Métodos Científicos

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Tema: Métodos Lógicos e Técnicas Empregadas nas Ciências Jurídicas

Ciência



Métodos lógicos e técnicas empregadas nas Ciências Jurídicas

UNIVERSIDADE POTIGUAR – UnP

NATAL/RN

2007

INTRODUÇÃO

A Ciência, emancipada da fé, organizou seus processos de trabalho, os seus métodos e suas regras, como meio para encontrar a verdade.

Método Científico é a ordenação destas regras, etapas a serem cumpridas no estudo de uma ciência, para se chegar a um determinado conhecimento visando o bem da ciência e fins práticos. É uma atividade cognitiva, a forma de pensar, a linha de raciocínio adotada, a disciplina, a organização de conhecimentos desorientados e fragmentários.

A teoria é o seu conteúdo, organizado por meio de uma determinada filosofia, utilizado para ler a realidade. É o conhecimento de determinados conhecimentos já elaborados por outros pensamentos e conseqüentemente não é possível desenvolver um método sem conhecimento da teoria. Desta relação tem de haver coerência, caso contrário o conhecimento construído apresentará uma série de lacunas com relação à lógica, que pode prejudicar a pesquisa, o trabalho realizado. Nesse sentido o método é o “caminho” e a teoria é o “veiculo” que utilizamos para nos locomover.

A função do método, e sua importância são instrumentais, pois liga o saber de um estado de ignorância na aproximação do estado do conhecimento.

A metodologia são os procedimentos práticos que utilizamos para desenvolver a pesquisa e alimentar a leitura da realidade, por meio do método e da teoria. O pesquisador utiliza-a para mensurar, levantar dados, idéias, representar, mapear etc., de modo a qualificar o processo interpretativo, através de técnicas e instrumentos. Técnicas são recursos, como o questionário, a entrevista, o mapa, a pesquisa documental etc. Instrumentos são aparelhos como um gravador, uma máquina fotográfica, um computador, uma bússola, um aparelho de medição etc. Modos de análise: modo de sistematização, relação, observação, demonstrações: que podem ser textos, tabelas, quadros, mapas etc. Sem o conhecimento desses elementos, não é possível fazer uma pesquisa.


Descartes (Cervo & Bervian) apresenta algumas regras básicas indispensáveis a qualquer trabalho científico:

a) Não aceitar como verdadeira qualquer coisa, sem a conhecer bem;

b) Dividir cada uma das dificuldades em várias parcelas para resolvê-las do melhor modo possível;

c) Ordenar o pensamento com base em fatos mais simples e mais fáceis, pouco a pouco, até chegar aos mais complexos;

d) Enumerar e revisar cada fato para ter certeza de nada omitir.


Concepção atual do método

Consideramos, como Bunge, que o método científico é a teoria da investigação. Esta alcança seus objetivos, de forma científica, quando cumpre ou se propõe a cumprir as seguintes etapas:

“ a) descobrimento do problema ou lacuna num conjunto de conhecimentos – se o problema não estiver enunciado com clareza, passa-se à etapa seguinte; se o estiver, passa-se à subseqüente;

b) colocação precisa do problema – ou ainda, a recolocação de um velho problema, à luz de novos conhecimentos (empíricos ou teóricos, substantivos ou metodológicos);

c) procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema (por exemplo, dados empíricos, teorias, aparelhos de medição, técnicas de cálculo ou de medição) – ou seja, exame do conhecido para tentar resolver o problema;

d) tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados – se a tentativa resultar inútil, passa-se para a etapa seguinte; caso contrário, à subseqüente;

e)Invenção de novas idéias (hipóteses, teorias ou técnicas) – ou produção de novos dados empíricos que prometam resolver o problema;

f)Obtenção de uma solução (exata ou aproximada) do problema – com auxílio do instrumental conceitual ou empírico disponível;

g)Investigação das conseqüências da solução obtida – tratando-se de uma teoria é a busca de prognósticos que possam ser feitos com seu auxílio; tratando-se de novos dados, é o exame das conseqüências que possam ter para as teorias relevantes;

h) Prova (comprovação) da solução – confronto da solução com a totalidade das teorias e da informação empírica pertinente. Se o resultado é satisfatório, a pesquisa é dada como concluída, até novo aviso. Do contrário, passa-se para a etapa seguinte;

i)Correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução incorreta – esse é, naturalmente, o começo de um novo ciclo de investigação “(Bunge, 1980:25)”.

