Amigo Nerd.net

A Importância dos Impactos Ambientais para o Turismo Ecológico Brasileiro

Autor:
Instituição: Universidade Estácio de Sá
Tema: Turismo Ecológico

A Importância dos Impactos Ambientais no Turismo Ecológico Brasileiro


RESUMO

A avaliação dos impactos ambientais do turismo ecológico apresenta-se como base para a determinação de medidas preventivas e corretivas, que visam conservar a atratividade e a originalidade das áreas com recursos naturais consideráveis. Neste estudo, avaliam-se os impactos da atividade no Brasil e sugere-se um planejamento intersetonal, que promova o desenvolvimento sustentável do turismo ecológico, baseado na determinação da capacidade de carga (carrying capacity) dos recursos naturais. Esse planejamento visa a preservação dos ecossistemas, para o atendimento das expectativas dos novos segmentos do mercado turístico, que buscam turismo de aventura e o encontro com a natureza.


INTRODUÇÃO

O Brasil se sobressai, mundialmente, pelas suas dimensões continentais e por conter as maiores áreas contínuas de florestas intocadas, nas quais habita o maior número de espécies de fauna e flora do planeta e, apesar dos graves casos de devastação das florestas, todavia é considerado o alicerce para o equilíbrio ecológico e climático da Terra.

Atualmente, os problemas e dificuldades sócio-econômicos acabam por conduzir a nação à carência de recursos para os estudos de planejamento ambiental, e à falta de fiscalização e controle da destruição das florestas. Geralmente, essa situação ocorre com objetivos econômicos, para o desenvolvimento das atividades ligadas à agricultura e à pecuaria.

Contudo, pouca ou nenhuma atividade econômica apresenta condições intrínsecas tão propicias, para a conciliação do desenvolvimento com o meio ambiente, quanto o turismo. E o turismo ecológico compõe o elo dessa tendência, que favorece a prática da educação ambiental e o retomo harmônico ao convívio com a natureza, a qual o homem moderno tanto necessita.

Ainda que possua uma legislação atualizada, a implantação de equipamentos e de programas direcionados para o turismo ecológico são desenvolvidos no Brasil sem o necessário controle e fiscalização e, por isso, alguns deles originam uma série de impactos ao meio ambiente, expondo a sobrevivência dos ecossistemas e, conseqüentemente, a atratividade dos locais visitados.

Considerando como impacto ambiental todas as modificações que acontecem nas propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente natural, causadas por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, o que se pretende neste estudo, é salientar qual seria a importância dos impactos ambientais do turismo ecológico no Brasil e propor alternativas, que propiciem um relacionamento equilibrado entre o turismo e os recursos naturais beneficiados.

A metodologia utilizada neste trabalho foi a pesquisa bibliográfica, enriquecendo o trabalho com algumas opiniões importantes de autores não só do Brasil como também de outros países, e citações da ECO-92.


PATRIMÔNIO NATURAL E O TURISMO ECOLOGICO NO BRASIL

A degradação do ambiente e a poluição fizeram crescer uma onda de preocupações e conscientização ecológica, que de um lado tem contribuído para a disseminação de ações visando a harmonização das necessidades das gerações atuais com as potencialidades dos ecossistemas, mas de outro lado, por vezes, tem tido um papel relevante para a criação de estigmas e slogans que estão longe de solucionar os problemas ambientais, transformados freqüentemente em uma falsa questão dicotômica: meio ambiente ou desenvolvimento. Como acertadamente afirmou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (conhecida como Comissão Brundtland):

"até recentemente, o planeta era um grande mundo no qual as atividades humanas e seus efeitos estavam nitidamente confinados em nações, setores (energia, agricultura, comércio, indústria, turismo etc.) e amplas áreas de interesse (ambíental, económico, social). Esses compartimentos começam a se diluir. Isto se aplka em particular às várias crises globais qué preocuparam a todos. Não são crises isoladas: uma crise ambiental, uma crise do desenvolvimento, uma crise energética. São uma só".

As pressões mundiais os preparativos e os resultados da realização da ECO-92 -Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (United Nations Conference of Environment and Development-UNCED-92) fizeram com que se acentuassem, em nível nacional, os debates, estudos, e propostas para o relacionamento harmonioso do turismo com o meio ambiente natural.

