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Cultivo da Cana-de-A?ar

Autor:
Instituição:
Tema:

UNIVERSIDADE DE UBERABA
GRÉGORI HENRIQUE SOARES
CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR
UBERABA - MG
2007

RESUMO

Como em todo seguimento, o planejamento da colheita começa na escolha da área para plantio, e se tratando do cultivo da cana-de-açúcar não é diferente. Porém, a escolha da área não é a principal tomada de decisão para começar o plantio, mas sim, não menos importante, a escolha das variedades, ou manejo varietal, tendo em vista todas as características edafoclimáticas e tecnológicas de cada área e produtor, respectivamente. A época de plantio é de suma importância também representando a fase onde ocorrem os maiores erros, pois é nessa fase que se desenha todo o ciclo da cultura, tanto no primeiro corte como os cortes subseqüentes. Existem várias práticas culturais que devem ser realizadas durante todo o período vegetativo, tais como: práticas de conservação de solo, enleiramento do palhiço, tríplice operação (subsolagem, adubação e cultivo), aplicação de vinhaça, controle de plantas daninhas (sendo mais realizado através de herbicidas), adubação, calagem, gessagem, irrigação (sendo realizada em áreas que ocorrem estresse hídrico), controle de pragas e doenças e, finalmente, a colheita. Podem ser destacadas como as três fases mais importantes no processo a escolha das variedades, o controle de plantas daninhas e a colheita, que devem receber maior atenção por parte dos envolvidos, claro que as mesmas devem ser realizadas concomitantemente com as demais, para que o processo flua de forma correta. Contudo, não se deve pensar apenas em produtividade e redução de custos. Deve-se pensar também no ganho de sacarose por tonelada de cana, pois os produtores recebem por esse e não por produção o incremento na quantidade produzida auxilia os ganhos dos produtores. As operações detalhadas aqui devem obedecer, acima de tudo, às condições financeiras de cada produtor, não podendo fugir significativamente do orçamento de safra, onde, como futuros gestores, poderemos atuar e realizar esse controle.
Palavras-chave: Cultivo da cana-de-açúcar. Sacarose. Produtividade. Custos.

ABSTRACT

As in all segments, the planning of the harvest starts in the choice of the area for plantation, and if treating to the culture of the sugar cane-of-sugar it is not different. However, the choice of the area is not the main taking of decision to start the plantation, but yes, not less important, the choice of the varieties, or varietal handling, in view of all the of ground and climate, technological characteristics of each area and producer respectively. The time of plantation is of utmost importance also, representing the phase where the biggest errors occur, therefore it is in this phase that if all draws the cycle of the culture, as much in the first cut as the subsequent cuts. Several practical exist cultural that must all be carried through during the vegetative period, such as: practical of conservation of ground, it accumulates of the straw, three operation, application of dejections, control of harmful plants (being more carried through chemically), fertilization, correction of Ph, irrigation (being carried through in areas that occurs water lack), control of plagues and illnesses and, finally, the harvest. The choice of the varieties, the control of harmful plants and the harvest can be detached as the three more important phases in the process, which must receive greater attention on the part from the involved ones, clearly that the same ones must concomitantly be carried through with excessively, so that the process flows of correct form. However, if it does not have to think only about productivity and reduction of costs. It must also be thought about the profit of sugar text for ton of sugar cane, therefore the producers receive for this and not for production, clearly that the increment in the produced amount assists the profits of the producers. The operations detailed here must obey, above all, to the financial conditions of each producer, not being able to run away significantly from the harvest budget, where, as future managers, we will be able to act and to carry through this control.
Word-key: Culture of the sugar cane-of-sugar. Sugar text. Productivity. Costs.

SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO
2.HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA
2.1 HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA NO BRASIL
2.2HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA EM MINAS GERAIS
3.SISTEMA DE PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR
3.1PLANEJAMENTO E ESCOLHA DA ÁREA PARA O CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR
3.2 MANEJO VARIETAL
3.3ÉPOCA DE PLANTIO
3.3.1CANA DE ANO E MEIO
3.3.2CANA DE INVERNO
3.3.3CANA DE ANO
3.4CONSERVAÇÃO E PREPARO DO SOLO
3.5PLANTIO
3.5.1PLANTIO CONVENCIONAL
3.5.2PLANTIO MECANIZADO
3.6TRATOS CULTURAIS
3.6.1CANA PLANTA
3.6.2CANA SOCA
3.7ADUBAÇÃO, CALAGEM E GESSAGEM
3.7.1CALAGEM
3.7.2GESSAGEM
3.7.3ADUBAÇÃO MINERAL
3.7.3.1NITROGÊNIO
3.7.3.2FÓSFORO
3.7.3.3POTÁSSIO
3.7.3.4MICRONUTRIENTES
3.8IRRIGAÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR
3.8.1ASPECTOS AGRONÔMICOS DE IMPORTÂNCIA PARA A IRRIGAÇÃO
3.8.2MÉTODOS DE IRRIGAÇÃO
4.PRINCIPAIS PRAGAS E DOENÇAS DA CANA-DE-AÇÚCAR
4.1PRINCIPAIS DOENÇAS DA CANA-DE-AÇÚCAR
4.1.1MOSAICO
4.1.2CARVÃO
4.1.3RAQUITISMO DA SOQUEIRA
4.1.4PODRIDÃO-VERMELHA
4.1.5FERRUGEM
4.1.6ESCALDADURA-DAS-FOLHAS
4.2PRINCIPAIS PRAGAS DA CANA-DE-AÇÚCAR
4.2.1BROCA-COMUM (Diatraea saccharalis)
4.2.2CIGARRINHA-DAS-RAÍZES (Mahanarva fimbriolata)
4.2.3CUPIM SUBTERRÂNEO (Heterotermes tenuis e Cornitermes cumulans)
4.2.4MIGDOLUS (Migdolus fryans)
4.2.5GORGULHO-DA-CANA (Sphenophorus levis)
5.COLHEITA DA CANA-DE-AÇÚCAR
5.1COLHEITA MANUAL
5.2COLHEITA MECÂNICA
5.3APLICAÇÃO DE MATURADORES
5.4INIBIDORES DE FLORESCIMENTO
6.CONCLUSÕES
7.REFERÊNCIAS

1.INTRODUÇÃO

De um modo geral, o processo produtivo da cultura não compreende tarefas difíceis, porém as mesmas devem ser analisadas de forma mais detalhada quando se pensa em cultivar a cana-de-açúcar. Todos os processos são dependentes, ou seja, cada processo tem um objetivo principal e esse complementa outras tarefas com outros objetivos, portanto, não podem ser analisadas de forma individual.
Esse assunto torna-se de extrema importância, pois, como a região está se tornando em uma das principais regiões sucroalcooleiras e grande parte dos produtores ainda está acostumada com o cultivo de grãos, que havia se tornado a principal economia da população. Os produtores de cana-de-açúcar devem se orientar e buscar informações ao máximo, para entender muito bem o processo produtivo. De forma geral, o processo gerencial do cultivo da cana-de-açúcar é praticamente igual ao de qualquer outra cultura, porém, como toda e qualquer atividade, existem particularidades que devem ser entendidas por todos, não só na parte gerencial, mas também na parte prática, que exige o máximo de conhecimento possível.
O trabalho baseia-se em todas as atividades dentro da porteira da cultura da cana-de-açúcar. O ciclo produtivo da cana-de-açúcar abrange desde a escolha da área para a implantação do canavial até o método e processo de colheita, sendo descritas várias atividades nesse intervalo. O mesmo foi baseado em pesquisas e várias bibliografias, tanto em endereços eletrônicos como em materiais impressos como revistas e livros, sendo todos de autores renomados no setor e tratando de informações muito importantes para o processo destacado.
O objetivo do presente trabalho foi orientar a todos, principalmente aos alunos formandos e produtores, das operações que devem ser realizadas para se obter o sucesso do processo produtivo da cana-de-açúcar. Todas as atividades descritas neste trabalho, se desenvolvidas corretamente, podem levar ao sucesso no que se refere à produção, à produtividade e à quantidade de sacarose por tonelada. Produtores e colaboradores bem informados e orientados podem resultar no sucesso de toda e qualquer atividade, sendo esta a principal ferramenta dos produtores: a informação.

