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Hábitos Saudáveis

Autor:
Instituição: FUNEC
Tema: Estilo de Vida

HÁBITOS SAUDÁVEIS


1. ESTILO DE VIDA

1.1 – Hábitos Saudáveis

O resgate à normalização dos hábitos fisiológicos, alimentação adequada e atividade física são fatores importantes para o organismo e para nossa saúde.

1.2 – Alimentação Adequada

A qualidade da sua alimentação está diretamente ligada à qualidade da sua saúde. Comidas saudáveis, como frutas e verduras, cereais, carnes e até mesmo o feijão-com-arroz de todo dia são muito importantes para prevenir doenças.

Já os alimentos com muito sal, açúcar e gordura podem prejudicar a saúde e aumentar os riscos de doenças. Por isso, coma mais frutas, legumes e verduras. Varie, invente, ponha mais cor no seu prato. Conheça e utilize a variedade desses alimentos disponíveis na sua região.

Procure comer arroz e feijão pelo menos uma vez ao dia. Nossos avós estavam certos. A combinação de arroz e feijão é ótima para a saúde. Prepare-os com pouca gordura, temperando com ervas naturais para realçar o sabor. Feijão cozido nas saladas é também uma ótima opção!

Reduza o consumo de alimentos gordurosos. Carnes com capa de gordura, salsichas, lingüiças, mortadelas, frituras e salgadinhos: tudo isso pode ser muito gostoso, mas faz mal à sua saúde. Tente reduzir o consumo para, no máximo, uma vez por semana.

Diminua o sal. A maioria de nós, brasileiros, tem o hábito de comer com muito sal. Mas comidas salgadas podem aumentar a pressão do sangue. Não adicione sal às comidas prontas e às saladas. Evite também temperos prontos, alimentos enlatados, carnes salgadas e embutidos que contém muito sal.

Faça pelo menos três refeições e um lanche por dia. O corpo funciona melhor se você comer quantidades menores, mais vezes ao dia. Pular uma refeição, ou comer demais em uma delas, atrapalha a digestão e pode fazer você ganhar peso.

Evite o açúcar. Bolos, doces, biscoitos, refrigerantes, sucos artificiais e outros alimentos com açúcar, quando consumidos em excesso, podem causar obesidade e cáries. Tente reduzir seu consumo para, no máximo, duas vezes por semana. Evite acrescentar açúcar aos sucos, vitaminas e ao leite.

Maneire no álcool. Você já sabe que o consumo de bebidas alcoólicas causa muitos acidentes, mas precisa lembrar também que o álcool faz mal à saúde. Evite o consumo diário.

Coma mais devagar. A correria do dia-a-dia não pode atrapalhar suas refeições. Apreciando melhor o prato, mastigando mais devagar, você se dá um tempo para relaxar e ainda ajuda a digestão.

Fique de olho em seu peso. Existe uma fórmula para saber se você está dentro dos limites saudáveis. Ela se chama IMC, Índice de Massa Corporal, e mede a relação do seu peso com a sua altura.

Os limites saudáveis do IMC encontram-se entre 18,5 e 24,9kg/m2.

Como calcular seu IMC:

IMC=PESO (Kg)

Altura (m) x Altura (m)

1.3 – Exercício Físico e Saúde

Atividade Física - Esse movimento É POR VOCÊ

Os Ministérios da Saúde e do Esporte advertem: caminhar, sorrir, dançar, brincar, nadar, jogar no time da rua, pedalar, tudo faz bem à saúde, se for praticado com regularidade. Você não precisa ser um atleta olímpico, nem freqüentar uma academia de ginástica, basta escolher uma atividade que lhe dê prazer e ficar firme no propósito de se fazer bem. Afinal, a prática de um esporte, de uma atividade de lazer ou uma simples caminhada lhe traz muitas vantagens, sem falar nos novos amigos que você pode fazer. Participe e estimule as brincadeiras ativas com as crianças. Relembre as atividades de sua infância e estimule seus filhos a praticá-las. É bom para o corpo e para a sua relação com eles!

O que você ganha:

O que você evita, controla ou diminui:

O que você deve lembrar:

Busque as horas mais frescas do dia e evite a exposição exagerada ao sol.

O que pode mudar agora mesmo:

Antes de praticar exercícios, consulte seu médico.

1.4 – Prevenção e Controle do Estresse

Quando se fala em estresse, as pessoas logo associam as coisas ruins, como excesso de trabalho, problemas ou barulho. Mas a verdade é que coisas que são boas também estressam. Viagens, promoções ou até mesmo férias podem ser estressantes.

Isso ocorre quando não conseguimos planejar ou administrar bem as coisas. "O estresse é uma defesa do organismo para condições do ambiente", explica a doutora Marlise A. Bassani, professora associada da Faculdade de Psicologia e Pós-graduação em Psicologia Clínica da PUC-SP. Segundo a Drª., o estresse "é prejudicial quando a gente não consegue lidar com as coisas que acontecem".

Um exemplo desse tipo de estresse pode ser uma promoção do trabalho. A pessoa começa a ficar tão ansiosa pela promoção, que isso pode acabar estressando. Se a promoção demora para chegar, ou se ela chega mas traz mais responsabilidades que o esperado, pode ser prejudicial.

Outro exemplo são as viagens. "É muito comum as pessoas se estressarem por causa de viagens" comenta Bassani. Segundo a doutora, alguém pode estar tão ansioso por uma viagem que acaba não se preparando e, quando finalmente chega o momento de viajar, ele não consegue curtir, de tão nervoso. "Outro caso é quando se quer aproveitar ao máximo o passeio", diz Bassani, "Fica-se tão ocupado tentando ver o máximo de coisas e não perder nada, que acaba-se não comendo, não se alimentando direito" completa.

