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Globalização e seus Impactos nas Operações de Produção

Autor:
Instituição: Universidade Ibirapuera
Tema: Globalização

GLOBALIZAÇÃO E SEUS IMPACTOS NAS OPERAÇÕES DE PRODUÇÃO


1 - INTRODUÇÃO

Há muita polêmica sobre o que é globalização. Mas podemos resumir seu conceito como a significativa expansão do comércio internacional e dos fluxos de capitais, tudo isso, concomitante ao excepcional avanço tecnológico, especialmente o advento da telemática (combinação das telecomunicações com a informática) ocorrido com maior intensidade a partir de meados dos anos oitenta, vem sendo genericamente definido como globalização. O processo de internacionalização da produção, que avançou substancialmente a partir dos anos 80, tem provocado transformações nos planos tecnológico, organizacional e financeiro e vem intensificando a concorrência em escala mundial.

Há ainda quem prefira entender a globalização como o "estágio superior" da internacionalização, conceito que se usa indiscriminadamente para tratar de fenômenos envolvendo investimento externo, tecnologia, estruturas de mercado, organização da produção, etc. Há quem prefira o termo "mundialização", por entender que corresponde com maior exatidão à essência da expressão inglesa "globalização".

O fenômeno da globalização tem sido objeto de várias discussões, especialmente no que se refere à efetiva "novidade" do fenômeno. O setor de serviços ganha nova dimensão, tanto pelo peso crescente na pauta de exportações dos países, quanto por seu papel nas novas formas de geração de riqueza.

Não existe consenso a respeito do conceito de globalização. Há autores que o associam ao "grau, extensão, natureza e padrão da concorrência à escala mundial". Do ponto de vista comercial, a globalização refere-se à expansão dos fluxos de comércio, num contexto de acirramento da concorrência em âmbito internacional, tornando a competitividade fator prioritário para o delineamento das políticas econômicas nacionais. Já do ponto de vista financeiro, a globalização está definida pela espetacular expansão dos fluxos financeiros internacionais. A tendência de desregulamentação financeira observada na maioria dos países, o avanço da internacionalização da produção de serviços financeiros (como a colocação de títulos no mercado internacional e de derivativos) e a liberalização cambial facilitaram a expansão das relações financeiras internacionais.

Na esfera produtiva, a globalização está ligada ao incremento dos fluxos de investimentos estrangeiros diretos, às estratégias da empresas transnacionais e ao processo de reestruturação empresarial para fazer frente a este mercado cada vez mais competitivo. Uma realidade cada vez mais presente nesse desafio é a percepção de que a expansão do investimento direto estrangeiro tem-se dado em proporção maior do que o desempenho do crescimento econômico dos países e das exportações.

Os efeitos da globalização da economia, o acirramento da competitividade e maior exigência dos mercados têm obrigado as empresas à transformações que muitas vezes não conseguem realizar individualmente.

Em outras palavras, o principal impacto da globalização nas operações de produção é a necessidade da busca desenfreada pela inovação, principalmente a inovação tecnológica em sua linha de produção, a redução de custos e a otimização em seus processos produtivos, para que as empresas possam se manter cada vez mais atualizadas e competitivas, tendo em vista que sua concorrência deixou de ser regional e passou a ser mundial, pois acredito que, sem essa atualização, as empresas estão fadadas ao fracasso.


2 - NOVA FORMA DE ADMINISTRAR

A globalização tornou a concorrência mais acirrada, o ritmo das inovações tecnológicas desafia as estratégias mais brilhantes, confirmando as previsões de Alvin Toffler: "Quando se fazem novas descobertas, se desvendam novas verdades e as maneiras e opiniões mudam com a mudança das circunstâncias, as instituições devem avançar também e acompanhar o andamento dos tempos".

As empresas que querem ser competitivas não podem mais ignorar os desejos dos seus clientes, e os administradores não podem dar ordens e esperar que sejam cumpridas cegamente. As relações pessoais não podem mais ser aceitas como verdadeiras, e tampouco tanta criatividade humana pode continuar a ser desprezada e ignorada.

As empresas para garantirem sua sobrevivência, em qualquer segmento terão que passar por uma mudança cultural profunda. O seu recurso humano terá que pensar mais rápido, trabalhar inteligentemente, pensar diferente, sonhar ambiciosamente e, sobretudo relacionar-se entre si de maneira mais amigável.

As organizações de hoje, não podem se dar ao luxo de seguir modelos ultrapassados de premiar talentos e resultados, oferecendo posições de chefia. Pois, a maioria destas práticas está baseadas em experiências com raízes em um mundo que não existe mais. Há que se evitar que se "desperdicem" talentos que podem estar voltados para estudos, pesquisas ou desenvolvimento, em nível até mesmo estratégico, obrigando-os a assumirem posições de lideranças.

A implementação destas mudanças requer um novo modelo de atuação, muito diferente daquele que nós já fomos submetidos e alguns dos quais nós, talvez, sejamos agora. A era do modelo de gestão baseada em penalidades, rigidez e advertências se foram, é página virada.

Os líderes de hoje, terão que ter capacidade de adaptações rápidas, e de promover mudanças em contraste com a administração tradicional, terão que destruir as barreiras erguidas pelas lideranças passadas e construir pontes, implantando um novo estilo de gestão, voltado para ajudar os colaboradores a realizarem o que são capazes de fazer, criando um ambiente propício à discussão, assegurando a liberação da capacidade criativa, formulando uma visão para o futuro, encorajando, emocionando, contextualizando, treinando, ensinando, facilitando, cultuando o desprendimento e a diversidade, admirando e respeitando as diferenças, e aproveitando as peculiaridades para obter as melhores ações, intenções e soluções.

