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Os Novos Paradigmas da Administração

Autor:
Instituição: FTC
Tema: Resenha

Os Novos Paradigmas da Administração


INTRODUÇÃO

A teoria da administração que hoje conhecemos foi desenvolvida há muitas décadas. Muitos dos grandes pensadores e escritores sobre essas teorias eram engenheiros e como foram os pioneiros ao desenvolverem uma teoria sobre a arte de administrar, muita coisa que para aquela época existia valor, hoje já não se aplica mais com tanta fidelidade.

Peter Drucker, que é um dos pais da moderna teoria da administração, argumenta que boa parte do que se acredita e do que é ensinado com relação a teoria da administração está errada ou simplesmente desatualizada. Através de idéias fundamentadas em estudos ao longo de anos. Drucker transmite a idéia de que é preciso inovar, e acompanhar as mudanças que ocorreram ao longo dos anos para assim as organizações prosperarem e evitarem crises e até mesmo a falência.


RESENHA

DRUCKER, Peter F. Os novos paradigmas da administração. Revista Exame, Edição 682. São Paulo, 24 de fevereiro de 1999.

Peter Drucker, um dos grandes nomes da atualidade referente à Administração, traz publicado em seu artigo idéias inovadoras que procuram mostrar as transformações que ocorreram com o passar do tempo na forma de administrar as Organizações.

Com o decorrer do tempo, muito do que se aprende em teoria acaba ficando desatualizada, e segundo Drucker, poucas políticas se conservam atuais por 20 ou 30 anos. Muito do que se conhece hoje em teoria sobre formas de administrar organizações datam de pelo menos 50 anos.

Drucker busca estabelecer uma relação entre as organizações de hoje e as do passado, mostrando que muito da teoria que se era aplicada há décadas já está ultrapassada e precisa ser reformulada para assim se adequar aos novos rumos que as organizações vem seguindo.

Sete pontos são criticados no artigo de Drucker, o qual explica expondo o seu ponto de vista baseado em estudos e análises da estrutura funcional de organizações da atualidade e a forma com que elas mantêm as suas estruturas administrativas. São abordadas as referentes idéias que dizem respeito à aplicação da administração na organização de empresas; Existe apenas uma maneira certa de organizar uma empresa; Os princípios da administração se aplicam apenas às organizações empresariais; Existe uma única maneira correta de administrar pessoas; Tecnologias, mercados e finalidades são fixos e raramente se superpõem; O âmbito da administração se restringe aos ativos e funcionários de uma organização; O trabalho da administração é gerir a empresa, e não centrar sua atenção no que acontece fora dela e As fronteiras nacionais definem o ambiente da empresa e da sua administração.

A mais de um século o estudo da organização se baseia na idéia de que deve existir uma única forma de organização, a qual seria a correta. Esta idéia de que existe um modelo pronto de administração persiste até os dias de hoje.

A estrutura organizacional das empresas teve inicio com os estudos de Henri Fayol, que visava aumentar a eficiência da empresa pela forma e disposição dos órgãos componentes da organização, que são os departamentos. Chiavenato (1999, pg. 142) transmite o que Fayol considerava ser as seis funções essenciais da empresa. As funções da empresa são divididas em funções técnicas, funções comerciais, funções financeiras, funções de segurança, funções contábeis e funções administrativas. Segundo Chiavenato (1999, pg 143.), essa visão de Fayol a respeito das funções básicas da empresa já esta totalmente ultrapassada, hoje as funções recebem nome de área de administração geral.

A organização de Fayol era muito centralizada e impedia que fosse aplicada em diversos tipos de organizações, ficando muito restringida a sua própria empresa. A descentralização só veio ocorrer após a Primeira Guerra Mundial com Pierre S. du Pont e depois com Alfred Sloan. Não demorou muito para que acabasse se tornando o mantra da administração e passou a ser vista como o único caminho correto. Hoje em dia essa idéia já está ultrapassada e o trabalho em equipe vem sendo cada vez mais utilizado nas organizações e segue como nova tendência.

Para Drucker, é preciso existir na organização alguém para ter a autoridade necessária para assumir o comando em momentos de crise. A organização deve se submeter apenas a um senhor. Segundo drucker, um princípio muito antigo das relações humanas é que ninguém deve ser sujeito a um conflito de lealdades, e estar submetido a mais de um chefe ou supervisor o que acaba gerando exatamente esse tipo de conflito.

