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O Pulso Arterial

Autor:
Instituição: UNP
Tema: O Pulso Arterial

O PULSO

UNP
2007

1. Introdução

No trabalho a seguir iremos abordar o pulso arterial, onde temos como objetivos expor o tema de forma conceitual e aplicativo.

O pulso arterial é uma onda de pressão dependente de ejeção ventricular e, por isso, a análise do pulso arterial proporciona dados inestimáveis da ejeção ventricular esquerda. Novamente, examina-se o pulso arterial primeiramente no punho, considerando-se cinco propriedades, além do estado da parede arterial: freqüência, ritmo, tensão, amplitude e forma.

O profissional de enfermagem normalmente avalia o pulso radial ou apical, ou ambos, durante a avaliação de rotina dos sinais vitais. O radial é localizado ao longo da região radial, ou do polegar do punho, e é o mais acessível para a avaliação. Já o pulso apical é avaliado auscultando as bulhas cardíacas.

Para apalpar um pulso utilizam-se os três dedos intermediários da mão. As pontas dos dedos são as áreas mais sensíveis para detectar o pulso da parede arterial.

É importante ressaltar a obrigatoriedade do exame de pulso da artéria contra-lateral, pois a desigualdade dos pulsos pode identificar lesões anatômicas.

2. Sinais Vitais

Sinais vitais são aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal. A temperatura, o pulso, padrões respiratórios e pressão sanguínea, são indicadores das condições de saúde de uma pessoa, conhecidos como sinais vitais. Estes sinais podem sofrer alterações devido a alguns fatores como: esforço físico, temperatura ambiental e os efeitos da doença. Sendo assim, qualquer alteração dos sinais vitais de um paciente pode ser um sinal de intervenção médica ou de enfermagem.

O profissional sabendo as variáveis fisiológicas que influenciam os sinais vitais e reconhece a relação de suas alterações com o resultado da avaliação física, será capaz de elaborar determinações precisas sobre os problemas de saúde do paciente. É necessário medir os sinais vitais quando o paciente é admitido em um hospital ou unidades de saúde, durante uma consulta de rotina, antes e depois de qualquer procedimento cirúrgico e invasivo de diagnóstico, entre outros.

3. Pulso

3.1. Conceito:

É o nome que se dá à dilatação pequena e sensível das artérias, produzida pela corrente circulatória.

Toda vez que o sangue é lançado do ventrículo esquerdo para a aorta, a pressão e o volume provocam oscilações ritmadas em toda a extensão da parede arterial, evidenciadas quando se comprime moderadamente a artéria contra uma estrutura dura.

3.2. Fisiologia:

Com a contração do ventrículo esquerdo há uma ejeção de um volume de sangue na aorta, e dali, para a árvore arterial, sendo que uma onda de pressão desloca-se rapidamente pelo sistema arterial, onde pode ser percebida como pulso arterial. Portanto, o pulso é a contração e expansão alternada de uma artéria.

4. Verificação do pulso:

Normalmente, faz-se a verificação do pulso sobre a artéria radial. Quando o pulso radial se apresenta muito filiforme, artérias mais calibrosas como a carótida e femoral poderão facilitar o controle. Outras artérias, como a braquial, poplítea e a do dorso do pé (artéria pediosa) podem também ser utilizadas para a verificação. Nessas artérias pode ser avaliado: o estado da parede arterial, a freqüência, o ritmo, a amplitude, a tensão e a comparação com a artéria contra-lateral.

4.1. Técnica:

Pulso radial: a artéria radial encontra-se entre a apófise estilóide do rádio e o tendão dos flexores, sendo que para palpá-los empregam-se os dedos indicador e médio, com o polegar fixado no dorso do punho do paciente, sendo que o examinador usa a mão direita para examinar o pulso esquerdo e vice versa.

