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Estrutura de Mercado

Autor:
Instituição: UNIP
Tema: Mercado

ESTRUTURA DE MERCADO

São Paulo

2001

 

Bens e Serviços

O processo e os fluxos de produção: a mobilização dos recursos e a destinação dos bens e serviços produzidos:

As saídas desses fluxos contínuos são classificáveis segundo a natureza dos produtos gerados e suas destinações. Segundo sua natureza, os produtos gerados classificam-se em bens e serviços. Segundo sua destinação, em bens e serviços de consumo, intermediários e de produção.


Natureza dos produtos

Bens

É a denominação utilizada para produtos tangíveis, resultantes de atividades primárias (agropecuária) e secundárias (indústria) de produção.

Bens Livres

Dada a abundância relativa dos recursos, quaisquer necessidades assim plenamente satisfeitas. Na condição limite, todos os bens seriam livres: a disponibilidade ilimitada de recursos seria tal ordem que a obtenção de quaisquer bens não seria onerosa.

Bens Econômicos

São aqueles que cuja existência exige o emprego de recursos. O ar é um bem livre, mas depois de um certo tempo nos precisamos despoluí-lo para voltar a ser puro, nos utilizamos recursos para essa limpeza, nesse caso o ar passa a não ser mais um bem livre e passa a ser um bem econômico depois desse processo de limpeza.

Bens Duráveis

São os recursos (bens) que tem uma vida útil longa como um carro, uma casa, um helicóptero, etc.

Bens Não Duráveis

São aqueles recursos (bens) que se esgotam ou se destroem depois de um tempo ínfimo de uso, no caso, seria um lápis, um chiclete, uma camisa.

Bens Públicos

Ele se define por sua invisibilidade e pela dificuldade em se ressarcirem seus custos de oferta pelos mecanismos do mercado. A segurança nacional e a dos cidadãos é o exemplo clássico, outro é o saneamento básico, a limpeza urbana.

Bens Semipúblicos

São aqueles que combinam os bens chamados "públicos" com os de "mercado". A educação escolar e o atendimento médico-hospitalar são exemplos felizes.

Bens Privados

São aqueles recursos (bens) particulares as pessoas jurídicas (empresas com intenção de lucro).

Serviços

É como são conhecidos os produtos intangíveis, resultantes de atividades terciárias (serviços) de produção.


Destinação dos Produtos

Os bens e serviços de consumo, duráveis ou de uso imediato, destina-se à satisfação das necessidades do contingente demográfico. Eles satisfazem a necessidade não apenas biofisiológicas, mas também a diversificados e crescentes complexos de requisições, que mobilizam praticamente todo o aparelho produtor da economia.

Os bens e serviços de produção são constituídos por uma categoria diferenciada de produtos finais. Embora não destinados ao consumo, consideram-se como terminais em relação aos fluxos de produção de que se originam. Destinam-se a esse fim os equipamentos infra-estruturais, econômicos e sociais.

Os bens e serviços intermediários são constituídos por insumos destinados a reprocessamento. São as sementes, as fibras naturais ou sintéticas, os minérios e uma multiplicidade de outros bens da mesma natureza são identificados como intermediários. No campo dos serviços, há também os que apenas se destinam a servir de suporte para as atividades de produção do sistema.Trata-se, enfim, do diversificado conjunto de produtos de que se constitui o estoque de capital da economia. Por isso mesmo, os bens e serviços destinados a suprir as necessidades de acumulação do parelho de produção são também denominados bens de capital.

Totalizados, todos esses fluxos de produção de bens e serviços estão diretamente associados ao processo de crescimento econômico.  


Estrutura de Mercado

A Classificação de Stackelberg

As classificações mais simples de estruturas de mercado fundamentam-se apenas no número de agentes envolvidos em cada um dos dois lados, o da procura e o da oferta. A classificação proposta em 1934 por H. Stackelberg é deste tipo. Ela está sintetizada no quadro abaixo:

Oferta/Procura

Um só vendedor

Pequeno número
de vendedores

Grande número
de vendedores

Um só
comprador

Monopólio bilateral

Quase-monopsônio

Monopsônio

Pequeno número
de compradores

Quase-monopólio

Oligopólio bilateral

Oligopsônio

Grande número
de compradores

Monopólio

Oligopólio

Concorrência perfeita

A simplicidade da matriz de Stackelberg resulta de se reduzir o princípio da diferenciação a apenas e um elemento: o número dos que intervêm no mercado, tanto no lado da oferta (vendedores), quanto no da procura (compradores).

