Amálgama Dental

Autor:
Instituição: Unicenp
Tema: Amálgama

Amálgama Dental

 

Introdução

Um amálgama é um tipo especial de liga que contém mercúrio como um de seus constituintes. Como o mercúrio é líquido à temperatura ambiente, pode formar ligas com outros metais que estejam no estado sólido. Essas ligas podem ser classificadas como: ligas ricas em cobre, ligas pobre em cobre, ligas de fase dispersa ou ligas de composição única.

Existem vários fatores que afetam a qualidade das restaurações de amálgama como por exemplo: relação mercúrio:liga, condensação, escultura e acabamento, alterações dimensionais, deterioração marginal, etc.

Esse trabalho visa esclarecer e salientar vários desses pontos e aspectos.


Composição da liga

A especificação N°1 da ADA exige que as ligas de amálgama contenham, predominantemente, prata e estanho. Quantidades não especificadas de outros elementos, como cobre, zinco, ouro e mercúrio, são permitidas em concentrações menores do que o conteúdo de prata e estanho.

Durante a década de 70, muitas ligas de amálgama contendo entre 6 e 30% de cobre foram desenvolvidas. Muitas destas ligas ricas em cobre produzem amálgamas que são superiores em muitos aspectos aos amálgamas tradicionais pobres em cobre. Para produzir o amálgama dental, o mercúrio é misturado com o pó da liga de amálgama. O produto da mistura é uma massa plástica igual à que ocorre na fundição das ligas a temperaturas entre as do liquidus e do solidus. Instrumentos especiais são usados para forçar a massa plástica dentro da cavidade preparada pelo processo conhecido como condensação.

A transformação da mistura pó-mercúrio em uma massa plástica é seguida pela presa e endurecimento do amálgama, quando o mercúrio líquido é consumido na formação de novas fases sólidas.

Fases Metalúrgicas do Amálgama Dental: são designadas pelas letras gregas ? (gama).

A Influência das Fases Ag-Sn sobre as Propriedades do Amálgama: se a concentração de estanho ultrapassa 26,8%, forma-se uma mistura da fase ? com uma fase rica em estanho. A presença da fase rica em estanho aumenta a quantidade da fase estanho-mercúrio formada, quando a liga é amalgamada. A fase estanho-mercúrio não resiste à corrosão e é o componente mais fraco do amálgama dental. Amálgamas de ligas ricas em estanho demonstram menor expansão do que as ligas ricas em prata.


Fabricação do pó da liga

Pó Usinado: as aparas produzidas geralmente têm forma de agulha.

Recozimento para Homogeneização: o lingote fundido de uma liga de prata-estanho contendo grãos não-homogêneos com composição variável. Para restabelecer a relação de equilíbrio de fases, é executado um tratamento térmico homogeneizador.

Tratamentos da Partícula: o tratamento ácido das partículas da liga é há anos uma rotina de fabricação. A função exata deste tratamento não está totalmente compreendida, porém, está relacionada com a dissolução preferencial de componentes específicos da liga. Amálgamas produzidos a partir de pós lavados em ácidos tendem a ser mais reativos que aqueles feitos com pós não-lavados.

Atomização do Pó: o metal liquefeito é atomizado em gotículas esféricas. Estes pós atomizados são chamados de pós esféricos. Estes pós recebem um tratamento térmico que altera os grãos e torna lenta a reação dessas partículas com mercúrio. E são, também, geralmente tratados com ácido.

Tamanho das Partículas: o tamanho médio das partículas dos pós modernos varia entre 15 e 35 micrômetros. A influência mais significativa sobre as propriedades do amálgama se relaciona com a distribuição dos tamanhos das partículas em torno da média. As partículas podem ser classificadas de acordo com os tamanhos e, desta maneira, são misturadas para produzir um pó com uma distribuição de tamanho ótimo. A tendência atual da técnica do amálgama favorece o emprego de partículas com tamanho médio a pequeno, para produzir um endurecimento mais rápido do amálgama com uma resistência inicial maior.

