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O Cultivo do Maracujá

Autor:
Instituição: FACER
Tema: A Cultura do Maracujá

O CULTIVO DO MARACUJÁ

Rubiataba, abril de 2006


1- INTRODUÇÃO

O maracujazeiro é uma planta originaria de regiões tropicais, provavelmente da América Latina. O seu cultivo no Brasil tem sido bem sucedido em regiões similares, inclusive em algumas subtropicais, destacando-se os Estados do Pará, Bahia e Sergipe com as maiores áreas de plantio. A planta é naturalmente adaptada às condições ecológicas do estado de Goiás.

A sua exploração vem se expandindo com perspectivas econômicas favoráveis, em virtude das amplas possibilidades de comercialização, com opções no crescente consumo ao natural e na atratividade das indústrias de suco. É uma atividade produtiva, com longo período de safra, permitindo um fluxo equilibrado de renda mensal, aspecto contribuidor para elevar e estabilizar o padrão de vida dos produtores rurais.

Este trabalho objetiva fornecer informações técnicas racionais, necessárias ao cultivo do maracujazeiro com melhor aproveitamento dos recursos em disponibilidade.

O maracujazeiro pertence à ordem Passiflorales, família Passifloraceae, gênero Passiflora. Dentro desse gênero existem cerca de 300 a 580 espécies, segundo diversos autores, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais do mundo.


2- DESCRIÇÃO DA PLANTA

O maracujazeiro é uma planta semiperene, trepadeira, lenhosa e de crescimento rápido.

Botanicamente, pertence à família Passifloraceae, do gênero Passiflora, se destacam três espécies de interesse econômico.

O sistema radicular e abundante, bem distribuído no perfil de até 60 cm de profundidade e com desenvolvimento lateral, numa pequena faixa, próxima ao tronco.

O caule pode ser cilíndrico ou com formações angulares, atingindo o comprimento de até dez metros, com presença de ramos, gavinhas e folhas verde-claras.

As folhas são alternadas, simples ou trilobadas e com aspecto lustroso na face superior. A axila de cada folha pode apresentar uma gavinha, uma ou mais gemas vegetativas e uma ou mais gemas floríferas.

As flores, normalmente, ocorrem solitárias em dada axila foliar. São hermafroditas, com três sépalas, cinco pétalas, quatro a cinco séries filamentosas, cinco estames e um ovário globoso, cuja parte superior sai um pistilo tripartido, constituindo os estiletes, cada qual terminado em grande estigma. Embora o órgão floral seja perfeito, ou seja, possuidor das partes masculinas e femininas, a auto-fecundação dificilmente ocorre no maracujá que, normalmente, necessita que a flor seja polinizada pelo pólen de outra planta.

O fruto é uma baga globosa, de cor, formato e peso variáveis de acordo com a espécie, com pericarpo envolvendo uma polpa composta de sementes e suco de acidez variável.


3- EVOLUÇÃO DA CULTURA

A produção brasileira de maracujá tem crescido gradativamente, com incremento produtivo apoiado em aumento da área plantada e pelo melhor uso de tecnologia na cultura.

O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá, destacando-se os Estados do Pará (9.500ha), a Bahia (8.000ha), Sergipe (5.000ha), São Paulo (2.700ha) e Rio de Janeiro (1.800ha), segundo o IBGE, dados de 1991.

Nos últimos anos, esta cultura vem se mantendo como uma atividade rentável para diversos fruticultores em todo o País, em função do elevado crescimento da demanda de fruta fresca, bem como do crescimento agroindustrial da produção de suco. No entanto, o comportamento das áreas plantadas varia muito de ano para ano, conforme a procura e os preços pagas pela fruta. Quando o preço é alto, grande número de produtores é estimulado a plantar, o que provoca a queda de preços. Esse problema é mundial e os ciclos são mais acentuados com as culturas anuais e semiperenes.

