Amigo Nerd.net

As Variações do Patrimônio Líquido

Autor:
Instituição: FIRP
Tema: Administração

As Variações do Patrimônio Líquido


INTRODUÇÃO

A determinação do ponto de equilíbrio entre despesas e receitas constitui um processo destinado a prever os efeitos de diferentes combinações de custo e volume sobre o lucro ou renda líquida da empresa.

Isto é verdadeiro, sobretudo nos casos em que a administração dispõe de grande flexibilidade na determinação dos preços de venda, da composição dos produtos, etc.

O ponto de equilíbrio entre receita e despesa representa o volume de operações da empresa do qual não resulta renda líquida ou perda líquida.


1. AS VARIAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

1.1. Despesa, Receita e Resultado.

Além dos aumentos e eventuais diminuições do capital social, as variações do patrimônio líquido são determinadas, principalmente, pelos resultados econômicos obtidos pela empresa em suas atividades normais. Os resultados da empresa são apurados ao término de cada período contábil ou exercício sociais e resultam do confronto entre as receitas e as despesas verificadas durante o período.

Outros fatos, ainda, são causas reais ou aparentes de variações do patrimônio líquido: depreciações, amortizações, exaustão, reavaliações e correção monetária. As receitas e as despesas, todavia, constituem os principais fatores que determinam o aumento ou diminuição do patrimônio líquido, conforme a empresa tiver lucro ou prejuízo em suas operações.

As receitas correspondem a ingressos ou entradas de elementos que aumentam o ativo patrimonial, enquanto que as despesas representam dispêndios ou custos realizados em conexão com a obtenção de receitas.

As receitas também podem também podem ser entendidas como recuperações das despesas. E desde que estas sejam superadas pelas receitas, a diferença representará um resultado positivo (lucro) que irá aumentar a situação líquida.

As principais receitas e despesas ou custos de uma empresa estão diretamente relacionadas com a sua atividade empresarial. Assim, podemos concluir que os principais fatos que determinam as variações do patrimônio líquido são representados por receitas, despesas e custos dos bens e serviços que constituam o objetivo da atividade da empresa. Entretanto, como veremos mais adiante, outros elementos operacionais e não operacionais também são fatores que alteram os resultados econômicos da empresa e, conseqüentemente, contribuem para as variações do patrimônio líquido. (Oswaldo Dória, Contabilidade e Finanças para Executivos).

1.2. Mecanismo do Débito e Crédito

Os registros de aumentos e de diminuições das contas de Patrimônio Líquido obedecem à seguinte regra: os Aumentos são registrados por créditos e as Diminuições por débitos.

Em decorrência dessa regra geral, as receitas, por aumentarem o Patrimônio Líquido, deverão ser creditadas em contas de despesa.

As despesas, por diminuírem o patrimônio líquido, deverão ser debitadas em contas de despesa.

Uma despesa é, portanto, elemento negativo do resultado enquanto que uma receita é elemento positivo.

Para que haja condições de análise e informações detalhadas dentro de uma empresa, receitas e despesas constituem apenas os grupos principais, sendo desdobradas em cada classe, em diversas contas componentes, segundo a natureza e o tipo de cada uma delas.

Exemplo:

Receitas Despesas

1.3. O Período Contábil

Quando uma empresa é liquidada, o lucro que se obtém é simplesmente o valor residual que o proprietário consegue através da venda de todo o Ativo e o pagamento das obrigações para com terceiros quando aquele supera o montante destas.

Entretanto, a administração não pode esperar até que a empresa seja liquidada ou encerrada, a informação do resultado das várias operações deve ser fornecida a intervalos regulares de tempo, de um ano, de seis meses e mesmo de um mês. Assim a Contabilidade registra e resume todas as mudanças no patrimônio líquido que ocorrem durante o período escolhido e apresenta o resultado obtido. O período contábil, espaço de tempo escolhido que a contabilidade mostre a situação patrimonial e financeira na evolução dos negócios da empresa, é também denominado exercício social e exercício contábil.