Ligas Usinadas Comparadas com Ligas Atomizadas: amálgamas produzidos de pós usinados ou pós derivados da mistura de limalhas e ligas esféricas tendem a resistir melhor à condensação do que os amálgamas produzidos totalmente de pós esféricos. Ligas esféricas exigem menor mercúrio do que as ligas usinadas típicas porque as ligas esféricas têm uma área de superfície menor por volume do que as ligas usinadas. Amálgama com menos quantidade de mercúrio geralmente tem propriedades melhores.


Amalgamação e estrutura resultante

Ligas Pobres em Cobre: a amalgamação ocorre quando o mercúrio entra em contato com a superfície das partículas da liga de Ag-Sn. O mercúrio se difunde dentro das partículas da liga. O mercúrio tem um limite de solubilidade para a prata e para o estanho. Quando esta solubilidade é ultrapassada, cristais de dois compostos metálicos binários precipitam dentro do mercúrio. Estes são os corpos centrais cúbicos do composto Ag2Hg3 (a fase ?) e o composto hexagonal fechado Sn7-8Hg ( a fase ?2). Por ser menor a solubilidade da prata no mercúrio do que a do estanho, a fase ?1 precipita primeiro que a fase ?2. À medida que o mercúrio desaparece o amálgama cristaliza. Um típico amálgama pobre em cobre é um composto em que as partículas não-consumidas estão presentes nas fases ?1 e ?2.

As propriedades físicas do amálgama endurecido dependem da percentagem relativa das fases microestruturais. As partículas Ag-Sn não-consumidas têm um efeito forte. Quanto mais dessas fases forem retidas na estrutura final, mais resistente será o amálgama. O componente mais fraco é a fase ?2. a alta proporção de fase ? não-consumida não aumenta a resistência do amálgama, a menos que as partículas estejam destinadas à matriz.

Ligas Ricas em Cobre: tem propriedades mecânicas melhoradas, características de corrosão e melhor integridade marginal, em comparação com as ligas tradicionais pobres em cobre.

Ligas de Fase Dispersa: o pó final é uma mistura de pelo menos duas espécies de partículas. Os materiais compostos podem se tornar mais resistentes pela adição de agentes de carga potentes, conferindo rigidez à matriz do amálgama.

Não há uma definição precisa para uma liga de amálgama a ser qualificada com um sistema "rico em cobre", porém em geral aceita-se que é uma formulação onde o ?2 é praticamente eliminado durante as reações de cristalização. Para que isto aconteça, pode ser necessário que haja uma concentração líquida de cobre de pelo menos 12% no pó da liga.

Ligas de Composição Única: diferente dos pós de ligas misturadas, cada partícula desses pós de ligas apresenta a mesma composição química. Os componentes principais das partículas são geralmente prata, cobre e estanho.

A fase indesejável ?2 pode formar-se também nos amálgamas de composição única. Isto é particularmente verdadeiro quando o pó atomizado não foi submetido a tratamento térmico ou quando foi tratado por muito tempo em temperatura muito elevada. Na maioria dos amálgama de composição única, forma-se pouca ou nenhuma fase ?2.


Estabilidade dimensional

Uma variedade de fatos influencia a dimensão inicial sobre a cristalização e a estabilidade dimensional do amálgama no decorrer do tempo.

Alterações Dimensionais: o amálgama pode expandir-se ou contrair-se, dependendo da sua manipulação. Uma contração acentuada pode conduzir à microinfiltração e cárie recidivante. Expansão exagerada pode produzir pressão sobre a polpa e sensibilidade pós-operatória. A protrusão de uma restauração pode resultar também de uma expansão excessiva.

