Cultura do Maracujá

Cultuta do Maracujá

 

Situação Atual

A cultura do maracujá atinge o seu pleno desenvolvimento nas regiões tropicais e subtropicais e pertence à ordem Parietales, da família Passifloraceae e ao gênero Passiflora, que possui em torno de 500 espécies tropicais e subtropicais, das quais cerca de 150 são originárias do Brasil. Mais de 60 dessas espécies produzem frutos que podem ser aproveitados como alimento e na preparação de doces, sucos e licores.

A expansão da cultura está fortemente ligada à industrialização de seus frutos, que proporcionam suco saboroso e aromático, que pode ser produzido como suco integral ou concentrado, muito bem aceito em diferentes mercados e por todas as faixas etárias.

Atualmente, Brasil, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Quênia, Peru, Índias Ocidentais, Taiwan, Indonésia, Filipinas e alguns outros países cultivam o maracujá comercialmente. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais, colhendo, em média, acima dos 30 mil hectares, embora a produtividade média, de pouco mais de 12 mil Kg/ha, seja considerada baixa internacionalmente.

Tecnologias recomendadas

O maracujazeiro é uma planta trepadeira, lenhosa, robusta, que pode atingir até 10 metros de comprimento. Sua propagação pode ser feita pela forma sexuada, através de sementes (a mais empregada) e pela forma vegetativa, através de estaquias, mergulhias e enxertias.

O sistema radicular do maracujazeiro é fasciculado, com maior concentração de raízes nos primeiros 30 cm de profundidade e a 60 cm do tronco. O caule é lenhoso na base, sendo menos lenhoso no ápice da planta de seção circular no maracujazeiro-amarelo e quadrangular no maracujá doce (Passiflora alata), com folhas simples alternadas, lobadas ou digitadas. Na base da folha, aparecem as gemas que originarão ramos secundários, botões florais e as gavinhas, órgãos estes que se fixam pelo contato.

Suas flores são hermafroditas, com cinco estames compostos por filamentos das anteras, com grande número de grãos de pólen de coloração amarelada e cujo peso dificulta a polinização pelo vento, e por 3 estigmas (órgãos femininos) que, devido ao grau de curvatura, podem facilitar ou dificultar a polinização.

Os furtos são de formato arredondado ou ovalado, de coloração amarela ou roxa, conforme a espécie, e no seu interior formam-se numerosas sementes, rodeadas de uma membrana mucilagenosa (sarcotesta) que contém o suco. Pesquisas têm demonstrado que os frutos ovalados produzem 10% mais de suco do que os redondos, daí a recomendação de se utilizarem frutos ovalados para a obtenção de sementes destinadas a novos antios.

Flores e frutificação

O maracujazeiro produz flores e, consequentemente, os frutos em ramos do ano, fator que favorece a poda anual do maracujazeiro após o período de colheita. O maracujazeiro-amarelo exige mais de onze horas de luz para florescer. Quando o comprimento do dia é inferior a onze horas, os botões florais que porventura se formem não vingam, caindo logo em seguida, sem ocorrer a formação das flores propriamente ditas.

O maracujazeiro-doce floresce o ano inteiro, com alguns períodos de maior produção de flores. As flores do maracujazeiro-amarelo abrem-se a partir do meio-dia, atingindo seu máximo entre 13 e 15 horas. Posteriormente, a quantidade de flores abertas diminui gradativamente até o anoitecer.

Após a abertura, a flor tem de ser polinizada, caso contrário murcha e cai. A curvatura dos estiletes influi diretamente na produção, pois os estiletes sem curvatura não produzem frutos. As flores com estiletes totalmente curvos são as mais adequadas e ocorrem em maior quantidade.

Os agentes polinizadores mais eficientes para o maracujazeiro-amarelo são as abelhas do gênero Xilocopa, conhecidas vulgarmente como mamangavas. O tamanho da mamangava é ideal para a polinização, pois no momento em que recolhe o néctar da flor, o seu dorso fica impregnado com grãos de pólen que, por sua vez, ficam retidos nos estigmas quando da visita à flor seguinte. A abelha comum, Apis mellifera é pouco útil na fecundação do maracujazeiro, podendo ser considerada prejudicial, já que leva o pólen da flor sem tocar nos estigmas, não provocando a polinização e reduzindo, desta forma, a produção de frutos.

