Espermograma

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Instituição: Uninove
Tema: Espermograma

ESPERMOGRAMA

APARELHO GENITAL MASCULINO

O aparelho reprodutor feminino é incomparavelmente mais complexo que o masculino. Em ambos existem glândulas especializadas, que produzem as células sexuais – espermatozóides no homem e óvulos na mulher - e ainda segregam hormônios que são responsáveis pelas características sexuais. O homem é fértil durante toda a sua vida sexual ativa. A mulher, ao contrário, apresenta períodos cíclicos de fertilidade.

Tal diferença se deve ao fato de que o homem é capaz de armazenar os espermatozóides enquanto a mulher não pode faze-lo com os óvulos, estes são eliminados depois de cada ciclo, com a menstruação, se não estiverem fecundados. Cabe ainda ao homem à parte "ativa" na união sexual, uma vez que é o órgão masculino que injeta os espermatozóides no interior do aparelho feminino. E são ainda os espermatozóides que avançam em busca dos óvulos, durante a "viagem" destes pelas trompas.

Não obstante, os órgãos genitais femininos são muitos mais complexos. Alem de possibilitarem a fecundação, é no organismo feminino que, se dá o desenvolvimento completo de um novo ser, com seus órgãos e aparelhos diferenciados e uma grande variação de tipos de tecido, tudo à parte de duas células microscópicas: o espermatozóide e o óvulo, que se fundiram para formar a célula-ovo.

Findos os nove meses, o feto esta completo e cabe ao aparelho genital feminino expulsa-lo por meio do parto.


O EQUILIBRIO

O aparelho genital masculino é mecanicamente simples. Trata-se de um equipamento produtor de células sexuais e do meio semiliquido pelo qual elas se encaminham para o exterior. Algumas tubulações que terminam no órgão ejetor, o pênis, completam o equipamento.

Na verdade, para funcionar normalmente, o sistema exige um delicado equilíbrio de diferentes estímulos nervosos e de glândulas de secreção interna. Normalmente , os órgãos genitais do homem produzem ininterruptamente as células sexuais. O homem tem apenas um período de fertilidade, que se inicia com a adolescência, e, às vezes, termina somente em idade muito avançada. A literatura médica registra casos de homens que se mantiveram aptos para a reprodução ate com mais de noventa anos. Não se deve confundir fertilidade com potencia. Fertilidade é a capacidade de iniciar o processo de formação de um novo ser, pelo ato sexual. O termo potencia indica tão-somente a capacidade de realização do ato sexual, seja fértil ou não. A potencia envolve basicamente a ereção do pênis, somada a emissão de espermatozóides, sob estímulos sexuais. A fertilidade refere-se a capacidade de o espermatozóide chegar ao óvulo e fecunda-lo.

Novelo de Tubos

Simplificadamente, o aparelho reprodutor masculino é formado pelo testículo, que são as glândulas sexuais, e por uma rede de tubos chamados de vias espermáticas. Os testículos são formações ovóides, com aproximadamente cinco centímetros de comprimento, que apresenta uma característica bastante curiosa: constituem as únicas glândulas endócrinas (de secreção interna) localizadas fora do corpo. Os testículos ficam no interior de uma bolsa ou escroto, situada entre as coxas. Iniciam suas atividades por volta dos dez ou onze anos, produzindo o hormônio testosterona, responsável pelo desenvolvimento das características masculinas corporais.

No fim da adolescência e inicio da juventude os testículos começam a desenvolver nova função: a produção dos espermatozóides, que tornam o rapaz apto para a reprodução.

As vias espermáticas iniciam-se nos próprios testículos, formando uma extensa rede de condutos de calibre muitos variável que termina na uretra. Esta constitui o canal de paredes contrateis que comunica a bexiga com o exterior. A maior porção da uretra se encontra no interior do pênis. A uretra tem duas funções distintas, serve de conduto excretor para urina e esperma e para a mistura dos espermatozóides com líquidos segregados por glândulas do aparelho reprodutor.

Entre os testículos e a uretra, as vias espermáticas são formadas por diferentes estruturas como epidídimos, canais deferentes e canal ejaculador.

Os epidídimos constituem estruturas genitais independentes e foram comparados, pelos anatomistas, a um pequeno verme no qual se distingue cabeça, corpo e cauda.

A cabeça, que recobre o pólo superior do testículo, é formada por um aglomerado de minúsculos canais que saem dos testículos, enrolados como novelos compactos. O corpo do epidídimo e é atravessado pelo canal sinuoso ao qual confluem os canais localizados a cabeça. Na cauda do epidídimo o canal sofre modificações e prossegue transformado no canal deferente. É no ponto de mutação que se localiza o reservatório de espermatozóides. Anteriormente, pensava-se que as células sexuais ficassem armazenadas nas vesículas seminais – um par de glândulas que fica por trás da bexiga - , mas tal conceito não é correto.

Os canais deferentes são a parte mais extensa dos canais espermáticos. De cada epidídimo emerge um canal deferente, que penetra na cavidade abdominal, fazendo a conexão com os órgãos externos ou o ducto ejaculador, que é uma estrutura intra-abdominal. A passagem do interior para o exterior é feita por meio de "túnel" existente nas virilhas – o canal inguinal. Na porção inicial dos canais deferentes estão situados estão situados os chamados cordões espermáticos, formandos pelos vasos deferentes, vasos sanguíneos, vasos linfáticos e nervos.

