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Histologia da Pele

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Tema: Histologia da Pele

Histologia da Pele


Introdução

A pele é o maior órgão do corpo humano. Ela consiste em duas camadas de origens diferentes, que se encontram firmemente aderidas uma à outra. A camada externa é o EPITÉLIO estratificado escamoso queratinizado, derivado do ecto-derma. O mesmo não possui vasos sangüíneos e, em conseqüência deve ser nutrido por líquido tissular originário da Segunda e mais interna camada da pele, a qual consiste em tecido conjuntivo, de origem mesenquimal e que possui vasos sangüíneos: a derme.

A porção mais profunda da epiderme consiste em células epiteliais vivas, que proliferam durante todo o período de vida. Como resultado, as células epiteliais estão continuamente sendo levadas para a superfície, e à medida que as mesmas se afastam de sua fonte de nutrientes (a derme), morrem e transformam-se em material endurecido, a queratina.

A pele é comumente classificada em dois tipos: espessa e delgada. Esses termos se referem à espessura da epiderme e não da pele. A pele espessa reveste as palmas das mãos e as palmas dos pés; o remanescente do corpo é revestido por pele delgada.

Abaixo da derme existe uma camada de tecido conjuntivo mais frouxo; a fáscia superficial, ou hipoderme, a qual, em muitos locais, é em grande parte transformada em tecido adiposo subcutâneo.

O sistema tegumentar desempenha certo número de funções: protege contra lesões físicas, químicas e biológicas; impede a perda de água, serve como um grande receptor para as sensações gerais (dor, pressão, tato, temperatura); protege contra a radiação ultravioleta; converte moléculas precursoras em vitamina D; funciona na regulação térmica; e excreta certas substâncias, através das glândulas sudoríparas. Além disso, certas substâncias hipossolúveis são absorvidas através da pele (propriedade aproveitada na administração de certos agentes hipossolúveis terapêuticos para a pele.

A epiderme está especializada em alguns locais para formar os anexos da pele: pêlos, unhas e glândulas. Suas células produzem a proteína fibrosa, queratina e a melanina (pigmento que protege contra a radiação ultravioleta). A epiderme dá origem às glândulas que produzem uma secreção aquosa, o suor e outra secreção oleosa, o sebo.


1. A derme

A derme é o tecido de sustentação sobre o qual a epiderme se assenta e dentro do qual estão situados os anexos epidérmicos, os suprimentos sangüíneo e nervoso e a drenagem linfática. É composta por:

Cortes na pele, perpendiculares à superfície, revelam numerosas protusões digitiformes de tecido conjuntivo, chamadas papilas dérmicas. Estas papilas projetam-se para a superfície inferior da epiderme situada acima e são completadas por uma série de projeções ou evaginações epidérmicas semelhantes, chamadas cristas epidérmicas ou cristas interpapilares que se projetam para a derme. Na pele espessa, além das papilas dérmicas, estão presentes cristas dérmicas.

Para reforçar a inserção da epiderme ao tecido conjuntivo subjacente, está presente uma série de locais de inserção, os hemidesmossomas.

Duas zonas distintas da derme podem geralmente ser identificadas:

Modificações:

A derme varia tanto em espessura como em componentes, e pode conter faixas de músculos lisos, como por exemplo, o músculo dartos do escroto e os feixes musculares no interior e ao redor dos mamilos.

Na face, as fibras musculares esqueléticas que fazem a expressão facial estão parcialmente localizadas na derme profunda.


2. A epiderme

A epiderme é um epitélio pavimentoso estratificado composto de células de duas linhagens distintas. As células que compreendem a maior parte do epitélio sofrem queratinização e formam as camadas superficiais mortas da pele. Elas são derivadas do equitoderma que reveste o embrião e elas constituem o sistema queratinizante ou de Malpighi. Existem também células nas camadas mais profundas da epiderme que não se queratinizam, mas que são capazes de produzir melanina. No conjunto, essas células compreendem o sistema pigmentar da pele.

As células queratinizadas superficiais da pele são continuamente esfoliadas da superfície e substituídas por outras que surgem a partir da atividade mitótica da camada basal da epiderme. As células aí produzidas são deslocadas para níveis mais altos pela formação de novas células abaixo delas. À medida que se movem para cima, elas elaboram queratina, que se acumula no seu interior até que substitua, em grande parte, todo o citoplasma ativo. Essa célula morre, e seu núcleo, assim como as outras organelas, desaparece. Por fim, ela desprende-se como um resíduo inerte e lamiar de uma célula. Essa seqüência de alterações chama-se CITOMORFOSE da célula de Malpighi.

