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Tiabendazol

Autor:
Instituição: UFSC
Tema: Química Farmacêutica

Tiabendazol


INTRODUÇÃO

Helmintos

A maior parte dos seres humanos alberga helmintos (vermes) de uma espécie ou de outra. Essas infecções produzem, em alguns casos, certo desconforto, porém não causam nenhuma doença grave (como o Enterobius vermiculares em crianças). Por ouro lado, outras helmintíases, como a ancilostomose, são responsáveis por grande morbidade. Em muitos países, em particular nas regiões tropicais e subtropicais, quase toda a população indígena encontra-se infectada pela ancilostomose e/ou outros helmintos; dessa forma, o problema de tratamento de helmintíase passa a Ter grande importância prática.

Existem dois tipos importantes de infecções por helmintos – quando o verme fica no tubo digestivo do hospedeiro , ou quando fica nos outros tecidos do hospedeiro.

Os dois principais exemplos de vermes que vivem no tubo digestivo do hospedeiro são:

Os principais exemplos de vermes que vivem nos tecidos dos hospedeiros são:

Alguns nematóides que vivem, em geral, no trato gastrintestinal dos animais podem infectar os seres humanos e penetrar nos tecidos. Uma infestação cutânea, denominada "erupção serpiginosa" ou "larva migrans cutânea", é causada pelo ancilostoma de cães e gatos. A toxocaríase ou "larva migrans visceral" é causada pelo nematóide de cães e gatos do gênero Toxocara.

Anti-helmínticos

A droga, para ser considerada como anti-helmíntico ( Helmins, helminthos = verme; assim, "anti-helmíntico" ou "anti-helminto" significa medicação que atua contra vermes) eficiente, precisa ter propriedade de penetrar na cutícula do verme ou, então, ganhar o interior de seu trato alimentar.

Os anti-helmínticos atuariam por narcose ou paralisia do verme, ou então ao lesar a sua cutícula, o que acarretaria digestão parcial ou rejeição do verme por mecanismos imunológicos. Os anti-helmínticos também poderiam interferir no metabolismo do verme, e, como as necessidades metabólicas desses parasitas variam amplamente de uma espécie para outra, as drogas altamente eficazes contra um tipo de verme podem se mostrar ineficazes contra outros tipos.

Os anti-helmínticos já foram testados, na maioria dos casos, pela sua capacidade de eliminar vermes do animais infectados, e não em testes in vitro, porque a eficácia do anti-helmíntico pode depender de sua conversão pelo hospedeiro num composto mais ativo. Por outro lado, a droga considerada ativa pelos testes in vitro pode ser inativada pelas secreções do trato digestivo do hospedeiro.

Os anti-helmínticos da família benzimidazol incluem agentes de amplo espectro e constituem um dos principais grupos de anti-helmínticos utilizados na clínica. Eles possuem ação inibitória seletiva sobre a função microtubular dos helmintos, sendo 250-400 vezes mais potentes em relação á inibição da ligação da colchicina nos tecidos dos helmintos do que nos mamíferos. O efeito leva algum tempo para ocorrer, e os vermes podem ser expelidos após alguns dias.

O Tiabendazol resultou da investigação de várias centenas de compostos derivados do benzimidazol, dos quais alguns eram as drogas quimioterapêuticas mais potentes conhecidas, cuja atividade larvicida, completa manifestava-se in vitro a 10 pg/mL. Esta potência, acoplada à ausência de atividade contra outros microrganismos e à toxicidade relativamente baixa sobre os mamíferos sugere a interferência nas vias metabólicas essenciais de diversos helmintos.

 

Tiabendazol

Estrutura QUÍMICA

CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

Descrição: Um pó de coloração branco a praticamente branca, inodoro ou praticamente inodoro

Peso molecular: 201,25

Ponto de fusão : 296o a 303o C.

Solubilidade: praticamente insolúvel em água; levemente solúvel em acetona e em álcool; muito pouco solúvel em clorofórmio e éter.