Denomina-se ducto ejaculador um tubo que nasce na confluência dos excretores das vesículas seminais e dos canais deferentes. Tal denominação é imprópria, visto que essa estrutura não participa da ejaculação . para que esta ocorra outros mecanismos intervêm, como por exemplo, a contração das musculaturas das vias espermáticas inferiores. Na parte final dos canais deferentes os espermatozóides são embebidos na secreção das vesículas seminais e, na uretra , mistura-se à secreção da próstata. Daí para diante a ejaculação é auxiliada pela contração de vários músculos genitais.

O ducto ejaculador, pequeno segmento das vias espermáticas, passa pelo interior da próstata, que é uma das glândulas anexas do aparelho reprodutor masculino, e liga-se à uretra, na parte que ela atravessa a próstata.

Algumas glândulas do aparelho genitais masculinos têm secreção externa (exógenas): são as vesículas seminais, a próstata e as glândulas bulbo-uretrais, localizadas no interior do quadril. As vesículas seminais são dois sacos musculares alongados, com mais ou menos 7 centímetros de extensão, que formam um "V" na face posterior da bexiga e constituem prolongamentos ou desvios de circuito fechados dos canais deferentes. Segregam um liquido viscoso, amarelado, alcalino, que constitui a maior parte do esperma ejaculado. Apesar de se reconhecer que sua função não é a de armazenar o esperma, eventualmente pode ocorrer à retenção de uma pequena quantidade de células sexuais em seu interior. Esse fato se explica a razão pela qual o coito interrompido, um dos pretensos métodos de evitar a gravidez, falha com tanta freqüência. Como o liquido da vesícula seminal forma uma secreção inicial, anterior a ejaculação, os espermatozóides seriam veiculados por ele, antes da interrupção do coito.

A próstata é uma glândula mais conhecida pelos problemas que acarreta na velhice, do que por suas funções normais. Tem a forma e o tamanho aproximados de uma castanha e se localiza em torno da uretra, logo depois que esta sai da bexiga. A localização é responsável pelos dissabores que às vezes a glândula acarreta. Um acontecimento relativamente freqüente em homens de idade e o aumento de volume da próstata, que pode determinar obstrução da uretra. O fluxo da urina fica parcialmente interrompido, as micções tornam-se dificultosas e demoradas e, na maioria dos casos, a eliminação normal do líquido somente é conseguida com a retirada cirúrgica de grande parte da próstata.

A secreção prostática é formada por um liquido ligeiramente ácido, de aspecto leitoso, que dá ao esperma seu odor característico. A próstata pode ser afetada por processos infecciosos, que são localizados e identificados com a coleta da secreção da glândula. Esta é examinada diretamente ao microscópio ou mediante cultura em meio especiais, que provocam a multiplicação dos agentes infecciosos, facilitando assim sua identificação.

O meio de acesso mais pratico para a próstata, é o reto, uma vez que a glândula se localiza logo adiante dele. Dessa forma, pelo toque retal o medico facilmente efetua o reconhecimento do estado da próstata. Durante o toque retal o urologista espreme a próstata, fazendo sua secreção sair através da uretra. O toque retal torna-se dia a dia medida rotineira nos exames urológicos de indivíduos com mais de quarenta anos de idade, como precaução para evitar possíveis complicações.

A glândulas bulbo-uretrais, localizadas na extremidade do bulbo da uretra, são estruturas vasculares que provocam a ereção do pênis. As duas pequenas formações têm o tamanho de uma ervilha. Segregam um produto mucoso, em pequena quantidade, possivelmente para lubrificar a uretra, facilitando o acesso dos espermatozóides. A secreção ocorre geralmente por estímulos eróticos, momentos antes da ejaculação.

ORGÃO DE CONTATO

O pênis é o órgão de contato, nas uniões sexuais. Juntamente com os testículos e a bolsa escrotal forma os órgãos sexuais externos. O pênis é constituído de três estruturas fundamentais, de formato cilíndrico e tecido altamente elástico. É ele que deposita o esperma no interior da vagina feminina. Para desempenhar suas funções, apresenta uma característica muito especial. Suas dimensões variam muito, oscilando desde aproximadamente de 7 centímetros ate o dobro deste comprimento. Também o diâmetro se torna duas vezes maior, quando em ereção. O aumento do órgão é determinado pelo preenchimento dos chamados corpos cavernosos, devido ao ingresso de sangue.

O cilindro vascularizado que envolve a uretra peniana (bulbo-uretral) forma a glande do pênis, uma porção dilatada que constitui a cabeça do órgão. Uma prega de pele, o prepúcio, reveste a glande. Essa pele é retrátil, permitindo a exposição de extremidade do membro masculino quando este estiver em ereção.

Por dentro do prepúcio existem glândulas sebáceas modificadas, que produzem uma secreção chamada de esmegma. Nos casos em que o prepúcio é muito fechado e não permite a exteriorização da glande (fimose), pode ocorrer o acumulo de esmegma, o que provoca irritação e inflamação dolorosas no local, podendo ai ser a causa de câncer.

AÇÃO HORMONAL DAS CÉLULAS ESPERMÁTICAS

Esquema de influencia hormonal da hipófise sobre o testículo. O lobo anterior da hipófise é responsável pela produção do hormônio folículo- estimulante (flechas azuis), que atuam sobre os túbulos seminíferos, determinado à produção de hormônio estimulante das células intersticiais (flechas laranjas), que, Poe sua vez, estimula a produção de testosterona pelas células intersticiais (flechas pretas). A testosterona, alem de ser responsável pelo aparecimento dos caracteres masculinos, atua sobre os túbulos seminíferos, estimulando a produção de espermatozóides. ( Foto anexo)

Exame do liquido seminal

O exame do liquido seminal é feito geralmente como parte de uma investigação global de infertilidade que envolve os dois elementos do casal estéril. Devido a sua relativa simplicidade, o exame do sêmen é muitas vezes pedido antes de se iniciarem os exames mais complicado e mais dispendioso da mulher.