A tabela 1 mostra a variação anual dos preços praticados na CEASA-GO, no período de 1992/96

TABELA 1. Variação anual no preço da saca de 20 kg (valores pagos na CEASA-GO)

MÊS

1992

1993

1994

1995

1996

 

US$

US$

R$

R$

R$

JANEIRO

8,74

8,37

16,00

35,00

11,00

FEVEREIRO

11,93

7,90

16,00

35,00

11,00

MARÇO

9,72

14,13

9,00

10,00

10,00

ABRIL

8,56

12,29

13,00

20,00

15,00

MAIO

7,52

9,17

16,00

10,00

14,00

JUNHO

8,11

12,06

14,00

20,00

9,00

JULHO

7,07

9,24

9,00

10,00

10,00

AGOSTO

13,85

14,01

30,00

25,00

10,00

SETEMBRO

18,35

20,68

10,00

40,00

24,00

OUTUBRO

24,46

27,11

94,00

40,00

25,00

NOVEMBRO

7,42

19,43

58,00

25,00

15,00

DEZEMBRO

6,64

10,73

42,00

10,00

9,00


Fonte: CEASA-GO. 2004

No Estado de Goiás, entre os municípios produtores de maracujá, destacam-se os de Itapuranga, Cristalina, Vianópolis, Luziânia, Cumari, dentre outros, somando cerca de 1.400 há, segundo o IBGE, fevereiro/1996.

Atualmente, o cultivo do maracujazeiro ultrapassa as regiões tradicionais do estado e mostra significativa e forte expansão em grande número de municípios goianos.


4- CLIMA

O maracujazeiro, planta tipicamente tropical, desenvolve-se bem em regiões com altitude entre 100 e900 m.

Para que haja florescimento, pegamento da florada e frutificação, o maracujazeiro requer calor, umidade e dias longos. Em locais onde ocorrem, permanentemente, essas condições, o maracujazeiro produz o ano todo. São condições também favoráveis à floração e à frutificação, quando a amplitude de variação da temperatura é pequena, durante o dia e noite, e quando pequena a amplitude de variação do comprimento do dia no ano.

São condições indicadas para a cultura as temperaturas médias que oscilam de 25ºC a 27ºC, comprimento do dia de, pelo menos, 11 horas de luz e chuvas de 800 a 1,750 mm, distribuídas regularmente durante o ano. Períodos secos são bastantes prejudiciais à produção, comprometendo o pegamento da florada e, em casos mais intensos, impedindo o desenvolvimento vegetativo da planta, chegando mesmo a ocasionar a sua desfloração. Chuvas intensas, por outro lado, além de favorecerem a incidência de moléstias, comprometem a produção, por impedirem a polinização ou o desenvolvimento do grão de pólen. Sob precipitação, a atividade dos insetos polinizadores é bastante reduzida, quando não é totalmente ausente. Por outro lado, para que haja desenvolvimento do grão de pólen, admite-se que o estigma deve permanecer seco, no mínimo, duas horas após a polinização, dado a característica do pólen desta planta de estourar em contato com a umidade.

O vento também é outro fator importante, pelos danos diretos que pode causar à planta, como também por exigir reforços no sistema de condução para suportar a pressão.

Ventos fortes carregam partículas abrasivas que agem facilitando a infecção por bactérias.

Quando frios, reduzem o crescimento vegetativo e o vingamento dos frutinhos.


5- SOLO

Algumas características importantes indicadas na escolha do solo podem sés expressas na boa capacidade de armazenar nutrientes e água, necessários ao crescimento e produção da planta, e uma adequada drenagem superficial.

Dessa forma, terrenos de textura media (15 a 35% de argila), profundos, bem drenados, ligeiramente inclinados, apresentando um bom nível de matéria orgânica, boa fertilidade e com pH de 5 a 6 são requisitos desejados para a obtenção de culturas longevas.

A profundidade do solo é uma condição considerável, já que o maracujazeiro não suporta encharcamento, mesmo que por curtos períodos. Um problema critico da cultura, a "síndrome da morte prematura de plantas" , tem ocorrência associada às condições dos solos, notadamente aqueles argilosos e mal drenados. Deve-se, ainda, evitar os solos recém-desbravados.