2.HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA

2.1 HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA NO BRASIL

Analisando os dados disponíveis no Ministério da Agricultura (2007), a produção de cana moída na safra 94/95 atingiu 240.867.791 toneladas, seguido de 11.700.465 de açúcar, 12.765.910 m³ de álcool (sendo 2.873.470 m³ de álcool anidro e 9.892.440 m³ de álcool hidratado).
Na safra 00/01 , a produção de cana moída saltou para 254.921.721 toneladas, 16.020.340 toneladas de açúcar e 10.517.535 m³ de álcool (sendo 5.584.730 m³ de álcool anidro e 4.932.805 m³ de álcool hidratado). Os dados da safra 06/07 mostram que a produção de cana moída foi de 428.318.419 toneladas, 30.701.281 toneladas de açúcar e 17.931.651 m³ de álcool (dividindo em 8.077.816 m³ de álcool anidro e 9.853.835 m³ de álcool hidratado). Os números parciais até 1º de agosto de 2007 mostram que foram processadas 190.318.976 toneladas de cana, 11.222.060 toneladas de açúcar e 9.164.109 m³ de álcool (3.468.772 m³ de álcool anidro e 5.695.337 m³ de álcool hidratado) (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2007).
Com base no mesmo autor, podemos ver que a quantidade de cana processada aumentou em 187.450.628 toneladas. Embora a quantidade de açúcar e álcool diminuiu em 478.405 toneladas e 3.601.109 m³ respectivamente.
O Brasil se destaca como país onde o uso do álcool representa parcela no consumo de energia: 13,2% (em t.e.p.) do consumo de energia pelo setor de transporte rodoviário, 40,4% (em gasolina equivalente) do consumo total de combustíveis (NASTARI, 2007).
O mesmo autor afirma que a projeção de demanda doméstica de açúcar no mercado interno até 2013/2014 deverá ser de 11,87 milhões de toneladas, e 27 milhões de toneladas para exportação. No caso do etanol, a demanda interna deverá atingir até 2013/2014, 27,88 bilhões de litros e 7,04 bilhões de litros para a exportação.
Segundo Bacchi (2006), o que tem motivado os produtores de açúcar e álcool é a remuneração atrativa, o que tem, em contrapartida, motivado novos investimentos na indústria canavieira. Até 2010/11, deverão ser implantadas mais de 70 novas fábricas, o que aumentará a produção de cana-de-açúcar na ordem de 180 milhões de toneladas. A alta rentabilidade da atividade sucroalcooleira deve-se principalmente às condições favoráveis de preço do açúcar no cenário internacional, que por sua vez, tem influência sobre o mercado doméstico. Apesar o aumento da produção de álcool e açúcar observada nos últimos três anos, os preços reais desses produtos tendem a apresentar crescimento, isso sugere um aumento na demanda mais que proporcional ao da oferta em período recente. No caso do álcool, o aumento na demanda interna se dá pelo preço favorável deste combustível relativamente ao da gasolina, o que aumenta o consumo de álcool, principalmente pelos automóveis bicombustíveis.

2.2HISTÓRICO DA PRODUÇÃO SUCROALCOOLEIRA EM MINAS GERAIS

Analisando os dados disponíveis no Ministério da Agricultura (2007), a produção de Minas Gerais na safra 94/95 atingiu a quantidade de 9.484.514 toneladas de cana-de-açúcar moída, 449.932 de açúcar e 470.931 m³ de álcool (dividindo-se em 62.778 m³ de álcool anidro e 408.153 m³ de álcool hidratado).
Na safra 00/01 o processamento de cana moída e a produção de açúcar saltaram para 10.711.456 toneladas e 619.704 toneladas respectivamente. A produção de álcool praticamente se manteve estável, passando para 489.196 m³ (sendo 280.392 m³ de álcool anidro e 208.804 m³ de álcool hidratado). Nota-se, nesse primeiro momento, um aumento de 1.226.942 toneladas de cana processada, 169.772 toneladas de açúcar e 18.265 m³ de álcool.
Ainda segundo o autor, os números da safra 06/07, mostram que o processamento de cana-de-açúcar quase que triplicou, saltando para 29.153.432 toneladas, acompanhando o aumento da produção de açúcar, sendo de 1.915.685 toneladas e 1.299.905 m³ de álcool (600.743 m³ de álcool anidro e 699.162 álcool hidratado).
A estatística parcial da safra 07/08 (até 1º de agosto de 2007), mostra que o processamento de cana-de-açúcar atinge 16.616.248 toneladas, 955.681 toneladas açúcar e 721.499 m³ de álcool (260.594 m³ de álcool anidro e 460.905 m³ de álcool hidratado). Analisando os números descritos acima podemos ver que a o processamento de cana aumentou cerca de 19.668.918 toneladas, o que mostra ser um aumento muito significativo. A produção de açúcar e álcool aumentou aproximadamente 1.465.753 toneladas e 828.974 m³ respectivamente (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, 2007).
De acordo com Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Secretaria de Produção e Agroenergia (2007), Minas Gerais está situado na faixa considerada ideal para a produção de biocombustíveis, representado pela Figura 1.


Figura 1 - Vocação para a produção de biocombustíveis.
Fonte: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (2007).

De acordo com Diário do Comércio (2007), o montante de cana-de-açúcar a ser processado nesse ano será dividido em 46% para a produção de açúcar e 54% para a produção de álcool. Pela primeira vez no Estado a safra será mais alcooleira. Nesta safra a produção mineira de açúcar deverá ser de 25,1 milhões de toneladas de açúcar e 18,6 bilhões de litros.

3.SISTEMA DE PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR

A cana-de-açúcar é uma cultura semiperene. Sua implantação e condução reveste-se em grande importância, pois constituem fatores que podem elevar a vida útil do canavial pelo aumento do número de cortes econômicos, proporcionando maiores retornos financeiros ao produtor. Um bom preparo do solo, com o plantio realizado na época recomendada, o uso de mudas sadias oriundas de viveiros, os tratos culturais da cana-planta e da cana-soca no momento adequado, com destaque para o controle de plantas daninhas, constituem práticas importantes para se conseguir boa produtividade na cana-planta (primeiro corte), e nas soqueiras (cortes sbseqüentes) (ANDRADE; ANDRADE, 2007, p. 45-48).
A cultura ocupa uma área de aproximadamente 5 milhões de hectares, com produção em torno de 340 milhões de toneladas de colmos na safra 2001/2002. Os principais produtos gerados através dessa matéria-prima são o açúcar e o álcool. As principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil são a Centro-Sul, com área de 3 a 3,5 milhões de hectares, sendo o estado de São Paulo responsável por 2,5 milhões de há, representando uma produtividade média de 70 toneladas / hectare, e a região Nordeste, sendo responsável pelo cultivo de 1 a 1,5 milhão de hectares, com produtividade média de 55 toneladas / hectare (VITTI; MAZZA, 2002).
O atual momento que vive o setor sucroalcooleiro exige, de todas as pessoas envolvidas no processo, muita competitividade, alta eficiência nas operações e muito cuidado com as decisões que as mesmas tomam na área agrícola (RODRIGUES, 2006).
A nova realidade do mercado exige alta produtividade em menor área plantada, maior teor de açúcar por tonelada e custos competitivos. É impossível administrar uma Empresa sem ter o orçamento anual e um pacote tecnológico atualizado e em melhoria continua. Nessas condições não mais é admitida baixas produtividades nos canaviais.
Ainda segundo o mesmo autor, a evolução tecnológica observada nos últimos anos e a especialização dos profissionais impondo um sistema de gestão mais objetivo levou a quebra de vários tabus e paradigmas. Mas o grande desafio ainda é compatibilizar o aumento de produtividade com a redução de custos. Analisando esses fatos, sabe-se que alternativa mais desafiadora é buscar o aumento de produtividade agrícola, através de adoção de tecnologias, associadas a planejamento, administração e orçamento, ou seja, produzir mais em menor área, buscar o crescimento vertical da lavoura.

