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Morte e Vida Severina

Autor:
Instituição: Colégio Pdre Moye
Tema: Análise Literária

ANÁLISE LITERÁRIA - MORTE E VIDA SEVERINA

03/05/2004


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho a meu irmão que, aonde quer que esteja, levou uma vida severina, assim como eu, durante toda a infância.


INTRODUÇÃO

O trabalho a seguir trata-se da análise literária da obra de João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina.

Durante a análise, serão abordados pontos como: escola literária, linguagem, o porquê de o autor ter escrito a obra, os personagens que aparecem na história, espaço e tempo etc.

Na conclusão estarão descritos: o tipo de linguagem / vocabulário que aparecem na obra e ainda meu ponto de vista sobre a história.

Após a conclusão, haverá uma entrevista com uma pessoa que tem as características "severina", ou seja, que nasceu na roça nordestina.

Nome da obra literária:

Morte e vida severina

 

 

 

Nome do autor:

João Cabral de Melo Neto

Escola literária:

Modernismo

Gênero literário:

Poema dramático. O leitor pode observar que a "história" que se conta não é narrada, mas mostrada através de quadros e cenas que se sucedem. Este é um procedimento típico da linguagem teatral. Daí a sua classificação: é um poema porque é escrito em forma de versos; e é dramático porque sua apresentação dá-se através de quadros, as personagens falando diretamente ao leitor (ou espectador).

Características da escola literária:

O Modernismo no Brasil começou com a Semana de Arte Moderna de 1922. Apesar de não ter sido dominante no começo, como atestam as vaias da platéia da época, com o tempo suplantou os estilos anteriores. Era marcado por uma liberdade de estilo e aproximação da linguagem com a linguagem falada.

Quanto à forma:

Quanto às idéias:


Linguagem:

É impossível ler Morte e Vida Severina sem recorrer com freqüência ao dicionário. João Cabral usa uma linguagem culta e corrente, porém  sem distanciar-se de seu universo: o nordeste brasileiro.

Ainda que escrito há mais de 40 anos, o poema contando a travessia sertaneja do retirante Severino envolve o leitor com sua linguagem simples e objetiva, mas sem abrir mão de uma forte identidade regional.

Em Morte e Vida Severina, a linguagem regional entra de cabeça erguida, ombro a ombro com a linguagem comum aos grandes centros. Os regionalismos aqui têm a função específica de marcar a trajetória de Severino, conferindo-lhe a autenticidade testemunhada pela linguagem popular.

Há também a escassez de imagens "poéticas", típica da poesia de João Cabral de Melo Neto, sempre tão econômico em metáforas, metonímias e outras figuras que embelezam uma certa poesia de consumo fácil.

Em João Cabral, a linguagem reflete a própria paisagem que ele descreve: agreste, dura, seca. As exceções, raras, mostram imagens belamente cruéis (!), como no quadro dos "irmãos das almas", quando a bala assassina é chamada liricamente de "ave-bala" e "pássara"...  

Estilo de linguagem:

Por que João Cabral escreveu a obra:

Morte e Vida Severina foi escrita entre 1954-55. Naquela ocasião, Maria Clara Machado, que dirigia o teatro Tablado, no Rio, pedira que João Cabral escrevesse algo sobre retirantes. O poeta escreveu, então, um grupo de poemas dramáticos, para "serem lidos em voz alta" e os dedicou a Rubem Braga e Fernando Sabino, "que tiveram a idéia deste repertório".

A obra tem como subtítulo "Auto de Natal pernambucano" e tem inspiração nos autos pastoris medievais ibéricos, além de espelhar-se na cultura popular nordestina.

Personagens:

Severino – retirante nordestino que quer viver além dos trinta anos e por isso viaja até Recife, pois acredita que a vida lá seja melhor.

Dois homens e o defunto – dois homens que Severino encontra no caminho, carregando um defunto chamado Severino Lavrador.

Pessoas que cantam excelências para um defunto e um homem que faz paródia das palavras dos cantadores –

Mulher na janela – mulher bem vivida que ganha a vida fazendo velórios, ladainhas, enterros, novenas etc.

Trabalhador da roça (defunto) e amigos – trabalhador é enterrado enquanto amigos o homenageiam.

Dois coveiros – Em Muro Alto (Recife), dois coveiros conversam sobre melhores condições de trabalho.

José – mestre carpina que incentiva Severino a lutar pela vida, por mais severina que seja.

Mulher – dá a entender ser a parteira do filho de José.

Vizinhos, amigos e duas ciganas – todos vêm presentear o filho de José e as duas ciganas fazem a leitura do futuro do menino.