É hoje evidente que incapacidade do contribuem significativamente para problemas da infertilidade, numa porcentagem de até 40% conforme a opinião de alguns investigadores. Alguns casos de infertilidade masculina podem hoje ser tratados medicamente.

Relativamente à investigação de infertilidade é importante reconhecer o objetivo exato do exame do sêmen. É muito importante reconhecer que este exame é somente uma faceta do exame médico do homem, exame esse que deve também incluir uma historia detalhada e um exame físico geral. Podem também ter indicação certos procedimentos especializados como estudo das funções tireóides, suprarenal e pituitária, ou uma biopsia testicular.

Não somente os resultados do exame do sêmen deve ser interpretado á luz dos dados do restante exame médico do homem, mas também o elemento feminino deve ser considerado. Na verdade, foi sugerido que para propósitos da investigação de infertilidade do homem e a mulher envolvida não sejam considerados como indivíduos isolados, mas como uma única reprodutora. Uma limitação inerente do exame do sêmen é a de que os padrões de qualidade do sêmen são resultados de estudos populacionais em homens com casamentos férteis e não férteis. Por conseqüência, os padrões da qualidade do sêmen são indicações relativas e não absolutas de fertilidade ou de infertilidade (com a exceção única da aspermia completa). Alem disso, recomenda-se geralmente que o exame do sêmen seja repetido uma ou mais vezes se for encontrado um resultado anormal.

Além dos estudos da infertilidade, o laboratório de patologia clinica, especialmente se dedicado particularmente a estudos forenses, pode ser solicitado freqüentemente para exame de secreções vaginais ou de manchas nas roupas, em casos alegados ou suspeitos de estupro. O exame do sêmen pode também ser usado para avaliar a eficácia da vasectomia ou para sustentar ou condenar uma negação de paternidade com base em esterilidade.

FISIOLOGIA DO LíQUIDO SEMINAL

O sêmen é solução complexa formada pelos testículos e também pelos órgãos reprodutores acessórios do homem, e que é constituído fundamentalmente por espermatozóides em suspensão no plasma seminal. A função do plasma seminal é a de fornecer um meio nutritivo com osmolalidade e volume adequado para transporte dos espermatozóides até ao muco endocervical, terminado a sua contribuição para o processo da fertilidade. O plasma seminal ativa também uma maior motilidade dos espermatozóides.

O componente do sêmen tem origem nos seguintes órgãos:

Testículos - os espermatozóides que constituem menos de 5% do volume do sêmen, são o único tipo de células presentes no sêmen normal em numero apreciável. Os espermatozóides são em grande parte armazenados nas porções ampolares dos vasos deferentes ate serem libertados durante a ejaculaçao. Os espermatozóides armazenados nas ampolas mostram uma grande inatividade metabólica devido ao meio ambiente acido a ao suprimento de oxigênio restrito.

Foi observado que nesta localização os espermatozóides podem sobreviver durante períodos de ate um mês.

Vesículas seminais - aproximadamente 60% do volume do sêmen tem origem nas vesículas seminais. Este liquido viscoso, neutro ou ligeiramente alcalino é muitas vezes amarelo ou mesmo fortemente pigmentado em resultado do seu elevado conteúdo em flavina que é responsável pela fluorescência do sêmen quando examinado sob luz ultravioleta. As vesículas seminais são a origem principal do elevado conteúdo do sêmen em frutose, que é o principal nutriente dos espermatozóides. A importância dos outros componentes, como conteúdo relativamente elevado de potássio e de acido cítrico e os conteúdos menores de ácidos ascórbicos, ergotioneina e fosforilcolina, não está ainda estabelecida. A secreção das vesículas seminais é também por também fornecer o substrato responsável pela coagulação do sêmen da ejaculação.

Próstata - contribui com cerca de 20% do volume do sêmen. Este liquido leitoso é ligeiramente ácido, com um pH de cerca de 6,5 resultante em grande parte do seu conteúdo de acido cítrico, que constitui o principal anion neste componente do sêmen. A secreção prostática é também rica em enzimas proteolíticas e em fosfatase acida, estas enzimas proteolítica são responsáveis pela coagulação e liquefação do sêmen. A fosfatase acida pode fazer a clivagem da fosforilcolina presente no sêmen, mas significado deste processo não é claro.

Epidídimo, Vasos Deferentes, Glândulas bulbo-uretrais (Glândulas de Cowper) e Glândulas Uretrais (Glândulas de Littré). Estas estruturas contribuem com menos de 10 a 15% do volume do sêmen, sabendo-se pouco sobre o seu significado bioquímico no homem.

Frações do sêmen - o processo da ejaculação consiste na mistura das três frações distintas do sêmen que penetram na uretra individualmente numa sucessão rápida. Estas frações diferem na sua origem anatômica e, por conseguinte também na sua composição química. A primeira fração, que é relativamente pouco volumosa, é constituída por um liquido claro e viscoso que pensa ter origem principal ou talvez exclusiva nas glândulas uretrais e bulbouretrais. A função deste componente não é conhecida com certeza, mas pode ser a de limpar e lubrificar a uretra com preparação para o maior volume de ejaculado que se segue. A segunda fração é constituída sobretudo por secreção prostática juntamente com a maior parte dos espermatozóides e quantidades relativas pequenas de secreções dos epidídimos e dos vasos deferentes que foram armazenadas temporariamente nas ampolas dos vasos deferentes. A fração final é constituída quase que inteiramente por uma secreção mucóide resultante do esvaziamento das vesículas seminais.

