Biossegurança em Odontologia

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Tema: Prática Odontológica

BIOSSEGURANÇA EM ODONTOLOGIA

Governador Valadares

Setembro de 2002


1.0- INTRODUÇÃO

A existência de enfermidades tem aflingido os homens desde as épocas mais remotas e os maiores problemas de saúde estão relacionados com a vida em comunidade. Doenças endêmicas ou epidêmicas estiveram presentes em todas as fases da existência humana, inclusive na antiguidade.

A transmissileilidade de certas doenças foram notadas desde muitos séculos, antes mesmo de saber a sua etiologia. As epidemias, durante milhares, fora, consideradas com julgamento divino, em face das perversidades humanas, sendo essa teoria teúrgica paulatinamente substituída por uma teoria científica, cujos médios e pensadores se orientam pelo mundo natural, embora não estivessem completamente divorciados de aspectos religiosos. Nessa civilização, a medicina não se resume à cura, atentando também para aspectos da higiene.

Na área da saúde, mais especificamente na Odontologia, os cirurgiões-dentistas, auxiliares e pacientes estão diretamente em contato com uma enormidade de microorganismos patogênicos ou não, proveniente desde a flora bucal até o ambiente do consultório, que podem causar e transmitir para a equipe de trabalho e o paciente doenças infect- contagiosas como: simples resfriados, gripes, tuberculose, Aids, hepatite-B, Hepatite-C, herpes, entre outras.

Com a preocupação de controlar as infecções cruzadas dentro do ambiente do consultório odontológico, ambulatórios, policlínicas e salas cirúrgicas é necessário o emprego de medidas de biossegurança.

Com todo o processo de conscientização das normas de biossegurança, ainda estamos no começo, e este trabalho visa colaborar com acadêmicos e profissionais como uma fonte prática de aprendizado e consulta, para a realização de uma Odontologia moderna, preventiva e efetiva no controle de infecções.


2.0- O QUE É BIOSSEGURANÇA?

O conjunto de estudos e procedimentos que visam a evitar ou controlar os eventuais problemas suscitados por pesquisas biológicas com ou por suas aplicações.


3.0- HISTÓRICO SOBRE A BIOSSEGURANÇA

Historicamente o tema Biossegurança era realizada de forma desintegrada e estava ligado a pontos específicos da atuação profissional, como infecção, ergonomia e segurança do trabalho, apesar de não existir ainda tal denominação.

Com o passar do tempo tal situação foi sendo modificada e novos conceitos foram sendo agregados, surgindo então, o tema Biossegurança.

Hoje, tem-se um panorama bem diferente, onde o assunto é discutido por diferentes segmentos de atuação do ser humano.

Dos muitos pontos que estão sofrendo modificação, a segurança tem sido, certamente, o mais discutido, polêmico e que mais atenção tem recebido por parte da comunidade científica, da sociedade em geral e das empresas do ramo, que muito tem investido nesta área. Atualmente todos os esforços são empregados em segurança, o que resulta em melhora considerável no padrão de qualidade.


4.0- IMPORTÂNCIA DA BIOSSEGURANÇA NA ODONTOLOGIA

A importância da Biossegurança na Odontologia é necessária tanto para o profissional quanto para o paciente, pois, ambos estão expostos a várias contaminações, infecções, etc. O código de proteção e defesa do consumidor, estabelece que um dos direitos básicos do consumidor é a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos por práticas no fornecimento de produtos e serviços.

Hoje é de responsabilidade do cirurgião dentista a orientação da equipe e a manutenção do controle de infecção na prática Odontológica, pois algumas doenças infecciosas tem maior possibilidade de serem encontradas no consultório Odontológico, a saber, herpes simples, hepatite, Aids, conjuntivite herpítica rubeíola, pneumonia, tuberculose, etc.


5.0- RICOS DE CONTAMINAÇÃO

1) Em princípio tem-se que trabalhar como se todos os pacientes fossem transmissores de contaminação;

2) Tem-se duas rotas importantes de transmissão; os aerossóis de motores de alta rotação, turbinas, aparelhos, profilaria, saliva e sangue do paciente;

3) Contato direto com lesões infectadas;

4) A não paramentação correta do profissional e equipe;

5) Esterilização inadequada dos instrumentais;

6) Reutilização de materiais descartáveis;

7) Não desinfecção ou desinfecção incorreta do ambiente;

8) Vacina incorreta;

9) Não remoção do material e lixo contaminado e/ou acondicionamento incorreto deste lixo;

10) Anamnese incorreta.

5.1.- Riscos de contaminação, universo dos microorganismos

Em ambiente clínico, tanto o profissional, quanto sua equipe, e próprio paciente, estão sujeitos à presença de uma enorme variedade de microorganismos.

Foi partindo deste princípio, que a Biossegurança na área Odontológica, tomou o impulso e a importância necessária.

Hoje sabemos que todo paciente deve ser considerado potencialmente transmissor de doenças, principalmente pelo fato da grande maioria delas, não poder serem identificadas mesmo com um bom levantamento da história médica ( Anamnese ), sendo muitas vezes necessário a realização de exames complementares, que não são realizados de forma rotineira.

