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Custo Padrão

Autor:
Instituição: UFSC
Tema: Métodos de Custeio

CUSTOS

CUSTEIO: MÉTODO CUSTO-PADRÃO

Florianópolis, 25 de julho de 2002.

 

1. INTRODUÇÃO

Um sistema de custeio tem como objetivo, identificar os custos inseparáveis ao processo produtivo, acumulando-os de forma organizada aos produtos. A característica básica de um sistema de custeio é a geração de informações de custos, visando a valorização dos estoques e avaliação dos resultados, o planejamento e o controle das operações e a tomada de decisões.

O custo-padrão surgiu da necessidade de antecipação da informação de custos dos produtos, a fim de que se tomasse decisão antecipada de viabilidade de negócios.

Independentemente de a empresa utilizar o método do custeio direto ou custeio por absorção, ela pode utilizar o conceito do custo-padrão.

Custo-padrão se diferencia do custo real, no sentido de que ele é um custo normativo, um custo objetivo, um custo proposto ou um custo que se deseja alcançar.

Nesse contexto, o custo-padrão apresenta-se como uma ferramenta indispensável para o controle dos custos das operações e atividades da empresa.

 

2. OBJETIVOS:

2.1 OBJETIVO GERAL:

O método de custeio pelo Custo-padrão, tem como objetivo principal o de controlar os custos da empresa.

2.2OBJETIVO ESPECÍFICO:

Podemos dizer que o custo padrão é melhor e mais eficiente que o custo estimando na tarefa de controle de custos. Seu grande objetivo é a fixação de uma base de comparação entre o que ocorreu de custo e o que deveria ter ocorrido.

Este método de custeio é o mais conveniente para informar para a administração da empresa, sobre alguns pontos, conforme SILVA (1977) coloca:

Para atingir o objetivo do custo-padrão, é preciso se ter uma base, estabelecendo um conjunto de padrões ou medidas. Essas bases deverão constar todas as etapas de execução de uma tarefa e quanto deverá custar.

Uma outra finalidade do custo-padrão resulta da adoção de qualquer base de comparação fixada para efeito do controle, é o efeito psicológico sobre o pessoal, podendo ele ser positivo ou negativo.

Quanto ao aspecto positivo, se o padrão for fixado considerando-se metas difíceis, mas não impossíveis de serem alcançadas, acabará por funcionar como alvos e desafio realmente de todo o pessoal, com mais importância ainda, se ainda tiver sido firmado com a participação dos responsáveis pela produção. Haverá uma preocupação por parte de altos administradores em analisar as comparações e eliminação das divergências.

Quanto ao aspecto negativo, se o padrão for fixado com base num conceito ideal, cada funcionário já saberá de antemão que o valor é inatingível, e que todo e qualquer esforço jamais culminará na satisfação máxima do objetivo alcançado, e poderá haver a criação de um espírito psicológico individual e coletivo, amplamente desfavorável.

Em resumo, conforme LEONE (1997), "o objetivo principal do custo padrão, é estabelecer uma medida planejada que será usada para compará-los com os custos reais ou históricos (aqueles que aconteceram e foram registrados pela contabilidade), com a finalidade de revelar desvios que serão analisados e corrigidos, mantendo assim, o desempenho operacional dentro dos rumos previamente estabelecidos".

 

3. DESENVOLVIMENTO

3.1 Conceitos de Custo-Padrão

Existem diversas acepções de custo padrão. Muitas vezes é entendido como sendo o custo ideal de fabricação de um determinado item. Seria, então o valor conseguido com o uso das melhores matérias-primas possíveis, com a mais eficiente mão-de-obra viável, a 100% da capacidade da empresa, sem nenhuma parada por qualquer motivo, a não ser as já programadas em função de uma perfeita manutenção preventiva etc. Esta idéia de custo padrão ideal, em franco desuso, nasceu da tentativa de se fabricar um custo "em laboratório". Isto é, os cálculos relativos a tempo de fabricação (de homem ou máquina), por exemplo, seriam feitos com base em estudos minuciosos de tempos e movimentos, com experiências usando o operário mais bem habilitado, sem se considerar sua produtividade oscilante durante o dia, mas aquela medida num intervalo de tempo observado no teste. As perdas de material seriam apenas as mínimas admitidas como impossíveis de serem eliminadas pela Engenharia de Produção, e assim por diante. No final, custo padrão ideal seria um objetivo da empresa longo prazo, e não a meta fixada para o próximo ano ou para um determinado mês.