A compreensão da seqüência no tempo da mistura das varias frações na ejaculação é importante para uma conduta correta do exame do sêmen. Por exemplo, o uso de espécimes de sêmen obtido na uretra masculino após o coito, conforme é recomendado por alguns investigadores, resulta em amostras que não somente não são representativas do sêmen em geral, mas também podem ser relativamente pobres em espermatozóides. Além disso, os espécimes obtidos por coito interrompido podem resultar em perda de parte da fração média rica em espermatozóides, embora ela represente apenas uma pequena parte do volume total do ejaculado.

COLÉTA

Recomenda-se geralmente que o espécime de sêmen seja colhido após um período de continência de três dias. Outros autores têm sugerido que um espécime mais significativo é o que é colhido após um período de continência igual à freqüência habitual de coito no casal em estudo. Deve-se desencorajar a continência prolongada antes da colheita do sêmen visto que a qualidade do sêmen, especialmente no que diz respeito a motilidade dos espermatozóides, sofre diminuição. Independentemente do método usado para a colheita, o médico encontra por vezes pacientes que não obedecem às instruções, devido a padrões religiosos ou estéticos ou que não são capazes de cooperar devido a considerações psicológicas mais complexas. O espécime mais satisfatório é o colhido no consultório médico ou no laboratório de patologia clínica por masturbação. Isto permite um exame completo do sêmen, particularmente dos processos de coagulação e liquefação e elimina também a possibilidade de choque frio. Os espécimes obtidos na casa do paciente por coito interrompido ou por masturbação e entregues pouco tempo depois no laboratório, são aceitáveis, mas um pouco menos satisfatórios. Em qualquer um dos métodos o espécime pode ser colhido para um recipiente limpo, de vidro, com boca larga, fornecida pelo laboratório (para evitar a possibilidade de existência de traços de detergentes ou de outros contaminantes prejudiciais) ou para recipientes adequados em plástico (p. ex., polietileno) como os que são usados para colheita de espécimes de urina ou de escarro. Os espécimes podem ser colhidos em condons que são depois atados e colocados num recipiente de vidro limpo. Foram expressas objeções válidas às colheitas em condons devido ao fato de que o pó ou os lubrificantes aplicados nos condons ou outros materiais usados no seu fabrico podem ser ativamente espermicidas. Usa-se condon, ele deve ser primeiro lavado com água e sabão, enxaguando cuidadosamente e depois secado completamente. Foi recomendado o uso de envólucros plásticos como meio para evitar as dificuldades da colheita em um condon.

São necessárias várias precauções no transporte de espécimes colhidos fora do laboratório. Em primeiro lugar, o espécime de ser recebido tão cedo quanto possível e em nenhum caso após mais de duas a três horas após a colheita. É fundamental que o espécime de sêmen não seja submetido a temperaturas extremas durante o intervalo de tempo até ser entregue no laboratório. Watson (1966) realçou a importância da temperatura no recipiente no momento da colheita e recomenda um aquecimento preliminar até à temperatura corporal. Este autor verificou que a manutenção do espécime na temperatura corporal é especialmente importante até que a liquefação do coágulo esteja completa (cerca de 20 minutos).

MÉTODOS DE COLORAÇÃO DE ESPERMA

Coloração supravital, hemalaun- eosina e May Grunwald- Giemsa.

Coloração supravital : Juntar uma gota de solução aquosa a 1% de brilhante azul ao esperma. Este corante não altera rapidamente a motilidade dos espermatozóides, deixando tempo para a observação. Com este método, consegue-se melhor evidenciar as diferenças na forma e tamanho dos espermatozóides.

Esfregaços corados : Preparar o esfregaço como o de sangue, tão fino quanto possível. Secar ao ar, fixar e corar. Para o exame cuidadoso da estrutura dos espermatozóides e das células da espermatogênese corar, respectivamente, pelo hemalaun- eosina e pelo May Grunwald- Giemsa.

Examinar então pela objetiva de imersão, contando pelo menos 200 espermatozóides e células da espermatogênese. Além desses dois elementos, encontramos macrófago, micrófago, espermiófogos, células de Sertoli, células epiteliais do trato urinário e seminal e leucócitos. Pode-se encontrar ainda corpúsculos de lecitina, cristais de ácidos graxos, cristais de Boettcher e cilindros testiculares.

EXAME MACROSCÓPICO

Características Físicas. O sêmen ejaculado recente é um coágulo altamente viscoso, opaco, branco ou branco acinzentado que pode ter um odor distinto acre ou de bolor. Em 10 a 20 minutos o coálogo liquefica-se espontaneamente formando um líquido viscoso translúcido e turvo com um pH ligeiramente alcalino de cerca de 7,7. O pH geralmente não varia grandemente, embora valores de pH menores que 7,0 se encontrem freqüentemente em semens constituídos sobretudo por secreção prostática devida a aplasia congênita dos vasos deferentes e das vesículas seminais (Raboch,1965). Um aumento ou diminuição da turvação tem pouco significado exceto quando o aumento da turvação resulta da presença de leucócitos associados a um processo inflamatório em algum ponto do trato reprodutor. Com o passar do tempo podem-se formar cristais incolores com forma de agulha, de fosfato de espermina, resultantes da reação da espermina existente na secreção prostática com o ácido fosfórico formado a partir da clivagem enzimática de diversos fosfatos orgânicos.