Fica portanto, a cargo do profissional e sua equipe, o controle de infecção dentro de seu ambiente de trabalho, principalmente da chamada infecção cruzada que se dá de paciente para paciente.

5.2.- A transmissão de microorganismos pode ocorrer através de:

  • Contato direto com lesões infectadas;
  • Transmissão indireta através de objeto contaminado;
  • Respingo de sangue, saliva ou secreções diretamente sobre a pele e a mucosa;
  • Inalação de microorganismos em suspensão devida aos aerossóis produzidos pelo uso dos equipamentos rotatórios e sônicos, pela tosse, espirro e fala.

5.3.- O controle de infecção na prática Odontológico, deve obedecer a alguns princípios básicos, dentre eles:

  • Os profissionais devem tomar medidas para proteger sua saúde, da equipe e dos pacientes;
  • Os profissionais devem evitar contato direto com a matéria orgânica e materiais tóxicos;
  • Os profissionais devem limitar a propagação de microorganismos;
  • Os profissionais devem coibir a infecção cruzada;
  • Os profissionais devem criar barreiras imunológicas contra doenças infecto-contagiosas, através das vacinas; hepatite B, BCG, tétano, Rubéola (mulheres), Sarampo, Febre amarela, dentre outras.

A Aids tem se mostrado hoje, um grande desafio para os profissionais odontólogos devido em especial, ao longo período de incubação do vírus, no qual o portador mostra-se assintomático, daí a grande importância das medidas de Biossegurança, principalmente quando manipula-se materiais orgânicos. Por esta razão, alguns procedimentos devem ser seguidos na manipulação de dentes extraídos e biópsias.

Ao realizar biópsias, deve-se transportar a peça para um recipiente de paredes duras e bem lacrado.

Dentes extraídos devem ser descartados juntamente com o lixo sólido contaminado.

Embora a Aids, traga maior pânico, os profissionais devem preocupar-se também com a hepatite, principalmente a tipo B.

A hepatite B pode ser transmitida por sangue, saliva, secreção vaginal, sêmen, suor exuldatos úlceras, mucosas, cutâneas e líquidos orgânicos. Além da alta infectividade devido as várias vias de disseminação. O indivíduo doente pode, após a cura, continuar eliminando o vírus pelas mesmas vias do período da doença clínica, tornando-se portador crônico do mesmo.

O vírus da hepatite B (HBV) apresenta-se em concentração alta no sangue de pessoas contaminadas e é muito resistente mesmo em temperatura ambiente, quando fora do organismo hospedeiro, a 20Cº resistente por 15 anos e a 60Cº por cerca de 4 horas, sendo portador um dos vírus mais resistentes, podendo permanecer viável mesmo em instrumental seco por mais de 15 dias. Uma quantidade mínima de sangue como 0,000025 ml pode transmitir o vírus.

Os agentes químicos capazes de inativa- lo são o hipoclorito de sódio a 1%, glutaraldeído a 2% e desinfetantes iodóforos.

Muito pouco se tem especulado sobre outros agentes infectores cuja transmissão pode estar relacionada à prática Odontológica. Estudos realizados sobre a mortalidade e a morbilidade de dentistas indicam uma elevada proporção de mortes violentos casos de cirrose hepática, nefrites e moléstias do Sistema Nervoso Central, além de estarem estes profissionais muito sujeitos a infecções do trato respiratório. Dentistas do sexo feminino apresentam um alto índice de abortos, especialmente de abortos tardios e a mortalidade perimental entre seus filhos apresentou índice superior apresentado pelos demais grupos da mesma classe sócio-econômica.

5.4.- O profissional da saúde na cadeia Epidemiológica

Pelo menos 20 patôgenos podem ser transmitidos através de uma exposição ocupacional ao sangue, abordaremos somente a prevenção da transmissão ocupacional do vírus do imunodeficiência (HIV), do vírus da hepatite B (HBV) e do vírus da herpes simples (VHS).

5.5.- Risco de transmissão ocupacional para o profissional as saúde

Dados de estudos publicados, (10) citam que em um total de 4.867 exposições percutâneas a sangue contaminado pelo HIV, houve soro conversão em 15 profissionais.

Em 1.107 exposições de mucosa, foi observada um caso de soroconversão. O profissional apresentou exposição da mucosa ocular e bucal a sangue contaminado pelo HIV.

Vários fatores podem contribuir para a transmissão ocupacional de HIV após acidente, não havendo, até o momento, estudos conclusivos.

O risco de transmissão ocupacional de hepatite B, após acidente percutâneo e de 30% no caso do paciente ser antígeno "e" positivo. O risco de transmissão após exposição mucocutânea do vírus da hepatite B, a transmissão ambiental tem importância, já que o vírus pode sobreviver por vários dias no meio ambiente.

5.6.- Vacinação contra hepatite B

Para prevenção da hepatite B existem três tipos de vacina com alta eficácia e poucos efeitos colaterais: vacina de plasma e vacina recombinante. O esquema de vacinação inclui uma série de três doses administradas no esquema 0,1 e 6 meses, no músculo deltóide. A proteção conferida a pós a vacinação é em torno de 90%. No momento, é recomendado que todo pessoal da área da saúde, que tenha risco de contato com sangue, seja vacinado.