Desta maneira, o método científico é composto dos seguintes elementos:

a) Caracterização: Quantificações, observações e medidas.

b) Hipóteses: Explicações hipotéticas das observações e medidas.

c) Previsões: Deduções lógicas das hipóteses.

d) Experimentos: Testes dos três elementos acima.

Por fim, o método é a escora científica para o alcance da garantia de veracidade de um conhecimento e o produto resultante dessa investigação é o conhecimento científico. Este se caracteriza por ser, no âmbito das ciências factuais: racional, objetivo, factual, transcendente aos fatos, analítico, claro e preciso, comunicável, verificável, dependente de investigação metódica, sistemático, acumulativo, falível, geral, explicativo, preditivo, aberto e útil. [1] .

As respostas alcançadas substituem conhecimentos e em dado momento representam o que determinado momento humano foi capaz de pensar a respeito de algo, já que não existem respostas definitivas e absolutas, caso contrário estaríamos admitindo a inquestionabilidade dos saberes adquiridos.

A ciência é entendida como uma busca constante de explicações, soluções e de revisão. O Método científico, enquanto instrumento de garantia e veracidade é a forma de obtenção deste último. Enquanto, no senso comum, as explicações  fundam-se nas experiências pessoais, assumindo um caráter mítico - explicativo, no conhecimento científico os conceitos explicativos são extraídos da própria realidade pelo uso de um instrumental metodológico [2] .


A importância da utilização do método no Direito:

Infelizmente, é escassa a intimidade da grande massa de operadores de direito com os procedimentos científicos e com as reflexões metodológicas. Esta pouca produção científico – jurídica brasileira decorre da ausência de pesquisas empíricas na cultura jurídica nacional, uma influência decisiva do ensino jurídico. Na medida que nele se veicula uma visão predominantemente formal do direito, preza-se, em geral, o ensino por repetição, acrítico, restringe-se o aprendizado ao elementar, à acomodação e a produção de pesquisas exclusivamente bibliográficas. Apesar de induvidosa a importância das normas jurídicas, não pode o pensar dogmático converter-se em um pensar anti investigador do direito, formador apenas da opinião comum, sendo jogado para escanteio qualquer modo de ensinar que conduza o graduando a um nível de conhecimento que o faça enxergar as mazelas do sistema em vigor como algo a ser transformado através do seu intelecto, de sua força de pensamento e ação.  O “saber ser” é primordial para melhor aprender o “saber fazer”. Segundo José Eduardo Faria (1987:370) “o jurista formado para esta função perde a combatividade, sua crítica, sua consciência do papel social do direito”.O direito, se compreendido apenas com uma hermenêutica técnico-científica, caminha à alienação, repercutindo indiferença em relação à sociedade e gerando degradação da dignidade humana.

O que se pode perceber é que não há mais espaço para formas de saber baseadas em textos retóricos e desprovidos da massa crítica necessária capaz de acompanhar as novas práticas de poder que encetam a ordem jurídica moderna.

