Teorias Administrativas

Autor:
Instituição: ASSELVI
Tema: Teorias Administrativas

TEORIAS ADMINISTRATIVAS

06/05/2002

 

RESUMO

A necessidade de se criar teorias administrativas causou grande evolução nas empresas e no conhecimento administrativo. As teorias aqui estudadas foram a Teoria Científica, Teoria Clássica, Escola das Relações Humanas, Burocracia, Teoria Comportamental, Teoria dos Sistemas e Teoria Contingencial.

Os principais enfoques foram a eficiência na indústria através de um estudo de tempos e métodos, o comando gerencial, aspectos emocionais, o modelo ideal de administração, comportamento humano, a tendência à integração das ciências e preocupação em evitar o processo entrópico.

A integração de conceitos de todas as teorias anteriores, que pregava que tudo é relativo, tudo depende, é a última das teorias estudadas (Contignencial), que acredito, dentre estas, ser a mais adequada.


INTRODUÇÃO

A partir da Revolução Industrial iniciou-se o processo de criação das Teorias Administrativas a fim de atender as exigências da época. A Economia deixou de ter base artesanal e no homem do campo para se estabilizar na produção industrial. Desde então houve a transformação e alavancagem de grandes empresas no mundo todo e a evolução do conhecimento administrativo.

A administração tem por objetivo conduzir racionalmente as atividades de uma organização e é imprescindível para sua existência e seu sucesso. Cada vez mais aprimorada, hoje utilizamos o que cada teoria administrativa tem de melhor.

Cada uma destas teorias desenvolveu-se baseada em diversos enfoques, partindo da ênfase nas tarefas, e passando pela estrutura, pessoas, ambiente, tecnologia. Algumas com características mais rígidas, outras menos, até chegar a um modelo mais adequado.


ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA

A Teoria da Administração Científica é o modelo de administração idealizado por Frederick Taylor que pregava a organização racional do trabalho e enfatizava tempos e métodos (ênfase nas tarefas). A necessidade de se aplicar métodos científicos à administração garantia a consecução de seus objetivos de produção máxima a custo mínimo. Sua preocupação foi de aumentar a eficiência na indústria. Taylor defendia os seguintes princípios:

  • O trabalhador deve desempenhar a tarefa mais compatível com suas aptidões a fim de aumentar a produtividade.
  • Produção padrão pré-estabelecida.
  • Homo economicus.
  • Interesses dos funcionários e da administração podem ser conciliados.
  • Gerentes Planejam, funcionários executam.
  • Divisão do trabalho. As tarefas foram fragmentadas e o funcionário se especializava em uma única tarefa, passando a exercer cada vez mais tarefas repetitivas e monótonas.
  • Supervisão especializada por áreas.
  • Ênfase na Eficiência aplicando-se um estudo de tempos e métodos para atingir ‘the only best way’ (a melhor maneira de realização das tarefas).
  • Taylor enfocava o homem como máquina, desrespeitando sua condição de ser humano. Comenta-se que os operários eram explorados em prol dos interesses patronais, mas sua preocupação era com a eficiência na produção. Em contrapartida Taylor defende-se: "... que passa a haver amplo espaço para um substancial aumento de salários para o trabalhador e aumento igualmente significativos dos lucros do industrial". (Taylor)

Seu principal seguidor foi Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, que lançou o primeiro carro popular americano. Ford ficou conhecido como o pai da produção em série.

Acredito que aspectos emocionais deveriam ser levados em conta pois influenciam na capacidade produtiva do trabalhador.


3. ADMINISTRAÇÃO CLÁSSICA

Foi criada por Henri Fayol na Europa. Sua teoria originou-se a partir da gerência, por isso é visto como obcecado pelo comando gerencial. As funções da teoria Clássica são: Planejar, Comandar, Organizar, Controlar e Coordenar (POC3), que Fayol considerava necessárias à realização do trabalho. Além disso, baseando-se em sua experiência com administração, criou alguns princípios básicos:

  • Divisão do trabalho.
  • Autoridade e responsabilidade.
  • Unidade de comando (a fim de se evitar contra-ordens).
  • Disciplina.
  • Prevalência dos interesses gerais.
  • Remuneração suficiente para satisfazer patrão e empregado.
  • Centralização.
  • Hierarquia.
  • Ordem.
  • Baixa rotatividade.
  • Espírito de Equipe.

Avalio que todo chefe deveria saber dar ordens a fim de não irritar certos funcionários. Ou ‘certos funcionários’ deveriam fazer terapia a fim de aceitar receber ordens. Muitos chefes abusam de sua autoridade. Acredito que um relacionamento harmônico é muito importante.


4. ESCOLA DAS RELAÇÕES HUMANAS

Conhecida também como Escola Humanística da Administração, foi criada a partir da crise de 29 quando houve a intervenção do governo na economia criando o salário mínimo, limite máximo de trabalho diário, a previdência social e os sindicatos trabalhistas.