Síntese: processa-se por várias fases. Primeiramente condensa-se a anilina (I) com 4-cianotiazol (II), reação esta catalisada por cloreto de alumínio em ambiente de tetracloroetano; o cloridrato de N'-fenil-4-tiazolcarboxamidina (III) formado intermediariamente é então tratado com hipoclorito sódico à temperatura ambiente, dando a N-cloroamidina (IV) correspondente que, refluxada com solução de carbonato de sódio, sofre uma inserção de nitreno, produzindo Tiabendazol. As reações são demonstradas a seguir:

 

USO TERAPÊUTICO

Tiabendazol, um derivado benzimidazólico, é um anti-helmíntico com atividade contra vermes nematódeos; tem também demonstrado atividade contra alguns estágios de larvas e ovos.

Tiabendazol é usado no tratamento de larva migrans cutânea (erupção serpiginosa), e usada no tratamento de estrongiloidíases, sendo em ambos os casos, o fármaco de escolha.

Infecções por pseudo ancilostomídeos (tricoestrongiloidose) também respondem bem ao tratamento, mas seu uso com esse objetivo é considerado investigação nos Estados Unidos. A maioria dos pacientes experimenta acentuada melhora nos sintomas da erupção serpiginosa. A progressão da doença deve cessar após dois dias consecutivos de tratamento. Caso lesões ativas persistam após um intervalo de dois dias, recomenda-se um segundo tratamento. Há evidência circunstancial de que a droga também beneficia o trata mento da infecção de larva migrans visceral. Embora o Tiabendazol seja eficaz contra triquinose em animais, seu valor na doença no ser humano ainda não está comprovado. Parece aliviar os sintomas e reduzir a eosinofilia que ocorre no início da infecção, mas seu efeito sobre larvas que migram para o músculo ainda é duvidoso. O Tiabendazol produz uma taxa de cura de 90% na enterobíase e uma taxa menor, variável, na ascaridíase e na ancilostomose. A eficácia da droga contra Trichuris varia muito, dependendo do tamanho da dose e do tempo de duração do tratamento. Uma vantagem do Tiabendazol é a sua eficácia contra Ascaris, Enterobius, Strongyloides e Trichuris, sendo ,consequentemente, útil em pacientes com infecções múltiplas.

 

ADMINISTRAÇÃO E POSOLOGIA

O Tiabendazol é encontrado como suspensão oral contendo 500 mg/5 mL, comprimidos mastigáveis, pomadas, loções e sabonetes, associados com outros fármacos ou não.

É usualmente administrado, via oral, após as refeições, em uma dose de 25 mg por Kg (peso corporal) duas vezes ao dia por dois ou mais dias, a duração depende do tipo da infecção; a dose diária não deve exceder 3 g. Esquemas de tratamento de um único dia foram utilizados com êxito para o tratamento de todas as infecções, mas o tratamento da larva migrans cutânea e de triquinose difere. Para a primeira, é necessário um esquema de dois dias de tratamento, podendo ser repetido dois dias após, caso lesões ativas ainda estejam presentes; a condição tem sido tratada com êxito mediante a aplicação tópica de Tiabendazol. Nas triquinoses recentes, o trata mento pode prosseguir por mais de dois ou três dias, de acordo com o paciente. O tratamento da estrongiloidose disseminada com Tiabendazol deve continuar, no mínimo por cinco dias. O uso de Tiabendazol pode ser tentado no tratamento da infecção causada pela larva migrans visceral, até que os sintomas desapareçam ou surjam efeitos tóxicos. Como a doença é, em geral, autolimitada, o tratamento deve retringir-se apenas aos casos graves.

Para o uso tópico, o uso principal é para a larva migrans cutânea, o "bicho geográfico" e recomenda-se que seja feita a administração sobre o local afetado, limpo, 2 a 3 vezes ao dia.