5.7.- Aids/ Sida

A síndrome de Imunodeficiência Adquirida cujo agente etiológico é o vírus da imunodeficiência humana HIV, caracteriza-se por imunodepressão que resulta principalmente da infecção e destruição de linfócitos T4, que são as células que comandaram a resposta a resposta imune do organismo. Infecções oportunistas e neoplasias poderão ocorrer caracterizando a doença. A Aids/Sida já é considerada por alguns como uma doença crônica.

Alguns fatores podem contribuir para a diminuição do período de encubação, como o aumento da carga viral pela reexposição do HIV; tipo vírus infectante; doenças sexualmente transmissíveis prévias e precárias qualidade de vida. As manifestações bucais na infecção pelo HIV são comuns como candidíase, herpes e podem representar os primeiros sinais clínicos da doença, por vezes antecedendo as manifestações sistêmicas.

5.8.- Cuidados após exposição ao sangue

Após acidente com sangue, a pele deve ser lavada com água e sabão. O uso de agentes antissépticos e desinfetantes não parece prevenir a transmissão de Aids ou hepatite B.

Em caso de exposição da mucosa, é recomendada a lavagem com água ou solução fisiológica.

Em seguida, o acidente deve ser notificado para que as medidas de profilaria sejam tomadas.

São passíveis de registro os seguintes tipos de acidentes:

  • Ferimentos com objetos perfurocortantes contaminados, ou suspeitos de contaminação por sangue ou outros produtos biológicos humanos.
  • Ferimentos com objetos perfurocortantes não contaminados por sangue ou outros produtos biológicos humanos que abriram a barreira cutânea, podendo permitir sua entrada durante atividade normal.
  • Respingos de sangue ou outros produtos biológicos humanos em mucosas.
  • Contaminação de lesões cutâneas previamente existentes por materiais biológicos humanos.

Após acidente com sangue, testes devem ser realizados para saber se o paciente-fonte é portador de patógeno transmitido pelo sangue. No caso do paciente ser positivo para HIV, o profissional deve ter sua sordologia anti HIV realizada logo após o acidente, seis semanas. Três e seis meses após o acidente.

5.9.- Quimioprofilaria contra vírus HIV

Em caso de exposição ao HIV, não existe nenhuma profilaxia de eficácia comprovada.

Baseado em algumas evidencias de que o uso de quimioprofilaxia pode diminuir o risco de transmissão de HIV após exposição ocupacional, recomenda-se, em determinadas situações, seu uso. A primeira dose deve ser aplicada logo após o acidente e a profilaxia deve se manter por quatro semanas.

Apesar da toxicidade do AZT em pacientes com HIV, não se tem observado toxicidade grave, quando utilizada por curto período de tempo em pessoas saudáveis.

5.10.- Herpes Simples

O herpes simples é um dos sete herpes vírus humanos conhecidos:

  • CMV- citomegalovírus
  • EBV- Epstein-Barr
  • HSV 1,2,6,7- Diferentes subtipos dos vírus herpes simples
  • VZV- Vírus varicela- zoester

O vírus herpes simples tem afinidade para os tecidos derivados do ectoderma, especialmente a pele e as mucosas.

O período de incubação é de dois a doze dias. Existindo duas formas clínicas básicas da infecção:

  • primária- desenvolve-se num indivíduo desprovido de anticorpos que não foi exposto anteriormente à infecção herpética.
  • Recorrente (recidivante)- instala-se num paciente previamente infectado, portador de anticorpos circulantes.

Em ambas as formas a doença se manifesta, em geral, de modo brando, através de vesículas localizadas na pele e nas mucosas.

A penetração do vírus pressupõe a existência de lesões sutis na área de inoculação. Na porta de entrada produz-se, principalmente, uma multiplicação local do vírus com lesões típicas. Segue-se uma disseminação da doença através do sangue. Possivelmente, também pelas vias nervosas.

O vírus herpes simples tem distribuição universal. A infecção afeta cerca de 1 a 2% da população. O único reservatório vírico é o homem. A infecção pode ser transmitida pelo beijo, contato sexual ou objetos de uso pessoal.

As vias indiretas de contágio oferecem um papel irrelevante na transmissão devido à pouca resistência relativa do vírus, frente às influências ambientais (dissecação, temperatura, irradiação solar).


6.0- ESTERILIZAÇÃO E DESIFECÇÃO

Como método biossegurança a esterilização é uma das etapas mais importantes. É conceituada como a destruição total de todas as formas de vida, as quais formas podem ser bactérias, fungos, vírus; na sua forma vegetativa ou mesmo esporulada.

Sabe-se também que para efetiva esterilização é necessário um preparo prévio dos instrumentos, que consiste na sua pré-lavagem ou lavagem.

A lavagem visa facilitar a remoção de partículas impregnadas nas superfície do instrumental e pode ser feita e classificada como lavagem em cubas e ultra-som ou lavagem manual.

6.1.- Lavagem em cubas de ultra-som

A cuba é constituída de osciladores piezoelétricos que têm como efeito básico a cavitação, ou seja, capacidade de liberar gases, que melhoram a limpeza de pequenas partículas inacessíveis na prática de limpeza manual.

