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Diferenças Sociais entre o Asfalto e a Favela

Autor:
Instituição: Unibennett
Tema: Asfalto x Favela

ASFALTO X FAVELA


Introdução:

Vivemos hoje as conseqüências de todo um processo inconseqüente de habitação de nossos antepassados. Lugares tão próximos com características tão distintas A tendência de separar zonas de moradias para camadas sociais distintas da população é recorrente nas cidade, porém acarreta nas mais diversas conseqüências para seus habitantes. Dessa forma, o espaço não é entendido somente como o ambiente físico, mas como um local onde o grupo adere com intensidade as suas particularidades. Perder esse local ou as características do mesmo seria perder os valores e costumes e, até mesmo, suprimir a memória coletiva do grupo. O grupo adere com intensidade à sua localidade. Maior que a distancia física entre a favela e o asfalto estão as diferenças no modo de pensar, de agir e de como são vistos pela própria sociedade. Fora isso está o modo de como são vistos pelos órgãos governamentais, princípios básicos de higiene, saneamento básico, saúde e educação são quase que extintos nas favelas. Mas como isso interfere na sociedade em um todo, como cada parte se comporta perante a outra e o que podemos esperar disso tudo, ninguém sabe, porém não fica muito difícil de prever.


Favela:

Segundo pesquisas, a primeira favela do rio de janeiro surgiu no Morro da Providência, junto à Central, no início do século. Sua população era formada pelos (soldados) sobreviventes da Guerra de Canudos, que não encontraram melhores condições de sobrevivência na cidade do Rio de Janeiro. Depois da primeira e após observada a facilidade para construir , nos quais as habitações são construídas geralmente pelos próprios moradores e o vasto espaço, geralmente situados em encosta ou sujeito a inundação e desmoronamento, juntando com o auge do êxodo rural, onde multidões invadiram o rio de janeiro na esperança de emprego e melhores condições de vidas as favelas se proliferaram por todo o estado e hoje já representa grande parte da população local.

Muitas das políticas e pensamentos sobre favelas oscilam entre estes dois extremos, ora a favela é vista com romantismo por significar uma ordem urbana espontânea, culturalmente muito rica e variada. No sentido contrário, a favela é vista como uma das aberrações que a sociedade atual produz, amostra clara da impotência em alojar de maneira digna quase 25 a 30 % dos moradores metropolitanos.

Um dos traços peculiares desta última visão é a associação com a violência. Favelas e violência conjugam uma rima que domina o senso comum de muitos de nossos planejadores, governantes e cidadãos comuns. A escalada de violência tem transformado o espaço urbano, os hábitos e costumes de todos nos moradores das grandes cidades.

No interior das favelas os traços mais visíveis desta dura realidade são os muros altos, a eliminação de vegetação e a redução de locais de estar a mínima expressão. Qualquer obstáculo, qualquer saliência transforma-se em potencial esconderijo, trata-se de obter um espaço liso sem rugosidades, sem dobras nas quais o crime possa esconder-se. Uma verdadeira selva de cimento é o resultado desta situação.


Asfalto x favela: os contrastes na presença do estado.

