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Cultivo de Hortaliças

Autor:
Instituição: Universidade Federal Rural de Pernambuco
Tema: Projeto de Horta
 Cultivo de Hortaliças

Recife – PE

Junho de 2005


Apresentação

Este projeto foi elaborado tendo como objetivo fornecer subsidio a todos aqueles interessados no cultivo de hortaliças.

É dirigido, basicamente, ás creches, escolas e comunidades que possuam áreas disponíveis e que desejem transforma-las em áreas produtivas com a implantação de hortas, contribuindo para o desenvolver uma maior conscientização quanto à importância das hortaliças na nutrição humana e na educação ambiental.

As orientações contidas neste projeto conforme o Edital 19 – Projetos de extensão e Tecnologias para inclusão social nos temas "água e alimentação humana e animal", destinam-se a demonstrar que o cultivo de hortaliças é uma atividade fácil, de custo mínimo, não requerendo grandes áreas ou utilização de muitos equipamentos. Ao contrário do que muitos pensam, pode-se obter uma boa produção utilizando-se pequenos espaços de terra em canteiros, vasos ou recipientes simples.


1- Introdução / Justificativa

Para caracterizar a importância das hortaliças na alimentação é necessário citar que os alimentos são divididos em grupos, de acordo com o seu valor nutritivo:

- os construtores: leite e derivados, carnes, ovos e leguminosas.

- os energéticos: gorduras e hidrates de carbono (açúcar, cereais, batata, mandioca, entre outros).

- os reguladores: hortaliças e frutas.

Os alimentos construtores são aqueles que fornecem proteínas em maior quantidade; são importantes em todas as idades e essenciais para a formação e reparação dos tecidos do organismo, e promovem o crescimento do corpo (cabelos, músculos, ossos e dentes). Os energéticos são aqueles que fornecem a energia necessária ao organismo para o desenvolvimento de todas as atividades diárias. Os reguladores são aqueles que fornecem vitaminas, sais minerais, água e fibras (que estimulam o funcionamento do intestino, pela ação mecânica, contribuindo na eliminação dos resíduos não aproveitados no processo digestivo). Para se obter uma alimentação saudável e equilibrada é necessário utilizar diariamente, em cada refeição, pelo menos um alimento de cada grupo. (Francisco Neto,1995)

Na prática, as hortaliças são divididas em três tipos: verduras, legumes e condimentos.

Chama-se uma hortaliça de VERDURA quando as partes aproveitadas são folhas, flores, botões ou hastes, como acontece com a alface, couve-flor, o brócolis e o alho-porró. Dá-se o nome de LEGUME quando as partes comestíveis são os frutos, as sementes ou as partes subterrâneas da planta, como é o caso do tomate, da ervilha e da cenoura. Os CONDIMENTOS abrangem todas as hortaliças cuja finalidade é melhorar o paladar, o aroma ou a aparência dos pratos culinários como: a salsa, a cebolinha, a pimenta, entre outros. (Cermeño,1998)

O Programa de Hortas Comunitárias tem como objetivo propiciar aos trabalhadores e suas famílias que vivem em áreas urbanas a possibilidade de cultivar, em trabalho conjunto, hortaliças para o próprio consumo, de ótima qualidade, por serem um produto natural (sem utilização de defensivos agrícolas), frescos (da horta diretamente para a alimentação da população) e para complementação de renda (mediante a venda de eventuais excedentes). (Janick,1968)

Em escolas, creches o objetivo é envolver as crianças e adolescentes, estimulando-os a entrarem em contato com as plantas, de maneira a despontar o interesse em relação ao papel da agricultura, abastecimento, da educação ambiental e o respeito às complexas relações existentes entre os seres vivos e o meio ambiente, bem como conhecer o processo de plantio, tratos culturais e colheita de diversos tipos de hortaliças.

O importante neste projeto é o aproveitamento de áreas ociosas para a produção de hortaliças o ano todo, sem a preocupação muito rigorosa com a produtividade ou lucratividade.

Para que isso aconteça, é necessário saber como cultivá-las, como adubar o solo e combater as pragas e doenças.

