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Cebola

Autor:
Instituição: Universidade Federal de Alagoas
Tema: Alimento

CEBOLA


INTRODUÇÃO

Na mais remota antiguidade, a cebola já era conhecida e apreciada por muitos povos. Os egípcios lhe erguiam templos e levantavam altares. Os judeus lhe sentiram muito a falta quando saíram do Egito.

Domesticada desde épocas remotas, a cebola tem, segundo a maioria dos botânicos, três centros de origem. Os produtos primários, ou seja, aqueles que plantaram pela primeira vez, foram os hindus (Punjab e Cachemira), os afeganes, e os habitantes de Tadjequistão e Uzbequistão, hoje, repúblicas soviéticas. Rapidamente, a cebola atingiu áreas do Oriente Próximo, nas terras que abrangiam o interior da Ásia Menor, a totalidade da Transcaucásia, Irã e as partes altas de Turkmenistão. Não tardou para que seu cultivo chegasse aos países banhados pelo Mediterrâneo.

Cultivada, sobretudo, por suas propriedades condimentares e terapêuticas, a cebola sempre esteve associada ás lendas. Documentos comprovam que todos os povos antigos, entre eles, caldeus, gregos, romanos, não só a consumiam em abundância, como também a usavam na arte, medicina e , inclusive, na mumificação, sendo comum encontrá-la nos túmulos egípicios.

A cebola, diz o doutor Domingos D’Ambrósio, "além de ser um precioso condimento, que participa no alinhamento de numerosas preparações suculentas, é um alimento de alto valor mineralizante, pelo seu conteúdo em cálcio, enxofre, fósforo, silício e outros sais, e em vitaminas A,B e C".

Nas lavouras mundiais, 1,7 milhão de hectares

A produção mundial de cebola supre a demanda e não existem problemas maiores de abastecimento. Cerca de 20 milhões de toneladas são colhidas anualmente, representando uma média de 13 t/ha. Levando-se em conta que a cebola não é um produto rico em proteínas, as cifras podem ser consideradas excepcionais. Os maiores produtores são: China, Estados Unidos, União Soviética, Índia e Japão, Holanda, Espanha, Itália são os países que mais exportam.

Melhora qualidade da cebola brasileira

O Brasil consome anualmente mais de um milhão de toneladas de cebola por ano.

Baseado no consumo de 6,5 kg/ano/per capita (IBGE) o estado de São Paulo consome cerca de 35% do total brasileiro.

O custo médio de produção é de R$ 180,00/t, resultando em 180 milhões de reais no campo para geração de empregos. No Brasil existem mais de 100.000 produtores de cebola, sendo que 880% cultivam menos de 1,0ha/cada, caracterizando como atividade extremamente familiar, que necessita de muita mão-de-obra para executar todas as atividades do plantio, passando pelos tratos culturais e até a colheita (segundo o censo do IBGE).

Existem empresários que administram as atividades na cebolicultura, produzindo em parceria com outras famílias ou simplesmente gerando emprego na zona rural.

Existem cerca de 2300 produtores de cebola que realizam a produção em 2100 propriedades(projeto LUPA) no estado São Paulo, ocupando área de 11000ha. A área média cultivada em São Paulo por propriedade é de 6,0ha.

O Sul do Brasil é o principal produtor e Santa Catarina o maior estado produtor com 38% do total nacional no período 1999-2000. O estado de São Paulo é segundo maior produtor, com 25% do total produzindo em apenas 18% da área cultivada no Brasil. Isto ocorre porque enquanto a média brasileira é de 15ha, no estado São Paulo é superior a 25t/ha. O terceiro estado produtor é o Rio Grande do Sul com 17% do total produzido no Brasil no último biênio. Os estados de Pernambuco e Bahia que produzem no Baixo-Médio São Francisco, participam com 11% total nacional, enquanto que, Paraná e Minas Gerais produzem 7%. Estas produções ocorrem durante todo o ano, em concatenação de safras para o abastecimento.


1. BOTÂNICA:

Espécie: Allium cepa L.

Família: Liliaceae ou Alliaceae

Classe: Liliatae

A cebola comum (Typsicum) é uma cultura anual para produção de bulbos bienal e para produção de sementes. Planta herbácea, possui folhas grandes, subcilíndricas, cerosas e ocas; as mais novas são cobertas pelas velhas. A fase vegetativa, a que mais interessa do ponto de vista comercial, começa com a germinação da semente, culminando com a maturação do bulbo. A semente é pequena (mais ou menos 300 sementes/grama), irregular e preta.

