Boldo do Chile

Autor:
Instituição: UVV
Tema: Plantas Medicinais

BOLDO DO CHILE


1. INTRODUÇÃO

A flora medicinal constitui um arsenal de enorme importância. Já há vários séculos as plantas vêm sendo consideradas fontes medicamentosas, empregadas tanto em preparações tradicionais como chás, sucos, xaropes, tinturas e etc (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

É provável que a utilização das plantas como medicamentos seja tão antiga quanto o próprio homem. Várias etapas marcaram a evolução da arte de curar, porém, torna-se difícil delimitá-las com exatidão, já que a medicina esteve por muito tempo associada às práticas mágicas, místicas e ritualísticas (MARTINS et. al., 2002).

A utilização ponderada e racional das plantas medicinais como suporte terapêutico pode ser considerada uma forma simples, de baixo custo e bastante eficaz de promover a saúde. Assim, as ervas têm extrema importância no contexto terapêutico mundial, mais especialmente em países com poucos recursos econômicos, como o Brasil (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

É bem provável que das cercas de 200.000 espécies vegetais que possam existir no Brasil, na opinião de alguns autores, pelo menos a metade pode ter alguma propriedade terapêutica útil à população, mas nem 1% dessas espécies com potencial foram motivos de estudos adequados (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

As plantas medicinais, que têm avaliadas a sua eficiência terapêutica e a toxicológicas ou segurança do uso, dentre outros aspectos, estão cientificamente aprovadas a serem utilizadas pela população nas suas necessidades básicas de saúde, em função da facilidade de acesso, do baixo da compatibilidade cultural como tradições populares (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

O uso de plantas medicinais feito de forma adequada só tem a contribuir para saúde de quem o pratica. Os prováveis efeitos tóxicos de muitas das plantas ainda são ignoradas. Na medida do possível, devem-se utilizar aquelas cujos efeitos sejam bem conhecidos, com dosagens moderadas e bem determinadas evitando-se os excessos (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).


2. BOLDO DO CHILE

Nome científico: Peumus boldus.

Família: Monimiaceae.

Origem: Chile, onde o boldo forma verdadeiras matas de arvores com até 12 a 15 metros de altura em diversas regiões e no norte se restringe quase que exclusivamente à cordilheira costeira dos Andes. As matas de boldo no Chile são mais comuns até 900m de altitude, em geral sobre solos secos com exposição norte, pedregosos, sem terras finas. Outrora o vale longitudinal chileno possuía extensas matas nativas de boldo, mas hoje estão praticamente destruídas (site). No Brasil, a planta poderá até se propagar, mas com quantidade insuficiente de princípios ativos. Os melhores locais para sua aclimatação são os semelhantes à capital chilena, Santiago do Chile (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

Descrição: Arbusto perene (ver figura 1). Faz-se o plantio através de estaquia ou de sementes, que devem permanecer 24 horas mergulhadas em água, para então serem colocadas nas sementeiras; a germinação poderá demorar de quatro a cinco meses. Posteriormente, as mudas devem ser levadas para viveiros. Depois de dois anos, as mudas são transferidas para o local definitivo, respeitando-se o espaçamento de 2 x 2 m entre elas. É preciso tomar cuidado para que não lhes falte água. Pode-se fazer a colheita pouco antes da floração, quando a planta estiver cheia de folhas (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

 

Figura 1 – Arbusto do Boldo Chileno

Fonte: Sigrist (2006)

2.1 INDICAÇÃO CLÍNICA, ATIVIDADE FARMACOLÓGICA E TOXOCOLOGIA

Utilizado em afecções das vias biliares, dispepsia, náuseas, constipação intestinal e ansiedade. Como uso externo, nas dores de origem reumática e contusões. Há comprovação científica de sua ação diurética, mas existem controvérsias sobre a ação nas vias biliares. É totalmente contra-indicado nos casos de insuficiência hepática. Em doses elevadas poderá ocasionar vômitos, náusea e quadros diarréicos (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).