Esta classificação clássica, mesmo não tendo considerado outros elementos relevantes de diferenciação, foi um instrumento de referência para diversos teóricos posteriores.

Segundo sua proposição, as estruturas de mercado que se observam na realidade não se limitam às hipóteses da concorrência perfeita (em que se fundamentou a tradição teórica dos séculos XVIII e XIX da ortodoxa clássica e marginalista) e do monopólio (em que se fundamentaram as críticas mais agudas aos pressupostos clássicos e neoclássicos). Ele demonstrou que entre suas extremidades, há várias possibilidades intermediárias, que se podem definir pelo número dos que se encontram em cada um dos dois lados, em diferentes situações de mercado.  


A Classificação de Marchal

Esta classificação, embora seja um pouco mais complexa, segue o conceito exposto por Stackelberg. O número dos que intervêm no mercado é também o principal elemento diferenciador considerado.

Adotando uma terminologia própria, Marchal propõe que a oferta e a procura podem apresentar-se sob três formas:

Classificação de Marchal: as estruturas de mercado diferenciadas também por fatores associados ao comportamento dos agentes e à natureza dos produtos:

Oferta/Procura

ESTRUTURA
MONOPOLÍTICA

Um só
vendedor

ESTRUTURA
MOLECULAR

Poucos
vendedores

ESTRUTURA ATOMIZADA

Muitos
vendedores
com
viscosidade

Muitos
vendedores
com
fluidez

ESTRUTURA
MONOPOLÍTICA

Um só comprador

Monopólio
bilateral

Monopsônio
contrariado

Monopsônio
viscoso

Monopsônio
fluido

ESTRUTURA
MOLECULAR

Poucos
compradores

Monopólio
contrariado

Oligopólio
bilateral

Oligopsônio
viscoso

Oligopsônio
fluido

ESTRUTURA
ATOMIZADA

Muitos
compradores
com
viscosidade

Monopólio
viscoso

Oligopólio
viscoso

Concorrência
duplamente
imperfeita

Concorrência
imperfeita de
compradores

Muitos
compradores
com
fluidez

Monopólio
fluido

Oligopólio
fluido

Concorrência
imperfeita de
vendedores

Concorrência
perfeita


Segundo Marchal, para que ocorra a concorrência perfeita, é preciso que a oferta e a procura sejam atomizadas, senão, estabelecem-se formas de concorrência imperfeita.

Em sua teoria Marchal não se limita a estas três qualificações, mesmo nas estruturas em que se apresentar sob condições de viscosidade ou de fluidez. A estrutura será fluida quando não ocorrerem quaisquer obstáculos à livre atuação das forças de oferta e de procura e, viscosa, quando ocorrerem algum tipo de impedimento a sinalização perfeita dos preços, no mercado de produtos, e de remunerações, no mercado de fatores.

Marchal completa sua teoria quando a atomização complementa-se com a fluidez para definir a concorrência perfeita. Na classificação de Marchal, as condições de fluidez exigidas são, pelo menos, quatro:


Quatro Estruturas de Referência

Os elementos das teorias de Stackelberg e de Marchal são básicos para a diferenciação conceitual das estruturas de mercado. Em síntese, podem ser caracterizadas quatro estruturas de referência:

Concorrência Perfeita

Atomização - embora o número de agentes compradores e vendedores seja grande, nenhum deles possui condições para influenciar o mercado.

A expressão de cada um é insignificante. Suas decisões não interferem no mercado, totalmente personalizado. As condições de equilíbrio prevalecentes não se modificam sob a ação de qualquer agente. Todos se submetem às condições estabelecidas.