A parte comerciável é um bulbo tunicado, grande e normalmente simples. Concêntrico, o bulbo é formado pelo entumescimento das folhas, sobrepondo-se uma às outras, constituindo um órgão de reserva onde são acumulados hidratos de carbono. A película externa do bulbo é seca, brilhante e de coloração variável, dependendo da cultivar. O caule é um disco comprimido na parte inferior do bulbo, de onde saem as raízes fasciculadas , pouco ramificadas, que exploram um volume de solo equivalente a 25cm de diâmetro e 60cm de profundidade, sendo que nos 30cm superiores do solo é que há a maior concentração de raízes. Na floração, emite um escapo floral com 60 a 150cm de altura. Quando plantada a partir de bulbos, pode haver floração de 1 a 20 talos florais, em relação direta com o tamanho do bulbo; há diferenças varietais.

As flores são numerosas , hermafroditas, com pétalas violáceas ou brancas. Possuem duas ou três brácteas, dispostas em grande umbela, com pequenas e numerosas flores (50 a 2000), estames interiores salientes e com um dente de cada lado. O ovário é séssil e trilocular. O fruto é uma cápsula globular, com duas sementes em cada lóculo.

Fecundação

Há dicogamia na cebola, o que resulta na predominância da polinização cruzada. Frequentemente, a fecundação se dá entre as flores através dos insetos polinizadores que vão à procura do néctar. Ventos e queda do pólen por gravidade pouco importavam na polinização que é cruzada e entomófila.


2. VARIEDADES

A macho- esterilidade, que foi descoberta em 1925 na Universidade da Califórnia, tem sido largamente utilizada na produção comercial de híbridos. Em 1960, 40% das cebolas nos EUA já eram híbridos. Estas cultivares possuem algumas vantagens sobre as comuns, entre elas, maiores uniformidade e produtividade.

No Brasil

O clima faz com que sejam muitas as variedades de cebola cultivadas no Brasil. A escolha de cultivares já adaptadas às condições regionais é fundamental para que o resultados sejam satisfatórios. A cultivar, para vingar, dependerá do fotoperíodo (comprimento do dia, números de horas de luz do dia) e temperatura. O número de horas de luz do dia é fator limitante na introdução de uma determinada cultivar de cebola.

Na etapa inicial, a cebola deve encontrar temperatura moderadamente elevada e dias longos, que favorecerão o seu crescimento vegetativo, seguido de uma redução progressiva na temperatura, para a formação do bulbo. O número de horas de luz deve ser suficiente para induzir à bulbificação. O ciclo final deve apresentar temperatura elevada, como também um fotoperíodo maior.

TEMPERATURA

ABAIXO DO VALOR CRÍTICO

ACIMA DO VALOR CRÍTICO

BULBO

FLOR

BULBO

FLOR

ABAIXO DO VALOR CRÍTICO....

NÃO

SIM

NÃO

SIM

ACIMA DO VALOR CRÍTICO....

SIM

SIM

SIM

SIM

A cebola é uma cultura de inverno. A semeadura é realizada de março a junho. Em São Paulo, Minas e Goiás, março e abril são os meses mais indicados. No Rio Grande do Sul, da Segunda quinzena de abril até fins de junho, sendo maio o \mês mais propício. Já vêm sendo realizada pesquisa no sentido de ampliar o período de plantio. A chamada cultura do cedo, que permite colher em junho-julho, é realizada de fevereiro a março (bulbinhos), ou janeiro e fevereiro (cultivares precoces). As exigências climáticas fazem com que as variedades cultivadas no Brasil sejam agrupadas em Precoces, Médias e Tardias.

 

PRECOCE

MÉDIAS

TARDIAS

Período vegetativo

4 – 5 meses

5 – 6 meses

6 –8 meses

Fotoperíodo

10 – 12 horas

Dias mais longos

Longos (> 13 horas)

Sabor

Suave

Picante

Picante

Armazenamento

Não resistem bem

Resistem melhor

Resistem

Região

Nordeste (únicas)

S. Paulo, Minas e Góias

Todas gaúchas


MELHORES VARIEDADES

Precoce – Excel, Texas Early Grano 502

Médias – Baia Periforme, Precoce Piracicaba, Monte Alegre IAC.