Para que o projeto obtenha resultados satisfatórios, é imprescindível o comprometimento das pessoas designadas para as tarefas correlatas. No caso, o papel mais importante cabe à equipe que dirige os trabalhos de rotina, dependendo do seu esforço, capacidade de articulação e do seu grau de envolvimento para com o resto da comunidade, o que acarretará a continuação ou não dos serviços realizados.

Normalmente, toda a produção obtida é distribuída entre os participantes da comunidade, não sendo raro a comercialização do excedente para cobrir os custos (contas de água, aquisição de outros equipamentos, etc.). No caso das escolas e creches, os produtos obtidos são utilizados na complementação da merenda escolar.

Neste projeto aqui apresentado, a metodologia de capacitação proposta é baseada na valorização no cultivo de hortaliças como garantia de emprego e subsistência para uma parcela significativa da população local.


2- Objetivos

Propõe-se um projeto orientado para fornecer subsídios a todos aqueles interessados no cultivo de hortaliças preparando grupos locais para o exercício de atividades empreendedoras. É dirigido, basicamente, às creches, escolas e comunidades que possuam áreas disponíveis e que desejem transformá-las em áreas produtivas com a implantação de hortas, contribuindo para desenvolver uma maior conscientização quanto à importância das hortaliças na nutrição humana e na educação ambiental. Tal como proposto no Edital, a proposta buscará transpor os limites dos trabalhos de extensão acadêmica para fortalecer vínculos intra-institucionais e comunitários em torno da questão ambiental.

Como objetivos específicos, o trabalho será orientado para:

A capacitação da comunidade local, especialmente de seus segmentos mais jovens, quanto ao funcionamento da horta de onde a maioria das famílias tira uma parte importante de sua subsistência. Em particular, serão destacados aspectos como:

O exercício de práticas de preservação ambiental através da criação de oficinas de preparação no cultivo de hortaliças pela comunidade.

O fortalecimento de relações com instituições locais - prefeituras, comunidade, creches, escolas locais.

A melhoria das competências dos cursos de graduação envolvidos com o projeto: Engenharia Florestal, Engenharia Agrícola, Agronomia, Sociologia Rural e Economia Rural, a partir:

Do envolvimento dos alunos e professores nas atividades de capacitação local para o monitoramento e a preservação ambiental;

Da aplicação de metodologias de natureza participativa aproximando alunos, professores e comunidade;

Do fortalecimento do intercâmbio entre os cursos, através da troca de experiências e consolidação de práticas multidisciplinares.


3- Metodologia

3.1. Implantação

A produção de hortaliças pode ser feita em GRANDE (como na produção em nível comercial, em grandes áreas) ou em PEQUENA ESCALA, em nível caseiro ou comunitário, cultivando-se diversas espécies em hortas pequenas, normalmente em áreas comunitárias restritas, quintal das casas ou em apartamentos ou casas sem quintal, utilizando-se caixotes e outros recipientes.

Deve-se ter em mente que o tamanho ideal de uma horta é o tamanho do terreno que se tem para implantá-las. Se o terreno é muito pequeno, não serão cultivadas todas as hortaliças necessárias, mas permitirá sempre o cultivo de algumas espécies para a disponibilidade de hortaliças frescas e nutritivas.

3.2. Instalação da Horta

Nas casas urbanas ou áreas comunitárias, o local para a horta é bastante limitado e terá características particulares de acordo com a maior ou menor disponibilidade de terreno. Porém, deve-se dar preferência aos seguintes locais:

- perto de onde exista água de boa qualidade e em abundância (boa qualidade, pois muitas hortaliças são consumidas cruas e, quando regadas com água contaminada, podem transmitir doenças);

- onde a horta receba bastante sol (no mínimo quatro horas de luz direta de sol por dia);

- longe de árvores, por que fazem sombra e retiram do solo os elementos nutritivos necessários ás hortaliças;

- em terrenos não encharcados e ligeiramente inclinados (para facilitar o escoamento do excesso de água);

- próximo de casas de famílias participantes, para facilitar os serviços constantes, a colheita e evitar furtos.

