A Feira da Sulanca de Caruaru

Autor:
Instituição: FAFICA
Tema: Relatório

A FEIRA DA SULANCA DE CARUARU

Caruaru,

07 de junho de 2006


Origem

Para uma corrente, Sulanca vem da união de helanca (malha vinda do Sul do País) e sul; outros lhe dão como origem, uma designação depreciativa dada ao produto no início: algo como sucata. Esta hipótese tem mais fundamento,  porque é coerente com o princípio da confecção: coberta ou roupa feita pelo povo com pedaços de retalhos.  Esse produto mal acabado, de carregação mesmo, como era caracterizado em sua origem, era resultante de uma sociedade então muito pobre, que buscava sobreviver com seus próprios meios. Assim, é provável que a primeira sílaba (su) da palavra sulanca, tenha advindo de sucata, assim como o restante (lanca), de helanca. Por essa versão, a sulanca, originariamente, estaria para a confecção usual, assim como a sucata está para o equipamento normal.

A sulanca passou de simples cobertas e roupas populares para confecção de qualidade,  que hoje nada fica a dever a outros produtos convencionais do gênero no mercado. A atividade explodiu, passando a caracterizar o comércio e, principalmente a fabricação de confecções. Sulanca significa hoje, por extensão, toda utilização de tecidos, confecções e até mesmo a comercialização de produtos afins na região.

 Destaca-se pela informalidade dominante, por suas vendas no atacado e por apresentar preços mais reduzidos tanto em grosso quanto no varejo. O negócio deu tão certo que outras regiões deste e de outros estados o copiaram com êxito. Pelo menos no Nordeste,  ela está presente hoje, praticamente, em toda parte.

A feira nasceu pequena junto com a capela de Nossa Senhora da Conceição, em 1781. No início só funcionava aos sábados para atender os viajantes que se dirigiam ao Sertão e, obrigatoriamente, teriam que passar pelo local. As ricas pastagens atraíam o comércio de bois na região, rica em plantações, por conta do solo de terra vermelha. O surgimento da cidade, há 142 anos, fez com que a feira ganhasse fama com a diversificação dos produtos oferecidos, contribuindo para que Caruaru se tornasse o principal centro de integração do comércio e cultura do Agreste pernambucano.

A Feira da Sulanca de Caruaru está instalada no Parque 18 de Maio, numa área de aproximadamente 40 mil m². A feira existe a mais de 221 anos, desde o ano de 1780, originada na formação da cidade, tornando-se um centro convergente que atrai as populações, não só da sede, mas das cidades vizinhas e estados fronteiriços, para venda ou troca de mercadorias.


Estrutura

A Feira é gigantesca: são várias barracas, a perder de vista e uma infinidade de mercadorias. Está integrada ao ambiente da tradicional Feira de Caruaru, que comercializa legumes, carnes, verduras, frutas, flores, potes, ferragens, roupas, calçados, ervas medicinais e comidas típicas. Com o passar dos anos o local foi se modernizando, tornando-se mais organizado, facilitando a vida dos feirantes. Em contrapartida, a modernização modificou toda a estrutura e contribuiu para que a feira perdesse suas características originais, a exemplo de alguns de seus personagens típicos.

Funcionando, como foi citado anteriormente, no Parque 18 de Maio, toda terça-feira, a partir das 5 h, é dia de feira da sulanca, onde são comercializadas roupas e outras confecções a preços bem populares.

Atualmente, a Feira da Sulanca enfrenta problemas sérios de infra-estrutura, com esgotamento do espaço físico disponível para novos comerciantes, falta de segurança, além da coleta de lixo e serviço de limpeza deficientes.   Junto a isso, há poluição visual com a desordenação das barracas, as instalações elétricas são precárias e o estacionamento não suporta a demanda de veículos.

Dados da Secretaria de Serviços Urbanos, indicam a existência de 15 mil barracas na tradicional Feira de Caruaru, distribuídas também pela Sulanca - que surgiu com poucas barracas de confecções e hoje conta com 11 mil delas.