Chiavenato (1999, pg. 105) transmite a idéia de supervisão funcional que foi estabelecida por Taylor, que dizia que um funcionário deveria estar submetido a vários supervisores de acordo com as atividades desempenhadas mesmo. Esta é uma idéia ultrapassada, em Chiavenato (1999, pg. 151) Fayol já estabelecia o princípio de autoridade única, que era a unidade de comando: uma pessoa deve receber ordens de um e apenas um único supervisor. Motta (2002, pg. 45) transcreve a crítica que H. A. Simon, autor do livro Comportamento administrativo, referente à unidade de comando. O princípio de especialização é incompatível com o de unidade de comando. Se as decisões de uma pessoa, em qualquer ponto da hierarquia administrativa, encontram-se sempre sujeitas à influência de um único canal de autoridade e se, por outro lado, suas decisões requerem perícia em mais de um campo de conhecimento, então precisa lançar mão de serviços de assessoramento e informações que forneçam premissas oriundas de um campo não abrangido pelo sistema de especialização da organização.

Uma outra visão que hoje está ultrapassada é de que havia duas teorias que se diziam respeito à maneira de se administrar pessoas, eram estas, a Teoria X e a Teoria Y. A Teoria X falava que o homem é preguiçoso e não gosta de trabalhar e para isso precisa ser coagido e forçado a realizar suas atividades. A Teoria Y afirmava que o homem é criativo, e gosta de trabalhar, o que precisa apenas é incentivo. Drucker admite que há algum tempo concordava com a Teoria Y, desenvolvida por Douglas McGregor, a qual também já está ultrapassada e é considerada errada nos dias atuais. Drucker mudou a sua maneira de pensar após ter contato com as idéias que Abraham H. Maslow (1908 - 1970) publicou em seu livro Eupsychian Management de 1962. Suas idéias levam a crer que para liderar pessoas não é preciso forçá-las nem persuadi-las, mas sim trabalhar em cima dos seus pontos fortes e seu conhecimento sem tentar colocá-las em um modelo já previamente definido. Pessoas são complexas e é preciso adaptar-se a sua maneira de ser, agir, e pensar, para que assim seja traçado um caminho que as levem a contribuir com o máximo de eficiência.

Drucker comenta sobre o início da Revolução industrial, onde se presumia que a atividade, nas indústrias têxtil, tinha a sua própria e singular tecnologia, e a mesma coisa era aplicada à mineração de carvão e outras indústrias que surgiam. Havia muros que separavam as tecnologias das empresas. Não existia a procura por novas tecnologias e o acompanhamento das inovações tecnológicas existentes em outras organizações o que impedia o avanço e a melhoria na qualidade de produção e finalização dos produtos a serem jogados para o mercado. Foi com o final da Segunda Guerra Mundial que ficou claro que as utilizações finais das tecnologias não estão ligadas exclusivamente a um determinado produto ou serviço. Drucker comenta que é preciso que os administradores compreendam que a informação não é exclusiva de nenhuma indústria ou ramo especifico, que deve haver uma interação entre diversos setores industriais e assim compartilhar de tecnologias diferentes para propiciar uma melhoria na qualidade final dos produtos oferecidos.

O conceito tradicional de administração é baseado em comando e controle, os quais são utilizados somente dentro dos limites legais da instituição, mas não existe a autoridade fora dela. Há quase 100 anos ficou claro que para administrar um empreendimento não basta manter-se preso aos limites da sua organização, é preciso também exercer autoridade fora dos portões da empresa, fora do seu campo de atuação.

O keiretsu é um termo que vista justamente a expansão dos limites de autoridades das empresas através de parcerias com outras organizações que forneçam conhecimento, tecnologia e equipamentos em peças e componentes que são utilizados na fabricação dos seus produtos. O keiretsu é baseado no poder, na parceria entre organizações com a finalidade de encurtar a distância e taxas de produtos que uma organização depende da fabricação de outra. Segundo o autor, o que o keiretsu busca é nos ensinar que a administração do futuro terá de ser operacional e não apenas legal, em seu âmbito de ação.

Um pensamento antigo que ainda é visto na atualidade como referência do campo de atuação de uma empresa são as suas fronteiras nacionais, que definem o ambiente no qual as empresas operam. Segundo Drucker, essas fronteiras nacionais já perderam a sua relevância, já que muitas organizações possuem várias filiais em outros países, e cada qual, com uma determinada função preestabelecida. Citando o exemplo da área automobilística, que os motores podem ser produzidos em uma determinada filial em um país, as carrocerias desenvolvidas em outro, e a parte eletrônica em um terceiro país. Observando, não somente as empresas tornam-se multinacionais, mas também os seus produtos, (no caso os carros) acabam sendo também multinacionais.

Drucker observa que as organizações estão transferindo cada vez mais as suas principais atividades, como as de atendimento de pedidos de pagamento, e, sobretudo, os investimentos centrais que fazem o trabalho para todas as companhias do grupo, onde quer que elas estejam localizadas.