Na pele espessa, podem ser distinguidas cinco camadas na epiderme. Começando da mais profunda em direção à superfície, há o estrato basal, o estrato espinhoso, o estrato granuloso, o estrato lúcido e o estrato córneo. O estrato lúcido não está presente na pele delgada.

O estrato basal é adjacente à lâmina basal. É chamado também de estrato germinativo por conter células em divisão. O estrato espinhoso possui várias fileiras de células e estas têm prolongamentos espinhosos na superfície. O estrato granuloso é distinguido, porque suas células contém numerosos grânulos chamados de grânulos de querato-hialina. O estrato lúcido, cujas células estão em processo de queratinização avançado, é visível apenas na pele espessa. O estrato córneo é a camada mais superficial.

Têm sido descritas quatro tipos de células e suas proporções variam em relação à espécie e à região do corpo. São elas: queratinócitos, melaniócitos, células de Langerhans e células de Merkel.

A junção entre a derme e a epiderme é uma região importante que mantém as duas camadas unidas e estruturadas de forma a minimizar o risco de ocorrer a separação dermo-epidérmica por forças mecânicas.

2.1. Tipos de células que constituem a epiderme

A epiderme é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso queratizado e ainda apresenta três tipos de células: as melanócitas, as células de Langerhans e as células de Merkel.

No entanto, as células mais numerosas da epiderme são as queratinócitas que se tornam queratinizadas e sintetizam a barreira impermeável à água.

Na camada basal, os queratinócitos apresentam retículo endoplasmático granular, mitocôndrias, complexos de Golgi pouco desenvolvido, ribossomas livres, desmossomas e tonofilamentos.

Na camada espinhosa, segue-se a síntese de tonofilamentos que se agrupam em feixes denominados tonofibrilas. No limite superior dessa camada, os queratinócitos sintetizam grânulos de querato-hialina e corpos lamelares. Nesses corpos lamelares membranosos encontram-se os glicolipídios, formando a barreira impermeável à água.

As células que acumulam grande quantidade de grânulos de querato-hialina constituem a camada granulosa. A queratina é formada a partir da combinação do grânulo de querato hialina e tono fibrila. Durante o processo de queratinização das células da camada granulosa, ocorre a decomposição do núcleo e de outras organelas e o espaçamento da membrana celular. Forma-se, então, a camada córnea, onde ocorre uma descamação regulada das células queratinizadas da superfície.

Outra células presentes na epiderme são os melanócitos que são células especializadas na produção de melanina. A quantidade de melanina produzida determina as nuanças entre o marrom e preto da pele, a oxi-hemoglobina no leito vascular subjacente atribui uma cor vermelha à pele e o caroteno determina uma cor amarelada ao tecido.

Os melanócitos apresentam prolongamentos com complexas ramificações ou ramificações dentríticas e estão localizados na camada basal em contato com os queratinócitos e com a membrana basal.

A melanina é produzida a partir da tirosina em 3,4 - diidroxifenilalanina (DOPA) pela ação da enzima tirosinase que é sintetizada no retículo endoplasmático rugoso do melanócito. Em seguida, a tirosina é transportada para o aparelho de Golgi, dando origem à protirosinase que formará o premelanossoma que gera o melanossoma. Assim, DOPA se transforma em melanina, constituindo o grânulo de melanina que estão presentes nos queratinócitos.

O aumento da pigmentação na pele humana em certos desequilíbrios hormonais caracteriza a doença de Addison. Quando a atividade da tirosinase está ausente, não há produção de melanina caracterizando o albinismo.

A epiderme apresenta um outro tipo de células que são as células de Langerhans. Essas células localizam-se na camada espinhosa da epiderme e caracterizam-se por uma forma nuclear irregular - citoplasma claro, a partir do qual processos citoplasmáticos estendem-se por entre os queratinócitos. No citoplasma dessas células encontram-se grânulos de Birbeck que aparecem como bastonetes. As células de Langerhans recobrem antígenos e são importantes na resposta imune, participando do desencadeamento da hipersensibilidade por contato cutâneo. Ocorre o aumento em número, extensão e complexidade dos processos dendríticos nessas células em muitas doenças inflamatórias crônicas da pele.