A estudante Clarissa Cares, 20, teve uma experiência assim. "Meu namorado me chamou para ir para a Europa, numas férias, mas teríamos que organizar tudo em um mês" diz a estudante. "Eu fiquei louca! Tinha que ver passagem, estadia, arrumar o dinheiro tudo em cima da hora!" comenta Cares. "Chegando lá, também fiquei estressada. Queria ver o máximo de cidades em pouco tempo, e tinha dias que eu acabava me preocupando mais com o horário dos transportes do que aproveitar o passeio" lembrou a estudante.

Um casamento, que é uma ocasião especial, pode acabar se transformando num transtorno para o casal. Desejando fazer uma grande cerimônia os noivos podem se desgastar na organização. Algumas vezes, é mais aconselhável fazer uma coisa mais simples, e aproveitar o casamento.

Qualquer alteração da rotina pode estressar alguém, se não souber lidar com a situação. A recomendação é planejar e se organizar. Para as coisas boas também.

1.4.1 - Como saber se você se estressa com coisas boas

Se, ao tentar sair da rotina, você apresenta algumas das reações abaixo, tome cuidado, você pode estar se desgastando com coisas que deveria aproveitar.

Ao viajar:

Ao receber uma promoção:

Ao organizar um evento:

O que fazer para aproveitar as coisas sem se estressar:

1.4.2 - Saiba como evitar o estresse

A melhor forma de não se estressar com as coisas boas, é saber lidar com elas. "Planejar, saber dinamizar as coisas é o melhor jeito de evitar o estresse" recomenda a psicóloga Marise Bassani. Segundo a doutora, é importante se organizar, marcar horários para fazer as coisas e algumas vezes reservar um tempo livre para descansar.

No trabalho, procure quebrar o ambiente maçante. Colocar uma planta na sua mesa ou fotos de pessoas queridas ajudam muito. Quando o serviço estiver muito corrido, procure reservar um tempo para descansar, nem que seja só um pouquinho.

Uma opção é escutar música, mas isso pode variar muito de pessoa para pessoa. "Cada pessoa tem que saber que tipo de música é melhor para ela" lembra a psicóloga. Para pessoas que adoram dançar, escutar música clássica pode deixá-las mais nervosas. Nesses casos o melhor pode ser sair para se divertir. Para outras pessoas, a recomendação pode ser escutar jazz, rock ou até mesmo um samba.

Ao sair do trabalho, o importante é pensar em outras coisas, aliviar a cabeça. As opções podem ser desde sair com os amigos, dar um passeio, até tomar um banho relaxante ou ler um livro. Cada pessoa deve procurar a sua forma de aliviar a rotina. Nos casos mais graves, procurar ajuda de um psicólogo pode ser uma solução.


2. FATORES DE RISCO

2.1 – Introdução

As principais categorias de fatores de risco associadas à saúde e à doença são classificadas em ambientais, tais como, o ar, água, ruído, emprego e renda, habitação, nível educacional e família; em genéticos, tais como, idade, gênero, raça e suscetibilidade á doença; e em comportamentais, tais como, o tabagismo, má nutrição, sedentarismo, etilismo, uso de medicamentos e estresse profissional e social para ser bem sucedido.

2.2 – Sedentarismo

2.2.1 - O Problema e sua Importância

A alta prevalência de sedentarismo na sociedade atual tem sido um problema recente para a civilização moderna e um dos principais desafios no campo da saúde pública. Comprovam este fato, a predominância atual de esforço físico de muito leve intensidade na maioria das atividades humanas, o que demanda um gasto energético inferior a 500 kcal por dia, valor este 15 vezes menor se comparado ao de nossos ancestrais que viveram há 100 mil anos, que por serem nômades, andarilhos, caçadores e coletores de alimentos, necessitaram gastar em torno de oito mil kcal diárias com atividades de sobrevivência (CARDAIN et al., 1998).

O sedentarismo, como fator de risco secundário (não-causal), vem sendo estudado cientificamente desde os anos 50, a partir dos estudos pioneiros de MORRIS et al (1953a, 1953b) com grupos de trabalhadores ingleses de empresas públicas, que relacionaram o baixo nível de atividade física no trabalho e a morbimortalidade por doenças cardiovasculares, mais precisamente o infarto e o derrame.

Assim, em 1992, o sedentarismo, com base em critérios de causalidade, foi elevado ao status de fator de risco primário (causal; variável independente) da morbimortalidade populacional por diversas DCNT, status semelhante ao outros três grandes fatores de risco primários: tabagismo, hipertensão arterial e hipercolesterolemia.

Ainda hoje, apesar da dificuldade metodológica em quantificar precisamente a atividade física humana e determinar a relação causal entre o sedentarismo e a morbimortalidade populacional principalmente por meio de ensaios clínicos randomizados seguidos à risca, é evidente essa relação inversa, consistentemente confirmada por diversos estudos bem conduzidos utilizando-se de meta-análise, estudo prospectivo e de revisão da literatura (BLAIR, 1993).

No entanto, apesar dos milhares de estudos publicados tendo o sedentarismo como variável independente (causal) de morbimortalidade populacional, são praticamente inexistentes estudos epidemiológicos que situam o sedentarismo como uma variável dependente de outros fatores de risco, ou seja, como uma conseqüência destes e não só uma causa de morbimortalidade.

Assim, este estudo epidemiológico transversal teve por finalidade verificar o sedentarismo no lazer como uma variável dependente de outros fatores de risco, tais como, idade, sexo, tabagismo, sobrepeso, prontidão para atividade física e o sedentarismo fora do lazer (ocupacional, doméstico e de transporte/locomoção). Ou seja, se a presença destes fatores de risco em trabalhadores de diferentes ocupações (indústria e serviços) são responsáveis pelo sedentarismo no lazer nestas populações específicas.