Pulso carotídeo: as pulsações da carótida são visíveis e palpáveis medialmente aos músculos esternocleidomastoideos. Para sua palpação, devemos colocar o polegar esquerdo (ou o indicador e dedo médio) sobre a carótida direita e vice-versa, no terço inferior do pescoço, adjacente à margem medial do músculo esternocleiomastoideo bem relaxado, aproximadamente ao nível da cartilagem cricóide.

Pulso braquial: colocar a mão oposta por debaixo do cotovelo do paciente e utilizar o polegar para palpar a artéria braquial imediatamente medial ao tendão do músculo bíceps, sendo que o braço do paciente deve repousar com o cotovelo esticado e as palmas da mão para cima.

4.2. Material para verificação do pulso:

Relógio com ponteiro de segundos.

4.3. Procedimento:

- Lavar as mãos;

- Explicar o procedimento ao paciente;

- Coloca-lo em posição confortável, de preferência deitado ou sentado com o braço apoiado e a palma da mão voltada pra baixo;

- Colocar as polpas dos três dedos médios sobre o local escolhido pra a verificação;

- Pressionar suavemente até localizar os batimentos;

- Procurar sentir bem o pulso, pressionar suavemente a artéria e iniciar a contagem dos batimentos;

- Contar as pulsações durante um minuto (avaliar freqüência, tensão, volume e ritmo);

- Lavar as mãos;

- Registrar, anotar as anormalidades e assinar.

5. Freqüência

O profissional de enfermagem deve conhecer a freqüência cardíaca basal para comparação antes de verificar o pulso. A freqüência cardíaca de um bebê ao nascer varia de 100 a 160 batimentos por minuto; aos 4 anos, a freqüência cardíaca (FC) média varia de 80 a 120 batimentos por minuto; e durante a adolescência e a vida adulta, a freqüência cardíaca média é de 60 a 100 batimentos por minuto. Dever ser verificado pelo profissional se o paciente está recebendo algum medicamento que possa afetar a freqüência cardíaca ou as contrações cardíacas, caso em que o pulso deve ser verificado antes de se ministrar a medicação.

5.1. Fatores que alteram a freqüência normal do pulso:

- Exercício: de curta duração aumentam a freqüência de pulsação e os de longa duração fortalecem o músculo cardíaco, resultando numa freqüência abaixo do normal quando o paciente estiver em repouso;

- Febre, Calor: ambos os fatores aumentam a freqüência de pulsação devido ao aumento do ritmo metabólico;

- Dor aguda, Ansiedade: aumentam a freqüência de pulsação devido à estimulação simpática;

- Dor intensa não aliviada: diminui a freqüência de pulsação devido à estimulação parassimpática;

- Drogas: várias drogas alteram a freqüência de pulsação, os digitálicos diminuem e a atropina aumenta;

- Hemorragia: devido à estimulação do sistema nervoso, a perda de sangue aumenta a freqüência de pulsação;

- Alterações Posturais: na posição deitada, a freqüência de pulsação diminui, enquanto nas posições sentada ou em pé, ela aumenta. Uma freqüência cardíaca abaixo de 60 batimentos por minuto é chamada de bradicardia e uma freqüência cardíaca elevada de modo anormal, acima de 100 batimentos por minuto é chamada de taquicardia. Quando ocorrer uma dessas alterações, a pulsação apical deve ser verificada.

6. Terminologia

- Normocardia: freqüência normal;

- Bradicardia: freqüência abaixo do normal;

- Taquicardia: freqüência acima do normal;

- Taquisfigmia: pulso fino e taquicárdico;

- Bradisfigmia: pulso fino e bradicárdico;

- Dicrótico: impressão de dois batimentos

7. Ritmo

Os batimentos cardíacos sucessivos normalmente ocorrem a intervalos regulares.

As anormalidades ameaçam a habilidade do coração em funcionar adequadamente, principalmente se ocorrer repetidas vezes. O profissional verifica uma arritmia ao perceber uma interrupção nas sucessivas ondas de pulsação.

Em caso de falha o pulso radial é geralmente mais lento do que o apical, refletindo uma contração cardíaca ineficaz, que falha na transmissão de uma onda de pulsação para o sistema arterial.

