Administração do Capital de Giro

ADMINISTRAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO


OS CICLOS OPERACIONAL E FINANCEIRO - (Capital de Giro: Um desafio Permanente)

O capital de giro representa, em média,  30 a 40% do total dos ativos de uma empresa. O capital permanente tem um peso maior sobre o total dos ativos, atingindo entre 60 e 70.

Apesar de sua menor participação sobre o total dos ativos da empresa, o capital de giro exige um esforço do administrador financeiro maior do que aquele requerido pelo capital fixo.

O capital de giro precisa de acompanhamento permanente, pois está continuamente sofrendo o impacto das diversas mudanças enfrentadas pela empresa. Já o capital fixo  não exige atenção constante, uma vez que os fatos capazes de afetá-lo acontecem com uma freqüência bem menor. Boa parte dos esforços do administrador financeiro  típico é canalizada para resolução de problemas de capital de giro - formação e financiamento de estoques, gerenciamento do contas a receber e administração de déficits de caixa. Nesta luta para sobreviver, a empresa acaba sendo arrastada pelos problemas de gestão do capital de giro e tende a sacrificar seus objetivos de longo prazo. Os empresários conhecem bem este fenômeno. Boa parte de seu tempo é consumido "apagando incêndios", onde o foco mais perigoso reside no capital de giro.

Medidas para solucionar os problemas de Capital de Giro

As dificuldades de capital de giro numa empresa são devidas, principalmente, à ocorrência dos seguintes fatores:

  • Redução de vendas
  • Crescimento da inadimplência
  • Aumento das despesas financeiras
  • Aumento de custos
  • Alguma combinação dos quatro fatores anteriores

Na situação mais freqüente, os problemas de capital de giro surgem como conseqüência de uma redução de vendas. Neste caso, o administrador financeiro se defronta com as seguintes questões: como manter o capital de giro sob controle diante de um quadro de redução das vendas ? o que pode ser feito para evitar uma crise maior de capital de giro ?

1. Formação de reserva financeira

Como acontece no trato de muitos outros problemas, a ação preventiva tem um papel importante para a solução dos problemas de capital de giro. A principal ação consiste na formação de reserva financeira para enfrentar as mudanças inesperadas no quadro financeiro da empresa. A determinação do volume dessa reserva financeira levará em conta o grau de proteção que se deseja para o capital de giro. Também uma análise do tipo "o que aconteceria ao capital de giro se...." poderia ser bastante útil para se formular a estimativa do volume da reserva financeira.

À primeira vista, poderia soar antieconômico a formação de uma reserva financeira, já que esta decisão tiraria recursos financeiros que de outra forma deveriam ser aplicados no investimento em ativos fixos de modo a permitir a expansão da empresa. Dada a alta volatilidade da economia brasileira, a formação de reserva financeira para o capital de giro deveria ser a prioridade econômica fundamental da empresa. Além disso, os recursos destinados e essa reserva seriam aplicados no mercado financeiro, onde as taxas de juros têm sido maiores do que a taxa de rentabilidade do capital fixo.

2. Encurtamento do ciclo econômico

Quando a empresa encurta seu ciclo econômico - este pode ser definido como o tempo necessário à transformação dos insumos adquiridos em produtos ou serviços - suas necessidades de capital de giro se reduzem drasticamente. Numa indústria, a redução do ciclo econômico significa um menor tempo para produzir e vender. No comércio, esta redução significa um giro mais rápido dos estoques. Na atividade de serviços, a redução do ciclo econômico significa basicamente trabalhar com um cronograma mais curto para a execução dos serviços. A redução do ciclo econômico não é uma função tipicamente financeira. Ela requer o apoio de funções como produção, operação e logística.

3. Controle da inadimplência

A inadimplência dos clientes de uma empresa pode decorrer do quadro econômico geral do país ou de fatores no âmbito da própria empresa. No primeiro caso, a contração geral da atividade econômica e a conseqüente diminuição da renda das pessoas, tende a aumentar a inadimplência. Nesta situação, a empresa tem pouco controle sobre o problema. Quando a inadimplência é decorrente de práticas de crédito inadequadas, estabelecidas pela própria empresa, existe uma solução viável para o problema. Neste caso, é preciso dar mais atenção à qualidade das vendas (tanto as vendas a crédito como as vendas faturadas) do que ao volume dessas vendas. No caso das vendas a crédito, também será recomendável uma redução do prazo de pagamento concedido aos clientes.