Observa-se, também, na camada basal da epiderme, as células de Merkel. Essas células comunicam-se com as células epidérmicas vizinhas através dos desmossomas. Além disso, a base dessas células está em contato com a terminação de uma fibra nervosa, funcionando como um mecanoreceptor. Contudo, podem estar agregadas a discos pilosos localizados abaixo da membrana basal, formando corpúsculos táteis.


3. Inervação

A pele com seus acessórios recebe impulsos do meio externo, sendo, portanto, abundantemente suprido com nervos sensitivos. Além disso, contém nervos aferentes .

No estrato subcutâneo existem feixes nervoso compostos, principalmente, por fibras mulinizadas, mas também por fibras amulínicas que formam plexos. Os ramos originados desse retículo formarão na derme novos plexos delgados, dentre eles, o plexo limite entre as camadas reticular e papilar.

Em todas as camadas da hipoderme existem muitos tipos diferentes de terminações nervosas. São elas:

corpúsculos lamelares (de Voter Poeini) - se apresenta sob a foram de uma terminação nervosa envolta por delgadas camadas de tecido conjuntivo, senão assim classificada como encapsulada. Ela é encontrada na camada profunda da pele ou tecido adiposo subcutâneo da palma da mão e sola do pé.

Essas terminações nervosas detectam pressão e possivelmente vibrações.

corpúsculos tótus (de Mussner) - freqüentes na derme da palma da mão e da planta dos pés.

São estruturas alongadas que se dispõem em algumas papilas dérmicas.

Essas terminações nervosas também são classificadas como encapsuladas, pois são envoltas pelo tecido conjuntivo.

corpúsculo de Krauser - é freqüente na pele, mucosas da boca, órgão genitais.

Apresenta-se como uma dilatação com terminações nervosas ramificadas envoltas por cápsulas conjuntivas.

corpúsculo de Ruffini - é semelhante ao de Krauser, porém, é um pouco mais achatado.

Tanto o corpúsculo de Ruffini quanto de Krauser são responsáveis por funções táteis.

corpúsculo de Merkel - são compostos por uma célula especializada chamada célula de Merkel que está em contato com fibras amulínicas que penetram na membrana basal e terminam em forma de discos na parte inferior das células de Merkel.

Estas células contêm músculos citoplasmáticos próximos às terminações nervosas muito semelhante às vesículas sinópticas.

São receptores de tato que se adaptam lentamente.

As terminações nervosas sensitivas estão provavelmente ligadas às fibras mulinizadas cronioespinhais; as fibras não mulinizadas vão para os vasos sangüíneos, músculos lisos e glândulas.

Há também terminações livres de fibras sensitivas não mulinizadas na epiderme ou próximas a ela.

Os folículos pilosos são envoltos por uma abundante rede de terminações nervosas livres que têm uma função tactil importante.


4. Os Pêlos

Os pêlos são delgados filamentos queratinizados que se desenvolvem a partir de células da matriz de invaginações foliculares do epitélio epidérmico. Eles variam de vários milímetros até 1 metro de comprimento, e de 0,005 a 0,6 mm de espessura. Distribuem-se por todo o corpo exceto nas palmas, solas, porções laterais dos dedos da mão e do pé, superfícies laterais e palmares das mãos e laterais e plantares dos pés, lábio, glande, prepúcio, clitóris, pequenos lábios e superfície interna dos grandes lábios. Em alguns locais, os pêlos são influenciados pelos hormônios sexuais. Por exemplo, no homem e na mulher começam a crescer pêlos espessos e pigmentados na puberdade que formam o bigode e a barba, no caso masculino, e pêlos pubianos e axilares em ambos os casos. A cor dos pêlos é devida a pigmentos de melanina. Os pêlos crescem em ciclos, com períodos de crescimento e repouso. No couro cabeludo humano, por exemplo, a fase de crescimento duras vários anos, enquanto a fase de repouso é da ordem de 3 meses.

4.1. Importância dos pêlos

A espécie humana não possui muitos pêlos, como por exemplo, possuem os primatas. Assim, os pêlos não constituem um fator importante na manutenção da temperatura corporal. No entanto, os folículos pilosos são de extrema importância para o processo de reparação da epiderme lesada por queimaduras e escoriações e os mesmos tornam possíveis os enxertos ou fragmentos de pele, como veremos adiante.