6.2.- Lavagem manual

Esse tipo de lavagem é o mais utilizado e consiste em:

  • Mergulhar o instrumental em cubas de plásticos com soluções detergentes não aniônicas, enzimáticas ou desencrostantes, durante o tempo de 2 a 10 minutos;
  • Logo depois é lavado em água corrente sob escovação intensa por unidade;

Obs: como o material encontra-se contaminado, o profissional deve usar equipamentos de segurança individual para manipula-lo, como: gorro, máscara, óculos de proteção, avental e principalmente luvas grossas.

6.3.- Secagem

Após pré-lavagem ou lavagem do material, os instrumentos devem ser secos em:

  • Em secadora de ar frio ou quente;
  • Em estufa, regulada para este fim, em torno de 50 Cº;
  • Por ar comprimido
  • Com pano limpo e seco.

6.4.- Esterilização em autoclave

É o método ideal de esterilização, além de rápido e seguro. Em autoclave emprega-se vapor de água sob pressão, a esterilização ocorre a uma temperatura de 123Cº (sem ebulição), durante 15 a 30 minutos. Luvas, gorros, máscaras, tecido, gaze, algodão, líquidos miscíveis em água, vidrarias, instrumentos de aço inoxidável, principalmente os de também prejudicar o corte.

6.5.- Preparo do instrumental a ser esterilizado

Os instrumentais devem ser lavados e meticulosamente escovados, pois qualquer resíduo deixado nos mesmos irá tornar-se duro e aderente, dificultando sua remoção posterior, assim, após rigorosamente limpos e secos, podem ser acondicionados de duas maneiras: em caixas metálicas ou em pacotes. Quando em pacotes, estes devem ser feitos com um material que permita a passagem do vapor, o mais recomendado é o papel manilha ou craff.

6.6.- Técnicas para esterilização

  • Preparar o aparelho de acordo com as orientações do fabricante e colocar o material, deixando a válvula para escape de ar aberta.
  • Quando o vapor sai de forma intermitente deve-se fechar a válvula, é muito importante que se retire o ar existente no interior da autoclave; caso contrário, não se atingirá a temperatura necessária para esterilização.
  • Quando a temperatura atingir 123Cº, inicia-se a contagem do tempo de esterilização, que é de 15 a 30 minutos.
  • Desligar o aparelho e esperar o ponteiro do manômetro chegar a zero, para não abrir a válvula de escape, pois caso contrário, a água entrará em ebulição.

6.7.- Vantagens do uso de autoclave

  • Curto ciclo de esterilização;
  • Boa penetração;
  • Grande quantidade de material pode ser esterilizada.

6.8.- Desvantagens do uso de autoclave

  • Corrosão de alguns materiais;
  • Embalagens podem ficar úmidas.

6.9.- Esterilização em Forno de Pasteur

É o método através do qual utiliza-se o calor seco, sendo muito empregado para esterilização de instrumentos e materiais odontológicos.

Basicamente, a estufa consiste de uma câmara dotada de um elemento aquecedor elétrico (resistência), que aquece a câmara e seu conteúdo; cometendo também um termostato que regula a temperatura desejada e um orifício na parte superior, que permite a colocação de um termômetro.

A combinação de temperatura/ tempo mais utilizada e recomendada é:

170Cº durante 1 hora (contada a partir do momento que se atinge a temperatura de 170Cº no interior da estufa).

Após preparo do instrumental a ser esterilizado e após limpeza criteriosa do instrumental e secagem, deve-se coloca-lo em caixas metálicas ou embrulhados em papel alumínio.

6.10.- Técnicas para esterilização

  • Colocar o instrumental sem sobrecarregar o forno;
  • Ligar o aparelho, regulando a temperatura para 170Cº, por meio de termostato;
  • Esperar que o aparelho atinja a temperatura desejada, controlando-a sempre através do termômetro, colocando no orifício da parte superior da estufa; nunca confiar na indicação do termostato, porque na maioria das vezes ele não indica a temperatura real, servindo apenas para uma regulagem grosseira;
  • A partir deste momento, iniciar a contagem do tempo;
  • Após o período de esterilização, não abrir imediatamente a porta do aparelho, pois o calor interno é superior ao externo, podendo danificar os materiais, principalmente os de vidro, e ainda levar à combustão e papéis e tecidos.

6.11.- Vantagens do uso da estufa

É eficaz para esterilizar instrumentos de metal, não corrói ou enferruja.

6.12.- Desvantagens do uso da estufa

  • Requer um longo tempo;
  • Pequena penetração;
  • Pode descolorir ou queimar papel e tecidos.

6.13.- Esterilização por meios químicos

São consideradas esporicidas:

  • Glutaraldeído a 2% se usado por no mínimo 10 horas;
  • Óxidos de etileno

6.14.- Desvantagens

  • Corrosão dos instrumentais;
  • Odor das soluções;
  • Ser irritantes;
  • Descoloração das superfícies.

6.15.- Desinfecção

Na prática, desinfecção é um processo que produz o número de microorganismos; seu objetivo é o de evitar a possibilidade de disseminação de agentes patogênicos. Porém em um ambiente ou material altamente contaminado, após o processo de desinfecção, os esporos ainda podem estar presentes.