A avaliação da viscosidade pode ser feita enquanto se passa o espécime liquefeito, do recipiente de colheita para o tubo graduado de vidro destinado à medição do volume. O espécime com viscosidade normal pode ser passado gota a gota. O aumento da viscosidade tem significado se por isso a motilidade dos espermatozóides estiver comprometida. Em alguns casos foi demonstrado um aumento da viscosidade em associação com um fraco poder de invasão do muco cervical em estudos pós-coito, que pode ser o único defeito demonstrável num casal infértil.

Coagulação e liquefação ® Pensa-se que a coagulação e a liquefação subseqüente é um processo em três estágios (Mann,1964): (1) A coagulação resulta da ação de uma enzima prostática de coagulação sobre um precursor semelhante ao fibriogênio formado pelas vesículas seminais. (2) A liquefação é iniciada por enzimas de origem prostática. (3) Os fragmentos de proteína são ainda mais degradados formando aminoácidos livres e amônia pela ação de diversas enzimas proteolíticas mal caracterizadas, incluindo uma aminopeptídase e pepsina. Foi domonstrado que o processo de coagulação tem um significado diagnóstico, dado que o sêmen de homens com ausência congênital bilateral dos vasos deferentes e das vesículas seminais não coagulam, devido à ausência do substrato de coagulação (Amelar,1962). A liquefação deve estar completa em 30 minutos. É importante distinguir entre viscosidade aumentada persistente e atraso na liquefação.

Volume ® O volume normal do sêmen é em média de 3,5 mL com uma variação normal de 1,5 a 5,0 mL. De forma paradoxal os homens que pertencem a casais inférteis tendem a apresentar um volume de sêmen aumentado e não diminuído, freqüentemente associado a um número de espermatozóides significativamente diminuído. Contudo, estudos pós-coito sugerem que volumes de sêmen muito reduzidos podem resultar em fraca penetração do muco cervical pelos espermatozóides (MacLeod, 1965). O volume do sêmen não varia significativamente com o período de continência (MacLeod, 1951).

EXAME MICROSCÓPICO

Contagem de espermatozóides: após a liquefação do sêmen, os espermatozóides podem ser contados numa câmara hemacitométrica depois de uma diluição inicial feita numa pipeta para leucócitos. Misturar cuidadosamente o espécime de sêmen e aspirar uma alíquota ate à marca 0,5 da pipeta. Diluir até a marca 11 com a seguinte solução:

  • bicarbonato de sódio 5g
  • formaliza (neutra) 1mL
  • água destilada 100mL

Depois de encher a câmara hemacitométrica deixa-se passar dois minutos para que os espermatozóides imobilizados fiquem em repouso. Contam-se os espermatozóides presentes em 2mm (dois quadrados grandes). Este número multiplicado por 100.00 dá o número de espermatozóides por mililitro. Todo o procedimento de contagem incluindo a diluição inicial deve ser repetido pelo menos outra vez para ser dado o resultado médio.

Pode ser muito difícil a diluição de sêmen com viscosidade muito aumenteda. Nesse caso a contagem será facilitada se o sêmen for diluído a 1:1 com agente mucolítico Alevaire (Brean Laboratories, Inc) antes de pipetar o liquido diluído e a contagem final é multiplicada por dois (Amelar, 1977).

O método de contagem dos espermatozóides em câmara hemocitométrica é relativamente impreciso. Freund (1964) verificou que contagens de espermatozóides duplicadas feitas pela mesma técnica variavam com uma diferença média de 20%. Para as contagens executadas por três técnicos, cada um deles usando pipetagens duplicadas do mesmo espécime o limite confiança de 95% era 52%. Contudo, segundo a experiência do autor estas variações parecem demasiado elevadas.

O número de espermatozóides no sêmen normal situa-se geralmente na faixa de 60 a 150 milhões por mL, com uma média de cerca de 100 milhões por mL. Números inferiores a 20 milhões por mL são geralmente considerados como distintamente anormais embora possa ocorrer uma fecundação bem sucedida. Mac Leod (1951) ao estudar o sêmen de 1.000 homens férteis e de 800 homens pertencentes a casais inférteis verificou que 5% do grupo férteis e 17% do grupo ïnfértil" tinham números de espermatozóides na faixa de 1 a 20 milhões por mL.

Motilidade: para que os espermatozóides penetrem o muco cervical e subseqüentemente migrem para fertilizar o óvulo nas tubas uterinas, é necessário que haja uma motilidade, uma pequena gota de sêmen liquefeito é colocada sobre uma lâmina para exame microscópico pré-aquecida aproximadamente até a temperatura corporal e depois coberta com uma lâmina cujos bordos são tapados com vaselina. A motilidade pode ser avaliada por observação de vários campos com objetiva seca de grande aumento, até que um total de pelo menos 200 espermatozóides tenham sido observados. É fundamental que se focalize em profundidade e de forma a incluir espermatozóides não móveis que se possam ter depositado no fundo do meio. Registra-se a porcentagem de espermatozóides que demonstram mobilidade com progressão real. Deve-se também registrar uma estimativa uma estimativa qualitativa da motilidade dos espermatozóides. Watson (1966), por exemplo, atribuir aos espermatozóides uma das três seguintes categorias: motilidade com progressão, motilidade sem progressão e ausência de motilidade sem progressão e ausência de motilidade. Este autor gradua ainda os espermatozóides com motilidade com progressão de acordo o seguinte código: grau I, progressão mínima para diante: grau II, atividade fraca a media; grau III, boa atividade, com movimentos de cauda visíveis; grau IV, plena atividade com movimentos da cauda difíceis de visualizar.