Para finalidades externas, o período normalmente é de um ano e, muitas vezes, corresponde ao ano calendário. Todavia, um bom número de empresas está adotando um período contábil não coincidente com o calendário anual, em obediência às suas peculiaridades e interesses, e para finalidades internas, as informações dos resultados devem ser mostradas em intervalos menores, por exemplo, mês a mês, a fim de que a administração acompanhe mais freqüentemente o desenvolvimento dos negócios, através dos demonstrativos elaborados.

1.4. Encerramento de Contas de Receita e Despesa

Toda empresa é obrigada, legalmente, a fazer a apuração de resultados pelo menos uma vez por ano. O lucro ou prejuízo de um exercício está na dependência do confronto das contas de receita e despesa, e esse resultado líquido é apurado na conta denominada Resultado.

As contas de receita e despesa são periódicas, isto é, somente deverão conter registros para um ano ou período menor, conforme a duração do exercício contábil, o que significa que todas as contas de receita e de despesa devem possuir saldo zero no início dos períodos.

Para que isto ocorra, em todo fim de período deve-se proceder ao encerramento das contas, através dos lançamentos de encerramento. O encerramento das contas de receita é realizado pela transferência de seus saldos devedores para débito da conta Resultado.

1.5. Distribuição de Resultados

Pelo exposto no tópico anterior, a conta Resultado recebe, por transferência, a débito o valor dos saldos das contas de despesa e a crédito os saldos das contas de receita. Se o total dos créditos da conta Resultado for superior ao total dos débitos, teremos um lucro líquido, se ao contrário, ao total dos débitos superar o total dos créditos chegaremos a um prejuízo.

Ocorrendo um lucro, várias poderão ser as destinações, observando-se, porém, as normas que regem os contratos sociais e estatutos. Uma parte do lucro poderá ser distribuída aos sócios, acionistas, outra para reservas e a restante para lucros ou prejuízos acumulados.

Quando o resultado líquido do exercício for prejuízo, duas hipóteses comuns podem ocorrer; se existirem lucros acumulados ou reservas de lucros ou outras reservas de exercícios anteriores, em volume superior ao prejuízo constatado, poderá ser compensado com tais contas, se elas não apresentarem saldo suficiente, ou nenhum, o prejuízo deverá ser levado a débito da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Mesmo com saldo devedor, a conta deverá aparecer no balanço, no grupo Patrimônio Líquido da seguinte forma:

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

$

Capital 50.000

 
(- ) Lucros ou prejuízos acumulados 1.000

49.000


1.6. Demonstração do Resultado do Exercício

A conta Resultado serve, pois, de intermediária na apuração do crédito de um exercício. Entretanto, não basta apenas a conta do razão Resultado, onde aparecem as contrapartidas das contas de despesa e de receita encerradas no fim do exercício. É necessária também a Demonstração do Resultado do Exercício, onde aparecerão, detalhadamente e dentro de critérios de classificação, as contas de receita, despesa e o lucro ou prejuízo líquido.

Nessa demonstração, deve ser observado um cabeçalho composto de:

a) nome ou denominação da empresa;

b) nome do demonstrativo; e.

c) o período coberto.

É de se notar que o último item, período coberto difere do balanço, que mostra a data em que este foi levantado, enquanto que a demonstração de resultados apresenta o movimento de certo período.

Lucro apurado através da Demonstração do Resultado do Exercício pode ser considerado razoavelmente correto, porém, o lucro exato de uma empresa somente

poderá ser apurado no fim de sua vida, após a venda de todo seu ativo e o pagamento de suas obrigações. Como geralmente a empresa tem um tempo de duração indeterminado

e é necessário que se conheça freqüentemente o resultado deve ser levantada no mínimo uma vez por ano.