Sempre que ouvimos pronunciamentos de políticos, sejam eles liberais ou socialistas, percebemos uma preocupação em passar a idéia do quanto eles pensam no bem estar do povo simples, do pobre, do operário, ou, em outras palavras, da maioria da população, que em sua contabilidade fria e calculista, representam, no mínimo, 80% dos eleitores do país. A explosão demográfica é, acima de tudo um problema econômico, na prática, o que acontece no Brasil é uma simples operação matemática. O resultado é sempre negativo para o povo brasileiro. Mesmo com o crescimento do Produto Interno Bruto(PIB), A pobreza aumenta porque a população cresce muito mais. Há várias décadas a taxa demográfica extrapola a capacidade do pais produzir riquezas, ou seja, a cada ano tudo que é gerado no pais precisa ser dividido entre mais pessoas. Como 90% das pessoas que nascem atualmente pertencem ás camadas mais pobres, a divisão é sempre injusta, gerando mais concentração de renda e pobreza. A realidade que temos é que o estado faz muito pouco pelos moradores da favela e quase não participa da sua evolução. Hospitais são escassos, superlotando os bairros vizinhos as favelas, onde o hospital também não oferece estrutura nenhuma para atende-los. Outra ponto em questão é a ausência de creches e nas escolas da proximidades está sempre o perigo de não funcionar devido a ordem dos traficantes para isso, sem dizer na qualidade do ensino oferecido nas escolas públicas e estaduais, que com certeza é um dos piores do mundo. Transportes, também não há. O meio alternativo criado pelos moradores de varias favelas, são os motoboys, uma espécie de táxi que leva o passageiro do ponto de ônibus, geralmente bem distante de sua residência ate um ponto mais próximo para ele.


Asfalto x favela: A discriminação salarial

Morar em áreas carentes nas grandes cidades brasileiras faz do trabalhador uma vítima da discriminação salarial. Pesquisa recém-concluída pelo Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal mostra que o mercado de trabalho vê as favelas como fornecedoras de mão-de-obra barata. Em Aracaju, por exemplo, um morador de comunidade pobre com mais de 15 anos de estudo (correspondente ao nível universitário) ganha 18% do salário do morador de um bairro tradicional nas mesmas condições.

As diferenças de renda, chamadas pelos pesquisadores de distância social, aparecem em praticamente todas as capitais brasileiras. Com base nos dados do Censo 2000, o trabalho mostra que a renda pessoal na favela é sistematicamente menor que a renda fora da favela, mesmo comparando pessoas com os mesmos níveis sócio-demográficos (grau de instrução, idade, sexo ou raça). Em lugares como São Paulo, a renda média de um morador de favela chega a ser um terço da renda do cidadão com as mesmas características que mora fora de áreas carentes.

- A favela pode ser tanto causa como conseqüência de ganhar menos. As pessoas ganham menos porque existe discriminação no mercado do trabalho.

Quem mora favela só vai encontrar trabalho que pague menos. Por outro lado, quem já está inferiorizado no mercado porque ganha menos só encontra moradia na favela. - diz o sociólogo Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ e coordenador da pesquisa.

Moradores usam outro endereço

Os pesquisadores mediram a distância social nas 27 capitais e todas as cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes. No Rio, a renda média dos trabalhadores do sexo masculino que moram favelas corresponde a 35% dos chamados moradores do asfalto. No sexo feminino, a proporção é de 32%. Na comparação por raça, brancos de favela ganham 28% dos que vivem no asfalto,enquanto a proporção para negros e pardos é de 22%.

Essa segregação social pela renda não apenas contribui para a desigualdade, mas atinge em cheio a auto-estima do morador de áreas carentes. O professor de história José Luiz de Souza Lima, que viveu 38 dos seus 40 anos na Rocinha, disse que conhece casos de vizinhos que nem conseguem empregoquando dizem que são moradoras do local:

- O descarte já começa no processo de seleção. Quem vai pela primeira vez, inocente, sente o impacto mais forte. Por isso, várias vezes, quando se procura emprego, não se adota o endereço da favela. Usa-se outra referência, normalmente de um parente.

Na relação favela-asfalto pelo grau de instrução, a pesquisa mostra que, quanto mais anos de estudo, maior é a distância de renda. Na faixa dos trabalhadores com mais de 15 anos de estudos, em oito capitais a diferença é superior a 30%. Já da faixa dos sem instrução, as diferenças são mínimas em quase todas as capitais.

A cor da pele, combinada com o endereço do trabalhador, também é um forte fator de discriminação. Trabalhadores negros que vivem em áreas carentes de 11 capitais ganham até 50% de negros do asfalto. Em Brasília, por exemplo, a diferença é de 40%.