Os pêlos também determinam raças e caracterizam e individualizam cada pessoa. Reconhecem-se 3 tipos principais de cabelos: lisos, ondulados e crespos. O cabelo liso é arredondado em um corte transversal. Um corte transversal de cabelo ondulado é oval, e o do crespo é elíptico ou em forma de rim.

Os pêlos são também importantes no diagnóstico de certas doenças. Por exemplo, quando há desequilíbrios hormonais pode-se encontrar pêlos em locais que deveriam ser desprovidos de pêlos.

Existe uma região em especial do folículo que é de extrema importância , que é a papila dérmica. Ela t6em uma influência indutora na formação do pêlo. Se ela for destruída na vida pós-natal, nenhum pêlo será formado a partir dela.

4.2. Os Folículos pilosos

O folículo piloso é uma invaginação tubular da epiderme, que se estende para a derme e tecido subcutâneo, onde é circundado por tecido conjuntivo. Ele começa sua interiorização no início do 3º mês de vida intra-uterina, inicialmente na região das sobrancelhas e, logo após, em todas as regiões do corpo que serão recobertas por pele delgada. Os folículos pilosos não se formam após o nascimento. No pêlo em repouso, o folículo é relativamente curto, seu epitélio é semelhante ao da superfície e a haste está firmemente presa ao folículo por filamentos de queratina. No pêlo em crescimento o folículo piloso apresenta estrutura peculiar (ver adiante). Dois tipos de queratina podem ser encontrados no folículo piloso; o tipo mole e o duro. A queratina mole recobre a pele de maneira generalizada. A dura é encontrada em anexos da pele, como as unhas, cutícula e córtex dos pêlos do homem. A queratina dura é compacta e não descama, sendo mais duradoura que a mole.

haste do pêlo - formada por três camadas de queratina altamente organizada. Alguns pêlos, porém, só apresentam duas camadas.

A medula do pêlo forma a camada mais interna, composta de células poliédricas densamente agrupadas. As células são grandes e vacuolizadas, e por fim, se queratinizam. A medula não é evidente em pêlos mais delgados. A medula apresenta queratina mole.

A segunda camada concêntrica é denominada córtex do pêlo. As células do córtex apresentam queratina dura e são dispostas compactamente no córtex, constituinte principal da haste, concentra-se a maior parte do pigmento do pêlo.

A camada mais externa forma a cutícula do pêlo. É a camada mais queratinizada. A cutícula apresenta uma única camada de escamas achatadas de queratina, que se sobrepõem de forma altamente organizada. A cutícula está ligada à bainha radicular interna. Esta camada é bem resistente.

Bainhas epiteliais - originam-se das células epiteliais mais periféricas do folículo piloso. São as chamadas: bainha radicular externa e interna.

4.3. Bainha radicular externa

Ela continua com o epitélio da epiderme. Próximo da superfície da pele ela tem todas as camadas epidérmicas da pele fina, sendo revestida por queratina mole. Porém no interior do folículo, a bainha radicular externa torna-se mais delgada, e na base do folículo. Onde a bainha circunda a matriz germinativa, sendo contínua com ela, possui apenas uma camada de células; o estrato basal ou germinativo da epiderme. Na periferia da bainha radicular externa, situa-se a membrana vétria; membrana basal espessa, fortemente cosinófila. Ela é parte da derme, e serve para separar a porção de tecido epitelial do tecido conjuntivo do folículo piloso.

Esse tecido conjuntivo que envolve o folículo piloso apresenta-se mais espesso e chama-se bainha conjuntiva do folículo piloso.

4.4. Bainha radicular interna

As células da matriz do bulbo piloso, em proliferação, além de formarem a haste do pêlo, formam células produtoras de queratina e a bainha radicular interna. Ela circunda o pêlo, separando-o da bainha radicular externa. Se estende até o nível em que as glândulas sebáceas eliminam suas secreções no folículo. É composta por três camadas:

- camada de Henle - camada externa e única de células alongadas.

- camada de Huxley - é mais espessa (até três camadas de células queratinizadas). Presença de grandes grânulos cosinófilos tricohialinos.

Cutícula

- camada interna, consistindo de lâminas de queratina sobrepostas. É contínua com a cutícula da haste do pêlo.

A bainha radicular interna é formada por queratina mole.