4. Não se endividar a qualquer custo

Na tentativa de suprir a insuficiência de capital de giro, muitas empresa utilizam empréstimos de custo elevado. Como regra, qualquer dinheiro captado a um custo maior do que 1,17% ao mês (ou 15% ao ano) em termos reais, é incompatível com a rentabilidade normal da empresa que é de 15 % ao ano, também em termos reais. Assim, uma linha de crédito de curto prazo que hoje não custa menos do 2% ao mês em termos reais, é claramente antieconômica. O financiamento de capital de giro a uma taxa real maior do que 1,17% ao mês, pode resolver o problema imediato de caixa da empresa, mas cria um novo problema - seu pagamento. O administrador tem consciência da inviabilidade do custo financeiro dos financiamentos de capital de giro. Ele tenta ganhar tempo, esperando que uma melhora posterior nas condições de mercado da empresa permitam pagar o capital de terceiros. Todavia, quando a recuperação das vendas acontece, a empresa já acumulou um estoque de dívidas cujo pagamento será impraticável.

5. Alongar o perfil do endividamento

Quando a empresa consegue negociar um prazo maior para o pagamento de suas dívidas, ela adia as saídas de caixa correspondentes e, portanto, melhora seu capital de giro. Embora essa melhora seja provisória, ajudará bastante até que a empresa se ajuste financeiramente. Também neste caso, é importante uma atenção especial para o custo do alongamento de prazo. Ele precisa ser suportado pela rentabilidade da empresa.

6. Reduzir custos

A implantação de um programa de redução de custos tem um efeito positivo sobre o capital de giro da empresa desde que não traga restrições às suas vendas ou à execução de suas operações. Uma vez que a empresa com problema de capital de giro também estará com sua capacidade de investimento comprometida, a redução de custos em atividades como modernização, automação ou informatização não será possível. Diante de uma crise de capital de giro, o programa de redução de custos tem natureza compulsória e seu grande desafio é identificar aqueles itens de gastos que possam ser cortados sem grandes prejuízos para as atividades da empresa. Dificilmente serão encontrados gastos supérfluos ou desperdícios, pois a crise de capital de giro naturalmente já os deve ter eliminados.

7. Substituição de passivos

A política de substituição de passivos consiste em trocar uma dívida por outra de menor custo financeiro. Por exemplo, uma empresa de grande porte poderia adotar esta solução, através do lançamento de títulos no exterior ou mesmo fazendo um lançamento de ações. Entretanto, as empresas de pequeno e médio porte não têm essa opção. Um programa tradicional de substituição de passivos para essas empresas quase sempre significaria trocar seis por meia dúzia. Numa situação extrema, as pequenas e médias empresas poderiam trocar passivo exigível por passivo não exigível (capital), através da admissão de novos sócios. Sem dúvida, esta seria uma solução a ser adotada em último caso.

FLUXO DE CAIXA

É importante planejar corretamente o capital de giro de seu negócio. Em outras palavras, é preciso saber exatamente quanto dinheiro você poderá ter disponível e se esses recursos serão suficientes para cumprir suas obrigações (pagar contas diversas, considerando os custos fixos, como aluguel de imóvel e salários de empregados, e os custos variáveis, como impostos, taxas e contas de luz, água, aquecimento, etc).

O capital de giros opera em ciclos, desde a compra de estoques até o recebimento do dinheiro decorrente da venda de seus produtos a prazo. A análise de capital de giro basicamente mostrará a relação entre a despesa decorrente do cumprimento das obrigações e a receita obtida pela venda de seus produtos. A combinação da entrada e saída de dinheiro pode resultar em saldo positivo ou negativo. É conveniente que no final do mês você tenha saldo em dinheiro suficiente para pagar suas obrigações do mês seguinte.