 

Especialidades Farmacêuticas

Segundo o Dicionário de Especialidades Farmacêuticas 98/99, os produtos comerciais no mercado, atualmente, são:

Tiabendazol:

Algumas bulas encontram-se no final do trabalho, nos Anexos.

 

MECANISMO DE AÇÃO

O Tiabendazol apresenta elevado grau de atividade contra amplo espectro de nematódeos que infestam o trato gastrintestinal dos animais domésticos; também é larvicida, in vitro, em diluições muito elevadas. A concentração de 1 ppm previne o desenvolvimento embrionário de ovos de Ascaris in vitro. Seu mecanismo básico de ação ainda é desconhecido, apesar de saber-se que o composto inibe o sistema da fumarato redutase mitocondrial específico do helminto possivelmente, através da interação com uma quinona endógena. O Tiabendazol pode destruir o arranjo de microtúbulos de Strongyloides levando a inibição da secreção da acetilcolinesterase do parasita e ao desalojamento do verme. De particular interesse são os trabalhos que relatam o Tiabendazol destruindo larvas nos músculos de suínos experimentalmente infectados com Trichinella spiralis. Diversos casos de triquinose no ser humano, tratados precocemente com Tiabendazol, apresentaram melhora acentuada.

FARMACOCINÉTICA

Após a administração oral de Tiabendazol no homem, sua absorção é rápida. Picos de concentração plasmáticas ocorrem cerca de uma hora após o tratamento. A maior parte da droga é metabolizada a 5-hidroxithiabendazol conjugado com glucoronídio ou sulfatos conjugados e excretada 90% na urina e 5% nas fezes dentro de 48 horas da ingestão. Absorção também ocorre quando preparações são aplicados na pele.

 

EFEITOS ADVERSOS E TOXICIDADE

Os efeitos adversos freqüentes encontrados são anorexia, náusea, vômitos e vertigens. Menos comumente, ocorrem diarréia, desconforto epigástrico, prurido, fadiga, obnubilação, atordoamento e cefaléia. Efeitos mais raros incluem zumbidos, colapso, sensação anormal nos olhos, letargia, hiperglicemia, xantopsia, enurese, redução na freqüência do pulso e na pressão sistólica e alterações transitórias nas provas de função hepática. Febre, rubor facial, calafrios, congestão conjuntival, edema angioneurótico, linfadenopatia, exantema perianal e cutâneo ocorrem infreqüentemente, mas não é certo se representam hipersensibilidade à droga, ao parasita ou manifestações da doença. Alguns pacientes podem excretar um metabólito que dá à urina odor semelhante ao que ocorre após a ingestão de aspargos. Foi relatada cristalúria sem hematúria em um caso; cedeu prontamente com a interrupção do tratamento. Leucopenia transitória foi notada em poucos pacientes em tratamento com Tiabendazol.

Até um terço dos pacientes tratados com a dosagem recomendada ficou incapacitado durante várias horas, devido a um ou mais sintomas; a metade ficou incapacitada por mais de 24 horas com doses cerca de 50 mg/Kg.

 

CONTRA-INDICAÇÕES E PRECAUÇÕES

Não há contra indicações absolutas ao uso de Tiabendazol. Devido a seus efeitos colaterais ao sistema nervoso central que ocorrem com freqüência, durante o tratamento devem ser proibidas ao paciente atividades que exijam atenção e alerta mental. Como o Tiabendazol é potencialmente hepatotóxico, deve ser usado com cautela em pacientes portadores de patologia hepática ou redução da função hepática.

Tiabendazol é teratogênico em ratos, o que limita o uso em pacientes grávidas. Por causa de sua toxicidade e a falta de conhecimento de sua excreção na secreção de leite, não é recomendado o uso em pacientes que estejam amamentando.

