Dificuldade Escolar

Autor:
Instituição: UFMG / FM
Tema: Comportamento

DIFICULDADE ESCOLAR


Pediatra:

  • Primeiro profissional procurado mediante dificuldade escolar;
  • Necessidade de articulação com outros profissionais
  • Não basta formular diagnóstico, mas deve-se identificar os pontos fortes da criança e a partir daí trabalhar os sintomas, e/ou atuar sobre as causas.


FATORES QUE INTERFEREM NA VIDA ESCOLAR

1-) Na Criança:

Transtorno de Ajustamento: resposta a estresse agudo, pouca duração.

Cursa com reação depressiva, medo, preocupação e/ou mudanças na conduta (agressividade, roubo, mentira), além de fenômenos regressivos.

Transtornos Emocionais: Duração prolongada sem fator estressante detectável.

Manifestações Clínicas: medo, timidez excessiva, retraimento social, infelicidade, atitudes manipulativas e rivalidade e ciúmes dos irmãos. Pode haver somatização (cefaléia, tosse recorrente, dor abdominal ou de membros), além de irritabilidade.

Na escola: mutismo, recusa escolar, ansiedade de separação.

Retardo Mental: Condição em que o desenvolvimento da mente está incompleto ou é interrompido. Pode ocorrer com ou sem outro retardo mental ou físico. (CID 10).

Retardo Mental Leve: pode ser percebido apenas quando a criança passa a freqüentar a escola; Caracteriza-se por lentidão geral do desenvolvimento e não por uma dificuldade específica. Mais comum nas classes de baixo nível sócio-econômico-cultural (estimulação insuficiente). Pode ser diagnosticado pelo pediatra através do teste de Denver (análise do motor fino e grosseiro, socialização e linguagem).

Transtornos da Fala e Linguagem: causa desconhecida, não é devido a retardo mental. Dificuldade nas articulações das palavras, omissões e substituições de consoantes.

Transtornos Específicos do Desenvolvimento de Habilidades: Originados de anormalidades no processo cognitivo que derivam de algum tipo de disfunção biológica. (CID 10).

Dislexia: transtorno específico de leitura. Leitura adequada requer funções oculares (controle para não pular letras e linhas) e cerebrais intactas, assim como integração cortical. Uso simultâneo de percepção visual e espacial (discriminação de formas, discernimento esquerdo-direito), sequenciamento, etc.

A inteligência é normal. Na adolescência pode ocorrer aprendizagem lenta de língua estrangeira e pouco prazer na leitura.

Tratamento: As habilidades de leitura podem ser adquiridas com tempo e esforço suficiente. Ambiente de aprendizagem livre de críticas e apoio dos pais (ouvir leitura diariamente) são essenciais.

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade: Períodos curtos de atenção, impulsividade e hiperatividade. Maior freqüência no sexo masculino. A criança, durante o recreio, jogos, etc, exibe atividade como as outras crianças, mas têm dificuldade em atividades estruturadas, sala de aula, etc. Dificuldade em persistir em atividades, impulsividade, baixo limiar à frustração e propensão a acidentes A criança explora o ambiente impulsivamente, podendo envolver-se em acidentes. Ocorre destrutividade sem raiva. A impulsividade aumenta com o aumento dos estímulos emocionais e/ou sensoriais (salas cheias, locais barulhentos).

Atividade motora permanece aumentada durante o sono, sugerindo que a atenção não é a área central ou primária do déficit. Relação com transtornos de humor, ansiedade a alcoolismo em parentes biológicos.

Diagnóstico: geralmente é feito no início das atividades escolares, quando ocorre maior exigência de que a criança permaneça quieta por período maior de tempo e comparação com outras crianças, mas a hiperatividade já se caracteriza desde o período intra-útero (excesso de chutes), e pré-escolar.

Tratamento: Comportamental: reduzir estimulação. Primar por espaços silenciosos, quarto com mobília simples e cores suaves, encorajar jogos educativos com quebra-cabeça, evitar festas e lugares cheios.

Salas de aula com classe menor e recreio supervisionado, sendo que nem sempre necessita escola especial.

Medicamentoso: Tricíclicos

Transtornos de Conduta: padrão repetitivo e persistente de conduta anti-social (roubo, mentira, gazeta, agressividade, etc). Desenvolvimento cognitivo e moral mais baixo, condição nutricional deficiente, comportamento homicida dirigido principalmente contra os pais. Transtorno de aprendizagem, humor (mal-humor, raiva impulsiva), falta de senso para relações causa-consequência, inclusive com relação ao próprio comportamento, defesas patológicas (evitação, mentira, negação), desconfiança, paranóia, dificuldade de relacionar com profissionais. Mais comum em meninos. Podem ser estritos ou não ao ambiente familiar. A criança pode ter bom relacionamento social ou isolamento.

Fatores associados: relacionamentos familiares insatisfatórios, fracasso escolar, baixo nível sócio-econômico, ambientes psicossociais adversos. Alta incidência de Transtorno de Personalidade Anti-Social na vida adulta.

Delinqüência Sub-cultural: resposta adaptativa à desvantagem social e cultural, negligência parenteral e companhias delinqüentes

Tratamento:Intervenções familiares, prisão breve; apoio social, psicoterapia; Tratamento farmacológico neuroclínico (forte associação com outros transtornos psiquiátricos e neurológicos).

 

Outras Situações:

Problemas com matemática, escrita e organização após 3 anos de escola ou na adolescência.

Crianças super dotadas (currículo inapropriado)

Problemas como desnutrição, parasitose, atraso geral do desenvolvimento, transtorno emocional e/ou de conduta em uma mesma criança, geralmente devido às condições sócio-econômicas desfavoráveis.

2-) Na Escola: Capacitação do professor, interação professor-aluno (discriminações podem abalar essa relação), organização e grau de exigência da escola, participação da família, remuneração do educador.

Salas cheias e heterogêneas, professores pouco capacitados somam-se aos demais problemas das crianças de condições sócio-econômicas desfavoráveis.

Os fatores escolares podem desencadear transtornos, como o de ajustamento.

3-) Na Família:

  • Nível de exigência alto, supervalorizando o rendimento escolar e desconhecendo outras habilidades.
  • Negação da dificuldade escolar (famílias de maior nível intelectual)
  • Pais superprotetores, ansiosos em relação às dificuldades dos filhos.
  • Trabalho infantil (necessidade de complementar rendimento da família).

ABORDAGEM

Exame físico incluindo triagem para acuidade visual e auditiva e avaliação do desenvolvimento.

Encontro entre as equipes de saúde e educação, ocorrendo participação da equipe de saúde na formação das salas de aula, e detectando crianças com atraso geral no desenvolvimento, contribuindo para a formação de classes mais homogêneas.

ASPECTOS PREVENTIVOS

  • Política social
  • Detecção precoce do atraso de desenvolvimento
  • Elaboração trabalho conjunto saúde-educação
  • Intervenção precoce nos transtornos citados acima


Bibliografia:

LEÃO, Ênio et al.. Pediatria Ambulatorial. 3 ed. Belo Horizonte, 1998.

TALBOT, John et al.. Tratado de Psiquiatria.

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