3.1PLANEJAMENTO E ESCOLHA DA ÁREA PARA O CULTIVO DA CANA-DE-AÇÚCAR

De uma forma feral, não é simples elaborar estimativas de produtividade para realizar um planejamento. Para o mesmo, são utilizadas planilhas eletrônicas de simulação de produção. Esse sistema depende das estimativas de produção de cada variedade ao longo do seu ciclo. Para se obter esses dados é preciso estimar a produtividade de em cada estádio de corte, em cada ambiente de produção, bem como sua evolução ao longo dos anos e qual o número de cortes economicamente viável, em cada caso (BEAUCLAIR, 2004).
O planejamento das atividades desenvolvidas com a cultura da cana, desde o plantio até a colheita, é uma etapa extremamente importante na sua exploração econômica. O estudo a ser realizado deve analisar todos os componentes de produção, assim como os envolvidos nos custos te implantação de forma sistêmica e sucinta. O resultado dessa análise deverá nortear a eleição de uma série de técnicas a serem utilizadas, com insumos, máquinas e implementos, serviços, variedades a serem escolhidas, dentre outras, além de se finalizar com a elaboração do próprio cronograma físico-financeiro (VITTI; MAZZA, 2002).
Na escolha da área para a implantação do canavial, dois fatores devem ser levados em consideração: o clima e o solo (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Em termos de exigência climática, a cana apresenta uma peculiaridade importante: na fase de brotação, perfilhamento e crescimento vegetativo, exige temperatura média do ar maior que 20°C, sendo a ideal na faixa de 25°C a 30°C, e umidade disponível no solo. Já na fase de maturação, a cana exige temperatura baixas, abaixo de 20°C e/ou déficit hídrico, para que entre em repouso fisiológico e haja um maior acúmulo de sacarose nos colmos (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
A cana de açúcar pode ser cultivada em todo o território de Minas Gerais e parte do polígono da seca, região onde se encontra um maior déficit hídrico, necessitando se fazer irrigação suplementar (CAMARGO et al., 1977).
Ainda pelo mesmo autor, por outro lado, no sul do estado, pode haver ocorrências de geadas, afetando principalmente a cana de ano e meio, que é plantada nos meses de janeiro, fevereiro e março, com idade média de 4 a 5 meses.
De acordo com Andrade (2006), se for uma geada mais fraca, aquela que não atinge o meristema apical, a cana tem capacidade de emitir novas folhas quando a mesma atingir uma condição climática favorável. Se a geada ocorrida for em maior intensidade, atingindo o meristema apical e as folhas, a parte aérea da planta estará completamente comprometida. Entretanto, as gemas encontradas nos rizomas, normalmente, não são afetadas, podendo emitir novos brotos que terão capacidade normal de desenvolvimento, quando as condições climáticas favorecerem.

3.2 MANEJO VARIETAL

Manejo varietal, de forma sucinta é uma estratégia que procura explorar os ganhos gerados da interação genótipo versus ambiente, ou seja, tem como objetivo alocar diferentes cultivares comerciais no ambiente de produção que proporcione o melhor desempenho agrícola (LANDELL, 2007). É o enquadramento da genealogia das variedades inclusive fitossanitárias, das condições de clima e solo ao longo da colheita, do sistema de produção adotado e também da logística de safra. A produção agroindustrial, de uma forma geral, é a soma de vários aspectos determinantes, como variedades, ambientes de produção e interação das variedades nos ambientes (GHELLER, 2007).
No processo de produção da cana-de-açúcar, o plantio é a fase que exige maior investimento e é a mais importante, pois é aqui que se define a época e tipo de colheita, potencial de produtividade, rendimento industrial, etc. Também nessa fase aplicam-se os diversos insumos para alavancar a produção e os lucros e certamente o insumo variedade é o que mais contribui devido ao seu baixo custo. O manejo correto de uma variedade desde sua locação em ambiente adequado até a colheita, passando por todas as demais fases da produção, correção e preparo adequado do solo, fertilização, tratos, etc. contribui significativamente para ganhos de produtividade (BELTRAME, 2005).
Para que se possa implementar uma proposta de manejo varietal integrado, deve-se assumir que no gerenciamento varietal canavieiro, em novas fronteiras de produção, seria tolerável cometer erros, porém não continuar cometendo os mesmo erros e também devem ser removidos alguns paradigmas, como acreditar que haverá uma variedade precoce e rústica; assumir que as variedades precoces existentes são exigentes em solo; explorar os solos de melhor fertilidade no terço inicial da safra, adotar com fidelidade as indicações gerais de alocação varietal em definidos ambientes de produção; sem considerar as condições específicas existentes, notadamente fora da área tradicional canavieira; avaliar a safra pela produtividade agrícola e gerenciar a colheita pelo teor de POL / ATR (GHELLER, 2007).
Existem alguns pensamentos velhos, que acabam levando a erros, por exemplo, não explorar adequadamente o potencial de produção do ambiente; utilizar variedades precoces em solos de melhor variedade; colocar as variedades nos ambientes de produção antes de colocar os ambientes de produção na época mais favorável de corte, perdendo-se oportunidade de otimizar o potencial do ambiente e do retorno da aplicação de resíduos; estabelecer metas ou privilegiar independentemente os valores a serem alcançados em TCH e POL cana/ATR (toneladas de pol./ATR por hectare = toneladas por hectare (TCH) x POL cana (%)); implantação de tecnologia informatizadas com conhecimentos agrícolas desatualizados ou desambientados; buscar a máxima maturação (POL/ATR) numa safra sem olhar para a safra seguinte e, por último e não menos importante, reproduzir, mesmo em regiões novas, procedimentos de avaliação de variedades semelhantes aos empregados nos trabalhos de pesquisa.
Ainda segundo o mesmo autor, pode-se destacar, como possíveis soluções, buscar as variedades que são sucesso nas regiões canavieiras atuais; atentar para as variedades que não estão em utilização intensiva, mas que possam ter uso potencial em diferentes regiões; variedades mais novas, em início de plantio nas regiões tradicionais devem ser tiradas pelas informações das instituições de pesquisas, onde as características agronômicas básicas (como maturação, doenças, brotação das socas, portes, adaptação a diferentes sistemas de corte, floração etc.) já estão configuradas; implantar modelos de desenvolvimento tecnológico local com objetivo de intensificar a exploração da interação genótipos x ambientes, os genótipos já são conhecidos e não mudam e a pesquisa já está finalizada, porém falta a validação, a transferência das informações de pesquisa para a área de produção.
Segundo Gheller (2007), devem ser citados também como possíveis soluções os modelos de desenvolvimento, que são instruídos por técnicas de transferência de tecnologia ou extensão e não por modelos de pesquisa e devem ser implantados com objetivos definidos e criteriosos, pois são muitas as variedades disponíveis; explorar ao máximo o potencial das variedades mais conhecidas, utilizadas e testadas, pois as variedades não envelhecem, não perdem o seu potencial já conhecido salvo por ocorrências sanitárias, o genótipo não muda, o que muda são as condições do ambiente de produção; interpretar criteriosamente as informações da pesquisa, os resultados experimentais de variedades não definem seu uso imediato em áreas intensivas; implantar procedimentos de variedades, inicialmente em maior número e áreas mínimas de propagação e posteriormente em áreas maiores de validação que simultaneamente servem da áreas de expansão de cultivo (nas áreas que precedem a expansão comercial só entram variedades promissoras previamente testadas localmente); e, como uma última solução a ser citada, deixar a pesquisa com materiais novos (clones) para as instituições de pesquisa, mesmo quando elas não atuarem na região ou na própria unidade.
As variedades podem se dividir em variedades estáveis, variedades responsivas e variedades rústicas, podendo ser exemplificadas na Figura 2 (LANDELL, 2007).
a)Variedades estáveis: É uma variedade que responde a uma condição mais favorável de cultivo, mas que também tem bom desempenho em condições desfavoráveis de produção.
b)Variedades responsivas: É aquela que tem grande resposta a uma condição favorável de cultivo, mas que não se adapta a ambientes mais restritivos.
c)Variedades rústicas: É aquela que se adapta a ambientes mais restritivos, mas não apresenta boa resposta a uma condição favorável de cultivo.