Enfatizando a parte que nisto toca a responsabilidade do ensino,faz-se necessário, despertar no estudante a curiosidade, o estímulo e a iniciativa .A prática da pesquisa universitária visa desenvolver no futuro profissional a habilidade de aplicar o método cientifico, ou seja, de produzir conhecimento cientifico, ampliando seu senso crítico e sua capacidade de lidar criativamente com a realidade dos futuros operadores jurídicos. A didática tem por objetivo levar o aluno a desvendar as relações sociais condicionadas às normas e às relações jurídicas, equacionar os problemas das informações atuais e discutir propostas cabíveis. O espírito científico surge da vontade do homem de estar sempre querendo ir além da realidade

Imediatamente percebida, encontrar respostas às suas dúvidas, e lançar princípios explicativos que sirvam de base para a organização e classificação que caracterizam o conhecimento. Cabe ao pesquisador, auxiliar na quebra de paradigmas que aprisionam o homem na ignorância e no mau convívio social. Trata-se de fundamentar e preparar a aventura de fazer o Direito, inserir a ciência como um evento estético e espiritual para a humanidade, digno de ser praticado e aclamado.

A Ciência do Direito é o estudo metódico das normas jurídicas com o objetivo de descobrir o significado objetivo das mesmas e de construir um sistema jurídico, bem como de estabelecer suas raízes sociais e históricas [3] .

Método jurídico

Não há ciência sem a utilização do método científico embora o inverso não é necessariamente verdade. Para que uma ciência exista, precisa possuir: objeto, vocabulário e método próprios. O método jurídico é um procedimento por meio do qual se estabelece o objeto que deve ser controlado pelo método que indicará as bases, o fundamento da sistematização jurídica. O Direito possui seu objeto próprio que são as normas jurídicas, é detentor de um vocabulário próprio e quanto ao método, utiliza-se do método científico com suas especificidades de raciocínio. Embora não exista dúvida que o método próprio da Ciência Jurídica é o lógico – dedutivo, o Direito utiliza-se  de todos os métodos científicos.

A escolha da Metodologia Científica, para conhecer determinado problema, está intimamente relacionada com o sistema de referência da proposição filosófica. A definição, a classificação e a escolha do método merecem toda atenção, porque método e objeto se acham estreitamente unidos e da boa escolha do caminho vai depender a apreensão mais rápida e mais perfeita da verdade. O pesquisador deve valer-se de vários métodos na pesquisa com inteligência, imaginação e criatividade, pois não existe um método da ciência capaz de orientar todas as operações, muitas menos uma receita pronta.

Notas:

[1] MARCONI E LAKATOS, Metodologia científica. 3.ed. Atlas.

[2] BARUFFI, Helder; CIMADON, Aristides. A metodologia científica e a ciência do direito. 2. ed. H.

[3] GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do Direito. 12. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1986. 556p


ESPÉCIES DE MÉTODOS


Segundo Lakatos Marconi, como uma contribuição às tentativas de fazer distinção entre os termos “método” e “métodos”, classifica-os da seguinte maneira:

Métodos de abordagem: caracteriza-se por uma abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade. Assim teríamos: método indutivo, método dedutivo, método hipotético – dedutivo, método dialético e o método fenomenológico. Este último, o grupo optou por acrescentar, embora não mencionado na fonte acima citada.

Métodos de procedimentos: seriam as etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita em termos de explicação geral dos fenômenos e menos abstratos. Dir-se-ia até serem técnicas que, pelo uso mais abrangente, se erigiram em métodos: histórico, comparativo, estatístico, tipológico, funcionalista, monográfico e estruturalista.

O grupo concluiu ser relevante neste presente trabalho mencionar os métodos: gramatical, lógico, analógico, sociológico e teológico, muito usado na interpretação das ciências jurídicas:


MÉTODO DEDUTIVO

Definição:

Desenvolvido inicialmente por ARISTÓTELES na antigüidade clássica, foi revigorado por DESCARTES (1969) (1596-1650), na sua tentativa de refazer toda a estrutura do pensamento reinante em sua época, na busca da construção de uma nova ciência, através do processo da dúvida metódica e do reducionismo.