Cada vez mais as indústrias vem se organizando de maneira, não nacional e nem multinacional, mas sim transnacional, o que vem é claro, ocasionando problemas sérios. Não se pode ao certo informar a nacionalidade de uma organização transnacional, já que, as empresas fazem parcerias e implantam novos centros filiados em outros países e continentes diferentes. Drucker deixa uma dúvida no ar. Em caso de uma guerra, essas questões de território causariam grandes problemas se houvesse, por exemplo, um laboratório de pesquisa de um lado da guerra, e do outro uma fábrica que produz aquela determinada linha de produtos. Como a organização lidaria com este problema?

É comum que as novas empresas, e não somente as grandes, venham a se organizar por áreas de trabalho, até mais do que geograficamente. Isso com certeza dificulta a comunicação entre os determinados setores da organização, até porque, a tendência da nova administração é diminuir a distância entre a comunicação para que assim as ordens sejam recebidas com integridade e assim não prejudique o andamento da empresa e não se percam, por exemplo, oportunidades de investimentos em uma determinada tecnologia que viria a aumentar a produção da empresa em determinada área. A questão do trabalho, não se tem como saber ao certo onde começa e onde termina a jurisdição de cada setor, se são independentes ou estão interligados em toda a rede da organização onde apenas um centro toma as decisões e resolvem os problemas.

A realidade é que a administração já não está presa somente as suas fronteiras nacionais, as organizações vêm expandindo seus territórios de atuação e de organização dos setores com bastante freqüência e isso já se tornou um fato essa quebra de limites impostos as fronteiras da administração.

Segundo o autor, tudo isso que se foi trabalhado se baseia apenas em uma premissa; a de que a área de atuação da administração é dentro da própria empresa; que o principal trabalho da administração é gerir a organização.

As organizações não estão inovando ao longo do tempo, e um empreendimento que não inova, quer se trate de uma empresa ou de qualquer outra instituição, acaba não sobrevivendo por muito tempo. É preciso mudar para acompanhar as inovações do mundo, já que as forças que exercem maior influência sobre as organizações vêm de fora delas e não de dentro. O mundo social é bastante dinâmico e esta sempre em transformações. Deveria existir este pensamento baseado nas mudanças do ambiente desde o inicio da administração, já que é preciso abordar as empresas de acordo com sistemas abertos e não fechados. Inovar é preciso para sobreviver e acompanhar as mudanças que são freqüentes no mercado.

Os objetivos e os resultados de uma empresa são determinados inteiramente fora dela, mas o que vem ocorrendo é a preocupação mais de como produzir e não de saber o que o ambiente externo precisa que seja produzido. Segundo Drucker, a informática esta prejudicando bastante a administração, já que ela é tão eficiente em conseguir informações de como a empresa esta funcionando, gerando apenas dados do lado interno da organização, o que deixa completamente de fora o lado externo, que é o principal ponto que deveria ser abordado a fim de coletar dados sobre tendências do mercado e o que os clientes estão exigindo atualmente. Não se precisa de mais informações sobre o que ocorre no ambiente interno da empresa, e sim do que se ocorre lá fora. As organizações são vistas como sistemas abertos, mas isso não é explorado como deveria ser. É preciso haver o fornecimento sistemático de informações externas significativas para as organizações.

Torna-se função exclusiva da administração organizar os recursos da organização visando obter resultados fora dela. Segundo Drucker, o novo paradigma da administração é que deve existir a definição dos resultados que se deseja alcançar e só depois organizar os recursos da organização visando obter resultados fora dela. Drucker afirma que a instituição não existe simplesmente dentro da sociedade para reagir à sociedade. Ela existe para produzir resultados dentro da própria sociedade e assim modificá-la.

Torna-se óbvio que as organizações estão ainda presas aos antigos pressupostos da administração, os quais não são errados, apenas já não se encaixam nos tempos modernos e não realizam os efeitos que são esperados dentro da empresa e na sociedade. É preciso mudar para acompanhar as mudanças, ter uma visão das tendências do mercado e das exigências dos clientes, e assim direcionar a melhor estratégia para suprir as necessidades da sociedade. Mudar para acompanhar a mudança torna-se o caminho a ser seguido, para assim, entrarmos em uma nova era da administração.


BIBLIOGRAFIA

BERNARDES, Cyro Teoria geral da Administração: A analise integrada das organizações, São Paulo: Atlas, 1993.

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria geral da administração. v. 1. ed. 6. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

DRUCKER, Peter F. Os novos paradigmas da administração. Revista Exame, Edição 682. São Paulo, 24 de fevereiro de 1999.

MAXIMIANO, Antonio. Teoria geral da administração. São Paulo: Atlas, 1997.

MOTTA, Fernando C. Prestes. VASCONCELOS, F. Gouveia de. Teoria geral da administração. ed. 2. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

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