Dados da Secretaria de Serviços Urbanos, revelam números significativos relativos à movimentação semanal da Feira da Sulanca de Caruaru:

  • 10.000 (dez mil) bancos de madeira
  • 22 ruas ocupadas
  • 8000 (oito mil) feirantes com alvará
  • 5300 feirantes do sexo masculino
  • 2700 feirantes do sexo feminino
  • 2000 vendedores em lona
  • 300 vendedores ambulantes
  • 1200 lojas comerciais
  • 170 bares e lanchonetes
  • 40 hotéis e dormitórios
  • 2000 carros particulares
  • 100 vans, peruas e microônibus
  • 85 ônibus de turistas
  • 500 bicicletas
  • 40 carroças de burro
  • 10 pontos de moto-táxi
  • 1000 moto-táxis
  • 3 pontos de táxi
  • 3 pontos de ônibus
  • 120 proprietários de bancas
  • 300 colocadores de bancos
  • 660 carregadores de frete
  • 50 funcionários da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo.


Economia

Com o campo aberto em face da saída dos pioneiros, destacou-se por volta de 1963 o então motorista de caminhão Fernando Silvestre da Silva (Noronha), já falecido, que investiu "30 mil contos de réis" para controlar no lugar a revenda de tecidos. Para não correr o risco de perder o estoque feito, resolveu vendê-lo todo a prazo a costureiras, com base apenas na confiança.  "Deu certo e a coisa não parou mais", segundo palavras do próprio Noronha à revista VEJA, edição de 13.12.78. Depois disso, a sulanca começou a explodir, e ele veio a se transformar num dos homens mais ricos do lugar. 

Sorrateira, a sulanca chega a butiques de capitais, onde é vendida como confecção fina do Sul do País. Vende hoje para muitos estados do Brasil, além de colocar seus produtos no exterior.

A feira da sulanca de Caruaru que, segundo alguns feirantes, é onde se concentra o maior movimento do faturamento desta cidade desde que a mesma mudou da segunda-feira à noite tendo sua continuidade na terça-feira, para somente ter início na terça-feira gerou uma queda no faturamento de aproximadamente 30%.

Mas existem também opiniões divididas em relação ao dia e hora, o melhor dia e hora para negociar na feira da sulanca é começando por volta das 18h da segunda-feira, tendo seu término no dia seguinte pouco depois das 13h. Já outros reclamam do fato de os riscos tomarem conta do comércio, que deveria ser do povão pobre, mas atualmente só o rico ganha dinheiro na feira da sulanca. D. Iranete é feirante há oito anos e vende blusas a partir de R$ 1,70 e paga R$ 2,00 por dia feirante provisório, "agora com esta mudança eu vendo menos, portanto ganho menos e chegam dias de não valer a pena trazer o material para vender".

Mas, o feirante José Adeildo, que vende confecções há três anos, acha melhor trabalhar somente na terça-feira porque para ele o dia mesmo da feira deve ser na terça e se esta começar um dia antes daqui uns anos a feira da sulanca ficará mais desorganizada do que agora, "se já é difícil organizar a bagunça de um dia, que dirá de um dia e meio ou dois".

Os feirantes estão insatisfeitos com a falta de organização da feira da sulanca, chegando a dar nota zero para a mesma e falaram que não há segurança e ainda se alguém quiser sentir-se seguro tem que fazer a própria segurança.


Organização

Depois de ocupar praticamente o centro de Caruaru, tornando-o um verdadeiro caos. A transferência da feira foi definitiva. Deslocada para o Parque 18 de maio, tornou-se umas das maiores feiras ao ar livre do Brasil.

Seu funcionamento é inusitado. A feira só abre às terças. Com colocação de bancos a partir das 22h da segunda e com início de fornecimento de energia elétrica a partir das 3h ela começa a ser montada e às 5h começa a funcionar onde alcança seu ponto alto. O evento é como se fosse um imenso shopping popular ao ar livre, que se monta e se desmonta a cada semana.

Feirantes de Toritama, Taquaritinga, Vertentes, Caruaru e de outras cidades, vizinhas e distantes, expõem seus produtos a compradores deste e de outros estados, sendo intenso o movimento em grande parte da cidade. Quem não tem dinheiro nem emprego, em geral, encontra sempre ocupação nessa feira.  Pelo menos, vai empurrar carroça para levar frete aonde o veículo motorizado não chega. A característica da feira é a informalidade bem como a variedade de produtos a preços reduzidos, para todos os gostos e condições.

Surgida de modo espontâneo na cidade, se agigantou de tal forma que virou a maior feira livre do país. Segundo dados oficiais, são mais de 10 mil barracas que atendem, em média, a mais de 40 mil pessoas por feira, com um giro de capital superior a R$ 1 milhão. Sua repercussão nacional e internacional é comprovada pela presença contínua de turistas de outros estados e de outros países.