De acordo com FANTINATO e cols (1990) a Divisão Nacional de Vigilância Sanitária de Saneantes dominossanitários (DISAD), tem sob sua supervisão a regulamentação do uso de desinfetantes e detergentes liberou alguns produtos que apresentaram resultados satisfatórios, dentre eles:

6.15.1.- Fenóis Sintéticos

Indicados para desinfecção de artigos semi-críticos, pelo período de 60 minutos para aqueles não passíveis à esterilização, e para desinfecção de pisos e paredes, com tempo de contato de 30 minutos. Ex: Duplofen 7%, Marcofen 3%, Tersyl 6%.

6.15.2.- Hipocloreto de Sodio

O hipoclorito de sódio, como desinfetantes, pode ser usado em solução aquosa a 1% (10000 ppm); para artigos semi- críticos o tempo de contato é de 60 minutos de imersão, sendo nestas condições, ativo contra o vírus da hepatite B e da AIDS, podendo ser indicado para desinfecção de instrumentos não metálicos. Para desinfecção de superfícies fixas (pisos, paredes e bancadas), usar a mesma concentração, com n tempo de exposição recomendado de 30 minutos. Pode ser usada a água sanitária existente no comércio, que apresenta concentração entre 2,5 e 5% de hipoclorito de sódio, podendo ser diluída no momento de uso, com uma parte de água sanitária em 2 partes de água. Este preparo só devera ser guardado por 6 horas e em amotolias de cor âmbar. Outros produtos comerciais já prontos no mercado são: 1,5% FURP, Marchoride, Milton.

6.15.3.- Glutaraldeído

Para ser considerado esterilizante químico e por conseguinte eliminar esporos, o glutaraldeído precisa ter a concentração ideal de 2% e ser usados em artigos críticos em imersão por 10 horas, o que em contrapartida, provoca a corrosão dos metais, principalmente se usado metais diferentes num mesmo recipiente. No mercado as duas marcas esterelizantes de glutaraldeído são: cidex e cidex long life.

Como desinfetantes devem ser usados puros (sem diluição) com tempo de exposição de 30 minutos. Porém são potencialmente perigosos devido à capacidade mutagênica, sendo recomendados em circunstâncias especiais usando luvas e retirando os objetos mergulhados com pinças. Deve ser usado apenas para imersão e nunca para desinfecção de superfícies lisas. Depois de diluído, o glutaraldeído tem duração de 14 a 28 dias e se apresentar-se turvo deve ser desprezado.

6.15.4.- Álcoois

São os mais utilizados nas clínicas do Cenbios, juntamente com o hipoclorito, sendo utilizado a 77%, ou seja, o álcool etílico comercial, a 96% diluído em 3 partes de álcool para uma parte de água destilada. É empregado como desinfetante não atuando contra os microorganismos gram-negativos. Bacilos da tuberculose, e alguns vírus (hepatite B), embora seja efeito contra o vírus da Aids. Deve ser usado com ficção sobre a superfície a ser infectado, num único sentido e por no mínimo dois minutos, sendo o ideal 6 minutos (aplicados com intervalo de 30 segundos a cada dois minutos de ficção interrupta).

6.15.5.- Iodosfóros

Usados na concentração de 2% em água para uso na mucosa bucal, ou 2% em álcool etílico 70% para uso na pele. Como desinfetante é preparado na concentração de 2%, em isopropanol a 50% e temos também o iodo + polivinil (PVP-1) que a 10% é bactericida, fungicida, virucida e tricomonicida.


7.0- CONCEITOS

7.1.- Esterilização

É o processo em que todos os microorganismos são completamente eliminados (vírus, bactérias, esporos), sendo aplicada em instrumentais.

No que se refere à organização do trabalho e esterilização pode ser feita a nível central, de clínica ou ambulatório ou na própria sala de tratamento. Na esterilização central é necessário o transporte do material para a unidade central esterilizada onde os instrumentos são tratados empacotados, esterilizados e devolvidos. Cuidados especiais devem existir tanto no transporte de material contaminado como no material esterilizado. Pessoal treinado para todas as fases do processo é característica desse método.

7.2.- Desinfecção

É o processo que destrói grande parte dos microorganismos patogênicos, sem atingir necessariamente os esporos, sendo aplicada em pisos, paredes, móveis e equipamentos odontológicos.

Nunca é demais lembrar que desinfecção não pode ser confundida com esterilização, pois é um procedimento que diminui o risco de infecção por diminuir o número de microorganismos infecciosos sem eliminar todos os microorganismos do instrumento. Desinfetantes são compostos químicos e, portanto, podem ser tóxicos irritantes e/ ou corrosivos devendo ser selecionados de acordo com o material que se pretende desinfetar.

7.3.- Antissepsia

É a eliminação das formas vegetativas de bactérias patogênicas de um tecido vivo, ou seja, de seres animados, sendo aplicados sobre a pele, mãos e gengivas.

7.4.- Assepsia

É o método empregado para impedir que determinado meio seja contaminado. Sendo este meio isento de bactérias, chamado asséptico.