Homogeneidade - o serviço ou bem, no mercado de produtos, ou o fator de produção, no mercado de fatores, é perfeitamente homogêneo. Nenhuma empresa pode diferenciar o produto que oferece. Para cada categoria de fator, a oferta é também caracterizada por perfeita homogeneidade. Existem diferenças em cada caso.. O produto de qualquer produtor é um substituto perfeito do que é ofertado por quaisquer outros produtores. Os fatores disponíveis são também perfeitos substitutos uns dos outros.

Mobilidade - cada agente comprador e vendedor atua independentemente de todos os demais. A mobilidade é livre e não há nenhum acordo entre os que participam do mercado. Também não há restrições governamentais de qualquer espécie. No mercado de produtos, empresas expandem ou reduzem livremente suas plantas, sem que quaisquer reações sejam observadas; ingressam e saem de quaisquer segmentos do mercado. No mercado de recursos, como no de trabalho, os trabalhadores deslocam-se livremente e com facilidade de uma região para outra. Decisões alocativas podem ser tomadas

Permeabilidade - Não há barreiras para entrada ou saída dos agentes que atuam ou querem atuar no mercado. Barreiras técnicas, financeiras, legais, emocionais ou de qualquer outro tipo não existem sob a situação de perfeita concorrência.

Preço-limite - nenhum vendedor de produto ou recurso pode praticar preços acima do que foi estabelecido no mercado, o que é resultado da livre atuação das forças de oferta e de procura. Em contrapartida, nenhum comprador pode impor um preço abaixo do preço de equilíbrio, pois o preço-limite é fornecido pelo mercado, resultando de forças que nenhum agente é capaz de comandar. Ninguém o estabeleceu. É definido de acordo com o mercado.

Extrapreço - não há nenhuma eficácia em foram de concorrência fundamentada em mecanismos extrapreço. As ofertas de qualquer vantagem adicionais, associáveis ao produto ou fator, não fazem sentidas. Essa característica é subproduto da homogeneidade. Manobras extrapreço descaracterizam o atributo da padronização.

Transparência - o mercado é absolutamente transparente. Não há nenhum agente que detenha informações privilegiadas ou diferentes daquelas que todos detêm. As informações que possam influenciar o mercado são perfeitamente acessíveis a todos, que pactuam das decisões delas decorrentes em igualdade de condições.

É possível enquadrar alguma atividade como concorrencial perfeita. Os exemplos mais aproximados são dados pelos mercados da maior parte dos produtos agrícolas, em que, normalmente, existe atomização, homogeneidade dos produtos, livre mobilidade dos agentes, dos produtos e dos recursos, produtivos, embora tal mobilidade exija sempre algum período de tempo.

Monopólio

Esta estrutura se situa no extremo oposto do da concorrência perfeita. As condições que se caracterizam são:

Unicidade - há apenas um vendedor dominando inteiramente a oferta. Sob o monopólio, os conceitos de empresa e de ramo de negócio sobrepõem-se. Ramo industrial e firma são expressões que, neste caso, se equivalem. A indústria monopolística é constituída por uma única firma ou empresa. Isso significa que, do extremo da atomização, se vai para o da unicidade, e o monopolista detém total poder para influenciar o mercado, que como um todo está em suas mãos.

Insubstitutibilidade - o produto da empresa monopolista não tem substitutos próximos. A necessidade a que atende não tem como ser igualmente satisfeita por qualquer similar. Nesse caso, não há alternativas possíveis para os compradores, os quais comprarão do único produtor existente ou então não terão acesso à satisfação da necessidade atendida pela empresa monopolista.

Barreira - a entrada de um novo concorrente no mercado monopolista é, no limite, impossível. As barreiras de entrada são de forma rigorosa impeditivas. Podem decorrer de disposições legais, de direitos de exploração outorgados pelo poder público a uma única empresa, do domínio de tecnologias de produção e, em outros casos, de condições operacionais exigidas pela própria atividade. Independentemente da razão da barreira, sua manutenção é condição "sine qua non" para a permanência da dominação monopolista vigente, pois o surgimento de um concorrente direto ou indireto implica o desaparecimento da situação monopolística.

Poder - a expressão "poder de monopólio" é empregada para caracterizar a situação privilegiada em que se encontra o monopolista, quanto a duas importantes variáveis do mercado: preço e quantidades. O poder é exercido sobre ambas, com objetivos diversos, como manter a situação de monopólio, praticando preços ou escalas de produção que desestimulem o ingresso de concorrentes; maximizar os lucro; ou até controlar reações públicas à situação monopolista.