O uso do custo padrão ideal é extremamente restrito, já que serviria apenas para comparações realizadas no máximo uma vez ao ano, por exemplo, para se ler uma idéia de quanto se evoluiu com relação há anos anteriores.

Há um outro conceito de custo padrão muito mais válido e prático. Trata-se do custo padrão corrente. Este diz respeito ao valor que a empresa fixa como meta para o próximo período para um determinado produto ou serviço, mas com a diferença de levar em conta as deficiências sabidamente existentes em termos de qualidade de materiais, mão-de-obra, equipamentos, fornecimento de energia etc. É o valor que a empresa considera difícil de ser alcançado, mas não impossível.

Diferencia-se custo padrão corrente do ideal em diversos pontos. O corrente considera algumas ineficiências da empresa, só excluindo aquelas que a empresa julga possam de fato ser sanadas; o ideal só exclui as que "cientificamente" não podem ser eliminadas. O corrente é levantado com base não só em estudos teóricos, mas também em pesquisas e testes públicos, enquanto que o ideal tende a ser muitas vezes feito "em laboratório", mediante estudos e cálculos muitas vezes distanciados da realidade. O corrente leva em conta os fatores de produção que a empresa realmente tem à sua disposição, como máquina que possui, mão-de-obra na qualidade que detém ou pode recrutar no período etc; o ideal considera os melhores fatores de produção que a empresa deveria ter, mesmo que isso não fosse viável para ela de imediato. O corrente é uma meta de curto e médio prazo, enquanto que o ideal é de longo. Aquele fixa um montante que a empresa deverá empenhar-se para alcançar no próximo período, e este um valor do qual deverá aproximar-se ao longo de vários anos, sem provavelmente jamais alcançá-lo.

No que se diferencia então custo padrão corrente do custo estimado? Talvez a forma mais simples de se responder seja dizendo que o padrão corrente é o custo que deveria ser, enquanto que o estimado é o que deverá ser. Aquele é o que a empresa deveria alcançar, se conseguisse atingir certos níveis de desempenho, enquanto este é o que normalmente a empresa deverá obter. O custo padrão corrente é mais elaborado; exige que determinados estudos sejam feitos, enquanto que o estimado parte da hipótese de que a média do passado é um número válido, e apenas introduz algumas modificações esperadas, tais como volume de atividade, mudança de equipamentos etc. Por exemplo, para a fixação do custo padrão corrente, exige-se que a empresa faça uma averiguação da produtividade de cada máquina, considerando-se as suas características técnicas, tais como volume que deveria produzir (talvez fornecida pelo próprio fabricante), consumo de energia e lubrificantes que deveria ter etc. Para o custo estimado, pegar-se-ia simplesmente a média passada, e se por um problema de regulagem a máquina estivesse consumido mais energia do que deveria, esse fato nem seria percebido.

O custo padrão corrente é mais "científico", no sentido de que faz a união entre aspectos teóricos e práticos da produção, enquanto que o custo estimado só levaria em conta os práticos, podendo por isso nunca apontar defeitos ou ineficiências que seriam sanados com aquele. (O custo padrão ideal tende a ser, por outro lado, extremamente teórico.)

3.2 Aplicação do Custo Padrão

Conforme estudos de Jung, para simplificar a apuração do custo, usa-se o custo-padrão unitário em nível da produção preestabelecida, isto é, 100%. Ao fechar o balanço mensal, a faixa da produção do mês será conhecida e o custo-padrão correspondente a este nível da produção poderá ser determinado e comparado como custo real do mês.