A alta prevalência de sedentarismo na sociedade moderna tem sido apontada como um importante problema de saúde pública a ser combatido com prioridade. Recente estudo de HASKELL (1998), concluiu que a mudança de um estilo de vida sedentário para um estilo de vida pouco ativo, o que significa adotar uma simples caminhada de intensidade moderada por trinta minutos, cinco dias na semana, representa uma redução de 50% na morbimortalidade populacional por DCNT, principalmente DAC.

A escolha por verificar a prevalência de sedentarismo no lazer se deveu ao fato de que, supõe-se, seja esse o período quotidiano da maioria dos cidadãos, o mais oportuno para adoção voluntária de um estilo de vida mais ativo ou mais sedentário, já que durante a execução de outras atividades fora do lazer, sejam elas classificadas como ocupacionais, domésticas ou de transporte e locomoção, o seu caráter automático e obrigatório impera, o que significa pouca ou nenhuma opção para a escolha voluntária de atividades mais ativas ou mais sedentárias fora do lazer.

Assim, o alto impacto na saúde pública, proporcionado por um estilo de vida mais ativo, tem levado ao surgimento de campanhas de combate ao sedentarismo em nível mundial, levando, inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar o ano de 2002 como sendo o ano mundial de combate ao sedentarismo, lançando a campanha Agita Mundo e estabelecendo como meta para o ano 2010 a redução do sedentarismo mundial para uma prevalência menor que 15% (V. K. MATSUDO, comunicação pessoal, em 27 de março de 2002).

Por ser um comportamento adotado pela maioria da população, o sedentarismo no lazer pode ser causado pela presença de outros fatores de risco e, assim, estar associado à presença concomitante de outros fatores de risco, tais como, o sexo, principalmente com a crescente participação da mulher no mercado de trabalho; a idade, principalmente com o envelhecimento da população brasileira devido ao processo de transição demográfica; o tabagismo, principalmente após a primeira guerra mundial com o crescimento da indústria do tabaco nos E.U.A e no mundo; o sobrepeso, principalmente devido a uma alimentação artificial e desequilibrada; a prontidão para atividade física, que estabelece um estado de morbidade específica que contra-indica a prática de atividades físicas, mesmo as de leve ou moderada intensidade; e o sedentarismo fora do lazer, ou seja, em outras atividades físicas quotidianas, principalmente com o avanço da tecnologia, a automação e a virtualidade, não somente nas tarefas de trabalho, mas também em atividades domésticas e de transporte e locomoção, oportunidade em que variados tipos de máquinas e aparelhos vêm substituindo o esforço físico muscular e a necessidade de atividade física.

As conclusões deste estudo poderiam levar a resultados esclarecedores quanto à prevalência de sedentarismo no lazer associado a outros fatores de risco, principalmente entre trabalhadores da atividade econômica secundária (Indústria) e terciária (serviços e comércio), parte da população economicamente ativa (PEA), além de auxiliar na elaboração de políticas de saúde e programas de intervenção visando combater o sedentarismo populacional e fomentar as pesquisas epidemiológicas por proporcionar a elaboração de novas hipóteses que seriam testadas em estudos analíticos, tais como os de caso-controle, coorte (longitudinais) e ensaio clínico randomizado.

Nesse sentido, considerando a relevância do sedentarismo como fator de risco no cenário mundial e sua possível dependência de outros fatores de risco associados, justifica-se e releva-se a realização deste estudo.

2.2.2 - Contra o sedentarismo

O sedentarismo, pelo contrário, deriva facilmente em doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. Para Azzolini, permanecer sentado é mais duro do que fazer o papel em pé porque quando nos sentarmos, a última das três curvas das costas se ressente, ao haver uma regressão. Assim, convém realizar uma pausa de cinco a dez minutos a cada hora para esticar as pernas ou fazer exercícios de descarga.

Essas pausas no horário de trabalho são muito importantes. São momentos indicados para mudar de atividade, relaxar as tensões adquiridas e recuperar o nível de energia necessário para continuar eficazmente com a atividade que desempenhamos.

"Nessas pausas deveríamos nos levantar, dar uma volta na mesa para mudar de posição e fazer alongamentos", acrescenta Azzolini. Para fazer os alongamentos, o especialista recomenda imaginar que um fio controla a posição dos ombros. "Devemos nos sentir como um saca-rolhas quando sai lentamente da esquerda para a direita com a intenção de crescer".

É recomendável praticar, se for possível, atividades aeróbicas como passear, nadar, correr ou andar de bicicleta três ou quatro dias por semana entre vinte e quarenta minutos. Para Azzolini, andar é a atividade mais simples e apropriada à natureza do ser humano: "Andando, trabalha-se com moderação os sistemas cardiovasculares, respiratório e músculo-esquelético, ao mesmo tempo que apresenta pouca possibilidade de gerar lesões".

Também é muito importante prestar atenção nos alongamentos. "Precisamos esticar, recuperar a longitude e afastar a rigidez para que a coluna vertebral recupere suas formas e as vértebras voltem a respirar", especifica o especialista. Os alongamentos musculares devem ser feitos nos dois extremos, levando o músculo a um estado de tensão, sem bloquear a respiração.

2.3 – Tabagismo

O tabagismo é o ato de se consumir cigarros ou outros produtos que contenham tabaco, cuja droga ou princípio ativo é a nicotina. Durante anos não se deu a real importância à nicotina como droga de abuso, pois o hábito de fumar cigarros, além de ser lícito e socialmente aceito, não produz nenhum sinal óbvio de intoxicação nem induz o indivíduo a nenhum comportamento indesejável.

