Bacilo de Kock - Tuberculose

Autor:
Instituição: Nilton Lins
Tema: Tuberculose

TUBERCULOSE

MANAUS, 2006


1. INTRODUÇÃO

É uma doença infecciosa, contagiosa, causada por uma microbactéria, chamada Mycobacterium tuberculosis, identificada em 1882. A microbactéria também é chamada de Bacilo de Koch, em homenagem a Robert Koch, descobridor do bacilo.

Acomete principalmente o pulmão, podendo ocorrer em qualquer estrutura do corpo humano. Embora seja mais comum em países em desenvolvimento, a doença não foi erradicada em nenhum país do mundo. Existe uma forte relação da doença com infecção pelo vírus HIV. Em casos de tuberculose de qualquer forma, sempre deve ser afastada a possibilidade de AIDS.

Também chamado de Mancha no pulmão, cicatriz no pulmão, tísica, hemoptise, TBC, peste branca e escrófula.

A doença é classificada em forma pulmonar e extra-pulmonar. As formas extra-pulmonares são as que ocorrem em outros órgãos como pleura, gânglios (ínguas, escrófula), sistema nervoso central (cérebro e meninges – apresentando uma meningite), intestino, ossos, sistema genital, pele, articulações e outros.

Bacilo de Koch

1.1 HISTÓRIA

É uma das doenças infecciosas documentadas desde mais longa data e que continua a afligir a Humanidade nos dias atuais. Estima-se que sua bactéria causadora tenha evoluído há 15.000 ou 20.000 anos, a partir de outras bactérias do gênero Mycobacterium.

O Homem parece ter sofrido de Tuberculose (TB) desde a pré-história. Foram mesmo descobertas múmias egípcias e peruanas que apresentavam a doença.

No século XVII, a maioria da população da Europa estava infectada com TB. Como não existiam antibacilares, as pessoas infectadas eram enviadas para hospitais onde podiam recuperar com ar fresco, descanso, uma dieta saudável e também prevenir a transmissão da doença a outras pessoas.

A bactéria causadora da TB, designada também por 'Peste Branca', foi descoberta por Robert Koch, em 1882. No final do século XIX começou a ser possível a detecção da TB através de algo semelhante a radiografias. Para isso, os franceses desenvolveram uma vacina anti-TB conhecida por Bacille Calmette-Guérin ou BCG.

Em 1944, foi inventado o primeiro antibiótico, a Estreptomicina, que curou satisfatoriamente uma pessoa com TB avançada. Todavia, sem apoios e devido ao excessivo contacto entre doentes, rapidamente surgiram bactérias resistentes à Estreptomicina. Em face disto, os cientistas desenvolveram um processo combinado de 4 antibióticos antibacilares.

A Tuberculose Multirresistente (TBMR) foi inicialmente documentada nos EUA, nomeadamente em Miami e em Nova Iorque. O abandono do tratamento, por parte dos doentes, é um dos múltiplos fatores que permitiu aos bacilos da TB ganhar força e resistência aos antibacilares conhecidos. Atualmente, teme-se que o recrudescimento de estirpes de bacilos multirresistentes possa originar uma nova epidemia mundial de TB muito mais difícil de curar.

O bacilo de Koch (BK) constitui uma ameaça para a sociedade, mas, com os progressos da terapêutica, a melhoria das condições sanitárias e a vacinação profilática com BCG, julgou-se que o bacilo estaria a desaparecer. Hoje, sabe-se que tem progredido sob outras formas.


2. DESCRIÇÃO DA BACTÉRIA

O causador da tuberculose (mais precisamente, a tuberculose pulmonar) é o Mycobacterium tuberculosis (MTB) também conhecido como bacilo de Koch, em homenagem ao seu descobridor, o médico alemão Heinrich Hermann Robert Koch. É uma bactéria aeróbica do tipo Gram-positiva de crescimento lento, a qual se divide a cada 16 ou 20 horas, o que é bastante lento comparado a outras bactérias cuja divisão se dá em minutos. É um bacilo (isto é, uma bactéria em forma de bastão) que pode resistir a desinfetantes fracos e pode sobreviver em meio seco durante semanas, porém, só consegue se desenvolver no organismo de um hospedeiro. A tuberculose é uma das mais importantes doenças infecciosas atuais, que até hoje afeta milhões de seres humanos, e depois do surgimento da SIDA/AIDS sua disseminação voltou a crescer.

Levou tempo até que se conseguissem fazer culturas in vitro do M. tuberculosis (ou MTB), porém, atualmente este é um processo laboratorial comum. O MTB é identificável no microscópio após tratamento com solução álcool-ácida e coloração (método de Ziehl-Neelsen). Na técnica de coloração mais comum, os bacilos absorvem um corante vermelho brilhante que contrasta bem com um fundo azul. Os bacilos álcool-ácido resistentes também podem ser visualizados por microscopia fluorescente (técnica do fluorocromo), e por coloração com auramina-rodamina.

O grupo ao qual pertence o M. tuberculosis inclui 3 outras bactérias que também podem causar tuberculose: a M. bovis, a M. africanum e a M. microti. As duas primeiras provocam raros casos da doença, e a última não causa infecção em humanos.

As bactérias em forma de bastão (visíveis a vermelho na imagem) são bacilos da tuberculose Mycobacterium tuberculosis.


3. EPIDEMIOLOGIA

São descobertos, a cada ano, aproximadamente 10 milhões de novos casos no mundo. Três milhões de pessoas morrem, anualmente, no mundo inteiro, por causa da doença, patologia infecciosa curável quando tratada adequadamente.

A tuberculose no Brasil ainda constitui um sério problema de saúde pública. No país ocorrem, aproximadamente, 10 novos casos de tuberculose e morrem cerca de 15 doentes por dia. A doença acomete principalmente, pessoas nas faixas etárias correspondentes à plenitude da capacidade produtiva e alcança os setores de mais baixa renda da população.


4. BIBLIOGRAFIA

- RODRIGO SIQUEIRA-BATISTA, Antimicrobianos – Guia Prático, 1ª edição, 2005;

- FLÁVIO ALTERTHUM & LUIZ RACHID TRABULSI, Microbiologia - 4ª Edição, 2004;

- GERARD J. TORTORA, BERDELL R FUNKE, CHRISTINE L. CASE, Microbiologia, 8ª edição, 2005;

- PATRICK R. MURRAY, Microbiologia Clínica, 2ª edição, 2003.

-  GEORGE S. KOBAYASHI, KEN S. ROSENTHAL e PATRICK R. MURRAY, Microbiologia Médica, 4ª edição, 2004.

- http://www.nature.com

- http://www.designthatmatters.org

- http:// www.microbiologia.vet.br

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