A projeção mensal do capital de giro ajuda a identificar e eliminar déficits e mesmo superávits. Se o capital de giro for deficitário, você precisará alterar seus planos financeiros para conseguir mais dinheiro. Por outro lado, um capital de giro superavitário pode indicar que você pediu dinheiro emprestado em excesso ou que os recursos que estão sobrando poderiam ser investidos. O objetivo é desenvolver um plano que proporcione um capital de giro equilibrado.

Caso seu capital de giro esteja deficitário, existem várias formas pelas quais você poderá buscar aumentar suas reservas. A mais conhecida é o aumento de vendas. Porém, caso grande parte de suas vendas seja feita a crédito, o aumento de vendas não resultará necessariamente em incremento imediato dos recursos à sua disposição. Além disso, seu estoque ficará desfalcado e precisará ser reposto, o que aumentará suas despesas.

Você deverá cobrar de seus clientes todos os pagamentos em atraso. Se você não for eficiente na cobrança de seus créditos, tenderá a perder recursos. Quanto mais tempo seus clientes levarem para pagá-lo, mais difícil será para recuperar a totalidade de seus créditos.

Você também poderá aumentar suas reservas restringindo suas vendas a crédito. Quanto mais seus clientes pagarem à vista, mais recursos você terá disponíveis e menores serão os custos de cobrança e inadimplência. No entanto, a restrição de crédito poderá também implicar uma redução das vendas. Portanto, você precisará avaliar a conveniência de manter, no longo prazo, uma política de crédito mais ou menos restrita. Outra opção de aumento de recursos para cobrir déficits temporários em seu fluxo de caixa é a tomada de empréstimos de curto prazo, como os revolving credit lines ou os equity loans.

Contabilidade

Em primeiro lugar, é importante que você abra uma conta bancária apenas para seu negócio. É recomendável que você consulte um contador antes de iniciar o seu negócio. Você também poderá julgar conveniente contratar, periodicamente, o serviço de um contador. Seu contador poderá explicar quais suas obrigações de prestação de contas para o fisco (INS) e qual o melhor método contábil para seu negócio (em geral, o método que propicia mais vantagem fiscal é o cash method, que registra receitas e despesas por ocasião do recebimento ou gasto do dinheiro).

O contador poderá estabelecer um sistema de controle financeiro para seu negócio. No início, o contador deverá estabelecer sistemas de prestação de contas, projeções de caixa, estratégias de financiamento e planejamento fiscal. Na medida em que a empresa amadurecer, o contador poderá fornecer outros serviços, como planejamento estratégico; aconselhamento sobre administração do fluxo de caixa; estratégias de compensação; planejamento para redução de custos.


ANALISE DE INVESTIMENTO

MÉTODOS SIMPLIFICADOS DE ANÁLISE

O estudo de avaliação de investimentos se refere basicamente às decisões de aplicações de capital em projetos que prometem retornos por vários períodos consecutivos.

O tema se insere no âmbito da administração financeira em longo prazo, promovendo repercussões importantes sobre o desempenho futuro da empresa e, ainda em termos agregados, sobre o crescimento da economia.

Uma empresa, em determinado instante, pode ser vista como um conjunto de projetos de investimento em diferentes momentos de execução. O seu objetivo financeiro, ao avaliar alternativas de investimento, é o de maximizar a contribuição marginal desses recursos de capital, promovendo o incremento de sua riqueza líquida.

É importante ressaltar que o investimento de capital se apresenta geralmente como uma parte (algumas vezes pequena) do processo de tomada de decisões empresariais. Freqüentemente, objetivos estratégicos se apresentam como fatores decisoriais relevantes na seleção de projetos de investimentos. Esta realidade frusta, em diversos momentos, posições mais teóricas de se identificar as melhores alternativas a partir unicamente dos métodos quantitativos de avaliação de investimentos. Outros fatores de importância são também considerados na avaliação, permitindo incorporar um estudo de natureza qualitativa.