Nenhuma organização existe ou funciona sem a pessoa humana. Há que se observar que quando modificamos as estruturas, também modificamos as pessoas, o grande desafio dos líderes é conseguir que os seus colaboradores aceitem novas responsabilidades, que compreendam que as suas atividades combinam com a dos outros, e que possam se adaptar às circunstâncias modificadas, e que estejam afinados com as pessoas em sua volta, de maneira que realizem seu trabalho mais eficazmente, sejam mais produtivos e se tornem pessoas melhores, consolidando a previsão de Trotsky: " O homem se tornará incomparavelmente mais forte, mais sábio e mais perceptivo".


3 - EMPRESA DO FUTURO

Ao longo de todo esse processo de modernização da produção, cresce em importância a figura do consumidor, em nome do qual tudo se tem feito. Pode-se dizer que a procura da satisfação do consumidor é que tem levado as empresas a se atualizarem com novas técnicas de produção, cada vez mais eficazes e de alta produtividade. É tão grande a atenção dispensada ao consumidor que, em alguns casos, ele pode especificar detalhes acerca do seu produto ou serviço, criando dessa forma, uma certa personalização, o que de certa forma é um retorno ao artesanato, porém sem a figura do artesão. A esse processo produtivo podemos denominar de produção customizada. No entanto, esse sistema de produção deve contar com uma boa dose de flexibilidade em seu processo, a fim de que essa personalização não atrapalhe o sistema produtivo normal.

O mercado moderno criou uma nova denominação de empresa, classificando-a como empresa de classe mundial, que são aquelas organizações que tem como cultura a melhoria contínua, sendo uma empresa voltada para o cliente, sem contudo, perder a característica de empresa enxuta.

Com o advento da globalização, as empresas do futuro, fazem de tudo para sobreviver e crescer num mercado tão exigente e competitivo. Uma nova característica desse momento é o crescimento acelerado do setor de serviços, que hoje é o setor que mais emprega e mais contribui na formação do PIB.

Outra característica permanente é o processo de melhoria contínua, como recurso de produtividade e ao mesmo tempo de marketing, visando conquistar e manter clientes fiéis e satisfeitos.

Segue abaixo algumas considerações do efeito da globalização nas decisões das operações:

Fonte: Produtividade, Competitividade e Globalização –Cap. 21 - Desafio da Produção – Pág. 692


4 - LOCALIZAÇÃO INTERNACIONAL

A decisão de administração de operações com implicações a longo prazo e de impacto global é da localização internacional.

As redes de operações podem estar espalhadas por várias regiões geográficas. Grandes empresas globais como a Disney, a Mercedes ou a Kodak, têm operações espalhadas pelo mundo. Entretanto, nem todas as organizações optam pelo pelo projeto de suas redes internacionais da mesma forma. Configurações diferentes de operações são apropriadas á organizações diferentes. Quatro estratégias de configuração têm sido identificadas nas decisões de localização de empresas internacionais:


5 - CONCLUSÃO

Com o advento da globalização, chega-se à conclusão de que o mundo é um lugar menor para se fazer negócios. A grande maioria das empresas está buscando fornecedores e vendendo seus produtos e serviços globalmente.

O comércio entre partes muito distantes do globo continua a crescer, tanto em produtos como em serviços, porém as empresas têm que estar preparadas, pois a competição ultrapassou os limites regionais.

Organizações que não estiverem preparadas para competir globalmente, trabalharem lado a lado com a rapidez das inovações tecnológicas, estarão entregues à improvisação e, portanto, perderão mercados e estarão fadadas ao fracasso. Pois este é um processo de transformações irreversíveis no mundo organizacional.

No contexto da economia globalizada e para a maioria das novas ocupações, pressupõe-se, num primeiro plano, a importância de o trabalhador ter educação básica e conhecimentos técnicos mínimos para realizar suas tarefas/atividades.

Na dimensão do trabalho, num momento onde a maioria das tarefas repetitivas já são assumidas por máquinas automatizadas e robôs, a relação do indivíduo com sua ocupação modifica-se sensivelmente, assim como mudam os conteúdos que ele precisa saber para exercer sua profissão.

Dado esse novo quadro, em que a iniciativa, o discernimento e o aprendizado são palavras-chave, cabe a questão: como deverá ser o novo perfil profissional do trabalhador em face dessa geração comandada pelo conhecimento? De uma forma abrangente, pode-se afirmar que a resposta está no que demanda o mercado, como também na missão e visão estratégica de cada organização e no que demanda de seus trabalhadores.

As organizações que entenderem que o conhecimento pode ser gerenciado de forma integrada e estruturada e, através de sua força de trabalho obtiver maior produtividade, estarão assim criando novos valores e, conseqüentemente, aumentarão sua competitividade.

A única fórmula plausível de sobrevivência neste novo quadro está em manter um processo contínuo e sistemático de educação permanente que crie conhecimento e, com seu uso, possibilite ações geradoras da qualidade, produtividade, competitividade e inovação necessária à administração estratégica das organizações.


6 - BIBLIOGRAFIA

SOUZA, Maria da Paixão Neres de. As tecnologias de informação no processo de produção, legitimação e difusão do conhecimento. Brasília, 1999. Tese (Doutor em Ciência da Informação) - Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília.

Almeida, Paulo Roberto de. Os primeiros anos do século XXI: O Brasil e as relações internacionais contemporâneas. São Paulo: Paz e Terra, 2002

Martins, Petrônio Garcia / Langeni, Fernando Piero. Administração de Produção – São Paulo; Saraiva, 2000.

Site consultado;

www.ufba.br/instituicoes/ufba/ faculdades/fce/ops/ops2/informes.html

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