Entre as muitas finalidades da Demonstração do Resultado do Exercício, podem se citar as mais importantes:

a) os acionistas e quotizas são informados sobre os resultados das operações;

b) os bancos podem apurar, através dele, a rentabilidade das empresas para atender aos financiamentos solicitados pelas mesmas;

c) interessa aos investidores de ações e debêntures;

d) aos próprios administradores para medirem suas eficiências e, quando necessário, alterarem a política dos negócios da empresa, como por exemplo: alteração de preços, aumento da produção, expansão da propaganda, etc.

Deve-se advertir que, para algumas das finalidades acima mencionadas, haverá necessidade de um exame conjunto com o balanço.


2. Registro de Operações Normais do Exercício

2.1. Exemplificação

Suponhamos que determinada empresa, prestadora de serviços, encerre seu exercício cada mês, apurando o resultado, se bem que muitas operações ocorram, vamos apenas ilustrar as relativas às despesas e receitas.

Durante o mês de outubro de 19X9, a empresa incorreu nas seguintes despesas e receitas:

 

$

dia 02 - pagamento de despesas de materiais de escritório

50

dia 03 - compra, a prazo de peças para reparos

100

dia 05 - recebimento de receita por serviços prestados

450

dia 15 - emissão de uma fatura por serviços já prestados

800

dia 30 - pagamento de salários

500

dia 31 - pagamento de aluguel da loja

100

 

Partidas de Diário:

São Paulo, 2 de outubro de 19X9

Despesas de Material de Escritório

Caixa

Pago à papelaria Líder Ltda. sua nota fiscal n. º 00582.

$ 50


Despesas de Peças para Reparos

Contas a Pagar

A. Silva & Cia.

Compra de materiais conforme fatura n. º 13210.

$ 100


Caixa

Receita de Serviços

Recebido de J. Alves Ltda. conforme recibo n.º 00335

$ 450


Contas a Receber

Casa Penumbra Ltda.

Receita de Serviços

Valor de n/ fatura n. º 0251.

$ 800

 

Despesas de Salários

Caixa

Pago folha de pagamento deste mês

$ 500


Despesas de Aluguel

Caixa

Pago aluguel deste mês conforme Recibo n. º 201.

$ 100

Transporte das Partidas para os Razonetes apenas das Contas de Despesa e Receita.

Desp. de Mat. Escrit.

Desp. de Peças p/ Reparos

Receita de Serviços

50 50

100 100

1.250 450

  

800

Desp. de salários

Lucros ou Prejuízos Acumulados

Resultado

500 500

500

750 1.250

   500

Desp. de Aluguel

100 100

Como o exercício é encerrado todo mês, apura-se o resultado, transportando-as para os razonetes.

Para a Conta de Despesa:

São Paulo, 31 de outubro de 19X9

Resultado a Diversos

Transferência para aquela conta das seguintes, para apuração do resultado:

A Despesas de Material de Escritório

$ 50

A Despesas de Peças para Reparos

$ 100

A Despesas de Salários

$ 500

A Despesa de Aluguel

$ 100

Total

$ 750

Para a Conta de Receita:

São Paulo, 31 de outubro de 19X9

Receita de Serviços

a Resultado

Transferência daquela para esta, para apuração de resultado.

$ 1.250

 

Demonstração do Resultado do Exercício

Período: outubro de 19X9

Receitas

$

Receita de serviços

1.250

Despesas

 

Despesa de material p/ escritório

50

Despesa de peças p/ reparos

100

Despesa de salários

500

Despesa de Aluguel

100

750

Lucro Líquido

500

Como o saldo final da conta Resultado é credor ($ 500), o resultado do exercício é um lucro e poderá ser transferido para Lucros ou Prejuízos Acumulados, encerrando-se, pois, a conta Resultados.

São Paulo, 31 de outubro de 19X9

Resultado

a Lucros ou Prejuízos Acumulados

Lucro líquido apurado no exercício

$ 1000

Como vemos, esta é a forma de se apresentar à demonstração do Resultado do Exercício.

O demonstrativo é, pois, um desdobramento da conta do razão Resultado, onde os registros aparecem de forma mais sintética.