Para determinar o custo-padrão unitário na base do sobre custo de um produto em um departamento, por exemplo, multiplica-se a taxa horária por hora determinada e o tempo necessário da mão-de-obra direta para fabricar uma unidade do produto.

O custo-padrão da matéria-prima utilizada pelo mesmo departamento representa o custo de 1Kg do material utilizado, vezes o preço.

Para calcular a mão-de-obra direta por unidade, multiplica-se a taxa padrão pelo tempo padrão, em cada departamento.

A soma destas três parcelas indica o custo-padrão unitário a 100%.

Os sobre custos de natureza fixa, como depreciação, seguros, impostos, etc, são adicionados ao sobre custo direto.

No fim do mês, o departamento de Produção fornece o relatório da produção, cujas informaÇões são dados referentes a ordens de fabricação durante o mês. Essa etapa pela existência do tempo padrão de várias etapas de trabalho dentro de cada departamento.

Ao receber o relatório de produção, o contador de custos prepara o sumário da fabricação executada durante o mês pela fabrica.

3.3 A Contabilização dos Custos-Padrão

Para Jung, o processo do custo-padrão faz a comparação do custo julgado, com o custo real. As variações são tomadas como índices de desempenho. O processo é o seguinte:

3.4 Análise da Variação das Matérias-Prima

Para analisar a variação da matéria-prima, tem-se por base o custo-padrão unitário. Em termos de quantidade e preço, as variações são analisadas aplicando-se as seguintes fórmulas.

* Variação da Quantidade= número de unidades de matérias-prima utilizadas acima ou abaixo do padrão, multiplicado por seus custos-padrão unitários.

* Variação do Preço= número real de unidades utilizadas multiplicado pela variação do custo unitário real em função do custo-padrão unitário.

3.5 Análise da Variação da Mão-de-Obra Direta

Analisa-se, primeiramente o sumário do custo-padrão unitário explicado anteriormente para obter o valor da produção da unidade do produto final multiplicado pelo número de horas da mão-de-obra direta por departamento.

Faz-se uma comparação com o resultado do custo real e obtém-se a soma das variações totais nos departamentos e a variação líquida favorável ou desfavorável.

3.6 Análise da Variação do Sobre Custo

O sumário do custo-padrão unitário pertencente aos departamentos, que é a soma de cada parcela do sobre custo.

Se a produção real corresponder ao nível de 100% de capacidade preestabelecida a comparação entre o sobre custo real e o padrão não apresentará distorção. Na maioria dos casos a produção real raramente corresponde aos 100% do volume estimado. O primeiro passo é determinar a porcentagem da capacidade de produção efetivamente utilizada.

Após esta etapa, calcula-se as variações do sobre custo, desdobrando-se a analise em duas etapas: a análise das variações controláveis e a análise das variações incontroláveis.

3.6.1 Variações Controláveis

As variações por tipo de sobre custo são analisadas com maior profundidade para identificar as causas e usa-las para decisões corretivas. Essas variações são chamadas de variações controláveis de sobre custo.

No sumário do custo-padrão preestabelecido o sobre custo que corresponde a 100% da capacidade dos departamentos analisados.

As taxas do sobre custo horário são diferentes devido aos diferentes níveis de produção.

A análise das variações, tem como objetivo a determinação das eficiências alcançadas ou ineficiências sofridas em cada setor. Por isso, as variações das matérias-prima, mão-de-obra e sobre custo formam a base para o controle do custo da produção

3.7 A Contabilização das Variações

Os lançamentos contábeis são feitos no fim do mês.

Também é registrado o custo-padrão das ordens de fabricação, acabados durante o mês e também acabados e vendidos durante o mês.