 

Farmacopéia Britânica

1988

Farmacopéia Brasileira

3a Edição

USP XXIII

Identificação

A) Infravermelho ( Brometo de potássio)

B) Ultravioleta

C) Reação química com sulfato férrico amoniacal

D) Cromatografia camada delgada

A) Infravermelho (Óleo Mineral)

B) Ultravioleta

C) Reação química com sulfato férrico amoniacal

A) Infravermelho ( Brometo de potássio)

B) Ultravioleta

C) Reação química com sulfato férrico amoniacal

D) Cromatografia Camada Delgada

E) Ponto de Fusão – 296o e 303o C

Pureza

A) Perda por dessecação – máximo de 0,5%.

B) Cinzas Sulfatadas – máximo de 0,2%.

A) Água – Reagente Karl Fischer – máximo 0,5%.

B) Resíduo pela incineração – máximo 0,1% .

C) Selênio – máximo de 0,003%

D) Metais Pesados – máximo de 0,001%

A) Água – Reagente Karl Fischer – máximo de 0,5% .

B) Resíduo pela Incineração – máximo de 0,1% .

C) Selênio - máximo de 0,003%.

D) Metais Pesados – máximo de 0,001%.

Doseamento

A) Titulação com ácido perclórico – Cada mL de Ácido perclórico gasto eqüivale a 0,02013 g de Tiabendazol. –Valores entre 98,0 e 101%.

A) Titulação com Ácido Perclórico – Cada mL de ácido perclórico gasto eqüivale a 20,13 mg de Tiabendazol. – Valores entre 98,0 e 101%.

A) Titulação com Ácido Perclórico – Cada mL de ácido perclórico gasto eqüivale a 20,13 mg de Tiabendazol. – Valores entre 98,0 e 101%.



Justificativa de escolha doS métodoS de análise

IDENTIFICAÇÃO:

Infravermelho:

O método da Farmacopéia Brasileira (3a Edição), determinava o uso de uma dispersão de óleo mineral. A USP 23 e a Farmacopéia Britânica (1990) preconizam o uso de um disco de Brometo de Potássio. No laboratório onde realizamos a análise, o método utilizado usa o disco de Brometo de Potássio. Usamos o método descrito na Farmacopéia Britânica, pois estava melhor descrito.

Ultravioleta:

Todas as Farmacopéias pesquisadas preconizam o mesmo método, usando uma diluição da amostra em Ácido Clorídrico 1%. Usamos a Brasileira pela melhor descrição do método.

Reação Química:

Todas as três Farmacopéias apresentavam o método de identificação de Tiabendazol, baseado na reação química com Sulfato Férrico Amoniacal, onde desenvolvia-se coloração azul-violeta. Um dos reagentes do método, o Dicloridrato de p-fenilenodiamino, não estava disponível e, portanto, não foi possível realizar o ensaio.

Cromatografia:

A análise cromatográfica em camada delgada foi descrita nas Farmacopéias Britânica e Americana. As duas metodologias se eqüivaliam e optamos pela descrição da Farmacopéia Britânica.

Determinação do ponto de Fusão:

Foi descrito apenas na USP 23.

 

PUREZA

Água:

Embora o método da água fosse descrito nas Farmacopéias Brasileira e Americana e fossem iguais, não pudemos realizar pela falta do reagente de Karl Fischer que era fundamental no procedimento. Porém, o método "Perda por dessecação" descrito na Farmacopéia Britânica tem o mesmo objetivo

Selênio:

O método foi descrito nas Farmacopéias Brasileira e Americana, porém não haviam reagentes para a realização do mesmo.

Perda por dessecação:

Apenas descrito na Farmacopéia Britânica, tem o mesmo objetivo da determinação de água da amostra que é a determinação de substâncias voláteis e/ou quantidade de água (umidade).

Cinzas Sulfatadas:

O método foi encontrado nas três Farmacopéias, porém nas Farmacopéias Brasileira e Americana são denominados pelo nome de "Resíduo pela Incineração". Os métodos se eqüivalem, porém as quantidades máximas aceitas diferem: a Farmacopéia Britânica aceita no máximo, 0,2% ; enquanto que as outras duas Farmacopéias aceitam, no máximo, 0,1%.