Figura 2 - Demonstrativo do TCH das divisões das variedades.
Fonte: LANDELL, 2007.

Assim, pode-se dizer que existem duas estratégias de alocação varietal: a alocação conforme perfil de resposta varietal, que possibilita incorporar as altas respostas dos materiais responsivos, elevando a média agrícola da empresa. O uso de cultivares rústicas pode viabilizar ambientes desfavoráveis, como aqueles com elevado déficit hídrico. E a compensação de perdas, que tem como objetivo atenuar os ambientes mais negativos, com a escolha de ciclo mais favorável ao acumulo de biomassa (LANDELL, 2007).
Na atualidade, está se tornando bastante comum lançar mão da estratégia de compensação de perdas, evitando as de valores elevados (LANDELL, 2007).

3.3ÉPOCA DE PLANTIO

A época de plantio ou estabelecimento dos canaviais e o período de desenvolvimento (cronologia) resultam em distintas designações, limitações e potenciais para a cultura da cana-de-açúcar (VITTI; MAZZA, 2002).
No estado de Minas Gerais, de modo geral, a época de plantio da cana-de-açúcar sem irrigação é nos meses de janeiro a março, na cana de ano e meio, e outubro a novembro, para a cana de ano, mesmas épocas para a região centro-sul (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
De acordo com mesmo autor, a cana de ano e meio brota e seu desenvolvimento inicia-se durante os três meses favoráveis, janeiro a março; permanece em repouso, praticamente sem desenvolver, de abril a agosto; em seguida, durante sete meses, de setembro a março, vegeta com grande intensidade, para entrar no processo de maturação.
Mas a principal época de plantio, sem o uso de irrigação, é o período de janeiro a março, quando se tem a chamada cana de ano e meio, alcançando o primeiro corte em média até 18 meses. Caso tenha irrigação e desde que a temperatura não seja fator limitante, ou seja, menor que 20 ºC, a cana pode ser plantada durante o ano todo (SEBRAE, 2007).

3.3.1CANA DE ANO E MEIO

A cana de ano e meio é mais utilizada do que a cana de ano, principalmente porque, dentre outras vantagens, proporciona escalonamento da colheita e possibilita o corte em maio/junho (variedades de maturação precoce), julho / agosto / setembro (variedades de maturação média e outubro / novembro / dezembro (variedades de maturação tardia). Assim, se uma usina, destilaria ou alambique forem trabalhar no período de maio a dezembro, época de safra, sempre terão cana madura, proporcionando maiores rendimentos (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Conforme pode ser observado nos Quadros 1 e 2, a cana de ano e meio, estabelecida no período de Fevereiro a Maio, será colhida com o maior período cronológico de crescimento, pois, considerando-se o início da safra a partir de Abril do ano seguinte, o tempo de crescimento deverá variar entre 13 e 20 meses, o que justifica a designação ano e meio. Considerando-se um tempo mínimo de crescimento de 12 meses, poderão ser adotadas variedades precoces, médias ou tardias. Ainda em função do elevado tempo de crescimento, em média 15 a 18 meses, ajustam-se solos de fertilidade baixa, média ou alta, já que, mesmo nos solos de menor fertilidade, devido ao elevado tempo de crescimento, adotando-se as devidas correções e adubações, pode-se obter boas produtividades (VITTI; MAZZA, 2002).

Quadro 1  Épocas de plantio para cana de ano e meio, de inverno e de ano.

Fonte: Vitti; Mazza (2002).

Quadro 2  Épocas de plantio para cana de ano e meio.

Fonte: Vitti, Mazza (2002).

3.3.2CANA DE INVERNO

Quanto à cana de inverno, estabelecida aproximadamente no período de final de Maio a Agosto/Setembro, Quadro 3, é assim designada por desenvolver-se em período de ocorrência de menores temperaturas, poderá ser adotada com segurança quando houver disponibilidade de irrigação com água ou resíduos, podendo-se citar esta disponibilidade como sua maior limitação. Com relação às variedades, poderão ser adotadas precoces, médias e tardias. Devem ser ressaltados dois aspectos extremamente positivos na adoção do plantio de inverno: a grande viabilidade financeira e o elevado controle de erosão. A primeira vantagem justifica-se pelo menor período de utilização da terra, 12 a 14 meses, em média, com produtividades elevadas, bastante próximas às produtividades obtidas com o plantio de cana de ano e meio. Lembre-se que tanto a cana de ano e meio como a cana de inverno, ao chegarem as chuvas, no período de Setembro a Novembro, estarão germinadas e perfilhadas e, portanto, prontas para um rápido desenvolvimento nos meses de maior temperatura e precipitação, ou seja, Setembro/Outubro, do ano de plantio, a Maio/Junho, do ano da colheita (VITTI; MAZZA, 2002).

Quadro 3  Épocas de plantio para cana de inverno.

Fonte: Vitti; Mazza (2002).

A segunda e grande vantagem da cana de inverno é o elevado potencial no controle da erosão. Lembre-se que, do preparo do solo, maio/junho, à germinação, perfilhamento e fechamento do canavial, Outubro/Novembro, ocorre baixa incidência de chuvas erosivas. Deverá ser adotada preferencialmente em solos com gradiente textural elevado, com horizonte B textural (ARGILOSOS/ALISSOLOS/LUVISSOLOS  Podzólicos Vermelho-Amarelos), NEOSSOLOS (Litossolos) e CAMBISSOLOS independentemente da fertilidade, todos estes normalmente associados a relevo ondulado e fortemente ondulado. Entenda-se como vantagens comerciais do maior controle da erosão a menor necessidade de investimentos em terraceamentos e outras práticas mecânicas, a sensível redução do assoreamento dos sulcos, do assoreamento de terraços, resultando em melhor estande final e concomitantemente, como vantagens agronômicas, os altos níveis de controle da erosão no ambiente em que se insere a cana cultivada (VITTI; MAZZA, 2002).

3.3.3CANA DE ANO

Finalmente, a cana de ano, estabelecida a partir de Setembro (Quadro 4), ao se iniciar o período de precipitações, caracteriza-se por apresentar uma série de limitações, a saber: devem ser adotadas variedades de precocidade média a tardia ou precoces de rápido crescimento, porém para colheita em meados para final de safra (VITTI; MAZZA, 2002).
Uma das vantagens justifica-se pelo menor período de utilização da terra, 12 a 14 meses, em média, com produtividade elevada bastante próxima à produtividade obtida com o plantio de cana de ano e meio. Outra vantagem da cana de inverno é o elevado potencial no controle da erosão, pois o fechamento do canavial dará entre outubro/novembro, onde se inicia a fase chuvosa e as temperaturas mais quentes do ano, contribuindo para um bom e rápido desenvolvimento da cultura (VITTI et al., 2007).

Quadro 4  Épocas de plantio para cana de ano.

Fonte: Vitti; Mazza (2002).