3.8 O Rateio das Variações Incontroláveis

Os lançamentos a débito de produtos em processo, produtos acabados e custo dos produtos vendidos, são feitos com base de 100%. Quando o departamento não opera com este resultado os custos-padrão reais devem ser diferentes dos padrões usados referentes à análise das variações do sobre custo.

Estes lançamentos têm a finalidade de fechar a conta de variações no demonstrativo de resultado.

3.9 Custo Rela x Custo Padrão

O custo padrão é analisado como uma base eficaz, com pré-requisitos para um custo eficaz. Ele mostra através de cartões de custos como um gerente pode usar as informações para controlar o desempenho, conforme Thomas S. Dudick.

O autor diz que o custo real irá se basear indubitavelmente na ordem dos serviços, os materiais para serviço são comprados e debitados, estes débitos diretos nas empresas onde o fluxo de produção é aproximadamente contínuo.

Os problemas encontrados afetam diretamente a área onde o problema afetou diretamente, pois é aí que estes são debitados. Quando o erro ocorre em um componente ligado a vários produtos , o erro deveria ser dividido e debitado, pelos demais produtos e não só ao único produto que o erro afetou.

Nem sempre os padrões podem dar conta do controle de produção, no caso de vários lotes pequenos não podemos nos basear tanto nos custos-padrão, pois estaria se prevendo lotes ótimos e nem sempre isto acontece. Quando a quantidade é pequena e a variabilidade é grande, os padrões acabam por distorcer ao invés de corrigir os custos por partida individual e destacar, o tempo empregado nas tarefas separadamente.

As despesas indiretas reais são estabelecidas por taxas reais e não pré-determinadas. As taxas são aplicadas em mão-de-obra direta ou horas de máquina, meses com pouco volume deixam os produtos produzidos neste período em desvantagem em relação aos produzidos nos meses de alto volume.

A taxa de despesa indireta pré-determinada é aplicada quando ocorre um erro de cotação, ela é baseada nas despesas indiretas aplicadas a base escolhida.

3.10 Vantagens do Custo-Padrão

3.10.1 Integração

A implantação do emprego dos custos-padrão exige trabalho de equipe, em que todos os elementos da empresa participam. Há oportunidades para maior integração de todas as funções em torno de objetivos comuns, fazendo com que haja maior consciência de custos por parte do pessoal.

3.10.2 Controle pela administração

O custeio-padrão facilita o controle pela administração de todos os fatores, sejam relacionados a despesas ou a produção, que, afetam o custo da produção. Por exemplo:

  • Separa o efeito, nos custos de aumentos ou diminuições temporárias no volume de produção e vendas. Pode indicar o efeito, nos custos da falta de equilíbrio na capacidade produtiva.
  • Os padrões servem de estímulos e força para melhor desempenho a operários, supervisores, executivos e funcionários.
  • Os custos padrão constituem um poderoso auxílio de elaboração e acompanhamento dos orçamentos.
  • Os custos padrão constituem instrumentos valiosos para apoio às decisões, quanto a preços de venda e política de produção.
  • Fornece a administração relatórios prontos e constantes sobre todos os pontos que não estão caminhando de acordo com os planos ou expectativas, possibilitando, assim, que uma ação corretiva seja tomada, imediatamente, para sugerir as perdas ou ineficiências, ao invés de deixar o administrador gastar tempo e esforço, examinando volumes de detalhes à procura de possibilidades de perdas e ineficiências.
  • Facilita a delegação de responsabilidades, pois oferece meios de controle. Através da distribuição apropriada de todos os custos do negócio aos departamentos ou centro de custo a responsabilidade pode ser dada ao chefe de departamento, chefe de turma ou ao supervisor menor. Se todos os custos de todos os departamentos são controlados, os custo dos produtos terminados estão também controlados.