6- PROPAGAÇÃO

A propagação do maracujazeiro, normalmente, se faz através de sementes. Para a obtenção de sementes, deve-se selecionar frutos de alto padrão, representativos da variedade. As plantas selecionadas devem ser precoces, produtivas, vigorosas, isentas de pragas e doenças, com frutos grandes e com grande percentual de suco de boa qualidade. Pode-se adquirir as sementes ou as mudas de firmas especialistas e idôneas ou, ainda, fazer a produção a nível de propriedade.

Produção de sementes – No caso do maracujá-amarelo, o fruto deve ter mais de 130g, casca fina, de cor amarelo-canário, brilhante e formato ovalado, alto teor de suco e brix acima de 14%. Recomenda-se, ainda, selecionar plantas que apresentam apenas flores com estiletes totalmente curvos, característica que influi forte e positivamente na fecundação cruzada.

Colheita dos frutos – Deve acontecer quando eles estiverem completamente maduros. Para reduzir o problema de incompatibilidade na lavoura, deve-se retirar e plantar sementes de vários frutos, colhidos em diferentes plantas, e não de muitos frutos colhidos de poucas plantas.

Extração das sementes – As sementes podem ser obtidas através de vários processo, admitindo a sua secagem no interior dos frutos ou a sua retirada dos frutos para a separação do arilo, a muscilagem viscosa que envolve as sementes. Essa separação acelera a germinação. Corta-se a casca dos frutos e retira-se o seu conteúdo para separação das sentes.

Armazenamento das sementes – Recomenda-se que as sementes sejam semeadas, preferencialmente novas, visto que a sua viabilidade é curta. O seu poder germinativo que, normalmente, se inicia com 70 a 90%, tem queda gradativa até o quinto mês. A partir daí cai rapidamente, de forma que no décimo segundo mês fica muito baixa. As sementes recém-secadas são colocadas em saco plástico, amarrado de forma a expulsar o ar, devendo ser conservado numa temperatura de 5 a 10º C, o que se consegue na parte inferior da geladeira.

Quantidade de sementes – Aconselha-se semear um número de sementes de duas a três vezes a quantidade de mudas desejadas. Isso é importante para cobrir as falhas eventuais e para possibilitar uma rigorosa seleção de mudas.

Para o plantio de 1 há de maracujá-amarelo, é recomendável 100 g de sementes, para cobrir inclusive um possível replantio. E interessante lembrar que, de uma caixa de maracujá-amarelo, cerca de 14kg, pode-se retirar aproximadamente 650 g de sementes e que um fruto produz cerca de 250 sementes.

Formação de mudas – Para produção de mudas, são necessários 50 a 70 dias, de semeadura ao ponto de plantio no campo, quando as mudas atingem 15 a 25 cm, a germinação ocorre de 8 a 30 dias do plantio, variando em função da idade da semente, época do ano e região. O período é menor em condição de mais calor e quando se usa sementes mais novas.

A semeadura das sementes do maracujazeiro pode ser realizada em canteiro-germinadouro, com posterior repicagem para as embalagens ou através de semeadura direta nos recipientes, que podem ser de sacos plásticos, laminados ou tubetes.

Será enfatizada a semeadura em sacos, sistema tecnicamente recomendado, barato e que viabiliza a obtenção de mudas de boa qualidade.

Época de semeadura - Em regiões onde a cultura será implantada com irrigação ou onde as chuvas ocorrem o ano inteiro, a semeadura pode ser realizada em qualquer época do ano, dois meses antes do plantio. Em outras condições, é preferível semear um pouco antes do inicio da estação chuvosa, no caso do Centro-Sul do País, em agosto/setembro, para que as mudas sejam levadas ao campo em outubro/novembro, em plena estação chuvosa. A época de plantio das mudas no campo, também, pode estar em função do objetivo do produtor em obter uma única safra. Nesse caso, devera semear em janeiro/fevereiro, para a muda ser levada ao campo em março/abril. Nessa situação, a colheita da safra é iniciada em novembro e se prolonga até o final de agosto do ano seguinte, nas condições do Centro-Sul.