O plantio de cana de ano, mesmo com o uso de variedades de maturação precoce, não possibilitará colheita no início da safra, pois, as mesmas irão madurar no mês de agosto (meio de safra) (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Os solos a serem adotados deverão caracterizar-se por baixo potencial de erodibilidade, perfis mais uniformes, sem ou com baixo gradiente textural, relevo suavemente ondulado a plano, a exemplo dos Latossolos Argilosos Eutróficos, Terras Roxas Estruturadas Eutróficas, Podzólicos Vermelho-Escuros Eutróficos Argilosos (LATOSSOLOS, NITOSSOLOS e CHERNOSSOLOS), especialmente de elevada saturação por bases. Pelos cronogramas 1 e 2C pode-se verificar que o plantio somente inicia-se após Setembro, estendendo-se no máximo até Novembro. Período este em que a área está sujeita a chuvas mais intensas e as fases de perfilhamento e enfolhamento ainda não ocorreram, o que poderá torná-la extremamente suscetível à erosão/assoreamentos, justificando-se, portanto, a necessidade de ajuste aos solos de maior teor de argila, maior grau de estruturação e menores declividades das áreas (VITTI; MAZZA, 2002).
A exigência de solos de elevada fertilidade justifica-se, já que o período de formação dos colmos deverá iniciar-se a partir de Janeiro, sendo que para desenvolvimento destes cronologicamente haverá disponibilidade de água e temperaturas elevadas de Janeiro a Maio/Julho; portanto 5 a 6 meses, exigindo elevados teores de nutrientes no solo para que sejam alcançadas produtividades apenas razoáveis, raramente superiores a 90-100 t/ha. Saliente-se que a ocorrência de chuvas a partir de Agosto/Setembro pode resultar em ganhos significativos de produtividade para a colheita da cana de ano, se realizada no final de safra (Outubro a Dezembro) (VITTI; MAZZA, 2002).

3.4CONSERVAÇÃO E PREPARO DO SOLO

Para a conservação do solo para a cana-de-açúcar, assim como qualquer cultura, deve-se seguir vários fatores. Dentre eles, seguem os principais que devem ser observados para realizar essa prática com êxito, como tipo de solo, o tipo de corte, se mecânico ou manual; época de plantio e de colheita; o sistema de preparo; o tipo de traçado, se em nível ou reto; a cobertura do solo com outras culturas ou palha; tamanho dos talhões. Uma medida muito adotada pelas usinas nos dias de hoje é o uso de sulcação em nível, associada ou não a terraços, podendo ser associada, também, com outras culturas secundárias, com amendoim, crotalária, soja, etc. em áreas de reforma de canaviais, que mantêm o solo coberto no período de alta precipitação, o que reduz a possibilidade de ocorrência de erosão e atenua os custos de implantação dessa cultura (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
De acordo com Vitti e Mazza (2002), o preparo do solo, numa visão ampla, é o conjunto de práticas a serem realizadas, com o objetivo de eliminar, ou pelo menos minimizar, as condições adversas à obtenção das máximas produtividades econômicas.
Dessa forma, podem ser considerados fatores limitantes a compactação (restrições físicas); baixos teores de nutrientes, excesso de alumínio (restrições químicas), e pragas de solo (restrições biológicas), ou ainda fatores externos com a incidência de plantas daninhas, a própria soqueira a ser formada ou outra cultura anterior.
Ainda segundo os mesmos autores, quando se adota o preparo convencional, os tipos de operações, a época a ser realizada e sua seqüência também são de fundamental importância. Enquadrando-se como objetivo do preparo a redução dos níveis de ervas daninhas perenes, tais como grama seda e tiririca, dentre outras, esta é conseguida nas primeiras fases do preparo do solo (período seco) através de gradagens, ou ainda através do uso de herbicidas de ação sistêmica (em períodos mais úmidos). De forma concomitante, obtém-se a redução dos níveis de infestação de pragas de solo como migdolus e cupins.
Devem-se considerar dois casos distintos no que tange o preparo do solo: o de um terreno que será plantado pela primeira vez com cana e o de um terreno já cultivado com cana (renovação do canavial) (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
No primeiro caso, inicialmente faz-se a limpeza total do terreno, retirando todo e qualquer tipo de cobertura do solo ou restos culturais.
Num sistema convencional, o preparo engloba três fases: na primeira, que coincide com o período seco, será realizado o controle de plantas daninhas de difícil remoção. Na segunda fase, quando iniciam as chuvas , é feita a operação profunda, ou seja, a subsolagem ou aração. Na terceira fase, é feita a fosfatagem, caso seja necessária, e a gradagem de pré-plantio e plantio. Não é recomendada gradagem e aração na época das chuvas, pois isso poderá acarretar numa compactação do solo (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Com base nos mesmos autores, no segundo caso, para a renovação de canaviais, é utilizado arado e grade comum. Uma vez colhida a cana pode-se fazer uma aração, para cortar as raízes e rizomas, trazendo este material para a superfície do solo. Depois disso, é realizada uma gradagem leve para picar o material e incorporá-lo ao solo, facilitando sua decomposição.
Pode-se proceder também a eliminação das soqueiras e incorporam-se os corretivos da fertilidade, tais como calcário, gesso e fosfato, encerrando-se a fase de preparo do solo com as operações de maior profundidade, tais como aração ou subsolagem. Após a aração, recomendada na profundidade de 35 a 40 cm, é aconselhável proceder ao mínimo de gradagens, já que estas podem provocar novamente a compactação na área (VITTI; MAZZA, 2002).

3.5PLANTIO

Seguem as caracterizações dos processos realizados no plantio da cana-de-açúcar.

3.5.1PLANTIO CONVENCIONAL

Para o plantio de cana-de-açúcar no Brasil e em Minas Gerais, ainda é mais utilizado o sistema de plantio convencional, semi-mecanizado, com uma grande demanda de mão-de-obra.
A primeira etapa após o preparo e correção do solo consiste na sulcação. Na maioria das vezes são utilizado sulcadores-adubadores apropriados para a cana-de-açúcar, com duas a três linhas. Na falta de sulcadores específicos, pode se utilizar arado de aiveca ou disco, para se realizar essa operação. Logo após, é realizado a adubação manual (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
De acordo com Sebrae (2007), para plantio convencional, deve-se abrir os sulco o mais próximo possível da época de plantio, para evitar entupimento ou ressecamento. A profundidade dos sulcos deve variar entre 20 cm e 30 cm, para estimular o enraizamento e resistir melhor ao déficit hídrico. Para a cana destinada à indústria, utilizar o espaçamento entre 1,30m e 1,60m. O espaçamento de 1,4m é o mais utilizado, adaptando-se à mecanização. Quando a cana é destinada à alimentação animal, o espaçamento pode ser reduzido a 0,9m a 1,0m, sendo o cultivo utilizado com tração animal ou capina manual. A densidade ideal é de dez a doze gemas por metro linear, utilizando-se o sistema normal de plantio em fila dupla ou internódio curto, no qual a cana é distribuída cruzando sempre a ponta do colmo anterior com o pé do colmo seguinte (pé x ponta).
Segundo Vitti e Mazza (2002), a distribuição das mudas é feita, na maioria das vezes, através de caminhões (Figura 3), porém, podendo ser realizado também através de carretas de tração animal ou tratores. São necessárias de 8 a 10 toneladas de mudas com idade de 12 meses para o plantio de um hectare, sendo transportadas para o local de plantio com a manutenção das folhas, porém despontadas. As folhas possuem a finalidade de proteger as gemas durante o transporte e preferencialmente as mudas devem ser cortadas no mesmo dia de plantio, para evitar, assim, a desidratação das mudas, perdendo a reserva dos entrenós, no qual pode comprometer ou desuniformizar a futura brotação.


Figura 3  Distribuição das mudas através de caminhões.
Fonte: GARCIA 2007.

3.5.2PLANTIO MECANIZADO

O plantio mecanizado da cana-de-açúcar (Figura 4) é pouco utilizado ainda. Tem como vantagem a realização de todas as operações de plantio de uma só vez, sem perdas de umidade nos sulcos. As desvantagens são a maior danificação das gemas, maior falha na brotação, grande número de pessoas envolvidas no plantio e rendimento muito baixo (em torno de dois hectares por dia) (SEBRAE, 2007).


Figura 4  Plantio mecanizado da cana-de-açúcar.
Fonte: DMB MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS, 2006.

