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Ética nas Empresas

Autor:
Instituição: Faculdade de Alagoas
Tema: Ética

Ética nas Empresas  


INTRODUÇÃO

Acreditamos que bons resultados profissionais e empresariais devem resultar de decisões morais ou éticas e que ter padrões éticos pode significar bons negócios a longo prazo.

O empresário que obtém um rápido ganho financeiro tirando vantagens de clientes, fornecedores ou funcionários pode acusar lucro a curto prazo, mas a confiança que perdeu no processo jamais será restaurada em suas relações de negócios. O cliente desapontado passará a consumir os produtos da concorrência assim que aparecer uma oportunidade.

Falhas éticas "arranham" a imagem da empresa e as levam a perder clientes e fornecedores importantes, dificultando o estabelecimento de parcerias, pois na hora de dar as mãos, além de levantar as afinidades culturais e comerciais, as empresas também verificam se existe compatibilidade ética entre elas. Recuperar a imagem de uma empresa é tarefa muito difícil. Quando uma companhia age corretamente, o tempo de vida do fato na memória do público é de cinco minutos, mas a lembrança de uma transgressão à ética pode durar cinqüenta anos. A percepção do público tem um impacto direto sobre os lucros da empresa e a empresa que quiser competir com sucesso nos mercados nacional e mundial, terá que manter uma sólida reputação de comportamento ético.

Percebe-se assim, claramente, a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamentos mais éticos no mundo dos negócios para poder sobreviver e, obviamente, obter vantagens competitivas. A sociedade como um todo também se beneficia deste movimento. A organização deve então agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela.

Estão envolvidos nesse grupo os clientes, os fornecedores, os sócios, os funcionários, o governo e a sociedade como um todo. Seus valores, rumos e expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamento e seu desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã. Deverá incluir em sua estratégia de negócios o apoio a objetivos de interesse social e de responsabilidade pública, como: melhoria na educação, assistência médica, excelência na proteção ambiental, conservação de recursos naturais, serviços comunitários, melhoria das práticas industriais e organizacionais, intercâmbio de informações relacionada com a qualidade, a promoção da cultura, do esporte e do lazer e do desenvolvimento nacional, regional ou setorial.


ÉTICA

A ética é uma característica inerente a toda ação humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social. Todo homem possui um senso ético, uma espécie de "consciência moral", estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas.

Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a ótica do certo e errado, do bem e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações sempre têm relação com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos históricos.

A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os outros relações justas e aceitáveis. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz.

O estudo da ética talvez tenha se iniciado com filósofos gregos há 25 séculos atrás. Hoje em dia, seu campo de atuação ultrapassa os limites da filosofia e inúmeros outros pesquisadores do conhecimento dedicam-se ao seu estudo. Sociólogos, psicólogos, biólogos e muitos outros profissionais desenvolvem trabalhos no campo da ética.

Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como objeto de estudo, consideramos importante, como ponto de partida, estudar o conceito de ética, estabelecendo seu campo de aplicação e fazendo uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes para o nosso trabalho.

Evolução Ética

Ética – ciência da moral, é uma pena que a atual discussão sobre ética nas organizações e nos negócios do mundo moderno esteja reduzida ao objetivo de maximizar o lucro da empresa. Pois é necessário ir mais a fundo, tirar todas as lições possíveis desta situação .Se é verdade que um empregado não mantém o seu emprego com a falência da sua empresa também é verdade que uma empresa terá muitas dificuldades com a falência social e economia do país , sem falarmos no fato de nenhuma empresa ou organização poder sobreviver após a destruição total do meio ambiente.

Assumir a importância do debate da ética na economia significa levar em conta a existência de conflitos entre a necessidade e o direito a uma vida digna na sociedade e o desejo de maximizar lucros dos indivíduos e das organizações. Conflito que não pode ser negado com a simples eliminação de uma das partes, pois isso resultaria também na eliminação da outra.

Fazemos parte de uma sociedade e também da natureza. Crise na sociedade ou na natureza significa também problemas em nossas vidas. E a solução de problemas sociais-organizacionais , não se dá com a absolutização de interesses pessoais, mas sim com uma visão voltada no sentido de recuperar o sentido da vida em coletividade, na civilização, buscando a igualdade e o respeito a pessoa e aos direitos humanos. Porém acreditamos que para isso precisamos "desinverter" a equação "viver para trabalhar ou acumular riqueza"; e redescobrir que a organização deve estar em função da qualidade de vida dos seres humanos.

Ética Relativa

Parte do pressuposto que as normas de conduta dependem da situação que estamos vivenciando, afirmando que o útil e eficaz numa situação, pode vir a ser inútil e ineficaz em outra, a abordagem da Ética Relativa reconhece que as circunstâncias influenciam na definição dos valores e do comportamento socialmente aceitável, é peculiar da Ética Relativa acreditar que tais pensamentos são corretos, porque têm alguma justificativa lógica. Para a mesma é válida a idéia de que o certo e o errado é uma questão geográfica, ou seja o que é certo e Ético no estado do Ceará pode ser errado e anti-ético no estado de Tocantins.