Teoria da Alteração Dimensional: o quadro clássico de alteração dimensional é aquele em que a amostra sofre uma contração inicial cerca de 20 minutos depois do inicio da trituração e, então, começa a se expandir. Quando a liga e o mercúrio são misturados, surge a contração, pois as partículas se dissolvem e cresce a fase ?1. À medida que os cristais ?1 crescem, colidem uns contra os outros. Se as condições estiverem corretas, essa colisão do ?1 pode produzir uma pressão para o exterior tendendo a se opor à contração. Se houver mercúrio líquido suficiente para formar uma matriz plástica, ocorrerá expansão quando os cristais ?1 colidirem.

Efeito da Contaminação por Umidade: alguns amálgamas de fase dispersa continuam a se expandir por 2 anos pelo menos. Esta expansão pode estar relacionada com o desaparecimento de parte ou de toda a fase ?2 nestes amálgamas ricos em cobre ou outras transformações do estado sólido que continuam a ocorrer por períodos prolongados.

Se um amálgama que contenha zinco, for contaminado pela umidade durante a trituração ou condensação, poderá ocorrer uma grande expansão. Esta expansão, geralmente, tem início depois de 3 a 5 dias e pode continuar por meses. Este tipo de expansão é conhecido como tardia ou expansão secundária. A expansão tardia está associada ao zinco do amálgama.


Resistência

Resistência suficiente à fratura é um requisito básico para qualquer material restaurador. A fratura acelera a corrosão e a recidiva de cárie. Os defeitos nas margens estão entre os defeitos nos amálgamas que ocorrem com mais freqüência.

Mensuração da Resistência: a resistência à compressão de um amálgama satisfatória seria de, pelo menos, 310 Mpa. Quando manipulada adequadamente, a maioria dos amálgamas irá exibir uma resistência à compressão acima deste valor. As resistências à tração dos amálgamas ricos em cobre não são significativamente diferentes daquelas dos amálgamas pobres em cobre.

Efeito da Trituração: depende do tipo de liga de amálgama, do tempo de trituração e da velocidade do amalgamador.

Efeito do Conteúdo de Mercúrio: mercúrio suficiente deve ser misturado com a liga para banhar as partículas da liga e permitir uma amalgamação perfeita. Cada partícula da liga deve ser umedecida pelo mercúrio, caso contrário, surge uma mistura seca e granulosa. Esta mistura produz uma superfície rugosa e porosa, que estimula a corrosão. Qualquer excesso de mercúrio deixado na restauração pode produzir uma redução acentuada de resistência. Os amálgamas ricos em cobre estão particularmente enfraquecidos pela presença de uma pequena quantidade de ?2.

Efeito de Condensação: a pressão de condensação, a técnica e a forma da partícula da liga afetam as propriedades dos amálgamas. São necessárias pressões maiores de condensação para minimizar a porosidade e expulsar o mercúrio dos amálgamas de partículas usinadas. Por outro lado, os amálgamas de partículas esféricas condensados com pressão mais suave produzem resistência adequada.

Efeito da Porosidade: a porosidade está relacionada com diversos fatores que, incluindo a plasticidade da mistura. Também diminui com a subtrituração. Para as ligas esféricas, o condensador será simplesmente puncionado através do amálgama, quando são empregadas pressões fortes. Felizmente, os espaços vazios não constituem um problema com esses amálgamas. Desse modo, podem ser usadas pressões mais suaves, sem perigo de prejudicar as propriedades.

Velocidade de Cristalização do Amálgama: os amálgamas não ganham resistência tão rapidamente quanto seria desejado. A resistência à compressão em uma hora, de amálgamas de composição única ricos em cobre, é excepcionalmente alta. A fratura é menos provável. Mesmo quando é usado um amálgama de cristalização rápida, é provável que sua resistência seja inicialmente baixa. Mesmo no final de um período de seis meses, alguns amálgamas podem ainda estar aumentando em resistência. Estas observações sugerem que as alterações entre as fases da matriz e as partículas da liga podem continuar indefinidamente. É duvidoso que as condições de equilíbrio entre elas sejam algum dia alcançadas.


Escoamento

Significado do Escoamento no Desempenho do Amálgama: a taxa de escoamento mostra correlação com a deterioração marginal dos amálgamas convencionais pobres em cobre, isto é, quanto mais alto é o escoamento, maior é o grau de deterioração marginal.

