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As Teorias do Desenvolvimento do Evolucionismo à Globalização

Autor:
Instituição: UCS
Tema: Fichamento

As Teorias do Desenvolvimento do Evolucionismo à Globalização


As teorias do desenvolvimento do evolucionismo à globalização

"(...) em cada uma das novas nações, aparecia uma burguesia comercial cujo objetivo era o lucro; havia um estado reconhecido pelas nações ocidentais, com leis e burocracia criadas á imagem dos países industrializados". (p. 148)

"(...) surgiu, na sociologia, um novo tipo de evolucionismo, a que daremos o nome de desenvolvimentista. De acordo com essa nova postura teórica, as diferenças entre as sociedades não eram de natureza, mas de grau de desenvolvimento". (p.148)

"(...) Trata se de um novo evolucionismo, que não busca mais as diferenças entre a sociedade européia e as sociedades arcaicas "condenadas" ao desaparecimento, mas tenta encontrar, nas novas nações, as instituições básicas capazes de garantir a continuidade e a reprodução das relações capitalistas." (p. 148)

"(...) As nações que se afirmam como centro de dominação política e econômica passaram a constituir modelos ou estágios superiores aos quais deveriam chegar todo e qualquer povo". (p. 148)

O desenvolvimento segundo etapas de crescimento econômico

"(...) Rostow identifica etapas de desenvolvimento que caracterizam cinco tipos de sociedade". (p. 149)

"O primeiro ¾ sociedade tradicional ¾ (...) elevado grau de subordinação do homem ao ambiente e inadequado aproveitamento dos recursos naturais". (p. 149)

"O segundo ¾ sociedade em processo de transição ¾ caracteriza-se pelo aparecimento das pré-condições do desenvolvimento econômico. Representa um estagio de gestação de atitudes racionais adequadas ao controle e a exploração da natureza". (p. 149)

"O terceiro ¾ sociedade em início de desenvolvimento ¾ (...) nesse período, já se percebe investimentos de capital na área produtiva, crescimento da manufatura e aparecimento de um sistema político, social e institucional em expansão". (p. 149)

"O quarto ¾ sociedade em maturação ¾ corresponde ao estagio em que as forças de expansão econômicas passam a predominar na sociedade". (p. 149)

"O quinto ¾ sociedade de produção em massa ¾ corresponde ao estágio de desenvolvimento efetivo da produção em bases industriais e científicas e de um aumento significativo do investimento produtivo de capital". (p. 149)

"Em primeiro lugar, vemos que o autor nega os diferentes caminhos históricos de cada sociedade. Pressupõe que todos os povos tiveram a mesma forma original ¾ a "sociedade tradicional" ¾ e atravessaram as mesmas etapas para chegar ao desenvolvimento. No entanto, a historia prova que não foi o caminho de várias sociedades. (...) Vemos que, nesse caso, o percurso da manufatura reverte o esquema imaginado por Rostow; a historia de cada nação mostra fase prósperas alternando com períodos de declínio, provando que não há um movimento lento e contínuo em direção ao desenvolvimento". (p. 149-150)

"Outro argumento que podemos levanta é que, muitas vezes, certas áreas de um país onde já havia investimento significativo me setores produtivos entraram em colapso por razões externas. (...) nota-se, com isso, que não são apenas as possibilidades internas de investimento, racionalidade e crescimento das técnicas produtivas de uma região ou nação que determinam o florescimento ou falência de um ramo da produção". (p. 150)

Entraves ao desenvolvimento: o tradicionalismo e a questão racial

"(...) Cada estagio de desenvolvimento econômico representa o grau de avanço de uma sociedade em relação à meta almejada". (p. 151)

"Muitos teóricos desenvolvimentistas identificam, como causa do subdesenvolvimento, o apego ao tradicionalismo. (...) Afirma-se que, nos países subdesenvolvidos, haveria estremo apego às questões tradicionais, prevalecendo trocas de favores motivadas por relações familiares e pessoais que recebiam o nome de clientelismo". (p. 151)

"O preconceito racial também guiou algumas análises desenvolvimentistas. Alguns teóricos chegaram a identificar como causa do atraso das sociedades sul-americanas as características étnicas e culturais dos povos nativos". (p. 151)

"Os negros também foram responsabilizados pelo atraso nacional. (...) Afirma-se que os africanos, como de resto todos os povos tropicais, eram pouco afeitos às atividades realmente produtivas e incapazes de atingir a "civilização" ". (p. 151)

"As teorias desenvolvimentistas voltadas a explicar as razões do subdesenvolvimento, na verdade, tomavam por causa aquilo que, de fato, era efeito da exploração colonial capitalista. Desse modo, contribuíram para a difusão de preconceitos raciais muito em voga na Europa, desde o final do século passado até a atualidade". (p. 151)