Frutos grandes e bem formados são produzidos por uma polinização com um número mínimo de grãos de pólen colocados nos estigmas. Considera-se que este número esteja em torno dos 190 grãos de pólen.

Para avaliar a eficiência da polinização natural, marcam-se 100 flores abertas com fitas coloridas ou outros meios. Quatro dias após a marcação, contam-se os frutilhos formados. Se o número for de 40 a 50, significa que a eficiência das mamangavas é satisfatória. Caso contrário, deve-se polinização manual ou artificial.

Na polinização artificial, passa-se das anteras de uma flor para os estigmas de outra flor diferente. Apesar do maracujazeiro possuir flores hermafroditas, que contêm os dois sexos, elas não se polinizam entre si.

Impregnam-se as pontas dos dedos com o pólen retirado das anteras e, num movimento rápido, encostam-se nos estigmas, que possuem viscosidade necessária para manter os grãos de pólen aderidos; em seguida, toca-se outra flor da mesma forma e assim sucessivamente, polinizando-se o maior número possível de flores.

O rendimento com este processo, na Estação Experimental de Macaé, é de 80%, isto é, de cada 100 flores polinizadas manualmente 80 produzem frutos.

Por se tratar de atividade que demanda mão-de-obra diariamente, o ideal é combinar de forma harmônica as duas formas de polinização: a natural, favorecendo a multiplicação de mamangavas através do plantio de plantas com flores que as atraiam, como as buganvília e hibiscos (evitar a realização de controle de pragas e

doenças com pesticidas no horário vespertino quando elas visitam as flores em maior quantidade e colocando mourões ocos de madeira para que possam construir seus ninhos), e a artificial, tentando tocar o maior número de flores possível num curto espaço de tempo, evitando-se em posição difícil de serem atingidas, como aquelas com estiletes sem curvatura.

Variedades

Ainda não foram criadas variedades hortícolas propriamente ditas de maracujá nos diversos países produtores. Os plantios comerciais têm-se limitado simplesmente ao emprego de sementes da espécie P. edulis (maracujá-roxo) ou da sua variedade botânica flavicarpa (maracujá-amarelo) para multiplicação.

O maracujá-roxo é cultivado principalmente na Austrália, Nova Zelândia e África do Sul e desenvolve-se melhor nas terras altas, menos sujeitas ao excesso de umidade. Os frutos redondos ou ovalados, menores e de suco menos ácido que os do maracujá-amarelo, muito apreciados para consumo ao natural.

O maracujá-amarelo é mais vigoroso e se adapta muito bem aos vários tipos de solo. Os frutos são maiores que os do maracujá-roxo, redondos ou ovalados, de suco bem ácido (PH 2,5 a 3,0) e sabor agradável.

Além das suas preferências climáticas, as duas formas de maracujá apresentam aptidões entre si que podem ser assim resumidas:

P. edulis (roxo)

P. edulis f. flavicarpa

Resistência ao frio

Boa

Sensível

Nematóides

Sensível

Tolerante

Moléstias

Muito sensível

Menos sensível

Fusarium

Muito sensível

Tolerante

Vigor

Muito grande

Duração de vida econômica

Mais longa

Produtividade

Mais alta

Rendimento de suco

Mais alto

Acidez

Mais ácido


Outras características que diferenciam o maracujá-roxo do amarelo são:

Maracujá-roxo

Maracujá-amarelo

Mais aroma

Maior tamanho do fruto

Mais sabor

Maior peso do fruto

Mais ácido ascórbico

Mais rico em caroteno

Maior relação Brix/acidez

Maior acidez total

Sementes pretas

Sementes pardo-escuras

Frutos de casca roxa

Frutos de casca amarela

Ramos com coloração verde-clara

Folhas e ramos com coloração vermelha-púrpura ou roxa

Abertura da flor: de madrugada e fecha antes das 12 horas

Abertura da flor: após 12 horas

Planta mais resistentes ao frio

Planta maior susceptível ao frio

Maior produtividade por planta

Mais vitamina A

MANICA (1981) afirma que uma boa linhagem de maracujá-amarelo deve apresentar as seguintes características:

  • plantas vigorosas;
  • resistente às secas, moléstias e pragas;
  • elevada percentagem de frutos grandes;
  • pericarpo firme;
  • cavidade bem cheia;
  • polpa bem sucosa;
  • coloração da polpa amarelo-escura;
  • rica em sólidos solúveis totais;
  • acidez relativamente elevada;
  • aroma intenso;
  • teor de suco superior a 40% do peso do fruto.