3.10.3 Eficiência contábil

O custeio padrão seja para a grande ou pequena empresa, pode ser mais econômico em trabalhos burocráticos e mais efetivos do que qualquer outro método de fornecimento de informações à administração. Por exemplo:

3.11 Orçamento do Custo-Padrão

O orçamento empresarial tem por base a projeção dos fatores operacionais para o período por vir, exercendo-se sobre tais projeções as atividades de controle. Nesse sentido, o custo-padrão não se diferencia do custo orçado, pois ambos representam custo futuro estimado. Há, porém, uma diferença no grau de refinamento dos dois sistemas em uso. O custo orçado pode ser elaborado de forma global sem grandes preparativos para tal finalidade, já que não procura determinar detalhes sobre os componentes do custo total. O custo-padrão, por sua vez, obedece a um processo criterioso de elaboração e análise, capaz de fornecer as informações necessárias, de conformidade com as exigências, devido à sistemática da administração fabril e financeira. É nessa conceituação que iremos abordar o custo-padrão como parte do sistema orçamentário global.

Segundo Eric Kohler citado por TUNG o custo-padrão pode ser definido assim:
"A previsão ou predeterminação de quais seriam os custos nas condições projetadas, a servir de base para o controle do custo e como medida de eficiência da produção (ou como padrão de comparação) quando finalmente alinhados à frente do custo real".

As condições projetadas que Eric Kohler menciona focalizam a previsão dos fatores de custo. Sabe-se, porém que o custo industrial não serve apenas para o controle, tendo outras finalidades, como a fixação do preço de venda e a avaliação do estoque. Cm relação à primeira, se não dispuser de dados para levantar o custo, a empresa não estará em condições de fixar seus preços de forma adequada. Ao mesmo tempo, a avaliação do estoque permite a apuração do lucro de forma mais coerente. Especialmente no regime de economia inflacionaria, esta avaliação se torna necessária cada vez que a empresa renova seu custo-padrão. No contexto do orçamento empresarial, os fatores para a apuração do custo ou despesas, bem como para a determinação dos preços de venda, fazem parte do planejamento. Há uma diferenciação entre os dois termos "orçamento" e "padrão", embora ambos de refiram à mesma finalidade – o controle financeiro empresarial. Esse ponto de vista é explanado pelas seguintes observações de S. B. Henrici, que TUNG:

"Geralmente, fixam-se os orçamentos para todos os departamentos da empresa, desde o de vendas até o de produção. Mas com freqüência se fixam padrões para divisões produtoras, padrões esses que podem, na verdade, ser confinados a custos de um numero limitado de centros de custo..."

3.12 A Taxa Predeterminada do Custo

As flutuações são freqüentes em vários tipos de negócios, tanto na venda como na produção. Além dos custos que variam de conformidade com os volumes de produção, há outros tipos de custos fabris, como aluguéis, seguros, impostos, taxas, etc., que não variam em consonância com as flutuações da produção. Sendo assim, o custo unitário se diferencia de um mês para o outro. Exemplificando:

 

Jan

Fev

Sobre custo Total

Produção em unidades

Sobre custo Unitário:

Matérias-Primas

Mão-de-obra Direta

Sobre custo

20.000

20.000

2.00

1.50

1.00

24.000

36.000

2.00

1.50

0.67

Custo Total Unitário

4.50

4.17

Uma das principais vantagens do custo industrial é possibilitar a comparação entre os custos dos diferentes períodos.

Para evitar discrepâncias que podem surgir no julgamento dos resultados obtidos a partir desse tipo de análise, os especialistas em custos elaboraram uma teoria que permite usar uma taxa predeterminada. Essa teoria baseia-se na relação entre o sobre custo total e as horas de mão-de-obra, não por mês estanque, mas para o período normal da produção, período esse que varia em função do tempo e das condições em que opera cada empresa. Freqüentemente, cada ano é dividido em estações de alta e de baixa vendagem, como essas variações tendem a repetir-se todos os anos, pode-se, para determinadas empresas, eliminar as variações mensais fazendo com que as comparações se tornem mais significativas e se possa evitar a disparidade, como no exemplo acima.