O tabagismo hoje é um grande problema de saúde pública, tanto no Brasil quanto no exterior, pois causa mais mortes do que a AIDS, acidentes automobilísticos, homicídios, suicídios e overdoses de outras drogas como cocaína e heroína.

Nos Estados Unidos, estima-se que a cada ano 400.000 pessoas morram de doenças causadas pelo consumo de cigarros.

2.3.1 - O que causa?

O cigarro causa principalmente doenças pulmonares como bronquite crônica e enfisema, e câncer de pulmão. A chance de um fumante vir a ter câncer de pulmão é 33 vezes maior do que a de quem não fuma. Além do câncer de pulmão, as toxinas do cigarro podem causar também câncer de boca, garganta e esôfago, e de bexiga, rins e pâncreas.

Outra importante doença induzida pelo cigarro é a aterosclerose, ou seja, o entupimento das artérias do carpo com placas de gordura, que pode levar o indivíduo a ter infarto do coração, derrame cerebral e falta de circulação nos membros, podendo levar a amputações.

O cigarro é também responsável por doenças como a úlcera do estômago e duodeno (porção inicial do intestino delgado) e contribui para o desenvolvimento de osteoporose e doença de Alzheimer.

O fumante está mais propenso a ter qualquer doença respiratória, incluindo gripes, resfriados e pneumonias. Além disto, a fumaça piora os sintomas de doenças alérgicas como a asma.

2.3.2 - Como deixar de fumar?

Existem varias maneiras de se deixar de fumar.

Uma delas, usada por muitos anos, é a terapia de reposição de nicotina, que consiste no uso da nicotina de uma outra forma que não em cigarros, como os adesivos para a pele ou gomas de mascar.

Atualmente, outras drogas vêm sendo usadas no processo de deixar de fumar. São elas: antidepressivos, ansiolíticos (drogas para o controle da ansiedade) e até algumas drogas antiepilépticas.

A única droga atualmente aprovada pelo FDA (órgão do governo dos Estados Unidos que fiscaliza o uso de drogas)especificamente para o abandono do tabagismo é o antidepressivo Bupropiona, que já existe no Brasil com o nome comercial de Zyban.

Outras terapias alternativas também existem e são válidas, como acupuntura, e psicoterapia, alem de terapias comportamentais. O mais importante é que, se você é fumante e deseja parar de fumar, deve procurar um médico especialista no assunto para lhe ajudar. Tanto psiquiatras quanto pneumologistas têm experiência nesta área e podem receitar medicação antitabagismo.

2.3.3 - Por que é tão difícil parar de fumar?

Assim como outras drogas, a nicotina contida no cigarro age no cérebro de maneira a criar dependência. Às vezes, mesmo sem que o fumante perceba, o ato de fumar transmite uma sensação prazerosa, que pode ser associada a relaxamento, diminuição do apetite e do sono e a uma maior disposição para as atividades diárias.

Quando o indivíduo deixa de fumar, seu organismo começa a sentir falta da droga, o que é chamado de abstinência; a pessoa pode apresentar sintomas inversos (desagradáveis) daqueles que o cigarro proporcionava.

2.3.4 - Efeitos do cigarro

O cigarro causa grandes prejuízos à saúde do fumante. Para ter uma idéia da extensão desses danos, veja abaixo o que ocorre ao organismo quando alguém pára de fumar:

Após 20 minutos: a pressão arterial tende a voltar ao normal, a freqüência do pulso volta ao normal, a temperatura das mãos e dos pés sobe para o normal.

Após 8 horas: o nível de gás carbônico do sangue volta ao normal, o nível de oxigenação no sangue aumenta para o normal.

Após 24 horas: diminuem os riscos de um ataque cardíaco.

Após 48 horas: os nervos funcionam melhor, a pessoa começa a sentir melhor o cheiro e o gosto das coisas.

Após 72 horas: os brônquios relaxam, tornando a respiração mais fácil; o pulmão funciona melhor.

Após 2 semanas a 3 meses: a circulação do sangue aumenta; o caminhar torna-se mais fácil.

De 1 a 9 meses: diminuição da tosse, da congestão nasal, do cansaço e da falta de ar; o movimento ciliar dos brônquios volta ao normal, limpando os pulmões e reduzindo os riscos de infecções respiratórias; aumento da capacidade física e da energia corporal.

2.4 - Alcoolismo

O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndromes amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, delirante, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.