O segmento de investimento de capital é bastante complexo e amplo, envolvendo inúmeros critérios e métodos de análise. O presente trabalho não tem o intuito de abordar todas as suas partes. O objetivo básico é o de avaliar, dentro de um posicionamento mais crítico, os principais aspectos dos métodos quantitativos mais utilizados pelas empresas para análise de investimentos.

O processo de avaliação de investimentos demanda uma série de informações financeiras, enunciadas segundo diversos critérios. Da mesma forma, diferentes estados de mercado e da economia interferem nos critérios de análise de investimentos.

As informações mínimas necessárias são descritas, em seus aspectos essenciais, a seguir.

Fluxo de Caixa Líquido

A avaliação de investimento é executada a partir de fluxo líquido de caixa, medido, para cada período do intervalo de tempo, pela diferença entre os fluxos de entrada e os de saída de caixa. Nestes fluxos são computadas somente os movimentos efetivos de recursos, com reflexos financeiros sobre o caixa,desprezando-se receitas e despesas de natureza eminentemente contábil (depreciação, amortização,reavaliação patrimonial, entre outros resultados que não são pagos ou recebidos em termos de caixa). A análise de investimento é processada com base em fluxos de caixa, sendo o dimensionamento desses valores considerado como o aspecto mais importante da decisão. A representatividade dos resultados de um investimento é bastante dependente do rigor e confiabilidade com que os fluxos de caixa foram estimados.

A decisão de se avaliar projetos de investimento com base nos resultados de caixa, e não a partir do lucro, é devida a uma necessidade econômica, revelando a efetiva capacidade da empresa em remunerar o capital aplicado e reinvestir os benefícios gerados.

Valores Incrementais

Os fluxos de caixa são computados em seus valores incrementais, ou sejam, pelos fluxos de entrada e saída de caixa que se originam da decisão de investimento em consideração. Isto equivale a concluir que, inexistindo o investimento, os fluxos de caixa atribuíveis à proposta deixam de existir.

O fluxo de caixa incremental adotado como modelo básico na análise de investimento apresenta-se genericamente com a seguinte estrutura:

FC = [ D ROP - IR ( D ROP)] + D DND FC = D ROP x (1 - IR) + D DND

onde:

D FC = Fluxo de caixa incremental;

D ROP = resultado operacional incremental;

IR = alíquota de imposto de renda aplicável sobre o resultado operacional incremental;

D DND = despesas não desembolsáveis incrementais (depreciação, basicamente).

Taxa Mínima de Atratividade

Na seleção de investimento é necessária a definição prévia da taxa de retorno exigida, isto é, a taxa de atratividade econômica do projeto. Ao se trabalhar com métodos de fluxo de caixa descontado, a taxa de atratividade constitui-se no parâmetro de avaliação dos projetos, a meta econômica mínima a ser alcançada. No método do valor presente liquido, a taxa de atratividade é o percentual de desconto dos fluxos de caixa. Sendo o valor presente das entradas menos o das saídas de caixa positivo, há indicação técnica de aceitação do investimento. Em caso contrário, deve ser rejeitado.

No método da taxa interna de retorno, a taxa de atratividade é comparada com o retorno calculado, indicando aceitação quando esta última for, pelo menos, igual à taxa de desconto utilizada.

Outras Informações

Outras informações a respeito do processo de investimento devem ser levadas em consideração na análise.

Origens das Propostas: expansão, lançamento de novos produtos, modernização, instalação, relocalização.

Tinos de Investimentos: independentes, economicamente dependentes, mutuamente excludentes, restrições orçamentárias.

É preciso levar em conta, ainda, os aspectos de risco inerentes a todo projeto. Como os investimentos são decisões tomadas fundamentalmente em relação ao futuro, é sempre necessário que se inclua unia avaliação do risco no estudo da viabilidade econômica.

Por exemplo, os fluxos de caixa definidos para as decisões de investimento são valores previstos de ocorrer ao longo de determinado período de tempo futuro, estando associados, evidentemente, às incertezas inerentes às previsões.

Existem diversos métodos de Matemática e Estatística usada para se avaliar o risco de um investimento, buscando todos eles conhecer a probabilidade de ocorrência de determinado estado de natureza e seus resultados. Algumas técnicas e métodos bastante adotados são: Medidas Estatísticas de Dispersão, Distribuição de Probabilidades, Método de Monte Carlo, Árvores de Decisão.