Turismo

Longe de ser apenas e tão somente a Capital do Forró, Caruaru cresce a olhos vistos, com a movimentação econômica que vem das feiras da Sulanca e de Artesanato. A cidade tem se transformado num roteiro de viagem charmosa em toda época do ano, oferecendo atrações que vão desde a cultura popular à gastronomia regional e principalmente o seu circuito de compras.

Originada na formação da cidade, a Feira de Caruaru divide-se em três principais seguimentos: a Feira do Artesanato, a Feira da Sulanca e a Feira Livre. Numa das maiores feiras ao ar livre do mundo, o turista fica fascinado com tanta diversidade, com a manifestação popular e com a gastronomia exótica.

Para quem vem conhecer a moda que é produzida no Pólo de Confecções do Agreste, o circuito de compras inclui a Feira da Sulanca, no Parque 18 de Maio, o Pólo Comercial e o Shopping Center de Caruaru, onde, além das lojas, posto de serviços, praça de alimentação e de eventos, foi montada ainda uma mostra da Feira de Artesanato de Caruaru.

A feira da Sulanca destina-se mais a comerciantes de outras localidades que vão a Caruaru em busca de roupas a bons preços para revender. Pela grandiosidade, a feira tem um horário especial e é aberta somente às terças-feiras. Às 3h de terça, a feira é aberta para a organização das barracas, ou bancos, como são chamados. Às 5h, a feira começa a funcionar de fato.

Os negócios são fechados entre 3 e 5 horas da manhã, quando centenas de ônibus chegam abarrotados de sacoleiros de todo Nordeste, e voltam para casa antes do amanhecer. De uns tempos para cá, a Sulanca também virou Feira Paraguaia por causa da quantidade de muambas eletrônicas vendidas nas suas barracas.


Segurança

A Polícia Rodoviária Federal de Pernambuco define estratégia de segurança na rota da Feira da Sulanca, participou do 1° Seminário "A Feira da Sulanca e sua Importância Socioeconômica: Caminhos para a sua sustentabilidade", realizado em Caruaru/PE. O Seminário enfocou a importância da Feira no cenário estadual e nacional. E teve o objetivo de fortalecimento e desenvolvimento não só da Feira como dos municípios que fazem parte do Pólo de confecções do Agreste.

Além da PRF, participaram do evento instituições como Polícias Civil e Militar, DNIT, Sebrae, CPRH, Secretarias Estaduais do Desenvolvimento Urbano e de Ciência e Tecnologia, e autoridades como o Governador do Estado, o vice, o Prefeito de Caruaru, além dos prefeitos de Santa Cruz do Capibaribe/PE e Toritama/PE.

Cada um apresentou os trabalhos que estão sendo desenvolvidos em suas áreas, os pontos críticos, além de trazer propostas concretas de solução e melhoria da infra-estrutura que envolve a Feira da Sulanca.

A Polícia Rodoviária Federal foi convidada para traçar uma estratégia de ação eficiente e integrada com outras forças, contra os marginais que atuam nas BRs 101, 104, 232 e 423, rodovias federais que dão acesso a Caruaru. O Chefe da Seção de Policiamento e Fiscalização apresentou as ações operacionais que vêm sendo realizadas, para dar mais segurança aos usuários que utilizam aquela rota.

A Feira é famosa pela pluralidade de produtos populares de alta qualidade e pelo baixo valor das mercadorias. Fato que atrai milhares de sulanqueiros de todo o Brasil. Mas o comércio do Pólo também vem chamando a atenção de grupos criminosos que sabem o dia e a hora que os grupos de sulanqueiros viajam.

Cerca de 200 policiais faz a segurança na operação Sulanca, como foi batizada a ação. Foi instalada uma delegacia móvel, com dois delegados e 200 homens das Polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros, além do Gate e da Rocam. A operação, tendo à frente o coronel Alex Shamá, comandante do 4º BPM, e o delegado Ernande Francisco, da Derepol, começa sempre às 18h da segunda-feira, se estendendo por toda a terça-feira, dia em que a feira acontece. Foram implantados ainda elevados da Polícia Militar em pontos estratégicos, de onde se pode acompanhar a movimentação no Parque 18 de Maio.

A operação Sulanca já tirou de circulação cerca de 50 lanceiros e assaltantes.


Trabalho Infantil na Feira

Quem circula pela área da Feira da Sulanca, em Caruaru, no Agreste, encontra muitas crianças e adolescentes trabalhando. Seja no comércio de roupas e produtos eletrônicos ou no transporte de mercadorias, muitos deles deixam de estudar para ajudar os pais ou para garantir o sustento. E o pior: essa prática tem se tornado cada vez mais freqüente.