3.13 O Custo-Padrão no contexto do Orçamento.

As empresas, no planejamento e controle das vendas, projetam suas vendas para o período futuro com a intenção de poder compará-las com os valores reais. Qualquer variação substancial estará sujeita à averiguação, para determinar os motivos. Do ponto de vista do custo-padrão para fins de orçamento, temos que abordar os aspectos básicos que se seguem.

A determinação do volume da produção: A escala de produção por unidade em função dos meses do orçamento é determinada a partir da estimativa de vendas e da determinação da política de estoque. Se a empresa pretende obter um controle de custo interno por linha de produtos e por produto, os respectivos detalhes sobre a produção futura deverão ser fornecidos ao Departamento de Contabilidade de Custo, para que ele elabore o custo-padrão com tantos detalhes quantos forem necessários.

A determinação do período do custo-padrão: Quando os fatores do custo sofrem alterações freqüentes e acentuadas, a determinação do período do custo-padrão tem importância preponderante.Nos regimes de economia estável, o custo-padrão é preparado para o ano inteiro. Já nos paises que apresentam maior flutuação inflacionária, as empresas preferem períodos menores, tanto para o orçamento como para o custo-padrão, visando uma maior flexibilidade e maiores chances de acerto.

A fixação dos padrões: O grau de acerto na determinação dos padrões depende, em primeiro lugar, dos conhecimentos específicos dos setores envolvidos; em segundo, do espírito de colaboração no tocante à formulação de uma diretriz única para a elaboração dos padrões do custo almejado. É com a fusão do conhecimento de todos os departamentos da empresa que ela consegue estabelecer padrões de custo mais seguros.

O padrão das matérias-primas: Antes da elaboração do custo-padrão a empresa estuda o plano de uso dos materiais, tanto em quantidade como em qualidade, para a confecção dos produtos finais. Após é feito um levantamento da disponibilidade dessa matéria-prima junto ao estoque ou aos fornecedores. Por fim é feito um estudo que define os padrões de matérias-primas para cada unidade do produto final. Isso envolve o padrão do preço para cada matéria-prima a ser utilizada.

O padrão da mão-de-obra direta: A formulação do padrão da mão-de-obra direta requer, em primeiro lugar, estudos sobre sua utilização no passado. Contudo, o conhecimento do passado serve apenas como ponto de partida para a elaboração do padrão para o futuro, pois nem sempre o desempenho do passado representa a media ideal para o futuro. Para serem efetivos, todos os padrões, tanto os relativos às matérias-primas como os relativos à mão-de-obra direta, devem representar o maior grau de eficiência atingível.

TUNG propõe um exemplo para a aplicação dos padrões das matérias-primas e da mão-de-obra direta.

Suponhamos que para elaborar uma unidade do produto final, sejam necessários três tipos de matérias-primas:

Ao mesmo tempo, para processar essas matérias-primas, são necessários três tipos de mão-de-obra direta com os seguintes tempos-padrão de execução:

2.5 horas de M.O. D. no Departamento C à razão de Cr$ 8.00 a hora.

Somando, temos o custo direto de cada unidade do produto final:

Matérias-primas Cr$ 11.50

Mão-de-obra Direta Cr$ 31.00

Total Cr$ 42.50

No fim do mês a Contabilidade Industrial revela que o custo real ultrapassou o custo padrão. Diante dessa noticia, todos os esforços são feitos para determinar as causas. São quatro os motivo que poderiam ter dado origem ao maior custo direto, isto é, à soma do custo das matérias-primas e mão-de-obra direta:

Além desses motivos, os padrões usados como base de comparação poderiam não estar bem elaborados devido a algum julgamento errôneo. Independente, da causa específica das variações da forma mais rápida e objetiva, para que a administração fabril possa tomar medidas corretivas necessárias. Qualquer correção só pode ser feita com o conhecimento da causa das variações e qualquer causa das variações só pode ser determinada através de uma análise fundamentada.