O professor José Luiz de Souza Lima, da Rocinha, diz que sente a discriminação desde a primeira tentativa de emprego, aos 17 anos, quando disputou uma vaga de contínuo numa agência de empregos, e foi descartado quando declarou o endereço. Mais tarde, já como funcionário de um banco de grande porte, voltou a sofrer o problema:

- Enfrentei discriminação por morar em favela, principalmente porque trabalhava diariamente com dinheiro. Acham que todo favelado é um marginal em potencial. Que em algum momento, esta condição vai se revelar, como se fosse um DNA.

A distância social entre os trabalhadores da favela e do asfalto é um dos produtos do "Metrópoles, Desigualdades e governança", pesquisa nacional coordenada pelo Observatório, com 22 instituições em 11 cidades. O projeto também mediu o déficit habitacional nas capitais brasileiras (corresponde à necessidade de reposição de unidades precárias, como domicílios
improvisados, domicílios rústicos e coabitação familiar).

Somente 16% do que é ofertado em termos de moradia no Brasil decorre de forma mais organizada (mercado formal, como o sistema financeiro de habitação ou por empresas). O restante vem das mais diversas combinações de informalidade (da autoconstrução à construção por encomenda do proprietário).


Condomínios e favelas:

Condomínios e favelas adotam posturas antagônicas com relação a cidade: os primeiros a desprezam, os últimos são por ela desprezados. Mas as favelas não perdem em hermetismo para os condomínios murados. Também são impenetráveis, incógnitas só conhecidas por seus moradores e pela polícia. As favelas são favelas porque não tem serviços, ao contrário do excesso de serviços dos condomínios. A concentração de coisas em condomínios verticais gera um crescimento urbano irregular marcado por manchas dos "sem-infra-estrutura", que são então ocupadas por aqueles que não podem pagar pelos serviços urbanos básicos. Os condomínios e os edifícios comerciais, naturalmente, são instalados em pontos de infra-estrutura abundante. As favelas seguem a estratégia inversa: elas podem ser definidas como tal exatamente por serem carentes de infra-estrutura, por funcionarem como locais construídos por aqueles que constroem onde lhes resta: a ausência de esgoto, de planejamento, de endereço. São buracos negros dispostos como manchas no tecido urbano; desertos territoriais ocupáveis por habitantes que inventam seus próprios serviços. Nascem como processos de auto-organização, como loteamentos desplanejados onde a disposição dos "terrenos" se dá aleatoriamente. Longe, nas várzeas, nos morros; áreas marginais, grandes assentamentos ligados à habitação da classe baixa e que ocupam espaços desestruturados, sem nenhuma aparente coerência com as leis urbanas. Com a dupla condomínios & favelas - tese e antítese que guardam semelhanças - a cidade se transforma em um conjunto de múltiplas cidades dentro de uma cidade. Este ideal urbano contemporâneo – de morar num local controlado, vigiado, em certo sentido retirado do resto da continuidade urbana – também é desejado pelos moradores da favela. Lá como cá a violência muda hábitos e cria ideais... A grande diferença entre ambas situações é que o segurança das guaritas pode ser demitido a qualquer hora, enquanto que na favela muitas vezes o morador é refém do "segurança" e suas arbitrariedades. Em favelas cariocas controladas pelo Terceiro Comando o uso da cor vermelha é proibido por aludir à facção rival – o Comando Vermelho.