Metais Pesados:

O método foi encontrado nas Farmacopéias Brasileira e Americana e são equivalentes. Usamos as descrições da Farmacopéia Brasileira.

DOSEAMENTO:

O método descrito nas três Farmacopéias era o mesmo.

 

ROTEIRO DE ANÁLISE DA AMOSTRA

IDENTIFICAÇÃO:

Infra vermelho (Farmacopéia Britânica, 1990 – Apêndice II A – pag. A73)

No espectro de referência, prepare a substância como um disco na dispersão de Brometo de potássio SR e marque o espectro de 2000 a 625 cm –1 ( 5 a 16 m m). Compare com o gráfico padrão da pag. S125.

Ultravioleta (Farmacopéia Brasileira, 3a Ed – pag. 763)

O espectro de absorção ultravioleta de uma solução 1:200.000 em ácido clorídrico diluído 1:100 apresenta máximos e mínimos nos mesmos comprimentos de onda que uma solução similar de Tiabendazol padrão, medida concomitantemente e as absortividades respectivas, calculadas em relação à substância anidra, no comprimento de onda de absorbância máxima em torno de 302 nm, não diferem mais que 3,0 %.

Cromatografia de camada delgada (Farmacopéia Britânica, 1990 – Apêndice III A – pag. A77)

Usando silica gel GF 254 e uma mistura de 50 volumes de tolueno, 20 volumes de Ácido Acético glacial, 8 volumes de acetona e 2 volumes de água como a fase móvel. Aplique separadamente na placa cromatográfica 10 m L de Tiabendazol em metanol: (1) 1.0% p/V e (2) 0,015% p/V. Depois, remova a placa, deixe secar e examine sob luz UV (254 nm) . Nenhuma mancha na Cromatografia obtida com solução (1) é mais intensa que a mancha na Cromatografia obtida com solução (2).

 

ENSAIOS DE PUREZA:

Metais pesados (Farmacopéia Brasileira - Métodos Gerais, no 13 – Método II – pag. 954)

Preparação padrão: Num tubo de comparação de cor de 50 mL pipete 2 mL de Solução Padrão de Chumbo (20m g de Chumbo) e dilua com água para 25 mL. Ajuste com ácido Acético diluído ou amônia SR para um pH entre 3,0 e 4,0 usando papel indicador de faixa curta como indicador externo, dilua com água para cerca de 35 mL e misture.

Preparação amostra: Use quantidade, em g, calculada pela fórmula 2/(1000L), na qual L é o limite, em percentagem de metais pesados. Transfira a amostra para um cadinho, adicione ácido sulfúrico suficiente para umedecer a amostra e cuidadosamente incinere em baixa temperatura até completa carbonização ( o cadinho pode ser frouxamente coberto por uma tampa adequada durante a carbonização). Adicione à massa carbonizada 2 mL de ácido nítrico e 5 gotas de ácido sulfúrico e aqueça cautelosamente até que não mais produza fumaças brancas. Leve a 500o – 600o, de preferência em forno de mufla, até completa eliminação de carbono. Esfrie, junte 4 ml de ácido clorídrico diluído (1:2), cubra, leve a banho-maria por 15 minutos, descubras e evapore lentamente até secura. Umedeça o resíduo com uma gota de ácido clorídrico, junte 10 mL de água quente e deixe mais 2 minutos em banho-maria. Junte amônia SR gota a gota, até alcalinizar ao papel tornassol (evite excesso de álcali); dilua com água a 25 mL e ajuste para um pH entre 3,0 e 4,0 com ácido acético diluído, usando papel indicador de faixa curta; filtre se necessário, lave o cadinho e o filtro com 10 mL de água; combine o filtrado e as águas de lavagem num tubo de comparação de cor de 50 mL, com água a cerca de 35 mL e misture.