O que foi constatado na ECO-92, é que o valioso patrimônio ecológico está sob a propriedade e responsabilidade dos países mais pobres do mundo, localizados na África, Ásia e América do Sul. Buscar o ponto de equilíbrio e as soluções para estes problemas não deve ser considerado interferência internacional, mas, é um assunto de cooperação global.

"Estamos falando da sobrevivência da Terra e quando se fala disto não existe primeiro nem terceiro mundos, mas um só mundo" (Jobn Major).

Espera-se que os responsáveis pelo turismo, tanto do setor público quanto do privado tenham assimilado os resultados dos debates e que as atividades e empreendimentos do turismo ecológico incorporem a conservação, a eficácia, a eqüidade no uso dos recursos aos equipamentos que comercializam.

O crescente interesse em nível mundial pelos programas voltados ao turismo verde ou de aventura, que proporcionam o contato direto do turista com a natureza, faz com que o Brasil se posicione como uma destinação ideal este novo e promissor segmento do mercado turístico.
A EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo -, órgão oficial da atividade turística no país, elaborou uma legislação específica para o desenvolvimento do turismo ecológico e conceitua-o como sendo "as atividades desenvolvidas em localidades com potencial ecológico; de forma conservacionista, procurando conciliar a exploração turística com o meio ambiente, harmonizando as ações com a natureza e oferecendo aos turistas um contato intimo com os recursos naturais e culturais da região, buscando a formação de uma consciência ecológica nacional" (EMBRATUR, 1991).

O próprio Instituto delimitou as áreas de interesse turístico da nação, nas quais os programas e equipamentos ecológicos encontram uma grande variedade de ecossistemas que, pela sua beleza, exotismo e conservação, formam um patrimônio único para a sua comercialização junto à demanda turística nacional e internacional. Estes recursos naturais encontram-se dispersos por todo território brasileiro e as áreas onde predominam são:

1) a floresta amazônica;
2) pantanal;
3) os 8.500 km2 de costa atlântica;
4) a mata atlântica;
5) cerrado;
6) a caatinga;
7) os campos.

O Brasil possui atualmente 34 parques nacionais, 23 reservas biológicas, 31 estações ecológicas, 6 reservas biológicas, todas demarcadas pelos órgãos governamentais ligados ao meio ambiente, juntos estes recursos correspondem a 16.915.640 ha. Pode-se afirmar que são insuficientes, diante da extensão do país, para a conservação ambiental que se faz urgentemente necessária.

O pantanal e a amazônia destacam-se neste contexto pelo seu tamanho (correspondem a praticamente 50% do território nacional), e também porque nestas regiões o turismo ecológico é praticado de forma intensa.

Os programas ecológicos e as unidades habitacionais de selva(lodges) oferecidos aos turistas apresentam oportunidades únicas e, certamente, inesquecíveis aos turistas. Os hotéis são rústicos, construídos com materiais da região, e sua arquitetura, integrada a natureza, associa a paisagem com os ecossistemas nos quais se situam. Geralmente localizam-se em áreas de florestas densas, longe da vida urbana, e próxima a rios e lagos, proporcionando muito ou pouco conforto ao visitante, conforme a sua classificação.

O acesso ao local, é realizado por meio de barcos a motor, a partir dos grandes centros urbanos (Cuiabá e Manaus); a viagem pode durar de duas a quatro horas, dependendo da distância entre os lodges e o aeroporto mais próximo.

Realizam-se programas, com duração de dois a quatro dias (dependendo do tempo de estada, há turistas que permanecem até duas semanas), que abrangem uma série de atividades diurnas e noturnas, tais como pescaria, banhos, safaris fotográficos, passeios (de canoa nos igarapés e de barco nos rios), apreciação de fauna e flora, vista do pôr do sol em uma região praticamente intocada pelo homem (uma inesquecível imagem que os visitantes jamais irão se esquecer), além de muitas outras.

