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Monopólio

Autor:
Instituição: UNITAU
Tema: Mercado Monopolista

Monopólio


INTRODUÇÃO

O monopólio é uma situação de mercado em que existe um só produtor de um bem (ou serviço) que não tenha substituto próximo. Devido a isso, o monopolista exerce grande influência na determinação do preço a ser cobrado pelo seu produto.

Se você for proprietário de um microcomputador, provavelmente estará usando uma versão do Windows, o sistema operacional vendido pela Microsoft. Quando a Microsoft desenvolveu a versão original do Windows, ela solicitou ao governo um copyright. O copyright dá a Microsoft o direito exclusivo de produzir e vender cópias do Windows. Se alguém deseja comprar uma cópia do Windows, não tem outra escolha senão dar à Microsoft os cerca de US$ 100 que ela cobra pelo produto. Diz-se que a Microsoft detém o monopólio do mercado de Windows.

Um monopólio como a Microsoft, não tem concorrentes próximos e, portanto, pode influir sobre o preço de mercado de seus produtos. Enquanto a empresa competitiva é um tomador de preços, o monopólio é um formador de preços. O preço cobrado pelo monopólio excede o custo marginal.

HIPÓTESES DO MODELO DE MONOPÓLIO

Uma estrutura de mercado monopolista apresenta três características principais:

As barreiras ao acesso de novas empresas nesse mercado podem ocorrer de várias formas:

Uma hipótese implícita no comportamento do monopolista é que ele não acredita que os lucros elevados que obtém a curto prazo possam atrair concorrentes, ou que os preços elevados possam afugentar os consumidores, ou seja, acredita que, mesmo a longo prazo, permanecerá como monopolista. Evidentemente, para que essa estratégia viabilize-se, deve ser um tipo de mercadoria ou serviço que não tem substitutos próximos. Uma categoria diferenciada de monopólio é o monopólio estatal ou institucional, protegido pela legislação, normalmente em setores estratégicos ou de infra-estrutura.


POR QUE SURGEM OS MONOPÓLIOS


RECURSOS DO MONOPÓLIO

A forma mais simples de aparecimento de um monopólio é a posse por parte da empresa de um recurso-chave. O monopolista tem um poder de mercado muito maior do que qualquer empresa do mercado competitivo. No caso de um bem essencial como a água, o monopolista poderia cobrar um preço alto, mesmo se o custo marginal fosse baixo.


PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO MONOPÓLIO


FUNCIONAMENTO DE UM MERCADO EM MONOPÓLIO

Curva de demanda do monopolista

Como se trata de uma única firma, tem-se que:

Demanda total do mercado = demanda para a empresa

Curva de demanda no monopólio.

Assim, se o monopolista quiser vender mais, o preço cairá; se produzir menos, o preço subirá. Nesse sentido, o monopolista tem o controle do preço de mercado, que depende de quanto ele resolver produzir.

Isso é completamente diferente do que ocorre com a firma em um mercado em concorrência perfeita, que não tem condições de, isoladamente, afetar o preço determinado por esse mercado.

Curvas de receita média e receita marginal

Ou seja, a RMe é o próprio preço de mercado: é o que o consumidor paga em cada unidade do produto. Então, é a própria demanda de mercado.

Em concorrência perfeita, vimos que RMg = RMe = p.

Em monopólio, a RMg é diferente da RMe. Isso porque a quantidade adicional é vendida a um preço mais baixo que as quantidades anteriores. O exemplo da figura abaixo esclarece esse ponto.

Receita Média e Receita Marginal para uma firma monopolista.

Quando a quantidade vendida aumenta de 10 para 11, a RMe é igual ao preço P1.

A receita marginal RMg fica igual a RMg = 1,275da décima primeira unidade – 750 que se perderam nas 10 primeiras unidades= 525.

Prova-se que a RMg corta o eixo das abscissas na metade do corte da RMe veja na figura.

Receita Média e Receita Marginal para uma firma monopolista: análise gráfica.


MONOPÓLIOS CRIADOS PELO GOVERNO

Em muitos casos os monopólios surgem porque o governo concede a uma pessoa ou a uma empresa o direito exclusivo de vender algum bem ou serviço. Em outras ocasiões o governo concede um monopólio porque isso atende ao interesse público. A legislação de patentes e de direito autoral é um exemplo de monopólio criado pelo governo para atender ai interesse público.

Os efeitos das leis de patentes e de direitos autorais são fáceis de ver. Como essas leis concedem ao produtor o monopólio, este pode cobrar preços mais altos do que os que vigorariam na concorrência. Ao permitir a esses produtores monopolistas cobrar preços mais elevados e obter lucros maiores, essas leis também incentivam alguns comportamentos desejáveis. Portanto, as leis que regem patentes e direito autoral têm tanto benefícios quanto custos.