As melhores terras são as de consistência média, com boa drenagem, acidez fraca e boa fertilidade. Os problemas com encharcamento excessivo podem ser contornados pela abertura de valetas com pequeno declive, em volta dos canteiros, que vão desaguar num canal principal construído no sentido do declive. O excesso de água prejudicará a germinação das sementes e o próprio desenvolvimento da planta, através do apodrecimento das raízes. (Janick,1968)

Os terrenos orientados para o sul devem ser evitados quando possível, por dominarem ali os ventos frios que prejudicam as hortaliças. Quando não for possível, deve-se protegê-las contra os ventos frios e fortes com quebra-ventos (cercas vivas feitas com plantas de crescimento rápido e porte não muito alto, como hibiscus, o cedrinho e a primavera).

Deve-se cercar a horta também, evitando-se, assim, a invasão de animais domésticos, utilizando-se arame, bambu, estacas de madeira ou cercas vivas.

3.3. Ferramentas Necessárias

As ferramentas influem bastante na eficiência e no rendimento dos serviços. Na formação e manutenção de uma horta doméstica ou comunitária não é necessário uma grande quantidade de ferramentas.

Os materiais básicos a serem utilizados são:

ENXADA - é usada para capinar, isto é, cortar as plantas daninhas que nascem e crescem entre as plantas cultivadas. No preparo do solo, serve para incorporar adubos, acertar as bordas e as superfícies dos canteiros.

ENXADÃO - é utilizado para cavar e revolver a terra, incorporar a matéria orgânica, calcário ou adubos.

ANCINHO OU RASTELO - serve para facilitar o trabalho de juntar resíduos de materiais espalhados na área, acertar a superfície dos canteiros, retirando também os torrões de terra.

SACHO - é usado para retirar plantas daninhas dos canteiros, entre plantas; afofar a terra entre as linhas plantadas e fazer sulcos e covas pequenas nos canteiros.

PÁ RETA - utilizada para remover a terra e composto orgânico.

REGADOR - para irrigação da horta. Deve-se apresentar o bico com crivos finos, para evitar que gotas grandes de água prejudiquem o nascimento das plantas novas ou as recém-transplantadas.

CARRINHO DE MÃO - importante para o transporte de terra, adubos e produtos colhidos.

COLHER DE JARDINEIRO OU DE TRANSPLANTE -usada para retirar com maior facilidade as mudas a serem transplantadas, com um bloco de terra junto às raízes.

Além dessas, podemos utilizar ainda:

-cordão ou barbante – para alinhamento dos canteiros.

- garfo – para coleta de mato e folhagens.

- mangueira - facilita o trabalho de irrigação (rega) em áreas maiores, porém deve-se ter o cuidado de não usar jatos de água muito fortes para não afetar as plantas.peneira - utilizada na preparação de misturas de terra que serão utilizadas em sementeiras.

- plantador ou chucho - (pedaço de cabo de vassoura apontado de um dos lados) serve para fazer pequenas covas para o transplante ou sulcos nos canteiros pulverizador foliares para aplicar defensivos ou adubos

3.4. Preparo do Solo

Inicia-se com a limpeza do terreno, retirando-se entulho e pedras e capinando-se o mato com a enxada, que deve ser amontoado num único ponto, onde ficarão até a decomposição total, para posterior incorporação ao solo. Arbustos e outras plantas que façam sombra sobre a horta deverão ser eliminados, a não ser que sejam plantas úteis para o proprietário.

Se o local for de fácil encharcamento, deve-se fazer a drenagem do terreno. Após a limpeza, faz-se o revolvimento da terra a uma profundidade de 20 a 25cm (ou um palmo), quebrando-se os torrões de terra e nivelando-se o terreno. Em áreas pequenas, aproveita-se para incorporar o esterco ou matéria orgânica. Após o revolvimento, a operação seguinte é a construção dos canteiros.

3.5. Formação dos Canteiros

Os canteiros são os locais onde se transplantam as mudas ou onde se plantam as hortaliças de semeação direta. Podemos também nos canteiros utilizar uma pequena parte como sementeiras para a produção de mudas que depois serão transplantadas para canteiros definitivos ou em covas.

Deverão apresentar a terra solta, sem torrões, raízes, pedras ou outros materiais e a superfície deve ser bem plana (lisa).

Estes canteiros devem ser construídos de acordo com a seguinte técnica:

1) Com uma largura entre 1,00 e 1,20m para facilitar os trabalhos posteriores e o comprimento variável, de acordo com o que se dispõe de área, não ultrapassando os 10m. A altura do canteiro deverá ser entre 0,15 e 0,20m acima do nível do solo, para facilitar a drenagem da água e evitar problemas com enxurradas.