Embora seja freqüente afirmado que o sêmen normal contém mais de 70% ou mesmo 80% de espermatozóides móveis, este critério parece ser demasiado rígido em relação a vários grandes estudos. Por exemplo, MacLeod (1951) encontrou uma média de apenas 58% de espermatozóides móveis com um desvio padrão de +/- 16% em 732 homens com fertilidade comprovada. De forma contrastante este autor encontrou uma motilidade média de 51% +/- 19 em 869 homens pertencentes a casais inférteis. Estes resultados podem ser um pouco baixos por alguns espécimes terem sido estudados tão tarde quanto 5 horas e meia após a colheita, muitos autores consideram que o sêmen deve ser considerado anormal se menos de 60% de espermatozóides mostram movimentos de progressão, em espécimes examinados dentro de 3 horas após a colheita.

Alguns investigadores recomendaram anteriormente fazer avaliações da motilidade intervaladas durante as 24 horas que se seguem à colheita, p. ex., 3, 6, 12, e 24 horas. As formas móveis diminuem cerca de 5% por hora depois da quarta hora que se segue à colheita. Dado que os espermatozóides têm que penetrar no muco cervical em alguns minutos após a ejaculação (ou serem inativados pelo pH relativamente baixo das secreções vaginais), o plasma seminal não é meio fisiológico para um estudo prolongado da atividade dos espermatozóides. Além disso, a atividade metabólica dos espermatozóides, bem como o crescimento bacteriano, alteram significativamente o pH do sêmen depois de algumas horas.


MORFOLOGIA DOS ESPERMATOZÓIDES

A morfologia dos espermatozóides é avaliada através de realização de contagens diferenciais de tipos de espermatozóides morfologicamente normais e anormais em esfregaço corados. Os esfregaços são preparados sobre lâminas para exame microscópico limpas de uma maneira idênticas aquelas em que são feitos os esfregaços de sangue. a melhor coloração para obtenção de detalhes morfológicos é a coloração de Papanicolau. A técnica de Papanicolau embora seja um pouco complicada a demora é a recomendada, especialmente nos laboratórios que usam por rotina esta colaboração para exames de citologia exfoliativa. É essencial que o esfregaço seja colocado imediatamente no fixador, quer etanol a 95% (v/v) quer etanol-éter a 50% (v/v) antes da secagem ter ocorrido.

Um método que é também satisfatório, mas que dá diferenciação um pouco menor dos detalhes dos espermatozóides é o método com hematoxilina descrito por Amelar (1977). Neste método o esfregaço é secado ao ar e depois tratado da seguinte maneira: (1) formalina a 10% (v/v), 1 minuto; (2) lavar com água; (3) hematoxilina de Meyer (ou de Harris), 2 minutos; (4) lavar com água; (5) secar ao ar. Outras técnicas de coloração que foram recomendadas incluem a de Giemsa, da fucsina básica e do violeta de cristal. Os dois últimos métodos citados requerem uma fixação prévia pelo calor que conforme foi demonstrado provoca uma certa distorção artificial dos espermatozóides.

Pelo menos 200 espermatozóides devem ser examinados com objetivas de imersão e o percentual das formas anormais anotados. O sêmen normal tem menos de 30% de formas anormais. Alem da morfologia dos espermatozóides deve também ser registrada a presença de eritrócitos, leucócitos e células epiteliais. Células imaturas da linha germinal podem aparecer no sêmen e elas devem ser diferenciadas dos macrófagos e dos leucócitos. No sêmen existem normalmente numerosos grânulos e glóbulos. Estes elementos tem provavelmente origem nas secreções das células glandulares ou na autólise das células epiteliais de revestimento existentes nas estruturas acessórias do aparelho reprodutor.

OUTROS TESTES COM SÊMEN

Testes pós-coito (Sims- Huhner). Este teste consiste no exame do muco cervical após o coito. Neste teste pretende-se verificar a qualidade do muco cervical e a capacidade dos espermatozóides para penetrar no muco e manter a atividade. O muco cervical sofre alterações quantitativas e qualitativas correlacionadas com o ciclo menstrual. Na fase ovulatória, na parte media do ciclo, a quantidade de muco é máxima e a viscosidade está consideravelmente diluída, facilitando-se assim a penetração do muco pelos espermatozóides. A progesterona na fase secretória causa um aumento da viscosidade do muco.

Durante a fase ovulatória, determinada pelos registros da temperatura basal, a mulher é instruída para se apresentar ao medico dentro de algumas horas após o coito. Os resultados do teste são constantes durante cerca de 8 horas após o coito. Limpa-se o muco presente no orifício externa cervical. O espécime de muco endocervical pode ser obtido por aspiração com uma cânula de vidro ligada por um tubo de borracha a uma seringa de Luer. O espécime pode então ser enviado ao laboratório dentro de seringa. O volume de muco é medido. Depois de passado para uma placa de Petri são examinadas a sua cor e viscosidade. Na parte media do ciclo o muco deve ser transparente e aquoso. Uma outra propriedade que é freqüentemente avaliada é a elastância, que se refere a tenacidade do muco. Esta qualidade é testada pegando numa porção do muco com uma pinça e verificando qual a distancia a que ele pode ser puxado antes de se romper. Uma boa elastância, que deve predominar na parte média do ciclo, é de pelo menos 10 cm. Em seguida, uma gota de muco é colocada sobre uma lâmina de microscópico, coberta com uma lamínula e examinada para pesquisa de espermatozóides. Deve- se se fazer uma estimativa do numero de espermatozóides por campo de grande aumento, com a porcentagem de formas móveis. No material podem-se pesquisar leucócitos, eritrócitos e tricomonas.