Preparo do substrato - O substrato utilizado, para o enchimento das embalagens, pode ser terriço de mata, já naturalmente fértil ou, alternativamente, uma mistura composta de três partes de terra fértil e uma de esterco de currar curtido, ambas peneiradas. A cada metro cúbico dessa mistura adicionar 3,0 a 5,0 kg de superfosfato simples e 0,5 a 1,0 kg de potássio. Como controle preventivo de doenças, invasores e nematóides, essa mistura deve ser desinfestada com brometo de metila, 150 cm por m, em câmara plástica, durante 48 horas. O substrato deve ser disposto na forma de canteiro, de 30 cm de altura, coberto com plástico, tendo-se o cuidado de separa-lo da mistura com uma armação de 10 a 15 cm de altura, para facilitar a circulação dos gases. Por ocasião de tratamento, a terra deve estar bem umedecida, mas não encharcada. A injeção do produto é feita através de tubos de borracha, convenientemente interligados ao aparelho aplicador.

As sacolas plásticas são cheias e colocadas lado a lado, formando canteiros de cerca de 1,20 m de largura e de comprimento variável.

Semeadura - As sementes devem ser semeadas em número de três a cinco, em cada sacola plástica, coberta com uma camada de 1,0 cm com o próprio substrato e, a seguir, 1,0 cm de casca de arroz. As sacolas devem ter 10x25 ou 18x30 cm.

Os recipientes devem ser cobertos com uma cobertura morta (capim seco, palha seca, sacos de aniagem, etc), para sombreamento de 50% e favorecimento da umidade do substrato e da emergência. Após o inicio da emergência, a cobertura deve ser removida gradativamente, devendo ser totalmente eliminada após o desbaste, para plena insolação das mudas.

Quando as plântulas apresentarem 3 a 5 cm de altura, inicia-se um desbaste gradativo, deixando-se apenas a mais vigorosa em cada recipiente. O desbaste deve ser feito cortando o caule das mudas rente ao solo, evitando-se o arranquio delas, para não danificar o sistema radicular da plântula escolhida como muda. Quanto a irrigação, pode-se efetuar uma vez/dia do semeio à geminação; duas vezes/dia da germinação até 15 dias e em alternados até o transplante.


7- NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO

O maracujazeiro é considerado uma planta que apresenta crescimento continuo e vigoroso, principalmente em condições de temperaturas mais elevada e boa insolação, além de produzir durante nove a dez meses por ano, nas condições de Goiás. Isso requer o fornecimento equilibrado de nutrientes para alcançar longevidade, melhor sanidade e, conseqüentemente, boa produtividade.

Colagem – O maracujazeiro é uma planta exigente em cálcio, um elemento muito importante para a obtenção de boas produtividades. Evidentemente, os benefícios da calagem vão muito além do fornecimento de cálcio e magnésio para a cultura, sendo seu objetivo básico a correção da acidez do solo. Dessa forma, a primeira providencia devera ser a realização da análise do solo, na profundidade de 0-20 cm e 20-40 cm. Com base nos resultados analíticos, procede-se a aplicação do calcário, cuja quantidade será calculada pelo método de saturação de base, procurando elevar este parâmetro para 80%. Sempre que a saturação for inferior a 25% na camada de 20 a 40 cm do solo, aumentar em 25% a quantidade de calcário a ser aplicada. Deve-se dar preferência para o calcário dolomítico, para garantir o suprimento de magnésio à cultura.

Adubação orgânica - E uma prática importante para manter produtividade do solo, pois exerce efeitos sobre suas propriedades físicas, químicas e biológicas.

O fornecimento de matéria orgânica, na forma de esterco, é muito importante para suprir boa parte das necessidades da planta, especialmente quanto aos micronutrientes.

Como fontes de adubos orgânicos, é recomendáveis o esterco de curral, o esterco de galinha, a compostagem, etc., indicados tanto para a cova de plantio como para a lavoura em produção.

Adubação mineral com macronutrientes – Na definição da quantidade de fertilizante a ser fornecida ao maracujazeiro, deve-se levar em conta as condições em que a cultura está sendo conduzida, o que pode ser expresso por duas variáveis principais: a analise do solo, onde a lavoura está implantada, e a produtividade esperada.

Adubação de plantio – As covas de plantio podem ser fertilizadas com 10 a 20 litros de esterco de curral, 300 a 500 g de superfosfato simples ou termofosfato yoorim Bz e 5 g de FTE BR-12.