2.2 COMPOSIÇÃO QUÍMICA E PARTE USADA

Contém alcalóides (boldina, isoboldina, isocorina, norisocuridina, esparteína), flavonóides, terpenos (cineol, eugenol, terpineol, ascaridol, cedrol), esteróides (sistoterol), ácido cítrico, mucilagens, taninos e resinas. O caule e as folhas são as partes usadas (CORREA; BATISTA; QUINTAS, 2003).


3. ENTREVISTA COM RAIZEIRO SOBRE O BOLDO CHILENO

Entrevistado: Roque Rasseli (ver figura 2).

Local e dia da entrevista: Loja Pequena Selva, Vila Rubim, Vitória-ES, 23/11/06.

Figura 2 – Os entrevistadores, Fabrício Sousa (esquerda), Rafael Duarte (no meio) e o vendedor de ervas Roque Rasseli.

Roque Rasseli, dono de uma loja (ver figura 3) com mais ou menos 500 itens fitoterápicos e vendedor de ervas (não se considera raizeiro) há 30 anos, natural de Santa Tereza, veio para Vitória com 17 anos. Possui certificado de curso de fitoterapia pela Universidade Federal de Viçosa – MG e está sempre se reciclando no que diz respeito às ervas medicinais.

Figura 3 – Foto do interior da loja de Rasseli.

Questionado sobre a utilidade do boldo chileno a primeira coisa que disse foi: "Boldo é igual farinha em prato de pobre, todo mundo compra e usa". Uma outra frase que Rasseli fez questão de falar foi: "o boldo encontrado nos quintais das casas é veneno" (ver figuras 4 e 5). Faz questão de manter a loja sempre limpa e suas ervas e raízes em sacolas lacradas para evitar poeira e a proliferação de fungos e bactérias. Ele não manipula as ervas, recebe as ervas secas de um laboratório de São Paulo, pois no Espírito Santo não há estufa para a secagem de ervas. E dentro de um mês a sua loja estará informatiza e passará a vender pela internet.

Figura 4 – Foto do falso boldo

Figura 5 – Falso boldo

Fonte: Serafini (2006) Fonte: Serafini (2006)

Segundo Rasseli o boldo chileno serve para "gastrite, má digestão, fígado, bílis, prisão de ventre, gases intestinais, febre". Deve ser administrado da seguinte forma: adicionar 02 colheres de sopa de boldo do Chile a 01 litro de água, levar ao fogo e ferver. Tomar de 04 a 05 xícaras por dia. Deve ser tomado por 15 dias, depois dar um intervalo de 05 dias e retomar o uso até cessar o problema.


4. CONCLUSÃO

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o boldo encontrado na maioria dos quintais das casas das pessoas não é o boldo verdadeiro. Chamado de boldo-falso, o Coleus barbatus, possui folhas verdes e com pêlos e apesar de possuir algumas funções terapêuticas é considerado "veneno" pelo vendedor de ervas Roque Rasseli.

Comparando a pesquisa bibliográfica especializada com a entrevista feita com o vendedor de ervas Roque Rasseli, observou-se que este possui um profundo conhecimento não só sobre o boldo chileno, mas também sobre outras ervas. As indicações do boldo chileno feita por Rasseli concordam com as indicações da planta encontrada nos livros especializados pesquisados.

Figura 6 – Um dos muitos livro de consulta de Rasseli.


5 REFERÊNCIAS

CORRÊA, A. D.; BATISTA, R. S.; QUINTAS, L. E. M. Plantas medicinais: do cultivo à terapêutica. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

MARTINS, E. R. et al. Plantas medicinais. Viçosa, MG: UFV, 2002.

SERAFINI, J. A. Plantas e ervas. Disponível em: <http://www.plantaservas.hpg.ig.com.br/arquivos/ervas/boldo.htm>. Acesso em: 17 nov. 2006.

SIGRISTI, S. R. Plantas medicinais. Disponível em: <http://ci-67.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp>. Acesso em: 17 nov. 2006.

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