Tardias – Rio Grande


3.SOLO E ADUBAÇÃO

A cebola produz melhor em solo areno-argiloso ou arenosos, profundo, rico em M.O . É essencial que seja friável, solto e leve, possibilitando um bom crescimento do bulbo sem deformações – comuns em solos argilosos, pesados. A topografia deve favorecer as práticas de mecanização, irrigação e as medidas conservacionistas.

Uma boa capacidade de retenção de água é também desejável. Quanto à acidez, a cebola produz bem na faixa de pH 5,5 a 6,5.

Aradura e gradagem são procedimentos importantes, devendo ser feitas com suficiente antecedência ao transplante das mudas para o campo. A primeira aragem deve ser realizada um a dois meses antes do plantio, o que possibilita a decomposição da vegetação enterrada e a atuação do calcário. É importante aguardar o nascimento de ervas daninhas, poderão ser destruídas pela segunda aração. O terreno, depois de gradeado, deve ser nivelado em função do sistema de plantio ser adotado. Daí em diante depende da irrigação a ser usado.

O crescimento da cebola é lento nos três primeiros meses, resultando numa absorção diminuta dos macronutrientes. Potássio, nitrogênio, enxofre, fósforo, magnésio e cálcio são os nutrientes absorvidos em maior quantidade. Nas regiões onde a acidez é elevada, torna-se necessária a calagem. Nesta deve-se ter o cuidado de usar o calcário dolomítico 60 dias antes do transplante das mudas de campo.

Certa cultivares, dependendo do tipo de solo, crescem melhor e extraem maiores quantidades de elementos nutritivos que outras. As diversas cultivares necessitam de diferentes quantidades de elementos, e alguns, quando prontamente disponíveis, podem ser absorvidos em excesso, ultrapassando as exigências metabólicas da planta. A falta de elemento no solo resulta no aparecimento de sintomas de carência nas plantas; para cada elemento que falta, uma sintomatologia diferente. Os principais são:

Nitrogênio – Diminuição do ritmo de crescimento. As folhas mais velhas amarelecem, secam e caem; as poucas folhas novas mostram-se finas e delicadas. Os bulbos de tamanho reduzido.

Fósforo – As folhas mais velhas mostram-se amarelecidas e secam facilmente, enquanto as intermediárias e novas apresentam coloração verde-escura. Bulbos de tamanho reduzido.

Potássio – Folhas velhas de coloração amarelada e secamento nas pontas. O bulbo apresenta um desenvolvimento menor.

Cálcio – Folhas novas, de aspecto aparentemente normal, tombam repentinamente sem se fraturarem e, após alguns dias, secam a partir do ápice no sentido da base. Com a progressão da carência, o fenômeno se repete nas folhas velhas e intermediárias.

Magnésio – Secamento do ápice das folhas e bulbos pequenos.

Boro – Inicialmente, as folhas toma uma tonalidade verde-azulada; as mais novas ficam mosqueadas e enrugadas. Surge fendilhamento nas folhas velhas, que ficam quebradiças. Paralisação do crescimento e morte das folhas a partir do ápice.

Cobre – As folhas adquirem coloração amarelo-parda, necrose nas margens e falta solidez e firmeza na planta.


PARA CADA REGIÃO UM TIPO DE ADUBAÇÃO

A multiplicidade de cultivares faz com que sejam muitas as fórmulas de adubação. Na verdade, cada região necessita de um tratamento diferenciado, em função das peculiaridades geográficas, climáticas e de solo.


4.PLANTIO

Plantio com mudas

Semeio feito em sementeiras: as mudas são transplantadas posteriormente para um lugar definitivo.O método busca mudas uniformes, fortes e sadias, saídas de uma sementeira pequena, que resultem em altas produções, bulbos uniformes, mais atrativos em forma e tamanho e com maturação coincidente. A mão-de-obra é mais cara que as sementes. Cultivares de dias curtos, como Baía Periforme, Texas Grano, Red Creole, Amarela das Canárias, Excel, Roxa do Barreiro e Granex podem ser usadas.

Sementeira

O local da sementeira deve ser de fácil acesso, boa insolação, próximo a uma fonte de água e perto do campo de transplantio. A sementeira tem que dar, às sementes e plântulas, bom arejamento, boa drenagem, temperatura para germinação e crescimento, umidade próxima à capacidade de campo, nutrientes, insenção de patógenos de solo e permitir fácil manuseio das plantas.