O plantio mecanizado, muito mais que uma tendência, é uma necessidade do setor, impulsionado pela expansão da produção para atender a demanda nos próximos anos. O baixo rendimento das operações de plantio, em que um trabalhador planta, em media, 0,24 hectare por dia, justifica o uso do plantio mecanizado (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Já existem fabricantes desses equipamentos de plantio no Brasil. Entretanto, basicamente, têm-se dois tipos de plantadoras de cana-de-açúcar: Plantadora de cana inteira (PCI) e plantadora de cana picada (PCP).
O primeiro tipo, PCI, é um equipamento que utiliza cana inteira e, normalmente, faz o plantio de uma linha de cada vez. Possui um sulcador com regulagem de profundidade e uma adubadora de rosca sem fim (capacidade de 300 kg), que distribui o adubo no fundo do sulco. A alimentação das mudas é feita manualmente por duas pessoas que abastecem as plantadoras com cana inteira, armazenada em uma carreta acoplada atrás da plantadora (capacidade de 3 toneladas de muda); possui um conjunto de facas acionado pela roda da plantadora que pica a cana em toletes (pedaço de 30cm a 40cm) e são uniformemente distribuídos no sulco. A plantadora é equipada também com cobridor, composto por discos côncavos e uma roda compactadora. Assim, numa única operação, fazem-se o sulcamento, a adubação, a distribuição dos toletes e a cobertura, com rendimento médio de 3 hectares por dia. Já existem modelos de plantadoras de duas linhas, com espaçamento regulável de 1,00m a 1,60m, que, por serem mais pesadas, exigem maior potência tratória e podem contribuir para uma maior compactação do solo (ANDRADE; ANDRADE, 2007, p. 47, 48).
O sistema de plantadora PCP utiliza toletes e planta duas linhas de cada vez. A plantadora possui dois sulcadores com regulagem de profundidade, duas adubadoras com capacidade de 450 kg cada, um tanque com capacidade de 400L, com duas saídas para a aplicação de inseticidas sobre os toletes distribuídos nos dois sulcos. Possui ainda dois cobridores dotados de discos côncavos e roda compactadora. Numa única operação, faze-se a sulcação, a adubação de fundo, distribuição dos toletes, aplicação de inseticidas e cobertura dos toletes, com rendimento médio de 1 hectare por hora (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Seguindo os mesmos autores, embora essas plantadoras não causem danos às gemas, é sempre bom aumentar a densidade de gemas por metro linear, trabalhando com uma média de 18 a 20 gemas.

3.6TRATOS CULTURAIS

Para se atingir uma boa produção/produtividade em qualquer canavial, devem ser realizados alguns tratos culturais, que serão detalhados a seguir.

3.6.1CANA PLANTA

O principal trato cultural da cana-planta, sem dúvida, é o controle de plantas daninhas. Existem várias formas de se combater essa infestação (cultural, manual, mecânico e químico), mas qualquer método utilizado, não erradicará as plantas, mas sim irá realizar um controle por um determinado período de tempo (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Como medidas preventivas, destacam-se a utilização de mudas livres de dissemínulas das plantas daninhas; manutenção de canais de vinhaça ou de irrigação livres de plantas daninhas; limpar equipamentos agrícolas; utilizar tortas de filtro ou composto orgânico livre de plantas daninhas; limpar áreas adjacentes, inclusive carreadores que separam os talhões que podem produzir sementes (ANDRADE; ANDRADE, 2007).
Medidas culturais podemos dizer que são: a escolha de variedades adaptadas às condições locais, as quais proporcionam rápido crescimento e ocupação de espaço; espaçamento mais adensado; rotação, sucessão e culturas intercalares (consórcio) que evitam a predominância de determinadas plantas daninhas, facilitando o controle.
A capina manual com enxadas só se torna viável em pequenas propriedades, necessitando aproximadamente 15 homens para realizar a operação. Dependendo do grau de infestação, três capinas são necessárias até que a cana feche e abafe o mato. Capina mecânica, realizada por meio de cultivadores pode ser realizada, mas só uma operação não é suficiente.
Com base nos autores citados acima, a capina química, usando herbicidas, com pulverizadores de barra acoplados ao trator, é o método de controle mais utilizado atualmente.

3.6.2CANA SOCA

Seguem alguns dos principais tratos culturais que são realizados na cana soca (ANDRADE; ANDRADE, 2007):

Enleiramento do palhiço  Após a colheita, restam pontas de cana e folhas laterais, constituindo o palhiço. Então é feito o enleiramento desse palhiço, para facilitar os tratos culturais subseqüentes, por meio de enleiradoras ou ancinhos rotativos acoplados ao trator.
Tríplice operação  Cultivadores específicos são utilizados logo após o enleiramento, nas entrelinhas sem palhiço, fazendo-se a subsolagem, adubação e cultivo simultaneamente numa única passada.
Aplicação de vinhaça  A vinhaça é um composto orgânico líquido, rico em potássio, matéria orgânica e nitrogênio, porém pobre em fósforo e outros nutrientes, sendo mais compatível com as exigências nutricionais das soqueiras, daí sua utilização após cada corte que é dado no canavial, até a dose de 150m³ por hectare.
Controle de plantas daninhas - Após a aplicação da vinhaça nas soqueiras, usam-se herbicidas para o controle das plantas infestantes.
Na combinação das medidas de controle, diversos fatores devem ser considerados, de tal forma a maximizar o controle das plantas daninhas minimizando o efeito dos herbicidas no ambiente como: preparo do solo; reforma, plantio ou soqueira; período residual do herbicida; grupo de plantas daninhas predominantes e o índice de infestação; tipo de solo e matéria orgânica; solubilidade do herbicida; persistência; entre outros (BLANCO, 2007).
A cultura da cana-de-açúcar deve ficar livre de competição de plantas daninhas durante 60 dias após cada corte da mesma. Nesse período, o controle das infestantes deve ser realizado o mais bem feito possível, para que não haja perdas significativas na produção (ANDRADE; ANDRADE, 2007).

3.7ADUBAÇÃO, CALAGEM E GESSAGEM

A produtividade média dos canaviais, incluindo os colmos industrializáveis, as folhas secas e os ponteiros, tem oscilado em torno de 100 toneladas de matéria natural por hectare e esses colmos e esses colmos correspondem a, aproximadamente, 80% dessa massa. Contudo, adotando um manejo adequado de variedades, de calagem e de adubação e de tratos culturais adequados, podem-se alcançar produtividades superiores a 150 toneladas de matéria natural por hectare. Sob irrigação complementar, a produtividade média da cana pode ultrapassar a 200 toneladas anuais de matéria natural por hectare, o que a torna ainda mais competitiva (OLIVEIRA; et al., 2007).
A cana-de-açúcar, por produzir grande quantidade de massa, extrai do solo e acumula na planta grande quantidade de nutrientes. Para uma produção de 120 toneladas de matéria natural por hectare, cerca de 100 colmos industrializáveis, o acúmulo de nutrientes na parte aérea da planta é da ordem de 150, 40, 180, 90, 50 e 40 kg de nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S), respectivamente. No caso de micronutrientes como ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu) e boro (B), os acúmulos na biomassa da parte aérea, também para uma produção de 120 toneladas, são em torno de 8,0; 3,0; 0,6; 0,4; e 0,3 kg, respectivamente.
Portanto, deve-se conhecer capacidade de fornecimento de nutrientes pelo solo, para, se necessário, complementá-la com adubações e, se constatada a presença de elementos em níveis tóxicos, reduzirem seus efeitos através de calagem e gessagem. Normalmente, avaliam-se a disponibilidade de nutrientes e a presença de elementos em níveis tóxicos no solo pela análise química da camada arável. É também de grande valia o histórico da área, sobretudo as adubações realizadas e se houve ou não ocorrência de sintomas de deficiência ou de toxidez nos cultivos anteriores.
Segundo os mesmo autores, para se conhecer a capacidade de fornecimento de nutrientes e a toxidez dos mesmos no solo, deve-se fazer uma análise do solo coletando amostras da área que deverá ser cultivada e enviando a laboratórios. As amostras de solo devem ser retiradas a uma profundidade de 0 a 20 cm e de 20 a 40 cm de profundidade. Os resultados da análise da camada de 0 a 20 cm serão utilizados para calcular a adubação e a calagem e os da camada de 20 a 40 cm, para os cálculos da necessidade de gessagem.
Deve-se dividir a área em unidades homogêneas, levando em consideração, dentre outros, o histórico da área, os tipos de solo, a localização e a topografia, a cobertura vegetal e as adubações anteriores. Independente do material utilizado para amostragem deve-se tomar o cuidado de retirar sempre o mesmo volume de solo em cada amostra simples. Além disso, é necessário percorrer a área em ziguezague, coletando o material ao acaso, em pequenas porções, que devem ser colocadas em recipientes limpos e identificados, para que sejam misturadas, obtendo-se, então, a amostra composta que será analisada. Recomenda-se não retirar amostras próximas a residências, galpões, estradas, estábulos, depósitos de fertilizantes, corretivos e, ainda, em solos encharcados ou sobre os sulcos, onde foram aplicados adubos (OLIVEIRA; et al., 2007).
Para se obter uma amostra composta, devem ser retiradas cerca de 20 a 30 sub-amostras por gleba, sendo esta não podendo ter área superior a 20 hectares (RAIJ; et al., 1997).