Procedimento : Aos tubos contendo a preparação padrão e preparação da amostra, adicione respectivamente 10 mL de sulfeto de hidrogênio SR, recentemente preparado, misture, dilua com água para 50 mL, deixe repousar por 5 minutos e examine de cima para baixo sobre superfície branca; a cor da solução preparação da amostra não é mais intensa do que a da solução de preparação padrão.

No máximo 0,001%

Ponto de Fusão (USP XXII – Método 741 –pag. 1588)

Aqueça o aparelho de determinação do ponto de fusão até 10o C abaixo do ponto de fusão esperado e aumente a temperatura numa média de 1± 0,5o por minuto. Observe o início da fusão até a fusão completa; marque a faixa de fusão.

O ponto de fusão da substância pura é de 296o a 303o C.

Cinza Sulfatada (Farmacopéia Britânica, 1990 – Apêndice IX A. Método I – pag. A125)

Em um cadinho, pese exatamente 1 g de Tiabendazol, umedeça com Ácido Sulfúrico 95%, incinere gentilmente, umedeça novamente com ácido sulfúrico 95% e incinere a cerca de 800o C. Quando fria, pese novamente, incinere por 15 minutos e repita o procedimento até que em duas sucessivas pesagens o peso não apresente uma diferença superior a 0,5 mg.

Máximo de 0,2%(Farmacopéia Britânica e 0,1% na Farmacopéia Brasileira e USP 23.

Perda por dessecação (Farmacopéia Britânica, 1990 – pag. 566)

Pese exatamente 1g de amostra e deixe na estufa a 105o C até peso constante.

Máximo de 0,5%.

Doseamento (Farmacopéia Brasileira, 3a Ed. – pag. 763)

Dissolva cerca de 160 mg de amostra, exatamente pesados, em 10 mL de ácido acético glacial. Adicione 50 mL de anidrido acético, 1 mL de acetato mercúrico SR e duas gotas de violeta cristal SI (100 mg de violeta cristal em 10 mL de ácido acético glacial) e titule com ácido perclórico 0,1 N (SV) ( a coloração muda na viragem de azul para azul esverdeado). Faça um branco para a correção necessária.

Cada mL de ácido perclórico 0,1 N (SV) eqüivale a 20,13 mg de C10H7N3S.

 

Resultados e discussão

ENSAIOS DE IDENTIFICAÇÃO

INFRAVERMELHO:

Não foi possível realizar o ensaio do infravermelho, porque o aparelho apresentou problemas. Entretanto, o gráfico de Infravermelho de uma amostra padrão está mostrado nos Anexos.

ULTRAVIOLETA:

O método descrito determinava o uso de uma solução 1:200.000 de amostra em Ácido Clorídrico 1%. Como a pesagem de um grama e a dissolução em 200.000 mL de reagente (Ácido Clorídrico 1%), usamos 1 mg de amostra, dissolvidos em 200 mL de Ácido Clorídrico 1%, que deixa a solução com a concentração requerida.

Submetemos a solução ao colorímetro e o resultado (gráfico) foi muito semelhante as especificações de uma amostra padrão.

Uma solução padrão deveria apresentar duas absortividades características em 302 e 243 nm. O aparelho detectou duas absortividades, na amostra, nos comprimentos de onda 301,9 e 242,8 nm.

No livro Isolation and Identification of Drugs (Bibliografia, 2), foi encontrado um gráfico padrão de Ultravioleta de Tiabendazol, onde pode-se comparar as curvas de absortividades (Anexos ).

A Farmacopéia Brasileira preconiza que a amostra analisada não ultrapasse uma variação de 3,0%.

Apresentamos a seguir os cálculos:

302,0 nm - 100% 243,0 nm - 100%

301,9 nm - X 242,8 nm - X

X = 99,9% X = 99,9%

Sendo assim, a variação foi de 0,1%. A amostra encontra-se dentro das especificações da Farmacopéia Brasileira.