Outro fator importante é a localização dos adubos no solo. Para pomares novos, os adubos são espalhados em coberturas, afastados 10 cm da planta, numa faixa de 20 cm. Essa distância aumenta de acordo com o crescimento da planta, de modo a atingir, com a planta adulta, um metro de largura por três de comprimento, 20 cm afastados do caule.

Adubação mineral com micronutrientes - Os micronutrientes são bastantes exigidos pelo maracujazeiro, especialmente nos solos pobres em matéria orgânica, menos de 2,0%, devendo-se dar especial atenção ao Zinco e ao Boro. Nos locais onde não são feitas aplicações de fungicidas preventivas à base de cobre, esse elemento também deve ser contemplado no programa de adubação.

O fornecimento de micronutrientes pode ser feito via solo ou via foliar. No primeiro caso, são colocados por ocasião do plantio, com repetição anual, 20g de sulfato de zinco e 10g de Bórax ou 50g/planta/ano de FTE-BR.12. no segundo caso, via foliar, são feitas pulverizações bimensais, durante a floração e a frutificação, com sulfato de zinco a 0,3% e ácido bórico a 0,1%, aos quais adiciona-se cloreto de potássio a 0,3% ou uréia a 0,5%, como coadjuvantes para aumentar a eficiência da absorção. A aplicação anual no solo deve ser no inicio da estação chuvosa. As aplicações foliares podem ser em conjunto com defensivos, exceto nos casos com cúpricos e mancozeb.

A amostra foliar e feita escolhendo as folhas em cujas axilas está o botão floral prestes a abrir, com as sépalas branco-esverdiadas.

Tabela 2- teores foliares considerados adequados de macro e micronutrientes

ELEMENTO

UNIDADE

VALOR

N

%

4,4

P

%

0,16

K

%

2,07

Ca

%

1,22

Mg

%

0,58

S

%

1,1

B

ppm

39 a 47

Cu

ppm

15 a 16

ppm

116 a 233

Mn

ppm

433 a 604

Zn

ppm

26 a 49


8 – PREPARO DO SOLO

O terreno onde será feito o plantio do maracujazeiro deve ser, convenientemente, preparado com arações e gradeações, adotando-se também, conforme a declividade, práticas preventivas para a sua conservação, considerando que a cultura é expositora do solo a processos erosivos.

Seria bom que o solo escolhido para a instalação da cultura tenha sido cultivado com outra cultura, porem, não deverá ter sido usado com o cultivo do maracujá nos últimos três anos.

O preparo do solo deverá ocorrer após sua analise química e física. Se houver necessidade de correção, será realizada durante esse preparo, para incorporação profunda do corretivo através da aração.

Também é aconselhável e oportuno o controle prévio de formigas cortadeiras.

Em áreas sujeitas a ventos, recomenda-se o estabelecimento de quebra-ventos com capim-napier ou outra espécie de crescimento rápido e adequada a este tipo de proteção.


9 – PLANTIO

Espaçamento – É uma variável que influi muito no desempenho da cultura, na produtividade, bem como nas diferentes formas de manejo.

Plantando-se em espaçamento reduzidos, obtém-se uma primeira safra superior, quando comparada a plantios em espaçamento maiores.

Ao se eleger um espaçamento, deve-se levar em consideração a espécie, clima, fertilidade do solo, sistema de condução e manejo cultural. Todos esses itens considerados podem determinar a maior ou menor incidência de doenças. A prática tem demonstrado que 5 a 6m entre plantas na linha é o espaçamento que apresenta melhores resultados. O espaçamento entre fileiras é determinado pelo tipo de equipamento que será utilizado nos tratos culturais, se mecanizado ou não. Por essa razão, a distancia entre linha varia de 2,5 a 4,0m, determinando uma maior ou menor densidade de plantas por unidade de área.

No caso de se adotar a condução em espaldeira de três fios, o espaçamento entre as linhas de plantio deve ser aumentado em um metro. Para culturas em latada, o espaçamento indicado é de 5 a 6 metros entre plantas.