Os turistas podem ser classificados em hard e soft (isto se aplica a intensidade da participação física e também ao nível de interesse nos estudos do meio ambiente). Os visitantes hard, normalmente são estudiosos ou cientistas e, quando no pantanal ou na floresta, alojam-se de forma rudimentar, têm atividade física intensa (caminhadas) e pesquisam flora, fauna, as comunidades indígenas, a composição dos solos, etc. Já os denominados soft são apreciadores da natureza, e nas viagens ecológicas acabam unindo as atividades recreativas com o interesse pela história natural. Suas atividades físicas estão relacionadas com os passeios a pé, de canoa ou de barco a motor; preferem um nível de conforto melhor, mais sofisticado (gelo para os seus drinks e luz elétrica, providos por grandes geradores movidos a óleo diesel).

A intensidade dos impactos dessas atividades sobre os ecossistemas varia de acordo com a observação ou não dos limites da capacidade de carga (carrying capacity) de cada região, quando da construção de lodges ou do número de pessoas que participam das atividades.


OS IMPACTOS AMBIENTAIS DO TURISMO ECOLÓGICO

Os impactos ambientais do turismo ecológico no Brasil, não têm sido estudados e analisados de forma ordenada e as ocorrências, aqui citadas, são fruto de observações empíricas, relatórios de grupos de empresários que organizam viagens, de guias ecológicos e de ambientalistas.

Desta forma podem-se citar, a seguir, tanto os impactos ambientais quanto os socio-culturais do turismo ecológico.

Impactos positivos nos ambientes nos Ambientes Naturais

Criação de áreas, programas e entidades (governamentais e não-governamentais) de proteção da fauna e flora.

Ex.: Projeto TAMAR - Tartarugas Marinhas; Projeto Cetáceos - Golfmhos; Projeto Ecológico da Cesp - Movendo o futuro da nação com energia elétrica, mas também preservando a natureza.

Fundação O Boticário de Proteção à Natureza

Nos Ambientes Socioculturais

(a) Ambientalistas se alistam nos programas de ecoturismo e atuam como guias e instrutores na orientação e educação ambiental das comunidades locais e dos visitantes, e, muitas vezes, tornam-se proprietários e administradores dos seus próprios lodges.
(b) Campanhas e programas de educação ambiental para crianças, adultos, turistas e moradores das localidades turísticas.
(c) O desenvolvimento do orgulho étnico. As comunidades receptoras do turismo passam a sentir orgulho das suas características culturais e da originalidade dos recursos naturais da sua localidade. Alistam-se nas campanhas preservacionistas, fiscalizam as ações devastadoras dos turistas e atuam como guias dos passeios pelas matas.
(d) As comunidades receptoras do turismo ecológico, acabam se favorecendo com a atividade. Beneficiam-se, principalmente, no atendimento das suas necessidades básicas, utilizando os barcos que transportam os turistas para irem às cidades mais próximas em busca de alimentos, vestuário e medicamentos. Além de trabalharem nos equipamentos e de fornecerem alimentos da região aos hotéis ecológicos, tais como farinha e frutas.

Impactos Negativos nos Ambientes Naturais


(a) Descaracterização da paisagem pela construção de equipamentos cuja arquitetura, material e estilo contrastam com o meio natural.
(b) Desmatamento para a construção dos lodges e de equipamentos de apoio.
(c) Poluição sonora e ambiental provocadas pelos motores dos barcos e pelos geradores, que provêm energia elétrica para os lodges.
(d) Contaminação das fontes e mananciais de água doce e do mar, perto dos alojamentos, provocada pelo lançamento de esgoto e lixo in natura nos rios, lagos, lagoas e oceano.
(e) Coleta e destruição da vegetaçao nas margens das trilhas e nos caminhos das florestas.
(f) Erosão de encostas devido ao descuido e falta de drenagem nas trilhas.
(g) Alargamento e pisoteio da vegetação das trilhas e caminhos.
(h) O lixo e abandono de restos de alimentos ao ar livre, que atraem insetos e provocam mau cheiro.
(i) Ruídos que assustam e provocam a fuga dos animais dos seus ninhos e refúgios; por exemplo, músicas, assobios, palmas, apitos, tiros.
(j) Os visitantes alimentam os animais mais dóceis com produtos com conservantes que, constituindo uma dieta estranha à habitual, provocam doenças e até a sua morte.
(k) Caça e pesca em épocas e locais proibidos.
(l) Incêndio nas áreas mais secas, provocados por fogueiras ou faíscas de isqueiros, fósforos, ou cigarros.
(m)Acúmulo de lixo nas margens dos caminhos e das trilhas, nas praias, montanhas, nos rios e lagos.
(n) Uso de sabonetes e de detergentes pelos turistas contaminam águas dos rios e lagos, comprometendo sua pureza e a vida dos peixes e da vegetação aquática.
(o) Coleta e quebra de corais no mar e das estalactites estalagmites das grutas e cavernas para serem utilizados como souvenirs.
(p) Alteração da temperatura das grutas e cavernas e o aparecimento de fungos nas rochas, causados pelos sistemas de iluminação.
(q) Pintura e rasura nas rochas ao ar livre e dentro das grutas e cavernas, onde os turistas querem registrar a sua passagem.