A dedução consiste em um recurso metodológico em que a racionalização ou combinação de idéias em sentido interpretativo vale mais do que a experimentação de caso por caso. Tem como pontos de partida premissas auto-evidentes e o propósito de explicitar. É dedutivo o raciocínio que caminha do geral para o particular. A dedução é a argumentação que torna explícitas verdades particulares contidas em verdades universais. O ponto de partida é o antecedente e o ponto de chegada é o conseqüente. O cerne da dedução é a construção lógica entre o antecedente e o conseqüente ou, da premissa maior e a conclusão. Então:

1. Da verdade do antecedente, conclui-se a verdade do conseqüente;

2. Da falsidade do antecedente pode seguir-se à falsidade ou a veracidade do conseqüente.

O raciocínio dedutivo se expressa no silogismo ou no sofisma.

Todos os homens são mortais.Platão é homem.Platão é mortal.

Exemplo:

Todos os que infringem a lei de trânsito devem ser punidos; José  fez ultrapassagem em local proibido por lei, cometendo uma infração. Logo, José deve ser punido nos termos da lei.

Argumentos Condicionais:

Há várias formas de argumentos dedutivos. Porém os mais comuns são:

  • Modus Ponens (afirmação do antecedente): a primeira premissa é um enunciado condicional, sendo que a segunda coloca o antecedente desse mesmo condicional; a conclusão é o conseqüente da primeira premissa.

Exemplo: Se a então b / Ora, sabemos que a / Então b. Exemplo: Se José tirar menos que 5, será reprovado /José tirou menos que 5 / José será reprovado.

  • Modus Tollens (negação do conseqüente): deriva do fato de que a primeira premissa é um condicional, sendo a segunda uma negação do conseqüente desse mesmo condicional.

Exemplo: Se p, então q / Ora, sabemos que não q / Então não p. Exemplo: Se a água ferver, a temperatura é de 100º/ A temperatura não chegou a 100/ Então a água não ferveu.


Exemplo do seu emprego a partir do livro Introdução ao Estudo do Direito:

“ Tradicionalmente a aplicação do Direito é considerada um silogismo, em que a premissa maior é a norma jurídica, a premissa menor é o fato e a conclusão é a sentença ou decisão. Foi considerado o método da Ciência Jurídica” (NADER PAULO, 2002, p 225). “Quando o legislador elabora um código, as normas ficam acessíveis ao conhecimento; ao desenvolver a técnica de interpretação, o exegeta revela o sentido e o alcance da norma jurídica; com a técnica de aplicação, os juízes e administradores dão efetividade à norma jurídica” (NADER Paulo, 2002, p224)

A dedução aparece com toda a nitidez que lhe é peculiar. Por dever de o jurista partir do geral para o particular (das normas para os casos), a norma, tal como se acha nos códigos, é a premissa maior, diante do caso concreto. Trata-se de deduzir um juízo jurídico particular, tomando-se como referencial uma hipótese dada, que é a disposição legal existente. A própria sentença é, para os partidários do método dedutivo, um simples silogismo, formado pela premissa maior, a lei, e a premissa menor, os fatos e ainda a conclusão a parte dispositiva da sentença. "Quem infringir este dispositivo terá a sanção X. Fulano infringiu a disposição X. Logo, Fulano terá sanção cominada".


Críticas:

Segundo VIEGAS (Op. Cit.:125), esse fato, que poderia ser a garantia do método, vem a ser sua maior fraqueza, por sua tautologia. Em outras palavras, partindo-se de premissas falsas particularizar-se-á um resultado ou conclusão falsa. Daí a rejeição do método pelos empiristas.

Segundo Cervo e Bervian apud Barros e Lehfeld (2000, p. 64), “O processo dedutivo é de alcance limitado, pois a conclusão não pode assumir conteúdos que excedam o das premissas”. Porém, não se pode desprezar esse tipo de processo em consideração a essa crítica. Fornecer premissas para um acontecimento não significa necessariamente explicá-lo.

Para a metodologia, é importante entender que, no método dedutivo, a necessidade de explicação não reside nas premissas, mas na relação entre as premissas e a conclusão. É preciso que compreendamos porque as premissas são verdadeiras. Parafraseando Cruz e Ribeiro (2003), o método dedutivo leva o pesquisador do conhecido ao desconhecido com pouca margem de erro; por outro lado, é de alcance limitado, pois a conclusão não pode exceder as premissas.


