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Levantamento Topográfico

Autor:
Instituição: Unisinos
Tema: Topografia

LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO - NBR 13133

São Leopoldo, 14 de Novembro de 2003


I - INTRODUÇÃO

Temos como objetivo maior nesse trabalho, esclarecer alguns assuntos no que diz respeito a NBR 13133. O trabalho será dividido em oito partes, bem como os possíveis anexos ao fim desta pesquisa.

Seguir as normas, sejam elas quais forem, é sempre muito importante e lucrativo. Em nossas vidas de profissionais teremos que tomar muitas decisões, e para isso precisamos possuir um conhecimento. Esse conhecimento será trabalhado e cuidadosamente elaborado para que você tome corretas decisões em relação à execução de levantamento topográfico.


II - OBJETIVO

A NBR 13.133, válida a partir de 30.06.1994, fixa as condições exigíveis para a execução de levantamento topográfico destinado a obter:

a) conhecimento geral do terreno: relevo, limites, confrontantes, área, localização, amarração e posicionamento:

b) informações sobre o terreno destinadas a estudos preliminares de projetos:

c) informações sobre o terreno destinadas a projetos executivos.

As condições exigíveis para a execução de um levantamento topográfico devem compatibilizar medidas angulares, medidas de desníveis e as respectivas tolerâncias em função dos erros, selecionando métodos, processos e instrumentos para a obtenção de resultados compatíveis com a destinação do levantamento, assegurando que a propagação de erros não exceda os limites de segurança inerentes a esta destinação.


III - DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

Na aplicação desta Norma é necessário consultar:

Decreto nº 89.137, de 20/06/1984 – Instruções Reguladoras das Normas Técnicas da Cartografia Nacional, quanto aos padrões de exatidão.

Especificações e Normas Gerais para Levantamentos Geodésicos – IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Resolução PR nº 22, de 21/07/1983,publicada no Boletim de Serviço nº 1602, de 01/08/1983 de Lei nº 243, de 28/02/1976, que determina a competência da Instituição quanto aos levantamentos geodésicos.

NBR 5425 – Guia para inspeção por amostragem no controle e certificação da qualidade – procedimentos.

NBR 5426 – Planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos – procedimentos.

NBR 5427 – Guia para utilização da NBR 5426 – planos de amostragem e procedimentos na inspeção por atributos - procedimentos

NBR 8196 – Emprego de escalas em desenho técnico - procedimentos

NBR 8402 – Execução de caracteres para escrita em desenho técnico - procedimentos

NBR 8403 – Aplicação de linhas em desenhos – Tipos de linhas – Larguras das linhas - procedimentos

NBR 10068 – Folha de desenho – Leiaute e dimensões - procedimentos

NBR 10126 – Cotagem em desenho técnico - procedimentos

NBR 10582 – Apresentação da folha para desenho técnico - procedimentos

NBR 10647 – Desenho técnico – Norma geral – terminologia

DIN 18723 Teil 3 – Deutsche Normem Genauigkeitsuntersuchungem na Geodatischen Instrumenten – Theodolite.


IV - DEFINIÇÕES

Para efeitos desta Norma são adotadas as definições a seguir:

1. Alinhamento de via (ou alinhamento predial):

Linha divisória que separa o lote de terreno do logradouro público.

2. Apoio geodésico altimétrico:

Conjunto de referências de nível, materializadas no terreno, que proporciona o controle altimétrico dos levantamentos topográficos e o seu referenciamento ao datum (origem) altimétrico do país.

3. Apoio geodésico planimétrico:

Conjunto de pontos, materializados no terreno, que proporciona aos levantamentos topográficos o controle de posição em relação à superfície terrestre determinada pelas fronteiras do país, referenciando-os ao datum (origem) planimétrico do país.

4. Apoio topográfico:

Conjunto de pontos planimétrico, altimétrico ou planialtimétrico que dão suporte ao levantamento topográfico.

4.1. Apoio topográfico altimétrico:

Conjunto de pontos materializados no terreno, com suas alturas referidas a uma superfície de nível arbitrária (cotas) ou ao nível médio do mar (altitudes), que serve de suporte altimétrico ao levantamento topográfico. Estes pontos são hierarquizados pelo seu erro médio quilométrico de sua determinação, classificando-os como de ordem superior e ordem inferior.