7.1. Disfunções no ritmo cardíaco:

- Arritmia Sinusal → A freqüência de pulsação se altera durante a respiração ela aumenta no pico da inspiração e diminui durante a expiração.

Causa: O sangue fica normalmente retido nos pulmões durante a inspiração, provocando uma queda no volume sistólico.

- Taquicardia Sinusal → O ritmo de pulsação é regular, mas a freqüência acelerada a mais de 100 batimentos por minuto.

Causa: Exercícios, estresse emocional e ingestão de cafeína ou álcool são fatores comuns da causa do aumento de disparo do nó sinoatrial.

- Bradicardia Sinusal → O ritmo de pulsação é regular, mas a freqüência é mais lenta que o normal, ficando entre 40-60 batimentos por minuto.

Causa: O nó sunuatrial dispara com menor freqüência. Esta ocorrência é comum em atletas bem treinados.

- Contração Ventricular Prematura → O batimento é prematuro, ocorrendo antes da contração cardíaca regularmente esperada.

Causa: O ventrículo contrai prematuramente como resultado de impulsos elétricos que surgem no ventrículo, fora da via normal de condução.

- O pulso é um dos sinais de indicação de insuficiência arterial.

8. Intensidade

É avaliada pela sensação captada em cada pulsação e está diretamente relacionada com o grau de enchimento da artéria na sístole e esvaziamento na diástole.

9. Tensão ou dureza

É avaliada pela compressão progressiva da artéria, sendo que se for pequena a pressão necessária para interromper as pulsações, caracteriza-se um pulso mole. No pulso duro a pressão exercida para desaparecimento do pulso é grande e pode indicar hipertensão arterial.

10. Comparação com artéria homologa

É sempre obrigatório o exame de pulso da artéria contra-lateral, pois a desigualdade dos pulsos pode identificar lesões anatômicas.

11. Elasticidade

Lisa, arredondada e elástica durante a palpação são características de uma artéria normal. Certas condições, entretanto, alteram a qualidade da parede arterial. Na arteriosclerose, a parede do vaso endurece e se torna semelhante à superfície de uma corda, e a artéria se torna tortuosa e torcida. A elasticidade ou a expansibilidade de uma artéria não altera a freqüência cardíaca, seu ritmo ou intensidade, mas reflete as condições gerais do sistema vascular periférico.

12. Uniformidade

Os pulsos do sistema vascular periférico devem ser avaliados bilateralmente. Uma interrupção local de fluxo sanguíneo, tal como um coágulo, é uma condição que pode causar variações entre os locais de verificação dos pulsos.

13. Observações

- Evitar verificar o pulso em membros afetados de paciente com lesões neurológicas ou vasculares;

- Não verificar o pulso em membro com fístula arteriovenosa;

- Nunca usar o dedo polegar na verificação, pois pode confundir a sua pulsação com a do paciente;

- Nunca verificar o pulso com as mãos frias;

- Em caso de dúvida, repetir a contagem;

- Não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isso pode impedir de sentir o batimento do pulso.

14. Conclusão

Diante dos parâmetros abordados podemos compreender melhor sobre o pulso que será de grande utilidade para nossa vida profissional, pois utilizaremos durante a avaliação de rotina dos sinais vitais. Sinais vitais são aqueles que evidenciam o funcionamento e as alterações da função corporal. Deixando claro que é importante o uso adequado das técnicas de verificação de pulso, pois estas técnicas são primordiais em um atendimento.

15. Bibliografia

Manual de procedimentos básicos de Enfermagem / Coordenadora: Maria Isabel Sampaio Carmagnoni - Rio de Janeiro- 1996

Sinais Vitais (Parte1) " SAUDEstetic

Adelman, E.M.: When the patient’s blood pressure falls what does it mean? What should you do? Nursing 8, 10:26, 1980.

Blainey, C.G.: Site selection in taking body temperatures, Am. J. Nurs. 74:1859, 1974

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