Extrapreço - em virtude de seu pleno domínio sobre o mercado, os monopólios dificilmente recorrem a formas convencionais de mecanismos extrapreço, para estimular ou desestimular comportamentos de compradores. Conceituamente, pode-se dizer que com a capacidade de dominação os mecanismos desse tipo não seriam necessários, visto que quando destinados à obtenção de mais vantagens econômicas os instrumentos mais diretos de contingenciamento da oferta ou aumento real dos preços praticados são mais eficazes, obviamente dentro de determinados limites. Quando os monopólios recorrem a expedientes extrapreço, os objetivos são mais de natureza institucional; ligados, por exemplo, à melhoria de imagem pública, do que econômicos, vinculados à maximização de resultados operacionais.

Opacidade - os monopólios são opacos. Os mais diferentes aspectos que envolvem suas operações e transações são mantidos dentro de "caixas pretas". O acesso a informações sobre fontes supridoras, processos de produção, níveis de oferta e resultados alcançados dificilmente são abertos e transparentes.

A empresa monopolista caracteriza-se por ser impensável. A opacidade é também usada como barreira de entrada, fechando o círculo das características peculiares de autoproteção.

Oligopólios

As estruturas oligopolistas não se caracterizam por fatores determinantes puros e extremados. Os tipos possíveis e, de fato, observados na realidade são de alta variabilidade, os conceitos são mais flexíveis, comparativamente aos casos extremados de concorrência perfeita e de monopólio.

Número de concorrentes - geralmente, o número de concorrentes é pequeno. Palavras como "limitados, poucos, alguns vários" são empregadas para indicar esse número nas estruturas oligopolistas. Mas é difícil estabelecer limites. Podem existir oligopólios, mesmo quando o número de concorrentes é bastante grande, o que acontece, por exemplo, em setores como os de alimentos, produtos de matérias plásticas e têxteis: nesse caso, o oligopólio resulta das altas taxas de participação no mercado de que desfrutam os competidores de maior porte. Os casos típicos são de estruturas em que o número de concorrentes é realmente pequeno, como indústrias automobilística, química de base, siderúrgica e de celulose e papel são exemplos de oligopólios constituídos por um número efetivamente reduzido de produtores. Mas são também oligopólios os serviços bancários e o setor industrial de eletrodomésticos, não obstante o número de concorrentes seja bem maior. Em todos esses casos a característica comum é a existência de um pequeno grupo de empresas líderes e co-líderes, que dividem entre si uma grande fatia do mercado como um todo.

Diferenciação - outra característica de alta variabilidade é a que se refere a fatores como homogeneidade, substitutibilidade e padronização dos produtos. Isso porque tanto podem ocorrer oligopólios de produtos diferenciados, como de produtos não diferenciáveis.

A atividade de um setor sob oligopólio tanto pode ser a mineração de matérias metálicos e não metálicos, em que os produtos são padronizados, apesar dos diferentes teores de pureza com que possam ser apresentados, quanto as indústrias de cosméticos, automobilística ou de produtos de limpeza, em que os produtos são levados ao mercado sob diferentes elementos de diferenciação. As características concorrenciais tornam-se diferentes, sob cada uma dessas duas hipóteses, mas não se pode destacar uma delas como caracterizadora perfeita de um oligopólio e outra como imperfeita. A existência ou não de oligopólios independe do grau em que os produtos se diferenciam. Além disso, a concorrência entre oligopolistas pode chegar a tal ponto de rivalização que todos se esforçam para diferenciar até produtos em princípio não diferenciáveis: no mercado de produtos siderúrgicos trefilados para construção civil, um concorrente pode valorizar sua marca e imagem, embora as características intrínsecas das barras de ferro sejam rigorosamente iguais e definidas por padrões técnicos rigorosos. O mesmo pode acontecer com o cimento e concreto usinado.