O tempo também influência os valores, pois com o passar do tempo assuntos que não eram vistos pelo prisma ético, passaram a ser assuntos de sua competência. A Ética relativa tem como meta principal o momento e a situação dos fatos, não os valores morais.

Ética Absoluta

Baseia-se na premissa de que as normas de conduta devem ser válidas em toda e qualquer situação, pois para a mesma certo é certo e errado é errado, nunca existindo o talvez seja qual for a situação, tendo como resultado o idealismo moral. Para a Ética Absoluta determinados comportamentos são intrinsecamente certos ou errados, seja qual for a situação.  


RELAÇÕES CULTURAIS

A medida em que as empresas se torna, internacionais, cresce a probabilidade de contatos e negociações com pessoas com pensamentos e costumes diferentes, isto torna-se difícil devido aos sistemas éticos que são distintos entre os povos. A melhor maneira é adotar uma postura de relativismo moral, onde as pessoas que estão envolvidas devem adotar os costumes locais para cada lugar diferente onde estejam.

Existira um problema na adoção do relativismo cultural, se desejarmos que prevaleçam as normas em outros países faz-se necessário que os imigrantes adotem as normas e condutas locais vestuário e costumes da região onde se encontram, mas isto causa uma violação aos princípios de liberdade que são inerentes ao indivíduo.

 

ÉTICA E MORAL 

A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc. Há morais específicas, também, em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um partido político... Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa dizer que uma moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que é válido é de direito para todos os homens. Exceto quando atacada: justifica-se dizendo-se universal, supostamente válida para todos. Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas? Não deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e essa forma é o que chamamos de ética. A ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade. Mas ela não é puramente teoria. A ética é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação, historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar as ações humanas. A ética existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana. A ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de uma atitude diante da vida cotidiana, capaz de julgar criticamente os apelos a críticos da moral vigente. Mas a ética, tanto quanto a moral, não é um conjunto de verdades fixas, imutáveis. A ética se move, historicamente, se amplia e se adensa. Para entendermos como isso acontece na história da humanidade, basta lembrarmos que, um dia, a escravidão foi considerada " natural". Entre a moral e a ética há uma tensão permanente: a ação moral busca uma compreensão e uma justificação crítica universal, e a ética, por sua vez, exerce uma permanente vigilância crítica sobre a moral, para reforçá-la ou transformá-la.  

Estágios de desenvolvimento Moral.

A todo momento estamos convivendo com valores éticos antigos e confrontando com valores éticos atuais avançados, onde algumas pessoas ou grupos preferem adotar os valores mais antigos. Algumas empresas hoje adotam um sistema de escalas para situa-las nesta escala. Estas escalas são denominadas estágios de desenvolvimento moral, pré-convencional, convencional e pós-convencional, estes são estágios básicos mas podem ser adotados outros critérios .

1 - Estágio Pré-Convencional de Desenvolvimento Moral

Neste estágio fica caracterizado pelo extremo individualismo ou egoísmo, onde existe um ponto que inquestionável, não existe regras comuns aceitáveis a não ser a regra de que não existe nenhuma regra. Grupos ou pessoas passam a ser motivadas pelo prazer ou interesse ao grupo que pertencem. Não há qualquer preocupação com a questão da responsabilidade das organizações ou indivíduos em relação à sociedade

Os estágios de desenvolvimento baseiam-se nos valores que governam relações humanas. São indicativos deste estágio de desenvolvimento moral os seguintes princípios de conduta:

1 – Cada um por si.

2 – O negócio é levar vantagem em tudo. (Famosa lei do Gerson, que foi motivada na época da propaganda de cigarros LS (leve e suave)).

3 – Os outros que se danem

4 – O mundo é dos espertos.

Esta alternativas ficaram conhecidas como Darwinismo Social, onde foi feito uma alusão a Teoria da origem das espécies criada por Darwin, publicada no seu livro em 1859. Segundo a teoria as formas de vida evoluem e aprimoram-se por meio de um processo natural que permite a sobrevivência apenas das espécies mais fortes, ou mais aptas. Muitas pessoas no mundo capitalista passaram a incorporar esta idéia nas empresas para justificar seus pensamentos egoístas, isto ficou conhecido com capitalismo selvagem, pois se o homem é obra de Deus, seria um erro interferir as leis da natureza da sobrevivência e predominância dos mais fortes e mais aptos, a natureza é um campo de caça para os predadores, onde quem dominam são os mais fortes.

Muitas empresas deixam claro adesão pelo princípio predatório, é o caso das empresas aéreas que vendem mais passagens do que comportam seus aviões, simplesmente para garantir a lotação devidos aquelas pessoas que reservam a passagem e simplesmente não comparecem ao embarque.