O solo deverá ser bem arado e gradeado. O canteiro é feito em seguida, manualmente ou arado com sulcador. O canteiro deve medir 1 metro de largura, 10 metros de comprimento e 10 a 15cm de altura.

Canteiros muito altos ficam ressecados.

Adubos químicos e orgânicos devem ser incorporados ao solo da sementeira. A fórmula mais usada é 10 litros de esterco de curral mais 150g de superfosfato simples por metro quadrado. Nos solos muito argilosos, usa-se a mistura de duas partes de solo mais uma parte de areia para a composição do leito da sementeira. É aconselhável a desinfetação da sementeira com brometo de metila (20cc/ m²).

Dependendo da densidade da semeação, o gasto de sementes por metro quadrado de sementeira pode variar de 2 a 5 gramas. Quando se gasta 2g, a proporção área de sementeira/ área de campo é de 1:10 a 12 e quando se usa 5g, a proporção área de sementeira/área de campo poderá ser de 1:30. Assim o gasto de sementes para 1 hectare varia de 1,3 a 2,0 Kg, conseguindo-se 260 mil e 400 mil mudas, respectivamente. Essas quantidades seriam suficientes para o transplantio de 1 hectare no espaçamento de 30 x 10cm e 20 x 10cm, respectivamente, e quando fosse feito em canteiros onde a área útil plantada é de mais ou menos 75%.

A semeadura pode ser a lanço ou em sulcos espaçados de 10cm, com 1,5cm de profundidade. As sementes ser cobertas pela terra desinfetada da própria sementeira, após peneiração e, em seguida, coberta com um material palhoso, sem sementes, que será retirado quando iniciar a emergência das plântulas. Excesso ou falta de umidade, nesta fase acarretarão grandes perdas. Devem ser feitas irrigações leves pela manhã e à tarde, nos primeiros dias, e mais espaçadas com o crescimento da cultura. É comum suspender as irrigações uma semana antes do transplante, irrigando-se, novamente, apenas no arranque das mudas. Nesta fase, devem ser feitas, também, adubação orgânica e nitrogenada em cobertura e aplicações de fungicidas e inseticidas. A sementeira tem de ser mantida livre das plantas daninhas, seja através do cultivo manual, mecanizado ou de herbicidas.

Transplantação

Para a transplantação, o solo deve ser arado, gradeado e destorroado; se necessário, deve receber calcário dolomítico. Se a drenagem do terreno for boa e a irrigação for por aspersão, o plantio pode ser feito no nível do terreno.

Caso haja deficiência na drenagem e a irrigação seja por infiltração, o plantio pode ser implantado em canteiros separados por sulcos; cada canteiro deve medir, aproximadamente, 1m, de centro a centro do sulco, e 15cm de altura. Nos terrenos inclinados, os canteiros devem ser em nível, contra o declive do terreno. Nestes canteiros, abrem-se dois a três sulcos de plantio.

A adubação fica na dependência da análise do solo. Nitrogênio, fósforo e a M.O. aumentam e influenciam a produção. Como fórmula geral, recomenda-se: 1500Kg/ha da fórmula 4-14-8 incorporados no fundo do sulco do transplante, quatro dias antes de efetuá-lo. Em toda área dos canteiros, usa-se de 15 a 30 t/ha de esterco de curral. A mistura de 120kg/ha de sulfato de cálcio e 20Kg/há de sulfato de magnésio, mais 20kg/ha de sulfato de zinco e 0,25kg/ha de molibdato de sódio ou amônio à formulação básica de adubação (NPK) é prática recomendada.

As mudas arrancadas e selecionadas não necessitam ser podadas, nem devem ficar muito tempo sem serem plantadas, pois ressecam e diminuem o pegamento. Elas devem ser colocadas nos sulcos de plantios, já adubados, em espaços de 7,5 a 10cm entre elas, sendo sua raízes cobertas com terra numa profundidade de 3 a 5cm. Irrigação semanais devem ser mantidas até 20 dias antes da colheita. Nas primeiras semanas, a cultura tem de ficar no limpo, com campina no manual ou mecanizada ou com herbicida. As pulverizações fitossanitárias também são necessárias.