3. Registro de Operações Decorrentes do Regime de Competência de Exercícios

3.1. Regime de Competência de Exercícios

A vida das empresas se conta através de exercícios sociais e dos resultados refletidos em seus balanços. Ao término de cada exercício social e com base em sua escrituração contábil, a empresa faz o levantamento de suas receitas e despesas, a fim de apurar o resultado do exercício.

No entanto, o Regime de Competência de Exercícios princípio básico de Contabilidade exige que o Resultado do Exercício reflita adequadamente as receitas e despesas que efetivamente correspondam ao exercício findo, inclusive receitas ou despesas a pagar incorridas no ano ou período considerado.

Da mesma forma, as despesas feitas em exercício anterior ou receitas antecipadamente recebidas, que figurem como valores pendentes ou diferidos, podem ser reconhecidas como pertencentes ao exercício que se encerra.

Por outro lado, despesas ou receitas antecipadas, pertencentes a exercícios futuros, não devem ser consideradas na apuração do Resultado do Exercício, mas sim ficar pendentes até a efetiva realização das receitas ou confrontação das despesas, no período ou exercício social a que pertencerem.

Nem sempre se distinguem quais as despesas e receitas que devem ser consideradas na apuração do resultado de determinado exercício, pois diversas são as situações que podem ocorrer. Entretanto, a regra geral é a de se considerar o fato gerador da receita ou sua realização e o momento da confrontação das despesas correspondentes.

Em resumo, o Regime de Competência está ligado ao princípio da realização da receita e da confrontação das despesas, ou seja: no momento em que a receita é reconhecida, automaticamente faz-se o confronto das despesas associadas á realização da receita. (Oswaldo Dória, Contabilidade e Finanças para Executivos).

3.2. Despesas a Pagar e Receitas a Receber

Para efeito de uma apuração mais correta de resultados dentro de um exercício social, é necessário que, além dos registros das operações normais, sejam feitos lançamento de ajustes, no fim do período, para a apropriação das despesas a pagar e receitas a receber.

Uma despesa a pagar é aquela incorrida (o fato gerador ocorreu) dentro do período contábil, mas ainda não paga, uma receita a receber é aquela ganha (o fato gerador ocorreu) dentro do período contábil, mas ainda não recebida.

A ocorrência dessas despesas e receitas altera o Patrimônio Líquido real do período contábil a que se referem, apesar de às vezes ainda não haverem sido registradas pela Contabilidade, quer pela falta de recebimento ou pagamento, quer pela falta de documentação de origem, etc. É necessário, pois ao fim de cada período contábil, o registro destes fatos, e para tanto, deverão ser observadas as seguintes regras gerais para os lançamentos de ajuste.

a) "se uma empresa obteve uma receita (ganhou), mas ainda não recebeu em dinheiro e nem foi feito qualquer registro contábil, debita-se uma conta de Ativo e credita-se uma conta de Receita".

b) "se uma empresa incorre numa despesa ainda não paga em dinheiro, e se nenhum registro contábil foi realizado, debita-se uma conta de Despesa e credita-se uma conta de Passivo". Um exemplo de uma receita a receber é o proveniente de uma prestação de um serviço que não foi faturado ao destinatário, e, conseqüentemente, não recebido,

mas que deverá ser registrada através de uma partida de diário de ajuste, partindo-se da regra geral anteriormente explicada.

São Paulo, 31 de dezembro de l9X9

Serviços a Faturar (Conta De Ativo)

a Receita de Serviços

Valor dos serviços prestados neste período, ainda não faturados.

$ 500

O saldo devedor da conta de Ativo de Serviços a Faturar aparecerá no balanço, representando quantia a faturar pela empresa por conta de serviços já prestados, no período que acaba de ser encerrado.

O saldo credor da conta de Receita de Serviços aparecerá na Demonstração do Resultado do Exercício, onde pesará positivamente na apuração do resultado do período

que acaba de ser encerrado. (O fato gerador da receita de serviço é, portanto, a prestação do serviço).

Quando o valor desse serviço prestado for faturado no período seguinte, o registro será:

São Paulo,..................