Rivalização - os concorrentes que atuam sob condições de oligopólio são fortes rivais entre si. Há casos até de rivalizações que transparecem em campanhas publicitárias e em práticas comerciais desviadas de padrões de ética e lealdade. Mas, no outro extremo, encontram-se também situações de oligopólio em que os concorrentes se unem em acordos setoriais, todos respeitando de forma rigorosa as regras negociadas e definidas, significando que os oligopólios tanto podem caracterizar-se pela alta rivalidade entre empresas líderes, como pelo conluio.

Barreiras - barreira de entrada é uma outra característica que se apresenta sob diversas formas. O ingresso de novos concorrentes nas estruturas oligopolistas é difícil. Há altos obstáculos que são em grande parte derivados da dominação exercida pelas empresas líderes de grande porte, que detêm parcelas substantivas do mercado. As barreiras são geralmente ligadas a escalas de produção e às altas exigências de capital para o estabelecimento de novos concorrentes. Domínio de tecnologia de processos pode atuar como barreira, além de marcas e imagem. Mas isso não significa que novas empresas não possam surgir.

Há casos em que as estruturas definidas são surpreendidas por concorrentes novos que entram no mercado com unidades de pequeno porte para atender a nichos regionais. Mas rompem passo a passo barreiras estabelecidas e passam a participar do pequeno grupamento de líderes. A competência empresarial, nas estruturas oligopolísticas, pode romper barreiras, na maior parte dos setores pode superar os mais altos obstáculos interpostos por concorrentes tradicionais

Preço, Extrapreço e Poder - em virtude do pequeno número de concorrentes dominantes, o controle sobre o preço geralmente é grande nos oligopólios. Há espaços para a prática de acordos e conluios ou de outras formas de conspiração contra o interesse público. Por outro lado, a rivalização pode estabelecer-se de tal maneira que o poder de cada concorrente é minado por uma "guerra de preços" ou de formas extrapreço de concorrência, a ponto de todos se prejudicarem mutuamente, pelo menos durante algum tempo. Nos oligopólios, não há guerras impossíveis de ocorrer. Nem guerras que nunca terminem. Como conseqüência, ainda que por períodos de tempo definidos, a busca pelo poder pode levar à guerra. Rivalização e capacidade de negociação para atuações acordadas colocam-se o tempo todo como alternativa e , pelos estragos que a rivalização extremada pode provocar, quase sempre prevalecem os acordos ou o respeito a regras convencionais.

Visibilidade - os oligopólios são de forma geral caracterizados pela alta visibilidade de suas estratégias empresariais. Em alguns casos, admite-se até a informação aberta como diretriz para inibir concorrentes ou promover a imagem pública. Nos casos em que a diferenciação do produto é uma arma estratégica para reforçar vantagens competitivas, a visibilidade amplia-se, abrangendo características do processo produtivo e do produto. Além disso, a ampla divulgação de práticas comerciais pode ser também um instrumento de reforço competitivo, tudo convergindo para visibilidade alta.

Concorrência Monopolística

Ela identifica uma vasta variedade de casos, situados entre os dois extremos conceituais, fugindo, porém, de algumas das características de alguns tipos de oligopólios, entre as quais o pequeno número de concorrentes e não-diferenciação dos produtos, o número de concorrentes é grande, mas cada um possui sua própria patente.

Competitibilidade - o número de concorrentes com capacidade de competição relativamente próxima é grande. Esse número situa-se em uma posição intermediária entre a atomização da concorrência perfeita e a estrutura molecular do oligopólio. As fatias de mercado dominadas por cada um são geralmente pequenas e ameaçadas pelos concorrentes mais próximos.

Diferenciação - esta é a mais significativa peculiaridade da concorrência monopolística. O produto de cada concorrente apresenta peculiaridades capazes de distingui-lo do dos demais e de criar um mercado próprio para ele. A diferenciação não envolve necessariamente atributos intrínsecos, mas serviços que se associam ao produto, formas de atendimento, localização do concorrente, condições, marcas e imagem. Quanto mais um concorrente conseguir diferenciar seu produto, mais monopolizará o segmento de mercado em que atua e mais competitivo se tornará. Nessa estrutura de mercado, a concorrência se estabelece pelos diferenciais percebidos. Quanto mais fortes e marcantes, maior a capacidade competitiva do concorrente.