2 - Estágio Convencional de Desenvolvimento Moral

Neste estágio a ética ainda permanece individualista, mas foram elaboradas regras de conduta tendo em vista a relação de uma pessoa ou grupo com outras pessoas ou grupos, e os prejuízos e vantagens em cada relação. O receio de punição pelo comportamento errado e a busca de recompensas passam a conviver com a satisfação pessoal. As pessoas e Grupos continuam agindo pelo o interesse pessoal, mas dentro de um respeito aos limites e restrições aos interesses alheios, seja porque lhe beneficia ou porque temem não atende-los.

Na administração este estágio é correspondente às estratégias que as empresas planejam por motivo de regulamentação ou por interesse em conseguir os objetivos traçados por ela dentro do mercado. As empresas seguem dentro do que prescreve a lei, não porque acreditam na lei, mas se não houvesse punição também faria da mesma forma. Muitas empresas adotam as chamadas estratégias verdes, onde busca a valorização e a proteção ao meio ambiente, tudo isto para preservar e aumentar sua imagem perante a sociedade.

Característica deste estágio: Se eu (empresa, grupo ou pessoa) me comportar como os outros esperam que me comporte, certamente terei mais vantagens ou não sofrerei retaliações.

3 - Estágio Pós-Convencional de Desenvolvimento Moral

Neste estágio o desenvolvimento moral e o comportamento chegaram ao seu mais alto nível ético. A conduta das pessoas e do grupo estão baseadas e fundamentadas nos princípios morais que irão reconhecer os direitos de outros, o impacto comportamental em relação a outros e as gerações futuras, os exemplos para os jovens e os novos conceitos de justiça, honra, dignidade, auto-realização por meio de consideração e respeito com si próprio e com os outros. O comportamento é dirigido pelos princípios e convicções, não sendo orientado pelas convenções, receios da punição ou no objetivo de conseguir recompensas. A idéia de responsabilidade social esta embutida no centro deste estágio de desenvolvimento moral.

São Indicadores deste estágio os seguintes raciocínios e comportamentos:

Obs.: Neste estágio o comportamento e determinado pelo Idealismo moral.


PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS
 

A ética não é algo superposto à conduta humana, pois todas as nossas atividades envolvem uma carga moral. Idéias sobre o bem e o mal, o certo e o errado, o permitido e o proibido definem a nossa realidade.

Em nossas relações cotidianas estamos sempre diante de problemas do tipo: Devo sempre dizer a verdade ou existem ocasiões em que posso mentir? Será que é correto tomar tal atitude? Devo ajudar um amigo em perigo, mesmo correndo risco de vida? Existe alguma ocasião em que seria correto atravessar um sinal de trânsito vermelho?

Os soldados que matam numa guerra, podem ser moralmente condenados por seus crimes ou estão apenas cumprindo ordens?

Essas perguntas nos colocam diante de problemas práticos, que aparecem nas relações reais, efetivas entre indivíduos. São problemas cujas soluções, via de regra, não envolvem apenas a pessoa que os propõe, mas também a outra ou outras pessoas que poderão sofrer as conseqüências das decisões e ações, conseqüências que poderão muitas vezes afetar uma comunidade inteira.

O homem é um ser-no-mundo, que só realiza sua existência no encontro com outros homens, sendo que, todas as suas ações e decisões afetam as outras pessoas. Nesta convivência, nesta coexistência, naturalmente têm que existir regras que coordenem e harmonizem esta relação. Estas regras, dentro de um grupo qualquer, indicam os limites em relação aos quais podemos medir as nossas possibilidades e as limitações a que devemos nos submeter. São os códigos culturais que nos obrigam, mas ao mesmo tempo nos protegem.

Diante dos dilemas da vida, temos a tendência de conduzir nossas ações de forma quase que instintiva, automática, fazendo uso de alguma "fórmula" ou "receita" presente em nosso meio social, de normas que julgamos mais adequadas de serem cumpridas, por terem sido aceitas intimamente e reconhecidas como válidas e obrigatórias. Fazemos uso de normas, praticamos determinados atos e, muitas vezes, nos servimos de determinados argumentos para tomar decisões, justificar nossas ações e nos sentirmos dentro da normalidade.

As normas de que estamos falando têm relação como o que chamamos de valores morais. São os meios pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo um caráter normativo e obrigatório. A palavra moral tem sua origem no latim "mos"/"mores", que significa "costumes", no sentido de conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito. Notar que a expressão "bons costumes" é usada como sendo sinônimo de moral ou moralidade.

A moral pode então ser entendida como o conjunto das práticas cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais. Cada sociedade tem sido caracterizada por seus conjuntos de normas, valores e regras. São as prescrições e proibições do tipo "não matarás", "não roubarás", de cumprimento obrigatório. Muitas vezes essas práticas são até mesmo incompatíveis com os avanços e conhecimentos das ciências naturais e sociais.