2.4.1 - Aspectos Gerais do Alcoolismo

A identificação precoce do alcoolismo geralmente é prejudicada pela negação dos pacientes quanto a sua condição de alcoólatras. Além disso, nos estágios iniciais é mais difícil fazer o diagnóstico, pois os limites entre o uso "social" e a dependência nem sempre são claros. Quando o diagnóstico é evidente e o paciente concorda em se tratar é porque já se passou muito tempo, e diversos prejuízos foram sofridos. É mais difícil de se reverter o processo. Como a maioria dos diagnósticos mentais, o alcoolismo possui um forte estigma social, e os usuários tendem a evitar esse estigma. Esta defesa natural para a preservação da auto-estima acaba trazendo atrasos na intervenção terapêutica. Para se iniciar um tratamento para o alcoolismo é necessário que o paciente preserve em níveis elevados sua auto-estima sem, contudo, negar sua condição de alcoólatra, fato muito difícil de se conseguir na prática. O profissional deve estar atento a qualquer modificação do comportamento dos pacientes no seguinte sentido: falta de diálogo com o cônjuge, freqüentes explosões temperamentais com manifestação de raiva, atitudes hostis, perda do interesse na relação conjugal. O Álcool pode ser procurado tanto para ficar sexualmente desinibido como para evitar a vida sexual. No trabalho os colegas podem notar um comportamento mais irritável do que o habitual, atrasos e mesmo faltas. Acidentes de carro passam a acontecer. Quando essas situações acontecem é sinal de que o indivíduo já perdeu o controle da bebida: pode estar travando uma luta solitária para diminuir o consumo do álcool, mas geralmente as iniciativas pessoais resultam em fracassos. As manifestações corporais costumam começar por vômitos pela manhã, dores abdominais, diarréia, gastrites, aumento do tamanho do fígado. Pequenos acidentes que provocam contusões, e outros tipos de ferimentos se tornam mais freqüentes, bem como esquecimentos mais intensos do que os lapsos que ocorrem naturalmente com qualquer um, envolvendo obrigações e deveres sociais e trabalhistas. A susceptibilidade a infecções aumenta e dependendo da predisposição de cada um, podem surgir crises convulsivas. Nos casos de dúvidas quanto ao diagnóstico, deve-se sempre avaliar incidências familiares de alcoolismo porque se sabe que a carga genética predispõe ao alcoolismo. É muito mais comum do que se imagina a coexistência de alcoolismo com outros problemas psiquiátricos prévios ou mesmo precipitante. Os transtornos de ansiedade, depressão e insônia podem levar ao alcoolismo. Tratando-se a base do problema muitas vezes se resolve o alcoolismo. Já os transtornos de personalidade tornam o tratamento mais difícil e prejudicam a obtenção de sucesso.

2.4.2 - Tratamento do Alcoolismo

O alcoolismo, essencialmente, é o desejo incontrolável de consumir bebidas alcoólicas numa quantidade prejudicial ao bebedor. O núcleo da doença é o desejo pelo álcool; há tempos isto é aceito, mas nunca se obteve uma substância psicoativa que inibisse tal desejo. Como prova de que inúmeros fracassos não desanimaram os pesquisadores, temos hoje já comprovadas, ou em fase avançada de testes, três substâncias eficazes na supressão do desejo pelo álcool, três remédios que atingem a essência do problema, que cortam o mal pela raiz. Estamos falando naltrexona, do acamprosato e da ondansetrona. O tratamento do alcoolismo não deve ser confundido com o tratamento da abstinência alcoólica. Como o organismo incorpora literalmente o álcool ao seu metabolismo, a interrupção da ingestão de álcool faz com que o corpo se ressinta: a isto chamamos abstinência que, dependendo, do tempo e da quantidade de álcool consumidos pode causar sérios problemas e até a morte nos casos não tratados. As medicações acima citadas não têm finalidade de atuar nessa fase. A abstinência já tem suas alternativas de tratamento bem estabelecidas e relativamente satisfatórias. O Dissulfiram é uma substância que força o paciente a não beber sob a pena de intenso mal estar: se isso for feito, não suprime o desejo e deixa o paciente num conflito psicológico amargo. Muitos alcoólatras morreram por não conseguirem conter o desejo pelo álcool enquanto estavam sob efeito do Dissulfiram. Mesmo sabendo o que poderia acontecer, não conseguiram evitar a combinação do álcool com o Dissulfiram, não conseguiram sequer esperar a eliminação do Dissulfiram. Fatos como esses servem para que os clínicos e os não-alcoólatras saibam o quanto é forte a inclinação para o álcool sofrida pelos alcoólatras, mais forte que a própria ameaça de morte. Serve também para medir o grau de benefício trazido pelas medicações que suprimem o desejo pelo álcool, atualmente disponíveis. Podemos fazer uma analogia para entender essa evolução. Com o Dissulfiram o paciente tem que fazer um esforço semelhante ao motorista que tenta segurar um veículo ladeira abaixo, pondo-se à frente deste, tentando impedir que o automóvel deslanche, atropelando o próprio motorista. Com as novas medicações o motorista está dentro do carro apertando o pedal do freio até que o carro chegue no fim da ladeira. Em ambos os casos, é possível chegar ao fim da ladeira (controle do alcoolismo). Numa o esforço é enorme causando grande percentagem de fracassos; noutro o esforço é pequeno, permitindo grande adesão ao tratamento.

2.4.3 - Alcoolismo e desnutrição

As principais funções do processo alimentar são a manutenção da estrutura corporal e das necessidades energéticas diárias. Uma alimentação equilibrada proporciona o que precisamos. O álcool é uma substância bastante energética, em épocas passadas, chegou a ser usado em pacientes após cirurgias para uma reposição mais rápida da energia perdida na cirurgia. Apesar de altamente calórico o álcool não é armazenável. Não fossem os efeitos prejudiciais ao longo do tempo, o álcool seria um excelente meio de perder peso. Para que se possa entender como o álcool fornece energia e ao mesmo tempo não é armazenável é necessário entender seu mecanismo metabólico o que não será abordado aqui. Pelo fato do usuário de álcool possuir suas necessidades energéticas supridas ele não sente muita ou nenhuma fome, assim não há vontade de comer. A diminuição da oferta das substâncias (proteínas, açucares, gorduras, vitaminas e minerais) usadas na constante reconstrução dos tecidos, não interrompe o processo de destruição natural das células que estão sendo substituídas constantemente. Assim o corpo do alcoólatra começa a se consumir. Esse processo leva a desnutrição.