"Buscando justificativa nas condições internas dos países "subdesenvolvidos", capazes de explicar o seu atraso, laçou-se mão de argumentos preconceituosos e racistas. Raça, tradição e até mesmo a nacionalidade do povo colonizador foram explicações aceitas". (p. 151)

A história e o desenvolvimento

"(...) as teorias que estabeleceram estágios de desenvolvimento não consideram as relações internacionais instauradas pelo capitalismo, nem o processo de colonização, nem a história particular de cada povo". (p. 152)

"A história, sob essa perspectiva, retoma o caráter evolucionista dos positivistas. As sociedades perdem sua originalidade e especificidade: a lei da evolução e o desenvolvimentismo é que comandariam a mudança social". (p. 152)

A abordagem dualista do desenvolvimento

"Outra tentativa de explicar o subdesenvolvimento surgiu com as chamadas teorias dualistas. A abordagem dualista parte do princípio que, em países do Oriente Médio, da América Latina e da África, encontramos uma formação peculiar, caracterizada pela coexistência de duas estruturas. Uma, "desenvolvida", (...) Outra, "Atrasada", ". (p. 153)

Definição de dualismo

"Segundo essa definição, o dualismo pode ser regional, quando encontramos em um mesmo país territórios atrasados justapostos a territórios desenvolvidos, como no caso das diferenças entre o nordeste e o sudeste brasileiros. Pode se manifestar também entre setores de produção, como, Poe exemplo, nos países agro-exportadores, (...) Pode ser encontrado ainda, numa mesma área territorial em que coexistem formas econômicas arcaicas e avançadas, como na região metropolitana de Salvador". (p. 153)

"Podemos nos deparar com o dualismo, ainda, quando uma mesma população se dedica ao trabalho assalariado e ao trabalho autônomo de subsistência". (p. 153)

"Élias Gannagé considera subdesenvolvido, portanto, o país "caracterizado pela coexistência de dois sistemas econômicos e sociais, totalmente diferentes, cuja interação dos elementos estruturais é o comportamento normal"". (p. 153)

Dualismo e desenvolvimentismo: semelhanças e diferenças

"Dissemos que os teóricos desenvolvimentistas analisam as sociedades como diferentes estágios de crescimento dentro de um processo contínuo rumo ao desenvolvimento capitalista industrial". (p. 154)

"Os dualistas, por sua vez, pensam essas sociedades como estruturas em transição, isto é, fases de um processo por meio do qual setores, regiões ou grupos desenvolvidos vão, pouco a pouco, influenciando os "atrasados", incorporando-os gradativamente ao desenvolvimento". (p. 154)

"A diferença entre ambos é que os desenvolvimentistas englobam todas as sociedades dentro de um mesmo processo geral e universal, (...) Os dualistas consideram a estrutura dual ¾ típica de países dito desenvolvidos ¾ uma fase de transição que varia de país a país, seja quanto a sua duração, seja quanto as suas manifestações particulares". (p. 154)

O conceito de periferia

"Assim como os desenvolvimentistas buscam, nas sociedades "subdesenvolvidas", os fatores que retardariam o desenvolvimento, os dualistas procuram os obstáculos à absorção dos setores "atrasados" pelos "desenvolvidos"". (p. 154)

"(...) Para abordagem dualista, entretanto, o problema não se encontra na constituição étnica, cultural ou racial da população, mas na condução de políticas administrativas e econômicas, no comportamento das camadas dirigentes, na falta de estimulo para o progresso, na má orientação do governo". (p. 155)

"(...) obstáculos impedem o bom aproveitamento das forças produtivas e acabam estimulando uma economia "periférica"". (p. 155)

"O conceito de periferia diz respeito ao que é secundário, (...) usado apenas para regiões e setores "atrasados" no interior de uma sociedade ou nação "subdesenvolvida"". (p. 155)

"A diferença entre esses dois estudos está na forma de conceber as relações que a região ou setor "desenvolvido" mantém com o setor tradicional, (...) Para alguns, essas relações são de simples coexistência durante um período de transição, que resultará na extinção do tradicional e no pleno desenvolvimento do capitalismo industrial. Para outros, as relações são de dominação, sendo prioritário o setor "desenvolvido", para o qual se orienta toda a ação política e todo investimento econômico". (p. 155)

O conceito de marginalidade

"(...) setores constitutivos da sociedade que demonstram tradicionalismo em suas relações econômicas, políticas e sociais como resultado das relações internacionais desiguais em que a industrialização dos países "subdesenvolvidos" ocorre". (p. 156)

