Avaliação da Composição Corporal de Atletas Corredores de Rua do Centro de Integração e Tratamento do Ser

Autor:
Instituição: Universidade de Fortaleza
Tema: Avaliação da Composição Corporal de Atletas Corredores de Rua do Centro de Integração e Tratamento do Ser

Avaliação da Composição Corporal de Atletas Corredores de Rua do Centro de Integração e Tratamento do Ser

Universidade de Fortaleza
2007

 

 

 

RESUMO

Este estudo teve como objetivo foi avaliar a composição corporal dos atletas de elite, corredores de rua do Centro de Integração e Tratamento do Ser. A amotra foi constituída de 10 atletas, sendo 6 do gênero masculino e 4 do gênero feminino. Foram realizadas as medidas da massa corporal, estatura, dobras cutâneas subescapular, tricipital, supra-ilíaca e panturrilha medial para o gênero masculino e axilar média, supra-iliaca, coxa e panturrilha medial para o feminino, utilizando-se protocolo de Petroski (1995) para predição do % de gordura, e cálculos da massa gorda e massa magra. Os resultados evidenciaram que o % de gordura médio foi de 8,29 ± 2,5% para os homens e 11,9±3,2% para mulheres, massa gorda 4,8 ± 1,22 kg e 7,78 ± 3,74 kg, massa magra média de 53,19 ± 3,52 kg e 42,99 ± 2,46 kg, homens e mulheres respectivamente. Conclui-se que estes atletas estavam em média com um perfil da composição corporal a nível competitivo. Entre as mulheres verificou-se que algumas estão abaixo do perfil.

Sugere-se uma mudança no perfil da composição corporal de algumas atletas, já que este baixo nível de gordura poderá prejudicar o desempenho das mesmas.

PALAVRAS-CHAVE: Corrida, Composição Corporal, Atletas.

 

1 - INTRODUÇÃO

A composição corporal é a proporção de gordura em relação à massa magra, sendo um componente-chave do perfil de aptidão física relacionada à saúde e desempenho atlético de um indivíduo. Para classificar os níveis de gordura utiliza-se a gordura corporal relativa. Os valores médios para adultos (18 a 34 anos) são 13% para os homens e 28% para mulheres, sendo a obesidade caracterizada por valores maiores de 22% de GC para homens e maiores de 35% para mulheres (HEYWARD, 2004). Já para os atletas de atletismo, o percentual de gordura fica em torno de 6% para homens e até 15% para as mulheres (CARAZZATO et al., 1997; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2003).

Há uma homogeneização na composição corporal em cada uma das modalidades esportivas, por isso a necessidade de se avaliar, entendendo-se que existe uma relação direta entre a composição corporal e o desempenho do atleta. (QUEIROGA; FERREIRA; ROMANZIN, 2005).

Nos desportos de alto nível vêem ocorrendo grande evolução, isso devido ao avanço de áreas como psicologia, biomecânica, cineantropometria e a fisiologia do exercício, gerando grande interesse na avaliação da composição corporal para o desenvolvimento de referências, que servirão para monitorar, selecionar e/ou detectar futuros atletas. (CAMBRAIA; PULCINELLI, 2002).

Isso mostra a necessidade dos profissionais da área de saúde, principalmente o profissional da Educação Física, que atua diretamente com o atleta e com a descoberta de novos valores entender e dominar os princípios básicos da aptidão física, para assim ser capaz dimensionar e usar esses resultados de maneira favorável, dando subsídios para planejar cientificamente programas de treinamento adequados para a modalidade escolhida. (HEYWARD, 2004).

A avaliação da composição corporal pode ser feita pela predição do percentual de gordura pelas dobras cutâneas, já que este é um método acessível, de baixo custo financeiro e de fácil verificação, permitindo a comparação dos dados obtidos com os existentes na literatura especializada, podendo melhorar a performance do atleta. (PIRES NETO; GLANER, 2007; PAIVA NETO; CÉSAR, 2005; PRADO et al., 2006.)

O atletismo é um esporte que tem suas características próprias e dependendo da modalidade, essa característica pode mudar bruscamente como exemplo, a característica morfológica, tipo de fibra muscular e tipo de energia usado na modalidade. Em relação a morfologia destaca-se o perfil ectomorfo, que tem como características os corredores de fundo no atletismo, apresentando estrutura corporal com pouca estrutura muscular desenvolvida e óssea, tronco, membros superiores e inferiores longos. (HERNADES JUNIOR, 2002). O percentual de gordura desses atletas que gira em torno de 6% para homens e até 15% para as mulheres (CARAZZATO et al., 1997; MCARDLE; KATCH; KATCH, 2003)

A avaliação da composição corporal desses atletas proporcionará a comparação do percentual de gordura dos atletas de elite do Centro de Tratamento de Integração do Ser (CENTISER) com outros atletas a nível mundial. Isto torna-se essencial para o sucesso de uma equipe acompanhado com um treinamento direcionado para corredores de fundo, com intuito de resultados satisfatório em competições.