Preparo de covas – As covas destinadas ao plantio do maracujá devem ser abertas com as dimensões de 50 x 50 x 50 cm, sendo localizadas nas filas, equidistantemente das estacas da espaldeiras.

Em solos em que haja preocupação com a ocorrência de doenças do colo e da raízes, as covas deverão ser abertas em cima de leiras, de forma que o plantio seja alto, assegurando que o solo, nas proximidades da planta, disponha de boa drenagem, secando rapidamente após as chuvas.

As covas devem ser enchidas 20 a 30 dias antes do plantio, para assegurar completa fermentação do adubo orgânico e acomodação do solo no leito de plantio.

Plantio propriamente dito – As mudas sadias, apresentando 15 a 25 cm. Do colo à gema apical, após 50 a 70 dias da semeadura, são levadas para o plantio definitivo no campo, em covas, previamente preparadas e adubadas, e colocadas com cuidado, para não quebrarem os torrões, após a retirada da embalagem.

O plantio pode ser feito em qualquer época do ano, desde que se disponha de água suficiente para o pegamento das mudas e que não haja ocorrência de geadas na gleba em que a cultura está sendo implantada. Nas regiões mais quentes, quando o plantio no local definitivo for feito em março-abril, espera-se o inicio da produção para novembro-dezembro, o que possibilita uma prolongada colheita já no primeiro ano. Se, porém, a instalação da cultura for feita no inicio das chuvas, a produção começa mais precocemente, em abril, mas não se prolonga além de agosto, o que reduz o volume colhido na primeira safra.


10 - CULTURAS CONSORCIADAS

A consorciação de culturas é um instrumento usado para gerar receita extra, importante para aliviar os custos de implantação de um maracujazal. É, também, um maio de cobertura do solo, além de possibilitar maior diversidade vegetal no ambiente, o que geralmente reduz a incidência de pragas e doenças.

Deve-se considerar a marcha de absorção dos nutrientes pelo maracujazeiro, para evitar concorrência. Sabe-se que o maracujazeiro absorve pequena quantidade de nutrientes, até 60 dias do transplante. Daí cresce, gradativa e significativamente a absorção de N, P, K e Mg. Depois de 180 dias, aumenta a absorção de Ca e S. no período que antecede o aparecimento de frutas, é vigorosa a demanda de N, K e Ca. Com base nessas informações, a cultura indicada para intercalação não deve apresentar picos de absorção coincidentes com aqueles do maracujazeiro, e deve apresentar porte baixo, ciclo curto, receber adubação específica e manter um metro de distância do plantio principal. São boas alternativas o feijão, o amendoim, o arroz, dentre outras.


11 - COLHEITA

A colheita do maracujá inicia-se de cinco a nove meses após o plantio das mudas no campo.

O período de colheita é bastante longo, na maioria das regiões, sendo maior nas zonas com suficiente calor, luminosidade e umidade, num prolongado período de frutificação, e menor naquelas regiões sujeitas a frio mais intenso ou a um período de seca mais notável. Nas condições do estado de Goiás, na maioria das vezes, o período de maior produção estende-se de novembro-dezembro a julho-agosto.

A colheita dos frutos ocorre cerca de 70 a 80 dias após a abertura das flores. Os frutos do maracujá, uma vez maduros, desprendem-se das plantas e caem no chão. Diante disso, a colheita consiste na catação dos frutos caídos, de preferência pela manhã. Alguns frutos, ao se soltarem da planta, ficam presos entre os ramos, especialmente na condução em latada; esta catação precisa ser feita com certo cuidado, de modo a encontra-los e recolhe-los.

Os frutos colhidos na planta, mesmo quando amadurecidos antes de serem consumidos, apresentam sabor agreste e pouco agradável, razão pela qual só devem ser apanhados aqueles frutos que já se desprenderam da planta.

Após a maturação e queda, os frutos rapidamente perdem água e murcham, além de serem facilmente atacados por podridões, razão pela qual esta operação deverá ser feita diariamente, em especial no período chuvoso e quente do ano, mas nunca em intervalos maiores que duas vezes por semana.