Contas a Receber

a Serviços a Faturar

Faturado valor do serviço prestado no período anterior, conf. Fatura n. º.

$ 500

Pelo recebimento da fatura, debitaríamos caixa a crédito de contas a receber.

Outros tipos de receitas poderão aparecer nas várias operações de ajuste, como, por exemplo: juros sobre depósitos a prazo, sobre empréstimos ou sobre investimentos.

Como exemplo de despesa a pagar podemos citar o caso das despesas de salário.

Normalmente, a folha de pagamento de uma empresa é paga no início do mês seguinte, apesar disso, a despesa deve ser atribuída ao mês vencido, porque o fato gerador da despesa de salário é o serviço prestado pelos funcionários naquele mês e a seguinte partida de ajuste deverá ser feita:

São Paulo..................

Despesas de Salários

a Salários a Pagar (conta de Passivo)

Valor da folha de pagamento deste mês a ser paga no mês seguinte

$ 300

O saldo devedor de Despesa de Salários aparecerá como despesa na Demonstração do Resultado do Exercício, onde pesará negativamente na apuração do resultado do período, e o saldo credor da conta Salários a Pagar aparecerá no Passivo do Balanço Patrimonial que está sendo encerrado.

Quando a folha de pagamento for paga no período seguinte, a partida de diário será feita na forma abaixo:

São Paulo.....................

Salários a Pagar

a Caixa

Valor pago relativo à folha de pagamento do mês anterior

$ 300

Outras despesas poderão ser objeto deste tipo de ajuste, tais como as incorridas com aluguéis, imposto e taxas, juros, etc.

3.3. Desembolsos que se Transformarão em Despesas Regra Geral

Se um desembolso beneficiar mais de um exercício contábil deve ser debitado a uma conta de Ativo. No fim de cada período é necessário determinar qual a parcela que foi usada ou consumida, considerando-a, pois, como despesa (aparecendo na Demonstração do Resultado do Exercício), e qual a parcela ainda não usada ou consumida que se tornará despesa em períodos futuros e até lá continuará a aparecer no Ativo do Balanço.

O procedimento contábil mais apropriado a ser usado em tais casos é o seguinte:

3.4. Gastos Diferidos (Despesas do Exercício Seguinte)

Existem certos Ativos oriundos de gastos realizados no período corrente que beneficiam o exercício seguinte ou subperíodos de tal exercício. É o caso do prêmio de seguro pago antecipadamente, usualmente remunerando a companhia de seguros por um ano

de cobertura de seguro. Neste caso, temos um típico exemplo de Despesa Diferida classificável ao Ativo Circulante (ativos realizáveis no curso do exercício social subseqüente ao do Balanço). A partida de diário seria:

São Paulo, 31 de dezembro de 19X9

Despesas de Seguros (Conta de Despesa)

a Seguros a Vencer

Apropriação de parte proporcional do prêmio de seguro referente ao período de 1- 7 a 31- 12- 19X9

$ 50

Em 31/12/19X9 o Balanço apresentará a conta de Ativo (Circulante) Seguros a Vencer com um saldo de $ 50 e a Demonstração do Resultado do Exercício constará a conta Despesas de Seguros, também, nesse caso, de $ 50, afetando negativamente o resultado.

Nem sempre, todavia, os gastos antecipados se referem ou beneficiam um número certo determinável de períodos, como no caso do prêmio de seguros e outros. Existem certas aplicações de recursos (gastos) que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, muitas vezes não existido para tais gastos a evidenciação de um contrato formal com duração estabelecida, como aconteceria no caso do seguro. Exemplo desta ultima situação seriam os gastos realizados por uma empresa em seu período pré- operacional, isto é, antes que ela inicie a geração de receitas. Nesse e em casos parecidos ou análogos, o correto é debitar os gastos numa conta de ativo de longo prazo, distinta daquela utilizada no ativo circulante para os gastos do tipo prêmio de seguro. A lei n. º 6.404, de 15/12/1976 ( Lei das Sociedades por Ações ) classifica os gastos pré-operacionais a amortizar e outros gastos que contribuem para a formação do resultado de mais de um exercício, como Ativo Diferido, um detalhamento da classificação geral de Ativo permanente. Um tipo de Ativo não corrente que, todavia, não deve ser confundido com o grupo Realizável a Longo Prazo. Neste último, se tivéssemos um prêmio de seguro cujo contrato excede ao exercício seguinte no qual o pagamento foi feito (prazo que a lei utiliza para separar curto de longo prazo), digamos um prêmio pago em 31/12/1976 com prazo de dois anos, poderia ser classificado no