Foco narrativo:

Terceira pessoa.

Tipo de narrador:

Observador onisciente. Severino se apresenta no primeiro capítulo e nos demais ele conta toda a história.

Espaço:

Partida: Sertão de Pernambuco

Estações: – "Irmãos das almas"

Chegada aos Mocambos do Recife: "Presépio"

Tempo:

Cronológico, seqüencial.


Enredo:

1° capítulo

Severino nasce, tenta de várias maneiras ser reconhecido como Severino, mas como em cada situação em que ele se depara há muitos Severinos, decide que será apenas Severino (que em vossa presença emigra).

2° capítulo

Severino encontra dois homens carregando um defunto numa rede, aos gritos de "Ó irmão das almas que matei não!" e conversa com eles na tentativa de entender a causa da morte. O que o finado Severino tinha de tão importante para que quisessem matá-lo. Somente dez quadras, todas nos ombros da serra, nenhuma várzea. Quem o matou foi a ambição de alguém que queria mais terras e não ficará só naquela morte, pois certamente mais terras irá procurar.

Como o retirante estava migrando e ia passar por Toritama, para o mesmo lugar em que os homens estavam levando o defunto, se ofereceu a ajudar e sendo assim, um deles achou melhor voltar porque não havia necessidade de três carregar o defunto.

3° capítulo

Severino continua seu caminho e sabe que vai passar por muitas cidades e vilarejos. Chega até a comprar o caminho com um rosário, que tem várias contas de diferentes tamanhos, de acordo com o tipo de oração. Também acha que pode se guiar pelo leito do rio Capibaribe, acreditando ser este o melhor guia, o caminho mais certo.

No entanto, em alguns trechos do caminho, o rio corta a descida e em outros, por causa da seca, não continua seu leito (pernas que não caminham). Porém, enquanto Severino tenta escolher um caminho ouve uma cantoria à distância.

4° capítulo

Na casa em que o retirante chega,estão cantando excelências para um defunto, enquanto um homem, do lado de fora, vai parodiando as palavras dos cantadores.

Cansado da viajem, o retirante pensa em interrompê-la por uns instantes e procurar trabalho ali onde se encontra.

Explica Severino que em toda a sua jornada ele só deparava com a morte e então vai à procura de um trabalho para sobreviver.

5° capítulo

Após falar de si mesmo, Severino resolve então perguntar a uma mulher que estava na janela, como ela vivia, com que renda. Ela então explica que vive da morte, fazendo novenas, velórios, enterros, ladainhas etc. e diz a Severino que se ele soubesse rezar, serviço não iria faltar.

6° capítulo

O retirante chega à Zona da Mata, que o faz pensar outra vez em interromper a viajem, pois vê que a terra é boa (doce para os pés e para a vista) e os rios têm água mais limpa. Acredita que talvez seja nessa terra que continuará sua vida.

Avista então folhas de cana fina, um casebre (bangüê) velho em ruína e um bueiro de usina, mas não sabe onde estão as pessoas que ali cultivam a cana. Pensa então que com uma terra tão boa, uma água tão limpa, a plantação vai muito bem e com isso, as pessoas não precisam trabalhar tanto, podem aproveitar um pouco mais a vida, viver mais.

7° capítulo

Severino assiste ao enterro de um trabalhador da roça e ouve o que os amigos que o levavam ao cemitério, lhe fazendo uma homenagem.

8° capítulo

O retirante resolve apressar os passos para chegar logo ao Recife porque percebe que não tem mais muita vida. No sertão, acreditava que morreria antes dos 30. Severino não almejava ser rico, o que queria mesmo, quando começou a andar (retirar), era viver um pouco mais.

Porém, conforme vai caminhando, percebe que a vida é igual em qualquer lugar: na Caatinga, no Agreste e na Mata. A diferença, segundo Severino, está na terra, que é mais macia na Mata.

9° capítulo

Chegando ao Recife, Severino senta para descansar ao pé de um muro alto e caiado e ouve, sem ser notado, a conversa de dois coveiros. Os coveiros conversam sobre os baixos salários, questionando sobre o emprego do trabalhador da cidade, que é melhor.Nas cidades, os nomes dos defuntos são escritos em letras de ouro, enquanto que nos sertões, os defuntos não passam de indigentes.

Os retirantes vês para Recife e quando chegam ao mar percebem que não podem continuar. Ficam então por lá, vivendo dos siris que conseguem pegar. Sugerem até que esse tipo de gente seja jogada no rio para que o enterro seja mais fácil e mais barato.