Para a conservação dos frutos em bom estado, por um período mais longo, visando uma comercialização mais eficiente, deve-se proceder da seguinte forma: a) assim que o fruto chegar do campo, deverá ser lavado em água contendo 100 ppm de cloro, ou seja, 10 miligramas de cloro por litro, de forma a eliminar todos os resíduos de sua superfície externa; b) após secarem, os frutos devam ser classificados por tamanho, cor, grau de lesões por doenças, estando de murchamento, e acondicionados em embalagens.

Na classificação, os frutos de melhor padrão são destinados ao mercado de frutas frescas; aqueles menores ou que apresentam lesões de verrugose, podridões ou elevado estado de murchamento são encaminhados pêra indústria que fazem o processo da fruta. Outra alternativa, com possibilidade de agregar valor aos frutos, especialmente aqueles de padrões inferiores, é o despolpamento e envasamento da polpa, utilizando-se diferentes equipamentos, seguido de imediato congelamento, com destino ao mercado local ou regional.

Rendimento – a produtividade do maracujá, nas condições de Goiás, é muito variável, não só em função dos diferentes tratos culturais dispensados à planta, mas também em função do espaçamento, do sistema de condução e, no primeiro ano, da época de plantio.

Como uma estimativa média, no entanto, pode-se admitir que uma cultura, razoavelmente conduzida, produza, no primeiro ano, cerca de 8 a 10 toneladas por hectare, 15 a 20 toneladas no segundo ano para , no terceiro, reduzir esta produção para 10 a 12 toneladas por hectare.

A obtenção de produtividade menor que 8tha, por ano, torna a cultura inviável, considerando o aumento da oferta influindo na queda do preço pago ao produtor.


12 - Maior PRODUTOR

Hoje, segundo o IBGE, o Brasil é o maior produtor mundial de maracujá. Em 2003, por exemplo, o País teve uma produção de 479 mil toneladas, numa área de 33 mil hectares. A Bahia comanda a produção com 77 mil toneladas, em 7,8 mil hectares. São Paulo é o segundo maior produtor: 58 mil toneladas, em 3,7 mil hectares. O estado de Roraima produziu, em 2002, de acordo com o IBGE, apenas 800 toneladas, numa área de 100 hectares.
Planta da família das passaifloráceos, o maracujá tem origem indígena e significa "mara-cuia" ou "comida de cuia". Típico do nordeste brasileiro, o maracujá é produzido durante todo o ano em temperaturas médias de 20 a 32 graus. A fruta é fonte de carboidratos, além de conter vitaminas A, C e o complexo B. Ela é rica em sais minerais como cálcio, fósforo e ferro.


13 - Perguntas mais freqüentes

1 -Normalmente quanto tempo depois do plantio começam a aparecer os frutos? Eu plantei um pé de maracujá há quase um ano atrás, ele cresce muito, mas até hoje todas as flores que aparecem não se transformam em frutos. É assim mesmo? Eu vou ter que esperar muito para poder colher algum maracujá ou tem alguma coisa de errado com o pé que eu plantei?

R- O que a maioria das pessoas não sabe é que o maracujá nunca produz sozinho. O ideal é plantar mais de um pé sempre, porque é uma planta de polinização cruzada, pois precisa do pólen de outras plantas para que dê frutos. Por isso, se você tem só um pé plantado, plante mais maracujazeiros ao lado dele.

2 - Tenho uma produção de maracujá e nunca podei. Quando, e qual a época certa de fazer a poda do pé de maracujá?

R - Existem dois tipos de poda recomendados para a cultura: poda de formação e a poda de produção ou renovação. Elas são indicadas para quem conduz o maracujá em espaldeira (cerca) no sistema que chamamos de "cortina". A poda de formação é realizada logo que se planta o maracujá, e a poda de produção é realizada no início da brotação primaveril, quando houver disponibilidade de água no solo, e temperaturas na faixa de 20ºC. Mas lembre-se: só devem ser podadas plantas de pomares saudáveis e bem cuidados. Também é importante frisar que a planta não pode estar em repouso, pois poderá morrer após a poda; e nem ter já emitido botões florais, pois terá o início da produção retardado.

