Crescimento Econômico x Desenvolvimento Sustentável

Autor:
Instituição: ASSELVI
Tema: Sustentabilidade

CRESCIMENTO ECONOMICO X DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

15/10/2003


RESUMO

A idéia de crescimento econômico é recente. Antes do surgimento do capitalismo e socialismo encontravam-se em estágios comparativamente estagnados. Elas eram basicamente agrícolas e variavam pouco a pouco ao longo dos anos, com exceção da ocorrência de boas ou más colheitas, de guerras e de epidemias. O Capitalismo, trazendo contínuas mudanças tecnológicas e acumulação de capital, alterou de forma radical as estruturas destas sociedades. Neste século a produção industrial mundial cresceu cinqüenta vezes e, como a população mundial dobrou, a produção per capita cresceu entre quinze e vinte vezes. Atualmente as preocupações com as condições ambientais alcançaram vários segmentos das esferas social, política e econômica. A crescente universalização dos problemas ambientais que afligem a humanidade implica o estabelecimento de novas reflexões acerca da utilização dos recursos da natureza, tanto nos países altamente industrializados como nos países subdesenvolvidos. É evidente que existe uma relação dinâmica, ou seja, em constante transformação, entre sociedade e natureza. É por isso que as inovações tecnológicas e o impacto ambiental devem manter um vínculo entre si.

Palavras-Chave: Crescimento, Desenvolvimentos, Meio Ambiente;


1 INTRODUÇÃO

O desenvolvimento econômico consiste na expansão contínua da renda per capita de uma economia, com melhorias sistemáticas do bem-estar da população. Os principais fatores do crescimento econômico são: acumulação de capital; crescimento da população e progresso tecnológico.

Juntamente com a crise econômica que o mundo se encontra hoje, a humanidade vive também outras crises, entre elas está a crise ambiental e a crise social. Na tentativa de buscar soluções para estas crises todas que vivemos hoje, e diante da complexidade dos problemas que atingem a humanidade, vão surgindo novos conceitos que expressam estes movimentos que a sociedade vai desenhando. Um desses conceitos é o desenvolvimento sustentável, uma abordagem de desenvolvimento econômico que procura integrar a produção com a conservação e ampliação dos recursos.


2 CRESCIMENTO ECONÔMICO

Conceitua-se crescimento econômico como sendo "o aumento contínuo do produto interno bruto em termos global e per capita, ao longo do tempo". Kuznets amplia esta definição afirmando que "a capacidade de crescimento econômico baseada no avanço tecnológico exige ajustes institucionais e ideológicos".

Mas também podemos sintetizar a palavra crescimento econômico como um conceito de crescimento contínuo da renda per capita ao longo do tempo.

2.1 FATORES DE CRESCIMENTO

O aumento da população e da renda é passada de variações na quantidade e na qualidade de dois fatores, o capital e a mão-de-obra. Podemos dizer então que as fontes de crescimento são o aumento do estoque de capital ou da capacidade produtiva, melhoria tecnológica, eficiência organizacional, ou seja, eficiência na forma como os insumos integram, aumento na força de trabalho (quantidade de mão-de-obra), derivada do crescimento demográfico e da imigração, melhoria da qualidade da mão-de-obra, através de programas de educação, treinamento e especialização.

Os principais fatores do crescimento econômico são:

2.1.1 Acumulação de capital

Ocorre quando uma parte da renda presente da empresa é poupada e investida de forma a aumentar a quantidade de produtos e rendas futuros. Precisa-se ter alguns cuidados na hora de investir, pois o investimento deve ser feito não apenas visando uma parte do processo, mas sim, o processo como um todo.

Exemplo: Um fazendeiro compra um novo trator para agilizar o processo de arado e conseqüentemente aumentar a produção, este mesmo fazendeiro precisa lembrar que produzindo mais, terá mais produtos para colocar no mercado, então precisa analisar, se somente o pequeno caminhão consegue colocar toda a produção no mercado.

Uma característica essencial na acumulação de capital é que ela envolve um conflito entre o consumo presente e o consumo futuro, levando a que se renuncie um pouco agora para possa ser comprado mais tarde.

2.1.2 Crescimento da População

O crescimento populacional é considerado um fator positivo para estimular o crescimento econômico. Está ligado diretamente ao crescimento da força de trabalho. Quanto maior a força de trabalho, mais produtiva ela se torna. Precisamos lembrar que a produtividade não apenas depende da mão de obra, mas também da área produtiva. De nada adiantaria 100 pessoas altamente produtivas, se o espaço que temos para produzir é apenas 1000 m2.

2.1.3 Progresso Tecnológico

Para muitos economistas o Progresso Tecnológico é o principal fator de crescimento econômico. Este progresso é resultado de novos métodos e aperfeiçoamentos da realização das tarefas.