4.2. Apoio topográfico planimétrico:

Conjunto de pontos, materializados no terreno, com coordenadas cartesianas (x e y) obtidos a partir de uma origem no plano topográfico, que serve de base planimétrica ao levantamento topográfico. Estes pontos formam uma figura complexa de lados orientados, hierarquizados, onde os de ordem superior podem estar espaçados em até 10 km, e os de ordem inferior, em até 500 m, ou menos, conforme a extensão da área a ser levantada e o fim a que se destinam.

5. Carta (ou Mapa)

Representação gráfica sobre uma superfície plana, dos detalhes físicos, naturais e artificiais, de parte ou de toda a superfície terrestre – mediante símbolos ou convenções e meios de orientação indicados, que permitem a avaliação das distâncias, a orientação das direções e a localização geográfica de pontos, áreas e detalhes -, podendo ser subdividida em folhas, de forma sistemática, obedecido um plano nacional ou internacional. Esta representação em escalas médias e pequenas leva em consideração a curvatura da terra, dentro da mais rigorosa localização possível relacionada a um sistema de referência de coordenadas.

Nota: os ingleses e os americanos dão preferência ao termo mapa, enquanto os franceses e demais países de origem latina ao termo carta.

6. Croqui

Esboço gráfico sem escala, em breves traços, que facilite a identificação de detalhes.

7. Desenho Topográfico final (ou desenho final)

Peça gráfica realizada, a partir do original topográfico, sobre base transparente, dimensionalmente estável.

8. Desvio-padrão(ou erro médio quadrático (m))

9. Erro de graficismo

10. Erro máximo admissível na elaboração de desenho topográfico para lançamento de pontos e traçados de linhas, com valor de 0,2 mm.

11. Exatidão

Grau de aderência das observações, em relação ao seu valor verdadeiro que, sendo desconhecido, o valor mais provável é considerado como a média aritmética destas observações.

12. Levantamento de detalhes

Conjunto de operações topográficas clássicas(poligonais,irradiações, ou por ordenadas sobre uma linha base), destinado à determinação das posições planimétricas e ou altimétricas dos pontos que vão permitir a representação do terreno a ser levantado topograficamente a partir do apoio topográfico.

13. Levantamento topográfico

Conjunto de métodos e processos que, através de medições de ângulos horizontais e verticais, de distâncias horizontais, verticais e inclinadas, com instrumental adequado à exatidão pretendida, primordialmente, implanta e materializa pontos de apoio no terreno, determinando suas coordenadas topográficas.

Levantamento topográfico expedito

Levantamento exploratório do terreno com a finalidade específica de seu reconhecimento, sem prevalecerem os critérios de exatidão.

14. Levantamento topográfico planimétrico (ou levantamento planimétrico, ou levantamento perimétrico)

Levantamento dos limites e confrontações de uma propriedade, pela determinação do seu perímetro, incluindo, quando houver, o alinhamento da vida ou logradouro com o qual faça frente, bem como a sua orientação e a sua amarração a pontos materializados no terreno de uma rede de referência cadastral, ou, no caso de sua inexistência, a pontos notáveis e estáveis nas suas imediações.

15. Levantamento topográfico altimétrico (ou nivelamento)

Levantamento que objetiva, exclusivamente, a determinação das alturas relativas a uma superfície de referência dos pontos de apoio e/ou dos pontos de detalhes, pressupondo-se o conhecimento de suas posições planimétricas, visando à representação altimétrica da superfície levantada.

16. Levantamento topográfico planialtimétrico

Levantamento topográfico planimétrico acrescido da determinação altimétrica do relevo e da drenagem natural.

17. Levantamento topográfico planimétrico cadastral

Levantamento planimétrico acrescido da determinação planimétrica da posição de certos detalhes visíveis ao nível e acima do solo e de interesse à sua finalidade, tais como: limites de vegetação ou de culturas, cercas internas, edificações, benfeitorias, posteamentos, barrancos, árvores isoladas, valos, drenagem natural e artificial, etc...

18. Levantamento topográfico planialtimétrico cadastral

Levantamento topográfico planimétrico acrescido dos elementos planimétricos inerentes ao levantamento planimétrico cadastral, que devem ser discriminados e relacionados nos editais de licitação, propostas e instrumentos legais entre as partes interessadas na sua execução.