Realizável em Longo Prazo (dentro da classificação da Lei n.º 6.404). Note-se, todavia que continua sendo um gasto antecipado ligado a contrato com duração determinada, embora de 02 anos. Já o caso dos gastos pré-operacionais, é diferente, beneficia mais de um período (mais ou menos indeterminadamente) e se revestem da característica de permanentes.

3.5. Estoques de Produtos e de Outros Materiais

Os estoques de produtos e mercadorias que figuram no Ativo de uma empresa transformam-se em despesas quando aqueles bens forem vendidos, pois são componentes do custo das vendas.

Por serem materiais adquiridos em quantidades suficientes para serem utilizados às vezes em mais de um período contábil, são registrados por ocasiões das compras em conta de Ativo, tornando-se despesa quando consumidos.

Por ocasião da compra é feito o seguinte registro:

São Paulo..................

Material De Escritório (Conta de Ativo)

A CAIXA

$

Pago pela compra feita a ABC & CIA.,Conf. Nota fiscal n.º 743

200

No último dia do período, para se determinar o valor dos materiais consumidos, que será despesa do atual exercício e o valor dos que permanecem em estoque, para a utilização nos períodos seguintes, a empresa deverá proceder da seguinte forma (desde que adote inventário perpétuo).

Deverá fazer um inventário das existências físicas em 31 de dezembro e valorizá-las pelo custo de aquisição.

Custo dos materiais comprados

$ 200

(- ) custo dos materiais existentes em 31/12

$ 50

(=) custo dos materiais usados no período

$ 150

Após isto, far-se-á o seguinte lançamento de ajuste:

São Paulo, 31 de dezembro de 19X9

Despesas com Material de Escritório (conta de despesa)

a Material de Escritório (conta Ativo)

Valor do custo dos materiais consumidos no período

$ 150

O saldo devedor, de $ 50, da conta Material de Escritório aparecerá no Ativo do balanço, e o saldo devedor da conta Despesas com Material de Escritório ocorrerá na Demonstração do Resultado do Exercício, onde pesará negativamente para a obtenção do resultado líquido.

3.6. Consumos de Ativos Permanentes

Os ativos permanentes, constituindo-se em inversões permanentes, são adquiridos para servirem à empresa em vários períodos de sua existência, não sendo objeto de compra e venda. A aquisição do imóvel onde a empresa se instala, a compra de equipamentos, veículos, móveis e utensílios etc., necessários para se atingir os fins que se propõe, são ativos fixos que não se destinam à venda.

Como estas inversões permanentes irão servir a empresa por vários exercícios, não é correto apropriar como despesa a totalidade de seu valor no momento da aquisição. Todo item de ativo fixo possui um tempo de vida útil limitado e estimável, que servirá de base para o rateio da despesa naquele espaço de tempo.

A distribuição da despesa por vários períodos contábeis, do valor do ativo fixo, é feita através do procedimento contábil denominada depreciação, especificamente dos bens do Imobilizado Técnico.

Suponhamos a compra de um equipamento, por $ 3.000, cuja vida útil foi estimada em dez anos. O rateio do custo para ser apropriado como despesa poderá ser feito da seguinte forma: $ 3.000 = $ 300 por ano ou $ 25 por mês. A parcela de $ 300 é a despesa de depreciação de um ano e deverá ser registrada por um lançamento de ajuste, porque, se ela for ignorada, o resultado líquido periódico estará incorreto. Este ajuste, bem como o de outras apropriações, poderá ser mensal.

