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Um Ato de Coragem e os Princípios da Bioética

Autor:
Instituição: UCSAL
Tema: Resumo do Filme

UM ATO DE CORAGEM


Em Um Ato de Coragem, Denzel Washington fecha um hospital e toma um grupo de médicos e pacientes como reféns para exigir que seu filho seja colocado numa lista de receptores para um transplante de coração. Algo bastante improvável, mas que faz parte de uma realidade muito brasileira: a morosidade do atendimento de saúde e a burocracia dos planos de saúde. É isso que leva John Q. - nome do personagem de Denzel e título original do filme - ao desespero, ao pegar uma arma e tomar conta de uma emergência de hospital, mudando o cotidiano dos funcionários e dos pacientes da até então pacata instituição em Chicago. John é funcionário de uma empresa de artefatos mecânicos onde trabalha quase 20 horas por dia e sua mulher trabalha como recepcionista ganhando um salário baixo.

As posições ficam claras desde o começo: John Q. Archibald é um operário dedicado que não está ganhando o suficiente para dar conta das despesas de sua família, é bem casado com Denise (Kimberly Elise) e tem um filho que adora, Mike de 10 anos.

O casal começa com dois carros, mas já na primeira cena, um deles é confiscado pelo banco. Acuado e pressionado pela esposa, John - o nosso João da Silva, no Brasil - resolve então partir para a ignorância quando o pequeno Mike desmaia durante uma partida de beisebol. No hospital, o cardiologista estranhamente indiferente Dr. Turner (James Woods) e a maligna administradora do hospital, Rebecca Payne (Anne Heche) informam John e Denise que só um transplante de coração pode salvar a vida de seu filho e que a cirurgia custará 250 mil dólares. Como o seguro-saúde de John não cobre tais procedimentos caros, o hospital vai exigir um depósito antecipado de um terço desse valor.

Depois de buscar ajuda em vão junto à empresa para a qual trabalha e inúmeros órgãos do governo, John se desespera e decide que fará o que for possível para conseguir um novo coração para seu filho, nem que seja a última coisa que faça na vida.

O que ele faz é invadir a sala de emergência do hospital Hope Memorial e tomar como reféns todos que estão ali, até que as autoridades atendam sua exigência: que o nome de Mike seja colocado no primeiro lugar da lista dos candidatos a transplante. Lançando a palavra de ordem "de agora em diante, saúde de graça para todos", ele ganha o apoio do público que se reúne do lado de fora, ao lado da imprensa e dos policiais, que são encabeçados pelo veterano negociador Grimes (Robert Duvall), que inicia negociações com ele, e o chefe de polícia Monroe (Ray Liotta), que preferiria simplesmente matá-lo e acabar com o problema.

E ainda há o Dr. Turner, que, quando todas as outras possibilidades parecem ter acabado, concorda com a solução final proposta por John: ele vai se matar e Turner vai imediatamente transferir seu coração para o corpo de seu filho. Nesse momento, se isso ainda não aconteceu, o filme vai inevitavelmente dividir a platéia em dois grupos: um que vai achar esse exemplo de sacrifício paterno extremo a coisa mais comovente que já viu, e outro que sentirá vontade de vomitar, tão grande é a chantagem emocional proposta.

O tema, que envolvem igualmente necessidade e extremismo, fala do lado humano da criminalidade e praticamente deflagram um libelo à transgressão. Invertendo os papéis de mocinho e bandido. O espectador passa a torcer pelo - "digamos imoral" - lado da sociedade. Ou incorreto, ou irregular. Que seja: "os meios justificam os fins". Todo mundo acaba se comovendo com o pai atormentando com o caso do garoto doente. Mesmo sendo um crime e um ato violento (de coragem também, mas é violência acima de tudo), o público concorda com o seqüestro no hospital. Parece incrível para uma sociedade que diariamente condena os atos de violência e criminalidade que povoam as manchetes dos jornais brasileiros, mas é o que acontece.