3.7.1CALAGEM

Os solos brasileiros são, em sua grande maioria, ácidos, apresentando baixa saturação por cátions básicos, como cálcio, magnésio e potássio. A deficiência de cátions como o cálcio, associados aos teores de alumínio trocável, é prejudicial ao crescimento do sistema radicular e, conseqüentemente, de toda a cana-de-açúcar. O uso de fertilizantes nitrogenados e a remoção de cátions básicos pelas colheitas também podem contribuir para que os solos se apresentem ácidos, motivo por que tem sido prática comum na cultura da cana-de-açúcar a correção do solo (OLIVEIRA; et al., 2007).
Vários materiais podem ser usados para se realizar a correção da acidez do solo, sendo os mais empregados os calcários calcíticos, magnesianos e dolomíticos e os silicatos de cálcio e magnésio, designados escórias de siderurgias.
Ainda nos mesmos autores, em relação à recomendação do corretivo, existem alguns métodos para estimular a necessidade de calagem (NC) a ser aplicada no solo para diminuir sua acidez até um nível desejado. Para a cana-de-açúcar, tem sido recomendado elevar a saturação de bases (V) a 60%.
Podem ser usadas duas fórmulas para o cálculo da quantidade de calcário a ser aplicada (eq.1 e eq.2):

Em que:
NC = Necessidade de calcário expressa em toneladas por hectare;
V = Índice de Saturação de bases;
T = Capacidade de troca de cátions (CTC) a pH 7,0;
PRNT = Poder relativo de neutralização total do corretivo usado (OLIVEIRA; et al., 2007).

Em que:
NC = Necessidade de calcário expressa em toneladas por hectare;
CTC = Capacidade de troca de cátions;
V1 = Índice de saturação de bases do solo;
V2 = Índice de saturação de bases da cultura;
PRNT = Poder relativo de neutralização total do corretivo usado (RAIJ; et al., 1997).

3.7.2GESSAGEM

O gesso agrícola é oriundo da reação entre o ácido sulfúrico e a rocha fosfatada, realizada para produzir o ácido fosfórico. O gesso aplicado no terreno não neutraliza a acidez do solo, mas diminui a saturação de alumínio e aumenta a saturação de bases da superfície, proporcionando condições para maior desenvolvimento e aprofundamento do sistema radicular da cana (OLIVEIRA; et al., 2007).
Recomenda-se aplicar gesso quando se verificarem teores de Ca2+ menores que 4 mmolc/dm³ e/ou saturação por alumínio maior que 40%, na camada de 20 a 40 cm (RAIJ; et al., 1997).
A aplicação de gesso levará à melhoria do ambiente radicular das camadas abaixo da arável, efeito que perdura por vários anos e por esse motivo não é necessária a reaplicação anual de gesso. Em áreas com palhada de cana ou de resíduos orgânicos sobre o solo e, se os teores de Ca2+ não forem muito baixos e/ou saturação por alumínio não for muito alta, a resposta ao gesso poderá ser menor que a esperada (OLIVEIRA; et al., 2007).
Para a cana-de-açúcar, a quantidade de gesso a ser aplicada tem variado de 25% a 30% da necessidade de calagem da camada subsuperficial, multiplicado por um fator de correção de profundidade. Por exemplo: deseja-se a melhoria do ambiente radicular da camada de 20 a 60cm que apresentou necessidade de calagem de 3,0 ton/ha.
Então, a quantidade de gesso é dada por: (OLIVEIRA; et al., 2007).
QG = [(NC x 0,25) x (Prof/20)] (eq. 3)
Em que:
QG = Quantidade de gesso a ser aplicada (ton/ha);
NC = Necessidade de calcário;
Prof. = Profundidade do solo a ser melhorada.
QG = [(3,0 x 0,25) x (60-20) / 20)
QG = 1,5 ton/ha.
Porém, existe outra fórmula que pode ser utilizada para o cálculo da quantidade de gesso a ser aplicada:
Argila (em g/kg) x 6 = kg/ha de gesso a aplicar (RAIJ; et al., 1997).

3.7.3ADUBAÇÃO MINERAL

A adubação mineral da cana baseia-se nos resultados da análise de solo, na camada de 0 a 20 cm e na produtividade que se deseja obter (OLIVEIRA; et al., 2007).
O primeiro passo no planejamento da adubação é saber quais elementos são necessários para o forneci­mento via adubação para a cana-de-açúcar e responder às perguntas: O que? Quanto? Quando? Como? (VITTI, 2001).

3.7.3.1NITROGÊNIO

A adubação nitrogenada é de extrema importância para a cultura da cana-de-açúcar, pois o nitrogênio (N), dentre outras funções, é constituinte das proteínas e dos ácidos nucléicos, sendo esse elemento, juntamente com o potássio (K), absorvido em maiores quantidades pela cultura. O N absorvido aumenta a atividade meristemática da parte aérea, resultando em maior perfilhamento e índice de área foliar da cana. Além disso, o N aumenta a longevidade das folhas. Esse incremento no índice de área foliar eleva a eficiência do uso da radiação solar, medida como taxa de fixação de gás carbônico (OLIVEIRA; et al., 2007).
Com base nos mesmos autores, para as variedades mais plantadas atualmente a extração de N oscila em torno de 1,2 kg/ton. de matéria natural da parte aérea. Considerando que as raízes e os rizomas correspondem, em média, 30% da massa de toda a planta, pode-se estimar que para cada tonelada de matéria natural acumulada pela parte aérea ocorre absorção de 1,5 kg de N pela planta. Portanto, para se atingir uma produtividade de 120 ton/ha de matéria natural, a quantidade de N absorvida pela cultura ultrapassa 180 kg/ha.
Para a adubação mineral de N em cobertura para cana-planta deve-se utilizar de 30 a 60 kg/ha, de acordo com a meta de produtividade, aplicando 30 a 60 dias após o plantio ou no final do período das chuvas (RAIJ; et al., 1997).
As respostas nas rebrotas à adubação nitrogenada são mais freqüentes que na cana-planta, com percentual acima de 90%. Como recomendação de adubação para rebrotas de cana, sugere-se aplicar 1,0 kg de N por tonelada de matéria acumulada na parte aérea. A uréia tem sido o fertilizante nitrogenado mais utilizado na adubação da cana-de-açúcar, principalmente pelo menor custo por unidade de N, em comparação com outras fontes (OLIVEIRA; et al., 2007).