O teste pós-coito mostra tipicamente uma melhor qualidade de muco e uma melhor penetração na fase ovulatória que em outros momentos do ciclo ovulatório. O grau de penetração dos espermatozóides correlaciona-se com a qualidade do sêmen como a fertilidade do outro elemento do casal, embora estas diferenças não sejam habitualmente notáveis.

Anticorpos contra os Espermatozóides. Recentemente tem sido atribuído um grande interesse à ocorrência de anticorpos contra os espermatozóides, quer em homens com anormalidades no seu sêmen, quer em mulheres pertencentes em casamentos inférteis. O extenso trabalho experimental e clinico sobre este assunto complexo e até agora pouco compreendido foi revisto recentemente por Schulman. As investigações feitas até agora estabeleceram uma firme base imunológica para os anticorpos antiespermatozóides. Parece que existe vários antígenos específicos da linha de células espermáticas. Usando imunofluorescência, encontam-se anticorpos reagindo com quatro regiões distintas dos espermatozóides: a parte frontal do acrossomo , capucho pós- nuclear, segmento equatorial do acrossomo e cauda. Outras técnicas para a detecção dos anticorpos contra os espermatozóides incluem a aglutinação, a imobilização, a precipitação, a fixação de complemento, hemaglutinação passiva e citotoxicidade. Contud, algumas destas técnicas ainda não provaram ser tecnicamente confiável e resultados muito diferentes ocorrem freqüentemente entre laboratórios que realizam o mesmo teste.

Uma relação causal entre anticorpos contra os espermatozóides e doença não foram ainda claramente estabelecida. Os anticorpos são encontrados em alguns homens com doença testicular e também com associação com aspermatogênese auto imune induzida experimentalmente por imunização com espermatozóides, sêmen ou homogeinizados testiculares e adjuvantes apropriados. Aglutininas espermáticas aparecem no soro de muitos homens após a vasectomia. Em um estudo, aglutininas espermáticas aparecem em 60% de 52 homens durante o primeiro ano após a vasectomia.

Não existe unanimidade de opiniões relativamente à importância dos anticorpos anti- espermatozóides no soro de mulheres, mas as provas de que se pode dispor sugerem fortemente uma relação de causa e efeito em casos de infertilidade sem outra explicação. Um dos primeiros e ainda mais controverso foi o de Franklin, que usou uma relação direta entre soro e sêmen. Os resultados foram lidos microscopicamente após um período de incubação de quatro horas a 37º C. Usando este método os autores puderam detectar anticorpos no soro de 31 mulheres num grupo de 43 pertencentes a casais inférteis em que não havia outra causa demonstrável de infertilidade quer no homem quer na mulher. De forma contrastante estes anticorpos na mulher em apenas dois de 38 casamentos férteis. Os anticorpos eram específicos de indivíduos por apenas aglutinarem os espermatozóides do marido ou específicos de espécie por aglutinarem os espermatozóides de todos os homens testados. A importância clínica deste teste foi ainda mais demonstrada pelo fato de que os níveis de anticorpos diminuíam acentuadamente em 13 mulheres inférteis que foram persuadidas a praticar continência ou a só praticar coito com uso de condom durante um período de entre dois a seis meses. Nove destas pacientes engravidaram depois de reassumirem o coito sem restrições.


EXAME PARA PESQUISA DO SÊMEN

O laboratório de patologia clinica pode ser solicitado para investigar material da vagina ou manchas em roupas, pele ou cabelo para a pesquisa do sêmen. Estes casos envolvem habitualmente uma alegação de estupro ou uma suspeita de ataque sexual em associação com homicídio. Em todos os casos médicos legais deve-se tomar especiais precauções para uma identificação correta dos espécime e para manter a cadeia de provas.

Obtenção do espécime. As secreções vaginais podem ser obtidas por aspiração direta ou por lavagem com soro fisiológico. Uma analise preliminar com luz violeta pode ser útil para selecionar áreas específicas, nas roupas ou em outros tecidos, para investigação. As manchas de sêmen dão freqüentemente uma fluorescência branca esverdeada, embora isto possa ocorrer também com manchas de outros líquidos do organismo. Uma porção com 1 cm2 do tecido manchado é cortada e embebida em 1 a 2 ml de soro fisiológico durante 1 hora. O liquido desta lavagem pode ser submetida a outros testes para pesquisa do sêmen. Deve-se incluir como controle, especialmente na determinação de fosfatase ácida e na detecção de substancias dos grupos sanguíneas, uma porção do tecido situada longe da mancha.

Exame para pesquisa de espermatozóides. Antes da aspiração ou lavagem devem-se preparar esfregaços diretos do material da vagina para serem corados pelo método de papanicolaou. De forma alternativa estes esfregaços podem ser preparados a partir do aspirado ou do produto da lavagem. Contrariamente a muitas opiniões expressas, espermatozóides bem conservados podem ser encontrados na vagina muitas horas após o coito e ate mesmo em corpos exhumados se tiverem sido corretamente embalsamado. Devem-se também preparar esfregaços a partir dos lavados das manchas em tecidos. O liquido de lavagem pode ser primeiramente concentrado por centrifugação preparando-se depois um esfregaço a partir do sedimento. Estes esfregaços podem ser corados com hematoxilina e eosina. As caudas frágeis dos espermatozóides estão freqüentemente quebradas tornando assim a identificação um pouco mais fácil.

