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Filme - O Nome da Rosa

Autor:
Instituição: FAMAP
Tema: Resumo Crítico

Filme o Nome da Rosa


O resumo critico do filme "O nome da Rosa" realizado para a disciplina "Português Instrumental", do 1º semestre do Curso de Administração-Geral, lecionada pela Drª. Marialva Oliveira


RESUMO CRÍTICO DO FILME
"O Nome da Rosa"

Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intringado, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.


RESUMO CRÍTICO

O Nome da Rosa é um mergulho nos anos de 1316 a 1334 quando João XXII era o Papa. Sete mortes misteriosas ocorrem durante aquela semana e todas elas ligadas à existência ou não de um livro de Aristóteles sobre a Comédia.

O filme relata o histórico dos tempos medievais, retratando o quotidiano dos monges de uma abadia e as querelas religiosas que se faziam sentir fora desse microcosmos, "O Nome da Rosa" contém ainda todos os elementos de um romance policial, onde o suspense, as ambigüidades e o mistério se misturam na perfeição com uma linguagem tão viva como erudita.

Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antiguidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela igreja.

No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro.

Estranhas mortes começam a ocorrer num mosteiro beneditino localizado na Itália durante a baixa idade média, onde as vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos monges têm cesso às publicações sacras e profanas.

Com a chegada de um monge franciscano, incumbido de investigar os casos, irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribunal da santa inquisição.

O filme nos faz lembrar do confronto entre o Papa João XXII e o Imperador Luís II da Baviera, como paradigma da luta entre Igreja e Estado pelo controle da sociedade daquela época. Os protagonistas ligados ao Papado e ao Império utilizavam as riquezas, as disputas teológicas, e até os pequenos acontecimentos do dia-a-dia para se confrontarem visando a superintendência e o controle do poder na sociedade medieval. Nesse combate, utilizava-se igualmente a táctica da infiltração no campo do adversário. Daí este confronto político conduzir a outro, mais profundo, que seria o do controle do poder dentro da própria Igreja.

E é neste ponto que se concentram as questões mais complexas abordadas pelo O Nome da Rosa. No tempo em que decorre o romance - início do século XIV - registravam-se grandes controvérsias filosóficas como: As questões dos universais, que agitava as universidades. O triunfo de uma dessas correntes provocava forçosamente transformações profundas na Igreja, no Estado, na Sociedade, na Cultura e na Ciência. Era o futuro da civilização e da humanidade que estava em jogo.

Através do filme "Nome da Rosa", define-se que todo o gênero humano deveria ser submisso ao Romano Pontífice, condição essencial para a salvação de qualquer simples mortal. Com esta postura, todos, incluindo os soberanos, estavam subordinados ao Papa e à disciplina religiosa.

Na Igreja não deveria haver hierarquias. O Papa, Bispos, Padres têm todos o mesmo poder, porque Cristo não deu mais poder a uns do que a outros. Todo poder na Igreja é concessão do Imperador, que pode depor e julgar qualquer autoridade eclesiástica, inclusive o Papa.

Pelo que foi escrito nos testamentos, dificilmente haveria maior oposição entre as duas doutrinas. A primeira pretendia colocar Deus e o Céu como objetivo principal; a outra colocava como objetivo final, o homem e o seu reino na terra. Uma queria uma Igreja monárquica, hierárquica e de poder divino; outra queria uma igreja democrática, igualitária, pobre e popular. Uma preconizava a união entre Igreja e Estado; outra defendia a separação entre o poder eclesiástico e o civil e até a subordinação da Igreja ao Estado.

Compreendemos no filme que os "vícios carnais" dos monges não estão na origem direta dos diversos crimes. Alguém, aproveitando-se da paixão "proibida", tenta obter um misterioso livro guardado secretamente no local mais esconso da biblioteca da Abadia, onde apenas o abade, o bibliotecário e o seu ajudante, tinham acesso. A existência desse livro - o II livro da Poética de Aristóteles, que supostamente trataria do riso - era desconhecido da maioria dos monges. Apenas alguns deles sabiam da sua existência, e mesmo esses, estavam proibidos quer de o ler, quer mesmo de se aproximar dele.

Numa biblioteca, há livros que dizem a verdade e outros - tantas vezes numerosos! - que a adulteram, a combatem, ou até a escondem. Uma biblioteca oferece diversas sugestões enganadoras, enquanto "oculta" (pela dificuldade da pesquisa, pelo menos) a única verdade.