A moral tem um forte caráter social, estando apoiada na tríade cultura, história e natureza humana. É algo adquirido como herança e preservado pela comunidade.

Quando os valores e costumes estabelecidos numa determinada sociedade são bem aceitos, não há muita necessidade de reflexão sobre eles. Mas, quando surgem questionamentos sobre a validade de certos costumes ou valores consolidados pela prática, surge a necessidade de fundamentá-los teoricamente, ou, para os que discordam deles, criticá-los. Adolfo Sánchez VASQUEZ (1995, p. 15) coloca isso de forma muito clara:  

A este comportamento prático-moral, que já se encontra nas formas mais primitivas de comunidade, sucede posteriormente - muitos milênios depois - a reflexão sobre ele. Os homens não só agem moralmente (isto é enfrentam determinados problemas nas suas relações mútuas, tomam decisões e realizam certos atos para resolvê-los e, ao mesmo tempo, julgam ou avaliam de uma ou de outra maneira estas decisões e estes atos), mas também refletem sobre esse comportamento prático e o tomam como objeto da sua reflexão e de seu pensamento. Dá-se assim a passagem do plano da prática moral para o da teoria moral; ou, em outras palavras, da moral efetiva, vivida, para a moral reflexa. Quando se verifica esta passagem, que coincide com os inícios do pensamento filosófico, já estamos propriamente na esfera dos problemas teóricos-morais ou éticos.

A ABRANGÊNCIA DA ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO

Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a ação "reguladora" da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão.

Ela atinge todas as profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos.

Assim temos a ética médica do advogado, do biólogo, etc.

Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena de morte, sequestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam como problemas éticos – porque pedem uma reflexão profunda e um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um "filósofo da ciência", ou seja, da profissão que exerce.

Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de referências de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas.

Na administração, a ética torna-se fundamental, pois é de grande interesse da empresa manter a compostura e o profissionalismo dos seus funcionários, para que não ocorra o individualismo dentro da empresa e do seu mercado concorrente.

Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o individualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão.

Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda enganosa, calúnias, difamações, trama, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair clientela e oportunidades do colega, reduzindo a concorrência.

Em nome dessa ambições podem ser praticadas quebras de sigilo, ameaças de revelação de segredos dos negócios, simulação de pagamentos de impostos não recolhidos, etc.

A tutela do trabalho, pois processa-se pelo caminho da exigência de uma ética, imposta através dos conselhos profissionais e de agremiações classistas. As normas devem ser condizentes com as diversas formas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse fim.

Portanto, dentro da administração é necessário cada vez mais que a ética profissional tome o lugar do egoísmo que por muitas vezes influencia o destino das grandes e pequenas empresas.


O QUE É UM CÓDIGO DE ÉTICA ?

Um código de ética é um acordo explícito entre os membros de um grupo social: uma categoria profissional, um partido político, uma associação civil etc. seu objetivo é explicar como aquele grupo social, que constitui, pensa e define sua própria identidade política e social; e como aquele grupo social se compromete a realizar seus objetivos particulares de um modo compatível com os princípios universais da ética.

Um código de ética começa pela definição dos princípios que o fundamenta e se articula em torno de dois eixos de normas: direitos e deveres.

Ao definir direitos o código de ética cumpre a função de delimitar o perfil do seu grupo. Ao definir deveres, abre o grupo à universalidade. Esta é a função principal de um código de ética. A definição de deveres deve ser tal qual que, por seu cumprimento, cada membro daquele grupo social realize o ideal de ser humano.

Como deve ser formulado um código de ética? O processo de produção de um código de ética deve ser ele mesmo já um exercício de ética. Caso contrário, nunca passará de um simples código moral defensivo de uma corporação.

Quais os limites de um código de ética? Um código de ética não tem força jurídica de lei universal. Mas deveria Ter força simbólica para tal. Embora um código de ética possa prever sanções para os descumprimentos de seus dispositivos, estas sanções dependeram sempre da existência de uma legislação, que lhe é juridicamente superior, e por ela limitado. Por essa limitação, o código de ética é um instrumento frágil de regulamentação dos comportamentos de seus membros.


O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos códigos de ética profissional.

As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador.

É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão passam a controlar a execução de tal peça magma.

Tudo deveria, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social.

Tem como base virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade.

O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, mas com proveito geral.

A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes profissionais que são egressas de cursos universitários(contadores, médicos, advogados, etc.)  