19. Método das direções

Consiste nas medições angulares horizontais com visadas das direções determinantes nas duas posições de medição permitidas pelo teodolito (direita e inversa), a partir de uma direção tomada como origem, que ocupa diferentes posições no limbo horizontal do teodolito.

20. Nivelamento geométrico (ou nivelamento direto)

Nivelamento que realiza a medida da diferença de nível entre pontos do terreno por intermédio de leituras correspondentes a visadas horizontais, obtidas com um nível, em miras colocadas verticalmente nos referidos pontos.

21. Nivelamento taqueométrico

Novelamento trigonométrico em que as distâncias são obtidas taqueometricamente e a altura do sinal visado é obtida pela visada do fio médio do retículo da luneta do teodolito sobre uma mira colocada verticalmente no ponto cuja diferença de nível em relação à estação do teodolito é objeto de determinação.

22. Nivelamento trigonométrico

Nivelamento que realiza a medição da diferença de nível entre pontos do terreno, indiretamente, a partir da determinação do ângulo vertical da direção que os une e da distância entre estes, fundamentando-se na relação trigonométrica entre o ângulo e a distância medidos, levando em consideração a altura do centro do limbo vertical do teodolito ao terreno e a altura sobre o terreno do sinal visado.

23. Obras-de-arte-especiais

Constituem realizações de porte, que não se reproduzem idênticas.Defrontam-se, em cada local, com condições próprias, que as diversificam, impossibilitando a tipificação.

24. Original topográfico(ou cartão)

Base em material dimensionalmente estável, quadriculada previamente, onde são lançadso, na escala gráfica predeterminada, os pontos coletados no campo pelo levantamento topográfico, devidamente calculados e compensados e, em seguida, definidos os elementos planimétricos em suas dimensões e/ou traçadas as curvas de nível a partir dos pontos de detalhes e com controle nas referências de nível do apoio topográfico.

25. Planta

Representação gráfica de uma parte limitada da superfície terrestre, sobre um plano horizontal local, em escalas maiores que 1:10000, para fins específicos, na qual não se considera a curvatura da terra.

26. Poligonal auxiliar

Poligonal que, baseada nos pontos de apoio topográfico planimétrico, tem os seus vértices distribuídos na área ou faixa a ser levantada, de tal forma, que seja possível coletar, direta ou indiretamente, por irradiação, interseção ou por ordenadas sobre uma linha-base, os pontos de detalhe julgados importantes, que devem ser estabelecidos pela escala ou nível de detalhamento do levantamento.

27. Poligonal principal(ou poligonal básica)

Poligonal que determina os pontos do apoio topográfico de primenra ordem.

28. Poligonal secundária

Aquela que, apoia nos vértices da poligonal principal, determina os pontos do apoio topográfico de segunda ordem.

29. Ponto

Posição de destaque na superfície a ser levantada topograficamente.

30. Pontos cotados

Pontos que, nas suas representações gráficas, se apresentam acompanhados de sua altura.

31. Pontos de apoio

Pontos, convenientemente distribuídos, que amarram ao terreno o levantamento topográficoe, por isso, devem ser materializados por estacas, piquetes, marcos de concreto, pinos de metal, tinta, dependendo da sua importância e permanência.

32. Pontos de detalhe

Pontos importantes dos acidentes naturais e/ou artificiais, definidores da forma do detalhe e/ou do relevo, indispensável à sua representação gráfica.

33. Pontos de segurança

Pontos materializados para controle do nivelamento.

34. Precisão

Valores que expressam o grau de aderência das observações entre si.

35. Princípio da vizinhança

Regras básicas da geodésia, que deve ser também aplicada à topografia. Esta regra estabelece que cada ponto novo determinado deve ser amarrado ou relacionado a todos os pontos já determinados, para que haja uma otimização da distribuição dos erros. E importante a hierarquização, em termos de exatidão dos pontos nos levantamentos topográficos, pois cada ponto novo determinado tem exatidão sempre inferior à dos que serviram de base a sua determinação, não importando o grau de precisão desta determinação.

36. Rede de referência cadastral

Rede de apoio básico de âmbito municipal para todos os levantamentos que se destinem a projetos, cadastrados ou implantação de obras, sendo constituída por pontos de coordenadas planialtimétricas materializados no terreno, referenciados a uma única origem (Sistema Geodésico Brasileiro – SGB) e a um mesmo sistema de representação cartográfica, permitindo a amarração e conseqüêntemente incorporação de todos os trabalhos de topografia num mapeamento de referência cadastral.