A colheita é realizada quando as plantas ficam com o "pescoço murcho", estaladas ou na seca total das folhas, época que já há predisposição dos bulbos à maior incidência de rachaduras externas das escamas. Um bom indício para a colheita é quando 50% das plantas estiverem tombadas e 25% secas. Posteriormente, os bulbos são curados e armazenados.

Plantio por bulbinhos

Método recomendado para obtenção de safras precoces, nos meses de maio e junho. É o melhor método de se obter colheita nesta época, embora seja maior risco de doenças do que no semeio direto. O objetivo do plantio por bulbinhos é não permitir que a planta da cebola cresça muito para bulbificar, originando bulbos pequenos, que são colhidos e posteriormente plantados no campo. Os resultados são obtidos através de semeadura tardia e maior competição entre plantas por água e nutrientes.

Primeira fase – Produção de bulbinhos

O semeio é feito em canteiros semelhantes aos da sementeira, apenas com a diferença de utilizar-se o dobro da adubação recomendada. A época de semeio é de fins de junho a fins de julho e, dependendo da cultivar, será colhida em outubro – novembro.

O sistema de semeadura pode ser em sulcos transversais espaçados de 10cm em sulcos longitudinais (três sulcos em um canteiro de 1m de centro a centro de sulco de irrigação); semeadura a lanço em duas faixas longitudinais de 15cm de largura separadas por um espaço vazio de 30cm ou semeadura a lanço em todo o espaço útil do canteiro.

O gasto em sementes oscilará entre duas a quatro g/m² de terreno a ser plantado, preferido-se o nível mais elevado em terrenos mais férteis e bem adubados. Geralmente, gasta-se de 1,3 a 2kg de sementes para se obter bulbinhos para o plantio de 1 ha. Após a semeadura, as sementes serão cobertas por uma camada fina de terra e capim seco. Irrigações diárias são recomendadas até a emergência completa, sendo mais espaçadas posteriormente.

A colheita é manual e é feita quando as folhas estiverem quase secas e a maioria tombada, o que ocorre, geralmente, de quatro a quatro meses e meio após a semeação (outubro-novembro). Os bulbinhos são arrancados do terreno de tal modo que as folhas de uns cubram os bulbinhos de outros. Se não houver perigo de chuva, eles ficam no terreno por dois ou três dias, para o início da cura; em seguida, são colocados em prateleiras, em galpões secos e arejados.a colocação é feita em camadas de 10cm de altura, com folhas e raízes. As prateleiras podem ser de bambu ou esteiras espaçadas por 30cm. Os bulbinhos armazenados têm de ser inspecionados regularmente, eliminando-se os podres e os brotados.

Segunda fase – Plantio dos bulbinhos

Os bulbinhos devem ser maduros, uniformes, firmes, livres de podridões e de danos causados por insetos, doenças, excesso de umidade e outros danos. Os bulbinhos são classificados em função do diâmetro, sendo aqueles que apresentarem diâmetro de 0,8 a 2,5 cm os escolhidos. Os bulbinho muito pequenos falham demais e os muito grandes tendem a perfilhamento, produzindo mais de um bulbo. Eles não devem ser plantados adjacentes a campos de plantio por mudas, pois há perigo de infestação de pragas. O plantio é manual ; os bulbinho são plantados, de preferência, com a "cabeça" para cima e em fevereiro. A colheita dos bulbos ocorre em maio- junho.

Plantio pelo método de soqueira

Consiste em plantio de bulbos refugados comercialmente, vindos de culturas conduzidas pelo método de transplante e colhidas em setembro ou outubro. Dependendo do preço do mercado, por ocasião da colheita e setembro ou outubro, podem ser utilizados outros e não apenas os bulbos refugados comercialmente. Os bulbos são plantados em dezembro ou janeiro , obedecendo às mesmas recomendações, no campo, para o método de mudas transplantadas . A colheita ocorre em março ou abril.

Semeadura direta

Por este sistema, pouco difundido no Brasil, mas largamente utilizado em outros países, as sementes são semeadas diretamente no local definitivo de plantio. Solos orgânicos parecem ser os melhores para o semeio direto, já que geralmente são bem dotados de umidade e sua estrutura permite fácil emergência das mudinhas e, mais tarde, melhor ajustamento dos bulbos nas fileiras, não ficando deformados. Se bem destorroados e soltos, outros terrenos também servem para a semeadura direta.