MÉTODO INDUTIVO OU INDUÇÃO:


Definição:

De acordo com Ferreira (1998, p. 93), “Galileu foi o precursor desse método – indução experimental - através do qual se chega a uma lei geral por intermédio da observação de certo número de casos particulares até as leis e teorias”.

Processo mental segue o caminho inverso da dedução: parte da experiência de casos particulares percebe que esses casos se repetem sempre da mesma forma e daí infere que o que se aplica aos casos particulares pode ser estendido a todos os demais casos da mesma natureza, através de um processo de generalização e universalização. Método próprio das ciências empíricas é aquele que, ao partir de premissas menores pode-se chega às generalidades. A partir dos exemplos, formamos as regras. Partindo de premissas particulares, inferimos uma verdade geral. O pensamento alimenta-se da realidade externa e é o produto direto da experiência. Baseia-se na generalização de propriedades comuns a certo número de casos, até agora observados, a todas as ocorrências de fatos similares que poderão se verificar no futuro. Assim, o grau de confirmação dos enunciados traduzidos depende das evidências ocorrentes. Quanto maior e mais representativa a amostra, mais forte é o argumento. As conclusões são mais amplas que as premissas – dos casos observados se passa para os casos não observados – portanto parece haver clara ampliação do conhecimento. Para que as conclusões da indução sejam verdadeiras é preciso acrescentar os argumentos de evidências adicionais. Não há repetição da experiência ou de grande número de conclusões que conduzem à verdade. O método indutivo é o método próprio da produção do conhecimento novo. Desta maneira a indução é um conjunto de processos por meio dos quais se passa dos dados às leis, trata-se de saber como se obtém uma proposição objetiva, ou seja, que se possa reconhecer na observação aplicada. Ela não consiste em apenas perceber, mas também apreender os caracteres do fenômeno, por meio da atenção e análise dos fatos.


Exemplos:

Pelo método indutivo o jurista pesquisa e identifica as partes de um fenômeno de modo a ter uma percepção ou conclusão desse fenômeno. Pesquisar as causas da delinqüência juvenil.  É ele que produz a certificação e comprovação da hipótese. Assim, no raciocínio indutivo, se a premissa primeira é verdadeira, sua conclusão é, provavelmente, verdadeira.  De verdades particulares concluí-se verdades gerais:

João, Pedro, Tício, Alexandre são ladrões perigosos. Ladrões perigosos moram em favelas. Logo os habitantes de favela têm propensões ao...


Há dois tipos de indução:

1. Formal (Aristotélico): Equivale ao inverso da dedução: Os corpos A,B,C e D atraem o ferro. Ora, os corpos A,B,C e D são ímãs. Logo, o ímã atrai o ferro. A lei expressa todos os fenômenos observados.

2. Científica (Bacon): É o raciocínio pelo qual se conclui de alguns casos observados pela espécie que os compreende e a lei geral que os rege. Ex:. Este imã atrai o ferro. Aquele imã atrai o ferro... Imãs sempre atraem o ferro. De fatos semelhantes “pula” para todos os outros no futuro


Fases de aplicação:

a) Observação dos fenômenos: critérios tendo em vista: prioridade, comprometimento, prioridade, oportunidade etc. Ato de coleta de dados (observação).

b) Formulação provisória de um problema a ser estudado: delimitação e definição do assunto quanto ao tempo, lugar, instituição ou grupo. (indução).

c) Análise dos elementos constituintes do fenômeno: compreende idéias que se submetem à discussão (hipóteses).

d) Descoberta da relação entre eles: elabora-se pelo confronto das idéias e dos dados (discussão experimental).

e) Construção e verificação da hipótese de trabalho: repetição, testação e finalmente a generalização, ou seja, a formulação de princípios gerais válidos e importantes.

f) Generalização das relações: o argumento indutivo baseia-se na generalização de propriedades comuns a certo número de casos observados.

Exemplo: Pedro, José e João são homens/ Pedro, José e João são mortais / Logo, todos os homens são mortais.


