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Pragas e Doenças do Eucalipto

Autor:
Instituição: Escola Media de Agropecuaria Regional da Ceplac - EMARC-TF
Tema: Pragas e Doenças do Eucalipto


Pragas e Doenças do Eucalipto

Escola Média de Agropecuária Regional da Ceplac - EMARC-TF
2007

Pragas

A ocorrência de pragas em eucalipto no Brasil foi registrada logo depois de sua introdução. Silva (1949) observou a ocorrência de Sarcina violascens (Lep. Limantriidae) atacando Eucalyptus tereticornis no Rio de Janeiro. Nas décadas de 1970 e 80, vários autores observaram lagartas desfolhadoras em eucalipto em São Paulo (Balut & Amante, 1971), em Minas Gerais (Zanúncio et. al.)

Formigas cortadeiras

As formigas cortadeiras, conhecidas desde o século XVI e, já relatadas pelo Jesuíta José de Anchieta em 1560 (Mariconi, 1970), são consideradas até hoje como o principal problema entomológico das florestas brasileiras. No Brasil estes insetos são chamados de saúvas ou quenquéns. A primeira pertence ao gênero Atta com 10 espécies e 3 subespécies e a segunda aos gêneros Acromyrmex, com 20 espécies e nove subespécies (Della Lucia et. al., 1993, cap. 3), e menos importante, os gêneros Sericomyrmex (9 espécies), Trachymyrmex (12 espécies) e Mycocepurus (3 espécies) (Anjos et. al., 1998).

Segundo Anjos, 1998 há estudos indicando que cerca de 75% dos custos e tempo gastos no manejo integrado de pragas em florestas plantadas, ou 30% dos gastos totais até o terceiro ciclo eram destinados ao manejo integrado de formigas. O desfolhamento causado por formigas pode reduzir a produção de madeira no ano seguinte em um terço e, se isto ocorrer no primeiro ano de plantio, a perda total do ciclo pode chegar a 13% da colheita. Em ecossistemas tropicais as formigas consomem em média 15% da produção florestal.

Para o controle de formigas são utilizados principalmente produtos químicos na forma de iscas. No entanto o manejo adequado dos plantios juntamente com o monitoramento é fundamental para o sucesso deste controle.

Formigas Saúvas

Saúvas são formigas cortadeiras do gênero Atta. Diferem-se das quenquéns por serem maiores e possuírem apenas três pares de espinhos no dorso do tórax. Ocorrem somente na América, sendo sua dispersão do sul dos EUA até a Argentina. Seus ninhos são denominados sauveiros e são facilmente reconhecidos pelo monte de terra solta na superfície (Gallo et. al. 2002). A seguir serão listadas as espécies de saúvas e sua distribuição no território Nacional de acordo com Della Lucia et. al., (1993).

Em Minas Gerais, as espécies mais freqüentes e abundantes são: A. sexdens rubropilosa, A. laevigata e A. bisphaerica.

Formigas quenquéns

São formigas cortadeiras, principalmente do gênero Acromyrmex. Os formigueiros deste gênero são pequenos e geralmente de poucos compartimentos (panelas). As operárias variam muito de tamanho, mas geralmente são bem menores que as saúvas.

A ocorrência destas formigas vai desde a Califórnia (EUA) até a Patagônia, encontrando-se espécies deste gênero na América Central, Cuba, Trinidad e América do Sul, exceto no Chile As únicas espécies que não são da Região Neotropical são Acromyrmex versicolor versicolor (Pergande) e A. versicolor chisosensis (Wheeler).

Comumente, encontram-se variações individuais na proporção dos espinhos do tronco e da cabeça em espécimes pertencentes à mesma colônia. A caracterização taxonômica realizada com base na proporção forma dos espinhos do tronco, o tipo de esculturação tegumentar e disposição dos tubérculos no gáster (GONÇALVES, 1961) são sinais facilmente visualizados nas operárias máximas.

Com as modificações nomenclaturais no subgénero Moellerius feitas por FOWLER (1988) e as duas formas neárticas, além da descrição de Acro,nyrmexdiasi (GONÇALVES, 1983), o gênero conta atualmente com 63 espécies nominais. Dessas, 20 espécies e nove subespécies foram constatadas no Brasil. No Estado de São Paulo, dados sobre a atualização da distribuição geográfica do gênero apontam 11 espécies seis subespécies (ANDRADE e PORTI, 1993)

Lagartas

As Lagartas consideradas pragas do Eucalyptus no Brasil podem ser classificadas em desfolhadoras e bloqueadoras.