10° capítulo

Severino aproxima-se de um dos cais do Capibaribe e começa a pensar na morte, na sua própria morte e percebe que veio para o Recife para morrer.

Lembra então, da conversa dos dois coveiros e por um instante deseja que sua morte seja igual, ou seja, que o rio faça seu enterro.

11° capítulo

O morador de um dos mocambos que existem entre o cais e a água do rio aproxima-se de Severino e este começa a lhe questionar como consegue suportar tal vida, porque não se entrega à morte.

José diz então que apesar das dificuldades, da vida sofrida, não devemos nos entregar, devemos lutar, viver nem que seja um pouco a cada dia.

Severino sugere ainda que não faz diferença continuar lutando ou saltar, na noite, de uma ponte, tirando a própria vida.

12° capítulo

Uma mulher, da porta de onde saiu José, anuncia o nascimento de seu filho.

13° capítulo

Vizinhos, amigos e duas ciganas aparecem e aproxima-se da casa do homem para ver o bebê. Dizem que tudo ao redor celebra seu nascimento: o mar, o céu, a terra, o mangue, a alfazema, etc. O nascimento de uma criança, ou seja, a vida faz tudo parecer bonito.

14° capítulo

Começam a chegar pessoas trazendo diversos presentes para o recém-nascido, como caranguejos, leite, bolacha, água da bica, canário, etc. Todos eram presentes simples, devido à pobreza do povo nordestino da região.

15° capítulo

Duas ciganas que vieram com os vizinhos fizeram a leitura do futuro do menino. Disseram que apesar de crescer no mangue do Capibaribe, quando adulto, já trabalhando em uma fábrica, o menino se mudaria para uma casa melhor nos mangues do Beberibe.

16° capítulo

Vizinhos, amigos e pessoas que vieram com presentes falam da formosura do menino.

Apesar de magro, pálido e franzino, o menino tem a aparência de homem. E isso basta, além de ser belo como o coqueiro, como um sim numa sala negativa.

17° capítulo

José fala com Severino sobre a pergunta que ele havia feito: se não vale mais saltar fora da ponte e da vida e responde que nem conhece a resposta e que é difícil defender a vida só com palavras. O nascimento de uma criança respondeu por si só à pergunta, porque esse é o espetáculo da vida, mesmo quando é a explosão de uma vida severina.


CONCLUSÃO

Linguagem:

O vocabulário é culto, mas traz palavras regionais, como:

EITO

BANGÜÊ

MORTE MORRIDA ou MORTE MATADA

CANTAR EXCELÊNCIAS

PARODIAR

LADAINHA

RETIRANTE

MAMONA

PITA

CAROÁ

FARDA ENGOMADA

MANGUE

CACIMBA

O que eu achei da história:

Achei muito interessante, ao mesmo tempo bonita e sofrida. Aprendi muito com a história de Severino, pois percebi que muitas vezes reclamamos por qualquer coisa, quando na verdade não temos idéia dos problemas que afligem milhares de pessoas no sertão nordestino, sem água, comida ou mesmo trabalho. Temos que valorizar mais a vida e aproveitar ao máximo o tempo que nos resta. Temos que curtir mais a vida, o tempo livre que temos.

Foi também uma maneira de valorizar a cultura de nosso país.


ENTREVISTA

Entrevistada: MEIRILANE CLARA SANTOS

A entrevistada, autora do trabalho, migrou do sertão nordestino para o interior de São Paulo e depois para a capital, tendo assim uma trajetória de vida, de certa forma, semelhante a de Severino.

C.: Quais as diferenças do sertão nordestino e da cidade grande?

Meiri: São muitas. No sertão tínhamos que trabalhar na roça, desde criança. O acesso à escola era difícil devido à distância. A seca também castiga muito. Só chovia uma ou duas vezes por ano.

C.: Por que saiu de lá?

Meiri: Por que minha foi me buscar. Eu morava com minha avó até então, de bebê aos 5 anos de idade. Fui morar na cidade, em Pindaí.

C.: E como veio para a capital? Com quem?

Meiri: De ônibus, numa viajem muito longa e cansativa. Vim com uma amiga de minha mãe com quem morei até os 11 anos de idade.

C.: E você gosta de morar aqui?

Meiri: Sim, mas sinto falta de algumas coisas. Apesar da seca, lá não tinha violência, poluição, etc.


BIBLIOGRAFIA

Sites:

www.geocities.com/Athens/Styx/2607/modernistas.html

www.culturabrasil.pro.br/joaocabraldemelonetoo.htm

www.navedapalavra.com.br/resumos/ morteevidaseverina.htm

www.literatura.pro.br/mevsev.htm

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