O ajuste da depreciação é feito através de um débito em uma conta de Despesa de Depreciação/Equipamentos e o crédito em uma conta separada de Depreciação Acumulada/ Equipamentos (Retificativa dos Ativos Equipamentos).

O crédito, ao contrário dos exemplos anteriores, não deve ser feito diretamente na conta de ativo (Equipamentos), para que não seja cancelado o custo histórico de investimento.

A conta em separado aqui adotada, isto é, Depreciação Acumulada/Equipamentos, tem a mesma função de Reserva para Depreciação (denominação imprópria) (ou menos impropriamente) de Provisão para Depreciação.

A conta Depreciação Acumulada é um termo mais correto, porque evidencia o valor do custo apropriado até a data do demonstrativo (Balanço), não ser confundido com reposição.

O lançamento de ajuste em 31 de dezembro será o seguinte:

São Paulo, 31 de dezembro de 19X9

Despesas de Depreciação/Equipamentos

a Depreciação Acumulada/Equipamentos

Depreciação do equipamento p/ o ano de 19X9.....

$ 300

A despesa de depreciação influirá negativamente no resultado do período, pois, no momento da apuração, será levada a débito da Conta Resultado. A conta Depreciação Acumulada/Equipamentos, não sendo encerrada no fim de cada período, tem, ao contrário, o seu saldo aumentado pelos lançamentos periódicos de depreciação, e deverá aparecer no balanço no lado do Ativo embora saldo credor, da seguinte forma:

ATIVO

$

$

Equipamentos

3.000

 

(- ) Depreciação Acumulada/Equipamentos

300

 
  

2.700

Deve-se observar que quando o saldo da conta Depreciação Acumulada igualar-se ao valor do item do Ativo, objeto da depreciação, o lançamento de ajuste cessará porque já foi apropriado o total de seu custo. Assim, desde que o item do Ativo não seja alienado ou baixado e ainda esteja prestando serviços à empresa, deverá figurar no balanço da seguinte forma:

ATIVO

$

Equipamentos

3.000

(-) Depreciação Acumulada/Equipamentos

3.000

Se elementos do Ativo, sujeitos à depreciação, forem adquiridos durante o período contábil, a depreciação deverá ser computada para um período fracionário.

Já que a depreciação é uma estimativa, parece desnecessário que o cálculo do período fracionário seja feito em termos de dias.

Pode-se calcular que o período fracionário em termos de meses e, no máximo, de 15 dias, como fração de um mês. (A depreciação será tratada, em detalhes, no ponto "Ativo Imobilizado").


4. Passivos que se Transformam em Receitas

Ocorre, em certas ocasiões, o recebimento antecipado de valores por conta de serviços a serem executados ou vendas de bens a serem atendidas.

Se os serviços não forem completamente executados ou os bens não forem entregues durante o período no qual o recebimento do dinheiro ocorreu, o valor deste recebimento deverá ser creditado a uma conta de passivo, cujo título expresse claramente tratar-se de uma receita recebida antecipadamente. O procedimento contábil mais correto para o caso é o seguinte:

4.1. Receita Diferida

Receitas Diferidas, ou recebidas antecipadamente representam recebimentos adiantados que vão gerar um Passivo para uma prestação de serviço futuro, ou a entrega posterior de bens. O valor desse recebimento deverá ser creditado em uma conta de passivo.

Uma empresa recebe $ 1.000 antecipadamente para prestar serviços futuros. Desde que este recebimento beneficie mais de um período contábil, ele deverá ser creditado a uma conta Passivo, da seguinte maneira:

São Paulo, 30 de junho de 19X9

Caixa

A Receita de Serviços Recebida Antecipadamente

(conta de passivo)

$

Recebido pelo serviço a ser prestado à firma X, conforme recibo n.º 0248

1.000

No fim do período deverá ser feito um lançamento de ajuste, apropriando-se como receita do exercício o valor dos serv

Comentários


Páginas relacionadas