POLÍTICAS PÚBLICAS PARA OS MONOPÓLIOS

Vimos que os monopólios, ao contrário dos mercados competitivos, falham na alocação eficiente de recursos. Os monopólios produzem menos do que a quantidade de produto socialmente desejável e, em conseqüência, cobram preços superiores ao custo marginal.

Os formuladores de políticas públicas governamentais podem responder ao problema do monopólio de quatro formas:

COMO OS MONOPÓLIOS DECIDEM PREÇOS E PRODUÇÃO

Agora que sabemos como surgem os monopólios, podemos examinar como uma empresa monopolista decide o quanto produzir e o quanto cobrar por seu produto. A análise do comportamento monopolista é o ponto de partida para avaliar se os monopólios são desejáveis e quais as políticas que o governo pode adotar em relação aos mercados monopolistas.

CUSTOS DE PRODUÇÃO DO MONOPOLISTA

Podemos considerar que a estrutura de custos do monopolista não difere em essência daquela observada no modelo concorrência perfeita, conforme podemos verificar na figura.

Custos de produção de uma firma monopolista.


O MONOPOLISTA NÃO TEM CURVA DE OFERTA

A curva de oferta é definida como sendo uma curva mostrando as diferentes quantidades de um bem (ou serviço) que uma firma estará disposta a colocar no mercado, a todos os preços possíveis, por unidade de tempo. A figura retrata uma curva de oferta de um bem em um mercado de concorrência perfeita.

Ela é positivamente inclinada, indicando que o preço e a quantidade variam na mesma direção. Além disso, ela nos mostra que para cada preço existe uma quantidade ofertada correspondente. Assim, se o preço for OP1, a curva de oferta nos mostra que o produtor, a esse preço, estaria disposto a colocar no mercado no máximo a quantidade Oq1; se o preço subir para OP2 a curva de oferta nos mostra que o produtor estará disposto a colocar uma quantidade maior do produto no mercado, no caso, Oq2.

O LUCRO DO MONOPÓLIO

Quando lucra o monopólio? Para ver o lucro do monopolista, recordemos que o lucro é igual à receita total (RT) menos os custos totais (CT):

Lucro = RT– CT.

Podemos reescrever a expressão como

Lucro = (RT/Q– CT/Q)x Q.

RT/Q é a receita média, que é igual ao preço P, e CT/Q é o custo total médio, CTM. Portanto,

Lucro = (P- CTM) x Q.

 

REGULAMENTAÇÃO

Uma maneira pela qual o governo trata do problema do monopólio é pela regulamentação do comportamento dos monopolistas. Esta solução é comum no caso de monopólios naturais como as empresas fornecedoras de água e energia elétrica. Estas empresas não podem cobrar os preços que desejam. Em lugar disso, agências do governo determinam os preços.

Há, contudo, dois problemas práticos com a determinação do preço pelo custo marginal como sistema de regulamentação. No primeiro, os monopólios naturais têm, por definição, custos totais médios declinantes. O segundo problema da fixação de preço pelo custo marginal, é que isso não oferece ao monopolista incentivo para reduzir os custos. Na prática, os regulamentadores tratam desse problema permitindo que os monopolistas retenham parte dos benefícios dos custos menores na forma de um lucro mais elevado, uma prática que significa um certo afastamento da fixação do preço pelo custo marginal.


EQUILÍBRIO DE CURTO PRAZO DE UMA EMPRESA MONOPOLISTA

Como em concorrência perfeita, o ponto de equilíbrio do monopolista, ou seja, no qual ele maximiza o lucro, também ocorre quando RMg = CMg.

Como mostra o gráfico abaixo:

Equilíbrio de curto prazo de uma firma monopolista, em termos de curvas médias e marginais.

Se a curva de CMg cortar duas vezes a curva de RMg, a produção maior será aquela que maximiza o lucro.

Primeiro, determina o ponto onde RMg = CMg, que é a produção que maximiza o lucro (q0). Depois, vemos qual o custo de produção para produzir q0 na curva Cme e qual a receita quando se vende q0, na curva RMe, que é a curva de demanda. O lucro é igual à área dada pelo retângulo Cme0. A.B.

Em termos de curvas totais, o diagrama da figura abaixo fica:

Equilíbrio de curto prazo de uma firma monopolista, em termos de curvas totais.