Substitutibilidade - trata-se de um atributo que fica exatamente entre a insubstitutibilidade do monopólio puro e a plena homogeneidade da concorrência perfeita. Embora cada concorrente tenha um produto diferenciado, definindo-se até, em alguns casos, situações de quase monopólio, os produtos de todos os concorrentes substituem-se entre si. É claro, a substituição não é perfeita, caso em que ocorreria perfeita homogeneidade, mas é possível, conhecida e de fácil acesso. Um exemplo dessa situação encontra-se no mercado de sêmen.

A inseminação artificial de uma matriz pode ser feita por uma grande variedade de semens concorrentes, todos de reprodutores de alto valor genético e de alta linhagem. Cada um possui características próprias e diferenciadoras e é, de certa forma, monopolizado pelo concorrente.

Preço-prêmio - a capacidade de cada concorrente controlar o preço depende do grau de diferenciação percebido pelo comprador. Depende também de outros fatores, como localização dos demais concorrentes, esforço mercadológico, capacidade de produção e disponibilidade do produto. A diferenciação, quando percebida e aceita, pode dar origem a um preço-prêmio, gerando resultados favoráveis e estimuladores. Mas sua manutenção é função direta da capacidade do concorrente em manter a diferenciação, definindo-a o tempo todo como tendo atributos superiores aos dos demais concorrentes. Assim, ainda que a capacidade de obter preço-prêmio possa ser mantida sem grandes ameaças por longo período de tempo, ela não configura uma situação de pleno domínio: a alta substitutibilidade dos produtos concorrentes atua como fator limitante.

Baixas barreiras - as barreiras de entrada em mercados monopolisticamente competitivos tendem a ser baixas. Há relativa facilidade para ingresso de novas empresas no mercado. Essa facilidade é bem maior do que nas estruturas dominadas por oligopólios, mas algumas barreiras, como as ligadas à capacidade efetiva de diferenciação, tornam o ingresso menos fácil do que no caso da concorrência pura.

No quadro abaixo, sintetizamos as quatro estruturas de referência, a Concorrência perfeita, o Monopólio, os Oligopólios e a Concorrência monopolística:

Características
consideradas

Estrutura de Mercado

Concorrência
perfeita

Monopólio

Oligopólio

Concorrência
monopolística

Número de
concorrentes

Muito grande. Mercado perfeitamente atomizado.

Apenas um. Prevalece a unicidade.

Geralmente pequeno.

Grande. Prevalece a competitibilidade.

Produto
ou fator

Padronizado. Não há quaisquer diferenças entre os ofertados.

Não têm substitutos satisfatórios ou próximos.

Pode ser padronizado ou diferenciado.

Diferenciado. A diferenciação é fator-chave.

Controle
sobre
preços ou
remunerações

Não há qualquer possibilidade.

Muito alto, sobretudo quando não há intervenções corretivas.

Dificultado pela inter-
-dependência das concorrentes rivais. Amplia-
-se quando ocorrem conluios.

Decorrente da diferenciação. Resulta de fatores como marca, imagem, localização e serviços complementares.

Concorrência
extrapreço

Não é possível nem seria eficaz.

Admissível para objetivos institucionais.

Vital sobretudo nos casos de produtos diferenciados.

Decorrente da diferenciação. Resulta de fatores como marca, imagem, localização e serviços complementares.

Condições de
ingresso

Não há quaisquer tipos de obstáculos.

Impossível. A entrada de concorrentes implica o desaparecimento do monopólio.

Há consideráveis obstáculos, geralmente derivados de escalas e de tecnologias de produção.

São relativamente fáceis.

Informações

Total transparência.

Opacidade.

Há visibilidade, embora limitada pela rivalidade.

Geralmente amplas.

Equilíbrio

Excetuando-se o caso-limite da concorrência perfeita, definido como de referência teórica, em todas as demais estruturas de mercado prevalecem elementos de viscosidade, ora atuando sobre as condições da oferta, ora sobre as da procura. Esses elementos traduzem situações efetivamente encontradas no mundo e identificam diferentes graus de imperfeições concorrenciais. Em casos mais agudos, como nas estruturas monopolísticas, as imperfeições podem conflitar de tal forma com o interesse público que justificam intervenções corretivas do governo.