Com o terreno bem drenado e a irrigação feita por aspersão, o plantio pode ser realizado no nível do terreno, em sulcos espaçados de 20 a 35 cm um do outro, com a utilização de 0,15g de semente por metro linear de sulco, o que corresponde a um gasto aproximado de 3,0 5,3 kg de sementes/ha. Se a irrigação for por infiltração, o plantio é feito em canteiros de 10 a15 cm de altura, separados por sulcos de irrigação. Cada canteiro mede, aproximadamente, 1 m de centro a cento de sulco, com três a quatro fileiras longitudinais de plantas.

As irrigações semanais devem ser mantidas até 20 dias antes da colheita. O controle fitossanitário é o mesmo recomendado para a cultura com mudas, havendo a necessidade da aplicação de um inseticida de solo no plantio. Neste método de plantio, às vezes, observa-se na época de desenvolvimento dos bulbos, que estes tendem a ficar parcialmente descobertos, sendo necessário fazer-se amontoa. Acolheita, cura e armazenamento seguem as recomendações gerais para a cultura pelo método de transplante.

O custo de produção em serviços poderá ser menor do que no transplante, já que se eliminam os gastos com este último. Em contrapartida, pode-se adicionar gastos com desbastes se o semeio não for feito com alguma precisão. O semeio pode ser feito por máquina ou manualmente. Em locais de inverno pouco rigoroso, facilidade de irrigação e semeios efetuados mais cedo(dezembro a janeiro), pode-se obter colheitas precoces. Roxa do Barreiro, Red Creole e Baía Periforme são cultivares mais indicadas para o plantio.


5. IRRIGAÇÃO

As espécies olerícolas necessitam de altas disponibilidades de água para o seu bom desenvolvimento e produção. Na época em que a cebola é plantada no Brasil, geralmente exige-se irrigação. No Rio Grande do Sul, onde chove no inverno, há necessidade de irrigações complementares, principalmente após o transplante. O chamado plantio do cedo, em São Paulo e Minas, também necessita de irrigações. Do Nordeste ao Centro-Sul, a dependência da irrigação é total.

A frequência da irrigação está condicionada à textura do solo e aos períodos vegetativos. Solos com elevados teores de silte permitem irrigações espaçadas e os mais arenoso exigem mais água. Quanto menor o intervalo entre as irrigações, melhor, mas há um aumento acentuado nos custos operacionais quando elas são feitas frequentemente. A recomendação geral é de espaçamento de quatro a seis dias.

Métodos de irrigação

Aspersão – Apresenta boas condições de aplicação , normalmente quando é operado nas condições previstas do projeto. Tem a vantagem de não exigir solo sistematizado para a sua implantação. Uma das vantagens é o custo do equipamento, que pode ser oneroso; a outra é a lavagem de produtos químicos que a aspersão provoca nas folhas.

Sulcos – Tem boa aplicação em áreas planas com boa declividade e em áreas sistematizadas. A secção transversal pode ser forma triangular ou em U, dependendo das condições do solo, do equipamento disponível etc. Um dos problemas do método é o espaçamento adequado entre os sulcos, para garantir ima boa irrigação.

Subirrigação – Só funciona em determinadas condições de terreno. Para um bom funcionamento do sistema, são necessários a presença de uma camada impermeável a certa profundidade e um solo com alta condutividade hidráulica, que permita a manutenção de um lençol freático à determinada altura ou profundidade. Uma modalidade bastante usada consiste em fechar os drenos utilizados para extrair a água da área, colocando neles comportas que permitam regular a altura do lençol freático.


6. TRATOS CULTURAIS

As plantas daninhas constituem um sério problema para a cultura da cebola, que é de porte baixo e possui desenvolvimento inicial relativamente lento. Por Ter folhas eretas e cilíndricas, cobre imperfeitamente o solo, permitindo germinação das plantas daninhas em qualquer fase do desenvolvimento da cultura , sendo sombreada.

Além da concorrência com a cultura da cebola água, luz e nutrientes, as plantas daninhas causam o aumento do custo da mão-de-obra e do equipamento para o controle, reduzem a qualidade dos bulbos e hospedam pragas que podem atacar diretamente a cebola ou funcionar como vetores de doenças.

Tanto na semeadura com na transplantação, o espaçamento entre plantas é pequeno, o que dificulta e encarece a capina manual e praticamente impossibilita a mecanizada.

O ciclo relativamente longo exige que sejam feitas capinas para se evitar que as plantas sofram concorrência das plantas daninhas. Todos estes problemas fazem com o êxito da cultura dependa do uso correto de herbicidas.