RESPONSABILIDADE SOCIAL

Muito da discussão sobre a ética na administração tem sua origem na opinião de que as organizações tem responsabilidades sociais - elas tem a obrigação de agir no melhor interesse da sociedade. Portanto, devem pautar sua ação pelo princípio do estágio pós-convencional de desenvolvimento moral. Esta opinião representa uma ampliação da idéia da responsabilidade social dos indivíduos, idéia que, assim como toda a discussão sobre ética, é herança que a sociedade moderna recebeu da antigüidade clássica. No contexto da responsabilidade social, a ética trata essencialmente das relações entre pessoas. Se cada um deve tratar os outros como gostaria de ser tratado, o mesmo vale para as organizações . Ética, portanto, é uma questão de qualidade das relações humanas e indicador do estágio de desenvolvimento social.

Não há discussão sobre o fato de que as organizações, assim como os indivíduos, tem responsabilidades sociais, à medida que seu comportamento afeta outras pessoas e, querendo elas ou não, há pessoas e grupos dispostos a cobrar essas responsabilidades por meio do ativismo político da imprensa, da legislação e da atuação nos parlamentos. Porém, há duas correntes a esse respeito, cada uma delas com argumentos muito fortes.

A Doutrina da Responsabilidade Social.

A primeira corrente é a que reconhece a responsabilidade social das organizações de forma geral e das empresas em particular.

Doutrina da responsabilidade social

Doutrina do interesse do acionista


RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS E ORGANIZAÇÕES

Boas decisões empresariais podem resultar de decisões morais ou éticas.

Uma empresa é considerada ética se cumprir com todos os compromissos éticos que tiver, se adotar uma postura ética como estratégia de negócios, ou seja, agir de forma honesta com todos aqueles que têm algum tipo de relacionamento com ela. Estão envolvidos nesse grupo os clientes, os fornecedores, os sócios, os funcionários, o governo e a sociedade como um todo. Seus valores, rumos e expectativas devem levar em conta todo esse universo de relacionamento e seu desempenho também deve ser avaliado quanto ao seu esforço no cumprimento de suas responsabilidades públicas e em sua atuação como boa cidadã.

A crescente pressão dos clientes e da comunidade a favor de um ambiente mais limpo e com menor desperdício significa que as organizações precisarão desenvolver estratégias de projeto que levem em consideração os fatores ambientais. Jonh Naisbitt, em seu famoso livro "Megatendências" nos dá inúmeros exemplos. Vejamos:

Richard J. Mahoney, presidente da Mosanto, é, nas palavras de um repórter da Business Ethics, "um revolucionário improvável". Esse executivo cinqüentão provavelmente não será encontrado em uma passeata ecológica ou distribuindo panfletos do Greenpeace, mas ele é um porta-voz de questões ambientais e não apenas da boca para fora.

Dois anos atrás, Mahoney lançou uma conclamação à ação que evidencia uma mudança profunda na forma como os líderes empresariais vêem a sua intendência do planeta: "O nosso compromisso é alcançar um desenvolvimento sustentável daqueles aspectos do ambiente sobre os quais exercemos um impacto.

O nosso compromisso é obter um desenvolvimento sustentável que beneficie as pessoas tanto das nações desenvolvidas como das menos desenvolvidas".

Entretanto, ele insistiu que não basta apenas "despoluir" o planeta; "as empresas precisam retificar o passado e proporcionar a tecnologia necessária para servir os habitantes do futuro sem deixar para trás uma bagunça". (NAISBITT, 1982, p.183)


E prossegue com mais exemplos:

As empresas estão assumindo a liderança do movimento ambientalista? A revista Business Ethics cita os exemplos seguintes:

O presidente da Union Carbide, Bob Kennedy ( sem dúvida impelido pelo desastre de Bhopal) , e o vice-presidente da Dow Chemical, David Buzzelli, estiveram entre aqueles que contribuíram para persuadir a Associação das Indústrias Químicas norte-americana a adotar sua Responsible Care Initiative (Iniciativa pelo Cuidado Responsável).

Robert Bringer, o vice-presidente de engenharia ambiental e de controle da poluição da 3M, está conduzindo o que talvez seja o mais eficaz programa norte-americano de redução do desperdício.

O presidente da Pacific Gas and Electric, Richard Clark, está mostrando o caminho na indústria de serviços de utilidade pública.

O presidente da DuPont, Edgar S. Woolard, Jr, foi grandemente responsável pela redação de uma Carta Empresarial pelo Desenvolvimento Sustentável, endossada por mais de 200 grandes empresas em todo o mundo. (ibid., p.184)

A liderança da organização deve enfatizar suas responsabilidades públicas e praticar a boa cidadania. A responsabilidade pública refere-se às expectativas básicas da organização quanto à ética nos negócios, atenção à saúde pública, segurança e proteção ambiental. O enfoque relativo à saúde, segurança e proteção ambiental devem levar em conta as operações da organização bem como o ciclo de vida dos produtos. "A nova era gira toda em torno da responsabilidade pública", afirma Jerry Martin, o chefe de assuntos ambientais da Dow Chemical. "A realidade é que, para sobrevivermos como empresas e como uma indústria, precisamos da aceitação pública. Sem ela, não estaremos aqui dentro de vinte anos." Esta posição é compartilhada pelo empresário Ricardo SEMLER (1988, p. 254). Vejamos sua opinião:

Comunidade é palavra que não costuma passar das declarações de princípios das empresas. De fato, poucos empresários reconhecem com convicção o fato de que a empresa tem que exercitar sua função interativa na comunidade. Tirar recursos, pessoas e mercado da coletividade, devolver produtos e salários e embolsar o lucro como remuneração do capital é visão de curto prazo. Parte da remuneração obtida pelo negócio precisa voltar à comunidade para que se possa considerar o estágio de capitalismo selvagem do país superado - e estamos muito longe disso.

