários tipos de triagem entre elas, a triagem através da cor.
CRUZ (2008) relata que a triagem através da cor permite a determinação da prioridade das necessidades de atendimento (vermelho, amarelo e verde, por exemplo) e o local adequado para o tratamento. Por meio da triagem, é possível identificar os pacientes que têm alta prioridade e para estes alocar os recursos disponíveis, sem, contudo, se afastar do princípio máximo que orienta o serviço de triagem: o maior benefício para o maior número de pessoas.
Para PIRES (2003) aperfeiçoar a qualidade no atendimento através do processo de triagem pelo enfermeiro qualifica a assistência implicando em menores riscos para os pacientes mais graves.
A crescente demanda pelos serviços de emergência torna a classificação de risco necessária para minimizar os efeitos do aumento do número de atendimentos e diferentes graus de complexidade dos pacientes (GATTI, 2000).

Categoria 2- Falta de conhecimentos

“Nada” (sujeito 1)

“... eu não conheço...” (sujeito 2)

“Não há triagem no P.S.” (sujeito 3)

Vimos pela fala anterior que profissionais no setor estudado desconhecem o significado do processo de triagem. A falta de conhecimento do processo foi evidenciada por pequena parte dos entrevistados (9%), ao passo que grande maioria dos entrevistados (91%) demonstrou conhecimento do processo.
É importante salientar que esse tipo de processo comprovadamente resulta em benefícios ao atendimento. Portanto é essencial discutir sobre o assunto com toda a equipe que trabalha no setor, buscando planejar a assistência.
Para NELSON (1980) o pessoal da triagem deve conhecer as técnicas de entrevistar o paciente, técnicas de avaliação e ter conhecimento clínico. Deve estar a par de todas as situações de emergência e deve ser capaz de interpretar as necessidades do paciente.

CATEGORIAS QUE SURGIRAM DA SEGUNDA PERGUNTA

“Você considera importante a triagem no pronto socorro?”

Podemos perceber que 97% dos entrevistados consideram importante a triagem no pronto atendimento, pois segundo eles a falta da mesma ocasiona congestionamento do setor, longas filas de espera, atrasando o atendimento dos casos de urgência.
A realidade do local estudada não difere da realidade Brasileira, onde a demanda no setor de urgência e emergência vem aumentando de maneira significativa.
Tal fato pode estar relacionado a uma rede básica e ambulatorial pouco eficaz, fazendo que a população busque no setor de pronto socorro o que deveria encontrar na atenção primária, causando um congestionamento do sistema de atenção hospitalar, mais especificamente do setor de urgência e emergência que é o que ele encontra disponível para atendê-lo.

“Os pacientes após o exame clínico legalmente devem receber o tratamento apropriado.” (sujeito 1)

Apenas 3% dos entrevistados que corresponde a apenas 1 funcionário não considera importante a triagem no pronto socorro, pois segundo ele o paciente não receberia o tratamento apropriado. Acreditamos que por não ter conhecimento sobre o processo de triagem, o sujeito afirma não ser importante a implantação da mesma.

Não encontramos na literatura nada que justifique a fala do sujeito acima citado, pois a triagem iria beneficiar não somente os usuários, como também os profissionais envolvidos.

“... muitos casos com soluções em UBS e pronto atendimento de bairros, acabam atrasando o atendimento do PS...” (sujeito 1)

“... muitas vezes, a urgência fica na espera e as consultas de ambulatório passam na frente... (sujeito 2)

“Maior aproveitamento do tempo e dos recursos disponíveis para o atendimento dos pacientes que realmente necessitam do PS.” (sujeito 3)

Segundo NELSON (1980), alguns pacientes tomam muito tempo dos profissionais e há sempre o risco de um doente grave passar desapercebido e não ser separado dos que estão em estado menos crítico, devido a um número cada vez maior de enfermos e a uma demanda que deveria estar sendo atendida na atenção primária.
Trabalho realizado por HAMMOND: LEE (1984) descreve a triagem como um sistema eficiente, ou seja, com diminuição do tempo de atendimento para pacientes com risco de vida, priorização de casos de acordo com a gravidade, organização da assistência, ponto de referência para os que não necessitam de serviços de emergência, diminuição do nível de ansiedade e fatores de tensão, descongestionamento das áreas de tratamento com melhora do fluxo de pessoas, melhor aproveitamento do espaço e de pessoal e relações públicas, favorecendo, assim, a qualidade da assistência prestada.

CATEGORIAS QUE SURGIRAM DA TERCEIRA PERGUNTA

“O que você acha que seria necessário para implantar a triagem no pronto socorro do HCSL?”