2.4.4 - Conseqüências corporais do alcoolismo

À medida que o alcoolismo avança, as repercussões sobre o corpo se agravam. Os órgãos mais atingidos são: o cérebro, trato digestivo, coração, músculos, sangue, glândulas hormonais. Como o álcool dissolve o mucus do trato digestivo, provoca irritação na camada externa de revestimento que pode acabar provocando sangramentos. A maioria dos casos de pancreatite aguda (75%) são provocados por alcoolismo. As afecções sobre o fígado podem ir de uma simples degeneração gordurosa à cirrose que é um processo irreversível e incompatível com a vida. O desenvolvimento de patologias cardíacas pode levar 10 anos por abusos de álcool e ao contrário da cirrose pode ser revertida com a interrupção do vício. Os alcoólatras tornam-se mais susceptíveis a infecções porque suas células de defesas são em menor número. O álcool interfere diretamente com a função sexual masculina, com infertilidade por atrofia das células produtoras de testosterona, e diminuição dos hormônios masculinos. O predomínio dos hormônios femininos nos alcoólatras do sexo masculino leva ao surgimento de características físicas femininas como o aumento da mama (ginecomastia). O álcool pode afetar o desejo sexual e levar a impotência por danos causados nos nervos ligados a ereção. Nas mulheres o álcool pode afetar a produção hormonal feminina, levando diminuição da menstruação, infertilidade e afetando as características sexuais femininas.

2.5 – Drogas

2.5.1 - Conceito

Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. As drogas naturais são obtidas através de determinadas plantas,de animais e de alguns minerais. Exemplo a cafeína (do café), a nicotina (presente no tabaco), o ópio (na papoula) e o THC tetrahidrocanabiol (da maconha). As drogas sintéticas são fabricadas em laboratório, exigindo para isso técnicas especiais. O termo droga, presta-se a várias interpretações, mas comumente suscita a idéia de uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento. As drogas estão classificadas em três categorias: as estimulantes, os depressores e os perturbadores das atividades mentais. O termo droga envolve os analgésicos, estimulantes, alucinógenos, tranqüilizantes e barbitúricos, além do álcool e substâncias voláteis. As psicotrópicas, são as drogas que tem tropismo e afetam o Sistema Nervoso Central, modificando as atividades psíquicas e o comportamento. Essas drogas podem ser absorvidas de várias formas: por injeção, por inalação, via oral, injeção intravenosa ou aplicadas via retal (supositório).

2.5.2 - Intoxicação Aguda

É uma condição transitória seguindo-se a administração de álcool ou outra substância psicoativa, resultando em perturbações no nível de consciência, cognição, percepção, afeto ou comportamento, ou outras funções ou respostas psicofisiológicas.

2.5.3 - Uso Nocivo

É um padrão de uso de substância psicoativa que está causando dano à saúde. O dano pode ser físico (como no caso de hepatite decorrente da administração de drogas injetáveis) ou mental (ex. episódio depressivo secundário a um grande consumo de álcool).

2.5.4 - Toxicomania

A toxicomania é um estado de intoxicação periódica ou crônica, nociva ao indivíduo e à sociedade, determinada pelo consumo repetido de uma droga, (natural ou sintética). Suas características são:

1 - irresistível desejo causado pela falta que obriga a continuar a usar droga.

2 - tendência a aumentar a dose.

3 - dependência de ordem psíquica (psicológica), às vezes física acerca dos efeitos das drogas.

2.5.5 - Síndrome de Dependência

É um conjunto de fenômenos fisiológicos, comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou uma classe de substâncias alcança uma prioridade muito maior para um determinado indivíduo, do que outros comportamentos que antes tinham mais valor.

Uma característica central da síndrome da dependência é o desejo (frequentemente forte e algumas vezes irresistível) de consumir drogas psicoativas as quais podem ou não terem sido prescritas por médicos.

2.5.6 – Codependência

Codependência é uma doença emocional que foi "diagnosticada" nos Estados Unidos por volta das décadas de 70 e 80, em uma clínica para dependentes químicos, através do atendimento a seus familiares. Porém, com os avanços dos estudos das causas e dos sintomas, que são vários, chegou-se à conclusão de que esta doença atinge não apenas os familiares dos dependentes químicos, mas um grande número de pessoas, cujos comportamentos e reações perante a vida são um meio de sobrevivência.

Os codependentes são aqueles que vivem em função do(s) outro (os), fazendo destes a razão de sua felicidade e bem estar. São pessoas que têm baixa auto-estima e intenso sentimento de culpa. Vivem tentando "ajudar" outras pessoas, esquecendo, na maior parte do tempo, de viver a própria vida, entre outras atitudes de auto-anulação. O que vai caracterizar o doente é o grau de negligenciamento de sua própria vida em função do outro e de comportamentos insanos.

A codependência também pode ser fatal, causando morte por depressão, suicídio, assassinato, câncer e outros. Embora não haja nas certidões de óbito o termo codependência, muitas vezes ela é o agente desencadeante de doenças muito sérias. Mas pode-se reverter este quadro, adotando-se comportamentos mais saudáveis. Os profissionais apontam que o primeiro passo em direção à mudança é tomar consciência e aceitar o problema.

2.5.7 - Abstinência Narcótica

Independente de sexo ou idade, na gravidez ou não, sempre que se suspendem de forma abrupta os narcóticos, poderá eclodir numa pessoa viciada nestas drogas, uma seqüência de sintomas que vão caracterizar a síndrome de abstinência narcótica.

As primeiras 4 horas de abstinência

- Ansiedade, comportamento de procura da droga.

As primeiras 8 horas de abstinência

- Ansiedade, procura da droga, lacrimejamento, coriza intensa, bocejos freqüentes, sudorese excessiva, adinamia e fraqueza geral.