37. Seção

Segmento de linha entre duas referância de nível

38. Série de observações angulares verticais conjugadas

Consiste na medição do ângulo vertical (zenital ou de inclinação) do ponto observado, nas duas posições de medição do teodolito (direta e inversa). O valor do ângulo vertical é a média dos valores obtidos nas diversas séries de observações angulares conjugadas.No caso do teodolito fornecer ângulos zenitais, estes podem, ser for o caso, ser transformados em ângulos de inclinação, que são complementares dos ângulos medidos.

39. Sistema geodésico brasileiro(SGB)

Conjunto de pontos geodésicos descritores da superfície da Terra, implantados e materializados na porção da superfície terrestre delimitada pelas fronteiras do país, com vistas às finalidades de sua utilização, que vão desde o atendimento a projetos internacionais de cunho científico, passando pelas amarrações e controles de trabalhos geodésicos e cartográficos, até o apoio aos levantamentos no horizonte topográfico, onde prevalecem os critérios de exatidão sobre as simplificações para a figura da Terra.

40. Sistema de projeção topográfica( ou sistema topográfico local)

Sitema de projeção utilizado nos levantamentos topográficos pelo método direto clássico para a representação das posições relativas dos acidentes levantados, através de medições angulares e lineares, horizontais e verticais.

41. Sistema de proteção Universal Transversa de Mercator (UTM)

Sistema de representação cartográfica adotado pelo Sistema Cartográfico Brasileiro, recomendado em convenções internacionais das quais o Brasil foi representado como entidade participante.


V - APARELHAGEM

1. Instrumental Básico

Para a execução de Levantamento planialtimétrico, Levantamento planialtimétrico cadastral, Nivelamento de linhas ou circuitos e seções e rede de referência cadastral municipal - Poligonais, são indicados os seguintes instrumentos;

2. Instrumental auxiliar

Para a execução de Levantamento planialtimétrico cadastral, Nivelamento de linhas ou circuitos e seções e Rede de Referência Cadastral Municipal - Poligonais, são indicados os seguintes instrumentos:


VI - CONDIÇÕES GERAIS

O levantamento topográfico, em qualquer de suas finalidades, deve ter, no mínimo, as seguintes fases:


VII - CONDIÇÕES ESPECÍFICAS

As condições específicas para o levantamento topográfico referem-se apenas às fases de apoio topográfico e de levantamento de detalhes, que são as mais importantes em termos da definição da sua exatidão (erros sistemáticos e erros acidentais).

Fundamentam-se na seleção de métodos processos e aparelhagem que assegurem propagações de erros acidentais no levantamento topográfico, não excedentes às tolerâncias admissíveis por suas destinações no objetivo da compatibilização das medidas angulares, lineares e de desníveis. Considerando as finalidades do levantamento topográfico, a densidade de informações a serem representadas e a exatidão necessária a cada finalidade, que consubstanciam conjuntos de elementos, isolados ou combinados, formando classes, as quais são melhores explicitadas na própria NBR 13.133.

O ajustamento de poligonais e o estabelecimento de tolerâncias de fechamento devem obedecer ao prescrito em 6.5.1 e 6.5.8 da NBR 13.133.

Os nivelamentos necessários ao levantamento topográfico encontram-se prescritos no item 6.6 da NBR 13.133.

Outras etapas como INSPEÇÃO e ACEITAÇÃO e REJEIÇÃO, tão importantes quanto às demais, não foram desenvolvidas neste trabalho por tratar-se de assuntos pouco relevantes para o presente SEMINÁRIO devido à fase inicial do aprendizado de Topografia, porém encontram-se bem claros nos itens sete e 8 da NBR 13.133.


VIII - CONCLUSÃO

Bem, agora já teremos melhores condições para decidirmos o que e como fazer um bom levantamento topográfico. Em um mundo cada vez mais competitivo é muito difícil fazer a "coisa" certa. Cada vez mais os profissionais de diversas áreas, e principalmente entre si, se preocupam muito mais com os rendimentos do que com as regras que devem ser seguidas para ser desta maneira ético consigo, com o próximo e com o mundo.

Que de alguma maneira esse trabalho tenha refletido em você algo positivo.

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