A desigualdade como princípio

"A principal critica ás teorias é que elas não salientam o fato de que a coexistência entre o "atraso" e "desenvolvimento", (...) não se explica em termos de uma fase passageira ou temporária dos países em desenvolvimento, nem pelas características raciais, éticas e culturais das sociedades "periféricas" e nem mesmo pelas deficiências do planejamento político e econômico do Estado. A coexistência entre "tradicional" e "moderno" se explica pelas relações de dependência que essas sociedades mantem com o capitalismo internacional". (p. 156)

"Desde a conquista de sua independência, as novas nações estiveram envolvidas com a transformação de sua estrutura tradicional para torna-la capaz de implementar os acordos econômicos internacionais. (...) As antigas relações se transformaram, a fim de que pudessem se inserir no novo quadro das relações políticas e econômicas internacionais". (p. 156)

"Portanto, não se pode falar em sociedades duais mas plurais. (...) trata-se de estabelecimentos de relações de dominação e exploração inter-regionais e intersetoriais, a que deram o nome de colonialismo interno. O setor, a região ou o grupo a que se dá o nome de atrasado, subdesenvolvido, marginal ou periférico nada mais é do que o setor que, em vista dos objetivos nacionais e dos contratos assumidos, é excluído do plano de desenvolvimento. E, mantendo-se fora dos planos de expansão econômica, sobrevive apelando às formas tradicionais de vida, recriadas para que a sociedade como um todo não entre em colapso ou falência". (p. 157)

"1. As regiões, setores e populações identificáveis como subdesenvolvidos, (...) são parte integrante das novas nações, o que significa que não estão em processo de transformação para formas sociais e econômicas "adiantadas"ou "evoluídas"". (p. 157)

"2. As regiões ou setores "atrasados" são dominados pelo setor ou região capitalista desenvolvido, o qual se impõe no processo de independência como representante de toda nação". (p. 157)

"3. Os setores ou regiões atrasados tendem a permanecer como tais, desde que asseguram o desenvolvimento do setor dominante". (p. 157)

"4. As formas tradicionais de vida (...) tendem a desaparecer quando não representam mais nenhum tipo de fluxo de capital ou de mão-de-obra". (p. 157)

"5. Os setores "atrasados" são remanescentes de um processo de exploração colonialista. Assim como contribuíram para a acumulação de capital nas metrópoles, continuam possibilitando o enriquecimento quer das áreas ou dos setores "desenvolvidos", quer das nações econômicas e politicamente mais poderosas, com as quais mantêm estreito vinculo econômicos". (p. 157)

A questão dos escravos: um estudo de caso

"Após a abolição, o contingente de escravos não foi integrado como mão-de-obra livre nas regiões que se modernizavam e se industrializavam. (...) porque o trabalhador europeu tinha experiência com o trabalho industrial, as nações européias tinham interesse na exportação da mão-de-obra que pressionava por melhores condições de vida e os trabalhadores europeus não enfrentavam o estigma da inferioridade racial e da escravidão". (p. 158)

"Sem poder competir com os trabalhadores estrangeiros, as populações negra e mestiça brasileira foram para as cidades, onde se ocuparam de trabalhos menores". (p. 158)

"A opção dos libertos pelo trabalho autônomo "marginal" foi apresentada pelos teóricos desenvolvimentistas como prova da inadequação de negros aos padrões de produtividade e competitividade exigido pelo trabalho assalariado industrial". (p. 158)

"Caracterizar como subdesenvolvida essa população ou o país que a cria e a segrega é não reconhecer que representam mecanismo de alguma forma proveitoso para a expansão do capitalismo nacional e internacional". (p. 159)

"Até hoje o racismo e a discriminação produzem uma massa de trabalhadores de baixo custo, permitindo sempre uma margem maior de lucro para as empresas que os contratam".(p. 159)

O subdesenvolvimento como princípio

"O estudo das diferenças entre nações e das diferenças entre setores e regiões de uma mesma nação deve mostrar que são desigualdades decorrentes de relações de dominação historicamente estabelecidas". (p. 159)

"(...) necessidades de as nações e setores dominantes se desenvolverem mais a menos custo, embora a forma de dominação tenha variado conforme as fases de expansão do capitalismo". (p. 159)

"Hoje, as diversas teorias sociológicas tendem a compreender a dependência das nações "subdesenvolvidas" como parte de um sistema mundial de relações econômicas. Por outro lado, procurar desvendar o aparecimento de graves distorções na organização das sociedades "subdesenvolvidas"". (p. 159)

"(...) São problemas surgidos da situação de dependência, que visa ao enriquecimento dos centros industriais". (p. 160)

"Qualquer aspecto da realidade social das nações do chamado Terceiro Mundo tem sua especificidade, sendo fruto da história e das contradições internas de cada nação, revelando as diferentes maneiras segundo as quais essas sociedades se alinharam no sistema capitalista internacional". (p. 160)

O que são países em desenvolvimento?