A Teoria das Relações Humanas nasceu da necessidade de se corrigir a tendência a desumanização do trabalho. As novas exigências desta teoria, que foi inspirada na psicologia, fizeram com que os conceitos administrativos se humanizassem, por isso o fator humano passou a ter maior importância na administração, opondo-se à Teoria Clássica.

Elton Mayo, médico e filósofo, é considerado o fundador da escola. Ele interessou-se pela desmotivação dos funcionários, queda na produtividade e rotatividade de pessoal. Fez uma experiência em Hawthorne onde abordou questões motivacionais, adotando variáveis para efetuar a pesquisa. Chegou à conclusão de que os aspectos emocionais têm maior influência sobre os funcionários, de onde chegou às seguintes conclusões:

  • O nível de produção é resultante da integração social.
  • Participando das decisões o funcionário se sente valorizado e aumenta a produtividade.
  • Homem Social: o reconhecimento e atenção por parte da gerência, aprovação dos colegas e participação no processo decisório são mais importantes do que o lado econômico.
  • O trabalho deve ser estimulante para não desmotivar o operário.
  • Ênfase nos aspectos emocionais.


5. BUROCRACIA

Fundada por Max Weber, surgiu como uma proposta de estrutura administrativa para organizações complexas. Weber construiu um modelo ideal segmentado na racionalidade funcional, tornando os resultados completamente previsíveis, adequando-se a normas impessoais e racionais a fim de garantir a máxima eficiência para atingir os objetivos. As principais características são:

  • Divisão do trabalho (eficiência).
  • Linha hierárquica é bem definida, todos estão sob supervisão.
  • Rígido sistema de normas, tudo o que o funcionário deve fazer está escrito.
  • Separação entre administração e propriedade.
  • Competência técnica e mérito.
  • Rotinas e procedimentos padronizados a fim de tornar tudo previsível.
  • Resistência às mudanças.
  • Missão: obedecer às normas.

5.1. Disfunções Burocráticas

Esta teoria não deu certo para todas as organizações pois ocorreram certas disfunções burocráticas:

  • Eficiente sem ser eficaz.
  • Exagero apego aos regulamentos / superconformidade às rotinas e procedimentos.
  • Excesso de papelório e de formalismo.
  • Resistência a mudanças.
  • Despersonalização.
  • Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público.

A burocracia não é eficaz para todas as organizações. Ela impede soluções rápidas e eficientes. Não existem normas para tudo. Sempre existirá um problema novo que talvez precise ser resolvido com criatividade, ou situações diferentes que precisam de soluções diferentes. Nem sempre a situação financeira da empresa é suficiente para separar administração de propriedade. Mudar é doloroso mas é inevitável. Acredito que o foco deve ser o cliente.


6. TEORIA COMPORTAMENTAL

A Teoria Comportamental buscou a construção de uma teoria baseada no entendimento do comportamento humano. Ela defendia a valorização do trabalhador em qualquer empreendimento baseado na cooperação e propunha-se fornecer uma visão mais ampla aos indivíduos. Nesta teoria os trabalhos que mais se destacam são os de Barnard (cooperação na organização formal) e Simon (participação dos grupos no processo decisório da organização). Estas idéias e propostas foram complementadas pela Teoria X e Y de McGregor, pelo Sistema 4 de Rensis Likert, pelas teorias motivacionais de Herzberg e McClelland e pelos estudos de Chris Argyris.

A Teoria comportamental enfatizava os seguintes aspectos:

  • Os processos administrativos são processos decisórios, isto é, quem decide seleciona a melhor alternativa.
  • Liderança: a capacidade de fazer a melhor escolha é característica dos líderes, que devem entender a organização, os indivíduos e suas relações.
  • Autoridade e consentimento são comunicações aceitas por um membro da organização.
  • Homem administrativo (homem racional).
  • O conflito entre os objetivos dos indivíduos e da organização é inevitável.

Se a pessoa chegou a ser líder, deve fazer jus ao cargo e ser capaz de liderar e tomar decisões. O equilíbrio entre racionalidade funcional e substantiva é a melhor atitude. À medida do possível deve-se evitar conflitos e trabalhar em harmonia.

6.1. Barnard e Simon

A teoria da cooperação na organização de Barnard diz que o executivo é o fator mais estratégico da organização e cabe a ele desempenhar algumas funções essenciais tais como prover o sistema de comunicação; promover a garantia de esforços essenciais; formular e definir o propósito organizacional. Simon defendia a participação dos funcionários nas decisões da organização. Ambos desenvolveram a Teoria do Equilíbrio Organizacional que diz que a organização é um sistema de comportamentos sociais de várias pessoas que recebem incentivos e fazem contribuições para a empresa.

6.2. Teorias X e Y

As teorias X e Y foram criadas por Douglas Mc Gregor. Enquanto na Teoria X a autoridade determina a direção e o controle, na Teoria Y a base é a integração, que sugere autocontrole. A administração baseada nestas teorias é vista como uma estratégia de ação, uma forma de dirigir as pessoas integrando seus objetivos aos organizacionais. É raro uma empresa se enquadrar perfeitamente nestas teorias.