5. As Glândulas Sebáceas

As glândulas sebáceas estão distribuídas sobre a superfície da pele, onde esta é fina, não existindo portanto, nas palmas das mãos, sola dos pés e demais regiões onde não há pêlos. Elas variam de 0,2 a 2 mm de diâmetro. Localizam-se na derme e seus ductos excretores abrem-se nos folículos pilosos. Quando várias glândulas estão ligadas a um pêlo, elas se localizam no mesmo nível. Nos lábios, próximo aos cantos da boca, na glande do pênis, prega interna do prepúcio, pequenos lábios e papila mamária, as glândulas sebáceas são independentes dos pêlos e abrem-se diretamente na superfície da pele. Também o fazem, as glândulas meilomianas das pálpebras. As glândulas sebáceas nas junções mucocutâneas são mais superficiais do que as que são associadas com pêlos.

Para que uma glândula sebácea secrete sebo, vários processos ocorrem mais ou menos ao mesmo tempo:

As glândulas sebáceas são do tipo holócrinas, ou seja, morrem ao secretarem seus produtos de excreção.

À medida que um folículo piloso se desenvolve, as células da futura bainha radicular externa do terço superior do folículo crescem para o interior da derme adjacente e diferenciam-se de modo a formar as glândulas sebáceas. Quando elas se formam, seus ductos abrem-se no interior do folículo no local a partir de onde ocorre a proliferação inicial; consequentemente, as glândulas sebáceas lançam sua secreção no interior do terço superior do folículo, abaixo de seu orifício de abertura. Esta porção do folículo é denominada colo.

A maior parte dos folículos pilosos desvia-se da direção perpendicular, de modo que o pêlo inclina-se em uma certa direção. As glândulas sebáceas dispõem-se no lado do folículo em cuja direção o pelo se inclina.

Glândulas Sudoríparas

Existem 2 tipos de glândulas sudoríparas: as écrinas e as apócrinas.

I) Glândulas sudoríparas écrinas

São encontradas disseminadas por toda a pele, exceto em regiões como os lábios e a genitália externa. São particularmente numerosas na testa, no couro cabeludo, axilas palma das mãos e sola dos pés.

Esta glândula é do tipo simples, tubulosa e enovelada. A porção secretora encontra-se profundamente na derme, podendo estar um parte na hipoderme.

A porção glandular possui 3 tipos de células: células mioepiteliais, células claras e células escuras.

O ducto da glândula é formado por epitélio cúbico estratificado (com duas camadas). Ele é enrolado próximo à gl6andula e depois continua-se de forma retilínea em direção à junção dermo-epidérmica, voltando a ser espiralada na epiderme. Existem características que diferem o ducto da porção secretora:

II) Glândulas sudoríparas apócrinas

Estas glândulas desenvolvem-se a partir da mesma invaginação da epiderme que dá origem ao folículo piloso, sendo que o seu ducto se abre num nível acima do ducto da glândula sebácea.

Nos humanos elas estão distribuídas na axila, na aréola, no mamilo da glândula mamária, ao redor do ânus e ao redor da genitália externa. As glândulas ceruminosas do canal auditivo e as glândulas de Moll das pálpebras também são glândulas apócrinas.

Estas glândula são tubulares, enoveladas, do tipo ramificada. Sua porção secretora localiza-se profundamente na derme ou na parte superior da hipoderme. A porção secretora da glândula apócrina difere da porção secretora da glândula écrina:

O ducto da glândula parece com o da glândula écrina, a diferença é que ele se abre no folículo piloso no nível acima do ducto da glândula sebácea.

A secreção da glândula é rica em proteínas. A função desta secreção é desconhecida no homem, mas em vários animais age como delimitador de território e atração sexual. Estas glândulas respondem aos hormônios sexuais e desenvolvem-se na puberdade.


6. As Unhas

Em média, as unhas crescem cerca de 0,5 mm por semana. As unhas dos quirodáctilos (dedos das mãos) crescem mais rapidamente que os dos pododáctilos (dedos dos pés), e ambas apresentam um crescimento mais rápido no verão que no inverno. A velocidade de crescimento das unhas difere nas diversas faixas etárias. O crescimento das unhas pode se encontrar prejudicado em certas enfermidades. Mesmo os distúrbios psicológicos acredita-se que se reflitam no surgimento de pequenas depressões difusas nas unhas. Certas deficiências e excessos hormonais também atuam no crescimento das unhas. As infeções no eponíqueo ou cutícula e ao longo das bordas laterais de unha são comuns. Algumas vezes, para permitir que essas áreas cicatrizem, é necessária remover a raiz da unha. Quando a matriz não é destruída, uma novo unha crescerá a partir do sulco unqueal; no entanto, se a matriz for destruída, não se formará uma nova unha.