2) Nos terrenos mais ou menos inclinado, os canteiros devem ser orientados no sentido perpendicular à inclinação, ou, como se diz popularmente, "cortando as águas".

3) Nos terrenos planos, convém orientar os canteiros de modo que o seu comprimento obedeça à direção norte-sul.

4) De acordo com a inclinação do terreno, os canteiros devem apresentar um dos lados maiores (o de baixo) mais elevado que o outro, para que sua superfície fique plana e horizontal. Neste caso, quando o solo é argiloso, deve-se firmar a terra das bordas dos canteiros, comprimindo-se fortemente com a lâmina de uma enxada comum. (Construir os canteiros como se fossem uma escada).

3.6. Adubação

Adubar é o ato de se adicionar à terra os elementos fertilizantes que lhe faltam, ou que nela existem em deficiência, para que possa satisfazer a necessidade das plantas que se cultiva.

Os adubos, dependendo da origem e natureza, são classificados em: minerais e orgânicos, sendo que o uso combinado destes dois tipos é o que produz os melhores resultados.

Os adubos minerais apresentam maior concentração dos nutrientes necessários ao crescimento das plantas, sendo que alguns são rapidamente assimilados por elas, por serem solúveis em água. (Por isso, são utilizados em pequenas quantidades).

Normalmente são vendidos na forma de pó ou granulados, apresentando um só nutriente ou combinados entre si, resultando em fórmulas compostas. Como exemplos, temos:

- sulfato de amónio - fornece em maior quantidade o nitrogénio (N) ao solo.

- cloreto de potássio - fornece em maior quantidade o potássio (K) ao solo.

- superfosfato simples - fornece em maior quantidade o fósforo (P) ao solo.

E as fórmulas compostas são combinações destes adubos simples.

Exemplo: A fórmula 04-14-08, muito utilizada para o cultivo de hortaliças, é composta pêlos 3 elementos essenciais: N, P, K.

Os adubos orgânicos são constituídos de resíduos de origem vegetal, animal, urbano ou industrial, tais como: folhas secas, grama cortada, restos de vegetais ou de alimentos, esterco animal e tudo o mais que se decompõe em estado natural. Estes resíduos decompostos transformam-se em húmus que, além de fornecer nutrientes para a terra, melhoram principalmente a sua qualidade (melhorando sua estrutura).

A adubação orgânica apresenta uma série de vantagens:

- aumenta o teor de matéria orgânica do solo;

- melhora a estrutura do solo (arejando os solos argilosos e agregando os arenosos);

- aumenta a capacidade de retenção de água e a sua disponibilidade para as plantas (a matéria orgânica age como uma esponja, armazenando uma quantidade de água equivalente 4 a 6 vezes ao seu próprio peso, reduzindo os efeitos da seca e os gastos com a irrigação);

- aumenta a infiltração da água das chuvas e diminui a enxurrada;

- aumenta a disponibilidade de nutrientes para as plantas;

- aumenta a atividade microbiana no solo, pelo aumento da população da flora e fauna deste;

- aumenta a resistência das plantas às pragas e doenças (a matéria orgânica produz substâncias que aceleram o crescimento das plantas e outras que funcionam como antibióticos).

- diminui os efeitos tóxicos do alumínio existente no solo;

- diminui a compactação, promovendo maior aeração e enraizamento;

- elimina ou diminui doenças do solo, através da "liberação" de micronutrientes benéficos às plantas.

- mantém constante a temperatura do solo (a matéria orgânica é má condutora de calor e, com isso, a temperatura do solo não varia muito).

3.7. Preparo do Composto Orgânico Como Adubo

A preparação do composto (compostagem) é feita da seguinte forma: reúnem-se os restos de cultura, como capim e gramas cortados, folhas e cascas de legumes, frutas, etc.; esse material deve ser bem picado para facilitar a sua decomposição e, depois de reunido, deve ser depositado sobre o solo, em camadas de aproximadamente 10cm, sempre alternando este material (matéria orgânica) com materiais inoculantes, constituídos por: esterco animal, terra preta rica em húmus, ou mesmo terra de jardim, que irão ajudar no processo de decomposição, porque fornecem os microrganismos necessários à aceleração do mesmo. Após a montagem da pilha, cobre-se o material com palha ou camada de terra de 3cm (pode-se usar, também, uma camada de cal sobre o monte, para evitar o malcheiro e as moscas). Isso feito resta apenas proceder às regas periódicas para manter a umidade e providenciar o revolvimento do material (uma vez por mês, no início e uma vez por semana depois), de forma a expor a parte interna, para haver aeração e homogeneização da massa.