O padrão do sobre custo: o sobre custo é o terceiro grupo dos itens do custo fabril. Em outras palavras, o sobre custo representa todos os custos que formam o custo industrial, exceto as matérias-primas e a mão-de-obra direta. Devido à sua natureza, a elaboração do padrão do sobre custo é relativamente mais complexa do que das matérias-primas e da mão-de-obra direta.

A organização fabril possui os departamentos produtivos e os departamentos de serviço que auxiliam o processo produtivo. Segundo TUNG antes que o sobre custo desses departamentos seja rateado entre os centros produtivos, o processo de trabalho segue um caminho mais ou menos padronizado:

A aplicação dos padrões do sobre custo: Um dos problemas na aplicação dos padrões do sobre custo é que, com raras exceções, a produção executada é diferente da produção estimada, isto faz com que as estimativas do sobre custo percam a sua validade. Ao se determinar os padrões de sobre custo presume-se que cada departamento irá funcionar em nível de capacidade predeterminada e com a condição operacional eficiente. Isso significa que o montante de trabalho a executar e o número das unidades a manufaturar obedecerão aos padrões exigidos. Devido às diferenças entre a capacidade da produção realizada e a preestabelecida, estima-se o sobre custo a diferentes níveis de produção, tanto para cima como para baixo do nível preestabelecido. Só com as tais afirmativas se pode determinar, com mais acerto, se o sobre custo realizado está dentro ou fora do padrão fixado.

A tabela a seguir extraída segundo TUNG, mostra o sobre custo-padrão para uma fábrica que tem dois departamentos produtivos e apenas um de serviços. A simplificação visa a exemplificar melhor o caso. A tabela mostra os diferentes níveis de capacidade da produção, sendo 100% o nível preestabelecido. De acordo com experiências dos períodos anteriores, estipulam-se os níveis mais baixos e acima dos 100% de capacidade. Não há irrealismo na formulação das estimativas para 120% da capacidade predeterminada, pois um pedido de vulto a mais pode fazer com a que a fábrica trabalhe acima do que foi fixado.

Determinados os diferentes níveis de produção é necessário determinar os custos-padrão para cada departamento. Convém ressaltar que certos tipos de sobre custos seguem a tendência da produção embora não sejam diretamente proporcionais a ela. Quando a produção aumenta, por exemplo, os custos da manutenção também aumentam, principalmente devido à parcela variável, em função do tempo de uso dos equipamentos, enquanto os custos da manutenção preventiva ocorrem independentemente da escala de produção.

Tabela de Sobre custo-Padrão

Capacidade Produtiva

60%

70%

80%

90%

100%

110%

120%

Depto Produtivo A

Materiais Indiretos

M.O.I. e Encargos

Depreciação

Seguro

Impostos

Outros Sobre custos

Sobre custo direto total

Sobre custo Rateado

Total

Depto Produtivo B

Materiais Indiretos

M.O.I. e Encargos

Depreciação

Seguro

Impostos

Outros Sobre custos

Sobre custo direto total

Sobre custo Rateado

Total

Depto de Serviços – Energia.

Materiais Indiretos

M.O.I. e Encargos

Depreciação

Seguro

Impostos

Outros Sobre custos

Sobre custo direto total

Sobre custo Rateado

Total

Base de Rateio para Deptos Produtivos.

Depto. A – 40%

Depto. B – 60%

Total

 

250

820

120

100

40

300

1630

712

2342

170

730

120

90

60

200

1370

1068

2438

700

650

160

100

40

130

1780

-----

1780

 

712

1068

1780

280

820

120

100

40

350

1710

880

2590

180

730

120

90

60

220

1400

1320

2720

760

1000

160

100

40

140

2200

-----

2200

 

880

1320

2200

320

840

140

100

40

420

1860

936

2796

200

730

160

90

60

240

1480

1404

2884

840

1000

200

100

40

160

2340

-----

2340

 

936

1404

2340

380

880

140

100

40

480

2020

976

2996

220

770

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