DECISÕES DE FINANCIAMENTO

A decisão entre a escolha de vários tipos de financiamento alternativos deve sempre privilegiar a maximização do valor da empresa. O ideal seria avaliar-se o valor da empresa para cada fonte de financiamento disponível escolhendo-se a fonte que o maximizasse. A inviabilidade deste critério está nos altos custos decorrentes deste tipo de abordagem. Critério adotado pelo Sebrae.

Em razão desta inviabilidade é necessário um indicador apropriado para a escolha da fonte de financiamento que maximize o valor da empresa e reflita todos os fatores pertinentes a esta finalidade. Em termos gerais, são 2 grupos de investidores que usufruirão da geração de caixa da empresa: os credores e os acionistas. O valor da empresa pode ser dividido entre estes dois grupos numa espécie de rateio do valor total, de acordo com os respectivos retornos requeridos sobre o investimento por eles realizado. O mix entre o capital dos credores e o capital dos acionistas é denominado estrutura de capital. A importância da estrutura de capital na determinação do valor da empresa foi abordada por F.Modigliani e M.H. Miller entre 1958 e 1963 e seus estudos geraram 2 proposições: Proposição I de M.M.: "Uma empresa não pode alterar o valor total de seus títulos mudando as proporções de sua estrutura de capital", ou seja, o gerenciamento dos administradores com a finalidade de maximizar o valor daempresa não trataria da escolha entre a proporção de capital de terceiros e dos acionistas pelo fato de os investidores terem a opção de efetuarem a alavancagem feita mediante empréstimos pessoais (duplicação dos efeitos do endividamento da empresa nas contas individuais dos investidores).

Valor da empresa B* (nível ótimo)

Nível de capital de terceiros

O valor da empresa, devido tão somente ao endividamento e aos benefícios fiscais decorrentes, é sempre crescente em relação ao nível de endividamento; todavia, os custos gerados pelo aumento do risco de dificuldades financeiras são também crescentes e acentuados conforme a dependência de capital de terceiros aumenta, o ponto ótimo de dívidas é atingido em B*, ponto este considerado de menor custo médio ponderado de capital da empresa, WACC ou CMePC.

A escolha do ponto ótimo de dívidas deve levar em consideração o uso da alavancagem, "o uso de recursos com um custo fixo a fim de aumentar os retornos dos proprietários da empresa" Já que os grupos que usufruirão da geração de caixa futura da empresa serão os credores e os acionistas, a escolha de fontes de financiamentos mais baratas reduziria o retorno exigido pelos credores da empresa e aumentaria o retorno aos acionistas ou o valor da empresa que cabe aos proprietários. O uso de fontes mais baratas de financiamentos se faz refletir diretamente no custo médio ponderado de capital:

Valor da empresa sem dívidas Valor efetivo da empresa

Valor da empresa com IR e dívidas (MM)

Menor custo de capital de terceiros propiciaria menor custo médio ponderado de capital, aumentando o valor da empresa que pertence somente aos proprietários. O custo médio ponderado de capital é variável ao longo do tempo, conforme as modificações no mix de financiamento da empresa; cada modificação da estrutura de capital é avaliada em função da relação custo-benefício de se tomar o financiamento. O critério utilizado para a avaliação da viabilidade de captação é a comparação do custo marginal ponderado de capital com a taxa de retorno do investimento ao qual este financiamento servirá de funding. Os projetos serão aceitos enquanto a taxa interna de retorno for maior que o custo médio marginal ponderado de capital. Para atingir a estrutura de capital ótima, o administrador terá à disposição fontes de financiamento concorrentes entre si e terá que minimizar o custo de capital, ou seja o custo das fontes de financiamento para as atividades da empresa, que deve ser menor do que a taxa de retorno que a empresa obtém sobre seus investimentos. As fontes de financiamento dos credores dividem-se em obrigações de curto prazo e obrigações de longo prazo, sendo que ambas são as fontes de geração de caixa dos credores da empresa, fazendo-se necessária a ponderação do custo de ambas para o cálculo do retorno exigido pelos credores. Como as fontes de curto prazo tem a função de cobrir momentos em que a empresa está com falta de liquidez, devido a fatores econômicos, sazonais ou pela adoção de uma estratégia mais agressiva, o custo médio ponderado de capital variará todas as vezes em que houver uma mudança no mix de financiamentos.