O tempo para a decomposição é de aproximadamente 3 a 4 meses, quando o material deverá estar bem homogéneo (não se distinguindo mais as camadas originais), de cor escura, com a consistência de terra e com cheiro agradável, estando pronto para utilização como adubo.

Seja qual for o tipo de matéria orgânica aplicada ao solo, as quantidades são em geral, grandes, como o composto orgânico, que é utilizado nas doses de 2 a 4 kg por metro quadrado de canteiro e o composto de lixo, utilizado na quantidade de 20 litros por metro quadrado.

No caso de um terreno ficar vazio por alguns meses, sem o plantio da horta, é recomendado o uso da adubação verde, que consiste no plantio de uma leguminosa (soja, feijão rasteiro, feijão-de-porco, lab-lab) que, além de ajudar na adubação nitrogenada (fixa o nitrogénio do ar no solo), após sua incorporação ao solo (que deve ser feita um pouco antes, ou no florescimento), ela torna os solos pesados mais soltos e ajuda na erradicação das ervas daninhas, pois cresce mais rápido do que elas.

3.8. Semeadura

Para algumas espécies, basta revolver e desterroar a terra para, em seguida, fazer as covas, adubar e plantar. Para a maioria das hortaiiças, no entanto, é necessária uma preparação especial do terreno, com a construção de sementeiras, canteiros, sulcos ou leiras.

3.9. Sementeira

As sementes de hortaliças são, geralmente, muito pequenas e necessitam de boas condições para germinar.

Não é necessário o preparo de grandes áreas para a sementeira, podendo ser feita em caixas (furadas no fundo, com uma camada de pedras embaixo, para facilitar o escoamento do excesso de água), ou em uma parte do canteiro, onde a distribuição das sementes deverá ser uniforme e em sulcos distanciados de aproximadamente 10cm entre um e outro. As sementes deverão estar a uma profundidade de aproximadamente, duas vezes o tamanho delas. A cobertura deverá ser feita com uma fina camada de terra, de preferência peneirada, e em seguida, regada com regador de crivo fino, para que as gotas de água não enterrem demais as sementes, ou espalhá-las fora do sulco de semeadura.

3.10 Transplante

Consiste na retirada das mudas da sementeira para o local definitivo (canteiros ou covas). Deve ser feito quando as mudas estiverem com 4 a 6 folhas definitivas, para que o pegamento seja bom e não haja retardamento no seu crescimento. Deve-se molhar a sementeira antes da retirada das mudas, para facilitar o arrancamento. Escolher as de melhor aspecto e arrancá-las com a ajuda de uma colher de jardineiro. Fazer covas no canteiro plantando as mudas, de modo que a raiz principal não fique enrolada. Apertar bem a terra ao redor das raízes, para ficarem firmes. Molhar bem todos os dias pela manhã ou no final da tarde, evitando regar nas horas de sol quente.

O transplante deve ser feito, de preferência, em dias chuvosos ou nublados, ou durante as horas mais frescas do dia, para um melhor pegamento das mudas.

3.11. Plantio em Local Definitivo

As hortaliças de plantio direto podem ser divididas em três grupos:

1) culturas que são semeadas em covas amplas, distanciadas por espaçamentos largos, como a abóbora, abobrinha, pepino, entre outros.

2) culturas que são semeadas em sulcos, com espaçamento mais estreito, como o feijão, vagem quiabo, entre outros.

3) culturas que são semeadas em sulcos superficiais, abertos em canteiros, como a cenoura, rabanete, nabo, acelga, beterraba, espinafre, entre outros.

Quando a semeadura for em sulcos, procede-se da mesma forma feita nas sementeiras e, quando as plantas estiverem com aproximadamente 5 a 7cm, fazer o desbaste, ou seja, retirar algumas plantas para dar mais espaço para as outras crescerem.