Em quase todos os mercados, prevalecem situações conflituosas de interesse. As próprias forças da oferta e da procura definem-se por pressupostos conflituosos. Quem exerce a oferta deseja o mais alto preço ou a mais alta remuneração possível; no lado oposto, quem procura quer pagar preços baixos, no mercado do produto, e remunerações também baixas, no de fatores. Consumidores desejam maximizar sua satisfação, aos mias baixos preços possíveis, otimizando seu poder aquisitivo, mas de outro lado, os produtores desejam rentabilizar sua atividade, pagando o mínimo pelos recursos empregados e obtendo o máximo pelos produtos gerados. As pretensões dois agentes s/o não se realizam por completo porque:

Ainda que os poderes de negociação sejam desequilibrados, para que se configure um mercado, os interesses dos que exercem a oferta e dos que, no lado oposto, exercem a procura devem convergir para algum ponto. Mercados em funcionamento exigem assim três elementos: de um lado, a oferta, de outro, a procura; no cruzamento das duas, a convergência de interesses.

Somente no caso extremo e de referência teórica da concorrência perfeita, o poder de cada agente encontra-se de tal forma reduzido pela atomização e por outros atributos de perfeição concorrencial que não há margens para negociações. Os preços são impessoalmente estabelecidos pelo mercado. Todos se rendem às condiçòes prevalecentes. Ainda assim, pelo menos em princípio, o grau de satisfação possível é maximizado. Mas, em todos os demais casos que traduzem a realidade observada nos mercados, prevalecem imperfeições e conflitos. E os conflitos de interesse só não se opõem radicalmente, deixando de convergir para a negociação~, porque, sob essa hipótese, também extremada, não se estabeleceria a terceira condição básica para a existência do mercado: a convergência de interesses.  


Lei da Procura
e da Procura

Ofertas e Procuras são elementos essenciais do conceito econômico do mercado, para defini-la nos vamos considerar duas variáveis, Preço e Quantidades Procuradas.

"A procura de determinado produto é determinada pelas várias quantidades que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir, em função de vários níveis possíveis de preços, em dado período de tempo." e

"A oferta de determinado produto é determinada pelas várias quantidades que os produtores estão dispostos e aptos a oferecer no mercado, em função de vários níveis possíveis de preços, em dado período de tempo."

Partindo desse pressuposto, preço (variável 1) e quantidade (variável 2) se correlacionam inversamente, isto é, quanto mais baixos os preços, maiores quantidade serão procuradas.

Independentemente das estruturas concorrenciais, a procura, primeiro elemento de configuração do mercado, define-se por uma sucessão de preços e quantidades correlacionadas, inversamente disposta. O deslocamento dessa sucessão,de um extremo ao outro, depende de uma multiplicidade de fatores. Os principais são o nível e a estrutura de repartição da renda, as atitudes e preferências dos consumidores, os preços de bens substitutos e complementares, expectativas e número de consumidores potenciais.

Já a oferta é também definida por uma sucessão das mesmas variáveis (preços e quantidades), só que diretamente dispostas. E sua variação para mais ou para menos depende de outros fatores, como a capacidade potencial dos produtores, as condições de oferta dos fatores, a estrutura tecnológica e expectativas sobre o comportamento da procura.  

Elasticidade

A sensibilidade de consumidores e produtos aos preços varia de produto para produto. Seus graus são definidos pela elasticidade, isto é, pelas variações relativas nas quantidades procuradas ou ofertas, em resposta as variações relativas nos preços. Tanto uma, quanto outra podem ser elásticas, de elasticidade unitária ou inelástica. No limite, podem ocorrer situações de perfeita elasticidade e de anelasticidade.

A procura por um certo produto é essencial para determinar a elasticidade, a prioridade de aquisição e a importância do orçamento. Curvas de procura e oferta inelásticas dão margem a movimentos especulativos, mais do que as de maior elasticidade.  


Oferta Elástica

A expansão relativa das quantidades ofertadas é mais do que proporcional ã expansão relativa dos preços.

Oferta de Elasticidade Unitária

A expansão relativa das quantidades ofertadas é rigorosamente proporcional ã expansão relativa dos preços.

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