A variabilidade das necessidades sazonais faz com que vários custos médios ponderados de capital ocorram mesmo que o financiamento a longo prazo se mantenha constante.

Portanto a fonte da geração de caixa destinada aos credores corresponde aos encargos sobre a dívida acrescidos das amortizações do principal. A magnitude destes encargos é indicada pela taxa efetiva anual de juros dos empréstimos, sendo este o indicador para avaliação da fonte de financiamento que minimizará o custo de capital da empresa.


CUSTO EFETIVO DE FINANCIAMENTO

A taxa efetiva de juros é um indicador do custo de financiamento que permita a comparação estatística entre este e as várias outras fontes de financiamentos. Este indicador é baseado nos fluxos de caixa livres e é devidamente ajustado nos casos de diferentes prazos de maturação das várias fontes de financiamentos e de modo a contemplar os efeitos inflacionários. Com uma abordagem mais abrangente de todos os encargos exigidos pelo credor e pelo governo, atinge-se o custo efetivo do financiamento para o tomador, objeto de desenvolvimento neste trabalho.

O Número de Capitalizações como Fator de Determinação da Taxa Efetiva de Juros

A principal observação sobre a este fator reside no fato de que a taxa nominal de juros é independente do período de capitalização do empréstimo, ou seja, ela é informada ao tomador em bases anuais, geralmente sem levar em consideração o período de capitalização. A taxa nominal de juros, por não ter o poder de Permitir a comparabilidade com outras alternativas de financiamentos, constitui-se mera ferramenta na tarefa para se calcular a taxa efetiva anual de juros.

Taxa efetiva anual de juros = ( 1+ r/m) m – 1

onde a taxa efetiva anual de juros é calculada a partir da taxa anual nominal de juros r e do número de capitalizações durante o ano m.

Exigências dos Emprestadores como Fator Determinante da Taxa de Juros Efetiva

A taxa efetiva de juros informada aos futuros tomadores não inclui as exigências dos emprestadores em relação a garantias, tarifas de serviços, prêmios de seguros e os custos de oportunidade associados às perdas ocasionadas pelo fornecimento das garantias. Pode-se subdividir o impacto das exigências sobre o custo efetivo em 2 categorias:

Influências objetivas: esta denominação reside no fato de seus efeitos sobre o custo equivalente a taxa real de juros de 1,3%. incorrido pelo tomador serem mensurados com exatidão (ex: tarifas e prêmios).

Influências subjetivas: as influências são de mensuração baseada em algum julgamento do tomador e portanto sujeitas a incertezas (ex: custos de oportunidade).

A estimativa do custo efetivo da fonte é objeto de análise de sensibilidade quanto à mensuração das influências subjetivas. As exigências sobre o tomador do empréstimo são a causa principal da diferença entre a taxa de juros informada pelo futuro credor e o custo ao qual o tomador efetivamente incorrerá. O tomador desavisado tenderá a tomar decisões comparando as taxas de juros informadas pelo agente financiador à taxa de retorno dos investimentos, geralmente não considerando as influências subjetivas e objetivas ocultas na formação da taxa de juros efetivamente incorrida pela empresa, principalmente as pequenas e médias.

Impostos

Tributos como o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativa a títulos ou valores mobiliários-IOF e a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira – CPMF devem ser consideradas para permitir a comparação entre fontes de financiamento que tenham impostos incidentes diferentes e para o cálculo do valor a ser efetivamente desembolsado pelo tomador.

Relacionamento tomador/credor como fator de custo

Os custos de oportunidade relacionados à obtenção de vantagens estratégicas através dos credores também podem fazer parte do cálculo da taxa efetiva anual de juros. Não estão sendo considerados neste trabalho, pelo fato de sua estimativa ser de maior dificuldade de cálculo, face às infinitas variáveis de ordem subjetiva.