Para os amálgamas ricos em cobre, o escoamento não é necessariamente um bom precursor da fratura marginal. Muitos desses amálgamas apresentam valores de escoamento de 0,4% ou menos. É prudente selecionar uma liga comercial que possua um escoamento abaixo do nível de 3%.

A Influência da Microestrutura sobre o Escoamento: a fase ?1 exerce uma influência fundamental sobre os valores do escoamento com amálgama de baixo conteúdo de cobre. Os valores de escoamento aumentam com frações maiores de ?1 e decrescem com os tamanhos maiores dos grãos de ?1. a presença de ?2 está associada a taxas mais altas de escoamento.

Efeitos das Variáveis de Manipulação sobre o Escoamento: fatores de manipulação minimizam a taxa de escoamento em qualquer tipo de amálgama. As proporções mercúrio:liga devem ser minimizadas; a pressão de condensação deve ser exercida ao máximo nas ligas usinadas ou dispersas, e deve-se prestar muita atenção ao tempo de trituração e condensação.


Desempenho clínico das restaurações de amálgama

O excelente desempenho clínico está ligado à sua tendência para minimizar a infiltração marginal. Na melhor das hipóteses, o amálgama apresenta uma adaptação apenas razoavelmente íntima às paredes da cavidade preparada. Por esta razão, vernizes cavitários são usados para reduzir a infiltração. Quando a restauração é colocada adequadamente, a infiltração decresce à medida que a restauração envelhece na boca. Isto pode ser causado pelos produtos de corrosão que se formam na interface dente/restauração, selando a mesma e impedindo desse modo a infiltração. O acúmulo dos produtos de corrosão é mais lento com as ligas ricas em cobre. A vida limite de uma restauração de amálgama é determinada por alguns fatores: => o material, => o profissional e o assistente, e => o meio bucal do paciente.

Mancha e Corrosão: o grau de manchamento e a descoloração resultante parecem depender muito do meio bucal do indivíduo e da liga em particular empregada.

A corrosão ativa das restaurações recentemente colocadas ocorre na interface dente/restauração. A formação de produtos de corrosão veda gradualmente esse espaço, fazendo do amálgama dental uma restauração auto-selante. Há evidências indiretas de que a fase ?2 implica falha marginal e corrosão ativas nas ligas tradicionais, porém tal correlação não é possível para as ligas ricas em cobre.

Os produtos de corrosão mais comuns encontrados são os óxidos e os cloretos de estanho. São encontrados na interface dente/amálgama e penetrando na massa de restaurações antigas de amálgamas. Deve-se fazer todo o esforço para produzir uma superfície homogênea e lisa na restauração para minimizar as manchas e a corrosão. O processo de corrosão do amálgama pode liberar mercúrio livre, que pode contaminar e enfraquecer uma restauração de ouro. Efeitos biológicos como o galvanismo devem ser evitados.

Efeitos de Composição sobre a Vida Útil da Restauração de Amálgama: os amálgamas ricos em cobre com zinco têm a melhor duração, próximo de 90% em 12 anos. Os amálgamas ricos em cobre sem zinco são os próximos com aproximadamente 80%. O pior desempenho foi exibido pelos amálgamas pobres em cobre sem zinco. Este sistema fracassou em 50%. As razões para essas diferenças vistas na duração não são completamente claras. Todavia, a combinação e os efeitos sinérgicos da adição do cobre e do zinco provavelmente oferecem um aumento da proteção à corrosão nas restaurações.