Besouros desfolhadores

Os besouros desfolhadores constituem um grupo de insetos muito importantes para a silvicultura brasileira. Estes estão incluídos em diversas famílias, principalmente as de Chrysomelidae, Curculionidade, Scarabaeidae, Buprestidae. Dentro deste grupo a principal espécie que apresenta importância para o setor florestal brasileiro é Costalimaita ferruginea. Gonipterus scutellatus (Coleoptera: Curculionidade) é uma das piores pragas nativa dos eucaliptais na Austrália.

Ele foi introduzido na Argentina em 1926 e, 30 anos depois, foi encontrado nos eucaliptais do Rio Grande do Sul. Mais cerca de 30 anos e já está em São Paulo. Não tardará e esta praga chegará aos maciços florestais de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Outros insetos nativos do Brasil, como as de Naupactus, também atacam as essências florestais. A família Buprestidae apresenta várias espécies de besouros que atacam as folhas novas, mas principalmente roem os ponteiros e galhos tenros de eucaliptais jovens.

Suas espécies são ainda mal conhecidas pela Entomologia Florestal brasileira. A família Scarabaeidade apresenta espécies desfolhadoras vorazes em muitos tipos de essências florestais no Brasil, como Bolax flavolineatus, por exemplo. Tanto as larvas quantos os besouros adultos são pragas de reflorestamentos de eucalipto e de várias culturas agrícolas.

Sugadores

Os insetos sugadores são de grande importância para o eucaliptos por agregarem os psilídeos, insetos saltadores, semelhante a pequenas cigarrinhas, pertencentes a Ordem Homoptera, superfamília Psylloidea (Hodkinson, 1988).

Psilídeos

Os psilídeos são insetos da ordem Hemiptera, subordem Homoptera, família Psyllidae. São insetos diminutos (comprimento entre 1 a 5 mm), semelhantes a pequenas cigarrinhas e de hábito sugador, tendo grande preferência por brotações e folhas novas. A espécie coletada sobre as árvores de eucalipto em Mogi-Guaçú apresenta adultos de coloração cinza-alaranjada a amarelo-esverdeada e 2 pares de asas.

As ninfas nos primeiros ínstares são amareladas e as ninfas de último instar apresentam o abdome e os primórdios das asas de coloração escura. Quanto à biologia, a reprodução é sexuada (presença de machos e fêmeas), sendo que as fêmeas ovipositam nas folhas abertas, sendo os ovos de coloração avermelhada. Provavelmente, esta espécie possui 5 ínstares ninfais, como todas as espécies de psilídeos já estudadas (HODKINSON, 1974; DREISTADT & DAHLSTEN, 2001). Todas as espécies conhecidas são fitófagas e os danos causados são (COSTA LIMA (1942); HODKINSON (1974); GALLO et al., 1978):

• Enrolamento do limbo foliar

• Formação de galhas (devido a injeção de saliva tóxica)

• Super brotamento (“envassouramento”)

• Induz aparecimento de fumagina (fungo preto saprófita que se desenvolve sobre as excreções açucaradas que o inseto elimina)

• Transmissão de agentes fitopatogênicos (bactérias, vírus e micoplasmas)

Doenças

O eucalipto pode ser atacado por vários patógenos, principalmente fungos, desde mudas até árvores adultas. As doenças causam significativos impactos econômicos, de acordo com a espécie atacada e da época do ano. As principais doenças que ocorrem nos eucaliptos são:

Mancha de cilindrocladium

tabela A

Murcha bacteriana do eucalipto


tabela B

Podridão-da-raiz


tabela C

 

Mofo-cinzento


tabela D


Cancro-do-eucalipto

tabela E

Ferrugem

tabela F

 

Esporotricose do eucalipto

Tabela G

Podridão-de-cerne

Tabela H

Doenças foliares secundárias

Tabela i


Algumas doenças de origem abiótica são importantes, pela intensidade e freqüência com que têm sido verificadas, na cultura do eucalipto. Geralmente, as doenças de origem abiótica são decorrentes de fatores adversos e estressantes do ambiente. Durante ou após a ação do fator adverso, as árvores podem tornar-se suscetíveis à infecção de patógenos secundários. Os principais patógenos secundários (também chamados de doenças abióticas) observados são:

Principais doenças abióticas do Eucalipto

Tabela J
Tabela J
Tabela J
Tabela J
Tabela J

Outra doença biótica do eucalipto é a mancha da folha, a qual apresenta as seguintes características conforme o fungo que a ataca:

Culindrocladium sp. e Coniella fragarie: inicialmente apresentam colônias esverdeadas e, posteriormente, azuladas. Ocorrem em clima tropical em épocas chuvosas, atacando principalmente as espécies E. dunnii, E. grandis, E. Saligna. Provoca perdas da fotossíntese (local transparente).