7.5.- Infecção cruzada

É a infecção ocasionada pela transmissão de microorganismos de um paciente a outro indivíduo, geralmente pelo paciente ou fômito.


8.0-PARAMENTAÇÃO INDIVIDUAL OU EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

8.1.- Gorro

O gorro é utilizado obrigatoriamente pelo cirurgião dentista, auxiliar e paciente durante qualquer procedimento odontológico.

8.2.- Óculos de proteção

Os óculos de proteção são especiais para utilização do cirurgião dentista, sua auxiliar e paciente, por essa razão a equipe deve ter mais de um par de óculos para as atividades.

8.3.- Máscara

A máscara é a principal medida de proteção às vias aéreas superiores. As máscaras devem apresentar algumas características peculiares ao seu uso e modo de ação:

  • Ser confortável;
  • Ter boa adaptação;
  • Não tocar nos lábios e ponta do nariz;
  • Não ser irritante;
  • Não ter odor;
  • Ser descartável.

As máscaras devem ser eficientes na filtração de partículas e microorganismos e os profissionais devem solicitar ao fabricante o potencial de filtração da máscara.

Os materiais mais utilizados na confecção de máscaras são: algodão, fibra sintética, papel, espuma e fibra de vidro. Dentre esses, segundo pesquisas, os de maior capacidade de filtração são confeccionados por fibra de vidro.

8.4.- Luvas

As luvas são indispensáveis em procedimentos clínicos, cirúrgicos e laboratoriais como a melhor barreira mecânica para as mãos do cirurgião- dentista e assistente.

A utilização de luvas pelo cirurgião- dentista está progredindo de acordo com a conscientização das normas de biossegurança. Segundo alguns, o uso das luvas tira a sensibilidade e agilidade no trabalho, porém não existem trabalhos que comprovem diferença no tempo e na qualidade do procedimento operatório.

As luvas podem ser de vários tipos: comerciais, não estéreis, sobre- luvas e estéreis.

8.5.- Avental

8.5.1.- Avental não cirúrgico e calça

O avental não cirúrgico e a calça são itens importantes da paramentação do cirurgião- dentista e auxiliares em todos os procedimentos operatórios. Podem ser confeccionados em algodão ou polipropileno, de preferência na cor branca, que possibilita boa visualização das sujidades.

8.5.2.- Avental cirúrgico estéril

São utilizados especialmente em procedimentos críticos, como por exemplo em cirurgias (exodontias, periodontia, entre outras).

8.6.- Sapatilhas

As sapatilhas são confeccionadas de algodão, polipropileno ou ainda de plástico. Podem ter qualquer cor, solado duplo ou ainda de couro. São obrigatórias em procedimentos críticos e facultativos para procedimentos semi- críticos.

8.7.- Outras barreiras mecânicas – campo cirúrgico de mesa

esse tipo de campo deve ser grosso e resistente, podendo ser confeccionado de tecidos de algodão e polipropileno, de modo a recobrir com folga toda a mesa cirúrgica e mesas auxiliares.

8.8.- Campo para o paciente ou campo fenestrado

Esse tipo de campo também pode ser confeccionado de algodão ou polipropileno. Deve medir aproximadamente 1m de largura por 1,5 de comprimento, para cobrir a cabeça do paciente, deixando a área de trabalho exposta e exceder 30 cm a lateral da cadeira Odontológica.

8.9.- Avental plumbífero e protetor de tireóide

Esses acessórios são obrigatoriamente usados em tomadas radiográficas, extremamente importantes para biossegurança do paciente, pois através deles reduz-se o contato de radiações secundárias pelo paciente. O avental plumbífero deve cobrir todo o tórax até a região do baixo abdômen. Já o protetor de tireóide, é colocado em toda a volta do pescoço do ambiente.

O profissional e assistentes devem se proteger atrás de biombos ou paredes preferencialmente revestidos de chumbo, enquanto expostos à radiação.

8.10.- revestimento para o equipamento

Os equipamentos devem ser revestidos com tecido de cor clara, de polipropileno (que oferecem maior grau de impermeabilidade), quando de procedimentos críticos.

Nos procedimento semicríticos, usa- se para revestir filmes plásticos de PVC que devem ser trocados a cada paciente.

Os equipamentos que devem ser revestidos são: cadeira, encosto de cabeça, braços da cadeira, alça do refletor, alça do equipo, as mangueiras em geral, botões de acionamento do refletor e da cadeira.


9.0- DESINFECÇÃO DO CONSULTÓRIO ODONTOLÓGICO

A desinfecção do consultório odontológico, é muito importante no combate aos agentes das doenças no meio ambiente de trabalho. É conceituada como eliminação de microorganismos patogênicos.

A desinfecção é realizada através do uso de desinfetantes, que serão empregados em todos os locais possíveis de ser encontrado microorganismos. Esses agentes desinfetantes podem ser á base e fenóis sintéticos, hipoclorito de sódio, amônios quaternários ou álcoois.