O gráfico da amostra encontra-se em anexo.

 

CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA:

A Farmacopéia Britânica determinava o uso de duas diluições da amostra em metanol: a) 1% e b) 0,015%.

Usamos as diluições e aplicamos na placa cromatográfica.

As manchas que surgiram na placa, referentes às soluções (a) e (b), encontravam-se na mesma posição, ou seja, com Rf equivalentes. Foi vista apenas uma mancha para cada solução, que era característica de Tiabendazol. Isso pode significar também que a amostra não apresentava outros componentes significativos.

Segundo a Farmacopéia Britânica, as mesmas deveriam se eqüivaler mesmo que a concentração das soluções aplicadas fossem diferentes. Portanto, a amostra encontra-se dentro das especificações de identificação da Farmacopéia Britânica.

Não pudemos comparar com manchas da solução padrão, porque não tínhamos a mesma. A Farmacopéia Americana (USP) determina a comparação com solução padrão de Tiabendazol.

O desenho das manchas da placa cromatográfica obtida encontra-se nos Anexos.

 

ENSAIOS DE PUREZA

Metais pesados:

Para a preparação da solução padrão, contendo os metais pesados, foram necessários alguns cálculos porque a concentração da solução padrão de Chumbo, não estava ajustada para a análise. Estão mostrados na seqüência.

1 g - 100%

X - 0.001%

X = 0.0001 g => 0.01 mg

Dado este valor, foi feita a diluição : 0,1 mg/mL => foi diluído a 1:10. Desta diluição foi utilizado 1 mL. Assim, o término da preparação da solução padrão ocorreu conforme roteiro.

A preparação da solução contendo a amostra, também teve uma alteração do roteiro. Ao invés de todo o procedimento descrito para obter a amostra sem carbono (nova incineração), foram utilizadas as cinzas restantes do ensaio de determinação de cinzas sulfatadas. Assim, o método teve continuidade com a adição do Ácido Clorídrico 50% (4 mL) e incubação em banho-maria.

No procedimento do método propriamente dito, é que as soluções, padrão e amostra, foram para os tubos de comparação. Houve a adição dos reagentes, sendo que as cinco gotas de sulfeto de hidrogênio foram substituídas por cinco gotas de sulfeto de sódio, já que o procedimento requeria o reagente sulfeto. A comparação foi feita com exame de cima para baixo sobre superfície branca.

A análise das soluções demonstrou que a solução padrão apresentava uma coloração amarelada, representando uma concentração mais intensa de metais pesados que a solução amostra.

A explicação da coloração é que o sulfeto adicionado a ambos os tubos, reage com metais pesados, resultando numa coloração mais escura. Como a quantidade de metais pesados era maior na solução padrão, a coloração desta foi mais intensa.

As especificações determinam que a coloração da solução amostra não deve ser mais intensa que a coloração da solução padrão de metais pesados. Portanto, a amostra encontra-se dentro das especificações.

 

PONTO DE FUSÃO:

Submetemos a amostra ao aparelho de determinação de ponto de fusão. A amostra mostrou fusão na faixa de temperatura de 298,9 a 302,2o C.

Segundo a literatura, a faixa de fusão de uma amostra padrão de Tiabendazol é de 296o a 303o C. Portanto, a amostra encontra-se dentro das especificações, ou seja, dentro da faixa de uma amostra padrão.

 

CINZAS SULFATADAS:

A determinação de cinzas sulfatadas foi feita em triplicata, ou seja, três amostras foram analisadas concomitantemente.