Fatores que afetam a qualidade das restaurações de amálgama

Uma boa liga para amálgama dental moderna pode ser manipulada de modo que a restauração tenha durabilidade média de 12 a 15 anos. Restaurações que apresentam falhas, na maioria das vezes, estão associadas ao cirurgião-dentista, seu auxiliar, ou ao paciente e não ao material, muito embora o amálgama seja frágil e deve ser manipulado tendo-se em mente esta deficiência. O uso de ligas e técnicas que estimulem a padronização da manipulação e da aplicação do amálgama aumenta a qualidade da restauração final. Todavia parece óbvio que os sistemas de ligas com alto teor de cobre são os preferidos atualmente. Isto se deve à melhoria das propriedades físicas, à eliminação da fase ?2 e à melhor resistência à corrosão que estão associadas a estas ligas, que conduzem a um desempenho clínico superior. Existe apenas um requisito para o mercúrio de uso odontológico: sua pureza.


Relação mercúrio:liga

As ligas disponíveis atualmente são planejadas para a manipulação com relações mercúrio/liga reduzidas. Este método é conhecido como técnica do mercúrio mínimo. A mistura original deve conter uma quantidade de mercúrio suficiente, de modo a proporcionar uma massa coesiva e plástica após a trituração. Porém esta quantidade deve ser baixa, de maneira a conseguir-se um nível aceitável de mercúrio na restauração. O conteúdo de mercúrio em uma restauração terminada deve ser comparável à relação original mercúrio:liga, usualmente da ordem de 50%, podendo ser ainda menor nas ligas com partículas esféricas.

Proporcionamento: a relação recomendada varia com as diferentes composições das ligas, com os tamanhos e formas das partículas e com o tipo de tratamento térmico. A relação mercúrio:liga recomendada para a maioria das ligas modernas em forma de limalha é de 1:1; poderá haver pequenas variações em partes percentuais. Com as ligas esféricas, a quantidade de mercúrio recomendada é de aproximadamente 42%. Independentemente da relação, o proporcionamento é crítico quando se usa a técnica do mercúrio mínimo. Neste caso, se o conteúdo do mercúrio for ligeiramente menor, a mistura ficará seca e granulosa. O uso de pouco mercúrio nas ligas para amálgama com alto teor de cobre aumenta a resistência. Ocorre também a redução da resistência à corrosão.

As cápsulas descartáveis que contêm quantidades pré-proporcionadas de mercúrio e liga são largamente utilizadas atualmente. A despeito do método utilizado, a quantidade apropriada de mercúrio e liga deve ser sempre proporcionada antes de iniciar-se a trituração. A adição do mercúrio após a trituração é contra-indicada.


Trituração mecânica

Originalmente, a liga e o mercúrio eram misturados utilizando-se um gral e um pistilo. Atualmente, a amalgamação mecânica economiza tempo e padroniza o procedimento.

O objetivo da trituração é propiciar a amalgamação adequada entre o mercúrio e a liga. Um grande número de marcas comerciais de amalgamadores encontra-se disponível no mercado. As cápsulas descartáveis normalmente contêm um pistilo apropriado. Quando a cápsula é presa no amalgamador os braços que prendem a cápsula passam a oscilar em alta velocidade. Encontram-se também cápsulas reutilizáveis, fechadas pro fricção ou rosqueamento. As cápsulas descartáveis nunca devem ser reutilizadas, devido à probabilidade de vazamento ou fratura.

As ligas esféricas necessitam de menos tempo de amalgamação que as em forma de limalha.

Consistência da Mistura: quando a mistura apresenta-se um tanto granulosa pode-se afirmar que está subtriturada. Não apenas a restauração de amálgama obtida a partir desta mistura será frágil, como também a superfície rugosa deixada após a escultura aumentará à suscetibilidade ao manchamento.

Se a trituração for realizada adequadamente, a resistência será máxima e a superfície será lisa, o que possibilitará a maior retenção do brilho após o polimento.


Condensação

O objetivo da condensação é compactar a liga na cavidade preparada de maneira a se obter a maior densidade possível, com uma quantidade de mercúrio suficiente para assegurar uma completa continuidade da fase matriz entre as partículas de liga remanescente. Se este objetivo for conseguido, a resistência do amálgama será aumentada e o escoamento diminuído. Após o término da trituração, a condensação do amálgama deve ser iniciada imediatamente. A maioria das ligas modernas que usam quantidades mínimas de mercúrio endurece com rapidez considerável. Por este motivo, a condensação deve ser a mais rápida possível.

