Balanço Patrimonial e DRE: Análise Vertical e Horizontal

Autor:
Instituição: FASF
Tema: Balanço Patrimonial e DRE

CONCEITOS SOBRE ANALISE VERTICAL E ANALISE HORIZONTAL

FASF
2008

 

 

 

ANÁLISE VERTICAL

Também denominada análise da estrutura, a análise vertical envolve a relação entre um elemento e o grupo de que ele faz parte. Relaciona a parte com o todo. A análise vertical envolve elementos homogêneos, mas relativos a um mesmo exercício, ao contrario da análise horizontal, que é relativa, necessariamente, a exercícios distintos. Difere da análise por quocientes, porque, nessa, normalmente a razão estabelecida é entre elementos heterogêneos de um mesmo exercício. Já a análise vertical consiste em se estabelecer uma razão entre elementos homogêneos (a parte em relação ao todo) de um mesmo exercício.

 

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Dividindo o ativo circulante de 19X1 pelo ativo total de 19X1, temos: 200 / 1.000 = 0,2, que é equivalente a 20%. Desse modo, pela análise vertical, podemos observar que o ativo circulante representa 20% do ativo total no ano de 19X1. O grupo do ativo com maior participação é o permanente, que corresponde a 50% do ativo total.

 

ANÁLISE HORIZONTAL

A análise horizontal consiste em se verificar a evolução dos elementos patrimoniais ou de resultado durante um determinado período. Possibilita a comparação entre os valores de uma mesma conta ou grupo de contas em diferentes exercícios sociais. Os elementos comparados são homogêneos, mas os períodos de avaliação são diferentes. Precisamos, de pelo menos dois exercícios para efeito de comparação dos mesmos elementos em demonstrações de períodos distintos.

 

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Dividindo o ativo circulante de 19X2 pelo ativo circulante de 19X1, temos: 150 / 100 = 1,50, que é equivalente a 150%. Assim, pela análise horizontal, podemos observar que o ativo circulante em 19X2 era correspondente a 150% do valor de 19X1, ou seja, em 19X2, ele sofreu aumento de 50% em relação ao ano de 19X1.

 

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OBSERVAÇÕES NA ANÁLISE VERTICAL:

No Ativo Circulante, verificamos que a Conta Banco Conta Movimento sofreu um pequeno decréscimo de 2000 para 2001 e de 2001 para 2002, de 0,27% e 0,36%, respectivamente. Tal fato é conseqüência das vendas efetuadas pela empresa a prazo, refletida, principalmente, pelas Duplicatas a Receber e pelas Letras de Câmbio, que obtiveram um acréscimo de 1,40% para 1,46% (2000 para 2001) e de 1,46% para 1,55% (2001 para 2002).

No Ativo Realizável a Longo Prazo, percebemos um acréscimo nas contas Títulos a Receber e Letras de Câmbio, em virtude das vendas realizadas a longo prazo pela empresa.

No Ativo Permanente – Investimentos, ressaltamos o grande interesse da empresa em investir as suas ações em outras empresas. Por isso, observamos o crescimento da conta Participações Societárias de 2000 para 2001 e de 2001 para 2002, na ordem de 0,06% e 0,30%, respectivamente.

No Ativo Permanente – Imobilizado, observamos uma queda percentual de 0,40% e 0,28%, de 2000 para 2001 e de 2001 para 2002, respectivamente. Tal fato pode ser explicado pela falta de interesse da Construtora Caparaó em investir em terrenos, notando-se que embora seja de supra importância a Construtora deixou de investir no mesmo obtendo uma baixa de 0,84% do ano base de 2000 para 2001 e de 0,62% de 2001 para 2002.

No Ativo Permanente – Diferido, a empresa continua fazendo as devidas amortizações das Despesas Pré-operacionais, sendo que entre 2000 e 2001, esta Amortização sofreu um acréscimo na ordem de 0,22%, e entre 2001 e 2002, o acréscimo foi na ordem de 0,73%.

O Passivo Circulante da Construtora Caparaó foi sofrendo uma queda gradativa, de 0,15%, entre 2000 e 2001, e 1,46%, entre 2001 e 2002. Os elementos que contribuíram para tal queda foram os Empréstimos Obtidos a curto prazo e as Contas a Pagar. Por esse detalhe, podemos concluir que a Construtora Caparaó está disposta a diminuir as suas obrigações perante os Empréstimos Obtidos, principalmente entre 2001 e 2002, que apresentou uma ligeira queda de 2,44%. Já em Contas a Pagar, a queda foi mais acentuada entre 2002 e 2001, que ficou na ordem de 2,23%, embora entre 2001 e 2002, a queda tenha sido em torno de 1,29%. Percebemos, ainda, no Passivo Circulante que a empresa aumentou gradativamente as suas compras a prazo, a fim de alimentar o seu estoque. Entre 2000 e 2001, o aumento ficou na ordem de 1,73%, e entre 2001 e 2002, ficou na ordem de 0,57%.

Finalizando, as obrigações da empresa relacionadas aos dividendos, apresentou ao longo desses três anos um crescimento bastante relevante, em torno de 0,19% e 1,57%, respectivamente.

No Exigível a Longo Prazo, percebemos, ao contrário no Passivo Circulante, um aumento nos empréstimos contraídos pela empresa junto às instituições financeiras. Entre 2000 e 2001, este aumento ficou em torno de 0,27%, e entre 2001 e 2002, ficou na ordem de 0,71%.