Quando a semeadura for em covas, abri-las com o enxadão, de preferência, com 30cm de profundidade e 30cm de boca, com distâncias conforme o tipo de hortaliça a ser plantada. Misturar adubo ou terra adubada e voltar a terra para dentro da cova. Fazer uma cova rasa, de 3 a 5cm de profundidade, dentro da primeira e colocar 3 a 4 sementes, ou uma muda em cada; cobrir com terra e proceder à rega, que deve ser freqüente também.

3.12. Tratos Culturais

A fim de proporcionar às plantas melhores condições para seu desenvolvimento e produção, é necessária a execução de diversos tratos culturais. Essas operações devem ser executadas na época certa e com todo cuidado. São eles:

Irrigação ou regas: a freqüência ou a quantidade de água a aplicar dependem das condições do solo, clima e estágio de desenvolvimento das plantas. De um modo geral, logo após a semeação e transplantio, são necessárias irrigações diárias, que não devem ser feitas nas horas quentes do dia. A falta de água diminui o crescimento, prejudica a qualidade do produto e acelera a maturação.

Capinas: operação que pode ser feita manualmente, com auxílio de enxada ou sacho e é realizada para manter a cultura sempre no limpo, isto é, sem plantas daninhas (que são todas aquelas diferentes das que foram plantadas). Elas devem ser retiradas, porque concorrem com a água, nutrientes e luz, ou podem ser portadoras ou hospedeiras de doenças e pragas.

Desbaste ou raleação: são feitas nas hortaliças de semeação direta, tanto nas covas como nos canteiros, eliminando-se as plantas menos desenvolvidas e deixando-se um espaçamento adequado entre as plantas que ficarem. Estaqueamento: é feito para algumas hortaliças que necessitam de suporte para evitar o seu crescimento em contato com a terra, ou proteção contra ventos ou excesso de produção, como é o caso da ervilha-torta, feijão-vagem, pepino, tomate, pimentão, berinjela, etc.

Amarração: consiste em amarrar as plantas para sua melhor fixação nas estacas (como é o caso do pepino e do tomate).

Amontoa: em certas culturas é necessário chegar terra ao pé da planta, após certo grau de desenvolvimento, para que as raízes ou tubérculos fiquem enterrados (como é o caso da batata, cenoura, beterraba, rabanete, nabo, etc.).

3.13 Rotação de Culturas

Após a colheita deve-se revolver o solo do canteiro novamente, fazer adubação e escolher uma nova cultura, tornando-se o cuidado de não plantar a mesma hortaliça, ou espécie de uma mesma família, no mesmo lugar. Isso porque o plantio contínuo de uma mesma hortaliça, ou de uma mesma família, acaba trazendo sérios prejuízos; elas irão competir pêlos mesmos nutrientes existentes no solo, o que acarretará um desenvolvimento de plantas fracas. Além disso, a presença continuada de uma mesma planta, ou de uma mesma família no canteiro, atrairá doenças e insetos comuns a estas plantas.

Em geral, recomenda-se fazer a rotação a cada plantio, alternando-se as hortaliças de folhas (couve, alface, almeirão, etc.), de raízes (beterraba, cenoura, nabo, rabanete, etc.) e de frutos ou flores (tomate, ervilha, brócolis, couve-flor, etc.). O melhor, porém, é fazer a rotação de cultura com famílias diferentes. Por exemplo: pimentão ou tomate (solanáceas e frutos), fazendo rotação com a rúcula (brassicácea e folha), ou rabanete (brassicácea e raiz), pois pertencem a famílias diferentes.

3.14. Consorciação de Culturas

O plantio de associações vegetais ou consórcios com plantas companheiras são favoráveis e eficazes para o sucesso de uma boa produção hortícola. Plantas que, a exemplo do milho, necessitam de muita luz, podem ser boas companheiras para as que precisam de um sombreamento parcial. Plantas com raízes profundas tornam o solo mais penetrável para outras de raízes curtas, explorando camadas diferentes de solo. Assim, pode-se misturar, num mesmo canteiro, hortaliças de folhas (exigentes em nitrogênio) e hortaliças de raízes (exigentes em potássio).