Condensação Manual: o amálgama manipulado nunca deve ser tocado com as mãos. A umidade existente na superfície da pele constitui-se numa fonte de contaminação do amálgama.

Uma vez inserido o incremento de amálgama na cavidade preparada, ele deve ser imediatamente condensado com pressão suficiente para remover os vazios e adaptar o material às paredes da cavidade. Após a condensação de um incremento, sua superfície deve ter uma aparência brilhante.

Pressão de Condensação: quanto menor for o condensador, maior será a pressão exercida sobre o amálgama. Se a ponta do condensador for muito grande, o operador não poderá desenvolver uma pressão de condensação suficiente. A força de condensação deve ser tão grande quanto a liga permitir, de modo a manter o conforto do paciente. Uma das vantagens das ligas esféricas é a de oferecerem uma leve resistência à força de condensação.

Condensação Mecânica: os procedimentos e os princípios são os mesmos aplicados para a condensação manual, incluindo a necessidade do uso de pequenos incrementos de amálgama. Diversos mecanismos provocam uma força do tipo impacto, enquanto outros usam uma vibração rápida.


Escultura e acabamento

Após o amálgama ter sido condensado na cavidade preparada, a restauração é esculpida para reproduzir a anatomia correta do dente. Se a técnica adequada for seguida, o amálgama deverá estar pronto logo após o término da condensação. Após a escultura, a superfície da restauração deve ser alisada. Este processo pode ser feito através de um brunimento. Durante o brunimento, não deve ser exercida uma pressão exagerada. Ainda que as superfícies da restauração tenham sido cuidadosamente acabadas, brunidas e alisadas, elas são rugosas a nível microscópico. Se estes defeitos não forem por um polimento posterior, após o completo endurecimento do amálgama, poderão provocar corrosão. A restauração não estará completa se suas margens não estiverem adequadamente ajustadas e suas superfícies perfeitamente lisas.


Significância clínica da alteração dimensional

Após a condensação do amálgama, ocorre uma variedade de alterações, tanto no nível de microestrutura como no visual. Os amálgamas deterioram e muitos são considerados fracassos eventuais. O cirurgião-dentista deve esperar e observar o tipo de deterioração que ocorre em vários períodos de tempo.

Expansão: existem várias causas para esta expansão. Uma delas é trituração e condensação insuficientes; outra é a expansão tardia em função da contaminação, pela umidade, de amálgamas que contenham zinco, durante a trituração ou a condensação.

Expansão tardia é provavelmente causada pela pressão interna exercida pelo hidrogênio, que é um dos produtos de corrosão entre o zinco do amálgama e a umidade incorporada. A maior expansão começa 4 a 5 dias após a condensação. A expansão tardia do amálgama freqüentemente causa dor intensa. Essa dor pode aparecer de 10 a 12 dias após a inserção da restauração. Sem dúvida, a umidade foi incorporada ao se manipular o amálgama.

Contração: a subtrituração provoca a diminuição da resistência e uma expansão indevida durante o endurecimento. Uma ligeira contração ocorre com muitas ligas para amálgama modernas, quando são adequadamente trituradas.

Virtualmente é impossível detectar-se a abertura de margens em níveis de poucos micrômetros, seja pela visão ou pelo uso de instrumentais.

Ligas de Zinco: é importante que a restauração seja colocada antes que a contaminação por umidade ocorra. A condensação deve ser feita preenchendo-se a cavidade preparada com grandes incrementos, em vez de pequenos. O zinco pode apresentar efeitos indesejáveis, associados à expansão tardia.


Efeitos colaterais do mercúrio

Diversos países estão evitando o uso do amálgama dental devido às preocupações ambientais, bem como aos alegados efeitos colaterais experimentados pelos pacientes.