Com o progresso tecnológico poupamos mão de obra, aumentamos a eficiência dos trabalhos e conseguimos melhorar a qualidade dos produtos. Na fase de desenvolvimento do progresso é preciso investimentos de capitais, após terminado, as novas atividades geram lucros e economias para as empresas.

2.2 CARACTERÍSTICAS DO CRESCIMENTO ECONÔMICO MODERNO

  • Altas taxas de crescimento do produto per capita e da população;
  • Altas taxas de elevação na produtividade total dos fatores, especialmente na produtividade da mão-de-obra;
  • Altas taxas de transformação estrutural da economia;
  • Altas taxas de transformação social e ideológica;
  • A propensão dos países economicamente desenvolvidos para estenderem-se pelo resto do mundo, na busca de mercados e matérias-primas;
  • A difusão limitada deste crescimento econômico, atingindo apenas um terço da população mundial.

As seis características do crescimento moderno são altamente inter-relacionadas e se reforçam mutuamente.

Altas rendas per capita, em troca, geram altos níveis de consumo per capita, proporcionado, assim, o incentivo para mudanças na estrutura de produção, uma vez que a elevação da renda aumenta a demanda por bens manufaturados e serviços, a uma taxa muito mais rápida que a demanda por produtos agrícolas. A tecnologia avançada necessária para se obter esta produção e estas mudanças estruturais leva a escala de produção das fabricas e as características das unidades econômicas empresariais a mudar, tanto em organização quando em localização, em troca exige mudanças rápidas na localização e estrutura da força de trabalho e nas relações de status entre grupos ocupacionais. Isto significa também mudanças em outros aspectos da sociedade, incluindo tamanho da família, urbanização e os determinantes materiais do auto-respeito e dignidade.

O processo de crescimento parece beneficiar as nações já ricas de forma desproporcional em relação às nações, por exemplo, 98% de toda a pesquisa científica é levada a cabo nos países ricos, visando a solução dos problemas típicos dos mesmos. Esta pesquisa e o progresso tecnológico resultante, diretamente, pouco beneficiam as nações pobres cujos recursos e condições institucionais diferem bastante daqueles das nações desenvolvida. Nações ricas podem financiar a pesquisa científica básica, os países pobres não podem. Os países desenvolvidos podem, por conseguinte, apresentar um mecanismo contínuo para o avanço tecnológico e econômico auto-sustentado, que está além da capacidade técnica e financeira da maioria dos países em desenvolvimento. Esta é uma das principais razoes pelas quais os ricos tendem a ficar relativamente mais ricos enquanto que os pobres tornam-se relativamente mais pobres.

2.3 CUSTOS DO CRESCIMENTO

Como em quase todas as atividades que afetam o bem-estar humano, o crescimento econômico não só proporciona benefícios para a sociedade, principalmente na forma de maior liberdade, mas traz consigo certos custos sociais, que podem ser classificados em dois grupos: os efeitos negativos do crescimento sobre as condições de vida e a natureza indesejável dos valores e instituições que são necessários para o crescimento econômico, isto é, os aspectos culturais negativos dos chamados ideais de "modernização".

No primeiro grupo o mais óbvio do destes custos é o fenômeno da urbanização, causado em grande parte pela emigração da área rural. Tal emigração traz consigo os custos psicológicos associados, que envolve o fato de se arrancar raízes tradicionais e a subseqüentemente adaptar-se ao anonimato e aos custos de vida urbanos mais altos.

No segundo grupo os custos referem-se as mudanças necessárias nas atitudes e instituições. Muitos consideram as mudanças para o que tem sido chamado de ideais de modernização como inimigas do bem-estar global de pessoas que vivem mergulhadas em estilos de vida cultural e espiritual antigos e tradicionais.

2.4 CRESCIMENTO ECONOMICO BRASILEIRO

É no decorre dos anos 30 com a tomada do poder por Getúlio Vargas que tem início o desenvolvimento econômico do país. A rápida industrialização é a causa das modificações desse período enquanto o mercado interno é seu efeito fundamental.

Verificamos a redistribuição da renda nacional e seu crescimento. O país deixa de ser basicamente agrícola e dois novos setores figuram com importância crescente: Indústria – Estado.

Foram criados uma legislação trabalhista moderna: salário mínimo, oito horas de trabalho, férias anuais remuneradas, direito de sindicalização com o objetivo de disciplinar os níveis salariais e assegurar a oferta de trabalho para a indústria.

Como o país era muito dependente da importações faltava ao Brasil autonomia para desenvolver sem importação de bens de capital. Na área têxtil houve um desenvolvimento grande graças à utilização intensiva dos equipamentos existentes e que durante a guerra eram impossíveis de importar. Houve um aumento de divisas no país com a redução das importações.