Para evitar equívoco, devemos:

  • Nos certificar de que é essencial a relação;

  • Nos assegurar de que os fatos são idênticos;

  • Não perder de vista o aspecto quantitativo dos fatos.


As Leis derivadas pela Indução exprimem:

  • Relações de Existência

  • Relações de Causalidade

  • Relações de Finalidade


A indução, antes de tudo, é uma forma de raciocínio ou de argumentação; portanto, forma de reflexão e não, de simples pensamento. Conclui-se que não é um raciocínio único: ela compreende um conjunto de procedimentos, uns empíricos, outros lógicos e outros intuitivos.


Críticas:

O método intuitivo ou intuição não procede por degraus, por partes, mas de uma vez. Sem nenhuma interferência prévia, o espírito capta o objeto com uma só operação instantânea. Nada se pergunta ao raciocínio, nada se indaga à razão, motivo porque a intuição é denominada por alguns de irracionalismo.

Conclusões indutivas são perigosas, pois generalizações de premissas verdadeiras podem levar a uma falsa conclusão. O primeiro a perceber o caráter incerto de conclusões indutivas foi Aristóteles, mas o primeiro a formulá-lo de forma mais precisa foi David Hume (1711-1776). Hume na formulação do problema acentua o caráter temporal das induções: De afirmações sobre o passado e o presente não podem ser deduzidas prognoses absolutamente seguras sobre o futuro. Ou seja, mesmo que todos os cisnes até hoje observados sejam/tenham sido brancos, não se podem afirmar com absoluta convicção que todos os cisnes sempre serão brancos.

A validade universal de uma hipótese científica não pode ser verificada definitivamente através de um número finito de observações, medições e experimentos.

O problema da insegurança de conclusões indutivas foi reforçado por Nelson Goodman no século XX Conclusões indutivas não são somente possivelmente erradas, mas também em alguns casos contraditórias.

Segundo Cruz e Ribeiro (2003, p. 34): a indução é um método válido, porém não é infalível. Por exemplo, por muito tempo pensou-se que a ordem de peixes celacantos estava extinta, porque elas eram conhecidas apenas por fósseis de 200 milhões de anos. Entretanto, em 1938, na costa da África do Sul, um celacanto foi pescado, o que demonstrou que a indução feita pelos paleontólogos estava errada, Assim, para descartar uma indução basta que um fato a contradiga.


MÉTODO HIPOTÉTICO – DEDUTIVO:


A questão sobre os métodos clássicos passou a oscilar entre dois pólos: a tautologia do método dedutivo e o argumento circular do método indutivo, até que POPPER (1993:30-33 et 269-301 passim) afirmou que (...) partindo-se de uma observação da realidade, chega-se a uma abstração por meio de um modelo lógico: é a fase dedutiva. A partir daí, na fase seguinte, o modelo é submetido às comprovações empíricas, facilitadas pelas hipóteses emitidas sobre o fato. Nesse contexto, o autor sugere um novo paradigma.


Definição:

Representa a superação das limitações dos dois métodos clássicos: Dedutivo e Indutivo. Consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: “quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la” (GIL, 1999, p. 30).

POPPER constrói um interessante silogismo, o qual denomina de sentença proposta derivada, e pode assim ser descrito:

Se P é derivável de T, e se P é falsa, então também T é falsa. Em outras palavras, o modo de falseamento de uma conclusão implica no falseamento do sistema do qual ela é derivada. Logo, todos os cisnes são brancos é a proposição mais universal ao sistema (proposição T). Se todos os cisnes são brancos, esse cisne é branco (proposição P, menos universal, derivada de T). Todavia, se esse cisne não é branco, a proposição P é falsa; mas, como ela deriva de T, então T é falsa.Para se retirar a falsidade de T é necessária (Modus Tollens, da lógica clássica) modificar a sentença e assim retirar a falsidade da sua derivação P, com um novo enunciado: existem cisnes brancos e não-brancos. O método tem as características da indução, mas é distinto. Segue o seguinte esquema:

1) uma hipótese é dita sustentável se for comprovada: a isto se chama de proposição;

2) uma hipótese é validade se for dedutível: a isto se chama de teorema;

3) um sistema de hipóteses sustentáveis é chamado de sistema indutivo;

4) um sistema hipotético – dedutivo ( dedutivo – indutivo) ou teoria científica, é um sistema cujas conclusões verdadeiras são as hipóteses comprovadas.