A cidade deu início a uma mobilização contra o trabalho infantil. Por ter uma das maiores feiras abertas do Brasil, com alta incidência de crianças trabalhando, o local foi escolhido pelo Ministério do Desenvolvimento Social para conscientizar e orientar os pais que insistem em levar seus filhos para trabalhar na feira, prática ilegal que prejudica o rendimento escolar. O local recebe em média cerca de 40 mil famílias por semana. A diretora de educação para a cidadania, Irarita Almeida, espera que o trabalho de conscientização tenha resultado mais significativo desta vez. "No primeiro momento vamos mostrar aos pais o que pode acontecer com eles caso descumpram a lei que proíbe a exploração de crianças e jovens no mercado de trabalho" observou.

Osvaldo Russo, Secretário Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social, diz que a idéia da campanha surgiu por conta de uma preocupação da existência de trabalho infantil em feiras por todo país e, ao mesmo tempo, mostrar que existem os programas sociais e que essas famílias que não estão incluídas, têm direito. As crianças que forem identificadas em situação de trabalho infantil na feira de Caruaru serão inseridas nos programas sociais. E as famílias que desrespeitarem a lei serão autuadas pelos Conselhos Tutelares. Esse é um contexto em que se quer fortalecer a família e os vínculos comunitários no centro da atenção do Sistema Único Assistência Social.

Entre as ações e projetos de combate à exploração da mão-de-obra de jovens e crianças, destaca-se em todo o cenário nacional o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), carro-chefe das políticas públicas na área. Implementado em 1996, originalmente o PETI se destinava a atender, com ajuda financeira e pedagógica, crianças que trabalhavam em carvoarias, no Mato Grosso do Sul. Atualmente o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) atende, em todo país, cerca de um milhão de crianças e a expectativa do MDS é chegar ao fim de 2006 com um total de 2,5 milhões.

Renato Pinto, coordenador do programa dos direitos da criança e do adolescente, do Centro Dom Hélder Câmara de Estudos e Ação Social, destacou que em todo o Estado de Pernambuco existem atualmente 360 mil crianças e adolescentes empregados em atividades como hortifruticultura, mercado informal, serviços domésticos e nos lixões. De acordo com ele, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) conseguiu que milhares de crianças que atuavam no corte da cana passassem a freqüentar a escola. A mão-de-obra infantil é utilizada com freqüência no trabalho de confecção do pólo têxtil do agreste de Pernambuco e também na comercialização das peças, na feira da Sulanca por conseguirem remuneração acima da média, em comparação a outros serviços executados por crianças na região, sendo que os pais são os principais incentivadores dos filhos, por conta dos rendimentos que a família consegue alcançar no final do mês.

Em centros urbanos, além do trabalho nos lixões, as crianças e adolescentes também encontram amplo "mercado de trabalho" no comércio informal. O setor é responsável por 12% do total de jovens utilizados como mão-de-obra. Segundo a auditora Vanessa Patriota não se encontram mais crianças no trabalho formal. "A Delegacia Regional do Trabalho realiza freqüentes vistorias nas Feiras da Sulanca, em Caruaru, e em Toritama. Em Caruaru, onde encontramos 300 crianças no trabalho, conseguimos uma ampliação da meta do PETI", afirma.

Conselheiros Tutelares e técnicos das secretarias da Infância e Juventude do município de Caruaru e de Desenvolvimento Social e Cidadania do Estado (SEDSC) realizam fiscalizações na Feira da Sulanca, para identificar e inibir a exploração do trabalho infantil. No início a ação tem apenas caráter educativo, através da orientação dos pais e responsáveis a respeito da legislação que rege o trabalho dos menores de 18 anos, divulgando o Estatuto da Criança e do Adolescente que proíbe esse tipo de exploração, a não ser quando o adolescente maior de 14 anos esteja em condição de aprendiz. Ao final da operação as crianças com idade entre nove e 17 anos são cadastradas. Ao serem abordados, as próprias crianças e adolescentes respondem a um questionário, que entre outros itens constam nomes dos pais, local onde reside, endereço da escola onde estuda, assim como a série escolar. Os fiscais também questionam se os meninos e meninas já estão inseridos em algum programa assistencialista, a exemplo da bolsa-escola ou bolsa-família. Dependo do resultado dos questionários, os jovens poderão ser inseridos no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI).