Os profissionais do treinamento desportivo se dedicam a tentar identificar as principais caracteristicas físicas e morfológicas dos diferentes esportes, com intuito de relacionar o desempenho físico dos atletas com as características antropométricas e da composição corporal, já que uma inadequação nestas variávies, especificamente o excesso de gordura corporal pode ser visto como um fator de limitação da performance dos atletas. (PAIVA NETO; CÉSAR, 2005)

Heyward (2004) destaca que a gordura corporal em geral não deve ser inferior a 5% para homens e 12% para mulheres. Entretanto, será que estes valores se adequão aos atletas, especificamente os corredores de rua?

Além disso, a quantidade destes estudos no Brasil, ainda é insuficiente se comparada a relevância da avaliação da composição corporal na monitorizção e prescrição do treinamento físico. Na literatura internacional, também não foram encontados até esta data, estudos sobre a composição corporal de atletas de elite corredores de ruas. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar composição corporal de atletas de elite corredores de rua do Centro de Integração e Tratamento do Ser (CENTISER).

 

2 - METODOLOGIA

A presente pesquisa constitui-se num estudo descritivo, com abordagem quantitativa.

A população desta pesquisa foi formada por atletas cearenses de ambos os gêneros da modalidade de atletismo.

A amostra foi composta por 10 atletas corredores de rua do centro de tratamento e integração do ser, que participam de provas de ruas desse ano.

Atletas de ambos os gêneros da CENTISER, com idade compreendida entre 17 e 43 anos, que estejam treinando e competindo nas provas de ruas, e que aceite participar do estudo.

Não foi incluído na pesquisa o atleta que não fizer parte da CENTISER, possuir idade inferior a 17 anos e superior a 43, ou que manifeste recusar em participar do estudo.

O local utilizado para coleta de dados foi a sala de avaliação física da CENTISER, antes do treinamento.

A coleta de dados foi aplicada na primeira quinzena de novembro do ano de 2007.

Para efetuar a coleta de dados foram realizadas as medidas de dobras cutâneas, através de equação preditiva de Petroski (1995), sendo as quatros dobras cutâneas para o gênero feminino as da região axilar média, supra-iliaca, coxa e panturrilha medial e para o masculino a subescapular, tricipital, supra-ilíaca, panturrilha medial.

O material utilizado foi um compasso de dobras cutâneas da marca LANGE, com precisão de 0,5 mm e uma balança mecânica da marca Filizola, com precisão de 100 gramas.

As medidas foram realizadas pelos próprios pesquisadores, onde os mesmos utilizaram um tempo de duas semanas para coletar odados dos atletas participantes.

Os dados passaram por um tratamento estatístico (média, desvio padrão, mínimo e máximo) para traçar o perfil da composição corporal dos atletas do referente desporto e inferencial (teste t de hipótese, com nível de significância de p<0,05) para comparar os atletas de elite da CENTISER com outros atletas a nível mundial, utilizando-se o pacote SPSS (Statistical Package for Social Sciences) 12.0 for Windows.

Este projeto de pesquisa foi cadastrado no Sistema Nacional de Informação sobre Ética em Pesquisa (SISNEP) envolvendo seres humanos e aprovado pelo Comitê de Ética da UNIFOR – COÉTICA.

 

3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na figura 1 observa-se que não houve diferença significativa dos atletas do gênero masculino e feminino em relação à idade. Entretanto, a massa corporal e estatura dos atletas do gênero masculino é a maior do que o feminino. Para. Castro (2004) a média de altura encontrada foi de 169 cm, 60 kg de massa corporal e 25 a idade mostrando que não houve grande diferença quando comparada com os atletas da CENTISER. (p> 0,01).

 

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A figura 2 demostra que não houve diferença significativa entre o percentual de gordura entre homens e mulheres da CENTISER (p>0,01). Os valores médios do % gordura dos atletas do gênero masculino da CENTISER foram semelhantes aos dos corredores de rua do estudo de Castro (2004), que avaliou 14 corredores de rua do gênero masculino, encontrando % de gordura foi 6 ± 1,70% (Figura 3).