Integração favela-asfalto: o favela-bairro

Apesar de todo quadro atual, mesmo as favelas podem ser absorvidas pelo tecido urbano. Tentando amenizar este conflito favela/cidade, a prefeitura do Rio de Janeiro desde 1993 vem empreendendo o Favela-Bairro, programa social que tem como premissa o reconhecimento das moradias das populações de baixa renda, sua estimulação e complementação. O programa não se limita à construção de infra-estrutura básica (água, esgoto, drenagem), mas envolve a construção de creches, centros comunitários de capacitação profissional, áreas de esporte e lazer, canalização de córregos, arborização de ruas, construção de escadas, etc. Hoje, depois de intervenções em dezenas de favelas, mesmo arquitetos estrangeiros integraram-se ao programa. Recentemente, professores alemães da Bauhaus visitaram a favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio, e lá ficaram hospedados por duas semanas. Um convênio entre a prefeitura e a legendária escola de arquitetura vai proporcionar aos moradores acesso a espaços culturais, anfiteatro, biblioteca e livraria. Entretanto, o Favela-Bairro é uma intervenção pública que, apesar de super ambiciosa, não é suficiente para remediar todo o problema. Sabemos que a favelização tomou proporções grandes demais para ser resolvido por uma, duas, três, ou dez administrações. Na aproximação radical entre condomínios e favelas estão escondidos as alternativas para o orçamento reduzido das cidades, incapazes de resolver as carências de milhões de habitantes só com dinheiro público.

Explicitar contrastes sociais e vislumbrar fenômenos extremos é uma saída: choques econômicos entre classes sociais que irão mostrar possibilidades inéditas, misturas quiméricas e oportunidades de investimento jamais imaginadas nem pelo mais visionário dos empresários, nem pelo mais empreendedor dos sociólogos. Hoje, são favelados os detentores das maiores e melhores áreas para especulação urbana nas cidades. Na zona sul do Rio, os casebres da favela da Rocinha se debruçam sobre os prédios de São Conrado. Na orla do Recife, a favela Brasília Teimosa (que ótimo nome!) é uma restinga próxima à praia da Boa Viagem cercada de mar por todos os lados. Em Belo Horizonte, entre os bairros Sion e Santa Lúcia, um morro com vistas privilegiadas da cidade aglomera a favela do Papagaio.

Um supermercado novo na principal avenida da zona sul ilustra uma aproximação radical no caso de Belo Horizonte; uma colisão entre "asfalto" e favela que poderia ser levada a outras conseqüências. Os prédios já estão na favela, a favela já está nos bairros. Se à iniciativa privada fossem cedidos terrenos hoje ocupados pelas favelas, mecanismos de contrapartida entre construtoras e favelas gerariam projetos que englobariam moradores ‘inimigos’. Em princípio, a estratégia é simples: empresários e comunidades faveladas conciliando soluções possíveis, terrenos para prédios em troca de intervenções sociais. Os terrenos das áreas mais valorizadas (ou valorizáveis) das favelas seriam negociados com as construtoras, que por sua vez haveriam que implantar as mesmas infra-estruturas do programa Favela-Bairro – porém aqui bancadas pela iniciativa privada. Um desvario polêmico porém possível, exeqüível via projetos que contemplariam, a um só tempo, os problemas dos que ganham um e dos que ganham quarenta salários mínimos... Os mesmos conflitos, as guerras civis intermináveis apaziguadas através de ninguém menos que o mercado imobiliário. As cidades dentro da cidade vendo suas fronteiras desvanecerem ante às oportunidades da construção civil. Que reversão fabulosa, se a riqueza do traçado medieval e toda a subjetividade das favelas fosse valorizada e reapropriada justamente pelos mais conservadores agentes da cidade!


A violência das favelas:

Em decorrência da violência os habitantes das favelas são agora ainda mais estigmatizados pelos moradores da cidade: seus habitantes, no imaginário das camadas médias altas, são tidos como bandidos.  Isto se reflete nas representações sociais de seus moradores e particularmente, se materializa no desejo de mudar de local de residência:

Nesse quadro, as favelas passam a ser conhecidas como áreas perigosas, territórios de privação e abandono, lugares de violência e criminalidade que devem ser evitados pelo risco que comportam, contribuindo para aprofundar a segregação desses espaços. Instala-se o receio de que estamos no caminho da guetização, ou melhor, de um processo de segregação em suas formas mais duras, comparável ao da cidade de Chicago, sendo a violência a principal responsável por esse processo.