Plantas com ciclos diferentes também podem ajudar-se mutuamente, permitindo melhor aproveitamento e cobertura do terreno. Um exemplo: alface e rabanete. Semeados juntos, o rabanete estará pronto para a colheita antes que a alface exija maior espaço aéreo para a plena abertura de suas folhas.

Outro princípio é o de que as plantas consorciadas pertençam a famílias diferentes, para não criar ambiente propício à proliferação de pragas (cada praga ou doença costuma atacar várias espécies da mesma família), tornando-se plantas antagónicas.

Na verdade, a consorciação bem-feita tem sido uma das mais eficazes medidas de preven- cão de doenças, especialmente com o uso de plantas aromáticas. Os insetos são extremamente sensíveis aos odores. Assim, pode-se usar ervas aromáticas como repelentes (como a arruda), distribuídas pelo canteiros, ao lado de plantas que queremos proteger.

Os exemplos são inúmeros:

- o alho, cebola, cebolinha, alho-porro têm propriedades repelentes, por isso servem bem para as bordaduras das hortas (mas não podem ser plantados em associação com a ervilha e o feijão, porque essas plantas retardam mutuamente seu crescimento).

- o capim-limão melhora o sabor e o crescimento dos tomates.

- a hortelã mantém a borboleta longe da couve e melhora a saúde dos tomateiros.

- a camomila melhora o gosto e o crescimento das cebolas.

- o cravo-de-defunto possui uma substância que repele os nematóides (por isso devem ser cultivados ao lado das culturas mais susceptíveis: tomate, alho-porró, salsão, salsa e cenoura).

- as plantas de gergelim plantadas nas bordas da horta protegem-nas contra as saúvas, pois estas gostam das folhas, que contém substâncias que acabam matando os fungos que alimentam a saúvas.

- em áreas afetadas por formigas cortadeiras, pode-se também plantar duas fileiras de batata-doce junto à cerca e deixar que as plantas ramifiquem e cresçam. A função e de barreira física.

- um pé de girassol é suficiente para atrair as borboletas ou mariposas que irão depositar os seus ovos nele, protegendo as hortaliças das lagartas.

Tabela 1 - Plantas companheiras e antagonistas.

3.15. Escolha das Espécies a serem Cultivadas

Deve-se cultivar as verduras que são apreciadas, bem como as que estão mais ambientadas com o clima da região.

Nem todas as espécies podem ser semeadas numa mesma época do ano, bastando, para isso, escolher a espécie e variedade própria para cada época, (Ver tabela 2).

As sementes devem ser de boa qualidade, para que se obtenham boas mudas e plantas.

3.16. Controle de Pragas e Doenças

Mesmo nas pequenas hortas, ocorre o ataque de pragas e doenças que, se não controladas prejudicam o crescimento das plantas e a qualidade do produto a ser colhido.

PRAGAS são insetos e ácaros que atacam as folhas, hastes, raízes e frutos, sugando a seiva ou comendo partes delas.

Na horta caseira, deve-se evitar o uso de produtos químicos ou inseticidas, pois os ataques de pragas geralmente não são muito severos e podem ser combatidos pela eliminação manual (catação), eliminando-se as partes mais atacadas.

Deve-se, também, eliminar toda e qualquer planta daninha que sirva de hospedeira aos insetos.

Pode-se utilizar, também, produtos feitos com plantas que possuem um cheiro forte, como é o caso do manjericão, cebolinha, cebola e outros, ou inimigos naturais, isto é, outros insetos que são úteis, pois comem as pragas (exemplo: joaninha come pulgões e cochonilhas).

Utiliza-se também, casca de arroz como cobertura morta do solo, entre covas de abóbora, melão, melancia, couve, repolho e feijão, para o controle de pulgões sugadores e moscas brancas (transmissores de vírus).

Ainda referente ao controle de pragas, pode ocorrer o ataque de pássaros nas sementeiras ou canteiros e, portanto, é recomendado fazer um trançado de barbante ou linha de pesca com tiras de plástico amarradas neste barbante (como se fosse fazer uma rabiola de pipa) utilizando-se sacos de supermercado brancos ou embalagens de ovos de Páscoa por cima dos canteiros, a 10cm de altura nas sementeiras e de 15a 20cm nos canteiros definitivos. Os fios não devem ficar muito esticados, pois os pássaros, ao pousar nos barbantes, se assustam e fogem.( Murayama,1995)

3.17. Colheita

Cada hortaliça apresenta, em determinada fase de seu crescimento, suas melhores características de sabor, palatabilidade, aparência e qualidade. É nessa ocasião que ela deve ser colhida.