Considerações sobre esta questão envolvem o seguinte:

Meio Ambiente: a idéia de que progresso e deterioração do meio ambiente andam de mãos dadas é um conceito do século XIX que ainda impera no Brasil. As empresas que não se preocuparem preventivamente com isso serão as que alegarão no futuro que, para cumprir exigências da legislação ambiental (que virão, com certeza), terão que fechar [fica bem claro aqui a preocupação com a sobrevivência das empresas]. Deixar chegar a esse ponto é negligência [sem grifo no original].

Educação: provavelmente a prioridade número um do país, e sem grandes chances de progresso enquanto se sucederem governos perdulários e incompetentes, que impossibilitam verbas adequadas ao setor. A empresa não pode se omitir. Programas de alfabetização, fomento à escolaridade e participação no custo de formação e aperfeiçoamento são essenciais, seja para a empresa, seja para a comunidade. Muitas dessas pessoas exercerão seus conhecimentos em empresas diferentes daquelas que tiveram sua formação, mas isso faz parte do risco.

Cultura, Esporte, Ciência, Obras Assistenciais E Similares: é definitivamente papel da empresa retornar uma parte de sua remuneração à comunidade para programas nessas áreas. Patrocinar apenas eventos e projetos que sejam alternativas para publicidade, imagem e dedução de imposto de renda não requer consciência de comunidade - requer apenas uma máquina de calcular. O que falta é a mentalidade de apoio institucional nessas áreas.

Percebe-se claramente a necessidade da moderna gestão empresarial em criar relacionamentos mais éticos no mundo dos negócios para poder sobreviver e, obviamente, obter vantagens competitivas. A sociedade como um todo também se beneficia deste movimento.

Fatores como a conservação de recursos e a redução de rejeitos na origem, precisam ser considerados. O planejamento no tocante à saúde pública, segurança e proteção ambiental deve prever impactos adversos que poderiam decorrer das instalações, produção, distribuição, transporte, uso e descarte e reciclagem final de produtos.

A prática da boa cidadania refere-se à liderança e ao apoio - dentro dos limites razoáveis dos recursos das organizações - a objetivos de interesse social, abrangendo também os aspectos acima mencionados de responsabilidade pública. Tais objetivos poderão incluir a melhoria na educação, assistência médica, excelência na proteção ambiental, conservação de recursos naturais, serviços comunitários, melhoria das práticas industriais e organizacionais, intercâmbio de informações não-confidenciais relacionada com a qualidade, a promoção da cultura, do esporte e do lazer (eventos e outras iniciativas) e do desenvolvimento nacional, regional ou setorial. A liderança quanto à boa cidadania implica influenciar outras organizações, públicas ou privadas a se tornarem parceiras para atingir esses propósitos.

A comunidade deve sempre ser informada dos aspectos relevantes para a saúde, segurança e meio ambiente.

O comportamento transparente é o valor que rege e reflete um comportamento de respeito à verdade conhecida como tal, gerando respeito e confiança mútuos.

O relacionamento da organização com todas as partes interessadas deve se desenvolver com base num comportamento ético, de maneira que isso resulte em reciprocidade no tratamento. Esse princípio se aplica a todos os aspectos de negociação e relacionamento com clientes e fornecedores. Ele também é aplicável no que diz respeito aos funcionários, nos quais se deve confiar sempre, até que se prove o contrário. Portanto, o respeito à sua individualidade e ao sentimento coletivo, inclusive quanto à representação sindical, deve ser uma regra básica. O mesmo valor se aplica à comunidade e a qualquer entidade ou indivíduo que mantenha contato com a organização.

Inclui-se nesta área a prestação de serviços comunitários pelos funcionários encorajada, apoiada e reconhecida pela organização. Por exemplo, a organização e seus funcionários podem influenciar a adoção de padrões mais elevados na educação, mediante a comunicação de requisitos de ocupacionalidade para escolas e outras entidades educacionais.

As organizações poderão se associar a prestadores de serviços na área da saúde para melhorar a saúde na comunidade local através de educação e serviços voluntários relacionados com questões de saúde pública. Podem, também, se unir para influenciar as associações empresariais a se engajarem em atividades cooperativas beneficentes como intercâmbio de melhores práticas para aumentar a competitividade global brasileira, apoiando órgãos de normalização e universidades/escolas.