Nos Ambientes Socioculturais

(a) Migração de pessoas originárias de regiões economicamente debilitadas para os novos pólos turísticos, em busca de empregos, provocando excedente na oferta de mão-de-obra e escassez de moradias.
(b) Aumento dos preços das mercadorias e terrenos.
(c) Isolamento de prostitutas e mendigos das cidades próximas às áreas receptoras, para não causar um choque ou uma má impressão do local, perante os turistas, principalmente estrangeiros.
(d) Descaracterização das tradições e costumes das comunidades receptoras, cujos ritos e mitos muitas vezes são transformados em shows para os turistas.
(e) Sentimentos de inveja e ressentimento frente aos hábitos e comportamentos diferentes dos turistas e à ostentação de tempo livre e dinheiro - muitas vezes escassos para os moradores das localidades.

Por tudo que foi exposto acima, percebe-se que os impactos negativos do turismo ecológico sobre o meio ambiente natural e socio-cultural superam os positivos. Este fato não pode ser ignorado pelos órgãos governamentais e pelos empresários do setor, pois alguns danos são irreversíveis e comprometem a característica natural desse meios - motivo principal da vinda dos turistas, que buscam uma viagem inesquecível junto aos ambientes ecologicamente conservados.


ALGUMAS ALTERNATIVAS PARA UM RELACIONAMENTO HARMONIOSO DO TURISMO ECOLÓGICO COM O MEIO AMBIENTE NATURAL

O exotismo e a diversidade dos recursos naturais do Brasil atraem uma demanda interna e externa significativa e estimulam a instalação de uma infra-estrutura hoteleira e de programas para o ecoturismo que, muitas vezes, comprometem, irremediavelmente, os recursos naturais que promoveram a sua criação.

A busca do equilíbrio necessário para o desenvolvimento da atividade que beneficie a conservação ambiental, os turistas e as comunidades receptoras envolve, essencialmente, um planejamento com a colaboração de vários setores. Este planejamento deverá considerar que a conservação dos recursos naturais de valor notável paisagístico deve atentar para o fato de que o meio ambiente é considerado um patrimônio público e o aspecto da sua conservação ecológica deverá estar equilibrado com o uso comum pela população, possibilitando a todos os cidadãos o contato com a natureza. Entretanto este privilégio não concede às pessoas, tanto turistas quanto moradores da região, o direito de devastar, agredir e destruir os locais que visitam, colocando em risco a beleza paisagística e os exemplares da flora e fauna.

Por isso, o equilíbrio entre o turismo e a natureza, onde a segunda constitui a matéria-prima para o primeiro, precisa ser regulado e disciplinado. Dentre as ações destinadas a dar impulso a um relacionamento harmonioso entre o turismo ecológico e a conservação ambiental, recomenda-se as descritas a seguir.

a) Educação ambiental dos turistas e das comunidades receptoras apresenta-se como fundamental para a conservação ambiental das áreas onde ocorre o turismo ecológico. É imprescindível que os turistas desenvolvam comportamentos sociais mais responsáveis e atitudes preservacionistas durante suas viagens. As comunidades receptoras deverão ser conscientizadas da importância da atividade em si e da conservação da autenticidade dos recursos naturais, pois deles depende o futuro turístico da localidade e, conseqüentemente, as suas oportunidades de emprego e de complementação do orçamento doméstico.