Categoria 1- Conscientização

“... conscientização da população em primeiro lugar, médicos e enfermeiros...” (sujeito 1)

O sujeito propõe uma conscientização da população que é a maior beneficiada dos serviços do pronto socorrro, avaliando melhor sua necessidade.
Vale ressaltar que não é necessário apenas conscientizar a população, ela precisa ter acesso garantido de atendimento nos postos de saúde e ambulatórios.
Constatou-se que é freqüente a população usuária utilizar a porta da urgência, não só para os casos agudos, mas também, de forma eletiva, para complementar os atendimentos das Unidades Básicas de saúde e das Unidades Especializadas.
Também é freqüente, no discurso dos trabalhadores, que a utilização indevida, nos casos eletivos, descaracteriza a missão de atendimento de urgência, o que coloca o usuário em uma situação de ter que justificar a sua necessidade para ser atendido.
Esse sentimento de desperdício da vocação do serviço, que seria a de tratar somente a urgência e de subutilização do alto e específico prepara técnico dos trabalhadores também faz parte do discurso de trabalhadores de outros serviços de emergência quando dizem que as demandas não urgentes trazem sobrecarga ao trabalho já estressante.
Uma porta de entrada organizada para acolher o usuário faz dessa distorção uma agenda de discussão, levando em conta que existe uma demanda reprimida que bate à porta dos serviços de pronto socorro e que precisa de respostas às suas necessidades. Ao invés disso, penaliza-se a vítima pelo uso indevido do recurso de saúde fazendo-a peregrinar (MARQUES & LIMA, 2008).

Categoria 2- Capacitação

“... capacitação dos funcionários, da equipe médica, de enfermagem e dos alunos da graduação do último ano...” (sujeito 2)

Diante de tal resposta, podemos afirmar que é essencial o preparo formal da equipe de saúde, e esta deve estar sedimentada em bases sólidas no que se refere à formação e a preocupação com a capacitação
desses profissionais.
É o enfermeiro de triagem que decide a ordem pela qual os doentes são assistidos. Aquilo que distingue a eficiência de um enfermeiro de triagem são sua experiência e capacidade para fazer uma avaliação rápida e correta da situação do doente. Para isso, é necessário um vasto campo de conhecimentos por parte do enfermeiro de triagem, bem como uma capacidade de tomar decisões e estabelecer prioridades sobre pressão (DUARTE et al, 2008).
Um sistema de classificação de pacientes denominado triagem tornou-se, rapidamente, uma necessidade para o departamento de emergência por fornecer cuidado admissional, por profissional capacitado, que organizaria o fluxo do setor, agilizaria atendimentos, orientaria
pacientes e acompanhantes, diminuindo a tensão e o estresse da sala de espera (BOVER & LISBOA, 2005).
De acordo com SEGATTO et al (2007), muitos profissionais de saúde sentem que sua formação é insuficiente para a triagem dos pacientes no pronto socorro. Apesar da falta de formação dos profissionais, existem variadas técnicas de triagem e intervenção, que são relativamente simples e que também possibilitam o profissional a utilizá-las em um hospital. Ressalta também que muitos estudos sugerem que a intervenção breve na emergência é praticável e eficaz, entretanto pesquisas são necessárias para determinar a execução e demais ajustamentos referentes às necessidades dos profissionais e dos serviços de saúde na emergência.
Ao se referir a equipe de enfermagem a capacitação sobre o processo de triagem deve ser ministrada por profissionais com experiência clínica, devendo receber uma orientação formal e uma contínua educação sobre tomada de decisões (ROGERS, OSBORN & POUSADA, 1992).

Categoria 3- Espaço físico

“... disponibilidade de condições físicas e recursos materiais...” (sujeito 3)

Essa categoria reflete o descontentamento dos funcionários em relação ao espaço disponível para a prestação da assistência. Entendemos que seria
importante averiguar tal colocação, uma vez que o dimensionamento físico e humano deve obedecer a critérios estabelecidos pela vigilância sanitária.
É importante ressaltar que o conhecimento do setor nos permite dizer que, quando comparamos a estrutura existente com o que a literatura trás como adequada, vimos que o mesmo necessita de ser reestruturado.
Para a realização de uma triagem, segundo GATTI (2004), seria necessária uma área física com:
-Fácil acesso com comunicação direta com a área de Acolhimento
-Telefone ou intercomunicador com a emergência
-A área física deve possibilitar a visão dos que esperam pelo Atendimento
-A sala de consulta de enfermagem deve oferecer privacidade para a Entrevista, Exame Físico e procedimentos iniciais
-Disponibilidade de macas e cadeiras de rodas em áreas subjacentes
-Disponibilidade de material e equipamento para atendimento básico de urgência.
-Monitor e eletrocardiógrafo
-Oxímetro de pulso
- Glucosímetro
-Aparelho de Pressão
-Estetoscópio
-Ambú Adulto e Infantil
-Material de Intubação Adulto e Infantil<

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