Interessante observar que, nunca a posição de máximo lucro do monopolista pode estar na faixa inelástica da demanda. Isso porque o ponto de máximo lucro ocorre quando RMg = CMg. Como CMg é sempre positivo, a RMg que se iguala ao CMg também é positiva. E a RMg é positiva apenas na faixa elástica da demanda.


EQUILÍBRIO DE LONGO PRAZO DE UMA FIRMA MONOPOLISTA

Como existem barreiras à entrada de novas firmas, dificilmente o monopólio será quebrado, o que permitirá a persistência de lucros extraordinários também a longo prazo (área hachurada da figura).

Equilíbrio de longo prazo de uma firma monopolista.


DISCRIMINAÇÃO DE PREÇOS

Até agora trabalhamos com a hipótese de que a empresa monopolista cobra os mesmos preços de todos os seus clientes. Contudo, em muitos casos as empresas tentam vender o mesmo bem a diferentes clientes por preços diferentes. Esta prática chama-se discriminação de preços.

Antes de tratar do comportamento de um monopolista que pratica a discriminação de preços, devemos observar que a prática não é possível quando o bem é vendido em um mercado competitivo. Neste tipo de mercado há muitas empresas vendendo o mesmo bem ao preço de mercado. Nenhuma empresa está disposta a cobrar um preço menor de qualquer cliente porque a empresa pode vender tudo o que deseja ao preço de mercado. E se alguma empresa tenta cobrar um preço mais elevado de um cliente, este comprará de outra empresa. Para que uma empresa possa praticar a discriminação de preços ela precisa ter algum poder de mercado.

CONCORRÊNCIA MONOPOLISTA

Trata-se de uma estrutura de mercado intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não se confunde com o oligopólio, pelas seguintes características:

Número relativamente grande de empresas com certo poder concorrencial, porém com segmentos de mercados e produtos diferenciados;

Margem de manobra para fixação dos preços não muito ampla, uma vez que existem produtos substitutos no mercado.

Essas características acabam dando um pequeno poder monopolista sobre o preço de seu produto, embora o mercado seja competitivo (daí o nome concorrência monopolista).


MONOPÓLIO VERSUS CONCORRÊNCIA

A principal diferença entre uma empresa competitiva e um monopólio é a capacidade deste último de influir no preço de sua produção. Uma empresa competitiva toma o preço de sua produção como dado pelas condições de mercado. Já o monopólio, que é o único produtor em seu mercado, pode alterar o preço do bem ajustando a quantidade que oferece ao mercado.

Uma maneira de observar está diferença entre a empresa competitiva e o monopólio é considerar a curva de demanda com que cada empresa se depara. Como a empresa competitiva pode produzir muito ou pouco a esse preço, ela enfrenta uma curva de demanda horizontal, como a empresa competitiva vende um produto com muitos substitutos perfeitos, a curva de demanda com que cada empresa se depara é perfeitamente elástica.

Já no caso do monopólio sua curva de demanda é a curva de demanda do mercado. Se o monopolista aumenta o preço de seu produto, os consumidores compram menos, se o monopolista reduz a quantidade vendida, o preço de seu produto aumenta.


CONCLUSÃO

O mercado monopolista se caracteriza por apresentar, de um lado, um único empresário (empresa) e, de outro, todos os consumidores. Não há concorrência, nem produto substituto ou concorrente. Portanto, ou os consumidores se submetem às condições impostas pelo vendedor, ou deixarão de consumir o produto. A maximização dos lucros é obtida igualando-se o custo marginal à receita marginal. Nesse ponto, determina-se a quantidade que levará ao mercado. Depois, essa quantidade é substituída determinando-se o preço de mercado. Os monopólios são comuns, a maioria das empresas tem algum controle sobre os preços que cobram. Não são impedidas de cobrar o preço de mercado porque seus produtos não são extremamente idênticos aos vendidos pelas demais empresas. Contudo, as empresas com poder de monopólio substancial são bastante raras. Poucos bens são, de fato, únicos. Muitos têm substitutos que, mesmo não sendo totalmente idênticos, são bastante semelhantes. Para a existência de monopólios, deve haver barreiras que impeçam a entrada de novas empresas. As condições que levam a essas barreiras são:

Existem, ainda, os monopólios estatais ou institucionais em setores considerados estratégicos ou de segurança nacional (energia, comunicações, petróleo).


BIBLIOGRAFIA

Economia Micro e Macro - segunda edição

Marco A. S. de Vasconcellos

Princípios de Economia

Carlos R. M Passos / Otto Nogami

Fundamentos de Economia

Marco Antonio S. Vasconcellos / Manoel E. Garcia

Micro Economia Princípios e Aplicações

Economia Introdutória

Mankiw

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