Ambas estão certas, depende de cada indivíduo.

Tabela das Teorias X e Y

Teoria X

Teoria Y

O ser humano ter aversão natural ao trabalho

O ser humano vê o esforço físico e mental no trabalho de forma natural

A maioria das pessoas precisa ser controlada, dirigida, coagida e punida, para que finalmente trabalhe.

A maioria das pessoas busca naturalmente se autocorrigir, para atingir os objetivos que se propuseram a alcançar.

O homem é um ser carente, que se esforça para satisfazer uma hierarquia de necessidades.

O compromisso com um objetivo depende das recompensas que se espera receber com sua consecução.

O ser humano não consegue assumir responsabilidades

O ser humano aceita e procura a responsabilidade

A participação dos funcionários é um instrumento de manipulação dos mesmos

A participação dos funcionários é uma forma de valorizar suas potencialidades intelectuais

O líder adota um estilo autocrático

O líder adota um estilo participativo


Tabela 1 - Fonte: Gestão Empresarial: de Taylor aos nossos dias.

Chris Argyris em seu estudo do comportamento organizacional afirma que o indivíduo é dotado de personalidade própria e conclui: as necessidades dos indivíduos saudáveis tendem a ser incompatíveis com as exigências da organização formal. Para manter-se psicologicamente saudável deve-se criar seu próprio grupo de regras informais a fim de expressar-se, ter valores e opiniões próprias, ser capaz de tomar certas decisões.


7. TEORIA DOS SISTEMAS

A Teoria dos Sistemas foi criada por Ludwig von Bertalanfly a fim de aprimorar a administração. Os principais pressupostos foram:

  • Tendência da integração das ciências.
  • Constitui maneira abrangente para campos não físicos (ciências sociais).
  • Pode levar a integração na educação científica.

Os aspectos das idéias centrais da Teoria dos sistemas são:

  • Homem funcional: relacionamento nos papéis que desempenham.
  • Conflito de papéis: papéis que não condizem com o comportamento de cada um afetam sua personalidade.
  • Incentivos mistos: desempenho do funcionário depende de incentivos monetários e não monetários.
  • Equilíbrio integrado: devido à integração, qualquer ação sobre uma unidade atingirá todas as outras unidades.
  • Homeostase: troca de energia constante com o ambiente a fim de se evitar o processo de entropia.

A organização se diferencia dos demais sistemas sociais pelo seu alto nível de planejamento.


8. TEORIA CONTINGENCIAL

A Teoria Contingencial integra conceitos de várias teorias administrativas. Originou-se com o objetivo básico de aplicar os conceitos das principais escolar em situações gerenciais concretas. Seus precursores foram Joan Woodward, Alfred Chandler, Tom Burns, G. M. Staler, que após várias pesquisas concluíram que cada situação exige um método diferente para obter bons resultados.

A Teoria Contingencial enfatiza que tudo é relativo, tudo depende.

Características:

  • O papel do ambiente: a natureza da relação entre organização e ambiente e suas conseqüências.
  • Supremacia do transitório: a empresa tem que reagir prontamente aos novos desafios e às novas possibilidades que apresentam.
  • O fim do modelo ideal: a melhor forma de gerir uma empresa depende de diversas variáveis.

Tecnologia: Influencia a forma de administrar e é condicionador aos objetivos da organização.

Na minha opinião, a melhor das teorias até agora, pois cada problema exige uma solução diferente. Atitude mais de homem parentético.


9. CONCLUSÃO

Todas as Teorias Administrativas foram importantes em cada momento da história. Para a administração atual podemos destacar e utilizar-se do que cada uma tem de melhor.

Não adianta todos participarem do processo decisório sem ter capacidade para isso. Faz-se necessária uma preparação com estudos administrativos para conseguir esta competência, objetivando sempre resultados positivos.

O planejamento é importante para efetuar as mudanças na cultura e nos procedimentos a fim de tomar decisões acertadas e seguir com a evolução, sem esquecer, claro, que é o cliente que nos mantém vivos e operando. Ele é a razão para a existência e continuidade da empresa, para que continue operando com lucros.

A tecnologia se fez presente em nossas vidas gerando um impacto na sociedade e ao mesmo tempo nos auxiliando com agilidade de informações, acelerando no processo de globalização. Hoje não viveríamos mais sem ela.


10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 4a. ed. São Paulo: Makron, 1993.

FERREIRA, Ademir A., PEREIRA, Maria Isabel e REIS, Ana Carla Fonseca. Gestão Empresarial: de Taylor aos nossos dias. São Paulo: Pioneira, 1998.

KNABBEN, Bernardo C. Diretrizes para elaboração do trabalho integrado. Indaial, 2002.

TAFNER, Malcon A., TAFNER, José e FISCHER, Julianne. Metodologia do Trabalho Acadêmico. Curitiba: Juruá, 1999.

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