Devido ao uso de calçados impróprios, acentua-se a curvatura das unhas dos pododáctilos, que perfuram a derme ao longo de um de seus sulcos laterais. Essa condição é denominada unha encravada.

Desenvolvimento

Próximo ao fim do 3o trimestre de vida fetal, a epiderme que reveste a superfície dorsal da falange terminal de cada quirodáctilo e pododáctilo invade a derme subjacente. A epiderme em proliferação possui a forma de uma lâmina curva que se inclina em direção proximal; mais tarde, a lâmina proliferativa dividi-se de modo a formar o sulco unqueal. As células epidérmicas que constituem a parede mais profunda deste sulco proliferam e tornam-se a matriz da unha. As células da matriz proliferam e as superiores tornam-se a substância da unha, a qual é constituída de queratina dura. Com a contínua proliferação e diferenciação das células na porção inferior da matriz, a unha em formação é empurrada de sulco e desloca-se lentamente ao longo da superfície dorsal do dedo em direção a sua porção distal, ao qual permanece firmemente aderida. Após crescimento suficiente, a margem livre da unha projeta-se além da extremidade distal dos dedos.


7. Estrutura

A unha ou a placa unqueal situa-se sobre o leito unqueal, que é a superfície da pele recoberta por ela. O leito unqueal é composto somente pelas porções mais profundas da epiderme; a unha serve como seu extrato córneo. O leito unqueal é circundado lateral e proximamente pela prega unqueal. A fenda entre a prega e o leito é o sulco unqueal, presente ao longo de cada um dos lados da unha. A porção proximal da placa unqueal, incluída em uma dobra cutânea e oculta no sulco unqueal, é a raiz da unha. A parte visível da placa unqueal é o corpo da unha. As células do leito unqueal situadas sob a raiz da unha constituem a matriz da unha. As células da matriz se dividem, migram para a raiz e, lá, diferenciam-se e produzem a queratina dura. A constante adição de novas células e sua produção de queratina são responsáveis pelo crescimento da unha. Esta, à medida que vai crescendo, "desliza" sobre o leito unqueal. As células mais profundas da matriz da unha são cilíndricas, e nelas pode se observar mitoses. Sobre elas estão 6 a 10 camadas de células cúbicas unidas a outra camada (de 3 a 12 camadas) de células pavimentosas.

A unha é semitransparente e permite que se veja através dela a cor do tecido subjacente, rico em vasos sangüíneos. Próximo à raiz, a unha possui uma cor esbranquiçada. Esta porção, em forma de meia lua é denominada lúnula, recoberta em partes pela porção proximal da prega unqueal. A lúnula é mais bem evidenciada no polegar e geralmente esta ausente no dedo mínimo. A cor esbranquiçada da lúnula, devido ao fato de os capilares sob a mesma não serem visíveis, contrastam com a cor rosada da unha, já que através dela pode se ver os capilares subjacentes.

Em cortes longitudinais a unha aparece estriada. No leito unqueal a derme está unida diretamente ao periósteo da falange. A borda da dobra cutânea que recobre a raiz da unha é chamada eponíquio ou cutícula. O espessamento da epiderme que se une à borda livre da placa unqueal, sob sua superfície inferior, é o hiponíquio.


8. Circulação na Pele

A irrigação sangüínea da pele advém de vasos situados na camada subcutânea. Estes vasos enviam ramos que irão situar-se na derme (camada reticular), formando, então, um plexo (uma rede) cutâneo.

Desta forma, podemos identificar na derme 2 plexos arteriais:

É importante relembrar que não penetram vasos sangüíneos na epiderme. A nutrição desta ocorre através de capilares que se originam da rede subpapilar e vão em direção às papilas de tecido conjuntivo, formando plexos, nutrindo, assim, as células basais da epiderme.

Da rede subpapilar têm origem também os capilares que formam plexos ao redor das glândulas sudorípara e sebáceas.