Pesou-se três cadinhos vazios previamente preparados (calcinados) para a análise. Foram, então pesados com as amostras (1 g de Tiabendazol aproximadamente em cada cadinho). As amostras foram umedecidas com aproximadamente 2 mL de Ácido Sulfúrico concentrado cada uma. Os cadinhos foram aquecidos em mantas até o fim do desprendimento de gases, sinalizados por uma fumaça branca. Depois, as amostras foram submetidas à mufla, aquecida à temperatura de 700o C. A monografia que descreve o método determina 800o C, porém uma temperatura superior a 700o C não oferecia segurança ao laboratório onde foi realizada a análise.

As amostras ficaram aproximadamente 4 horas na mufla. Depois de frios, os cadinhos foram novamente pesados. Com a pesagem, já foi determinado um percentual menor que o máximo aceito pelas Farmacopéias para cinzas sulfatadas. As amostras não foram reincineradas porque a mufla não poderia mais ser aquecida no mesmo dia.

Os valores das pesagens e os cálculos são apresentados a seguir.

 

 

Peso do Cadinho vazio

Peso do cadinho + amostra

Peso do cadinho + amostra incinerados

Amostra 1

32.1077 g

33.1069 g

32.1081 g

Amostra 2

29.5579 g

30.5569 g

29.5591 g

Amostra 3

27.2261 g

28.2257 g

27.2272 g

1) Determinação do peso inicial da amostra

 

Cadinho vazio

Cadinho + Amostra

Peso Amostra

Amostra 1

32.1077 g

32.9992 g

0.9992 g

Amostra 2

29.5579 g

30.5569 g

0.9990 g

Amostra 3

27.2261 g

28.2257 g

0.9996 g

 

2) Determinação da média dos pesos iniciais da amostra

0.9992 g + 0.9990 g + 0.9996 g = 0.9993 g
3

3) Determinação do peso da amostra incinerada

 

Peso cadinho vazio

Peso cadinho + amostra incinerados

Peso amostra incinerada

Amostra 1

32.1077 g

32.1081 g

0.0004 g

Amostra 2

29.5579 g

29.5591 g

0.0012 g

Amostra 3

27.2261 g

27.2272 g

0.0011 g

4) Determinação da média do peso das amostras incinerados

0.0004 g + 0.0012 g + 0.0011 g = 0.0009 g
3

5) Determinação do percentual de cinzas sulfatadas

0.9993 g - 100%

0.0009 g - X

X = 0.09 %

A média dos percentuais de cinzas sulfatadas das amostras é de 0.09%. A Farmacopéia Britânica determina um máximo de 0.2%, enquanto que as Farmacopéias Brasileira e Americana determinam um máximo de 0,1%. A média das amostras encontram-se dentro das especificações de todas as três Farmacopéias.

 

PERDA POR DESSECAÇÃO:

Como a determinação de cinzas sulfatadas, a determinação da perda por dessecação foi feita em triplicata.

Pesou-se três pesa-filtros vazios. Foram, então pesados com as amostras (1 g de Tiabendazol aproximadamente em cada pesa-filtro). As amostras foram submetidas à estufa, sob a temperatura de 105o C por três horas. Foi determinada a primeira pesagem. As amostras voltaram à estufa por mais 1,5 horas. Foi determinada a segunda pesagem. As amostras ficaram mais 1,5 horas na estufa. Foi determinada a terceira pesagem, onde constatou-se peso constante.

Os valores das pesagens e os cálculos são mostrados a seguir.

 

Pesa-filtro vazio

Pesa-filtro + amostra

Pesa-filtro / 1a pesagem

Pesa-filtro / 2a pesagem

Pesa-filtro / 3a pesagem

Amostra 1

91.8780 g

92.8776 g

92.8776 g

92.8681 g

92.8680 g

Amostra 2

93.2743 g

93.2728 g

93.2641 g

93.2641 g

93.2640 g

Amostra 3

94.0690 g

94.0692 g

94.0680 g

94.0570 g

94.0570 g

 

1) Média dos Valores dos Pesa-filtros + amostra

92.8782 g + 93.2743 g + 94.0692 g = 93.4073 g

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