As primeiras 12 horas de abstinência

- Ansiedade, procura da droga, lacrimejamento, coriza intensa, bocejos freqüentes, sudorese excessiva, adinamia, fraqueza geral, dilatação das pupilas, tremores musculares, ondas de frio, ondas de calor, ereção dos pelos cutâneos, dores ósseas e dores musculares.

As primeiras 18-24 horas de abstinência

- Ansiedade, procura da droga, lacrimejamento, coriza intensa, bocejos freqüentes, sudorese excessiva, adinamia, fraqueza geral, dilatação das pupilas, tremores musculares, ondas de frio, ondas de calor, ereção dos pelos cutâneos, dores ósseas, dores musculares, insônia, náusea, vômitos, muita inquietação, aumento da freqüência respiratória, pulso rápido, aumento da profundidade da respiração, aumento da pressão arterial, hipertermia (febre) e dor abdominal.

As primeiras 24-36 horas de abstinência

- Ansiedade, procura da droga, lacrimejamento, coriza intensa, bocejos freqüentes, sudorese excessiva, adinamia, fraqueza geral, dilatação das pupilas, tremores musculares, ondas de frio, ondas de calor, ereção dos pelos cutâneos, dores ósseas, dores musculares, insônia, náusea, vômitos, muita inquietação, aumento da freqüência respiratória, pulso rápido, aumento da profundidade da respiração, aumento da pressão arterial, hipertermia (febre), dor abdominal, diarréia, ejaculação espontânea, perda de peso, orgasmo espontâneo, sinais de desidratação clínica, aumento dos leucócitos sanguíneos, aumento da glicose sanguínea, acidose sanguínea e distúrbio do metabolismo ácido-base.

2.5.8 - Como as Drogas Circulam no Corpo

As drogas circulam de maneira previsível pelo corpo e ganham maior velocidade e alcance a partir do momento em que entram na corrente sanguínea. O sangue circula dos tecidos para o coração através das veias. Do coração, ele parte para os pulmões para adquirir oxigênio e liberar o dióxido de carbono. O sangue volta, então, para o coração através das artérias, carregando consigo a droga.

As drogas podem der administradas oralmente, aspiradas pelo nariz ou inaladas até os pulmões. Podem também ser injetadas através da pele, de uma camada de gordura, músculo ou dentro de uma veia (via intravenosa). A injeção intravenosa é a via que produz os efeitos mais rápidos.

2.5.9 - Alguns tipos de drogas e sua ação

Álcool

O álcool é uma das poucas drogas lícitas e aceitas socialmente, o que facilita a sua aquisição e o uso indiscriminado em qualquer faixa da população. Só é visto como um problema, quando é utilizado de forma excessiva. Mas certamente 12% de nossa população têm problemas decorrentes do abuso de álcool. Os efeitos causados pelo álcool incluem duas fases: uma estimulante e outra depressora. Na fase estimulante surgem a euforia, desinibição social e facilidade para falar em público. Os efeitos depressores se traduzem por falta de coordenação motora, sonolência e descontrole. O efeito depressor é acentuado pelo consumo excessivo do álcool, podendo levar ao estado de coma. Ele age diretamente em órgãos como cérebro, fígado, coração, vasos, e parede de estômago; e seu uso prolongado pode desencadear patologias em cada um deles. O alcoolismo é uma doença muito comum, e de difícil controle, pois o álcool é utilizado pela primeira vez cada vez mais cedo, e para adquiri-lo, o indivíduo não precisa fazer grandes esforços.

Anfetaminas

As anfetaminas são drogas estimulantes, que provocam o aumento da atividade cerebral, apresentando efeitos inibidores da fadiga, ou seja, a pessoa anda mais, corre mais, não tem necessidade de sono, fala mais, come em menor quantidade, etc. Os efeitos agudos são euforia, aumento da vigilância e da atividade motora, taquicardia, dilatação das pupilas, aumento da pressão arterial e da temperatura do corpo, o que pode levar a convulsões. Os efeitos produzidos pelo uso prolongado são intensa perda de peso, hipertensão, agressividade, irritabilidade, sentimentos persecutórios, tremores, respiração rápida, desorganização do pensamento, e repetição compulsiva de atividades. Seu uso em nosso meio se inicia de duas maneiras: a) em fórmulas de emagrecimento: freqüentemente utilizadas por mulheres que querem perder peso e acabam por tornarem-se dependentes. O Brasil é hoje um dos maiores consumidores de anorexígenos do mundo por conta desse ideal de beleza e peso imposto as mulheres; b) em pessoas que precisam dobrar seu turno de trabalho/estudo. Com o nome de "arrebites" eles são utilizados por caminhoneiros para cumprir longos trajetos noturnos em estradas.

Ansiolíticos

Os ansiolíticos, também chamados tranqüilizantes são medicamentos que atuam no sistema nervoso, diminuindo o estado de ansiedade e a tensão, trazendo ao indivíduo uma sensação de calma tranqüilizadora. É medicamento prescrito para tratamento de ansiedade ou insônia por também terem efeitos hipnóticos. Seu uso deveria se restringir as indicações médicas precisas e por um tempo delimitado. Mas é comum o uso contínuo, facilitado por receitas de múltiplos médicos, para reduzir a ansiedade decorrente de problemas do dia-dia e depois a ansiedade decorrente da falta do produto. Há pessoas que utilizam os ansiolíticos de forma indiscriminada e inadequada, sempre que pensam enfrentar uma situação que gera ansiedade. Outro grande problema é a mistura de ansiolíticos benzodiazepínicos (o tipo mais comum) com bebida alcoólica, que pode levar o indivíduo a graves problemas médicos, pois o álcool é um depressor do sistema nervoso central e potencializa o efeitos dos ansiolíticos. Em longo prazo, a utilização inadequada dos ansiolíticos traz prejuízos nos processos de aprendizagem e memória do indivíduo, e nas funções psicomotoras.