3 - Como fazer a polinização? Sabemos que há necessidade do inseto polinizador, mas gostaríamos de saber como fazê-la manualmente?

R - O maracujazeiro precisa de insetos polinizadores, que são as abelhas do gênero Xilocopa sp, conhecidas popularmente como mamangavas. Em locais onde há baixa população dessas abelhas pode-se fazer a polinização manualmente. Para isso, deve-se coletar pólen de flores de diferentes plantas, distantes umas das outras e, com a mão carregada da mistura de pólen, proceder a polinização de forma contínua numa linha. Com as pontas dos dedos, fazer um movimento ascendente nas flores completamente abertas. Para melhorar a aderência do pólen no estigma, os operadores podem proteger os quatro dedos de cada mão com dedeiras feitas de flanela de lã.

4 - Gostaria de saber por que a flor do maracujá é relacionada à história da "Paixão de Cristo"? Qual o significado de cada parte da flor?

R - Os maracujás ou flores-da-paixão - seus frutos e suas flores - já eram muito conhecidos e utilizados na América antes da chegada dos primeiros europeus que, desde cedo, encantaram-se com a sua exuberância. Em seu afã religioso da conquista, os missionários estrangeiros viram nessas flores e frutos muito mais do que beleza e perfume. Os religiosos viram naquela formação complexa e admirável, um verdadeiro presente de Deus para iluminar seu trabalho de catequese, encontrando em suas formas e cores exóticas, a metáfora perfeita para explicar aos infiéis indígenas a "truculenta história da Paixão de Cristo". Assim, em primeiro lugar, associaram-se às cores com que a natureza premiou as belas flores do maracujá, aos vermelhos e aos roxos utilizados nos rituais cristãos da Semana Santa. Além das cores, a coroa floral completamente filigrada, transformou-se na própria imagem da coroa de espinhos com que Cristo foi crucificado; os três estigmas da flor passaram a ser os três cravos que o prenderam na cruz; suas cinco anteras estariam representando as cinco chagas de Cristo; as gavinhas eram vistas como os açoites que o martirizaram; e o fruto redondo era a representação do mundo que o Cristo veio redimir. Desde então, as flores dos maracujazeiros começaram a ser chamadas de "as flores-da-paixão", da Paixão de Cristo.

5 – Para quem já tem pés de maracujá como deve – se fazer a adubação que devo fazer durante o ano?

R - O ideal é sempre fazer a adubação baseada na análise de solo e foliar, mas de uma maneira geral pode-se dizer que, para uma produção esperada de 20 a 25 t/ha, aplicar 160 g de N, 40 a 120 g de P2O5, 160 a 480 g de K2O por planta e por ano. Esta dose anual deve ser parcelada em até 8 vezes, de setembro a maio. Para produtividades esperadas de 25 a 30 t/ha, aumentar essas doses em 25%, e 50% para produtividades acima de 30 t/ha. Os micronutrientes devem ser fornecidos juntamente com a primeira parcela da adubação de produção, no início da estação chuvosa: 50 g de FTE-BR 12 ou 20g de sulfato de zinco mais 10 g de bórax.

6 - Na primeira produção, as frutas estão caindo precocemente, todas com larvas no seu interior. Há solução?

R - Essas larvas são da mosca-das-frutas. Em certas regiões, o ataque das moscas provoca prejuízos significativos. Os principais danos causados são decorrentes da postura dos ovos em frutos ainda verdes, provocando o seu murchamento antes de atingirem a maturação. Também podem destruir a polpa dos frutos, inutilizando-os para o consumo. O ataque das moscas provoca queda dos frutos em proporção elevada. A catação e enterramento de frutos atacados e o plantio em área distante de cafezais são medidas auxiliares para reduzir a população da praga. Recomenda-se também o uso de iscas envenenadas, compostas por 7 litros de melaço de cana ou 5 kg de açúcar, inseticida e 100 litros de água. Devem ser aplicadas a cada quinze dias, apenas de um lado das plantas (1m2) de maneira descontínua, usando-se apenas 100 a 200ml/planta.


14 - BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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Consulta: http://www.maracuja.com.br/ as 00:01 data 09/04/2005.

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