De toda forma, a questão da violência por sua magnitude e importância tem se colocado como categoria central para apreender a vida social. Através da violência são recriadas hierarquias, privilégios, espaços exclusivos, e rituais de segregação.


Praia e baile funk: onde as " galeras " se encontram.

Analisando a s populações mais jovens do asfalto e da favela, nota-se que a praia e o baile funk como espaços de contato entre camadas sociais distintas. Percebe-se como as galeras funkeiras e os habitantes dos subúrbios e das favelas de um modo geral deslocam-se para as praias da Zona Sul e Oeste da cidade durante os ensolarados fins-de-semana do verão, entrando em um território habitado pela elite econômica local. Ao mesmo tempo, quando entraram na moda, os bailes localizados em favelas da Zona Sul e São Conrado passaram a receber membros dessa mesma elite. O espaço está demarcado analiticamente: a favela e o subúrbio são o oposto da beira-mar, especialmente da Zona Sul e Barra da Tijuca, reconhecidamente bairros de classe média alta e classe alta, embora ambos com seus bolsões de miséria – as favelas. Fica a idéia de que o Rio de Janeiro é a cidade sem apartheid social. 

Esse é um outro traço do discurso nativo carioca, embora contraditório: a cidade não-partida. De um lado, imprensa e classe média apontam as favelas como o local originário da violência urbana no Rio de Janeiro e, portanto, uma antagonista a ser vencida, mas o antagonismo é a própria divisão da cidade. Por outro lado, há um discurso que não enxerga esta divisão, mas um contato entre estas duas esferas: morro e asfalto. O que estes dois discursos aparentemente contraditórios indicam é que há uma clara diferenciação entre favela e asfalto, beira-mar e subúrbios, como forma de construção de uma alteridade, mas que sobre a percepção da diferença estabeleceu-se um discurso nativo de integração e convívio harmonioso. A praia emerge, acima de tantos outros espaços da urbis, como o local democrático do reencontro.

Nesse contexto, as camadas populares e seus bairros/favelas são crescentemente objeto de estigmatização, percebidos como causa da desordem social o que contribui para aprofundar a segregação nesses espaços. No outro polo, verifica-se um crescimento da auto-segregação, especialmente por parte das elites que se encastelam nos enclaves fortificados na tentativa de se proteger da violência.


Como o favelado é visto e como ele Vê a sociedade:

Depois desse grande mergulho nos dois mundos em que se divide a população não fica muito difícil de imaginar como um menino hoje, nascido e criado em uma favela visualiza todo mundo em que vive. Primeiro se acha um infeliz por ter nascido ali, enquanto olha lá de cima do morro em quantas outras casas poderia ter nascido. O primeiro caminho que aparece para ele é o do tráfico e muitos não resistem a tentação. Começa a descontar em qualquer um a raiva que tem por ter nascido e foge de todos os padrões morais de um homem de bem, passando a olhar os moradores do asfalto como uns sortudos, que tem vida fácil, simplesmente pelo fato de não terem nascido ali. Começam a imaginar como deve ser uma casa daquelas , com todo conforto, com a mente totalmente aguçada pela televisão, que é uma ´só.

A mesma que passa na favela passa no asfalto também. Por outro lado são vistos pela maioria da sociedade de forma marginalizada, como se tivessem culpa de ter nascido ali. A classe média continua precisando de faxineiras, domésticas, cozinheiras e utiliza-se de favelados para isso, que por terem menos condições acabam se vendendo por pouco. Porém o que parece ser uma solução imediata pode funcionar de forma inversa, aumentando o preconceito que se cria na sociedade e ao mesmo tempo revoltando o favelado pela exploração sofrida. Muitos conseguem fugir dessa realidade conseguindo enxergar de forma mais clara o que acontece e quanto mais compreender a realidade melhor será. Hoje já é mais comum encontrarmos pessoas de origem de favelas apareceram cada vez mais na televisão, esporte e até nas grandes empresas que abstraem sua origem para oferecer cargos mais importantes e até mesmo de confiança. O grupo afroreggae são favelados que se destacarão com música e hoje em dia já tem carreiras internacional, levando a cultura da favela brasileira para todo o mundo.