Segundo Popper (1975), sintetiza o referido método no qual o caminho para se chegar ao conhecimento passa pelas seguintes etapas: formulação do problema; solução proposta consistindo numa conjectura; dedução das conseqüências na forma de proposições passíveis de teste; testes de falseamento – tentativas de refutação, entre outros meios, pela observação e experimentação.


Etapas do Método Hipotético Dedutivo:

a) o problema: refere-se ao conjunto de expectativas que vai desencadear a pesquisa. É a primeira etapa é origem de Toda Investigação. A partir do problema que temos é que decidimos como e que dados queremos ter. Essa seleção exige uma hipótese, conjectura ou suposição que guie o pesquisador.

b) conjecturas: tem em vista explicar ou prever aquilo que despertou interesse intelectual ou dificuldade teórica e prática.São soluções passíveis de teste em suas conseqüências. Têm o objetivo de Explicar fenômenos ou de prever sua ocorrência. Têm que ser compatíveis com o conhecimento existentes e passíveis de testagem.

c) o falseamento: terceira fase do método hipotético – dedutivo. Testes via observação/experimentação, na tentativa de falsear ou eliminar erros.Uso do modus tollens. Quanto mais falseável, mais científica a conjectura. Será mais falseável quanto mais conteúdo empírico tiver. Conjecturas são corroboradas.

Obs: A hipótese não ultrapassa o teste e pode ser considerado falso ou ser refutada, exigindo nova reformulação do problema e da hipótese. Entretanto, se, passar por testes rigorosos estará confirmada provisoriamente.


O método hipotético dedutivo segundo outros:

Segundo Copi, de forma semelhante, o método consiste em:

a) problema: é a dificuldade no quadro do conhecimento antecipado e das expectativas.A investigação parte sempre de um problema que difere do conhecimento prévio da área na qual o problema da pesquisa se situa.

b) hipóteses preliminares: de solução provisória pode acontecer de nenhuma sobreviver côo solução do problema, diferente de válida.

c) Fatos Adicionais: inseparáveis das hipóteses preliminares, levam o pesquisador a procurar fatos complementarem que podem sugerir novas hipóteses sucessivamente.

d) hipótese: seria a escolha que o pesquisador faz entre as diferentes hipóteses preliminares para teste experimental. Escolhe a mais verossímil.

e) dedução de conseqüências: das hipóteses surgem conseqüências que deverão ser testadas,diretas ou indiretamente, pela observação, pela teoria ou por ambas. Se resultado favorável a hipótese pode ser demonstrada provisoriamente.

f) aplicação: a aplicação dos resultados e das conseqüências, servindo de modelo para pesquisas com problemas semelhantes.


Segundo Bunge, o método consiste em
:

A - Colocação do Problema:

a) reconhecimento dos Fatos: exame, classificação preliminar e seleção dos fatos.

b) descoberta do problema: tentar descobrir lacunas ou incoerência no conhecimento existente.

c) formulação do problema: redução do problema a um centro importante, ou seja, apresentação de uma questão que possa ser correta.

B - Construção de um modelo teórico:

a) seleção de fatores pertinentes: criação de suposições possíveis de se entrosarem com as variantes supostamente relacionadas.

b) invenção das hipóteses centrais e suposições auxiliares: apresentação de um conjunto de suposições que sejam relativas a supostas ligações variáveis.

C - Dedução de Conseqüências particulares:

a) procura por suportes racionais : quando conclui que conseqüências particulares, no mesmo campo ou contíguo, podem ter sido verificadas.

b) procura por suportes empí

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