O folículo piloso possui 3 fontes arteriais:

Existem conexões diretas entre a circulação arterial e venosa (anastomoses arterio-venosas) sem capilares intervenientes. Algumas delas são altamente especializadas e constituem um importante elemento termorregulador.

A termorregulação do homem é realizada através da superfície corporal. Esta regulação é feita de acordo com o grau de abertura de capilares e vênulas da pele.

Se a temperatura exterior encontra-se abaixo da temperatura corporal, a tendência é a luz destes vaso diminuir, evitando, assim, uma grande dissipação de calor para o meio.

Se a temperatura exterior encontra-se acima da temperatura corporal, temos então um aumento da luz dos vasos da pele de modo a fazer com que o sangue circule por mais tempo nesta região e dissipe o máximo de calor possível. Este calor é dissipado graças ao suor que é liberado na pele. Este então evapora e a resfria. O sangue que circula subjacente perde calor para a pele resfriada, mantendo, assim, a temperatura interna constante.


9. Histogênese da Pele e seus Acessórios

9.1. A epiderme :

Tem origem da neuroectoderme (cristas neurais). Durante os 2 primeiros meses, a epiderme é um epitélio de camada dupla:

No início do 3º mês, a epiderme passa a ter 3 camadas. A nova camada intermediária é formada por células poligonais. No fim do 3º mês, nas porções periféricas da camada intermediária, inicia-se a cornificação que leva à formação das camas encontradas no adulto.

A especificidade regional da epiderme foi estudada embriologiamente. Estudos demonstraram que a especificidade adulta da epiderme depende da derme.

Exemplo:

Se a epiderme da orelha cresce juntamente com a derme da sola do pé, teremos o desenvolvimento de pele espessa.

Se a derme da orelha cresce juntamente com a epiderme da sola do pé, teremos o desenvolvimento de pele fina.

A exceção é a língua. Aí a epiderme permanece como epiderme de língua, mesmo quando ela cresce sobre a derme de qualquer outra parte do corpo.

9.2. A Derme e a hipoderme:

Tem origem no mesênquima, onde este diferencia-se em sua camada densa e periférica - a derme - e uma camada frouxa e profunda - o futuro tecido subcutâneo.

9.3. Pêlos:

Aparece ao final do 2º mês, primeiro nas sobrancelhas, queixo e lábio superior.

Na camada profunda da epiderme surgem células cilíndricas em divisão.

Estas crescem para o tecido conjuntivo subjacente, formando um cilindro epitelial que aos poucos vai se alongando - é o germe do pêlo, o primórdio do folículo piloso que aparece. Ele é arredondado e ligeiramente achatado na sua extremidade.

Sob esta extremidade, aparece um acúmulo de tecido conjuntivo condensado.

Desse acúmulo forma-se a papila do pêlo que se projeta para o interior do bulbo (ou germe).

As células epiteliais na superfície dessa papila (invaginação) de tecido conjuntivo representam a matriz do futuro pêlo.

O tecido conjuntivo que circunda o bulbo forma posteriormente a bainha conjuntiva do folículo piloso.

Na superfície do bulbo epitelial piloso surgem duas projeções: a superior formará a glândula sebácea (suas células centrais logo sofrem transformação gordurosa). A protuberância inferior torna-se a inserção do músculo eretor do pêlo no saco piloso.

Na massa do epitélio que forma o primórdio do pêlo, uma camada de células rapidamente se cornifica. A partir daí o pêlo vai crescendo por multiplicação de células da matriz.

9.4. Unhas:

Desenvolvem-se no 3º mês no dorso da falange proximal de cada dedo.

9.5. Glândulas Sudoríparas:

O desenvolvimento delas ocorre independentemente do pêlo. Elas começam a aparecer durante o 5º mês.

Seu início é semelhante aos primórdios dos pêlos.

O brotamento epitelial com um espessamento terminal cresce para o tecido conjuntivo subjacente. Diferindo daquele que circunda o pêlo, o tecido conjuntivo aí não se condensa.

O brotamento gradualmente se alonga, torna-se cilíndrico e sua porção inferior encurva-se formando um novelo.

No 7º mês forma-se uma luz irregular na parte inferior, constituindo a parte secretora. Ao longo do ducto excretor desenvolve-se um outro lúmen, e este se une ao primeiro.

Na porção secretora, o epitélio ao redor do lúmen forma 2 camadas que se diferenciam em uma camada externa de elementos miopteliais e uma camada interna de elementos glandulares.

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