b) Capacitação de recursos humanos especialmente treinados para a operação de equipamentos e de programas ecológicos em muito contribuirá para a preservação dos recursos naturais utilizados para o turismo ecológico. Além do desenvolvimento de cursos de guias ecológicos, recomenda-se o treinamento das comunidades locais, cujos integrantes conhecem intensamente as áreas, e poderio participar dos programas como guias nas trilhas e caminhos da floresta, dar instruções sobre os perigos e as condições de sobrevivência na selva, através da utilização de plantas e sementes comestíveis. Além disso, os pantanais e florestas possuem encantos, lendas e magias que fascinam os turistas e ninguém melhor do que um nativo para contá-las, dando-lhes o tom, o suspense e o mistério característicos da selva.

c) Intensificação da fiscalização dos empreendimentos e programas voltados para o turismo ecológico. No Brasil, a responsabilidade oficial pela atividade corresponde à EMBRATUR - Instituto Brasileiro do Turismo - que atua em conjunto com o IBAMA -Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. A legislação brasileira do turismo prevê uma série de critérios e normas específicas para os equipamentos de hospedagem considerados ecológicos (lodges) que, apesar de bem elaborados, carecem da necessária fiscalização e controle, tanto na implantação quanto na operação dos equipamentos.

d) Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e seus respectivos relatórios (RIMAs) são instrumentos imprescindíveis para a preservação da autenticidade dos recursos naturais de interesse turístico. Estes estudos, realizados quando os equipamentos ainda estio na fase de projetos, são desenvolvidos por equipes interdisciplinares e determinam as diretrizes necessárias, de acordo com as particularidades dos projetos e das características ambientais da área onde pretendem ser implantados.

A legislação exige a elaboração de EIAs e RIMAs para, estradas, loteamentos urbanos e rurais, marinas e também para os equipamentos de turismo e lazer. De acordo com o resultado dos estudos, os projetos poderão ser aprovados integralmente, sofrer algumas alterações ou então ter recusada a sua implantação.

e) O zoneamento detalhado dos recursos naturais, identificando e classificando as diferentes áreas, de acordo com a fragilidade dos ecossistemas, permitirá o estabelecimento de critérios, que irão liberar ou proibir a sua utilização para o turismo ecológico. Na América Latina, utiliza-se o sistema de classificação de terras que divide as áreas naturais em sete zonas de manejo (ROA et ai., 1986:191): intangível, primitiva, de uso intensivo, de uso extensivo, histórico-cultural, de recuperação natural ou de uso especial. Além disso, é necessário estudar e delimitar as áreas de acordo com suas características específicas, tais como foram sugeridas pela SEMA - Secretaria do arribação, áreas de formações vegetais nativas associadas à fauna, áreas de ocorrência de mamíferos; e, através desses dados, determinar trilhas em mapas e marcos de orientação de campo nas áreas passíveis de receberem visitantes (SEMA, s.d.).

f) Determinação da capacidade de carga (carrying capacity) constitui a base para o planejamento do turismo nas áreas com recursos naturais de fragilidade e beleza consideráveis. Sua determinação é fundamental para o desenvolvimento de um turismo limitativo e capaz de salvar os recursos naturais ameaçados. É definida como sendo "o número máximo de pessoas que um recurso turístico pode suportar, antes que ocorram impactos negativos no ambiente fisico e social' (LOZATO-GIOTART, 1992:141). A fixação da capacidade de carga de determinado recurso natural depende de seus aspectos físicos (clima, paisagem, recursos hidrícos e território) e das características sócio-econômicas, tanto dos turistas quanto das comunidades receptoras. No caso do turismo ecológico, a capacidade de carga deverá ser estabelecida dentro dos limites mais baixos possíveis, devido à alta fragilidade dos ecossistemas nos quais são implantadas as facilidades turísticas.

g) O desenvolvimento do turismo sustentável, definido por PEARCE & TURNER (1990:24) como sendo "aquele que pretende maximizar e otimizar a distribuição dos benefícios do desenvolvimento económico, baseado no estabelecimento e na consolidação das condições de segurança sob as quais se manterão os serviços turísticos, a fim de que os recursos naturais sejam mantidos, restaurados e melhorados dentro de um futuro previsível."