Quando se trata de semeadura direta, a competição das plantas daninhas é muito mais prejudicial, reduzindo 30, 68 e 94%, quando a duração da competição após emergência for de quatro, cinco e seis semanas, respectivamente. Na cultura, é especialmente importante que o combate às plantas daninhas aproxime-se da totalidade da população infestante, para que a produção de mudas ou peso de bulbos não sofram redução. As primeiras quatro semanas do crescimento são críticas e o máximo de produção de bulbos obtido quando a cultura fica isenta da plantas daninhas por sete a oito semanas, após a transplantação.

Herbicidas

Todos os herbicidas utilizados corretamente têm poupado duas ou três capinas iniciais, que totalizam por hectare 55 serviços para cada uma, tanto na cultura por mudas como por bulbinhos, e 85 serviços nas sementeiras. Atualmente, já se usa um herbicida de pré-emergência, para evitar as capinas iniciais, e outros de pós-emergência, para eliminar as plantas daninhas remanescentes evitar capinas suplementares.

O bom preparo do terreno, deixando-o destorroado, torna mais eficiente a ação dos herbicidas, evitando que os torrões protejam as ervas, quando da aplicação. Também o fato da cebola desenvolver-se em meses de temperaturas mais amenas, sem chuvas, aumenta a ação dos herbicidas, e é menor a incidência de erva, especialmente aquelas de filhas estreitas. Em anexo encontra-se o quadro dos principais herbicidas.

Principais Plantas daninhas

Considerando que a cultura, normalmente, é plantada em solos com boa característica, tanto física quanto química, podemos esperar sempre um grande número de ervas daninhas contaminando estes solos. No quadro anexo, estão colocadas as mais comuns que infestam a cultura da cebola. ]


7.PRAGAS

Controle:

O controle das principais pragas da cebola está em quadro em anexo.


8.DOENÇAS:

Míldio

Medidas de controle:

Antracnose

Controle :

Ferrugem

Controle:

Carvão

Controle:

Queima-das-pontas

Controle: Fungicidas


9.COLHEITA

A colheita deve ser realizada quando a planta completou seu primeiro ciclo e apresenta o amadurecimento normal dos bulbos indicado pelo murchamento prévio da rama na região acima dos bulbos (pescoço), seguidos do tombamento ou "estalo", amarelecimento e secamento das folhas e raízes. Caso na época da colheita, a planta não apresentar os sinais característicos de maturação, deve-se examinar o seu sistema radicular.

Normalmente, a colheita é feita num intervalo que vai do início do tombamento das plantas até à seca total das folhas, obtêm-se maiores danos causados por microorganismos. Quando a terça ou quarta parte das plantas apresentarem tombamento ou estalo, pode ser iniciada a colheita. O mais aconselhável é colher quando 50% das plantas apresentarem-se tombadas ou estaladas e 25% destas estejam secas.

Colheitas prematuras, com bulbos ainda verdes, não podem ser feitas, pois as folhas continuarão crescendo e o colo ou pescoço não cicatrizará bem, afetando a resistência do armazenamento. Se pelo contrário, os bulbos foram deixados enterrados mais tempo que o necessário, o colo pode sofrer queimaduras de sol, as películas superficiais soltam-se e, em geral, aparecem maiores danos causados por microorganismo. Quando as cebolas são colhidas ainda verdes, os bulbos apresentam aspecto ruim e possuem pouca resistência ao armazenamento.

O tempo de permanência da planta no campo é muito variável, dependendo do método e época de plantio, cultivar e condições climáticas. Em média, para cada método de plantio, são indicados os seguintes ciclos:

Bulbos

Bulbinhos

Soqueira

Do plantio do bulbo à colheita comercial: 4 a 5 meses.

Semeio direto

Da semeadura no campo até a colheita do bulbo comercial: 4 a 5 meses.


BIBLIOGRAFIA

BALBACH, Alfons. As Hortaliças na Medicina doméstica, 8ª ed.São Paulo: Edificação do Lar.

FILGUEIRA, Fernando Antônio Reis. Manual de Olericultura: Cultura e comercialização de hortaliças, 2ª ed. Vol. II. São Paulo: Editora agronômica Ceres Ltda.1982.

KASSAB, Álvaro Luiz. Cebola, s. e. São Paulo: Ícone. 1986

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