A liderança e o envolvimento de organizações dependem de suas disponibilidades em recursos humanos e financeiros. Contudo pequenas organizações podem aumentar seu envolvimento participando de atividades em cooperação com outras.

As organizações necessitam investir continuamente no desenvolvimento de seus funcionários por meio da educação.

A maior parte das organizações independentemente do porte, pode desenvolver mecanismos para contribuir para a satisfação dos funcionários. Esses mecanismos podem ser serviços, instalações, atividades e oportunidades, como por exemplo: aconselhamento pessoal e de carreira; desenvolvimento de carreira e da ocupacionalidade (preparação para o mercado de trabalho); atividades culturais ou recreativas; educação não relacionada com o trabalho; creche; ambulatório; licença especial para tratar de responsabilidades familiares e/ou serviços à comunidade; planos especiais de aposentadoria; segurança fora do trabalho; horários flexíveis; realocação e recolocação; benefícios de aposentadoria, incluindo plano de saúde; programas de conscientização anti-tabagismo e da prevenção da AIDS; programas de recuperação de drogas e alcoolismo; transporte e refeições subsidiados e prevenção de doenças profissionais. Esses serviços podem também incluir atividades para desenvolvimento de carreira, como testes vocacionais (avaliação de habilidades); ajuda no desenvolvimento de objetivos e planos de aprendizado e avaliação da ocupacionalidade (grau de preparação para o mercado de trabalho).

Duas perspectivas sobre a responsabilidade social das empresas

O princípio da responsabilidade social baseia-se na premissa de que as organizações são instituições sociais, que existem com autorização da sociedade, utilizam os recursos da sociedade e afetam a qualidade de vida da sociedade. Um dos principais representantes dessa corrente é Andrew Carnegie, fundador da U.S.Steel, que, em 1899, nos Estados Unidos, publicou o evangelho da riqueza, livro no qual estabeleceu os dois princípios da responsabilidade social corporativa: caridade e steward-ship. Esses princípios baseavam-se numa visão paternalista do papel do empresário em relação aos empregados e aos clientes.

Princípio da Caridade

O princípio da caridade, segundo Carnegie, diz que os indivíduos mais afortunados da sociedade devem cuidar dos menos afortunados, compreendendo desempregados, doentes, pobres, pessoas com deficiências físicas. Esses desafortunados poderiam ser auxiliados diretamente ou por meio de instituições como igrejas, associações de caridade ou movimentos de auxílio. A obrigação era do indivíduo, não de sua empresa, e o indivíduo decide qual o valor da caridade que pretende praticar. Na década de 20, nos Estados Unidos, a Grande Depressão aumentou enormemente as necessidades comunitárias, o que estimulou o envolvimento das empresas com o princípio da caridade.

Princípio do Zelo

O princípio do zelo (stewardship) derivado da Bíblia, estabelece que as empresas e os indivíduos ricos deveriam enxergar-se como depositários de sua propriedade. Segundo Carnegie, os ricos tem seu dinheiro com a confiança do resto da sociedade e podem usá-lo para qualquer finalidade que a sociedade julgar legítima. O papel da empresa é também aumentar a riqueza da sociedade, por meio de investimentos prudentes e uso cauteloso dos recursos sob sua responsabilidade.

A idéia da responsabilidade social, embora não seja nova, ganhou muita força quando a deterioração dos ecossistemas, provocada pela poluição, estimulou o debate sobre os benefícios e malefícios da sociedade industrial. As conseqüências indesejáveis da industrialização aguçaram a consciência ecológica e de certos segmentos sociais e motivaram o surgimento de grupos de ativistas que se propuseram a combater o comportamento socialmente irresponsável de certas empresas ou ramos de negócios, como os madeireiros, os caçadores de baleias e a industria de peles de animais. Devido às pressões que nasceram de todos esses movimentos, muitos países estabeleceram legislações severas sobre essas questões. A existência dessa legislação é um dos principais fatores que as empresas devem levar em conta ao tomar decisões que envolvem considerações de ordem ética.

Outra base para a aceitação da doutrina da responsabilidade social é a proposição de que as organizações provocam efeitos que nem sempre são bons para seus stakeholders. Seus benefícios para a coletividade são contrabalançados pelos prejuízos que, involuntariamente, muitas vezes causam.

Benefícios: criação de empregos, pagamento de impostos e salários, promoção da distribuição da renda, desenvolvimento de fornecedores, treinamento da mão-de-obra.

Prejuízos: danos ao meio-ambiente, utilização e manipulação dos empregados, demissões, desemprego, relações suspeitas com o poder, corrupção de funcionários públicos.