O filme não oculta seu objetivo ideológico, tanto assim que a montagem dos créditos finais, incluindo pessoas como Hillary Clinton, repete a importância do seguro-saúde universal nos EUA. Não surpreende que este roteiro do dramaturgo e roteirista de TV James Kearns tenha sido escrito em 1993, no início da administração Clinton, quando o tema do seguro-saúde era um dos mais discutidos do momento.

O princípio do duplo efeito é retratado quando John decide invadir a sala de emergência do Hospital para tentar colocar o nome do seu filho na lista de espera de transplante. O fato de ele invadir a sala e tomar as pessoas como reféns é nociva, porém quando ele vai se matar e coloca bala do revolver, todos ficam sabendo que o mesmo estava sem munição, para ele só importava a vida do filho, a vida dele não era importante e as conseqüências do ato proibido também não era importante.

O princípio da Totalidade não foi visto no filme, visto que John, queria se matar para doar o seu coração para seu filho, e o princípio consiste em sacrificar uma parte se for necessário para preservar a saúde de todo o corpo.

O princípio dos meios ordinários de tratamento foi usado no tratamento do filho de John. Para que diminuísse a dor o médico deu alguns remédios para a criança. O meio extraordinário foi a operação de transplante de coração que o menino precisava para sobreviver. A mesma só poderia ser feita pagam uma quantia exorbitante em dinheiro.

O princípio da Justiça comutativa aparece no filme quando ele diz para o negociador da polícia que se colocassem o nome do filho e fizessem o transplante ele se entregaria e não machucaria ninguém, e ele se entregou assim que terminou a cirurgia do filho. A Redistributiva aparece quando a diretora do hospital diz que a conta dele está negativa e ele vende tudo que tem e pede ajuda aos amigos e paga uma quantia para o hospital e diz que irá dar um jeito de pagar tudo o que deve. Distributiva não é vista quando se trata do plano de saúde, que dá assistência médica para aqueles que têm dinheiro e podem pagar e para os que não tem ou tem pouco não dão assistência médica. Todas as pessoas que tivessem necessidade de um transplante de órgãos deveriam entrar na lista de transplante, distribuindo os órgãos de acordo com a urgência e necessidade de casa paciente. A contribuição social não é feita de modo igual, para todos, somente quando um amigo precisa é que as pessoas se manifestam e fazem doações para ajudar a salvar a vida do menino.

O princípio da sacralidade da vida humana é visto quando os pais fazem de tudo para conseguir um transplante de coração para o filho que é o único modo dele sobreviver. A preservação das linhas familiares é vista quando o pai diz que não vai enterrar o filho e sim ele que o enterrará. A proteção da mãe e do pai com o filho é extremamente enfatizada em todo o filme. O pai decidiu que iria invadir o hospital e a sua esposa apoio e disse que estaria do lado do marido sempre. Ele foi muito determinado e durante tempo que esteve no hospital manteve o auto-controle.

O serviço público para pobres e negros é precário, os seguros são parciais e escondem a verdade para os pacientes. Quando descobrem alguma doença grave dizem que irão tratar do paciente, mas o plano não cobre por isso terá que ser pago. A maioria das pessoas que estavam na emergência do hospital que ele invadia era pobre ou negro e estavam a espera de atendimento de emergência sendo que esse hospital, pelo fato de ser do governo tinha grande parte dos funcionários de folga pois era dia de sábado.

A atitude de Arquibaldo foi arriscada e impulsiva, porém como pai ele não suportava a idéia de perder o filho, tentou conversar com o chefe da empresa do ele trabalhava sobre o seguro, tentou falar com a diretora do hospital, tentou pedir empréstimo no banco, vendeu tudo que tinha, pediu ajuda aos amigos e mesmo assim não conseguiu colocar o filho na lista de transplante de órgãos tomando assim uma atitude desesperada, uma última chance, para conseguir que se filho entrasse na fila de transplante. A atitude de John foi bem pensada, e ele assumiu o risco e colocou sua vida em risco pela a sobrevivência do seu filho, como pai ele agiu certo, fez tudo o que pode fazer até conseguir que o filho sobrevivesse, mesmo sendo um ato errado, ele não prejudicou ninguém no hospital e ainda deu uma grande lição de vida, amor, doação, respeito e coragem.

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