 

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Para McArdle; Katch; Katch. (2003) a média encontrada do percentual de gordura das mulheres atletas corredoras de fundo foi de 17% e 15% para corredoras de longas distâncias que quando comparado com as atletas da CENTISER que foi 11% (Figura 2). Entretanto, a atual campeã Sul Americana de corrida de 10 km da CENTISER apresentava percentual de gordura igual a 7%.

Em relação à massa gorda (Figura 4), também não observou-se diferença significativas entre atletas do gênero masculino e feminino (p>0,01), o que não é muito comum já que mesmo para mulheres de diferentes modalidades esportivas observa-se percentual e massa gorda superiores aos dos homens (McARDLE; KATCH; KATCH, 2003).

 

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Já em relação à massa magra houve diferença significativa (p<0,01) entre homens e mulheres (Figura 5), sendo como esperado que os homens tenham maior massa magra que as mulheres, chegando a quase 10 quilos de diferença entre eles. Isso devido questão hormonal. Já que segundo McArdle; Katch; Katch (2003) os homens tem uma produção maior de testosterona a qual tem um papel anabólico que contribui para essa diferenciação na massa e na força muscular.

 

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4 - CONCLUSÃO

A análise dos resultados deste estudo permite concluir que não houve diferença significativa entre o percentual de gordura e a massa gorda de homens e mulheres corredores de rua da CENTISER. Os homens têm a massa magra maior que as mulheres, chegando a quase 10 quilos de diferença entre eles. Ambos estavam em média com um perfil da composição corporal a nível competitivo.

Sabe-se que os atletas com um nível de composição corporal satisfatório ficam mais susceptíveis há resultados em competições que exigem performance. Apesar deste trabalho não constar de treinamento específico para os atletas pesquisados, mas a partir desses resultados e comparando com a literatura verificou-se que os atletas do gênero masculino estão dentro do perfil dos atletas de elites. Já em relação ao gênero feminino verificou-se que algumas estão abaixo do perfil.

Sugere-se uma mudança no perfil da composição corporal de algumas atletas, já que este baixo nível de gordura poderá prejudicar o desempenho das mesmas.



6 - REFERÊNCIAS

CAMBRAIA, A. do N.; PULCINELLI, A. J. Avaliação da composição corporal e da potência aeróbica em jogadores de voleibol de 13 a 16 anos de idade do Distrito Federal. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, 10(2): 43 - 48, 2002.

CARAZZATO, J.G.; AMBRÓSIO, M.; CAMPÊLO, L.; LIMA, F.; MANSOLDO, A.C.; MOLINARI, B.; MORAES, E.; NETZER, P.; PEDRINELLI, A.; PELUSO, M.; RODRIGUES, M.C.; TERRERI, S.; TRECCO, S.; SILVA, L.L.; VIANNA, J.; AZZE, R.; AMATUZZI, M. Avaliação de atletas: metodologia do grupo de medicina esportiva do IOT/HC-FMUSP aplicação em 11 maratonista de elite. Rev Bras Ortop, 32(12): 927– 39, 1997.

HERNANDES JUNIOR, B.D.O. Treinamento desportivo. Rio de Janeiro; Sprint, 2002.

HEYWARD V. H. Avaliação física e prescrição de exercício. Porto Alegre: ARTMED, 2004.

MCARDLE, W.; KATCH, F. I.; KATCH, V. L. Fisiologia do exercício; energia, nutrição. 5. ed., Guanabara Koogan, 2003.

PAIVA NETO, A. CÉSAR, M. de C. Avaliação da composição corporal de atletas de basquetebol do sexo masculino participantes da Liga Nacional 2003. Rev. Bras. Cine. Des. Hum, 7(1):35-44, 2005.

PETROSKI, E. L. Desenvolvimento e validação de equação generalizada para a estimativa da densidade corporal em adultos. [Tese de Doutorado] Programa de Pós-graduação em Ciência do Movimento Humano. Santa Maria (RS): Univerisdade Federal de Santa Maria, 1995.

PIRES NETO, C. S.; GLANER, M. F.; Equação de FAULKNER” para predizer a gordura corporal: o fim de um mito. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, 9(2): 207-213, 2007.

PRADO, W. L do.; BOTERO, J. P.; GUERRA. R. L. F.; RODRIGUES, C. L.; CUVELLO, L. C.; DÂMASO, A. R. Perfil antropométrico e ingestão de macronutrientes em atletas profissionais brasileiros de futebol, de acordo com suas posições. Rev Bras Med Esporte, 12(2):40-52, 2006.

QUEIROGA, M. R.; FERREIRA, S. A; ROMANZINI, M. Perfil antropométrico de atletas de futsal feminino de alto nível competitivo conforme a função tática desempenhada no jogo. Rev. Bras. Cine. Des. Hum, 7(1): 30-34, 2005.

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