As intoxicações agudas por benzodiazepínicos são encontradas com alguma freqüência nas salas de emergência. A sedação é o achado mais comum, mas pode haver casos de desibinição comportamental, com agressividade e hostilidade. Tal efeito é mais comum quando os benzodiazepínicos são combinados com o álcool, mas pode aparecer em pacientes idosos ou com lesões prévias no Sistema Nervoso Central.

Anticolinérgicos

Os anticolinérgicos podem ser naturais (encontrado em algumas plantas) ou sintéticos (encontrados em medicamentos contra o Mal de Parkinson, cólicas estomacais ou intestinais, e ainda em colírios para dilatar a pupila), e em ambos os tipos os efeitos produzidos são os mesmos. Os efeitos provocados pelos anticolinérgicos são os delírios e as alucinações. Os sintoma e sinais após o seu uso são pupilas dilatadas e sem reflexos, visão borrada, boca e narinas secas, dificuldade respiratória, taquicardia, diminuição da pressão sangüínea, e hipertermia. Quando utilizados em longo prazo, os anticolinérgicos deixam a pessoa em um permanente estado de desinteresse e desorientação, prejudicando o seu desempenho acadêmico ou ocupacional, e ainda, podendo ser explorada por outros. Alguns anticolinérgicos naturais podem ser responsáveis pelos efeitos alucinatórios de algumas beberagens como o popular "chá-de-trombeta".

Cocaína

A cocaína é uma substância capaz de estimular o sistema nervoso central, causando aceleração do pensamento, inquietação psicomotora, aumento do estado de alerta, inibição do apetite, perda do medo e sensação de poder. No entanto, as sensações agradáveis por ela proporcionadas duram curto período de tempo, e após seus efeitos, a pessoa pode ser levada a um estado de depressão, necessitando de outras doses da droga para ter a sensação que está saindo deste estado. Seu uso contínuo pode levar as sérias complicações cardiovasculares, respiratórios, gastrintestinais, perda da capacidade sexual, entre outros. Quanto aos problemas psicológicos causados pelo seu uso em longo prazo, estão as depressões, ansiedade, irritabilidade, agressividade, dificuldades de concentração, e sentimentos de perseguição (paranóia). Quando a dependência se estabelece, o indivíduo limita o seu comportamento apenas para a busca e a utilização da droga, pondo de lado todas as outras atividades.

A cocaína e as anfetaminas têm um efeito específico nas vias dopaminérgicas mesolímbica e mesocortical, e especialmente no chamado sistema de recompensa, caracterizado pelas grandes estruturas:

1) Ventral Tegmental Área - VTA,

2) núcleo accumbens,

3) córtex pré-frontal.

Um dos principais efeitos da intoxicação aguda por cocaína é a sensação de prazer descrita muitas vezes como euforia que freqüentemente evolui para a disforia. Doses baixas e inicias de estimulantes causam estimulação dopaminérgica aguda no centro endógeno do prazer no cérebro. A sensação induzida de hiperalerta pode ser confirmada por eletroencefalograma (EEG) e eletrocardiograma (ECG). O EEG alterado mostra uma dessicronização generalizada das ondas cerebrais.

Existem várias formas de consumo desde a forma inalada como pó, até a utilização de "pedras" como no "crack", misturado como pasta (merla) no cigarro ou na maconha além da forma injetável.

Os efeitos patológicos do uso crônico da cocaína podem ser observados nas diversas esferas: fisiológica, psicológica e social/interpessoal.

Quanto aos efeitos fisiológicos, o uso repetido de baixas doses de cocaína leva:

1) ao aumento da sensibilidade e potencialização da atividade motora com reações exageradas ao susto,

2) distúrbios do movimento (discinesias),

3) anormalidades posturais.

Quanto aos efeitos cardiológicos crônicos observa-se:

1) taquicardia,

2) hipertensão,

3) vaso constrição da artéria coronariana com diminuição do fluxo sanguíneo.

4) arritmia,

5) miocardite ou cardiomiopatia relacionada à catecolamina. A associação da cocaína com álcool pode levar a formação de cocaetileno que é considerado responsável por episódios de morte súbita em usuários de cocaína,

Quanto aos efeitos no SNC destacam-se:

1) efeito no centro termoregulador podendo causar hipertermia maligna,

2) diminuição do limiar convulsivo,

3) vasoconstricção cerebral com aumento de Ataques Isquêmicos Transitórios (AIT) ou de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC),

4) cefaléia vascular migratória durante a abstinência pode ser associada à desregulação serotoninérgica,

5) atrofia cortical, especialmente nos lobos frontais e temporais.

Efeitos pulmonares:

1) tosse crônica com secreção preta especialmente para os usuários de estimulantes fumados,

2) edema pulmonar,

3) pneumonia granulomatosa com hipertensão pulmonar,

4) "pulmão de crack" (dor torácica, hemoptise e infiltrado alveolar difuso).

Efeitos nasais e na face:

1) inflamação e atrofia da mucosa nasal,

2) sinusite crônica,

3) necrose e até perfuração do septo nasal,

4) ulceração de gengiva devido à aplicação de cocaína oral

Efeitos do uso durante a gravidez:

1) placenta prévia,

2) aborto espontâneo,

3) sofrimento fetal

Durante o uso crônico de cocaína, ou mesmo após uma orgia de consumo, sintomas depressivos, amotivação, sonolência, paranóia e irritabilidade costumam ocorrer. A cocaína pode induzir ataques de pânico, inclusive desencadear a Síndrome do Pânico que persiste mesmo após a interrupção do uso da droga.

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