 

CONTAGEM DOS ESPERMATOZÓIDES

NORMOSPERMIA, HIPERESPERMIA E OLIGOSPERMIA

Para contar o número de espermatozóide por meio de esperma, lança –se mão da pipeta contra- glóbulos para hemácias. O líquido diluidor é a solução salina (0,85%) corado pela fucsina fenicada De Ziehl, na proporção de 0,1 mL da ultima para 100 mL da primeira.

A técnica é igual a da contagem de hemácias. Assim, depois de bem agitado, colocar o líquido em uma câmara de Thoma – Zeiss ou outra semelhante fazendo a contagem. Contam-se 16 quadrados grandes, o que equivale a 256 pequenos quadrados (16 x 16). Para se obter numero correspondente a um quadradinho, dividir por numero obtido. Multiplicar por 100 ou 200, de acordo com a diluição, por 400(por que são 400 quadradinhos em 1 mn quadrado) e finalmente por 1,000 (para se ter o resultado em mL).

Nº por mL = n x 100(ou 200) x 400,000

                             256

Normalmente o número de espermatozóides por mL varia entre 60 a 120 milhões. Número maior (hiperespermia) não são geralmente patológicos, e números inferiores (hipospermia ou oligospermia) são anormais.

 

MOTILIDADE NORMOSINESIA, HIPERSINESIA E HIPOCINESIA – ASTENOSPERMIA.

Para contar o número de espermatozóides móveis recorrer-se a ocular fenestrada de Schilling, que divide o campo microscópico em quatro quadrantes. Dentro de 30 a 60 minutos depois da obtenção do esperma, pelo menos 80% dos espermatozóides são moveis. Normo, hipo, e hipercinesia expressam o grau da motilidade. Astenospermia é a diminuição dos espermatozóides moveis, fato que geralmente acompanha a hipocinesia.

Necrospermia. É a ausência de espermatozóides. É condição muito rara. Na maioria dos casos em que não se encontram espermatozóides moveis trata-se falsa necrospermia, de cinesia latente, que pode ser demonstrada pela provocação da motilidade, para o que se usa solução isotônica de sais de magnésio (cloreto de sulfato)

 

ESTUDOS DOS ESPERMATOZÓIDES

Antes de procedermos à descrição do gameta masculino humano devemos lembrar as características de um espermatozóide humano normal: O espermatozóide normal encontrado no sêmen humano é uma célula livre, muita ativa em meio liquido adequado, sendo constituído de uma cabeça que contem um núcleo com toda a carga genética paterna. Possui, também, uma peça intermediaria que contem 10 a 15 mitocôndrias, e uma cauda, ou flagelo, que proporciona grande propriedade às células. Sua cabeça é oval ou ovóide.


ESPERMATOZÓIDES ANORMAIS

São classificados em três tipos de fácil identificação:

1- Alterações na cabeça:

1.1Cabeças alongadas:

a) simplesmente alongadas

b) alongadas com extremidades alongadas

c) alongadas com extremidades em sinetas

d) em fitas

1.2- Microcéfalos

a) redondos sem acrossomos

b) triangulares com pequeno acrossomo

c) redução global

1.3-Macrocéfalos

1.4-Formas irregulares

1.5-Alterações nucleares

a) picnose

b) cromatólise

1.6- Acéfalos

1.7- formas duplas

2- Alterações da peça intermediária:

2.1- Espermatozóides com presença de resto citoplasmático;

2.2- Espermatozóides com peças intermediarias mostrado uma angulação entre a cabeça e a cauda ao nível da sua parte media ou final;

2.3- Espermatozóides com peças intermediarias mostrado uma angulação entre a cabeça e a cauda ao nível do pescoço;

3- Alterações da Cauda ou do Flagelo:

3.1- espermatozóide de flagelo curto;

3.2- espermatozóides flagelo totalmente enrolado ;

3.3- espermatozóides de flagelo enrolado na parte distal;

3.4- espermatozóides de flagelo duplo ;

3.5- espermatozóides com ausência de flagelo;

INTERPRETAÇÃO

O esperma normal contem 80% de espermatozóides morfologicamente normais; a relação normal entre as células de espermatogênese e os espermatozóides maduros é de 0,25 a 2 daqueles para 100 destes. Na azoospermia só se encontram células da espermiogênese.

O desaparecimento gradual dos espermatozóides no esperma é índice seguro da eficácia da vasectomia. Dentro de seis meses, 48% dos operados se encontram azoospérmicos; em um ano, 88% e em 18 meses, 95%. Os espermatozóides moveis desaparecem mais rapidamente; as formas imóveis não são férteis.

A dosagem da frutose (levulose) no sêmen é de real valor: a taxa deste glucídio no esperma é inversamente proporcional à atividade germinativa celular (número de espermatozóide). O teor diminuído deste hidrato de carbono resulta, muitas vezes, do nível reduzido de testosterona, ou revela insuficiência de vesícula seminal.

 

Bibliografia

1. RUBENS X. GUIMARÃES, CELSO C. C. GUERRA; Clínica de laboratório ; 4a. edição, ed. Xavier Rio de janeiro

2. VODDS.D.,JOHN B. HENRY;Diagnostico clínico e conduta terapêutica por exames laboratoriais; 16ª edição vol.1 editora Manole; São Paulo 1999

3. A. OLIVEIRA LIMA; Método de laboratório aplicado a clinica; 6ª edição; editora Guanabara Koogan; Rio de Janeiro

4. LABORATORIO FREURY;sete décadas dedicados a saúde; Fleury; 1926

5. VICTOR CIVITA; Medicina e saúde; vol. 7e8; Abril S/A. cultura e industrial são Paulo; 1971

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