Podemos concluir que nem o próprio autor tem a certeza de que a Igreja primitiva pretendesse realmente salvar e conservar o saber da Antiguidade. Mais tarde, seguramente, a corrupção da Igreja teria transformado a biblioteca, fonte de saber e de virtude, em fonte de impiedade.

Entretanto, a biblioteca tinha um segredo desconhecido até pelo próprio abade Abbone, que nunca chegou a entender exatamente quais eram os tesouros e os fins da biblioteca, uma vez que encerrava num túmulo um saber que queria manter secreto a todo o custo. A biblioteca de O Nome da Rosa apresenta-se como símbolo de uma Igreja conservadora, mestra desconfiada e receosa que obstrui o conhecimento de determinadas doutrinas, e que pretende impedir qualquer progresso intelectual e material, com o objetivo de manter o seu domínio sobre o mundo. Talvez por essa razão até o próprio autor a condena: "Esta biblioteca nasceu talvez para salvar os livros que contém, mas agora vive para os sepultar. Por isso tornou-se fonte de impiedade".

Pode-se então afirmar, que os acontecimentos narrados neste filme pretendem ser uma parábola da História do mundo. O poder na Abadia tinha sede na igreja, mas ele se exercia através do controle do saber, isto é, do controle da biblioteca. Assim também a Igreja Católica dominaria o mundo medieval por meio do controle do saber e do estudo.

Paralelamente, através do medo da morte e do que havia no Além, a Igreja Católica dominava o mundo medieval, ao controlar o estudo e o saber, controlando os segredos e os labirintos da biblioteca do saber humano. Em resumo, O Nome da Rosa representa o mundo na Abadia e na sua biblioteca, e pretende descrever, com a ajuda de parábolas, a História, através dos acontecimentos que nela se desenrolam. Nesse mundo sinuoso, desenvolve-se uma história labiríntica, cujo significado as diversas Filosofias da História procuram esclarecer. A biblioteca funcionava como se fosse o coração. Instalada numa torre de pose austera, acessível através de um intrincado labirinto de escadas e corredores, ela guarda o verdadeiro tesouro: o conhecimento.

Entendemos que a origem da corrupção da Igreja estava diretamente relacionada com o seu enriquecimento, isto é, no fim da Idade Média ou do século XX, a Igreja torna-se rica, materialista, corrupta, perdendo a sua pureza e seu caráter espiritual. Por isso, muitos que tomavam consciência disso, separavam-se do canal principal para chegarem mais depressa, e mais puros, ao mar. É o que diziam fazer as seitas heréticas. Estes canais - as seitas - cruzam-se e confundem-se, repetindo as idéias uns dos outros, percorrendo os mesmos desfiladeiros e os mesmos pântanos. Outros - os inquisidores - tentam detê-los, reconduzi-los ou enterrá-los, utilizando a força, o braço secular, a tortura e a morte. A corrupção da Igreja já chega ao momento da sua existência; deixando de lado a idéia de que a Igreja deve ser pobre, espiritual, e não dogmática. A idéia de que o trabalho da Inquisição na defesa dos preceitos da Igreja, foi mau e inútil. O primeiro engano da mentalidade dos inquisidores residia no fato de acreditarem numa verdade objetiva, da qual a Igreja teria o monopólio. Por isso, quando dizem que "o Corão, a bíblia dos infiéis, [é] um livro perverso". Sabe-se que o Corão é "um livro que contém uma sabedoria diversa da nossa".

O segundo erro desta mentalidade estava diretamente relacionado com a idéia de que só a Igreja é santa, que os hereges só podem agir mal e que os crimes são os efeitos naturais da heresia. A justificar este idéia, está a guerra feroz e injusta que a Inquisição movia contra os hereges, na inglória tentativa de impedir que o rio se dividisse, ao aproximar-se da foz. Como figura símbolo da mentalidade da inquisição.

Ao longo de todo o filme, o poder hipócrita que naquela época, a "Santa" Inquisição detinha, pois nas palavras do bibliotecário Malaquias era encarada como a "única entidade capaz de resolver estes assuntos".

O riso aniquilava o medo e "sem medo não poderia haver fé. Sem o medo do Diabo, não haveria necessidade de Deus. Que aconteceria se devido a este livro, os eruditos declarassem ser permitido rir de tudo? (...) O mundo regressaria ao caos, por isso selo aqui no túmulo em que me transformo".

Ao longo de todo o filme, prevalece a razão sobre os sentimentos, o estudo "cientifico" das situações sobre a forma mais fácil de resolver as situações, ou seja, sobre a forma como os métodos inquisitoriais resolviam os assuntos do dia a dia da sociedade.

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