Atualmente, 1.300 crianças e jovens estão sendo beneficiados em Caruaru pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). Além disso, 13 famílias participam do programa do governo federal de geração de renda, trabalhando na confecção de roupas, doces e salgados, por meio cooperativas.

Não é difícil para os fiscais localizarem os garotos espalhados entre os bancos da feira. Muitos ficam dormindo. Há caso até mesmo da presença de até quatro irmãos ajudando os pais. Os meninos e meninas que respondem aos questionamentos são encontrados na companhia dos pais, trabalhando na venda de mercadorias, e muitos deles, carregam fretes ou empurram carroças. Os conselheiros encontram também meninos de apenas três anos, usados pelos pais para pedir esmolas. Entre os pais, a maioria diz que não tem com quem deixar os filhos. Outros reconhecem o desgaste do trabalho para os filhos, porém deixam clara a exigência da presença deles na sala de aula. Há garotos e garotas de Caruaru e demais cidades da região. Posteriormente é encaminhada uma correspondência para que os pais das crianças e adolescentes compareçam aos conselhos tutelares de suas cidades, quando serão orientados quanto à necessidade de manter os filhos nas salas de aula, evitando o trabalho infantil.

De acordo com a secretária municipal da infância e da juventude, Elizabeth Cristina Ferreira, destaca que o problema é uma questão cultural, já que muitos pais são advertidos sobre a irregularidade, mas continuam com a prática, argumentam que estão atuando no próprio negócio, preparando os filhos para enfrentar as dificuldades da vida desde cedo.

A Feira da Sulanca começa às 5 horas da terça-feira. Isso faz com que as crianças faltem às aulas e às atividades sócio educativas de programas sociais nas terças-feiras.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

EQUIPE NUCOM/PE

GAZETA DE ALAGOAS | GERAL

IBGE e Governo do Estado de Pernambuco

Prefeitura Municipal de Caruaru

ASCOM/MDS

Diario de Pernambuco; Jornal do Commercio; Folha de Pernambuco, 18, 19 e 20/03

SITES:

caruaru.pe.gov.br

http://www.clippingexpress.com.br/noticias_justica.php?id=20716

http://www2.uol.com.br/caruaru/not07.html

http://www.telelistas.net/guias/turismo/templates/materia_int.aspx?novapagina=1&idcntd=6135

http://www.citybrazil.com.br/pe/caruaru/compras.htm

http://www.municipios.pe.gov.br/municipio/municipios/exibir_noticia.asp?municipio=45&id_noticia=649

http://carlosmadeiro.vilabol.uol.com.br/abertura.htm

http://www.selounicef.org.br/2006/?op=300&id_srv=2&id_tpc=32&nid_tpc=&id_grp=10&add=&lk=1&nti=574&l_nti=S&itg=S&st=&dst=3

http://www.radiobras.gov.br/abrn/brasilagora/materia.phtml?materia=260072

http://www.easysystem.com.br/conteudo/noticias/ver_noticias.asp?id=2367


ANEXOS

Ônibus com sacoleiros alagoanos é atacado em PE


Sacoleiros alagoanos que seguiam viagem de Maceió com destino a Caruaru (PE) sofreram, na madrugada de ontem, uma tentativa de assalto que resultou em sete passageiros feridos. De acordo com informações do motorista do ônibus da empresa Cooperbus, responsável pelo transporte dos sacoleiros, Francisco Nascimento, o coletivo foi interceptado por um veículo Palio de cor vermelha e placa não identificada, na BR-104, entre os municípios pernambucanos de Agrestina e Caruaru, na localidade conhecida como Serra da Quitéria. A tentativa ocorreu por volta de uma da madrugada.

Segundo ele, quatro assaltantes fortemente armados tentaram abordar o ônibus na subida de uma ladeira, forçando o veículo a parar. Os assaltantes efetuaram vários disparos contra o veículo que transportava os sacoleiros para a tradicional feira da sulanca de Caruaru. "Eles pararam cerca de 50 metros na frente do ônibus e efetuaram os disparos contra a gente. A minha reação foi engatar a marcha à ré para distanciar o ônibus deles", disse o motorista, que também sofreu ferimentos leves.