O Patrimônio Líquido apresentou em certo desequilíbrio, uma vez que entre 2000 e 2001, apresentou uma ligeira queda de 0,11%, e entre 2001 e 2002, apresentou um acréscimo de 0,74%. O elemento que mais contribuiu para tal desequilíbrio foi a Conta Capital, que entre 2000 e 2001, apresentou uma queda de 0,57%, e entre 2001 e 2002, apresentou um acréscimo de 0,21%.

Na Demonstração do Resultado do Exercício, observamos, como bom sinal, um aumento acentuado das Vendas Líquidas da Construtora Caparaó, que entre 2000 e 2001, teve um aumento de 1,67% no Lucro Bruto, e entre 2001 e 2002, teve um aumento de 1,90% no seu Lucro Bruto. Entretanto, verificamos que a Construtora Caparaó apresentou um acréscimo considerável nas suas Despesas Operacionais, repercutindo, de forma decrescente, no resultado do lucro líquido do exercício. Para se ter uma idéia, entre 2000 e 2001, a empresa apresentou um aumento em suas Despesas Operacionais em torno de 3,17%, enquanto que, entre 2001 e 2002, as suas despesas operacionais apresentaram um aumento em torno de 3,33%. Portanto, para obter um Lucro Líquido mais viável no final do exercício financeiro, a Construtora Caparaó precisa adotar medidas para diminuir os seus custos oriundos das Despesas Operacionais, principalmente, com relação às Despesas com Vendas e às Despesas Financeiras.

 

OBSERVAÇÕES NA ANÁLISE HORIZONTAL:

O Ativo Circulante apresentou um crescimento de 1,11% e 1,20%, respectivamente, 2001 e 2002, em comparação com o exercício de 2000. Tal fato é atribuído ao crescimento nas disponibilidades em caixa, oriundos da venda de mercadorias a vista, e ao crescimento verificado nas emissões de duplicatas, notas promissórias e letras de câmbio oriundas das vendas de mercadorias (apartamentos, edifícios, casas, etc) a prazo. Além disso, não podemos deixar de destacar o crescimento dos estoques, em conseqüência ao sucesso que a empresa tem tido em suas vendas.

No Ativo Realizável a Longo Prazo, como fruto do grande volume de mercadorias que foram vendidas, destacamos o crescimento dos Títulos a Receber, em torno de 1,18% e 1,27% em relação a 2000, e das letras de câmbio, em torno de 1,28% e 1,43% em relação a 2000, emitidas pela empresa para serem pagos a longo prazo pelos clientes.

No Ativo Permanente, podemos perceber que houve um pequeno crescimento, resultando em apenas 1,10% entre 2000 e 2002. Os elementos patrimoniais que mais cooperaram para tal crescimento foram às contas Veículos e Móveis e Utensílios. A conta Veículos cresceu 1,67%, em 2001, e 2,06%, em 2002, em comparação com o ano-base de 2000. A conta Móveis e Utensílios cresceu 1,56%, em 2001, e 1,87% em 2002, em comparação com o ano-base de 2000. Vale ressaltar que a Construtora Caparaó não investiu em nada na compra de terrenos e/ou imóveis, motivo pelo qual levou o Ativo Permanente a apresentar um crescimento tão insignificante.

O Passivo Circulante experimentou um crescimento um pouco expressivo, graças à política adotada pela Construtora Caparaó de liquidar suas dívidas junto às instituições financeiras (empréstimos obtidos) e juntos a alguns credores (contas a pagar). No entanto, fazemos um alarme em relação às obrigações junto aos fornecedores, tendo em vista ás compras para pagamento a curto prazo, evidenciando a renovação dos estoques da empresa. Há de salientar-se também, às obrigações da empresa junto aos seus sócios (dividendos a pagar), em virtude da distribuição dos lucros alcançados pela construtora. Para se ter uma idéia, em 2001 a conta Dividendos a Pagar apresentou um acréscimo de 1,33%, em relação ao ano-base de 2000, enquanto que no encerramento do exercício financeiro de 2002, apresentou um acréscimo de 3,33% em relação ao ano-base de 2000.

No Passivo Exigível a Longo Prazo, ao contrário do que aconteceu no Passivo Circulante, observamos um aumento de 1,13% dos empréstimos contraídos pela empresa, em 2001, e de 1,25% em 2002.

No Patrimônio Líquido, verificamos um aumento constante em todos os seus elementos. A conta Capital cresceu 1,08% e 1,17%, respectivamente, em 2001 e 2002, comparados com 2000. Já a conta Reservas de Lucros, cresceu 1,25% e 1,50%, respectivamente, em 2001 e 2002, em relação ao ano-base de 2000. E, finalmente, a conta Lucros Acumulados, cresceu 1,17% e 1,33%, respectivamente, em 2001 e 2002, comparados com 2000.

Na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), enfatizamos um ótimo crescimento de 1,57% e 1,14%, respectivamente, em 2001 e 2002. Todavia, o Lucro Líquido em cada exercício financeiro poderia ser melhor, se a Construtora Caparaó não tivesse um aumento significativo em suas Despesas Operacionais. Para fortalecermos esta conclusão, enfocamos um aumento de 1,77%, em 2001, e de 2,40%, em 2002, em comparação com o ano-base de 2000. Os elementos patrimoniais que mais contribuíram para este aumento nas Despesas Operacionais foram às despesas com vendas e as despesas financeiras.

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