3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O termo desenvolvimento sustentável foi primeiramente utilizado por Robert Allen, no artigo "How to Save the World". Allen o define como sendo "o desenvolvimento requerido para obter a satisfação duradoura das necessidades humanas e o crescimento (melhoria) da qualidade de vida, em outras palavras é o melhoramento da qualidade de vida das pessoas dentro da capacidade potencial do sistema de sobrevivência da terra. Rotmans e Vries destacam também que apesar da importância do conceito nos atuais debates políticos e científicos, não existe uma única definição que seja compartilhada por todos interessados.

Os elementos que compõem o conceito de desenvolvimento sustentável já foram colocados (a preservação da qualidade do sistemas ecológicos, a necessidade de um crescimento econômico para satisfazer as necessidades sociais e equidade – todos possam compartilhar – entre geração presente e futuras). Desta forma, percebe-se que os ideais do desenvolvimento sustentável são bem maiores do que as preocupações especificas (a racionalização do uso da energia, ou o desenvolvimento de técnicas substitutivas do uso do de bens não-renováveis ou, ainda, o adequado manejo de resíduos. Principalmente, é o reconhecimento de que a pobreza, a deterioração do meio ambiente e o crescimento populacional estão indiscutivelmente interligados. Nenhum destes problemas fundamentais pode ser resolvido de forma isolada, na busca de parâmetros ditos como aceitáveis, visando a convivência do ser humano num base mais justa e equilibrada.

A atividade econômica multiplicou-se para gerar uma economia mundial de 13 trilhões de dólares, que pode quintuplicar ou decuplicar nos próximos cinqüenta anos. A produção industrial cresceu mais de cinqüenta vezes no último século, sendo que quatro quintos desse crescimento se deram a partir de 1950. Esses números refletem e já projetam profundo impactos sobre a biosfera, à medida que o mundo vai investindo em habilitação, transporte, agricultura e indústria. Grande parte do crescimento econômico se faz à custa de matérias-primas de florestas, solos, mares e rios.

As novas tecnologias podem permitir a desaceleração controlada do consumo perigosamente rápido dos recursos que são finitos, mas também podem criar sérios riscos, como novos tipos de poluição e o surgimento de novas variedades de formas de vida, que alterariam os rumos da evolução. Enquanto isso, as indústrias que mais dependem de recursos do meio ambiente, e que mais poluem, multiplicam-se com grande rapidez no mundo em desenvolvimento. É por isso que há a necessidade de se definir um grupo de critérios a serem utilizados para determinar se uma tecnologia é apropriada ou não: preocupação com o significado sócio-político das tecnologias, seu tamanho, nível de modernidade e sofisticação e o impacto ambiental causado por estas tecnologias.

A partir da falência do conceito de que os recursos ambientais seriam infinitos, estes passaram a ser objeto de gestão. Não só cabe analisar os recursos não-renováveis como, também, discutir a questão do bem público, que muitas vezes acabou permitindo a exploração desenfreada por alguns indivíduos. Alie-se, também, que o desenvolvimento sustentável é um processo global e não pode ser confundido com a globalização. A globalização poderia ser vista por "dois lados". O primeiro é o das grandes empresas e se refere ao domínio do mercado mundial, em outras palavras, o aspecto comercial. Já o outro lado, o "da poluição", ótica que transcende fronteiras nacionais e que significa evitar a poluição. Sachs, na entrevista dada à revista ‘Isto é’ (1403, de 21/08/1996), sob o título "Desordem Mundial", menciona que globalização é "uma palavra que está sendo esticada para encobrir diferentes sentidos, os principais atores não são países e sim empresas".

A globalização do problema ambiental suscita à questão da complexidade. Esta permeia o conceito de desenvolvimento sustentável e exige que se pense de forma global, mas que se aja localmente. Neste sentido, a procura de um novo enfoque do desenvolvimento regional deve levar em conta não somente o aspecto econômico, mas também o ecológico, político, social e cultural, os quais são, também, necessários para o crescimento e manutenção de todos os agentes envolvidos (seres humanos, fauna, flora e biodiversidade).


4 CONCLUSÃO

O Desenvolvimento Sustentável busca compatibilizar as necessidades de desenvolvimento das atividades econômicas e sociais com as necessidades de preservação ambiental. Então acredito que o Desenvolvimento Sustentável seja a única forma de sairmos da rota de miséria, exclusão socioeconômica e degradação ambiental.


5 REFERÊNCIAS

SACHS, Jynacy. As Cinco Dimensões da Sustentabilidade. Disponível em: <www.fapesp.br/ambie21.htm>. Acesso em: 05 Outubro 2003.

TODARO, M. Introdução à Econômica. Uma visão para o terceiro Mundo. Rio de Janeiro: Campus, 1981.

Site: http://geocities.yahoo.com.br/vpuccini/desenvol.htm Acesso em: 07 Outubro 2003

Site: http://www.anpec.org.br Acesso: 10 Outubro 2003

Comentários