Seguranças particulares que estavam no ônibus teriam reagido à tentativa de assalto iniciando uma troca de tiros contra os assaltantes do Palio. "Os criminosos, ao perceberem a chegada de uma ambulância que passava pela rodovia federal, foram embora", declarou Francisco Nascimento, que há dez anos trabalha com o transporte de passageiros. "Quando os assaltantes fugiram, levei o ônibus direto para Caruaru. As pessoas gritavam muito e estavam assustadas", disse ele, já em sua casa, em Maceió, no Conjunto Dubeaux Leão, onde observava as avarias sofridas no ônibus, inclusive marcas de bala.

Durante os instantes em que perdurou a troca de tiros, sete passageiros foram atingidos por estilhaços de vidro, sofrendo pequenas escoriações. Entre eles estão Licéia dos Santos, Marcos Antônio Willian, Maria Cícera da Conceição, Maria de Fátima Correia, Maria José de Sousa e Daniele Santos Vieira. Apenas o proprietário do ônibus, Edval Mendonça Belo, 39 anos, que também participava da viagem, teve a perna esquerda fraturada durante a tentativa de fuga do ônibus dos sacoleiros.

Todos os feridos foram atendidos no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, sendo medicados e liberados após terem recebido os primeiros socorros. De acordo com a polícia pernambucana, o proprietário do ônibus, em função da gravidade do ferimento, só teve a transferência autorizada para Maceió após ter assinado um termo de responsabilidade.

De acordo com agente da Polícia Civil do posto policial do Hospital Regional do Agreste, Darley Alves, os assaltos a ônibus de sacoleiros nas localidades próximas à cidade de Caruaru tornaram-se constantes. "Este tipo de assalto é freqüente na região.

Eles tinham diminuído nos últimos meses, mas não deixam de ocorrer, já que Caruaru recebe inúmeros ônibus de vários estados nordestinos. Em média, são registrados cerca de dois assaltos por mês a ônibus de sacoleiros que seguem em direção à feira da sulanca da cidade", frisou ele, lembrando que a polícia ainda não tinha informações sobre o destino dos assaltantes. Os passageiros do ônibus (todos procedentes de Maceió) retornaram para Alagoas no fim da manhã de ontem no próprio ônibus em que foram vítimas da tentativa de assalto e que estava com os pára-brisas quebrados.

O grupo ainda conseguiu fazer as compras em Caruaru, para depois retornarem. Eles prestaram queixa da tentativa de assalto no posto policial do Hospital Regional do Agreste. A Polícia Federal e a Delegacia Regional de Caruaru, até o fim da tarde de ontem, não tinham sido notificadas da tentativa de assalto.


O Povo da Feira na Feira do Povo

Um universo popular de sabedoria. Assim, hoje, e muito provavelmente desde sua existência, podemos definir a Feira de Caruaru. Sua história é ampla, porém mal contada. Há de se lamentar e entender o porquê da dificuldade de enxergá-la. Não existem registros históricos dignos do maior patrimônio público da cidade. Pouco se conhece sobre sua origem. Só o povo sabe suas histórias. Sabemos bem apenas do seu presente, múltiplo de formas e sensações.

Quando a Feira tomou proporções gigantescas e correu o mundo através da arte, levava consigo o olhar e a expressão da dignidade. Vital Santos, Onildo Almeida, Mestre Vitalino, os Condés – entre tantos artistas e anônimos – viveram, sentiram e falaram sobre a Feira de Caruaru. Levaram suas maiores formas, gestos e produtos. Fosse cantada, encenada, expressada ou escrita. Ela ganhou o mundo.

Feira que ainda existia no centro da cidade, mas como definiu perfeitamente Onildo Almeida, "se tornou incômoda" e precisou de uma nova casa. Todos duvidavam que uma transferência completa desse certo, que mantivesse sua essência. Fatores que fizeram ela ser o que é hoje: gigante. Nos anos 70 tentaram mudar e... um fiasco. O povo mostrou que na sua história ninguém mexe por acaso.

Foi necessário o erro. Aprendeu. Ousou de novo quase vinte anos depois e, dessa vez, perfeito. O antigo Campo de Monta estava reformado e recebeu a Feira Livre, essa, a verdadeira Feira de Caruaru. Uma equipe afiada tomou conta do projeto e o executou com maestria. Méritos para Rosa Ludermir, arquiteta responsável pelo projeto; Mércia Lyra, secretária na época de Desenvolvimento Econômico e Social, fundamental no diálogo com os feirantes; e aos ex-prefeitos José Queiroz, que deu o primeiro passo, e João Lyra Neto, que assumiu a responsabilidade e finalizou a maior obra da história de Caruaru.

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