9.1.- Limpeza e desinfecção do piso

A desinfecção do piso deve ser realizada no início do expediente clínico e no final, isso em procedimentos semi- críticos, e também deve ser efetuadas na ocorrência de sujidades aparentes como sangue, pus, muco; em outros procedimentos críticos, a limpeza e desinfecção deve ser efetuada antes e logo depois do término de cada procedimento.

9.2.- Limpeza e desinfecção das paredes

A limpeza e desinfecção das paredes do consultório devem ser realizadas um vez por semana, pois são fontes primárias de infecção, ou sempre que houver sujidades aparentes, sangue, pus ou mucos.

O procedimento é o mesmo que usado para o piso, evitando produtos à base de hipoclorito de sódio, que tem ação corrosiva sobre pinturas.

9.3.- Limpeza e desinfecção das bancadas e armários

São realizados a cada paciente, seja o procedimento crítico ou não. Deve haver limpeza prévia com água e sabão e depois desinfecção com produtos à base de fenol e álcool.

9.4.- Limpeza e desinfecção dos equipamentos

Todas as partes dos equipamentos que durante o procedimento forem tocados pela equipe de trabalho devem ser limpas e desinfetadas:

  • Interruptores – alça do refletor
  • Comandos da cadeira – Seringa tríplice
  • Cuspideira – mangueiras
  • Mesa clínica – braços do mocho
  • Outros

9.5.- Limpeza e desinfecção dos reservatórios de água

Essa desinfecção deve ser feita diariamente com o emprego de uma solução de cloro a 3 ppm (0,3 ml de solução de hipoclorito de sódio a 1%, dilui- se 500 ml de água).

9.6.- Limpeza e desinfecção das mangueiras de água das peças de mão

Os equipamentos odontológicos quando acionados, geralmente apresentam refluxos no sistema de água das peças de mão para cortar a água do spray, mas este refluxo trás desvantagens pois carregam microorganismos para o interior das mangueiras e peças de mão, formando um biofilme bacteriano causador de infecção cruzada.

Esse biofilme bacteriano será eliminado somente quando desinfetadas as mangueiras das peças de mão no intervalo de cada paciente.

A solução usada nessa desinfecção é á base de hipoclorito de sódio a 1% ( 25 ml de hipoclorito de sódio e dilui em 500 ml de água).

Logo após, um fluxo de água deve ser utilizado para a retirada do agente desinfetante.

9.7.- Limpeza e desinfecção de brocas e pontas

As bocas e pontas devem sofrer um processo de limpeza, através de lavagem e secagem, desinfetadas em soluções de glutaraldeído por 30 minutos e em seguida lavadas com água destilada ou álcool 70%. Brocas e pontas usadas em procedimentos críticos devem passar pelo mesmo processo e em seguida esterilizadas, de preferência, por processos de calor úmido (autoclave).

9.8.- A limpeza e desinfecção do isolamento absoluto

Devido ao aumento do uso de isolamento absoluto e para evitar ainda mais a contaminação, as borrachas do isolamento devem ser esterilizadas em autoclave e depois de serem adaptados nos pacientes, realizar antissepsia com PVPI a 10% ou álcool iodado a 70%.

9.9.- Limpeza e desinfecção de campos operatórios

Após o uso devem ser lavados, separados das demais roupas. Deixar de molho em solução de hipoclorito de sódio a 1%, lavar, secar e em seguida esterilizar.

Obs: Todos os procedimentos de limpeza e desinfecção devem ser realizados pelos profissionais com paramentação completa, principalmente usando luvas grossas.


10.0- LIXO

O lixo é um dos fatores mais importantes dentro do consultório odontológico devido à grande variação e materiais utilizados para o exercício da odontologia.

Também está relacionado à riscos à saúde pública e efeitos ecológicos.

10.1.- Lixo geral

o lixo geral é composto por materiais que não apresentam riscos à saúde pública ou meio ambiente (papéis, caixas, plásticos, etc); então necessita de um tratamento individualizado e cuidadoso. Deve ser bem embalado e descartado no final do expediente em local próprio e adequado.

10.2.- Lixo específico para resíduos de amálgama

O amálgama, que contém em sua composição o mercúrio, deve ter um tratamento especial por apresentar efeitos tóxicos. Os resíduos devem ser armazenados em recipientes fechados com tampa, para se evitar a formação e dispersão dos vapores de mercúrio pelo ambiente.

Esses resíduos são descartados ou até reciclados por agentes da saúde e coletores específicos de materiais tóxicos.

10.3.- Lixo patológico

Lixo patológico são rotineiramente constantes no consultório odontológico: são tecidos, órgãos retirados por cirurgias, biópsia. São indicados para esterilização e incineração.

10.4.- Lixo químico

São restos de produtos químicos em geral, como agentes desinfetantes, esterilizantes, soluções fixantes e reveladoras e radiografias. Têm indicação de envasamento em recipientes plásticos resistentes, colocados em lixos hospitalares que serão destinados a lugares específicos como valas sépticas.

10.5.- Lixo infeccioso e farmacêutico

O lixo infeccioso é composto por gases, algodões, pontas de sucção, luvas, máscaras, aventais, todos contaminados com sangue, mucos, secreções, ou seja, contaminados por agentes patogênicos.

O lixo farmacêutico é composto de materiais restauradores, eugenol, cimentos, vernizes, medicamentos de ordem geral.