Produção de mudas

A multiplicação por sementes é a maneira usual para estabelecimento de plantações comerciais de maracujá, embora se saiba que dela resulta uma grande variabilidade de ordem genética na descendência.

O maracujá também pode ser propagado por meios vegetativos, como a estaquia, mergulhia e enxertia, porém tais métodos geralmente são aplicados apenas quando se deseja propagar uma linhagem ou variedade hortícola em particular, pois reproduzem exatamente as características das plantas eleitas.

As mudas são formadas em sacolas plásticas de 25 cm X 10 cm ou em tubetes de 12 cm de comprimento por 3 cm de diâmetro na parte superior e afunilado na parte inferior.

As sementes obtidas de frutos alongados (produzem 10% mais de suco que os redondos), em número de 3 ou 4, são semeadas a uma profundidade de 2 a 3 cm e germinam entre 12 e 20 dias. Quando as plantinhas tiverem atingido 10 cm de altura procede-se ao desbaste, deixando apenas a mais vigorosa por recipiente e, após alguns dias , deve-se ralear a cobertura gradativamente, para acostumar as mudas ao sol. Quando as plantinhas atingirem 25 a 30 cm de altura, o que geralmente se dá entre 50 a 60 dias, podem ser transplantadas para o local definitivo.

Solo

Solos areno-argilosos, ricos em matéria orgânica, profundos e bem drenados são os mais recomendados para o plantio do maracujazeiro. No entanto, esta fruteira se adapta a vários tipos de solo, desde que bem drenados, sem acumular água em nenhum período do ano. Desta forma, aconselha o plantio do maracujazeiro em solos de topografia levemente ondulada para evitar problemas de deficiência de drenagem.

Plantio

As mudas com altura de 20 cm a 30 cm, no início do aparecimento das gavinhas, são plantadas em covas de dimensões variáveis, de acordo com a textura do solo:

  • covas de 40 cm x 40 cm em solos areno-argilosos ou francos, profundos;
  • covas de 50 cm x 50 cm em solos argilosos ou com camadas subsuperficiais adensadas, são forma a proporcionar melhores condições para o desenvolvimento do sistema radicular.

As covas devem ser previamente adubadas com a seguinte composição:

  • 10 litros de esterco de curral;
  • 300 g de superfosfato simples;
  • 200 g de calcário dolomítico.

Tudo deve ser muito bem misturado com a terra retirada da cova na seqüência terra + calcário + esterco + superfosfato. Esta mistura é devolvida à cova, que será enchida completamente. Na ocasião do plantio, 20 a 30 dias após, faz-se uma coveta no centro da cova, com dimensões suficientes para receber a muda formada em saco plástico ou tubetes.

As mudinhas são conduzidas até o arame que sustentará a parreira por meio de linha ou corda de algodão ou vara de bambu da grossura de um lápis.

Realiza-se a poda de formação, conservando-se apenas a haste principal, podando-se todos os ramos secundários, que aparecem até uma altura aproximada de 30 a 40 cm antes de atingir o arame. Neste momento, permite-se que a haste principal ultrapasse o arame em aproximadamente 15 a 20 cm, quando então é cortada. O corte da haste principal estimula o crescimento de dois laterais, que são conduzidos de baixo para cima, em direções opostas sobre o fio de arame. O corte do ápice da planta também estimula a floração.

Posteriormente, os ramos secundários devem ser enrolados cuidadosamente em torno do arame, que deve ser realizada de duas a três vezes por semana. desta maneira, os ramos secundários ficam firmemente agarrados ao arame, aptos a dar origem à cortina (onde se formam os frutos), conjunto de ramos terciários que se estendem desde o arame até o solo.

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