Phaeoseptoria eucalypti: inicialmente ocorrem manchas marrom arroxeadadas agrupadadas por todo limbo; posteriormente salpiques negros pela folha, até que esta fique completamente necrosada. O controle é realizado com pulverizações químicas com Mancozeb.

Aulographina eucalypti: ocorrem manchas de marrons a pretas circularescoriáceas, pontuações negras e calosidade. Ocorre em regiões quentes, atacando principalmente as espécies E. saligna, E. globulus, E. viminalis. Não há controle.

Altenaria tenuissima: inicialmente manchas marrons avermelhadas e irregularmente circulares, contornadas por halo marrom vermelho, no centro amarelo claro, ocorrendo de 1 a 20 manchas por folha. Ocorre em regiões quentes, atacando principalmente as espécies E. alba, E. grandis, E. globulus. O controle é realizado através de adequado suprimento de macro e micronutrientes e pulverização com Mancozeb.

Trimmatostroma excentricum: manchas marrons escuras, coriáceas e várias por folha. Em E. Citriodora

Micosphaerella sp: manchas marrons claras, coriáceas e salpicadas de negro, no viveiro e em campo, irregularmente circulares. E. grandis, E. camadulensis.

Cercospora sp: ocorre em mudas passadas, maduras, manchas retangulares e irregulares. E. grandis, E. dunnii.

Ainda como doenças abióticas pode-se citar:

Déficit hídrico em eucalipto

A falta de água acarreta distúrbios fisiológicos no eucalipto, em viveiros a falta de irrigação pode levar as mudas à murcha permanente.

Sintomas

Em eucaliptos de 0,5 a 1,5 anos, há seca dos ponteiros, de galhos, e da haste principal; a necrose é em forma de V invertido em folhas ainda fixas; folhas com sintomas de deficiência mineral (clorose marrom pálida); necroses irregulares (trips); cancros pequenos; fendas e rugosidade na haste principal.

Eucaliptos com mais de 1,5 anos, são pouco afetados pelo déficit hídrico, com exceção do Eucalyptus grandis.

Em eucaliptos com mais de 4 anos, não se apresentam sintomas externos.

Solos encharcáveis

Devido à retenção de água ou ao levantamento do lençol freático, ocorre a deficiência de oxigênio para as raízes e microorganismos, elevando a concentração de gás carbônico.

Sintomas

Plantas raquíticas que morrem prematuras.

Ocorre a seca dos ponteiros em galhos e na haste principal em árvores tolerantes.

Há o lançamento de folhas anormais em árvores adultas e vários sintomas de deficiência de minerais.

Excesso de folhas nos talhões, principalmente após o primeiro corte.

Seca de ponteiros do eucalipto

Ocorre em regiões encharcadas, e onde a drenagem é insatisfatória ou onde o lençol freático é muito alto.

Sintomas

Lesões na extremidade da haste principal e dos pontos de inserção dos seus galhos e ramos; tais lesões podem causar anelamento e cancro. Esta doença é caracterizada pela inserção dos galhos com a haste principal, e pela inserção dos ramos e pecíolos.

Causas

Devido à ocorrência de um distúrbio fisiológico nas árvores de eucalipto, aparecem como consequência a inserção dos galhos com a haste principal, e a inserção dos ramos e pecíolos, predispondo as árvores ao ataque de fungos parasitas facultativos.

Controle

Plantio de procedências ou clones de eucalipto tolerantes à doença.

Conclusão

Concluímos que Seja qual for o problema, a prescrição de medidas de controle eficientes depende da correto e completo diagnóstico do agente causal. Outro aspecto importante a ser ressaltado é que a implementação de uma medida de controle precisa ser balizada entre sua viabilidade técnica e a econômica. Por vezes, a medida mais eficiente e econômica pode provocar impactos ambientais indesejáveis, como por exemplo a contaminação ambiental por agrotóxico.

Para controle das principais pragas do eucalipto deve-se, sempre, considerar possibilidades de manejo integrado, de controle biológico, inclusive utilizando-se insetos parasitóides e predadores de pragas.

Bibliografia

http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Eucalipto/CultivodoEucalipto/index.htm

http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./florestal/index.html&conteudo=./florestal/eucalipto.html

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