Sistema de Amortização

O sistema de amortização consiste na metodologia estabelecida no contrato entre o credor e o tomador regulando a maneira pela qual o tomador irá ressarcir o empréstimo ao credor.

Apesar de a taxa efetiva anual de juros ser bom indicador para decisão sobre qual instrumento de liquidez maximizaria o valor da empresa, a disponibilidade projetada de caixa da empresa toma importância fundamental por dois motivos principais. O primeiro motivo é a possibilidade de se obter o valor presente da empresa, através das modernas técnicas de valuation, e a segunda é a identificação das necessidades ocasionais de recursos, face a não sincronização dos fluxos de entrada e saídas de caixa. Esta segunda razão traz consigo a virtude de orientar a forma mais conveniente de captação e de amortização dos recursos captados para permitir a liquidez da empresa.

Os pontos principais para a análise sobre a forma de amortização à qual o tomador estará incorrendo são:

a) Carência: o período de carência é o período em que o tomador não necessita ressarcir nenhum montante ao credor; este período constitui num importante fator a ser considerado pelo tomador em sua estratégia de administração do caixa, já que a sua decisão em negociar o período estará atrelada à geração de caixa projetada para o período do empréstimo.

Prestação: representa o montante total da amortização e dos encargos financeiros que deverão ser pagos pelo tomador por período de tempo. É outro fator a ser considerado pelo tomador em sua estratégia de administração de caixa, já que o valor da prestação deverá ser compatível com a geração de caixa projetada pela empresa.

Formas de Amortização mais Freqüentes na Literatura

1. Sistema de amortização constante sem carência: as prestações são decrescentes e não é concedido prazo de carência ao tomador.

2. Sistema de amortização constante com carência e com pagamento dos juros: as prestações são constantes e iguais ao valor dos juros durante o período de carência, no primeiro período após o período de carência os juros são acrescidos à amortização e a partir daí as prestações são decrescentes durante o restante do prazo de pagamento.

3. Sistema de amortização constante com carência e capitalização dos juros: permite que o tomador não tenha desembolsos durante todo o período de carência. Após o término do período de carência o tomador deve pagar todos os juros acumulados e a partir daí as prestações passam a ser decrescentes.

4. Sistema de amortização constante com carência com juros capitalizados e acrescidos ao saldo devedor: idêntico ao sistema apresentado no item anterior diferenciando-se no tocante ao pagamento dos juros acumulados durante o período de carência que são capitalizados e diluídos durante todo o período do empréstimo.

5. Sistema de Amortização Francês sem carência: estabiliza o valor das prestações pagas num valor constante e não dá carência ao tomador.

6. Sistema de Amortização Francês com carência e pagamento dos juros: permite que o tomador pague apenas o valor dos juros sobre o principal durante o período de carência e a partir daí estabiliza o valor das prestações pagas num valor constante.

7. Sistema de Amortização Francês com carência e capitalização dos juros: permite que o tomador não tenha desembolsos durante o período de carência e a partir daí estabiliza o valor das prestações pagas num valor constante.

8. Sistema de Amortização Americano: os desembolsos do tomador durante o período de empréstimo restringem-se aos juros sobre o saldo devedor, o qual deverá ser ressarcido ao credor apenas no final do período do empréstimo.

9. Sistema de Amortização Misto: tem características de prazo e carência intermediárias às dos Sistemas francês e constante.

O custo de capital de terceiros contratado pela empresa apresenta substancial aumento quando acrescido de todos os custos aos quais a empresa incorre, efetivamente, para que seja viabilizada sua captação. Os itens de custos mais relevantes são atribuídos às influências objetivas, correspondem a impostos, às tarifas bancárias e aos prêmios de seguro. Pode-se concluir, portanto, que o custo de capital de terceiros é mais alto do que a simples taxa de juros informada ao tomador, e somente com o ajuste do indicador do custo de capital será viabilizada a correta tomada de decisão pelo administrador financeiro.


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