3.7.3.2FÓSFORO

A maior dose de fósforo (P) deve ser aplicada no fundo do sulco de plantio. Essa aplicação a uma profundidade maior aumenta a absorção do nutriente pela planta, pois a disponibilidade hídrica da subsuperfície varia menos que na superfície. Mesmo aplicando dose maior de P no plantio, há necessidade de adubações fosfatadas nas rebrotas (OLIVEIRA; et al., 2007).
Não é provável obter produtividade acima de 150 toneladas, quando o P extraído com resina for menor que 6,0 mg/dm³. Entretanto, em áreas de cerrado recém desbravadas no noroeste de Minas Gerais, com teor de P inferior a 6,0 mg/dm³, obteve-se produtividade superior a 200 toneladas de colmos por hectare, com cana-planta com ciclo de 14 meses, adubada com 100 kg/ha de P que recebeu irrigação complementar de apenas 120 mm.
Entretanto, teor muito alto de P no solo pode causar intoxicações ou até mesmo queda na produtividade. De acordo com Raij et al. (1997), para se produzir uma quantidade acima de 150 toneladas por hectare, deve-se realizar aplicação na ordem de 150 kg/ha de óxido de fósforo (P2O5), quando o teor de P no solo estiver entre 7 e 15 mg/dm³; diminuindo a dosagem para 100 e 80 kg/ha de P2O5 quando o teor de P no solo for de 16 a 40 mg/dm³ e maior que 40 mg/dm³ respectivamente.
Tendo como base os mesmos autores, nas rebrotas posteriores à primeira, a dose de P utilizada pode-se basear na restituição do P removido pela colheita. Nesse caso, para cada tonelada de matéria natural devem-se aplicar de 200 a 300 g de P. Por exemplo, para uma produtividade de matéria natural da rebrota de 120 t/ha, cerca de 100 toneladas de colmos industrializáveis, devem ser aplicadas de 24 a 36 kg/ha de P.

3.7.3.3POTÁSSIO

A adubação potássica da cana é realizada no plantio e após cada corte, em conseqüência de a cana-planta e as rebrotas responderem bem a essa adubação, que se baseia na análise de solo a uma profundidade de 0 a 20 cm (OLIVEIRA; et al., 2007).
A dose de K a ser aplicada nas rebrotas pode-se também basear na restituição do K removido pela colheita, à semelhança do sugerido para as adubações nitrogenada e fosfatada. Embora a absorção e a remoção de K variem entre as cultivares de cana-de-açúcar, pode-se considerar que, para cada tonelada de matéria natural colhida por hectare, há, em média, uma remoção de 1,5 kg de K (OLIVEIRA; et al., 2007).
Em solos arenosos ou de textura média, aplicar apenas 100 kg de cloreto de potássio (K2O) no plantio, acrescentando o restante em cobertura, juntamente com o nitrogênio (RAIJ; et al., 1997).
Ainda segundo Raij et al. (1997), o cloreto de potássio tem sido a fonte de K mais utilizada nas adubações. Entretanto, outras fontes de K devem ser consideradas, como por exemplo, a vinhaça, subproduto da fabricação do álcool. A vinhaça pode substituir a adubação potássica, devendo a quantidade de K fornecida por ela ser integralmente deduzida da adubação mineral.

3.7.3.4MICRONUTRIENTES

A análise do solo e o histórico da área e da variedade têm sido utilizados como métodos preditivos de avaliação, quanto à possibilidade de ocorrência de deficiência de micronutrientes. A análise de solo deve ser associada ao histórico da área e da variedade, porque os resultados analíticos são influenciados pelo extrato utilizado, pelas características do solo e da variedade e, também, pela época de coleta da amostra, havendo, inclusive, relatos de efeitos marcantes da temperatura ambiente e da umidade do terreno sobre os teores de micronutrientes (OLIVEIRA; et al., 2007).
Os micronutrientes principais para o pleno desenvolvimento da cana-de-açúcar são o cobre (Cu), o zinco (Zn), o manganês (Mn), o ferro (Fe) e o boro (B) (RAIJ; et al., 1997).
O importante para a interpretação da análise química de micronutrientes em solos é o uso de extratores adequados para avaliar a sua disponibilidade. Os extratores que se revelaram mais eficientes, nos estudos realizados no IAC, foram a água quente para boro e a solução do complexante DTPA para zinco, manganês, ferro e cobre (RAIJ; et al., 1997).

3.8IRRIGAÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR

Na agricultura irrigada, o fator água deve ser otimizado possibilitando, sem maiores riscos, aumentar a utilização dos demais fatores de produção e, por conseqüência, obter maiores produtividades com uma melhor combinação dos insumos empregados. Para tanto, as determinações dos efeitos da lâmina total aplicada (precipitação + irrigação) na produtividade da cana- de- açúcar, explicitados em tabelas, funções de produção ou superfícies de resposta são fundamentais para auxiliar nas decisões, haja visto que estas tabelas ou funções possibilitam determinar as interações entre os diversos fatores que afetam a produtividade, e escolher as soluções mais condizentes com a realidade regional, permitindo assim o manejo racional da irrigação em bases técnicas e econômicas (BERNARDO, 2007).
A necessidade de busca da otimização dos recursos produtivos, o aumento da competitividade no mercado produtivo, a necessidade de aumento de produtividade e a redução de custos levam a uma tendência de adoção de tecnologias capazes de tornas a exploração agrícola cada vez mais competitiva e rentável (DINIZ et al., 2007).
A irrigação exerce papel fundamental no agronegócio como um dos principais instrumentos para a modernização da agricultura brasileira, permitindo enormes benefícios, em especial no caso do cultivo da cana-de-açúcar, tais como: incremento da produtividade pela redução do custo unitário de produção; uso do solo durante todo o ano; maior oferta de produto ao longo do ano; redução da sazonalidade de produção; incorporação de novas áreas no complexo agrícola no Cerrado e Semi-árido, com maior garantia de colheita para o produtor rural pela redução do fator risco; maior qualidade dos produtos agrícolas; aplicação de novas tecnologias como a quimigação; produção de mudas de alta qualidade que contribuem para o aumento da produtividade em geral; conservação do solo e da água; possibilidade de criação de pólos agroindustriais para o aproveitamento dos produtos das áreas irrigadas (DINIZ et al., 2007).
Ao manejar, de forma racional, qualquer projeto de irrigação, devem- se considerar os aspectos sociais e ecológicos da região e procurar maximizar a produtividade e a eficiência de uso de água e minimizar os custos, quer de mão- de- obra, quer de capital, de forma a tornar lucrativa a utilização da irrigação. Ou seja, não se deve fazer irrigação só para dizer que se está fazendo agricultura irrigada, mas sim com o objetivo de aumentar o lucro, com o aumento da produtividade, quer em quantidade, quer em qualidade, ou com o objetivo de trabalhar com espécies vegetais que sem o uso da irrigação não seriam possíveis serem cultivadas com retorno econômico (BERNARDO, 2007).

3.8.1ASPECTOS AGRONÔMICOS DE IMPORTÂNCIA PARA A IRRIGAÇÃO

No cultivo irrigado da cana- de- açúcar, é de capital importância definir os estágios de desenvolvimento da cultura a fim de otimizar a eficiência de aplicação da irrigação. Assim sendo, pode - se dividir o ciclo da cana de doze meses em quatro (04) estágios de desenvolvimento (DINIZ et al., 2007):
- Germinação e emergência = 1 mês;
- Perfilhamento e estabelecimento da cultura = 2 a 3 meses;
- Desenvolvimento da cultura = 6 a 7 meses;
- Maturação = 2 meses.
Os dois primeiros estágios são os mais críticos ao déficit hídrico. O terceiro estágio (desenvolvimento) responde à lâmina aplicada, mas o déficit hídrico não causa tantos prejuízos à produtividade quanto aos dois primeiros. O quarto estágio (maturação) responde positivamente ao déficit hídrico. Entretanto, o consumo diário de água é maior no terceiro estágio do que nos dois primeiros. Isso ocorre em função do maior índice de área foliar no terceiro estágio. O teor de açúcar costuma ser afetado adversamente pelo excesso de umidade no estágio de maturação. A cana-de-açúcar pode ser cult

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