"(...) as nações e os povos da Ásia, da América Latina e da África tem entre si algumas características comuns: foram colonizados por países europeus durante cerca de 500 anos; possuem economia estruturada em função de interesses estrangeiros; e tiveram suas formas societárias tradicionais extintas por uma ação civilizatória de amplo alcance; finalmente, tiveram sempre uma posição de inferioridade nas relações internacionais com os países desenvolvidos". (p. 160)

O desenvolvimento e a nova tecnologia

"O colonialismo (...) já teve diferentes fases. A primeira de exploração comercial, (...). As relações coloniais então se baseavam especialmente na orientação da produção e na apropriação do produto a baixo custo". (p. 161)

"A segunda versão, industrial, exigiu a substituição dos sistemas produtivos e o início da internacionalização da economia. As relações de dependência nesta fase assumiam também um caráter tecnológico. (...) as relações coloniais envolviam ainda a compra de matéria-prima a baixo custo pelos países industrializados e a venda de produtos industrializados europeus a custo elevado e sem concorrência". (p. 161)

"Uma terceira etapa se verificou com a implantação das multinacionais e com o financiamento do desenvolvimento industrial no chamado Terceiro Mundo quando sistemas produtivos inteiros foram transplantados de país para outro". (p. 161)

"Entramos agora numa nova fase em que o mundo se encontra inteiramente conectado a uma nova rede tecnológica e de telecomunicações. (...) A interdependência e a globalização dão novo às formas tradicionais de colonialismo". (p. 161)

" As novas tecnologias industriais, como a robótica, dispensam mão-de-obra não-qualificada, (...) Logo, nesses locais o desemprego tenderá a ser maior e a renda per capita e familiar menores". (p. 161)

" O descompasso tecnológico entre países ricos e pobres tende a aumentar à medida que se aceleram as invenções e mais rapidamente os equipamentos se tornam obsoletos. (...) Como os países pobres não têm condições de promover a atualização de equipamentos em todos os setores produtivos, a tendência é aumentar o que chamamos de colonialismo interno, ou seja, as relações desiguais estabelecidas entre setores e regiões dentro de um mesmo país". (p. 161-162)

" A possibilidade de autonomia tecnológica ¾ e até mesmo a simples atualização e compatibilização com inovações mundiais ¾ exige pesquisa e investimentos na área de educação e treinamento, setores nitidamente carente nos países "em desenvolvimento". (p. 162)

" Nos países "em desenvolvimento" as áreas de pesquisa, produção e administração se desenvolvem de maneira não-integrada, fazendo-se necessária a adoção de uma política tecnológica mais adequada, de forma a não reduzir o avanço tecnológico á mera compra de equipamentos". (p. 162)

" A indústria nos países "em desenvolvimento" não podem competir com os produtos dos países "desenvolvidos", de melhor qualidade e preço mais baixo. Essa concorrência desigual coloca os países " em desenvolvimento", em desvantagem diante da abertura de mercado e de globalização". (p. 162)

" A informática é uma tecnologia interativa. Nesse sentido exige uma ação integrada (...) Isso requer planejamento e decisão política. Exige que se priorize a atualização tecnológica em países onde as elites detém privilégios advindos de setores tradicionais e "atrasados" da economia". (p. 162)

" Existem técnicas produtivas que se aprimoram sem suporte de conhecimento cientifico, como por exemplo, as técnicas de domesticação de animais, (...) Não é o caso da informática, que exige o aperfeiçoamento da ciência e da pesquisa, nitidamente atrofiados nos países "em desenvolvimento"". (p. 162)

"(...) A globalização torna todos os países extremamente interdependentes. Para o consumo dos produtos dos países industrializados para a implantação das multinacionais em países "em desenvolvimento", é preciso que se promova o desenvolvimento tecnológico global. (...) o enfraquecimento dos estágios nacionais, causado, entre outras razões, pelos efeitos da globalização, democratiza a pobreza, o analfabetismo e as deficiências regionais, além de fazer recrudescer, nos países "desenvolvidos", conflitos mascarados pela integração nacional, como étnicos e os religiosos". (p. 162)

"Esta longe o tempo em que os países "desenvolvidos" se arriscavam a conceber a questão do desenvolvimento como um problema que dizia respeito apenas às nações pobres". (p. 163)

"(...) O colonialismo hoje também envolve desenvolvimento técnico e científico, treinamento, políticas complexas de investimentos e uma atuação econômica globalizada". (p. 163)

"(...) a formação de blocos econômicos representando alianças, acordos, parcerias, em substituição ao secular padrão do estado-nação, faz emergir divergências e identidades novas". (p. 163)

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