Dez Medidas para reestruturar o território das favelas no Rio no sentido da sua articulação com a cidade, produtividade e orientação do desenvolvimento.

1- Criar programas que permitam o acesso à moradia para os setores de baixa renda, seja através de sistemas cooperativos (como em outros países da América Latina onde é possível poupar até 20% do valor do imóvel e onde os futuros proprietários se sentem participantes e comprometidos com o projeto não só da sua residência senão também com o seu entorno sócio-ambiental), ou através de programas que financiem os custos em prazos e quantias que a população de baixa renda realmente possa vir a pagar.

2- Convocar para debater o Poder Público, os grupos econômicos, as comunidades, profissionais que atuam nelas , ONG´s e buscar acordos e parcerias para implementação – viabilização das propostas, realizando apresentações públicas nas escolas das comunidades e do entorno, e em instituições de ensino em todo os níveis, promovendo a conexão com Redes de Tecnologia Social, visando o Desenvolvimento Local.

3- Simplificar a legislação edilícia existente através de uma Legislação de carater Popular, flexibilizando os parâmetros que regem para a cidade formal, declarando as favelas Áreas de Especial Interesse Urbanístico, Social e Ambiental, e dota-las de infraestrutura, acessibilidade, serviços, equipamentos e condições de urbanidade, adequando as disposições às características de cada local.

4- Promover o engajamento dos poderes Federal, Estadual e Municipal (hoje evidenciando "desinteligências" entre eles) e elaborar planos que incluam a questão da legislação fundiária e a segurança do cidadão como pontos fundamentais, além dos aspectos infraestruturais, urbanísticos, arquitetônicos, meio-ambientais, culturais-educacionais, e de geração de trabalho e renda.

5- Estabelecer uma cartilha de autoconstrução orientada, indicando verificação de riscos, uso de equipamentos, previsão de crescimento, localização de aberturas, etc. O Município do Rio de Janeiro tem no seu Código de Obras um acervo de Leis e Decretos abordando as soluções para o problema da degradação das encostas nos maciços e morros existentes em seu território, mas que não está disponibilizado nas comunidades.

6-Estabelecer limitações construtivas determinando usos, gabaritos, projetos de alinhamento e responsável estrutural no caso das construções mais complexas. Estabelecer índices de aproveitamento da área (IAA) nas favelas maiores e mais densas.

7-Construir novas residências com qualidade arquitetônica e urbanística capaz de indicar uma nova atitude do poder público, para substituir as que estão em condições muito precárias e para re-localizar as famílias estabelecidas em áreas de risco, faixas marginais de proteção de rios e lagoas, fora dos eco-limites e nos valões de drenagem.

8-Estabelecer programas de financiamento especial para a melhoria das residências e para as edificações de interesse social existentes nas comunidades. Tornar a Caixa Econômica Federal um banco social com uma política habitacional decididamente de cunho social, que evite a migração das pessoas para as favelas, promovendo condições de vida de qualidade nos lugares de residência.

9-Criar dispositivos para garantir a continuidade das ações, mesmo com mudanças de orientação política dos sucessivos governos.

10-Criar meios de punição mostrando qual é o caminho correto, e fazer valer a legislação que for estabelecida, mas dando condições e meios para cumprir a lei.


BIBLIOGRAFIA: DIVERSOS SITES DA INTERNET, ENTRE ELES:

www.conexaofavel.com.br

www.favela.com.br

www.clickuniversiatio.cjr.net

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