A Doutrina do Interesse do Acionista

A corrente alternativa da responsabilidade social propõe que as empresas tem obrigações primordialmente com seus acionistas. O representante mais conhecido desta doutrina é o professor Milton Friedman economista da Universidade de Chicago. Ele afirma que a principal responsabilidade das empresas é maximizar o lucro dos acionistas. De acordo com este ponto de vista, a ética das decisões de negócios consiste em procurar as alternativas que produzam mais dinheiro, porque esta diretriz promove a utilização mais eficiente e eficaz dos recursos individuais, organizacionais, sociais e ambientais. Segundo Friedman os administradores não tem condições de definir as prioridades nem as necessidades de recursos dos problemas sociais e devem concentrar-se naquilo que é fundamental para as empresas, ou seja, fazer dinheiro. A solução dos problemas sociais deve ser entregue às pessoas que se preocupam com eles e ao governo.


POR QUE A PREOCUPAÇÃO COM ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL?

Se o sistema de valores sempre orientasse as organizações para o benefício dos clientes, funcionários e fornecedores, ou para a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais, não seria necessário estabelecer multas e punições precisamente para forçar a obediência a esses comportamentos. No entanto, a sociedade vê-se obrigada a criar o Código de Defesa do Consumidor, ou a Lei de Proteção dos Mananciais, ou a Lei do Colarinho Branco, e outros controles para impedir a liberação de poluentes na atmosfera ou o despejo de petróleo no mar. Como se comportariam as organizações se não houvesse essa legislação? E se o Código Penal fosse abolido, como se comportariam as pessoas?

Questões como essas sempre estiveram no centro da discussão sobre a ética. A primeira motivação para que as organizações se preocupem com questões éticas é precisamente a obrigação de seguir esses códigos.

Defesa do Consumidor

O Código de Defesa do Consumidor nasceu como resposta da sociedade aos danos, voluntários ou involuntários, provocados pelos fornecedores de produtos e serviços. Mau atendimento, produtos inseguros para crianças e adultos, descumprimento de promessas, e falha ou atraso na entrega de produtos, são problemas que não contavam com legislação específica para a defesa do consumidor. O código surgiu para evitar esses e inúmeros outros problemas, desde a informação falsa na propaganda até a falta de peças para os automóveis que saem de linha, para não falar no comportamento manifestamente desonesto ou irresponsável de algumas empresas, como as fábricas clandestinas de alimentos e medicamentos.

O código é apenas decorrência da preocupação e das reivindicações de grupos de pressão dentro da sociedade em favor da defesa dos consumidores. Sua existência ajudou a acentuar essa preocupação, disseminando novos hábitos e normas sociais. A principal conseqüência, provavelmente, é o hábito de reclamar e, em seguida, usar o mecanismo de defesa que o código oferece.

A desobediência ao código, como a qualquer outro tipo de legislação, pode acarretar sérios transtornos para a empresa. Desde os custos da não qualidade até a possibilidade de ações legais, passando pela perda de clientes e projeção de má imagem, são inúmeros os motivos para que as empresas prestem atenção ao código. Como a ignorância da lei não pode ser invocada como justificativa para desobedecê-la, estudar e informar os funcionários sobre o código e outros dispositivos legais tornou-se necessidade de administração moderna. A "nova ética" da conduta em relação aos consumidores é, no mínimo, aquela que o código estabelece.

Defesa do Meio Ambiente

A proteção do meio ambiente é motivada pelas mesmas razões da defesa do consumidor. Há inúmeros dispositivos legais que estabelecem regras para o comportamento em relação ao meio ambiente, bem como punições em caso de desrespeito.

Nem sempre foi assim. Até os anos 60, aproximadamente, havia certa ilusão de que os recursos naturais eram inesgotáveis e de que a poluição não tinha nenhuma conseqüência séria. A realidade do avanço da urbanização e da industrialização, em todo mundo, logo se incumbiu de revelar a fragilidade dessas concepções. Dessa época em diante, o ambientalismo, tido como preocupação exótica, transformou-se em política de governo e questão de planejamento estratégico, à medida de que se tornavam mais evidentes e concretos os riscos para a própria sobrevivência humana, para não falar da simples qualidade de vida.

Na mesma forma como aconteceu com a defesa do consumidor, a proteção do ambiente passou para a esfera legal. Além disso, não há empresa preocupada com a sua imagem que queira parecer de alguma forma irresponsável nesse aspecto. Porém, a "nova ética" em relação ao ambiente não decorre apenas das imposições legais, porque há aspectos da conduta desejável que a lei não prevê. São aqueles aspectos enfatizados pela consciência social dos setores específicos da sociedade. Por exemplo, há grupos que vetam o consumo de certos produtos caso o fabricante demonstre algum tipo de irresponsabilidade social.

Comportamentos Duvidosos

Supor que a "nova ética", ou qualquer ética, seja motivada apenas pelo receio das punições é incorreto. Muito da preocupação com a ética advém da necessidade de administrar comportamentos que a experiência demonstra serem duvidosos.

Serão comportamentos certos ou errados? Por exemplo:

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