A hortaliça colhida antes de seu completo desenvolvimento apresenta-se tenra, mas sem sabor. Por outro lado, se for colhida tardiamente, estará fibrosa, ou com sabor alterado.

O reconhecimento do ponto de colheita é feito pela idade da planta, desenvolvimento das folhas, hastes, frutos, raízes, ou outras partes que serão consumidas, ou pelo amarelecimento ou secamente das folhas.

De modo geral, as hortaliças folhosas e de hastes são colhidas quando estão tenras; as de flores quando os botões estão fechados; as de frutos, quando as sementes não estão completa-mente formadas e as de raízes e bulbos, quando estão completamente desenvolvidas.

3.18. Plantio em Locais sem Espaço (Hortaliças em Recipientes)

3.18.1. Escolha do Recipiente

Para o plantio de hortaliças em apartamento ou em casas com quintal, mas sem área de terra descoberta, pode-se usar recipientes de qualquer material resistente à umidade, como vasos de cerâmica, vasos de plástico, latas, tubos cortados de plástico, pneu cortado, etc. Estes recipientes podem ser de diversas formas, mas seu tamanho não deve ser muito grande, para facilitar o manejo. Devem ser colocados em locais arejados e iluminados.

Podem ser plantados em:

- caixotes, tubos ou semelhantes, com altura de 20 a 25cm. Ex.: agrião, alface, chicória, almeirão, beterraba, cebolinha, cenoura, coentro, espinafre, morango, rabanete, rúcula e salsa.

- vasos de cerâmica ou de plástico com 30 a 50cm de altura e 20 a 30cm de diâmetro. Ex.: berinjela, jiló, couve, brócolis, couve-flor, repolho, feijão-vagem, ervilha-torta, pepino, pimentão, pimenta, quiabo e tomate.

3.18.2. Drenagem

Todos os recipientes devem ter furos no fundo e uma pequena camada de cascalho ou cacos de vaso de cerâmica para o escoamento do excesso de água. Devem ser colocados sobre suportes para permitir a saída da água escorrida.

3.18.3. Solo para o Recipiente

A terra utilizada poderá ser a de jardim, misturada com terra vegetal (terra preta), em volumes iguais.

3.18.4. Escolha do Local para os Recipientes

Deve ser em local arejado, com no mínimo de 4 horas de luz solar direta.

3.18.5. Regas

Regar quando notar que a terra começa a secar, evitando o excesso de água. Manter o solo sempre úmido.

Tabela 2 – seleção de Hortaliças

** Família Crucífera: rúcula, couve, repolho, brócolis, rabanete, nabo.

** Família Umbelliferae:coentro, cenoura, salsa.

** Família Cucurbitácea: pepino, abóbora, abobrinha italiana.


4- Orçamento e Cronograma Financeiro

Itens

1º Mês

2º Mês

3º Mês

4º Mês

5º Mês

6º Mês

Total

1. Material
Consumo

1.000,00

1.000,00

500,00

500,00

500,00

500,00

4.000,00

2. Material permanente e
equipamentos

1.000,00

1.000,00

-

-

-

-

2.000,00

Total

2.000,00

2.000,00

500,00

500,00

500,00

500,00

6.000,00


Detalhamento dos itens de despesa:

Material de consumo:

Horta Para Todos: R$ 2.000,00

Contrapartida da UFRPE: R$ 2.000,00

Material permanente e equipamentos:

Horta Para Todos: R$ 1.000,00

Contrapartida da UFRPE: R$ 1.000,00


5- Bibliografia

Cermeño, L. S. – Prontuário no horticutor: mais de 10.000 dados úteis – 1998

Cezar, Heitor Pinto – Horta e Hortaliças – 1951

Filgueira, Fernando Antonio Reis – Manual de olericultura: Cultura e comercialização de hortaliças - 1972

Francisco Neto, João - Manual de horticultura ecológica auto-suficiência em pequenos espaços - 1995

Janick, Jules – A ciência da horticultura – 1968

Murayama, Shizuto – Horicultura – 1995

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