O turismo passa, atualmente, por um período caracterizado por uma nova sensibilidade, na qual se discute a necessidade do controle do turismo de massa e o desenvolvimento de outras formas, como o alternativo, brando e responsável. O turismo ecológico se insere neste contexto e, seguindo a orientação dos demais, que divulgam a conservação da autenticidade dos meios naturais e das comunidades receptoras para as gerações futuras, encontra no desenvolvimento sustentável uma das alternativas para a conservação dos seus recursos naturais.


CONCLUSÃO

A conservação ambiental e o turismo são fenômenos em franca expansão no mundo moderno. O primeiro como contrapeso ao uso irresponsável dos recursos naturais durante o processo de desenvolvimento do homem e o segundo pelo encurtamento de distâncias, avanço nos transportes e nas comunicações e aumento do tempo livre, que esse processo gerou.

O turismo ecológico opõe-se ao turismo de massa e caracteriza-se pela participação de um número reduzido de pessoas, e do conseqüente pequeno porte dos equipamentos, tanto os de hospedagem quanto os de transporte para os centros urbanos ou de locomoção dentro das áreas.
Países como o Brasil, com grandes áreas preservadas do território, têm, assim, reservas estratégicas naturais que, despertando o interesse de toda a humanidade, podem, se bem exploradas turisticamente, constituir uma vantagem única, reduzindo eventuais pressões internacionais para sua intocabilidade ambiental.

Para tanto, deve-se acabar com a falta de conscientização dos turistas e das comunidades receptoras, que sem saber acabam destruindo as áreas ambientais e conseqüentemente os ecossistemas destas; com a ganância de alguns empresários que devastam florestas e constróem hotéis, apenas para lucrarem à custa das maravilhas ecológicas de nosso país; com a falta de fiscalização nas áreas ambientais, que acabam permitindo alguns abusos como os citados acima.

Trata-se de um novo direcionamento para a atividade turística que só terá êxito se os ambientalistas, os representantes de órgãos públicos do turismo, os profissionais da área turística (turismólogos e hoteleiros), os empresários e a população das localidades se unirem e determinarem juntos qual a evolução pretendida para a destinação, antes da tomada das decisões finais para a implantação dos equipamentos e atividades, adotando-se políticas e estratégias adequadas de desenvolvimento turístico e de conservação ambiental, por intermédio de programas bem idealizados de turismo ecológico.

A criatividade, o espírito de inovação e de cooperação entre os pequenos e os médios empresários se apresentam, portanto, como as alternativas mais promissoras para o desenvolvimento do turismo ecológico, tornando-o economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sadio e sustentável.


BIBLIOGRAFIA:

1. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE DE DESENVOLVIMENTO. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1988.
2. UNITED NATIONS (Generaly Assembly). Resolutions adopted by the General Assembly 44/228. United Nations Conference on Environment and Development. New York, UN, 22-Dec. 1989.
3. EMPRESA AMAZONENSE DE TURISMO (EMAMTUR). Impactos sociais dos alojamentos de selva nas comunidades da Amazônia. Manaus: EMAMTUR/FVA/EMBRATUR (Relatório Preliminar), 1992.
4. INSTITUTO BRASILEIRO DE TURISMO (EMBRATIJR). Programa Ecoturismo. Brasília: EMBRATUR (Versão Preliminar), 1991.
5. ROA, Jesus G. et al. Recursos naturales y turismo. Mexico: Limusa, 1986.
6. SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE (SEMA). Turismo em estações ecológicas. Brasília, s. d.
7. LOZATO-GIOTART, J. P. Geographical rating in tourism development. Tourism Management, London, v. 13, n. 1, p. 141-44, march 1992.
8. PEARCE, D. W. & TURNER, R. R. Economics of natural resources and the environment. H. Hemptead (UK): Wheatsheat 1990.

Comentários


Páginas relacionadas