Alergia: os efeitos colaterais fisiológicos mais prováveis com o uso do amálgama dental são representados pelas dermatites de contato, tais reações são experimentadas por menos de 1% da população tratada. No caso de tal reação ter sido constatada por um alergista ou dermatologista, deve-se utilizar um material alternativo.

Toxicidade: pode existir um perigo real para o cirurgião-dentista ou seu assistente, quando ocorre inalação de vapor de mercúrio durante a manipulação, colocação e remoção do material. O mercúrio da restauração penetra na estrutura dentária e pode ser responsável por uma descoloração subseqüente do dente. O uso de mercúrio radioativo em amálgama de preta também tem revelado que certa quantidade de mercúrio pode até atingir a polpa.

O contato do paciente com o vapor de mercúrio durante a inserção da restauração é breve, e a quantidade total de vapor de mercúrio liberada neste momento é muito pequena para provocar injúrias. O principal risco da equipe odontológica está relacionado com a inalação. O nível máximo de exposição ocupacional considerada segura é de 50 microgramas de mercúrio por metro cúbico de ar durante um dia padrão de trabalho. Gotas muito pequenas de mercúrio contém quantidade suficiente deste elemento que pode saturar o ar existente em um consultório padrão. Todavia, somente poucos casos de intoxicações sérias devidas ao mercúrio têm sido reportadas. Os riscos potenciais do mercúrio podem ser grandemente reduzidos de algumas medidas de precauções.

Influência do Conteúdo de Mercúrio na Qualidade da Restauração: a análise clínica das restaurações indica uma grande variação no conteúdo de mercúrio. A concentração de mercúrio é maior nas áreas marginais (em média 2 a 3%) que no corpo da restauração. Este alto teor de mercúrio nas margens é importante, porque estas áreas são críticas em termos de corrosão, fratura e cárie recorrente. Quanto mais alto o teor de mercúrio, maior será a incidência e a gravidade das falhas que ocorrem com o envelhecimento da restauração.


Deterioração marginal

Os exames de restaurações clínicas permitiram associar o aparecimento de cáries recorrentes à ocorrência de discrepâncias marginais. Muitas dessas restaurações são substituídas como uma medida preventiva. As fraturas marginais das restaurações de amálgama podem ser causadas ou estarem relacionadas com diversos fatores:

Preparo Cavitário Impróprio ou Acabamento Inadequado: se o esmalte sem suporte for deixado nas áreas marginais dos preparos cavitários, a própria estrutura do dente poderá fraturar com o tempo. Deve-se fazer o acabamento das margens, após a escultura, com uma taça mole, para polimento com uma fina pasta profilática. Uma ligeira pressão deve ser utilizada.

Escoamento: se o escoamento de uma liga é indevidamente alto, o potencial de degradação marginal é consideravelmente aumentado. Parece haver uma pequena correlação entre o escoamento e a fratura marginal.

Vários mecanismos podem ser responsáveis pela degradação marginal. O exato mecanismo da fratura marginal e estas propriedades específicas ainda estão sob estudo. É aconselhável selecionar ligas que tenham baixo escoamento e possuam máximo de resistência à corrosão.


Restaurações de amálgamas reparadas

Uma nova mistura de amálgama é condensada contra o material remanescente da restauração antiga. A resistência da união entre o amálgama velho e o novo é importante. A resistência á flexão do amálgama reparado é menor do que a metade daquela conseguida a partir do amálgama que não sofreu reparo. A união entre elas é a região mais fraca.


Conclusão

Nesse trabalho pode-se verificar a importância da qualidade de uma boa liga de amálgama e seu desempenho clínico. As vantagens e desvantagens de se utilizar esse tipo de material em clínica. A importância de uma exata proporção entre liga metálica e mercúrio para se obter corretamente o material sem que haja excesso de mercúrio e assim causar uma possível contaminação da equipe clínica e, por ventura, de um paciente que tenha hipersensibilidade à essa substância. É importante ressaltar também a importância de uma boa condensação e um bom brunimento do material para que não haja uma infiltração na interface dente/liga e que isso possa evoluir para uma cárie.

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