Tem como indicação, para o descarte, reservatórios de acionamento com os pés e sacos de lixo resistentes de cor branca com inscrição de uma cruz vermelha (lixo hospitalar).

O lixo hospitalar deve ser recolhido por pessoas autorizadas e paramentadas. Seu destino também será a vala séptica.

10.6.- Lixo para materiais perfurocortantes

Os lixos para materiais perfuro- cortantes (lâminas de bisturi, agulhas traumáticas, etc), devem ser separados em embalagens resistentes, caixas com bordas grossas, com inscrições externas de lixo contaminado, ou mesmo colocados em recipientes com os profissionais e assistentes.

São indicados para eliminação e coleta por pessoas indicadas.


11.0- CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS NA CLÍNICA

11.1.- Materiais críticos

Penetram nos tecidos dos pacientes entrando em contato com sangue: perfuro- cortantes.

11.2.- Materiais semi- críticos

Não penetram no tecido do paciente, mas tocam a saliva e eventualmente o sangue: seringa tríplice, canetas, brocas, instrumentos clínicos, moldeiras, dentre outros.

11.3.- Materiais não críticos

Não tocam o sangue, nem saliva, mas podem ser contaminados de forma indireta, através das mãos do operador: Rx, bandejas, armários, telefone, fichas clínicas, refletores, dentre outros.


12.0- ETAPAS DE ATENDIMENTO

12.1.- Durante o atendimento

  • Dispor sobre a mesa auxiliar o instrumento envolto em campo estéril;
  • Visar, sempre que possível, maneiras descartáveis e despreza-los após o uso;
  • Visar dique de borracha sempre que possível desinfetando-o com álcool 77 o GL;
  • O algodão necessário para atendimento, embalado e esterilizado em pequenas porções, deve ser colocado sobre o campo estéril;
  • Todo o atendimento ao paciente deve ser precedido de assepsia intra- oral mediante bochecho durante 1 minuto, com solução de clorexidina 0,12%;
  • Desprezar o primeiro jato de água ou aerossóis, antes de direcioná-los à boca do paciente;
  • Descartar os tubetes de anestésico se não utilizados totalmente;
  • As agulhas, após o uso, devem ser reinseridas em suas respectivas tampas apenas com uma mão, para evitar possíveis perfurações percutâneas ao operado;
  • Se sofrerem algum corte ou perfuração, as luvas devem ser trocadas imediatamente, promover sangramento no local, lavar bem o local com água e sabão e álcool 70ºGL e notificar acidente à CCIO, em impresso próprio;
  • Moldagens e modelos devem ser considerados como contaminados, portanto devem ser lavados e desinfectados com hipoclorito a 1 ou glutaraldeído a 2%, dependendo do material, por imersão ou pelo usos dessas substâncias na forma de spray. Resto de amálgama deverão ser depositados em vidros fechados com água. Ao manipular material de impressão, fazê-lo sempre com proteção de luvas.
  • A manipulação do aparelho de raio- x deve ser feita com uso de sobreluvas.

12.2.- Após atendimento do paciente

Remover as luvas, procurando não tocar na superfície externa e lavar as mãos.

O operador deverá estar utilizando os equipamentos de proteção individual. Nesta etapa, deverá utilizar luvas grossas de borracha de uso doméstico adequadas para este fim.

O instrumento utilizado no procedimento deverá ser processado em área destinada exclusivamente para este fim, sendo submetidos à:

  • Pré- lavagem com detergentes enzimáticos ou sabão de cocô;
  • Escovão manual e enxagüe com água corrente, com escova de cerdas naturais;
  • Secagem em pano limpo;
  • Embalagem adequada (papel Kraff, campos de algodão cru ou caixas metálicas) e o envio a esterilização, devidamente identificado e datado;
  • Após esterilização, estocagem em armário fechado, limpo e seco, com acesso exclusivo dos membros da equipe de saúde bucal.

Todo instrumental perfuro- cortante, após o uso, deverá ser descartado em recipiente de paredes duras, contendo solução de hipoclorito a 1% e rotulado como contaminado .

Os recipientes de materiais contaminados e os sacos plásticos com detritos devem ser hermeticamente vedados e colocados em sacos plásticos maiores, também rotulados de contaminados e recolhidos no final de cada período.


13.0- CONCLUSÃO

Foi necessário o aparecimento de uma doença que apavorasse as pessoas para que a área odontológica tomasse consciência da necessidade da adoção de medidas de biossegurança.

As normas elaboradas devem ser rigorosamente seguidas por toda a equipe Odontológica, relacionando às clínicas. Contudo, a complexidade da prática poderá, eventualmente, resultar na interrupção da cadeia asséptica de infecção.

O emprego adequado dessa normas sugere uma crescente conscientização de todos os envolvidos, para que se identifiquem com esses procedimentos e para que os introduzam em seus hábitos de trabalho de maneira permanente, objetivando promoção de saúde.

A utilização desse combate de infecção mostra-se um procedimento dinâmico e passível de adaptações. Com isso procura-se, num esforço conjunto lograr resultados positivos para aproximar- se cada vez mais de nosso objetivo.


14.0- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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